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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Voltei de férias, posso-me ir embora outra vez?

Antes de ir de férias falei várias vezes do caso McCarrick, nos EUA. O que para muitos parecia ser apenas uma crise localizada nos EUA revelou-se, como eu já imaginava, uma crise para a Igreja Global que hoje levou o Papa a convocar todos os presidentes de Conferências Episcopais para uma cimeira sobre abusos, em Fevereiro.

Isto no mesmo dia em que o sucessor de McCarrick anunciou que vai a Roma discutir a sua resignação e um relatório na Alemanha, revelado pela imprensa, mostra que houve pelo menos 3.700 casos de abusos sexuais naquele país nas últimas sete décadas.

Neste momento os bispos americanos preparam-se para viajar para Roma para discutir estes assuntos mais directamente com o Papa também e o secretário pessoal de Bento XVI disse ontem, numa data apropriada, que os abusos são o 11 de Setembro da Igreja.

Por cá, os bispos continuam a confiar que as directrizes já aprovadas chegam para lidar com eventuais casos de abusos. Esperemos que tenham razão.

O tema dos abusos continua a merecer atenção por parte dos autores dos artigos do The Catholic Thing. Anthony Esolen dá um murro na mesa neste artigo e o padre Vaverek considera que o que está verdadeiramente em causa é uma crise de abuso de autoridade.

Temos também dois artigos do jovem Casey Chalk. No primeiro ele aconselha-nos a, no meio da tempestade, rezar mais e com mais força e, no de hoje, adverte para o perigo de, no meio dos pedidos de responsabilização, não “protestantizar” a Igreja.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Nossa Senhora de Fátima protegida pelos páras

Drama na República Centro-Africana, onde uma igreja foi atacada ontem. Morreu um padre e cerca de 20 fiéis. A igreja chama-se Nossa Senhora de Fátima e está neste momento a ser protegida por paraquedistas portugueses.

É já daqui a 27 dias que os nossos deputados discutem se o Estado deve matar os seus cidadãos doentes e frágeis. A Renascença falou hoje com uma psicóloga belga que diz algo que deveria parecer óbvio: “A Eutanásia por sofrimento mental compromete todo o sector dos cuidados em saúde mental”.

Enquanto se fala de eutanásia já vai avançando a questão da mudança de género. O assunto vai ser debatido nos Jerónimos na sexta-feira, não percam. Detalhes no anexo.

A Administração americana é acusada de não fazer o suficiente para proteger a liberdade religiosa no mundo.

Há um novo príncipe! Não, não é o Louis… Este tem 73 anos e bigode e é o novo grão-mestre da Ordem de Malta.

Os bispos alemães criticam a decisão do Governo regional da Baviera de colocar crucifixos nos edifícios públicos.

Ainda o caso Alfie Evans, desta vez no artigo do The Catholic Thing desta semana, onde Stephen White põe o dedo na ferida e destaca o perigo inerente à ingerência do Estado os assuntos das famílias, apoiado nas palavras de Leão XIII.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Avaliando o Progresso na Luta pela Vida

Alan L. Anderson
Na passada sexta-feira realizou-se a 45.ª Marcha pela Vida, em Washington, pelo que vale a pena ponderar os significativos progressos feitos ao longo do último ano na tentativa de assegurar o mais fundamental dos direitos que Deus nos concede – o direito à vida. As conquistas têm sido ao nível público e por vezes político, mas nestas questões convém lembrar sempre que os nossos verdadeiros inimigos são os “poderes e potestades”, “tronos e dominações”, sobre os quais São Paulo nos avisou.

Alguns pró-vida, sobretudo os que estavam preocupados com as credenciais de Donald Trump neste campo, poderão estar agradavelmente surpreendidos com o facto de, durante este seu primeiro ano no poder, se ter revelado um aliado fiável. Seja qual for a opinião dele no geral, agiu de forma rápida e sólida para inverter o percurso impiedoso e anti-vida do seu antecessor Barack Obama. Trump nomeou e garantiu a confirmação do juiz pró-vida Neil Gorsuch para o Supremo Tribunal americano. Foi a nomeação pró-vida mais importante de várias, incluindo o senador Jeff Sessions para procurador-geral e Sarah Huckabee Sanders como chefe do gabinete de imprensa.

Na arena política, Trump não só reinstituiu como expandiu dramaticamente a Política da Cidade do México, que proíbe o financiamento federal de organizações não-governamentais que praticam e promovem o aborto; retirou também o financiamento ao Fundo de População das Nações Unidas e promulgou regulamentos que permitem aos Estados desviar fundos da Planned Parenthood.

Em Outubro o Departamento de Saúde e Serviços Humanos expandiu significativamente as objecções de consciência para funcionários ao abrigo do Mandato de Contracepção do Obamacare. Também em Outubro a Câmara dos Representantes aprovou uma lei que protege nascituros capazes de sentir dor, embora essa lei esteja actualmente presa no Senado. Da mesma forma (graças a senadores como Marco Rubio e Mike Lee, que se mantiveram firmes para que fosse aprovada), a lei de reforma fiscal inclui um maior crédito fiscal para crianças, que será muito benéfico para famílias trabalhadoras, promovendo assim ainda mais uma cultura da vida.

Infelizmente também houve retrocessos ao nível dos estados. Por exemplo, o governador republicano do Illinois, Bruce Rauner, assinou uma lei radical e anti-vida que financia os abortos e declara que o aborto continuará a ser legal naquele estado, mesmo que o Roe V. Wade seja revogado. Da mesma forma, tentativas por parte dos estados de Texas e da Virgínia para retirar o financiamento à Planned Parenthood foram frustrados por um juiz e um governador anti-vida, respectivamente.

Fraco consolo para a malta da Planned Parenthood, contudo, uma vez que foi anunciado para o final de 2017 que o FBI e o Departamento de Justiça lançaram uma investigação acerca da venda de tecidos fetais obtidos através de abortos.

Mas outras duas histórias – daquelas que desaparecem tão depressa que não temos tempo de avaliar a sua importância – que também apareceram no final de 2017 e que nos dão que pensar, recordam-nos de que embora as nossas batalhas se travem na arena política, jurídica e burocrática, esta continua a ser, na sua raiz, uma guerra espiritual.

Primeiro, duas figuras mediáticas conhecidas – Chip e Joanna Gaines do programa “Fixer Upper” – anunciaram que estão à espera do seu quinto filho. As redes sociais explodiram com reacções ferozes. Um crítico observou que “a sobrepopulação está a matar o planeta. Ter outra criança é um acto irresponsável”, o que levanta o véu bonitinho que pretende esconder o que o movimento pró-aborto tem em mente quando fala de “escolha”. Outros pareciam regozijar-se com os boatos sensacionalistas de que o casamento do casal estava em perigo, sugerindo que apenas estavam a ter mais um bebé para tentar salvar a relação. “Ter um bebé não vai melhorar a vossa vida”, disse um. Um casal anuncia que vai ter mais um bebé – um momento belo, um momento de celebração – e chovem mentiras e fealdade. Os demónios estão certamente satisfeitos.

