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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Papa escreve ao Irão, juristas aos deputados

Atentado no Irão fez 12 mortos
O Papa Francisco mandou esta sexta-feira uma mensagem de condolências ao Irão por causa dos atentados que tiveram lugar naquele país na passada quarta-feira.

Um grupo de mais de 100 juristas assinou uma carta aberta a pedir aos deputados que não legalizem a eutanásia nem o suicídio assistido.

Por falar em juristas, chamo a atenção para um evento no próximo dia 21 de Junho em que haverá uma assembleia geral da Associação dos juristas católicos que começa com missa às 19h15 termina com um jantar debate sobre a ideologia do género, em que falará Diogo da Costa Gonçalves. Passa-se tudo na Igreja de São Nicolau, em Lisboa.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Ano Novo, feriados velhos

Nimr al Nimr, clérigo xiita executado na Arábia Saudita
Os feriados de Corpo de Deus e Todos os Santos estarão de volta já este ano. Quem o garante é o bispo D. António Montes Moreira, que é o chefe da delegação da Santa Sé na Comissão Paritária, que discute estes assuntos com o Estado Português.


Foi publicado um livro que apresenta investigações sobre Bíblias portáteis do século XIII.

Apesar de toda a conversa sobre um conflito entre ocidente e o Islão, há muito que digo que devemos dar especial atenção ao conflito interno no mundo islâmico entre sunitas e xiitas, que é como quem diz entre a esfera de influência da Arábia Saudita e do Irão, com a Turquia sempre à espreita… Agora, com a execução de um importante clérigo xiita na Arábia Saudita o caldo entornou-se.

Entretanto Hillary Clinton chegou à conclusão, agora em tempo de campanha eleitoral, que afinal os cristãos estão a ser vítimas de genocídio no Médio Oriente. Mais vale tarde que nunca!

Os sikhs britânicos estão a pressionar os seus deputados para tentar obter a libertação do alegado terrorista detido no Algarve e que aguarda a avaliação de um eventual pedido de extradição para a Índia.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Ácido em Isfahan e vaidosos nos palácios episcopais

Rich Mullins. His God is an awesome God!
Não é todos os dias que podemos ficar orgulhosos do que fazem os nossos políticos, mas é com gosto que relato que um grupo de deputados pediu a libertação da paquistanesa Asia Bibi.

Enquanto a cristã condenada à morte aguarda os resultados dos seus recursos, alguém no Irão tem estado a atacar as mulheres com ácido. Quem, não se sabe, mas saiba ao menos porquê…

O Papa voltou a manifestar-se contra bispos carreiristas ou vaidosos e a dizer que é preciso agilizar os processos de nulidade de casamentos.

Conhece Rich Mullins? Eu também não conhecia. Mas depois li este artigo do The Catholic Thing, escrito por um jovem médico convertido ao Catolicismo e fiquei fã… Mais da personagem do que da música, mas fiquei fã.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Irão e EUA friends 4ever?

Imagem divulgada na conta do Twitter do Al-Shabaab
De religião, pura e dura, não há muita coisa hoje. O Papa pede uma mudança de atitude face à imigração e, em Portugal, Setúbal vai acolher a primeira igreja ortodoxa construída de raiz. (Já existe uma capela, leia para saber um pouco sobre a sua história).

Pensa que Francisco é o único Papa que responde às cartas que lhe escrevem? Bento XVI também o faz, e de forma bem franca!

Mas há muita coisa indirectamente ligada a religião…


E muita atenção ao que se passa nestes dias nas Nações Unidas. Para além da Síria, uma das grandes questões é a aproximação entre os Estados Unidos e o Irão, o que pode afectar de forma importantíssima toda uma região onde a religião tem um enorme peso.

Há precisamente um ano, em Roma, um especialista falava-nos do potencial de uma reviravolta nas relações entre o Irão e o Ocidente, veja o que escrevi nessa altura e muita atenção ao que se vai passar por estes dias!

Obama também falou muito da Síria. Porque a questão é muito complexa e pode ser difícil saber quem quer o quê, publiquei um texto no blogue que procura responder às questões essenciais. Comentários são bem-vindos!

Uma primavera persa?

