Monday, 11 January 2016
David Bowie homenageia os mortos
Não vejo melhor homenagem que se possa fazer por ele...
Friday, 8 January 2016
Congresso vendido e filho desgraçado
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| Capa do livro do Papa que é lançado para a semana |
Faz hoje 100 anos que morreu a madre Maria Teresa de
Saldanha, uma mulher corajosa que desafiou o anti-clericalismo dominante do seu
tempo e que pode estar a caminho dos altares. Vale a pena conhecer.
Já não há palavras para descrever os actos do Estado
Islâmico… Hoje surge a notícia de um militante de 20 anos que executou em público a sua própria mãe.
Um bispo do Texas levantou corajosamente a voz contra a
indústria das armas nos EUA, elogiando as medidas aprovadas recentemente por
Barack Obama e acusando o congresso, de maioria republicana, de se ter vendido ao lobby do armamento.
Este
fim-de-semana há concerto na Sé de Lisboa. O Coro da Catedral assinala
simultaneamente o fim da época natalícia e o ano da misericórdia.
Para a semana sai um livro do Papa Francisco sobre
misericórdia. Domingo a Renascença avança com alguns excertos, não perca, no
site da Renascença.
Ontem fez um ano do ataque ao Charlie Hebdo. Um
simpatizante do Estado Islâmico decidiu comemorar a data tentando forçar a
entrada numa esquadra da polícia aos gritos de Allahu Akbar. Não lhe correu particularmente bem.
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Wednesday, 6 January 2016
Deus de Kalashnikov e a beleza como coração da Fé
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| Charlie Hebdo a fazer o que o que faz melhor |
O Charlie Hebdo decidiu comemorar o aniversário do ataque
à sua redacção, por parte de muçulmanos radicais, com uma representação
claramente cristã de Deus, com uma Kalashnikov, a dizer que o assassino ainda
está à solta.O jornal do Vaticano acha que é de mau gosto. Eu também. Eles devem-se
estar a marimbar…
O Papa Francisco celebrou hoje a Epifania, dizendo que os reis magos nos ensinam a ajoelhar diante da pobreza e da humildade.
E foi hoje lançado o primeiro vídeo mensal em que o Papa fala da intenção do
Apostolado da Oração para este mês. No caso, trata-se do diálogo
inter-religioso.
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A Beleza é o Coração da Nossa Fé Cristã
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| James V. Schall sj |
Quando o Papa Bento XVI entrou na Catedral de Westminster
para celebrar missa durante a sua visita a Inglaterra em 2010, fê-lo ao som de
“Tu est Petrus”, composto pelo compositor escocês Sir James MacMillan. Como
comprovam as ruínas de inúmeras catedrais, a Escócia foi em tempos um país
católico. Alguns dos clãs ainda são. Nas palavras de Samuel Johnson, no seu
“Diário de uma Viagem às Hébridas”, “Não é de invejar o homem cujo patriotismo
não ganhe força na planície de Maratona ou cuja piedade não se acalente entre
as ruínas de Iona”.
MacMillan foi escolhido como “Católico do Ano, 2015” pelo “Catholic Herald” e é um admirador confesso de Bento
XVI, que também coloca a música e a beleza no cerne da vida humana. “A beleza é
o coração da nossa fé cristã”, escreve o compositor. “Deve estar no centro das
nossas atenções quando nos aproximamos, em adoração, do trono de toda a Beleza”.
Há muito que a Igreja percebe que os homens precisam tanto de beleza como de
pão para a boca, a longo prazo, talvez precisem mais.
No “Relatório Ratzinger” (1985) lemos: “O Cristianismo não
é uma especulação filosófica; não é uma construção da nossa mente. O Cristianismo
não é obra ‘nossa’; é uma Revelação; é uma mensagem que nos foi confiada e não
temos o direito de a reconstruir ao nosso gosto ou à nossa escolha.”
Os papas e bispos não têm missão mais importante do que
manter essa “mensagem” essencial intacta. A “especulação filosófica” surge
apenas no seguimento, e como auxílio, da recepção adequada da revelação e do
seu conteúdo. Qualquer tentativa de “reconstruí-la” ou diluí-la à luz de uma
imaginada “construção” da mente é em si a recusa daquilo que nos foi confiado.
