Wednesday, 23 December 2015

Um Carlos Magno para Francisco no Natal

Santo Natal para todos!
Um ex-oficial muçulmano bósnio vai ser julgado por crimes de guerra cometidos por jihadistas internacionais, sob o seu comando, durante a guerra da Bósnia.

O Papa Francisco foi escolhido para vencer o Prémio Carlos Magno de 2016. Se não sabe o que é o prémio, nem porque é que o Papa quebrou o seu hábito de não aceitar este tipo de galardões, está tudo explicado aqui.


Hoje temos mais um artigo do The Catholic Thing. À pergunta “Cristãos e muçulmanos adoram o mesmo Deus?” Francis Beckwith responde que sim e explica como e porquê.

Amanhã ainda trabalho, mas não devo enviar mail. Desejo por isso um santo e feliz Natal a todos os leitores! Se ainda têm presentes para comprar, que Deus vos perdoe, mas podem sempre aproveitar as minhas sugestões.

Muçulmanos e Cristãos Adoram o Mesmo Deus?

Francis J. Beckwith
A 15 de Dezembro a universidade evangélica Wheaton College, de Chicago, suspendeu uma professora residente de ciências políticas. O comunicado de imprensa da universidade afirma que a professora Larcyia Hawkins foi suspensa “devido a questões significativas sobre as implicações teológicas de afirmações que fez sobre a relação entre o Cristianismo e o Islão”. Que afirmações são essas?

Segundo um artigo na Christianity Today, a Drª Hawkins atraiu as atenções quando afirmou publicamente no Facebook que iria passar a usar o véu islâmico como parte do seu percurso de Advento como gesto “de solidariedade religiosa com os muçulmanos porque eles, como eu, uma cristã, são um povo do livro. E como o Papa Francisco afirmou a semana passada, adoramos o mesmo Deus”.

Para ter a certeza que a utilização do véu islâmico por uma não muçulmana não seria ofensiva para os muçulmanos, Hawkins pediu ajuda ao Conselho para as Relações Americanas e Islâmicas (CAIR), que lhe disse que seria permissível. Mas a universidade não está preocupada com a mudança de vestuário da professora. Nas palavras do presidente Phillip Ryken, “a universidade não tem qualquer posição sobre a utilização de véus como sinal de cuidado e preocupação por membros da comunidade muçulmana, ou outras, que possam enfrentar discriminação e perseguição”.

Parece evidente, portanto, que aquilo que preocupa a universidade é a afirmação teológica de que os muçulmanos são um “povo do livro” com os quais “adoramos o mesmo Deus”. Esta última parte da afirmação foi mesmo apelidada de “incrível” e “verdadeiramente de deixar de boca aberta” por Denny Burk, um conhecido professor evangélico de Estudos Bíblicos.

Antes de eu passar a explicar porque é que Hawkins tem razão no que diz respeito a muçulmanos e cristãos adorarem o mesmo Deus e, por isso, que a sua suspensão por negar implicitamente a Posição de Fé da Universidade não tem cabimento, é importante mostrar porque é que ela está errada sobre os cristãos e muçulmanos serem “povos do livro”.

Em primeiro lugar, a vasta maioria dos cristãos não pensa assim sobre a sua fé. Os católicos, por exemplo, embora acreditem na autoridade das Escrituras, não encaram a sua fé como sendo fundada num livro. Como diz o Catecismo da Igreja Católica “No entanto, a fé cristã não é uma ‘religião do Livro’. O Cristianismo é a religião da ‘Palavra’ de Deus, ‘não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo’. Para que não sejam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna do Deus vivo, pelo Espírito Santo, nos abra o espírito à inteligência das Escrituras”.

Depois, na teologia islâmica, a frase “povo do livro” diz respeito apenas a seguidores de outras religiões abraâmicas (como judeus e cristãos) e não aos próprios muçulmanos. É uma confusão parecida com aquela que não-católicos cometem quando confundem a Imaculada Conceição com o nascimento virginal.

Larciya Hawkins, com o seu véu
Passamos agora à grande questão: Os muçulmanos e os cristãos adoram o mesmo Deus? Para responder adequadamente temos de fazer algumas distinções filosóficas importantes. Primeiro, o que é que significa dois termos referirem-se à mesma coisa? Tomemos, por exemplo, os nomes “Muhammed Ali” e “Cassius Clay”. Embora sejam termos diferentes, ambos se referem à mesma coisa, pois têm propriedades idênticas. O que for verdade em relação a Ali é verdade em relação a Clay e vice-versa. O mesmo se aplica a Robert Zimmerman/Bob Dylan, e Norma Jean Baker/Marilyn Monroe.