Depois, surgiu um video no YouTube, postado pela Students for Life of America, no dia 4 de Janeiro, que serve para nos mostrar os progressos feitos pelo Pai da Mentira nas nossas instituições de ensino superior de elite. O vídeo mostra um aluno na Universidade de Tennessee a argumentar, de forma calma e serena, a favor da legitimidade do infanticídio, argumentando que uma vez que crianças de dois anos não são “sensíveis” – uma palavra cujo significado parece muito orgulhoso de conhecer – não têm direito à vida. Muitos de nós conhecemos académicos, como
Peter Singer e Steven Pinker que apresentaram argumentos igualmente “insensíveis”. Mas que estas opiniões tão assustadoras possam ser expressas de forma tão descomprometida por um jovem num campus em Knoxville, Tennessee, deve servir para nos alertar sobre o quão longe se espalhou este espírito nocivo que continua a afectar negativamente a nossa cultura.

Claro que devemos continuar as marchas, o exercício dos nossos direitos políticos e os processos. Mas não nos esqueçamos das nossas armas mais poderosas – esmola, jejum e oração, sobretudo o terço. O combate é espiritual e no final de contas vencer-se-á no plano espiritual. A conversão das leis virá depois da conversão dos corações. Seria fácil deixarmo-nos desencorajar nesta tarefa, mas devemo-nos lembrar sempre que “Para Deus tudo é possível” (Mt. 19,26).

Imaculado Coração de Maria, rogai por nós e pelos nascituros que tentamos proteger.


Alan L. Anderson trabalha há mais de vinte anos para a diocese católica de Peoria, ao nível paroquial e diocesano. É um convertido, ia de quatro filhos e escreve sobre cultura e fé a partir de Roanoke, Illinois.

(Publicado pela primeira vez na sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018 em The Catholic Thing)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Deus Estava lá, os Socorristas Também

Randall Smith
Há uma piada antiga que começa com uma cheia. A água tinha passado o primeiro andar da casa de um homem quando passou um barco. “Entra”, disseram. “Não”, respondeu o homem. “Deus vai salvar-me”. A água já tinha subido até ao segundo andar quando passou outro barco que o instou a entrar. “Não”, disse o homem, “Deus vai salvar-me”. A água subiu mais até que o homem estava no telhado e passou um helicóptero que baixou uma escada. Mas o homem recusou, dizendo que Deus o salvaria. O homem morreu afogado e quando chegou a Céu questionou Deus: “Porque é que não me salvaste?” Ao que Deus respondeu: “Enviei-te dois barcos e um helicóptero. Que mais é que querias?”

Conto esta piada aos meus alunos quando falamos sobre a noção metafísica da criação, de São Tomás de Aquino. Para São Tomás, a criação é a dádiva completa e contínua de “ser” a tudo o que existe. Se Deus deixasse de “criar” uma coisa, deixaria completamente de existir. E porém, as coisas existem. A obra de Deus enquanto criador e a existência de uma coisa não são mutuamente exclusivas; pelo contrário, esta depende daquela. É o mesmo com a acção de Deus no mundo: Deus pode, e costuma, trabalhar em e através de causas naturais. A causalidade natural no universo e a causalidade divina não são mutuamente exclusivas. A primeira depende da segunda, mas ambas operam às suas maneiras, tal como quando corto lenha com um machado, eu corto a lenha e o machado corta a lenha – eu, como causa primária e o machado como causa secundária. Não é “uma coisa ou outra”, é “uma coisa e a outra”.

Quase todos os cristãos compreendem esta verdade fundamental, e é por isso que saíram à rua para salvar pessoas em Houston na semana passada e para ajudar as pessoas a limpar os estragos do furacão Harvey. Não se limitaram a dizer: “Deus tomará conta disto, por isso não preciso de me preocupar”. Disseram “Deus tomará conta disto em e através de mim. Eu devo ser um instrumento da vontade de Deus. Sou chamado para ser as mãos e os pés de Cristo, agora”.

Se viu a cobertura mediática, foi esta a mensagem repetida várias vezes. Poderíamos responder à acusação de Marx de que “a religião é o ópio do povo” com base na experiência de Houston da semana passada – e de tantas outras situações na história – que, longe de ser um opiáceo, a religião parece ser um fortíssimo estimulante, sobretudo em tempos de crise. As massas estão agarradas ao ópio, sim, e em grande número, mas não tem nada a ver com o Cristianismo.

Alguns anti-teístas, porém, insistem em imaginar que todos os cristãos são como o homem ignorante da piada e não como os homens e as mulheres que saíram à rua em massa para ajudar os outros, inspirados pela sua fé em Deus. Um cartoon publicado recentemente no “Politico” mostra um texano provinciano com uma t-shirt com a bandeira confederada (naturalmente) a ser salvo por um helicóptero e a gritar: “Anjos, enviados por Deus!”. Ao que o socorrista sério responde, enquanto veste um colete à mulher que foi deixada para trás: “Er… Por acaso, Guarda Costeira… Enviada pelo Governo”.


Percebe a ideia. O burgesso tonto pensa que foi salvo por Deus, mas o guarda costeiro sério sabe melhor. É um caso clássico de uma coisa ou outra. Mas o cartoonista não conhece, evidentemente, muitos dos socorristas desta zona. Por razões que ele próprio conhece, gosta de pensar que partilham a mesma atitude que ele em relação à religião. Mas para a maioria não é assim. Os cristãos que acreditam na sacramentalidade de toda a criação não têm o menor problema em aceitar que Deus pode trabalhar em, e através de, causas naturais. Claro que não existem “provas” da existência de tal Deus que pudessem convencer um ateu, mas essa não é a questão. Ninguém está a tentar usar estes socorristas de Houston como arma de arremesso contra os ateus. É o ateu quem está a insistir que se há uma causa natural como um guarda costeiro envolvido no resgate, então Deus não pode estar presente.

Afinal quem é que está a revelar sinais de intolerância e mente fechada?

Mas o cartoon tem ainda outro claro exemplo da mentalidade de “uma coisa ou a outra”. Reparem que o guarda costeiro faz questão de dizer que vem “do Governo”, enquanto o campónio texano tem um cartaz na sua casa a proclamar “secessão” e uma bandeira que diz “Não me pises”. Este detalhe é peculiar, uma vez que a primeira vez que essa bandeira foi hasteada foi num barco de tropas colonialistas em1776 e continua a ser hasteada em navios da marinha em tempos de guerra.

A implicação do artista é clara: “Como é que pensas que te safarias, Sr. Campónio Texano, se o Governo não estivesse lá para te salvar?”

Só que na realidade não foi isso que aconteceu, pois não? O que salvou milhares de texanos de um destino parecido com o de Nova Orleãs no tempo da Katrina, foi precisamente o facto de ninguém ter esperado pela ajuda do Governo federal. Vizinhos entraram em acção para ajudar vizinhos: o “exército Cajun” veio da Luisiana e de outras partes do Texas e, sim, a cidade, o concelho, o Estado e o Governo federal desempenharam, cada um, o seu papel – em larga medida sem rancor, apontar de dedos ou procura de louros.