É isso que Deus quis que estivesse presente no mundo ao longo dos tempos e
entregou à Igreja com esse objectivo, por mais impopular ou estranho que seja
numa dada cultura ou era.
O Sir James MacMillan colocou a questão desta forma.
“Muitas pessoas, crentes ou não, dedicaram toda a vida a tentar diluir o
Cristianismo, vendo num secularismo uniforme e cinzento um inevitável passo
seguinte. É verdade que vivemos numa sociedade plural, mas a nossa civilização
foi moldada por uma cultura e valores judaico-cristãos. Alguns de nós
continuaremos a celebrar isto e a viver a nossa fé como pluralistas”. Não há
que duvidar que muito do Protestantismo e do Catolicismo liberal moderno tem-se
dedicado de facto a “diluir” os princípios básicos da revelação e da realidade
a que se referem.
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| Sir James MacMillan |
O tipo de “pluralismo” seguido por MacMillan é mais
robusto do que o “multiculturalismo” que actualmente nos rege. O
“multiculturalismo” moderno, do estilo que MacMillan rejeita, baseia-se no
cepticismo. Por princípio, nada é verdade. Todas as ideias religiosas são
igualmente erradas. Ninguém pode reclamar conhecer a verdade.
No “pluralismo” de Sir James MacMillan, os pensamentos e
as ideias diferentes não são algo que se deve esconder, mas que se devem viver
de forma aberta e legal. Frequentemente é preciso grande coragem para o fazer.
A ideia de que a paz se alcança através da remoção
forçada de qualquer símbolo religioso estabelece, de facto, o “humanismo
secular” como “confissão pública” obrigatória, tudo em nome de
“multiculturalismo”. É um conceito que, pelo que se vê, se revelou tão estreito
e letal como qualquer religião do passado. Baseia-se, novamente, na afirmação
de que não existe verdade.
Tal como Bento XVI, Sir James compreende que o seu
pluralismo tem por base a razão. Não nega a existência de fanatismo nalgumas religiões,
que deve ser enfrentado de forma directa, mas ao mesmo tempo afirma que aquilo
que foi revelado é para ser conhecido e vivido. Estas são as verdades que ele
continuará a celebrar e defender dentro das nações, a começar pela sua própria.
Por fim, repito, com Joseph Ratzinger que “o Cristianismo
não é obra ‘nossa’; é uma Revelação”, e com Sir James: “A beleza é o coração da
nossa fé cristã”.
“Tu est Petrus” de James
MacMillan.
James V. Schall, S.J., foi professor na Universidade de
Georgetown durante mais de 35 anos e é um dos autores católicos mais prolíficos
da América. O seus mais
recentes livros são The Mind That
Is Catholic, The Modern Age, Political
Philosophy and Revelation: A Catholic Reading, e Reasonable
Pleasures
(Publicado pela primeira vez na Terça-feira, 5 de Janeiro
de 2015 em The Catholic Thing)
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Monday, 4 January 2016
Ano Novo, feriados velhos
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| Nimr al Nimr, clérigo xiita executado na Arábia Saudita |
Os feriados de Corpo de Deus e Todos os Santos estarão de volta já este ano. Quem o garante é o bispo D. António Montes Moreira,
que é o chefe da delegação da Santa Sé na Comissão Paritária, que discute estes
assuntos com o Estado Português.
O Papa Francisco vai passar a divulgar por vídeo as intenções mensais do Apostolado de Oração.
Foi publicado um livro que apresenta investigações sobre Bíblias portáteis do século XIII.
Apesar de toda a conversa sobre um conflito entre
ocidente e o Islão, há muito que digo que devemos dar especial atenção ao
conflito interno no mundo islâmico entre sunitas e xiitas, que é como quem diz
entre a esfera de influência da Arábia Saudita e do Irão, com a Turquia sempre
à espreita… Agora, com a execução de um importante clérigo xiita na Arábia Saudita o caldo entornou-se.
Entretanto Hillary Clinton chegou à conclusão, agora em
tempo de campanha eleitoral, que afinal os cristãos estão a ser vítimas de genocídio no Médio Oriente. Mais vale tarde que nunca!
Os sikhs britânicos estão a pressionar os seus deputados para tentar obter a libertação do alegado terrorista
detido no Algarve e que aguarda a avaliação de um eventual pedido de extradição
para a Índia.