Por isso, o facto de os cristãos chamarem a Deus “Javé” e os muçulmanos lhe chamarem “Allah” não faz qualquer diferença desde que ambos tenham propriedades idênticas. De facto, aquilo que conhecemos como teísmo clássico foi adoptado por alguns dos maiores pensadores das religiões abrâamicas: São Tomás de Aquino, Maimonides e Avicena. Uma vez que, de acordo com o teísta clássico, por princípio apenas pode haver um Deus, os cristãos, judeus e muçulmanos que adoptam o teísmo clássico devem estar a adorar o mesmo Deus. Não pode ser de outra maneira.

Mas não é verdade que o Cristianismo afirma que Deus é uma Trindade e os muçulmanos o negam? Isto não significa que, na verdade, adoram “Deuses” diferentes? Não necessariamente. Atente-se neste exemplo. Imaginem que o Fred acredita que existem provas convincentes de que Thomas Jefferson teve vários filhos com a sua escrava Sally Hemings e, por isso, o Fred acredita que Jefferson possui a propriedade de “ser pai de vários dos filhos de Hemings”. Por outro lado, o Bob não se deixa convencer por essas provas e acredita que Jefferson não possui essa propriedade de “ser pai de vários filhos de Hemings”.

Não será lógico então dizer que o Fred e o Bob não acreditam no mesmo terceiro Presidente dos Estados Unidos? Claro que não. Da mesma maneira, Abraão e Moisés não acreditavam que Deus era Trindade, mas Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e Billy Graham acreditam. Isso significa que Agostinho, Aquino e Graham não acreditam no mesmo Deus que Abraão e Moisés? Mais uma vez, claro que não. O facto de uma pessoa ter um conhecimento incompleto ou falso sobre outra pessoa – seja humana ou divina – não significa que alguém com informação melhor ou mais completa não esteja a pensar na mesma pessoa.

Por estas razões, seria uma verdadeira injustiça se a Wheaton College fosse despedir a professor Hawkins simplesmente porque quem está a avaliar o seu caso não consegue fazer estas distinções filosóficas subtis, mas importantes.


(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 17 de Dezembro 2015 em The Catholic Thing)

Francis J. Beckwith é professor de Filosofia e Estudos Estado-Igreja na Universidade de Baylor. É autor de Politics for Christians: Statecraft as Soulcraft, e (juntamente com Robert P. George e Susan McWilliams), A Second Look at First Things: A Case for Conservative Politics.

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Monday, 21 December 2015

Sugestões para o Natal

Se é daquelas pessoas que todos os anos fica sem ideias para presentes de Natal, precisamente nas últimas semanas antes da data, aqui ficam algumas dicas da Actualidade Religiosa. Cada dia divulgarei mais uma dica.

1. Que Fazes Aí Fechada
Sim, sou mesmo tão desenvergonhado que começo por sugerir um livro da minha autoria. Mas faço-o sem problemas de consciência porque, como já disse várias vezes, este livro não vive de mim, mas sim das histórias fantásticas das entrevistadas.

Ao longo de oito conversas com freiras ou monjas de diferentes ordens e congregações, desfazem-se vários mitos sobre a vida consagrada. Desde a cantora de jazz que faz um esforço para não sofrer pelo Benfica num convento de clausura, no Alentejo, até à rapariga de Viseu cujo pai queria que assumisse a exploração agrícola, mas agora dedica a vida ao trabalho com prostitutas e a combater o tráfico humano.

Há ainda a história da freira cujo pai deixou de praticar quando ela disse que ia para o convento, a dominicana albanesa que cresceu a pensar que os padres e as missas eram coisas do tempo dos contos de fadas e o fantástico prólogo de Maria João Avillez, cuja filha se tornou carmelita e que fala do assunto de uma perspectiva muito diferente, de matriarca de uma família que ainda luta por aceitar essa decisão.

O livro é da Aletheia e custa cerca de 15 euros. Pode ser adquirido nas principais livrarias ou encomendado do site da editora.


2. O Meu Deus é um Deus Ferido
Este livro é da autoria do padre checo Tomás Halík. Recebi-o há alguns meses da editora Paulinas e logo na altura despertou-me a atenção, mas acabou por ir parar a uma prateleira e só peguei nele novamente há duas semanas. Foi preciso pouco para ficar fã.