Não foi um caso de “uma coisa ou outra”, foi um caso de “uma coisa e outra”. Os católicos chamam a isto “subsidiariedade”. A fé cristã não levou as pessoas a esperar pela ajuda de Deus e bem sabemos que os resultados de depositar uma fé secular no Governo nem sempre são eficazes.

Há forças em acção na América hoje que beneficiam de, e por isso preferem, a mentalidade de “uma coisa ou outra”. Não será chegada a altura de falarmos dos benefícios do “uma coisa e outra”? Não é Deus ou causas naturais, são ambos, cada um à sua maneira. Não é o Governo federal ou os cidadãos privados, igrejas e governos locais, são todos, cada um a desempenhar o seu papel, trabalhando juntos para ajudar pessoas reais com necessidades reais.

A atitude “uma coisa ou outra” é o que costuma resultar quando a ideologia começa a ser mais importante do que as pessoas. Mas a mentalidade “uma coisa e outra” é necessária quando no coração das nossas crenças – sejam elas seculares ou religiosas – está o serviço às necessidades reais dos outros. 


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quinta-feira, 14 de Setembro de 2017)

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terça-feira, 27 de junho de 2017

Árabes consagram em Fátima, ameaçam no Curdistão e perdem nos EUA

Curdos próximos da independência no Iraque
Quem esteve em Fátima no fim-de-semana não pode ter deixado de se surpreender com a quantidade de pessoas que falavam árabe nas ruas. A explicação é fácil. Milhares de libaneses vieram ao santuário consagrar o seu país a Nossa Senhora. A sua protecção, dizem, tem evitado que a guerra da Síria passe a fronteira.

É lançado amanhã o novo livro de José Luís Nunes Martins, colunista da Renascença. Vale a pena ler esta entrevista para aguçar o apetite.

Domingo há ordenações um pouco por todo o país. Em Vila Real são dois os jovens que serão feitos sacerdotes. No dia seguinte estarão já a participar no torneio de futebol para padres…

Nos EUA o Supremo Tribunal deu a Donald Trump uma meia vitória na questão da proibição de entrada de muçulmanos no país.

Esta semana olhamos de perto para o que se passa no Iraque. A cidade de Mossul está prestes a ser libertada das garras do Estado Islâmico mas o futuro pode ainda trazer complicações. A agravar o problema temos o referendo pela independência anunciado pelo Curdistão Iraquiano para Setembro. Poderá estar prestes a nascer um novo Estado?

Não deixem de ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing sobre a cristofobia e, indirectamente, a islamofobia do político americano Bernie Sanders.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A Vingança dos Apegados Amargos

Francis J. Beckwith
Devíamos ter desconfiado que alguma coisa se iria passar. Os Cavaliers venceram o NBA, os Cubs foram campeões de Basebol, o Reino Unido votou para abandonar a União Europeia e Bob Dylan venceu o prémio Nobel da Literatura. Este não é um ano normal.

Quando a comunicação social declarou, na manhã de Quarta-feira, que Donald J. Trump vai ser o 45º Presidente dos EUA, vieram-me à cabeça as palavras do mais recente Nobel da literatura: “Something’s happening here, and you don’t know what it is, do you, Mr. Jones?”

Tal como a maioria dos membros da classe dos opinadores, fui apanhado completamente desprevenido pela vitória de Trump. Praticamente nenhum dos meus amigos – incluindo muitos que se identificam como conservadores – apoiava o Trump. Eles argumentavam – como eu fiz em vários lugares – que havia fortes razões práticas e morais para não votar em Trump (nem na Hillary, já agora).

Pensávamos que tendo em conta as indiscrições públicas e privadas de Trump, aliados à sua impulsividade e imprevisibilidade, para não falar nos seus comentários pouco delicados sobre imigrantes, a sua eleição seria catastrófica tanto para o Partido Republicano como para o país. Mas o facto é que praticamente nenhum de nós pensava que se teria de preocupar mesmo com o país, porque achávamos que era inelegível. Caramba, como nos enganámos!

Tal como o Mr. Jones do Bob Dylan, não fazíamos ideia do que é que se estava a passar aqui. Eu e os meus amigos existimos no equivalente cultural a um condomínio fechado: suburbanos, profissionais, com educação superior, de classe média, viajados e cosmopolitas. Temos posses e estamos em larga medida isolados do dia-a-dia das vidas da maioria dos americanos de classe operária, brancos, religiosos e sem formação universitária, ou seja, aqueles cujos votos deram a vitória a Trump na Pensilvânia, no Iowa, no Ohio, no Michigan e no Wisconsin.

Era destas pessoas que Barack Obama falava de forma tão condescendente em 2008 quando se dirigia em privado a um grupo de dadores em São Francisco:

Vamos a estas pequenas vilas na Pensilvânia e, como em muitas das vilas pequenas do Midwest, os empregos desapareceram há 25 anos e nada os substituiu. E passaram as administrações de Clinton e de Bush e cada uma delas disse que as comunidades se iam regenerar, mas isso não aconteceu.

Por isso não é de admirar que fiquem amargos, que se apeguem a armas ou à religião ou à antipatia para com pessoas que não são como elas, ou sentimentos contra os imigrantes ou contra o comércio livre como forma de explicar as suas frustrações.

Apesar destes comentários, Obama obteve o voto de uma boa parcela destes “amargos apegados”. Parece que estavam dispostos a suportar os insultos elitistas desde que isso levasse a melhores perspectivas para eles e para as suas famílias. Mas oito anos volvidos as coisas não correram assim. Não só estão piores agora, como as suas preocupações sobre a imigração, as políticas de comércio, segurança policial e nacional e liberdade religiosa passaram a ser descritas pelos seus “superiores” como meras expressões viscerais de xenofobia, fascismo, racismo, islamofobia e ódio. É claro que é sempre possível encontrar entre estas pessoas alguns cuja linguagem torna credíveis estas descrições, mas aquilo que eu sinto é que para a vasta maioria são preocupações que nascem de um amor profundo pelas suas famílias e a sua nação.

O único candidato que pareceu abordar estas preocupações e de as levar a sério foi Donald Trump. Certo, fê-lo de forma bombástica, por vezes desarticulada, e com uma linguagem muitas vezes desagradável, desnecessariamente agressiva ou chocantemente ofensiva. Mas para quem mais é que estes eleitores se podiam voltar? Hillary Clinton?

Foi ela quem descreveu os apoiantes de Trump, durante um comício LGBT em Setembro, da seguinte forma: “Sabem, generalizando bastante, podíamos meter metade dos apoiantes de Trump naquilo a que eu chamo o ‘cesto dos deploráveis’. Não é?... Os racistas, sexistas, homofóbicos, xenófobos, islamofóbicos – tudo isso.” Ao condenar publicamente os apegados amargos de Obama ao cesto de deploráveis, deliciando-se com os risos que se lhe seguiram, Clinton e a plateia embeiçada selaram o seu destino, sem sequer darem por isso.