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Tuesday, 29 December 2015
A Guerra Mais Longa
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| David Carlin |
A actual luta contra o Estado Islâmico e o “terrorismo
islâmico radical” (que o Presidente Obama me perdoe por usar esta expressão) é
apenas a mais recente fase de uma guerra que dura há mais de 3.000 anos, uma
guerra que tem sido combatida ao longo da maior falha sísmica geopolítica do
mundo, a que separa a Ásia ocidental da Europa. Vejamos alguns dos pontos
principais da guerra mais longa do mundo.
1. O primeiro registo deste conflito encontra-se na Ilíada:
A Guerra de Troia, de Homero, em que uma coligação de gregos ataca Tróia, uma
cidade comercial importante do lado asiático do mar Egeu.
2. No início do século V antes de Cristo, o Grande Rei da
Pérsia, Xerxes, invadiu a Grécia com um tremendo exército e uma marinha
significativa. Para além da batalha das Termópilas (“Estrangeiro, dizei a
Esparta que aqui jazemos, em obediência às suas leis”), Xerxes enfrentou pouca
oposição na Grécia e ocupou Atenas. Mas depois foi derrotado na batalha naval
de Salamina (480 AC) e, um ano mais tarde, perdeu também em terra, em Plateias.
3. Em 330 AC, Alexandre liderou um exército de gregos e
macedónios pela Ásia adentro, e numa campanha militar brilhante conquistou o
vasto Império Persa. Num acto de vingança pelo incêndio da acrópole de Atenas
em 480, Alexandre – enquanto bêbado – deitou fogo à capital persa de
Persépolis. (Alexandre era conhecido por ser casto, não por ser sóbrio).
4. Começando em meados do Século III Antes de Cristo e terminando
em meados do segundo, Roma combateu duas granes guerras contra Cartago, mais
uma guerra mais pequena. Depois desta terceira guerra Cartago – que apesar da
sua localização ocidental, era uma cidade Asiática, sendo uma colónia de Tiro –
foi derrotada e arrasada.
5. No Século II AC os judeus (que naquele tempo eram asiáticos
e não europeus), sob a liderança dos Macabeus, saiu debaixo do jugo do rei da
Síria, que era de tradição helénica. Mas em meados do Século I AC Roma tinha
reestabelecido o domínio ocidental na Palestina. Cerca do ano 70 da Era Cristã,
os judeus ergueram-se contra os romanos, mas foram totalmente esmagados. No
segundo século houve outro levantamento, mas o resultado foi o mesmo.
6. Durante séculos houve guerras intermitentes entre Roma
e os impérios sucessivos da Pérsia e de Pártia. Numa destas batalhas (primeiro
século AC), Marcos Crassos, membro do Primeiro Triunvirato, foi morto e, noutra
(século IV DC), morreu o Imperador Juliano (“O Apóstata”).
7. No começo da década de 630 os guerreiros de uma nova
religião, o Islão, emergiram dos desertos da Arábia e conquistaram grande parte
de Ásia e todas as porções africanas do Império Romano. Os Árabes conquistaram
quase toda a Península Ibérica e o seu avanço para Ocidente só foi travado
quando Carlos Martel (avô de Carlos Magno) os derrotou perto da cidade francesa
de Tours.
8. Na Península Ibérica, onde alguns enclaves cristãos
sobreviveram à conquista árabe, começou em breve a Reconquista, mas esta só
ficou completa quando os reis Fernando e Isabel ocuparam Granada, o último dos
reinos muçulmanos em Espanha, e expulsaram todos os muçulmanos (e judeus).
9. Enquanto os cristãos estavam a recuperar a Península,
os cristãos noutras partes da Europa Ocidental estavam a marchar e a navegar
rumo à Palestina. As cruzadas começaram no final do Século XI e continuaram,
intermitentemente, durante os próximos 200 anos. Depois de algum sucesso
inicial, o Ocidente falhou na tentativa de reconquistar as partes da Ásia
Ocidental que tinha perdido com o levantamento dos Árabes no Século VII.
10. Entretanto o Império Romano (ou Bizantino) caiu em
1453, quando os otomanos muçulmanos capturaram a sua praça forte,
Constantinopla, depois de mais de um século a conquistar bocadinhos do que
tinha sido até então um vasto império.
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| Aquiles depois de matar Heitor, na batalha de Tróia |
11. Não contentes com isto, os turcos invadiram o coração
da Europa, subindo pelo vale do Danúbio, vencendo a Batalha de Mohács (1526).
