quarta-feira, 10 de junho de 2015

Evangelização e Amizade

Pe. C. John McCloskey
É cada vez mais aparente para qualquer pessoa séria que aquilo que era conhecido como o Ocidente cristão está em colapso. Basta olhar para as taxas de fertilidade nos Estados Unidos e nos países europeus que em tempos foram solidamente católicos.

O vazio está a ser preenchido quase inevitavelmente por muçulmanos que têm filhos e, salvo uma viragem radical no sentido da fertilidade, estes conseguirão finalmente aquilo que não conseguiram em Malta, Lepanto ou às portas de Viena. E como agora sabemos, tendo em conta os recentes eventos na Irlanda sobre a redefinição do casamento, talvez só o regresso de São Patrício em pessoa possa salvar até a Irlanda de se tornar islâmica.

Não devemos esperar grande misericórdia dos muçulmanos, a julgar pela destruição do Cristianismo no Médio Oriente que estamos a testemunhar agora, com grande tristeza. Milhares dos nossos irmãos estão a ser forçados a abandonar as suas terras, ou martirizados pela sua fé cristã, praticamente sem qualquer ajuda daquilo que sobra do Ocidente cristão.

Resta a questão: O que é que se pode fazer? Duvido muito que o Papa Francisco esteja a pensar convocar uma cruzada, como fizeram vários dos seus antecessores quando terras e povos cristãos foram atacados pelos muçulmanos, mas pode ser que me surpreenda.

Mas não, se o que sobrar da Cristandade se erguer para salvar o Ocidente, será pela procriação, tendo filhos, muitos filhos, sem medo, e educando-os como membros firmes da Igreja fundada por Jesus Cristo, nosso Salvador.

E os cristãos devem estar prontos a dar o peito às balas. Uma forma de os homens o fazerem é simplesmente tendo muitos amigos com quem partilham a sua fé católica. Todos os anos um jornal de grande tiragem nos Estados Unidos publica um inquérito em que pergunta: “Quantos amigos tem?”. Tristemente, a resposta mais comum para os homens, ano após ano, é dois: a sua mulher e um amigo!

Só por si isto é muito triste, mas também revela uma falta de verdadeira masculinidade e, infelizmente, o impacto da nossa cultura protestante e individualista nos Estados Unidos (e mesmo essa está a desmoronar-se).

Dois dos meus autores favoritos, ambos alunos de Oxford, um protestante (C.S. Lewis) e outro católico (o beato John Henry Newman), escreveram eloquentemente sobre a importância, e até a necessidade, de ter bons amigos homens. Lewis afirmou: “A amizade é o melhor dos bens mundanos. Para mim é certamente a maior alegria da vida. Se tivesse de aconselhar um jovem sobre o lugar onde viver, penso que diria: ‘Sacrifica quase tudo para poderes viver perto dos teus amigos’”.

G. K. Chesterton e Hilaire Belloc.
Grandes amigos, grandes cristãos
Numa carta ele escreveu: “Haverá maior prazer no mundo que uma roda de amigos junto a uma boa lareira?”. No seu livro “Os Quatro Amores” ele dedica um excelente capítulo à amizade, onde se pode ler: “Para os antigos, a amizade parecia o mais feliz e mais inteiramente humano de todos os amores. A coroa da vida e a escola de virtude. Comparativamente, o mundo moderno ignora-a… Mas na amizade – esse mundo luminoso, tranquilo e racional das relações escolhidas livremente – podia-se escapar de tudo isso. Apenas este, de entre todos os amores, parecia elevar-nos ao nível dos deuses ou dos anjos”.

No mesmo capítulo, Lewis escreve: “A amizade tem origem na mera camaradagem, quando dois ou mais companheiros descobrem que têm em comum alguma ideia ou interesse ou até gosto que os outros não partilham e que, até esse momento, todos pensavam ser um tesouro (ou uma cruz), unicamente seu. A expressão típica que dá início a essas amizades seria algo como: ‘O quê? Tu também? Pensava que era o único’”.

O beato John Henry Newman diz na sua homilia sobre Amor por Parentes e Amigos: “O amor pelos nossos amigos privados é apenas um exercício preparatório para o amor por todos os homens. O amor pela Humanidade em geral não é igual ao amor dos nossos pais, embora seja paralelo; mas o amor pela humanidade em geral devia ser, principalmente, o mesmo que o amor pelos nossos amigos, mas dirigido a objectos diferentes. A grande dificuldade das nossas obrigações religiosas é a sua extensão. Isto assusta e confunde o homem – naturalmente mais aqueles que negligenciaram a religião durante algum tempo e sobre os quais estas obrigações se revelam de uma só assentada. Devemos começar a amar os nossos amigos próximos, depois gradualmente começar a alargar o círculo das nossas afeições até chegar a todos os cristãos e depois a todos os homens”.

Resumindo tudo o que foi dito até aqui, se o Cristianismo vai sobreviver, é necessário que os homens católicos sejam maridos de uma só mulher e queiram ter muitos filhos. Como escreveu aquele grande homem Hilaire Belloc: “Nada vale o esforço da vitória, se não o riso e o amor dos amigos”.


(Publicado pela primeira vez no Domingo, 7 de Junho de 2015 em The Catholic Thing)

O Pe. C. John McCloskey é historiador da Igreja e Investigador na Faith and Reason Institute em Washington D.C.

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