Mas houve mais, graças ao Wikileaks, os “deploráveis” também puderam espreitar atrás da cortina. O que vieram foi as elites – que na maioria frequentaram as mesmas escolas, vivem nos mesmos bairros, auferem os mesmos ordenados e têm os mesmos amigos – a usar as suas ligações para dar a Clinton aquilo que a maioria das pessoas considera serem vantagens injustas. Quando se vê os autoproclamados defensores da justiça social e manipular o sistema em favor dos amigos ao mesmo tempo que lhe chamam a si e aos seus vizinhos “deploráveis” (isto sem falar sequer das críticas gratuitas ao Catolicismo), a indignação parece ser a resposta emocional mais apropriada.

Em breve veremos se Trump vai cumprir com algumas das coisas que devem interessar a qualquer católico sério: Nomeações para o Supremo Tribunal e defesa da liberdade religiosa, não só contra aspectos como os mandatos do Obamacare que afectam grupos como as Irmãzinhas dos Pobres, mas de forma mais geral na pressão do Governo federal sobre crentes tradicionais que resistem à promoção agressiva do aborto e de um entendimento da sexualidade humana que é intrinsecamente hostil à sua teologia moral.

Inclino-me a pensar que vai.

Isto não significa que eu tenha mudado de opinião sobre Trump e sobre como o seu carácter pessoal e exemplo público podem afectar o carácter dos cidadãos desta nação bem como a trajectória do Partido Republicano, mas espero sinceramente que esteja enganado.

Talvez a noção que o Presidente eleito tem da gigantesca responsabilidade da Sala Oval, combinadas com a escolha de pessoas excelentes para ocupar posições de liderança e de aconselhamento na sua administração resultem num Presidente Trump menos dados ao exercício indisciplinado daquilo que São Tomás de Aquino chamou os apetites irascíveis e concupiscíveis.

Quem sabe? Mas num ano em que os Cubs foram campeões de basebol e Dylan venceu o Prémio Nobel, tudo pode acontecer. E porque em Deus tudo é possível o Sr. Trump, e a nação que ele vai servir, devem agora estar constantemente nas nossas orações. 


(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016 em The Catholic Thing)

Francis J. Beckwith é professor de Filosofia e Estudos Estado-Igreja na Universidade de Baylor. É autor de Politics for Christians: Statecraft as Soulcraft, e (juntamente com Robert P. George e Susan McWilliams), A Second Look at First Things: A Case for Conservative Politics.

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Eutanásia: Vidas Que Não Contam

David Walsh
Numa altura em que “Black Lives Matter” [Vidas Negras Contam] se tornou um slogan tremendamente eficaz, não deixa de ser irónico que em Washington D.C., uma cidade com uma grande proporção de afro-americanos, a Câmara esteja a pensar em legalizar o suicídio medicamente assistido.

A contradição tornou-se palpável numa reportagem franca, publicada pelo “Washington Post” recentemente, com as reacções dos cidadãos que tendiam a ver a medida como direccionada a “idosos negros”. Num claro contraste com o tom positivo do editorial do mesmo jornal sobre o assunto, os residentes não hesitaram em manifestar as suas desconfianças. Intuitivamente, eles sabem que a opção do suicídio assistido, quando colocada, dificilmente se manteria dentro dos limites da liberdade de escolha.

A pressão, por vezes subtil, por vezes nem tanto, será inevitável. Não há seguranças legais que removam a suspeição de que a opção do suicídio se torne uma forma de remover os membros mais fracos e marginais da comunidade.

Tal como acontece com grande parte destas iniciativas paternalistas, não é preciso atribuir um propósito nefasto a quem defende esta medida. O mal pode ser feito sem que isso seja intenção de ninguém. Isso é particularmente verdade quando a intenção é o alívio, por compaixão, do sofrimento dos doentes terminais.

O perigo do suicídio medicamente induzido não se encontra na possibilidade de ser mal utilizado nem na forma como ameaça a relação entre médico e doente, mas sim no próprio conceito. Mesmo sem que ninguém tenha sido eutanasiado, o Estado, ou neste caso o Distrito, já declarou que há vidas que não contam.

Quando o sofrimento ou o fardo se tornam suficientes, estas pessoas e os seus médicos têm luz verde para se eliminarem. Os profissionais de medicina que estão na linha da frente deste encontro têm bem presente o abismo que se abre nesta situação.

Mas o mesmo se aplica a todos nós, familiares, amigos e concidadãos. Podemos nós julgar, como temos de fazer no caso de aceitar o seu pedido, que a vida do paciente já não vale a pena ser vivida?

É particularmente quando pensamos que estamos a agir com os mais nobres motivos que esses motivos devem ser alvo de maior escrutínio. Quando ajudamos alguém a matar-se, essa ajuda esconde uma reverência diminuída pelo doente? Não falo aqui do perigo de um caminho que leva inevitavelmente à expansão do suicídio assistido dos doentes terminais para os meramente doentes, digo apenas que essa desvalorização já aconteceu no preciso momento em que temos a presunção de julgar o valor de uma vida.

Mesmo que o doente terminal esteja disposto a encarar a sua vida como indigna de ser vivida, nós não podemos simplesmente aceitar esse desânimo como definitivo. A nossa responsabilidade é afirmar que, mesmo nos seus últimos dias, essa vida tornou-se para nós ainda mais preciosa.

A morte não é o fim da vida, mas sim o momento em que ela existe com maior profundidade. Toda uma vida pode ser dada a conhecer no apertar de uma mão. Mesmo na morte, estamos ligados. É por isso que não podemos simplesmente aceitar a morte como sendo o fim da pessoa, porque os mortos já nos falaram de além da fronteira que nos separa.

Só quando seguimos a lógica da eutanásia é que começamos a ver a fonte das confusões em que nos deixámos apanhar. Pensando agir com compaixão, ajudamos a executar a pessoa, aniquilando precisamente aquele que tencionávamos servir.

O suicídio nunca pode ser um meio de tratamento médico, uma vez que todo o tratamento pressupõe a existência de um doente a quem se serve. A prática da medicina sofre uma bizarra distorção se passar a incluir a eliminação dos seus pacientes.

De igual forma, a comunidade política tem como obrigação primária guardar a vida, liberdade e felicidade dos seus constituintes. Não pode simplesmente declarar que eles serão mais bem servidos pondo fim às suas vidas.

É por isso que não se pode instalar na nossa constituição um “direito à morte”. O cuidado pelos mortos não pode incluir a imposição deliberada da morte. Quando a Santa Teresa de Calcutá saía às ruas daquela cidade para trazer consigo os moribundos, nunca tinha por objectivo acelerar a sua morte. Pelo contrário, era para esbanjar neles a maior quantidade de amor possível nas horas e nos dias finais das suas vidas. 

Não podemos dizer às pessoas que elas têm um valor inesgotável e depois, enquanto as ajudamos a morrer, dizer-lhes que o seu valor se esgotou.

Tal como a compaixão não pode incluir a abolição do outro, a liberdade não pode incluir a eliminação da vida em que assenta. Não nos podemos vender para a escravidão, porque isso é literalmente impossível. Da mesma forma, não podemos encarar a destruição da nossa liberdade como um exercício legítimo da mesma liberdade.