Há quase precisamente um ano estava em Roma e assisti a uma conferência após a qual escrevi o seguinte:

"Michelle Zanzucchi, director da revista Cittá Nuova, do movimento Focolares, falou longamente sobre a questão da Primavera Árabe e da situação dos cristãos no mundo árabe e no Médio Oriente. Uma coisa que retive de forma particular foi em relação ao Irão, o menino mau regional. Segundo Zanzucchi a Arábia Saudita vai explodir dentro dos próximos 8-10 anos, e isso terá influências no resto do Médio Oriente. Nessa altura, acredita, o Irão, que deverá sofrer uma importante transição nos próximos quatro anos, será fundamental para ajudar a pacificar a região, isto porque, segundo ele, o Irão é de longe o país do Médio Oriente que é mais próximo, em termos de mentalidade, do Ocidente.

É uma perspectiva interessante. De facto o Irão não é um país árabe, mas sim indo-europeu e quem conhece a realidade persa actual diz que o fundamentalismo islâmico do regime praticamente não tem raízes no país, sobretudo na capital."

Agora, na Assembleia Geral das Nações Unidas, uma das grandes questões em cima da mesa é a aproximação entre os Estados Unidos e o Irão... a ver, a ver... mas isto pode ser histórico.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Seminaristas "sieg heil"

A notícia é de ontem, mas só foi feita depois de ter sido enviado o mail diário… Os apoiantes de Kristina Kirchner, a presidente da Argentina que achou boa ideia pedir ao Papa para intervir no caso das Falklands, decidiram usar uma fotografia dela com o Papa para usar em campanha. O mau gosto, confirma-se, não tem limites.

Por falar no Papa Francisco, o pontífice deixou um donativo de 20 mil euros aos moradores da favela da Varginha. O dinheiro será aplicado após diálogo com os populares.

Mais más notícias para os seguidores da religião Bahá’i no Irão. Agora foi o próprio Ayatollah Khamenei a emitir uma “fatwa” contra eles, considerando-os “depravados e enganadores”.

E da Alemanha um bom exemplo. Dois seminaristas que achavam piada fazer saudações nazis e festejar o nascimento de Hitler, foram expulsos após uma investigação chefiada por um juiz.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ayatollahs, Chechenos e crianças santas

Novamente Paris?...
O Papa disse hoje que é blasfémia dizer-se que se mata em nome de Deus. Francisco também pediu orações pelos católicos na China.


Motins na Suécia a fazer lembrar os de Paris há alguns anos. As motivações não são religiosas, mas estão a decorrer num bairro que é 80% muçulmano.

E nos EUA as autoridades interrogaram e acabaram por matar a tiro um homem suspeito de ter sido cúmplice dos irmãos Tsarnaev num triplo homicídio que decorreu em 2011. O homem foi morto depois de atacar o agente do FBI. Tal como os Tsarnaev é checheno e estaria a preparar-se para voltar para o seu país.

Dois eventos interessantes nos próximos dias. Uma conferência sobre João XXIII e outra sobre a importância da família. Esta última decorre em Madrid e é particularmente dirigido aos profissionais de comunicação social, portanto divulguem pelos vossos conhecidos que possam estar interessados.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Igreja não é babysitter e a morte de uma lenda

Nem a Igreja é nossa babysitter...
Dias depois de eu ter escrito sobre o caso Gosnell o julgamento começa a merecer mais destaque na imprensa e na sociedade nos EUA, mas também em Portugal.

O Papa Francisco continua a fazer homilias públicas todas as manhãs, que por sua vez dão cada uma três ou quatro notícias. Hoje disse que a Igreja é, para os católicos, uma mãe… e não uma babysitter!


Amanhã Francisco recebe o novo embaixador português e, das suas mãos, uma garrafa de vinho do Porto com 20 anos.

O Corpo de Deus deixou de ser feriado, mas não é por isso que os católicos devem deixar de participar na respectiva procissão, pede o Patriarca de Lisboa.


E por fim, morreu George Beverley Shea. Menos conhecido em Portugal, era uma lenda da música gospel, como podem constatar:

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Um macaco no espaço, vários na cabeça

Bem-vindo de volta à idade média!
Na passada sexta-feira realizou-se a Marcha pela Vida em Washington. Foram 650 mil pessoas. Veja aqui um curto vídeo e saiba também o que a imprensa americana achou verdadeiramente importante noticiar nesse dia

Os islamitas fundamentalistas no Mali continuam a semear destruição. Depois de terem arrasado com vários edifícios históricos quando ocuparam a cidade, agora à saída incendiaram um centro de documentação de valor inestimável.