Isto deu-lhes controlo de grande parte da Hungria e uma rampa de lançamento
para dois ataques mal sucedidos contra Viena, o último dos quais aconteceu em
1683. Entre estas duas datas o Ocidente cristão venceu a grande batalha naval
de Lepanto (1571)
12. A grande mudança deu-se com a modernização do
Ocidente, enquanto o Império Otomano se foi tornando “o homem doente da
Europa”. A começar pela Grécia no início do Século XIX, as províncias europeias
do império turco foram ganhando independência um após outro. No final da
Primeira Guerra Mundial a frente Islâmica/Asiática na Europa estava reduzida a
Istanbul, seus subúrbios e a Albânia.
13. À medida que o Império Otomano entrou em declínio e
finalmente colapsou, as nações europeias, sobretudo a Grã-Bretanha e França,
preencheram o vácuo, controlando, através de colónias ou de outras formas, os
países da África do Norte e do Médio Oriente que tinham feito parte do império
turco.
14. No final do Século XIX começou o movimento sionista.
Muitos judeus (que por esta altura já eram europeus) emigraram para a
Palestina. Os seus colonatos foram legitimados pela Declaração de Balfour
(1917). Eventualmente estes colonatos levaram à criação do Estado de Israel
(1948) e a uma série de guerras com os países árabes vizinhos.
15. Depois da Segunda Guerra Mundial surgiu o
nacionalismo árabe, cujo elemento agregador era um ódio universal por Israel.
Os árabes não viam (nem vêem) Israel da mesma maneira que os judeus, isto é,
como o restabelecimento de uma pátria antiga. Vêem-na como uma invasão ocidental do seu
território.
16. If
we can believe Homer, this whole tragic series began when the beautiful wife of
an important European ruler ran off with a handsome and charming young fellow
from Asia – an illicit love affair that touched off centuries of even more illicit
hatred.
Se acreditarmos em Homero, toda esta série trágica começou
quando a mulher lindíssima de um importante líder europeu fugiu com um jovem
charmoso e vistoso da Ásia – um romance ilícito que espoletou séculos de um
ódio ainda mais ilícito.
David
Carlin é professor de sociologia e de filosofia na Community College of Rhode
Island e autor de The Decline
and Fall of the Catholic Church in America
(Publicado pela primeira vez no sexta-feira, 18 de Dezembro
de 2015 em The Catholic Thing)
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Monday, 28 December 2015
Ramadi quase livre e polémicas patriarcais na Eritreia
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| Dioskoros, ex-Patriarca da Eritreia... ou não? |
Boas notícias do Iraque, onde o exército local parece
prestes a garantir a libertação de Ramadi das mãos do Estado Islâmico. O grupo terrorista perde assim um
ponto importante… É menos uma cidade onde podem aplicar as suas normas sobre escravatura e colheita de órgãos de “infiéis”.
O dia de Natal foi assinalado, como é evidente, por todo
o mundo cristão. Do Iraque veio esta mensagem muito forte do Arcebispo de Erbil, no Curdistão.
O Papa Francisco também escolheu falar sobre as vítimas
das perseguições e o Patriarca de Lisboa sublinhou a necessidade de termos “corações decididamente voltados para tudo quanto seja pobre, carente e frágil”. D.
Jorge Ortiga, de Braga, enalteceu o trabalho dos voluntários em prol dos necessitados e o bispo do Porto, D. António
Francisco dos Santos, falou do acolhimento aos refugiados.
Já ontem, o Papa voltou a falar da importância da família
como lugar privilegiado de Perdão e, numa altura em que se fala sobretudo dos
refugiados que vêm para a Europa, lembrou o drama enfrentado pelos que fogem de Cuba.
Na passada semana publiquei o artigo do The Catholic
Thing, em português, sobre se muçulmanos e cristãos têm o mesmo Deus. O tema pode parecer claro em termos
do magistério católico, mas continua a motivar muita discussão e desta vez não
foi excepção, com um debate aceso e esclarecedor no Facebook, aqui
e aqui.
E por fim, para dar um tom um pouco mais exótico, conheça aqui o abune Dioskoros, que morreu recentemente, e toda a questão que
envolve a liderança da Igreja Ortodoxa da Eritreia.
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