Ao concluir que um certo tipo de vida já não conta, lançamos uma sombra sobre toda a vida humana. A partir deste momento todas as vidas se tornaram susceptíveis de serem avaliadas e por isso sujeitas àquela negociação da qual são sempre os mais fortes que saem vitoriosos.

O perigo de admitir o suicídio medicamente assistido não está só no facto de que alguns indivíduos possam ser despachados antes de tempo, mas no facto de deslocarmos a primazia do direito à vida em todo o nosso entendimento político.

Se a vida deixar de ser absoluta, então nenhum dos nossos direitos são invioláveis. Em vez de ver cada vida humana como sendo de valor inestimável, atribuímos a todas elas um preço.


David Walsh é professor de política na Catholic University of America e autor de muitos livros, entre os quais “Politics of the Person as the Politics of Being”.
(Publicado pela primeira vez no Sábado, 5 de Novembro de 2016 em The Catholic Thing)

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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Não Interessa Quem Ganha

David Warren
“Não se deve julgar os homens pelas suas opiniões, mas por aquilo que as suas opiniões fizeram deles.”

Esta, segundo Georg Christoph Lichtenberg, é uma regra de ouro. Tal como todas as regras de ouro, tem a habilidade misteriosa de ser instantaneamente esquecida. É mais fácil julgar os homens pelas suas opiniões, e elencá-los com base na semelhança com as nossas próprias. Tudo o resto requer alguma capacidade de discernimento espiritual.

O culto católico (e ortodoxo) dos santos desafia esta tendência para esquecer. Não respeitamos os santos pelas suas opiniões cristãs, damos essas por adquiridas e há muitos que partilham delas sem serem santos. Antes, apreciamos a forma como os santos dão vida a estas coisas inertes, porque o amor, sem aquilo que representa, não passa de uma opinião.

Não pretendo, com isto, menosprezar o Catecismo. É um manual de instruções daquilo em que acreditamos e explica como é que estas crenças se interligam. Sem ele facilmente nos perdemos, como se vê ao olhar para as pobres almas que se persuadiram de que podem fazer o seu próprio Cristianismo, improvisando. A sua sinceridade, partindo do princípio que é genuína, é rapidamente ultrapassada pela sua confusão.

“Eu sinto isto” e “eu penso aquilo” são expressões comuns na religião contemporânea, tanto dentro como fora da Igreja. Raramente ouço sequer uma referência decorativa à autoridade do magistério. Na verdade, o orador está a assumir o estatuto de profeta, com linha directa para Deus. Só que não fala em línguas, mas em clichés.

Mas o Catecismo, os Evangelhos (não modernizados), a Escritura como um todo, são o ponto de partida para a compreensão de algo que, no fim de contas, os ultrapassa. Cristo não se pode reduzir a um manual de instruções, nem veio à Terra para nos dar um. Foi a Igreja que reuniu estas coisas – incluindo o cânone das escrituras – para nos colocar no Seu caminho.

Temos nestas coisas, e na teologia católica que nelas assenta, um ponto de partida sólido para um destino que é inimaginável neste mundo. Os santos e os mártires guiam-nos para além dos horizontes que conseguimos manter em vista.

Foi a dimensão humana de Jesus que o tornou acessível a todos os homens. São as qualidades sobretudo humanas que fazem dos santos os seus companheiros de serviço – pois sabemos que estão a fazer coisas que estão ao alcance da capacidade humana.

Ou pelo menos devíamos saber: Que a fé pode mover montanhas; que a fé pode, no decurso de uma vida humana “normal” erguer-nos, ou antes, levitar-nos a um ponto de onde vemos que a santidade, com a Graça de Deus, é possível. (Como me disse uma vez um padre Anglicano, “Um primeiro passo rumo à santidade é compreender que a santidade é possível”).

Erguer-nos: erguer-nos de entre os mortos. É tudo o que se nos pede, e a ajuda divina é garantida. Mas não serão as nossas opiniões a elevar-nos. Pode-se dizer que essa elevação começa por seguir instruções, como tudo o que isso implica. Começamos com o esqueleto da crença cristã, mas para nos erguermos temos de lhe dar corpo.

Russell D. Moore
Por estranho que possa parecer, o meu objectivo com tudo isto é falar de política e Cristianismo, uma área em que as nossas opiniões nos pesam. Mas fui apanhado de surpresa ao ver que um pregador evangélico se tinha antecipado a mim. Refiro-me a Russel D. Moore, orador da “palestra Erasmus” deste ano do First Things. Na minha opinião vale bem a pena lê-lo ou escutá-lo durante umas horas.

Isto porque ele elabora sobre uma ideia parecida com aquela de Lichtenberg, que citei acima. Ele afirma, na sua palestra, e em resposta a questões colocadas depois, um fantástico paradoxo, que vale a pena interiorizar: Que Hillary Clinton, vista como inimiga por grande parte da Direita Evangélica, praticamente lhes pode fazer mal. Talvez, se for eleita, possa nomear o Anticristo para juiz do Supremo Tribunal, ou embarcar em aventuras militares no estrangeiro que apressem o Apocalipse; mas ainda assim não pode fazer mal à alma de um único evangélico, ou outro cristão qualquer.

Para isso ela não tem qualquer poder. Só poderia ter esse poder se exercesse sobre eles tamanha atracção que eles estivessem dispostos a defender os bens que ela está a vender. Só então é que ela estaria em posição de os poder corromper, e não quando eles não sonham sequer em votar nela.

Mas Moore sugere, contudo, que ao colocar a política acima da religião, para apoiar o incorrigível Donald Trump, que os campeões da Direita religiosa estão na verdade a colocar em perigo almas cristãs, pois estão dispostos a colocar de lado o seu apoio aos “valores da família” e ao que actualmente se chama “conservadorismo social” para conseguirem eleger o seu candidato. Com isso provaram ser puros “consequencialistas”, que é como quem diz, totalmente cínicos.

Embora se limite a criticar alguns anciãos da sua própria igreja – e, note-se, diante de um auditório sobretudo católico – Moore está a passar uma mensagem que atravessa as fronteiras das denominações. Para podermos ser de algum valor na política, ou para o nosso país, em primeiro lugar devemos ser cristãos. A partir do momento em que nos dispomos a fazer cedências – sobretudo cedências morais, para poder ganhar algum avanço – estamos perdidos e não servimos para ninguém.

“De nada serve ao homem trocar a sua alma pelo mundo, Ricardo. Mas por Gales?”, diz Thomas More no filme dos anos 60.

Ele é o santo padroeiro dos políticos precisamente porque apesar de estar sob tremenda pressão, pôs a fidelidade a Cristo e à sua Igreja acima não só do seu interesse pessoal, mas de qualquer objectivo político. Sejam quais tenham sido as suas opiniões, recordamos aquilo que fizeram dele: Um farol cuja luz atravessa as épocas.

Por paradoxal que possa parecer à primeira vista, esta é a única forma cristã de agir. A questão de carácter vai directamente ao tutano, ao nosso tutano. Nunca nos devemos tornar tão mundanos que sacrificamos as nossas crenças cristãs para tentar alcançar o poder.