No Irão um pastor evangélico foi condenado a oito anos de cadeia pela sua actividade religiosa. No dia em que os iranianos anunciaram que conseguiram enviar um macaco ao espaço, bem podiam chegar ao século XXI noutros aspectos também…

O Papa Bento XVI pediu ao Patriarca Bechara Rai, dos Maronitas, que escreva as meditações para a Via Sacra da próxima Sexta-feira Santa. É uma forma de ter presentes os cristãos do Médio Oriente, para quem todos os dias são um Calvário.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Dois anos de selecção, apartheid no Médio Oriente

The boys in yellow
É já hoje o lançamento do livro “Auto de Fé – A Igreja na Inquisição da Opinião Pública”, de Zita Seabra e o padre Gonçalo Portocarrero. Aura Miguel conversou com os dois para esta reportagem.


O Vaticano vai continuar a investigar a fuga de documentos secretos. Hoje foi publicada a sentença do ex-mordomo Paolo Gabrielle.

Ainda em Roma faz hoje dois anos que se formou a selecção de futebol do Vaticano. O saldo não é mau, quatro jogos, duas vitórias e duas derrotas.

Pelo Médio Oriente motivos de preocupação. Em Israel uma maioria de judeus parece convencida de que o Estado pratica apartheid, mas pior que isso, muitos pensam que é pouco.

No Irão são os Bahá’i que mais sofrem, mas a perseguição toca a todas as minorias religiosas, segundo as Nações Unidas.

Por fim um convite da Renascença para todos os interessados. É lançado na quinta-feira o CD “Missa Brevis” de autoria de João Gil. Aqui podem ouvir um excerto da música que vos deixará certamente com vontade ir à Igreja de São Roque no dia 25, às 18h30. Apareçam.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A verdadeira fúria islâmica vem do Irão!

Anda cá dizer-me isso ao véu!
Temos muitas novidades hoje, começamos com uma ronda dos bispos portugueses:



Mas os católicos não são os únicos preocupados com a situação do país. A esse respeito a Aliança Evangélica promove uma semana de oração por Portugal, que começou ontem e acaba no dia 26.

Do departamento do insólito temos o regresso da nossa amiga Cecília Giménez, a tal que “restaurou” uma imagem de Cristo, que agora vem reclamar direitos de autor sobre a imagem que se tornou tão popular.

E no Irão um clérigo decidiu repreender uma mulher na rua por achar que estava vestida de forma imodesta. Ela não gostou. Um mês mais tarde ele ainda precisa de ajuda para comer…

Por fim, em França alguém achou que seria boa ideia publicar novas caricaturas de Maomé. Se o autor da ideia se cruzasse com uma certa mulher iraniana… não vinha mal ao mundo.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Uma breve análise da situação na Síria, pelo espectro religioso

Alauítas na Síria em apoio a Assad
A Síria continua emaranhada numa terrível violência, sem solução à vista.

Nas últimas duas semanas houve notícia de duas deserções muito significativas para regime, nomeadamente do embaixador sírio no Iraque e, antes disso, de um importante general aliado de Bashar Al-Assad.

O que é que estas duas figuras têm em comum? São ambos sunitas, como é quase toda a hierarquia da oposição ao regime, bem como a massa dos opositores que nas ruas têm agitado pelo fim do regime de Assad.

Estas notícias apenas confirmam algo que tenho dito desde o início do conflito: não é possível compreender o que se passa na Síria sem ver e compreender o espectro religioso, não só internamente mas também a nível regional.

Antes de mais, um rápido olhar ao país.

A Síria é composto por vários grupos éticos e religiosos. A esmagadora maioria da população, cerca de 75%, são muçulmanos sunitas. Os sunitas são o maior grupo islâmico a nível mundial e dominam também a maioria dos países da região árabe.Contudo, na Síria o regime é dominado por outro grupo, os alauítas.

