quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

8 – Ofensas ao Islão e repercussões

Este ano houve dois grandes episódios de revolta por causa de ofensas ao Islão: a queima de exemplares do Alcorão em Kandahar, no Afeganistão, e o já famoso “filme” anti-islâmico que apenas apareceu em Setembro.

Ambos os episódios resultaram em revolta e protestos por parte da comunidade muçulmana um pouco por todo o mundo, apesar de terem sido radicalmente diferentes.

O primeiro caso, em Kandahar, parece ter sido um caso de descuido por parte de funcionários da NATO que se estavam a desfazer de livros e documentos velhos numa lixeira. Os exemplares do Alcorão estariam lá, segundo a explicação oficial, porque tinham sido confiscados à biblioteca de uma prisão local uma vez que os reclusos os estavam a usar para passar recados uns aos outros.

Só os mais adeptos das teorias da conspiração é que acreditam que as forças da NATO procuraram profanar livros sagrados de forma propositada, mas independentemente disso, o episódio é um exemplo das grandes falhas de abordagem neste tipo de operações em que ocidentais entram em países orientais, neste caso muçulmanos, num contexto militar.

Não havia ninguém ali que soubesse ler árabe? Queimam livros, num país daqueles e naquela situação, sem saber o que estão a incinerar? Santa inocência… o resultado esteve à vista. Revolta, manifestações, atentados, ameaças e um grande golpe na credibilidade do Ocidente e um pedido de perdão por parte de Obama que levou muita gente a pensar se ele teria feito o mesmo se o livro sagrado fosse outro…


O filme foi feito por cristãos coptas a viver nos Estados Unidos, Canadá e Austrália. Um dos principais já tinha sido preso por fraude. Por má que seja a produção, é claro que foi considerada ofensiva por muçulmanos que depois trataram de divulgar pelo resto do mundo islâmico o “trailer” que foi praticamente tudo que a maioria das pessoas acabou por ver.

O facto de os autores terem tentado esconder-se por detrás de identidades falsas judaicas é prova também da enorme desconfiança, para não dizer ódio, que a maioria dos cristãos árabes sente pro Israel, em contraste com grande parte dos cristãos ocidentais que se identificam mais rapidamente com o Estado judaico do que com os regimes muçulmanos.

Também este caso levou a protestos em grande escala e pode ter contribuído para a morte do embaixador americano na Líbia, embora essa ligação não seja totalmente clara e parece que o atentado estava já a ser preparado há bastante mais tempo.

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