David Warren é o ex-director da revista Idler e é cronista no Ottowa Citizen. Tem uma larga experiência no próximo e extreme oriente. O seu blog pessoal chama-se Essays in Idelness.

(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 28 de Outubro de 2016 em The Catholic Thing)

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Conservadorismo na Encruzilhada

Francis J. Beckwith
Reza a história que Robert Johnson, o lendário cantor de blues, vendeu a alma ao diabo a troco de se tornar um dos melhores guitarristas que alguma vez pisou a terra. Foi à meia-noite, quando se encontrava numa encruzilhada no Mississippi.  

I went to the crossroad, fell down on my knees
I went to the crossroad, fell down on my knees
Asked the Lord above, “Have mercy, now save poor Bob, if you please”
(“Crossroads Blues”)

Pouco tempo depois dessa alegada transacção, quando tinha apenas 27 anos, Johnson morreu. Talvez venha daí a expressão “chegar à encruzilhada” em referência ao momento em que se tem de escolher entre o sucesso mundano e a integridade da alma.

Parece-me que o conservadorismo americano chegou precisamente a uma dessas encruzilhadas, em que os seus defensores têm de decidir se o movimento deve ser guiado por um conservadorismo ancorado nas verdades inalteráveis da natureza humana que nos apontam na direcção do bem, da verdade e do belo, ou se devem alinhar com o conservadorismo do mero mercado.

Este “conservadorismo de mercado” consiste na ideia de que como o mercado livre tem sido tão eficiente a produzir riqueza e prosperidade, permitindo-nos gozar de muitos outros bens, a lógica do mercado deve ser aplicada a todos os aspectos da vida. Uma vez que o valor dos bens é calculado com base no preço que as pessoas estão dispostas a pagar por eles, o valor de todos os bens aparentes – incluindo as supracitadas inclinações da natureza humana – não acarretam qualquer peso normativo para o conservador de mercado.

Do seu ponto de vista, longe de serem verdades básicas da natureza humana sobre as quais depende o bem comum, estas são limites à liberdade de cada indivíduo para poder perseguir a sua própria visão subjectiva do que constitui uma vida boa. Por esta razão, para o conservador de mercado o objectivo praticamente único da política é garantir o Governo limitado, isto significa a economia de mercado livre mas também a eliminação de leis e costumes que interfiram com a demanda do consumidor. Assim, segundo esta narrativa, o bem comum (se é que o termo se aplica) é medido de acordo com a libertação de amarras como a tradição, a natureza, as ligações familiares, religião, etc. para poder adquirir o que deseja quando o deseja.

Todavia, em termos práticos, os conservadores de mercado e os defensores da moral tradicional tem usado muitas vezes o mesmo vocabulário e chegado a conclusões semelhantes em termos de política, embora as razões de fundo sejam muito diferentes. Tal como o conservador de mercado, o defensor da moral tradicional costuma defender a ideia do governo limitado. Assim, por exemplo, ambos apoiam o mercado livre, uma vez que esse sistema económico é o que tem o melhor registo em termos de melhoria de qualidade de vida. 

Mas o que é que interessa melhorar a qualidade de vida? Para o conservador de mercado, “o grande propósito”, nas palavras de C.S. Lewis em “A Abolição do Homem” é “alimentar e vestir as pessoas”. (O próprio Lewis não era um conservador de mercado). A questão de como é que estes cidadãos conduziam as suas vidas – se seguiam ou não os preceitos da justiça natural – não compete à jurisdição da lei, desde que a sua conduta não interfira com as escolhas privadas dos seus concidadãos para perseguirem as suas próprias ideias de boa vida.


O defensor da moral tradicional concorda com o conservador de mercado sobre os benefícios de as pessoas estarem bem alimentadas e vestidas, mas na sua opinião elas são apenas úteis na medida em que o ajudam a cumprir com as suas obrigações para com esposo, prole, vizinho, nação e Deus. Para ele, a liberdade é a possibilidade de poder procurar os bens não escolhidos de justiça natural sem ter de se preocupar com obstáculos exteriores como criminosos ou governos injustos. Para o conservador de mercado, a liberdade é a possibilidade de poder satisfazer os seus desejos sem ter de se preocupar com quaisquer obrigações não escolhidas para com esposo, prole, vizinho, nação ou Deus. Para o defensor da moral tradicional, é o bem que é desejável por si, enquanto para o conservador de mercado o desejo é o que confere valor a algo e o torna bom.

Na medida em que o mercado livre e os seus limites morais estavam contextualizados numa infra-estrutura moral que não era conscientemente hostil aos objectivos do defensor da moral tradicional, fazia muito sentido uma aliança entre estes dois tipos de conservadorismo. O defensor da moral tradicional tinha boas razões para apoiar o mercado livre, enquanto o conservador de mercado tinha razões pragmáticas para aceitar os dados adquiridos da cultura mais alargada, cujos mandarins não tinham como objectivo principal esmagar as instituições e o modo de vida tradicionais, bem como qualquer oposição pública que delas pudesse brotar.

Mas esse já não é o mundo em que vivemos. Vivemos num mundo em que as grandes empresas criaram um cartel cultural – um monopólio moral – com o qual esperam tornar a resistência tão cara e a anuência tão barata, que os seus concorrentes ideológicos sejam levados a declarar bancarrota civilizacional ou sofrer uma OPA hostil.

Alguns consideram que o conservador de mercado nunca foi verdadeiramente amigo do defensor da moral tradicional, que tudo não passava de um casamento de conveniência, destinado ao divórcio logo que um dos dois encontrasse uma alternativa melhor. Talvez, embora eu considere que é uma teoria algo simplista. O que não podemos fazer é ignorar o lugar e a hora em que nos encontramos: É meia-noite e chegámos à encruzilhada.


(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 9 de Junho 2016 em The Catholic Thing)

Francis J. Beckwith é professor de Filosofia e Estudos Estado-Igreja na Universidade de Baylor. É autor de Politics for Christians: Statecraft as Soulcraft, e (juntamente com Robert P. George e Susan McWilliams), A Second Look at First Things: A Case for Conservative Politics.

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org


The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Um Homem para os Nossos Tempos

David Warren
Não é preciso ser católico para manter a sanidade mental, mas ajuda. Tenho pensado muito nisso desde que soube da morte de Antonin Scalia.

Muito antes de me converter ao catolicismo já o admirava, e muito daquilo que eu admirava tinha a ver com a sua formação religiosa. Era uma pessoa segura de si mesma, ancorada de uma forma que excluía a arrogância. Sabia o que estava correcto e o que estava errado. Não podia ser intimidado.

Claro que tudo isto é possível sem ser católico. Já conheci protestantes que possuíam estas qualidades e achei-os geralmente generosos – livres de intolerâncias sectárias ou, de outra perspectiva, abertos à verdade e ao conhecimento da herança cristã. Modestos, justos, santos, queridos, boa gente.