Os alauítas são um ramo do Islão Xiíta. São encarados como heterodoxos tanto por sunitas como por a maioria dos xiítas, mas apesar de tudo são mais próximos destes do que aqueles. Na Síria os alauítas constituem cerca de 10% da população, mas tanto a família Assad como grande parte da estrutura que o cerca, pertencem a este grupo.

Ainda dentro do Islão deve-se falar dos curdos. Em termos religiosos os curdos, que são cerca de 5% da população, são sunitas também, mas isso não significa um alinhamento automático com a oposição. A questão tem grandes aspectos religiosos, mas a identificação religiosa não explica tudo.

Por fim, temos os cristãos. Cerca de 10% da população, há décadas que os cristãos encaram a Síria como um oásis de paz, progresso e estabilidade numa região volátil.


Sendo dominado por outra minoria religiosa, ao regime nunca interessou usar um discurso religioso e por isso o secularismo era ferozmente defendido em nome da unidade nacional. Não havia liberdade de expressão, é certo, nem liberdades políticas, mas havia liberdade de culto e não existiam problemas inter-religiosos.

Os cristãos estão divididos em várias igrejas católicas e ortodoxas, mas no terreno as relações são normalmente próximas. Com o início do conflito os cristãos não aderiram à revolta e alguns dos seus representantes apoiaram clara e publicamente o regime. Com a intensificação das lutas esse apoio foi-se moderando com apelos ao fim da violência, mas é claro que uma boa parte da oposição identifica os cristãos como sendo aliados de Assad e há muita preocupação entre a comunidade cristã de que o fim do regime traga os mesmos problemas que se têm visto no Iraque desde a queda de Saddam.

O facto de os cristãos, por tradição, não terem milícias nem recorrerem à violência torna-os alvos fáceis e, nalgumas aldeias, obriga-os a alianças de ocasião, na maior parte dos casos com os alauítas, que são na esmagadora maioria fiéis ao regime e temem uma verdadeira limpeza étnica no caso de este cair. É de realçar que o ministro da Defesa, nomeado em Agosto de 2011, e por isso uma peça chave no combate à revolta, é cristão.
Assad com o Patriarca Ortodoxo-antioqueno da Síria

O cenário interno é este, e é também isto que ajuda a perceber a reacção dos países vizinhos, a começar pela Turquia. Depois de anos a tentar entrar na União Europeia, sem qualquer sucesso para apresentar, Ancara está a olhar para o que se passa no Médio Oriente e a dar sinais de se querer impor como a grande força da região. Os turcos são, na esmagadora maioria, muçulmanos sunitas e por isso não é de admirar que haja uma natural solidariedade com a oposição, que tem usado terreno turco para se reunir e planear os ataques ao regime.

Outra grande potência da região é a Arábia Saudita, que apesar de ser tudo menos democrática, tem apoiado os esforços da oposição para destronar Assad. A solidariedade saudita não chega, por exemplo, ao Bahrein, onde um regime dominado por sunitas é contestado pela maioria da população, que é xiíta.

É precisamente o contrário do que se passa com o Irão, a grande potência xiíta mundial, que apoia os revoltosos do Bahrein mas tem todo o interesse em manter o regime de Assad em Damasco.

A Síria é assim uma peça fundamental no jogo de influências entre o mundo xiíta, liderado por um Irão prestes a conseguir uma arma nuclear, e o mundo sunita, maioritário.

Ao lado da Síria reina o nervosismo no Líbano, onde cristãos, sunitas e xiítas vivem mais ou menos em iguais proporções. O Líbano é um país minúsculo, que durante anos viveu na órbita de Damasco. Mudanças na Síria seriam muito importantes para o Líbano, principalmente porque um regime sunita dificilmente permitira que o Irão continuasse a fornecer o Hezbollah, o partido xiíta que hoje em dia tem mais força em Beirute e que mais mostra os músculos a Israel.

Quanto a Israel, a outra potência a ter em conta na região, poderá até ver com bons olhos a instalação de um regime que ajude a controlar o Hezbollah, mas por outro lado as relações com Assad estavam relativamente pacificados, e nunca se sabe o que trará um Governo novo ou democraticamente eleito.
Filipe d'Avillez

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A Morte das Civilizações Segundo Goldman


Matthew Hanley
Uma pergunta de algibeira para aqueles de vocês que, provavelmente em minoria, compreendem que o mundo praticamente inteiro está ameaçado por uma implosão demográfica, mesmo enquanto muitos continuam a falar do sobrepovoamento e os custos para o “sistema” que podem ser evitados prevenindo gravidezes.

