quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Barack o Teólogo e Lutero o Playmobil

A cristandade continua a tentar perceber como reagir ao terrível martírio dos 21 cristãos coptas às mãos do Estado Islâmico. Mas se a notícia nos chocou a todos, que dizer da aldeia egípcia de onde eram naturais 13 dos homens? Segundo o pároco, “houve gritos em todas as casas, em todas as ruas”.

Ontem Barack Obama falou do Estado Islâmico. Não contente com o facto de ser líder político e comandante supremo das Forças Armadas, Obama agora também é teólogo e decide o que é o verdadeiro Islão e o que são deturpações…

Já escrevi sobre este assunto antes, aqui, mas escusado será dizer que sou da opinião de que não cabe aos líderes políticos fazer este tipo de juízos. E não estou sozinho! Não deixem de ler este excelente e autoritário artigo que explica, bem explicado, o que é o Estado Islâmico e em que é que acreditam.

Mudando de tom, porque bem falta nos faz rir, os responsáveis da empresa alemã Playmobil estão estupefactos com o maior fenómeno de vendas de sempre daquele brinquedo… Nada mais nada menos que Martinho Lutero! Bom, neste caso um bocadinho menos, porque afinal de contas é só um boneco…

3 comentários:

  1. É preciso ser teólogo para saber o que é Islão e reconhecer uma deturpação? É preciso ser o Sheikh Munir para poder dizer que essa organização terrorista não representa o Islão?
    Se vamos por aí, muito poucos de nós poderiam falar fosse do que fosse. Nem o Filipe d'Avillez poderia falar de muita coisa sobre a qual exprime opinião...
    Com a devida vénia, a mensagem que me parece passar com essa insistência é a de que sim, o mundo deve acreditar que o Islão é isto. Bem sei que no que escreveu sobre esse assunto refere essa posição e a contrária. Mas refiro-me ao que fica nas entrelinhas.

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  2. Olá Renato,
    Opinião todos temos e acredito que muitos poderão mesmo ter a obrigação moral de tomar partido aqui. Pegando neste exemplo concreto, eu acho muito bem que o Obama se faça acompanhar de autoridades muçulmanas que são contra o Estado Islâmico e tudo o que representa. Acho bem que ajude a dar voz a quem discorda do Estado Islâmico e o possa denunciar com argumentos teológicos.

    Mas não faz qualquer sentido ser o Obama, nem eu, nem, imagino, o Renato, a dizer que o Estado Islâmico é ou não é o verdadeiro Islão. E não faz sentido primeiro porque não temos conhecimentos nem autoridade para isso. Eu, que acompanho muito estas questões, não me sinto minimamente preparado para dizer que o Estado Islâmico não é islâmico. Se eles adorassem a Lua e acendessem velas a Buda, aí sim, seria uma violação de tal forma flagrante dos princípios básicos do Islão, que qualquer um de nós o reconheceria. Mas não, eles baseiam tudo o que fazem, escrupulosamente, nas tradições islâmicas, nos hadites e no Alcorão. Fazem-no mal? Deturpam? Talvez. Mas não sou eu, que não conheço bem as tradições, os hadites ou o Alcorão, que o vou dizer.

    Mas há mais razões e a principal é que é contraproducente. Cada "kuffar", como eles nos chamam, que diz que eles não representam o verdadeiro Islão só lhes dá mais força. Se os infiéis dizem que eles estão mal, então só podem estar certos. A lógica deles funciona assim. Ao dizer estas coisas, por isso, Obama está simplesmente a fazer o jogo deles.

    Dito isto, nem tudo o que o Obama disse é mau. Fez muito bem em dizer que isto não é uma guerra contra o Islão. Não é. E aí ele pode apontar, e bem, para os muçulmanos que tem com ele no palco para mostrar que existe outro Islão possível. Só lhe peço que não se arme em teólogo, pois também não gostaria nada que ele decidisse, como já tentou fazer, o que é que representa o verdadeiro Catolicismo e o que não representa.

    Sobre este assunto aponto novamente para o artigo do Atlantic que linkei neste texto e que vale bem a pena ler para se perceber quais são as credenciais islâmicas do Estado Islâmico.

    Que fique claro, porém, que não estou a dizer, nem nas linhas nem nas entrelinhas, que aqueles assassinos são o verdadeiro Islão. Não há entrelinhas a ler no meu texto. É tal e qual o que lá está escrito.

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  3. Do artigo do Atlantic

    "Western officials would probably do best to refrain from weighing in on matters of Islamic theological debate altogether. Barack Obama himself drifted into takfiri waters when he claimed that the Islamic State was “not Islamic”—the irony being that he, as the non-Muslim son of a Muslim, may himself be classified as an apostate, and yet is now practicing takfir against Muslims. Non-Muslims’ practicing takfir elicits chuckles from jihadists (“Like a pig covered in feces giving hygiene advice to others,” one tweeted)."

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