Nos meus tempos de jornalista tive a honra de entrevistar líderes religiosos desde o Grão-sheikh do Al-Azhar, no Cairo, ao Supremo Patriarca dos Sangha, na Tailândia e também eles me pareceram sólidos, seguros, ancorados numa ordem moral que procede de um Amor que é tudo menos fofinho.

Também já conheci católicos severos e de mente fechada, sem amor e cruéis. A Palavra torna-se meras palavras quando se lhe retira o espírito; e palavras podem ser usadas para o mal quando a fé que as sustenta é trocada por outra coisa.

Sei que corro o risco de parecer um liberal. Deus bem sabe que não o sou. Nem estou a propor uma “folga ecuménica” do chamamento divino para o campo de batalha na luta contra Satanás. Estou simplesmente a afirmar que os homens são formados ou deformados em tradições que podem ser boas ou más e que abordar um homem bom implica respeitar as suas boas tradições.

Scalia entendia isto. Ele tinha noção que a América tinha sido fundada sobre valores protestantes e que a Constituição americana que ele defendia era, na sua natureza, uma coisa bela mas finita, que o tribunal em que se encontrava não era a Rota Romana.

Muitos dos seus amigos católicos mais eruditos discutiam com ele – sempre da forma mais agradável, tanto quanto sei – sobre a questão do “direito natural” no qual essa constituição “positiva” assenta. Em público, contudo, Scalia não tocava esse assunto. Na sua mente americana havia uma separação muito clara entre Igreja e Estado e ele não era nem político nem filósofo.

O melhor que ele podia fazer era servir o tribunal, aplicando a lei da forma como estava escrita. Ele nem o entendia como sendo um Tribunal Constitucional (tal como existem em muitos países na Europa), era simplesmente o mais alto tribunal de recurso nos Estados Unidos, uma última defesa contra os erros judiciais dos tribunais menores. Esta defesa não podia ser dominada por uma agenda.

Por exemplo, enquanto católico ele opunha-se profundamente ao aborto. A sua mulher Maureen, mãe de nove filhos, desempenhou um papel activo e incansável na luta contra este horror monstruoso, que clama aos Céus por justiça. Scalia foi criticado mais do que uma vez pelas actividades privadas da sua mulher, com a sugestão de que se devia recusar – talvez juntamente com todos os outros católicos do tribunal – de qualquer caso com implicações morais.

Tratava-se de uma injustiça ridícula. A posição de Scalia era a de um advogado. Não existe qualquer “direito da mulher ao aborto” na Constituição americana. O caso Roe v. Wade inseriu-a lá, de forma fantasiosa, e ao fazê-lo arrogou à judiciária um poder inconfundivelmente legislativo. Enquanto advogado e mais tarde juiz, Scalia nunca se opôs a algo por razões puramente morais, nunca invocava qualquer argumento que não fosse a lei, tal como aparece escrita.

O padre Paul Scalia faz a homilia na missa fúnebre do seu pai Antonin. 
Ver sobretudo a partir de 2'30"

Se a América quisesse ter aborto, que tivesse; se quisesse ter casamento homossexual e “eutanásia” ou qualquer outro mal, que tivesse, desde que por actos legais produzidos aos níveis estatais ou federal. Estas coisas podiam até ser incluídas na Constituição através da passagem formal de uma emenda. Mas enquanto não fossem, não podiam ser impostas por advogados. Os direitos eram-no na lei e não através de apelos a abstracções, e isso valia para todos os tribunais.

Eis, por isso, o paradoxo: Scalia, enquanto advogado, evitava cuidadosamente qualquer referência a códigos religiosos, qualquer interpretação de um anterior “direito natural” – apesar de ser um católico praticante. Os seus adversários “liberais”, porém, faziam-no de forma negligente, lendo na Constituição “direitos” que nunca lá tinham sido escritos.

São eles, e não Scalia, que podem ser vistos como defensores de um qualquer “direito natural” – embora estejamos a falar de um conceito inerentemente fátuo e que muda ao sabor dos tempos.

Tal como Scalia avisou, quando se envereda por esse caminho passa a valer tudo. Uma vez que ficou estabelecido que advogados em altos cargos podiam reescrever leis consoante os seus caprichos – tal como aconteceu em Roe v. Wade – deixou de haver quaisquer limites. Tinha-se feito à lei americana algo comparável com o que seria feito aos bebés americanos.

Antonin Scalia
São Tomás Moro adoptou uma posição semelhante à de Scalia no que diz respeito às leis inglesas quando foi Chanceler. Alguns leitores poderão recordar-se da sua posição, parafraseada na peça “Um Homem para Todas as Horas” em resposta “reformador” Roper – um idealista que propunha ceifar todas as leis que via como obstáculos ao que imaginava ser a justiça perfeita:

“Ai sim? E quando a última lei fosse abrogada e o Demónio se virasse contra ti – onde te esconderias, Roper, estando todas as leis espezinhadas? Se este país está semeado grossamente com leis de costa a costa – leis dos homens e não de Deus – e se tu as cortas – e quem mais senão tu? – pensas mesmo que te aguentarias de pé diante dos ventos que então soprariam? Sim, eu daria o benefício da lei ao Diabo, para minha própria protecção”.

Descansa em Paz, Nino Scalia. Ele não tinha de ser católico para defender tão nobremente a sua posição. Mas ajudou.


David Warren é o ex-director da revista Idler e é cronista no Ottowa Citizen. Tem uma larga experiência no próximo e extreme oriente. O seu blog pessoal chama-se Essays in Idelness.

(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2016 em The Catholic Thing)

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Papa faz história nos EUA, mais uma tragédia em Meca

O Papa Francisco protagonizou esta quinta-feira um momento histórico, ao discursar diante do Congresso americano. Foi um longo discurso em que Francisco falou de quase todos os temas importantes – como a pena de morte, aborto, ecologia, casamento, capitalismo, refugiados, migrações, etc. – e deixou o edifício sob uma ovação de pé.

Logo de seguida, Francisco foi almoçar com pobres e sem-abrigo. Aí fez um discurso muito mais rápido mas também muito profundo. Não há razão para as pessoas não terem casa, disse o Papa, e a oração é um veículo de nivelamento social, uma vez que na oração somos todos irmãos, afirmou.

Ontem, já depois de eu ter enviado o mail diário, Francisco celebrou a missa de canonização de Junípero Serra onde fez um apelo muito bonito e apaixonado pela evangelização.


Mudando de assunto, deu-se hoje uma terrível tragédia em Meca, onde milhões de muçulmanos congregam para a peregrinação anual. Mais de 700 mortos e centenas de feridos em mais uma debandada que resultou em esmagamentos.

Por fim, o Patriarca de Lisboa voltou a falar da questão dos refugiados, dizendo que estes precisam de casa, escola e trabalho.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Papa e Obama trocam elogios e alfinetadas

O Papa chegou ontem aos Estados Unidos e logo esta manhã foi recebido por Barack Obama. O Papa deixou recados para o presidente no seu discurso, Obama só fez elogios, mas a sua lista de convidados deixa mensagens claras.