Para dar apenas um exemplo, hoje na Grécia há apenas 42 netos por cada cem avós. Parece que é verdade que é preciso uma aldeia para educar uma criança, mas a este ritmo essas aldeias não vão sobreviver muito mais tempo.

Mas vamos à pergunta: Qual é o país que está a passar pela maior queda de fertilidade alguma vez registada na história do mundo? Adoraria prolongar o suspense, mas vou directo ao assunto. É o Irão. Muita coisa se deve passar naquele país muçulmano para justificar uma queda do índice de fertilidade para um nível tão europeu de 1,5 crianças por mulher.

Em 1970 as mulheres iranianas tinham em média sete filhos. Uma queda tão abrupta – mais de cinco filhos por mulher – em tao pouco tempo, é como se uma frente fria acabasse de chutar o Inverno demográfico para os trópicos.

Este é apenas um ponto interessante do novo e estimulante livro de David P. Goldman: How Civilizations Die (And Why Islam is Dying Too) [Como Morrem as Civilizações (e Porque o Islão Também Está a Morrer)]. Os países islâmicos, tal como o Ocidente e o Japão, estão a optar pelo declínio, como muitos outros povos e civilizações fizeram antes deles.

Santo Agostinho acreditava que “para descobrir o carácter de um povo, temos apenas de observar o que amam”, era esta a sua explicação para a queda de Roma e, na verdade, qualquer nação. Goldman concorda e acrescenta: “os povos falham porque amam as coisas erradas.”

Segundo ele o Irão, consciente do seu declínio, é como um “animal ferido” – perigoso e instável. Antevendo a sua queda ou mesmo extinção, pode ter mais tendência para atacar, sentindo que não tem nada a perder.

Mas a análise de Goldman é mais do que uma hábil mistura de estatísticas e considerações geopolíticas. Abrindo novos horizontes para o pensamento, mesmo para aqueles que à partida simpatizam com os seus argumentos, chega ao coração da matéria: as influências espirituais da implosão demográfica.

A organização das nossas culturas secularizadas, apesar de todos os confortos, não satisfaz as nossas necessidades mais básicas: “Quando os homens e as mulheres perdem o sagrado, perdem a vontade de viver.” Isto porque as nossas vidas precisam absolutamente de um sentido que transcenda a vida.

Talvez seja essa a razão pela qual ele chama à implosão demográfica não só “a notícia mais sub-divulgada dos nossos dias”, mas também “o elefante na sala”. É mais difícil falar das coisas mais profundas, mesmo que sejam também as nossas mais prof-undas necessidades.

Goldman atribui a queda demográfica de hoje a uma “Perda de Fé”, a que chama o quinto cavaleiro do apócalipse (os outros são Guerra, Praga, Fome e Morte): “À medida que as sociedades tradicionais dão lugar à modernidade, a fé e a fertilidade desaparecem em conjunto.”

Os níveis epidémicos de suicídio entre povos indígenas da América, desde os Inuit do Canadá aos Guarani da América do Sul, são outra triste manifestação desta profunda deslocação.

O colapso do Irão não é tão diferente assim, argumenta, de aquilo que se passou com comunidades étnicas que em tempos se identificaram fortemente com a fé católica.

David P. Goldman
Os indices de fertilidade no Quebec, que durante muitos anos foram substancialmente mais elevados que o resto do Canadá, caíram mais de dois terços em menos de uma geração, durante a transição para a modernidade. Em 1982 mais de 42% dos homens e mulheres tinham sido esterilizados.

O índice de fertilidade da Polónia – “a nação cuja fé e heroísmo venceram a Guerra Fria” – atingiu agora o ponto incrível de 1,25. A Espanha passou de ter o mais alto índice da Europa ocidental, de longe, nos anos 70, para o mais baixo, em menos de 20 anos.