Halík faz uma leitura da passagem do Evangelho em que São Tomé duvida da ressurreição de Jesus e explora o significado de Cristo lhe ter mostrado as chagas, de Cristo, mesmo ressuscitado, continuar a ter chagas, concluindo que é através da identificação com as chagas dos mundo, dos pobres e dos oprimidos, nos vários sentidos da palavra, que nos salvamos.

Trata-se de um autor que foi ordenado sacerdote na clandestinidade, durante o regime comunista, e que sofreu perseguições mas agora é um perito em diálogo intercultural e inter-religioso. Um livro, sem dúvida, a não perder.

Não é uma obra leve, mas também não é preciso ter um curso de teologia para o ler, e custa € 14,90 no site das Paulinas.


3. Uma Vida de Doação – Padre Dâmaso Lambers
Há vários anos que estou a trabalhar na Renascença e tem acontecido muita coisa boa. Mas um dos maiores privilégios que sinto que tenho tido é ter conhecido e poder acompanhar, pelo menos semanalmente, o padre Dâmaso. Em 2010 entrevistei-o para a série “Vidas Consagradas” e fiquei fascinado com a sua história.

Agora todos podem conhecer a vida do padre Dâmaso. Dedicou a vida aos reclusos; sobreviveu à Segunda Guerra Mundial; diz, com naturalidade, que foram poucos os dias que não comungou desde criança e, acima de tudo, é profundamente apaixonado por Jesus.

“Jesus é fantástico” é a expressão que mais se ouve da sua boca. Tudo isso transparece neste livro tremendamente simples e tremendamente inspirador.

A edição é das Paulinas e, no site, custa 10 euros.


4. Artesanato da Terra Santa
Tempos houve em que um em cada cinco palestinianos era cristão, mas com o passar dos anos e devido ao conflito interminável e o aumento do clima de perseguição aos cristãos por parte de movimentos islâmicos fundamentalistas, esta percentagem tem diminuído drasticamente.

Ainda assim, alguns permanecem e sobretudo na zona de Belém ganham a vida muito à custa do turismo e da vende de artigos de artesanato religioso, esculpido em madeira de oliveira.

À imagem do que se passou noutros anos, este Natal encontram-se em Portugal alguns membros dessa comunidade para vender esses artigos. É uma forma de ajudar directamente os cristãos da Terra Santa a enfrentar as dificuldades diárias e as peças, para além de serem de boa qualidade, são muito bonitas.

Em Lisboa é possível encontrar estes artigos à entrada da Basílica dos Mártires, no Chiado.

5. Fiat Lux
O número especial da Invennire, publicação do secretariado dos Bens Culturais da Igreja, é de um beleza de cortar a respiração.

Ao longo de 130 páginas, pode encontrar aqui imagens de altíssima qualidade de algumas das mais bonitas iluminuras feitas em Portugal.

A revista está esgotada na loja online, mas encontra-se à venda em vários locais, incluindo na Férin, em Lisboa, ou na Voz Portucalense do Porto, Museu de Arte Sacra e Etnologia de Fátima ou no Museu Diocesano de Santarém, entre outros.

Claro que a palavra "revista" é pouco para caracterizar uma obra destas, que tem tanta ou mais qualidade que muitos livros. O preço reflecte isso, 18 euros, mas vale cada cêntimo, sobretudo se o destinatário for um apreciador de arte.

Tigres enjaulados em Évora e antibióticos na Santa Sé

Metade do mundo está apostado em eliminar o Estado Islâmico, mas hoje um estudo veio dizer que se o grupo desaparecer há 15 grupos iguais prontos para ocupar o vazio. Encorajador!

O terrorista indiano que foi detido no Algarve vai ficar em prisão preventiva, à espera para ver se a Índia pede extradição. Pamma, como é conhecido, é um activista de religião Sikh, que luta por um território independente para os Sikhs no Punjab, na Índia.

Depois de no discurso de Natal do ano passado o Papa ter partido a loiça toda enumerando as 15 doenças de que sofriam os cardeais da Cúria Romana, hoje receitou o “antibiótico”, enumerando as várias virtudes que são necessárias.

Já ontem, depois da recitação do ângelus, o Papa agradeceu à comunidade internacional o princípio para acordo de paz alcançado para a Síria.