Mais à tarde o Papa esteve com os bispos americanos e deixou-lhes várias indicações. Não é legítimo evitar temas como o aborto e a morte de inocentes, devem-se acolher os imigrantes da América Latina e Francisco elogiou ainda a forma como os bispos lidaram com o escândalo dos abusos sexuais de menores.

E haja sentido de humor! Um habitante de Washington DC iniciou uma petição online para pedir ao Papa que abençoe o metro da cidade… Para ver se funciona.

Mudando de ares, um Cardeal nigeriano quer que o Governo ofereça uma amnistia aos militantes do Boko Haram, acreditando que até 80% não partilham das ideias fundamentalistas do grupo.

Ultimamente tem-se debatido muito a questão do casamento e dos processos de nulidade. Alguns defendem que hoje em dia, nas nossas sociedades, muitos (se não mesmo a maioria) dos casamentos são nulos porque as pessoas não compreendem bem o conceito. Será assim? David Warren discorda, no artigo desta semana do The Catholic Thing em português.

Por fim, partilho a pedido de uma leitora as datas de formação para a consagração total a Nossa Senhora na zona de Lisboa:

Em Lisboa: Basilica dos Mártires (Chiado) começa na quinta-feira, dia 22 de Outubro pelas 19h00 uma vez por mês - mais informação no local.

Em Oeiras: Igreja do Alto da Barra começa no Sábado, dia 24 de Outubro pelas 15h30, uma vez por mês - mais informação no local.

Estoril: Paróquia de S. João e S. Pedro do Estoril, começa no Sábado, dia 24 de Outubro pelas 15h30, uma vez por mês - mais informação no local

Cascais: Igreja dos Navegantes, começa no Sábado, dia 24 de Outubro pelas 15h30, uma vez por mês - mais informação na Paróquia.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sinjar libertada e concerto de Natal

Ontem fiz uma referência à notícia da reaproximação entre EUA e Cuba. Trata-se de um momento histórico, que poderá bem tornar-se a grande referência da presidência de Barack Obama. O Vaticano desempenhou um papel significativo, como referi de passagem ontem, mas que Aura Miguel explica melhor aqui.

Os islamitas voltaram a fazer o que fazem melhor: aterrorizar mulheres e crianças. Desta vez foi na Nigéria, onde mais de cem foram raptados depois de 30 homens terem sido assassinados. Depois, pelos vistos, os mauzões do Boko Haram foram até aos Camarões atacar soldados a sério e aí… a coisa não correu assim tão bem.

Do Iraque chega uma boa notícia. Os soldados curdos terão conseguido reconquistar centenas de quilómetros quadrados ao Estado Islâmico, quebrando também o cerco ao monte Sinjar, onde ainda se encontram centenas, se não milhares, de yazidis.

Este fim-de-semana há música em Lisboa! Os jovens dos movimentos católicos juntaram-se mais uma vez para organizar um concerto de Natal. Custa cerca de 4 euros a entrada e todo o dinheiro vai para caridade. Se puderem, não percam mesmo!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Parabéns Francisco e Paulo Bento clone de Santo António

O Papa Francisco festeja hoje 78 anos e foi brindado com danças na Praça de São Pedro. Não foi Tango, como alguns erradamente afirmaram, mas sim Milonga! (Digo eu, como se fizesse a menor ideia da diferença entre as duas).

Na audiência geral de quarta-feira de manhã Francisco não se referiu aos seus anos, preferindo concentrar-se nos anos de Jesus, que se aproximam, e lamentando a morte trágica de mais de 100 crianças, ontem, no Paquistão, bem como outras vítimas de terrorismo.

Também hoje Francisco nomeou novos membros para a Comissão de Protecção de Menores criado pelo Vaticano para combater os casos de abusos na Igreja. Um desses novos membros é um inglês que foi ele mesmo vítima de abusos, em criança.

A Igreja de Inglaterra nomeou a primeira mulher bispo. Era uma questão de tempo, mas não deixa de ser um obstáculo às relações ecuménicas com católicos e ortodoxos.

O Patriarca de Lisboa lamenta que as fugas de informação dificultem a justiça. Foi numa conferência conjunta com Fernando Santos, em que D. Manuel Clemente revelou que Santo António era cara chapada de… Paulo Bento!

Um grupo de católicos ligados a vários movimentos quer “Escutar a Cidade” para melhor cumprir os objectivos do Sínodo Diocesano. Saiba como.

Já é a notícia do dia, e embora não tenha nada a ver directamente com religião, parece que a troca de presos que poderá permitir uma reaproximação histórica entre Cuba e os EUA foi mediada em parte pelo Vaticano…

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Islamitas a fazer o que fazem melhor...

Os islamitas voltaram a fazer hoje aquilo que sabem fazer melhor, matar inocentes indefesos. Foram mais de 100 crianças mortas a sangue frio num ataque a uma escola, no Paquistão. Quem foram os “bravos”? Os mesmos que tentaram matar Malala.

Em Espanha foram detidas sete pessoas acusadas de recrutar para o Estado Islâmico.

Os EUA continuam a tentar descalçar a bota de Guantanamo. Agora pediram ajuda à Santa Sé.

O Vaticano estendeu hoje um ramo de oliveira para as ordens religiosas femininas americanas. E assim chega ao fim um longo braço de ferro. Saiba tudo aqui.

E por fim, uma ideia engraçada. O Cardeal Saraiva Martins diz que se Roma ganhar a candidatura para acolher os jogos olímpicos de 2024, o Vaticano devia oferecer-se para acolher uma das modalidades.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Mortes absurdas e indignas

Campanha pró-vida no Dakota do Norte
Foi divulgado hoje o relatório sobre liberdade religiosa da fundação Ajuda à Igreja que Sofre. Há muito a saber mas, basicamente, a situação está bem pior do que há dois anos, quando saiu o último relatório.

E está pior em grande parte por causa da maltinha do Estado Islâmico, pelo que vale a pena ler a reportagem da Reuters sobre a vida sob o jugo dos islamitas, no Iraque.

Por trágica coincidência, no dia em que o relatório saiu, um casal cristão foi barbaramente assassinado no Paquistão. Tinham 24 e 26 anos. Deus os guarde.

E lembra-se daquela boa notícia que demos há semanas sobre o acordo entre o Boko Haram e o Governo da Nigéria, que previa a libertação das 200 raparigas que foram raptadas pelo grupo fundamentalista? Pois, esqueçam. Foram todas convertidas e casadas à força, informa o grupo.

A Igreja não julga Brittany Maynard, que pôs fim à própria vida no dia 1 de Novembro, mas condena o acto. É mais um capítulo na luta sobre a eutanásia, desta feita nos EUA.

Os EUA vão a votos hoje, mas há mais do que política partidária em cima da mesa. Aborto, álcool, drogas e armas são temas que estão a captar a atenção. Que tenha dado conta não há nenhuma medida sobre Rock and Roll.

Quem vive em Lisboa pode votar no orçamento participativo pela defesa do património da Igreja de São Cristóvão, em Lisboa. Saiba como.

E o bispo das Forças Armadas, D. Manuel Linda, explica que a Igreja portuguesa está apostada numa nova evangelização, mas que esta não se faz por decreto.

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