A conclusão de Goldman é que a religião, quando se confunde com etnicidade – com o sangue e a terra e noções de estatuto de eleição divina – conduz mais frequentemente a conflitos e tende a ser mais frágil perante a modernidade, sobretudo quando comparada com a religião baseada na consciência individual. Isto compõe grande parte da sua discussão sobre a cultura islâmica – “tribalismo elevado a um princípio universal” – mas também ajuda a explicar as significativas diferenças entre a Europa e a América, apesar da herança cristã comum.

O índice de fertilidade na América – que ronda o nível de subtituição – não é tanto um indicador de saúde como um período de graça. Estamos ainda em crescimento, e capazes de nos mantermos, enquanto que a Europa e o Japão estão-se a aproximar de um “ponto sem retorno”. Em 2050, no Japão, haverá apenas metade do número de potenciais mães que existem hoje.

No início deste ano um relatório indicava que mais de metade das crianças de mulheres americanas com menos de 30 anos nasciam fora do casamento. As implicações exactas desta grande cisão no equilíbrio humano são uma questão a debater. Mas no fim de contas toda a “dignidade e equilíbrio” da vida humana depende “em cada momento da história e em todos os pontos geográficos, de quem ela (mulher) será para ele (homem) e ele para ela”, como argumentou João Paulo II em 1980, declarações que viriam a fazer parte da sua “Teologia do Corpo”.

Talvez o já falecido Cardeal Dulles, que Goldman cita, tenha tido razão quando se mostrou preocupado de que o resíduo cristão na América pudesse não ser suficientemente forte para resistir às forças de secularização que tomaram conta da Europa.

Sem ligações ao passado nem confiança no futuro, indivíduos presos numa cultura moribunda “embrutecem os seus sentidos com álcool e drogas” e, num estado de desencorajamento, “abraçam a morte na infertilidade, concupiscência e guerra.”

O salário do pecado, escreve São Paulo, é a morte. O reverso disto contém outro truísmo: o conhecimento da morte, sem fé no dom da vida eterna, leva as pessoas e as culturas a pecados maiores.

O que precisamos mais de tudo neste tempo, em que o pecado e o stress, o desespero e a decadência abundam, é fé no conhecimento de que superabunda a graça.


Matthew Hanley é autor, juntamente com Jokin de Irala, de ‘Affirming Love, Avoiding AIDS: What Africa Can Teach the West’, que foi recentemente premiado como melhor livro pelo Catholic Press Association. O seu mais recente relatório, ‘The Catholic Church & The Global AIDS Crisis’ está disponível através do Catholic Truth Society, editora da Santa Sé no Reino Unido.

(Publicado pela primeira vez na quinta-feira, 19 de Abril 2012 em http://www.thecatholicthing.org/)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Corrupção em Timor, silêncio tradicionalista

O Patriarca de Lisboa fez ontem um discurso sobre a missão da Renascença. Como tende a acontecer quando fala de improviso, D. José Policarpo foi simples, muito simpático e divertido.

Menos positivo foi o Bispo de Baucau, em Timor-Leste, que falou da existência de corrupção no seu país.

Do Irão chega-nos uma notícia preocupante de 12 cristãos que foram detidos e poderão enfrentar a pena de morte se forem condenados por “crimes contra a ordem pública”.

Faltam quatro dias para que a Sociedade de São Pio X faça chegar a Roma a sua resposta em relação à proposta de reintegração plena na Igreja Católica. Ao contrário de prazos anteriores, este não tem sido antecedido de comentários públicos por parte dos bispos da Sociedade. No meu entender, isto pode ser bom sinal.

E porque hoje é quarta-feira temos um novo artigo de The Catholic Thing. “Nesta curta vida temos duas hipóteses. Andamos à volta da igreja, ou andamos em direcção a ela”, escreve Ashley McGuire, curiosamente a primeira mulher que figura nos artigos deste site que traduzimos até agora.

terça-feira, 6 de março de 2012

Festejos de Purim e tatuagens mágicas

Faz hoje anos D. Eurico Dias Nogueira, Arcebispo emérito de Braga, é o único bispo português ainda vivo que participou no Concílio Vaticano II. Por ele, realizava-se um terceiro.