O Patriarca de Lisboa este na celebração da missa de Natal da Comunidade Vida e Paz, ontem, e anteontem esteve numa vigília pela paz, em que pediu o fim das barreiras de indiferença entre os homens.

Hoje coloquei a última sugestão na lista de presentes de Natal que podem dar aos vossos familiares e amigos. Trata-se da edição Fiat Lux do secretariado dos Bens Culturais da Igreja.

Wednesday, 16 December 2015

Enviem mas é os manhosos para Pyongyang

Perigosa ameaça ao regime da Coreia do Norte
O Papa Francisco alertou esta quarta-feira para os “manhosos” que tentam ganhar dinheiro com o Jubileu da Misericórdia, vendendo bênçãos falsas e acessos a portas santas, por exemplo.

Um pastor evangélico com nacionalidade canadiana foi condenado, na Coreia do Norte, a prisão perpétua em regime de trabalhos forçados, por actividades contra o Estado. A acusação queria pena de morte, mas a defesa pediu clemência, para que o condenado possa “ver por si a realidade da nação do Sol enquanto cresce em poder e prosperidade”.

Vai-se realizar no fim-de-semana o 10º concerto solidário dos movimentos católicos, em Lisboa. Saiba tudo aqui.


E hoje é dia de artigo do The Catholic Thing. Hadley Arkes aborda a importância da declaração Dignitatis Humanae, que faz 50 anos mas nunca foi tão actual!

Dignitatis Humanae: Uma Lição para um Mundo em Desaparecimento

Hadley Arkes
Assinala-se por esta altura o 50º aniversário da Dignitatis Humanae, ou “Sobre a Dignidade da Pessoa Humana”. Trata-se de um daqueles documentos que é relativamente curto, mas de enorme impacto, pois representa o verdadeiro alcance da Igreja na afirmação do sentido de “pessoa humana” enquanto portadora de direitos humanos inalienáveis, incluindo um direito à liberdade religiosa, mesmo quando essa religião não radica nas verdades professadas pela Igreja.

O ano de 1965 foi um ponto de viragem em muitos sentidos, com a chegada da pílula e uma injecção de energia na revolução sexual. Com cada vitória desse movimento, tornou-se mais claro que ele é alimentado pela paixão de recusar cada vestígio de ensinamento moral que levanta barreiras à libertação sexual. O mundo tem sido tão virado de pernas para o ar desde a publicação do Dignitatis Humanae que actualmente contesta-se o próprio significado de “dignidade” de “pessoa” e de “religião”.

Um amigo de longa data tentou, a dada altura, escrever um livro sobre a Dignidade Humana. Insistia que “os seres humanos têm uma dignidade incomparavelmente maior [do que os membros de outras espécies]. São mais importantes por causa daquilo que são: membros da espécie humana, com traços e atributos únicos e incomparáveis”. Mas o que é, exactamente, que torna os seres humanos superiores, que lhes permite reclamar essa “dignidade”?

O Dignitatis Humanae foi claro sobre isso desde o primeiro momento: A Dignidade assiste a “pessoas dotadas de razão e de vontade livre e por isso mesmo com responsabilidade pessoal.” A dignidade começa com a capacidade para fazer juízos sobre questões de bem e de mal e com a capacidade de assumir responsabilidades. Só um tipo de criatura compreende o que significa respeitar uma promessa, ou um “compromisso” mesmo quando isso deixa de coincidir com os seus interesses.

O meu amigo, escrevendo do ponto de vista de académico, porém, recusou colocar essa capacidade de juízo “moral” como sendo central para o assunto. Para ele, aquilo que distinguia os seres humanos era a liberdade de “se tornarem diferentes através de um rasgo de criatividade livre”. Mas então a questão, certamente, torna-se o saber se podemos olhar para as coisas que criamos e classifica-las como boas ou más. Podíamos ter a criatividade estonteante de um Bernie Madoff para a fraude, algo que revela grande génio Não era essa a criatividade que o meu amigo tinha em mente, embora apenas esteja ao alcance de humanos.

E quando nos encontramos cercados por pessoas que claramente não beneficiam de grande criatividade – pessoas perpetuamente maçadoras – concluímos que elas têm menos dignidade? Serão elas menos humanas, com menos direito ao nosso respeito?

