sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Quem são os mártires do Uganda?

A principal razão da visita do Papa Francisco ao Uganda é o assinalar do 50º aniversário da canonização dos mártires do Uganda.

Os mártires do Uganda são 45 jovens rapazes ugandeses que foram mortos por ordem do rei Mwanga II, entre 1885-1887. Desses jovens, 22 eram recém-convertidos ao Catolicismo e 23 eram convertidos ao Anglicanismo.

Os 22 católicos foram beatificados por Bento XV e canonizados por Paulo VI em Outubro de 1964, pelo que na verdade já passaram 51 anos desde que são venerados como santos pela Igreja.

Não deixa de ser interessante ver porque é que foram mortos. Embora haja vários factores em jogo, incluindo a luta de influências entre católicos, anglicanos e muçulmanos, os historiadores e as testemunhas da época concordam que a razão imediata foi a recusa, por parte destes rapazes, de se submeterem aos desejos homossexuais do rei e dos seus aliados mais directos.

Numa época em que as sociedades procuram cada vez mais promover a homossexualidade como um algo completamente normal, esta visita do Papa de homenagem a quem preferiu dar a vida do que participar em actos dessa natureza, numa cultura em que as ordens do Rei eram inquestionáveis, dá certamente que pensar.

Contudo, também à outras leituras, que não são contraditórias. Da mesma forma que nos parece abominável que o estado mate alguém por se recusar a submeter-se a actos homossexuais, devemos achar abominável que actualmente, nalguns destes mesmos países africanos, a homossexualidade seja punida com pena de morte ou penas de prisão muito severas. Mesmo onde os homossexuais são deixados em paz pelo Estado, são sujeitos a perseguições populares. Tudo isto é também condenável aos olhos do Cristianismo.

Por fim, a questão da canonização dos mártires do Uganda tem também um toque de ecumenismo. Já em 1964 Paulo VI, quando canonizou os católicos, fez questão de referir os anglicanos que tinham morrido pela mesma razão, algo que Francisco não deve deixar passar em claro. Desses jovens, 22 eram recém-convertidos ao Catolicismo e 23 eram convertidos ao Anglicanismo.

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