Também hoje, aliás, já daqui a bocado, a Fundação Evangelização e Cooperação realiza um debate sobre a situação económica. Quem estiver para os lados do Chiado pode aparecer, é na Livraria Ferin, às 18h

Os judeus estão prestes a festejar o Purim. Nesta data recordam como triunfaram sobre os persas que os queriam aniquilar. Uma história… tão actual!

No Tibete mais duas mulheres auto-imolaram-se. Desde a publicação da notícia já foi mais um rapaz também. E já se ultrapassou as vinte vítimas…

Por falar em Budismo, cliquem aqui para ver uma faceta dessa religião que, aposto, a maioria não suspeitava que existia!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Obama recua? "Omerta" na Igreja

Estará Obama a ceder na sua “guerra” com os bispos americanos? É o que parece, embora os democratas queiram que pareça outra coisa…


Em Roma continua o simpósio sobre abusos sexuais. Um alto-funcionário do Vaticano comparou o encobrimento de casos a uma cultura mafiosa. Palavras duras, sobretudo em contexto italiano, que terão deixado algumas orelhas a arder.

E numa altura em que cresce a contestação ao regime iraniano e ao seu projecto nuclear, eis que Ahmadinejad decide dizer que gostaria muito de receber o Papa em Teerão. As relações entre o Irão e a Santa Sé estão repletas de nuances e de curiosidades, que pode conhecer aqui.

Não se esqueçam que as notícias mais interessantes/importantes são lançadas na hora no Facebook… apareçam.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os bahá’í vivem numa espécie de “apartheid religioso” no Irão

Transcrição completa de entrevista com Marco Oliveira, da Comunidade Bahá’í em Portugal. Vejam a notícia aqui.

Últimamente tem aumentado a perseguição aos bahá’í no Irão, mas a religião Bahá’í nasceu no Irão. Pode-nos contar brevemente a história das origens?
A Fé Baha’i nasceu no Irão no século XIX. O fundador foi um nobre persa chamado Bahá'u'lláh que começou por apoiar um movimento messiânico, o Babismo, que é referido por Eça de Queirós. Por causa desse apoio foi exilado para o que é hoje o Iraque.
No Iraque começou a organizar os seguidores da religião Babí e anunciou ser ele o profeta prometido pelo fundador da religião Babí, o Bab. Posteriormente foi novamente exilado, primeiro para Constantinopla, depois para Adrianópolis, ainda no império Otomano, e eventualmente para a fortaleza de Akká, na Palestina Otomana e hoje fica no Estado de Israel. Hoje há cerca de cinco milhões de Bahá’ís espalhados por todas as religiões do mundo.

E no Irão, quantos há?
Actualmente vivem no Irão cerca de 300 mil bahá’ís, são a maior minoria não muçulmana no Irão.

Portanto a religião nasceu no seio do islão, mas os bahá’í consideram-se muçulmanos?
A fé Baha’i é uma religião independente, tem os seus próprios livros sagrados, as suas próprias leis e a sua própria administração. A relação que tem com o Islão é a mesma que o Cristianismo tem com o Judaísmo, isto é, nasceu num meio islâmico mas mostrou rapidamente que era uma religião independente. 

Templo Bahá'í
No Irão há também comunidades cristãs e judaicas que até são respeitadas. Porque é que os bahá’í são tão perseguidos?
Há sobretudo um aspecto teológico-religioso na base dessa perseguição. Para os muçulmanos o Judaísmo e o Cristianismo são religiões do Livro. Os muçulmanos aceitam Moisés e aceitam Jesus como profetas legítimos e divinos, mas segundo o Islão Maomé terá sido o último dos profetas. A Fé Baha’i ensina que não houve um último dos profetas, mas que há uma sequência contínua de profetas e que o mais recente foi Bahá'u'lláh. Isto contraria aquilo em que os muçulmanos acreditam e é isso que está na base das perseguições.
Para além disso os Bahá’í têm um conjunto de ensinamentos que o clero muçulmano mais tradicional não aceita, como por exemplo a igualdade de direitos entre homens e mulheres, a necessidade de investigação da verdade e a abolição de todas as formas de preconceito. Portanto há um conjunto de circunstâncias que tornam a Fé Bahá’í um alvo preferencial das ditaduras islâmicas.