Levanto a questão porque o meu amigo diz que “uma vida é uma vida… Se alguma coisa é sagrada, então a vida é sagrada”. E não obstante, se todos os seres humanos possuem dignidade, e se a vida é sagrada, o que dizer do ser humano no útero? Mas o meu amigo leva a cabo a manobra familiar, insistindo que o “feto” claramente não é uma “pessoa”, é uma “vida em potência”. Ele reconhece então que se trata de contrastar a vida inocente de uma “pessoa em potência” contra a recusa da “dignidade” de uma mulher grávida, pois se lhe for recusado um aborto ela “tornar-se-ia um mero instrumento de um propósito que não é o seu”. Claro que, quando se vê a questão pela perspectiva da moral, a pergunta normal é saber como é que uma pessoa pode encontrar a sua “dignidade” no acto de matar um ser absolutamente inocente.

Para os escritores académicos, o aborto continua a ser um osso duro de roer. Se querem reclamar a dignidade para todos os seres humanos, têm de explicar porque é que omitem desta protecção este grupo de pequenos humanos. Se a personalidade depende da capacidade para criatividade já manifestada em obras, então o mantra liberal de “igualdade” foi posto decididamente de lado.

O Dignitatis Humanae foi generoso na sua abertura mesmo a formas exóticas de experiência religiosa e na disponibilidade para respeitar a busca sincera pelo divino. Mas nos nossos dias encontramos advogados a defender a “liberdade religiosa” e a recusar rejeitar qualquer reivindicação de religiosidade como ilegítima. A Igreja do Monstro do Esparguete Voador tem procurado reconhecimento oficial ao abrigo de leis locais e há dois anos uma das suas exposições foi colocada junto a um presépio, no Tallahassee.

Argumenta-se que é possível detectar grupos religiosos insinceros ou que são meros pretextos. Mas estas pessoas levam muito a sério a ideia de que o seu gozo com o Cristianismo é a sua religião antirreligiosa. E na ausência de qualquer teste substantivo, porque não haver uma Igreja da Insinceridade? 

Na Dignitatis Humanae lida-se com a questão assim: “A sociedade civil tem o direito de se proteger contra os abusos que, sob pretexto de liberdade religiosa, se poderiam verificar, é sobretudo ao poder civil que pertence assegurar esta protecção. Isto, porém, não se deve fazer de modo arbitrário, ou favorecendo injustamente uma parte; mas segundo as normas jurídicas, conformes à ordem objectiva.”

Por outras palavras, assume-se que as leis que barram o homicídio e outros males evidentes servirão também para limitar a existência de movimentos fraudulentos que se tentam apresentar como “religiões”. O problema agora, claro, é que as leis deixaram de radicar na “ordem objectiva”. O que temos agora é um direito positivista que obriga as organizações católicas a fechar portas se recusarem colocar crianças com casais homossexuais para adopção. O mesmo direito que pune pasteleiros e floristas se estes se recusarem a participar na celebração de um casamento entre pessoas do mesmo sexo. 

Daí que a Dignitatis Humanae seja, sim, um ensinamento duradouro para um mundo que vai desaparecendo mas que cabe a nós restaurar.


Hadley Arkes é Professor de Jurisprudência em Amherst College e director do Claremont Center for the Jurisprudence of Natural Law, em Washington D.C. O seu mais recente livro é Constitutional Illusions & Anchoring Truths: The Touchstone of the Natural Law.

(Publicado pela primeira vez na Terça-feira, 15 de Dezembro de 2015 em The Catholic Thing)

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Tuesday, 15 December 2015

Sugestões de Natal para quem quer ter coração de carne

O Papa Francisco autorizou a proclamação das “virtudes heróicas” de uma portuguesa, Teresa Saldanha, dando força ao processo de beatificação.

Foi conhecida esta manhã a Mensagem pela Paz do Papa Francisco, que tem data de 1 de Janeiro. O Papa quer que as pessoas transformem os seus corações de pedra em corações de carne.

Entretanto o Conselho da Europa quer que o Vaticano seja mais agressivo no combate à corrupção e lavagem de dinheiro, admitindo porém que muito já foi feito de bom.

Porque sou muito vosso amigo, presto a partir de hoje um grande serviço à humanidade. Se não têm ideias de presentes de Natal, não desesperem! Hoje temos duas dicas e ao longo da semana teremos mais. Não percam!

Também, para quem quiser, há sempre a possibilidade dos presentes solidários da FEC.

Termino com outra sugestão, mas desta vez musical. Os meus amigos dos Simplus estão prestes a lançar novo disco. Aqui podem ouvir desde já uma das músicas para ir aguçando o apetite. Na imagem podem ver onde comprar o CD ou fazer download das faixas.

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