quinta-feira, 21 de março de 2013

No Ano Novo, Bahá'ís lembram "irmãos" perseguidos

Marco Oliveira com Nelson Évora
ambos da religião Bahá'í
Transcrição na íntegra da entrevista a Marco Oliveira, da comunidade Bahá’í de Portugal. Notícia original aqui.

Como é que surgiu o calendário Baha’í
O calendário Baha’í inicia-se no dia 21 de Março. Coincide com o início da Primavera. É um calendário que se baseia no ano solar e tem 19 meses de 19 dias cada, e ainda alguns dias intercalares. Este mês que termina hoje, é de jejum, um mês de preparação para o ano novo em que vamos entrar.

Há aqui uma analogia com o que acontece no Cristianismo, com a Quaresma e com a Páscoa, há um período de preparação e depois um renascimento.

O ano novo é celebrado por todas as comunidades baha’í e em Portugal há diversas comemorações.

Mas não há também uma razão teológica?
Bahá'u'lláh era persa e na Pérsia o ano novo é sempre no 21 de Março e são essas raízes culturais que levaram a que se celebrasse o ano novo nesse dia.

Todas as comunidades celebram nesta altura, mas nalguns países há limitações à acção. Quais são os focos de maior preocupação?
As zonas de maior preocupação são alguns países do médio-oriente, nomeadamente o Irão e o Egipto, onde os Baha’í vêem a sua actividade e até as suas vidas pessoais profundamente condicionadas devido a preconceito religioso. Naturalmente também nos lembramos desses crentes que estão a sofrer essas pressões.

No Egipto houve melhorias com a primavera árabe?
O Egipto é como uma panela de pressão que se abriu. Se se proporcionaram mais algumas liberdades aos cidadãos, essas liberdades foram aproveitadas para dar espaço a uma série de preconceitos contra os baha’í. Neste momento temos conhecimento de alguns grupos fundamentalistas que pedem que os baha’í sejam hostilizados de uma forma ainda mais ostensiva do que são actualmente.

Em Portugal como é a comunidade?
Em Portugal há cerca de 4000 baha’í, a maioria são portugueses. Costumo dizer que a comunidade é uma espécie de amostra da sociedade portuguesa, temos pessoas de todo o género, desde o engenheiro doutorado ao trabalhador das obras, os médicos e os universitários, os empresários e os desempregados, jovens e reformados. Temos pessoas de todos os extractos e grupos em Portugal. Também há algumas famílias de origem persa que surgiram sobretudo depois da revolução iraniana, que chegaram como refugiados e depois se instalaram em Portugal e que deram o seu contributo para o desenvolvimento da comunidade.

No seu caso particular, como chegou ao conhecimento da religião Baha’í?
Nasci numa família católica, os meus pais são católicos praticantes. Em 1984 conheci a fé baha’í, no Bairro dos Olivais, em Lisboa. Percebi que o meu barbeiro era baha’í e estava a falar dessa religião a outra pessoa. Achei interessante, entrei na conversa, coloquei questões, investiguei e passados cinco meses aceitei a fé baha’í. A família não gostou muito mas também não aceitou mal. A minha mãe disse que preferia ter um filho com alguma espiritualidade e sentido do divino e do sagrado, mesmo não sendo católico, que ter um filho que se diz católico mas na prática não seria nada disso.

É uma religião muito conhecida pela sua tolerância…
Exacto. O fundador encorajou-nos com as seguintes palavras: “Associai-vos com os seguidores de todas as religiões num espírito de fraternidade e união”, é isso que tentamos fazer.

1 comentário:

  1. Que crenças têm? É religião ou idolatria ao fundador??

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