E recentemente tem havido um aumento da perseguição?
É verdade. Temos assistido com muita preocupação a um conjunto de medidas que visam descriminar e ostracizar a fé Baha’i no Irão. Em termos simplistas diria que se está a criar um sistema de apartheid religioso em que os Bahá’ís além de não terem direitos de cidadania, porque não estão defendidos pela constituição iraniana, neste momento estão impedidos de um conjunto de actividades. Por exemplo os jovens não podem ingressar na universidade, quando ingressam acabam por ser expulsos passados alguns meses. Os bahá’ís não podem ser funcionários públicos, os reformados viram canceladas as suas reformas e foram obrigados a devolver o que já tinham recebido, várias pessoas que têm pequenos negócios de comércio têm visto as suas licenças revogadas, há lares e propriedades destruídas ou incendiadas e tudo isto nos cria uma situação que nos preocupa verdadeiramente e para a qual temos chamado a atenção da comunidade internacional nos diversos fóruns internacionais e junto de Governos em todo o mundo.

E em Portugal também há bahá’ís de origem iraniana?
Em Portugal há cerca de sete mil bahá’ís. Alguns destes são pessoas que nasceram no Irão e, devido às perseguições que lá ocorrem, tiveram que vir para Portugal como refugiados e acabaram por fazer aqui a sua vida. A maioria encontra-se hoje plenamente integrada na sociedade portuguesa. Há médicos, engenheiros, professores universitários, plenamente integrados na sociedade portuguesa. 

Nélson Évora é talvez o mais famoso bahá'í português

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Aliança das civilizações em Lisboa e anti-obama nos EUA

Men in Black "LIKE" protesto católico contra Obama

Realiza-se amanhã um encontro na Mesquita de Lisboa integrado na “Aliança das Civilizações”, que junta diferentes religiões em diálogo, fica aqui a informação e o desafio para quem quiser aparecer.

O número de bispos católicos nos EUA que se manifesta publicamente contra uma recente medida de Obama continua a subir. Agora contam com o reforço de 65 bispos ortodoxos (os da foto, mais 61).

Hoje chamamos a vossa atenção para duas decisões judiciais. Em França a Igreja da Cientologia foi condenada a uma pesada multa por fraude e no Iraque os terroristas que mataram 57 pessoas numa Igreja de Bagdade foram condenados à morte.

O líder supremo do Irão raramente fala, mas quando o faz não mede as palavras. Como dizia um comentador no grupo do Facebook, é interessante comparar o tom do líder do Irão com o dos líderes de outras duas teocracias, o Vaticano e o Tibete.

Quem também falou foi o líder da Sociedade de São Pio X (lefebvrianos). Foi uma homilia interessante e reveladora do estado das negociações com a Santa Sé, que analiso e comento aqui.

Para finalizar, Lisboa tem novos regulamentos sobre exorcismos (não é tão emocionante como parece).

Questões, dúvidas? Perguntem ao Bispo de Viseu.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Os bispos e os obscuros jogos de Capital*

Parece que serão mesmo os feriados do Corpo de Deus e o 15 de Agosto que vão acabar. Os bispos fizeram a sua proposta, agora o Estado tem de negociar com o Vaticano.

Parabéns aos que acertaram, incluindo eu! Prometo que não tive qualquer informação privilegiada!

Na mensagem final da sua assembleia plenária, os bispos portugueses avisam ainda que a actual crise mostra como os “obscuros jogos de capital” podem colocar em perigo a democracia.

A Igreja dá importantes passos nas terapias com células estaminais adultas. Uma boa notícia numa altura em que se insiste em passar a ideia que a Fé e a Ciência são incompatíveis.

A ONU está preocupada com as minorias religiosas no Irão e na Índia 31 homens foram condenados a prisão perpétua por terem participado nos massacres de Gujarat, que vitimaram mais de 1000 pessoas, na maioria muçulmanos.

A título de curiosidade, grande parte da comunidade islâmica em Portugal é originalmente de Gujarat…

No Reino Unido um tribunal decidiu que as dioceses podem ser responsabilizadas por abusos sexuais cometidos pelos padres. Teme-se agora uma onda de processos…

Finalmente, para aqueles que gostam de seguir o Papa a todo o lado onde vai, comecem a procurar viagens baratas para Cuba e México

*Não, não é um novo romance de José Rodrigues dos Santos

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