sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

1 – Caso Vatileaks

Foi o mordomo, claro.

O caso que passou a ser conhecido como Vatileaks acabou mesmo por ser o mais mediático do ano de 2012.

Na sua essência, este caso teve a ver com a divulgação de documentos secretos do Vaticano na imprensa. Os primeiros que foram realmente notícia continuam alegações de corrupção e falta de transparência, feitas pelo actual Núncio Apostólico da Santa Sé nos Estados Unidos.

Monsenhor Viganò queixava-se, em cartas privadas ao Papa que foram divulgadas, de ter sido enviado para os EUA como castigo pelo facto de ter tentado impedir os jogos de interesses no Governo da Santa Sé. Esses casos de corrupção passavam, por exemplo, por contratar empreiteiros mais caros que a norma para a execução de obras, e coisas do género.

Inicialmente o suspeito evidente da divulgação dos documentos foi o próprio Viganò, mas rapidamente se percebeu que estava mais em jogo. Nos primeiros documentos que foram sendo divulgados, incluindo a absurda notícia sobre uma eventual conspiração para matar o Papa, a pessoa que sempre ficou pior na fotografia foi o número dois do Papa, o Cardeal Bertone.
Monsenhor Viganò

Esse facto levou muitos a especular que a divulgação de documentos secretos era uma arma no meio de uma guerra interna entre figuras da Cúria Romana.

Mas eis que é detido o Mordomo, numa viragem quase cómica de um caso que até tem bastante gravidade, pois se nestes documentos secretos do que se falava era sobretudo intriga, há certamente informação muito sensível que circula pelo Vaticano que se viesse a público poderia colocar em risco projectos importantes ou mesmo a segurança de pessoas.

Paolo Gabriele, assim se chama o mordomo, disse que tinha agido por iniciativa própria. No seu apartamento foram encontradas caixas cheias de documentação que tinham sido retiradas dos aposentos pessoais de Bento XVI. O Vaticano apressa-se a garantir que Gabriele, com a pontual ajuda de um informático da Santa Sé, tinha actuado sozinho. O mordomo não nega e é condenado a pena de prisão efectiva.

Aparentemente o encerramento deste caso iliba toda a cúria e deita por terra as teorias já mencionadas de conspirações e guerras de poder debaixo do nariz de um Papa que, diz-se, tem pouca vocação para o Governo do dia-a-dia do Vaticano. Nem todos se deixam convencer por esta versão, mas pelo menos até prova em contrário continuará a ser a oficial. Afinal de contas, a vida real é por vezes mais simples que as teorias conspirativas, talvez seja o caso aqui também.

ADENDA: No dia depois de ter escrito este texto, Bento XVI concedeu um indulto a Paolo Gabriele, que é agora um homem livre.

1 comentário:

  1. Claro que o mordomo não agiu sozinho, mas não entregou ninguém. Com Bertone, o Vaticano torna-se um inferno. Ele é um dos "peixes ruins". Foi ele e a sua prepotência que fizeram com que o Papa resigna-se. Mas foi bom. Ratzinger deu o murro na mesa, na hora certa.

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