Showing posts with label Espanha. Show all posts
Showing posts with label Espanha. Show all posts

Friday, 3 November 2023

Papa confirma Dubai e erros transparentes

Imagem gerada com
inteligência artificial

O Papa Francisco confirmou na quarta-feira que vai à COP28, que se realiza no Dubai. Francisco estará lá de 1 a 3 de Dezembro, podendo por isso ainda receber a delegação da organização da JMJ, no dia 30 de Novembro, na Santa Sé. Não é todos os dias que um jornalista consegue um furo a nível mundial, portanto permitam-me regozijar um pouco com o facto de eu ter dado esta notícia há 15 dias, publicada aqui no Expresso (só para assinantes) e aqui no The Pillar.

Na quarta-feira passada a Conferência Episcopal enviou para as redacções uma nota dando conta do número de pessoas – padres e leigos – que foram afastadas cautelarmente das suas funções por suspeitas de abuso sexual desde que foi publicado o relatório da Comissão Independente. A surpresa com que vi esses números foi grande, pela simples razão de que estavam todos errados. Não escrevi nada sobre o assunto no mail da semana passada porque precisei de mais tempo para poder verificar e ter a certeza que o erro não era meu, mas agora posso afirmá-lo com segurança. Escrevi aqui um texto a explicar como é que surgiu o erro, e a tirar algumas conclusões. Sublinho que não foi por deter informações secretas que percebi que os números estavam mal, bastou-me recorrer a dados que são públicos, seja por notas publicadas pelas dioceses, seja por informação recolhida por mim e entretanto publicada no meu blog, aqui, aqui e aqui.

Digo-o no meu texto, mas quero deixar claro aqui que não estamos perante um caso de encobrimento por parte das comissões diocesanas (de onde partiram os erros), mas sim de descuido, ou pelo menos estou disso convencido. Contudo, se todos concordamos que a transparência é um dos factores essenciais para lidar com este flagelo na Igreja, então os organismos da Igreja têm uma responsabilidade acrescida de fornecer números e informações rigorosas. Temos um longo caminho para fazer nesse sentido.

Ainda sobre o tema dos abusos, agora chegou a vez de Espanha, e houve um volte-face no caso do Pe Rupnik, que afinal vai ser julgado pelos crimes de abusos sexuais sobre freiras de quem era director espiritual.

Chegou ao fim o Sínodo sobre a Sinodalidade. Foi sem estrondo, nem dramas. Recordemos, porém, que o processo ainda vai a meio.

Continua a tragédia da guerra na Terra Santa. Os líderes cristãos da região não fizeram grandes declarações nos últimos dias, à excepção do Patriarcado Greco-Ortodoxo, que criticou duramente o facto de Israel estar a atingir centros culturais, desportivos e locais de culto em Gaza. A Ajuda à Igreja que Sofre tem estado em contacto diário com a comunidade católica que está na Igreja da Sagrada Família em Gaza. É grande o cansaço, e só não falo em desespero porque, como diz a irmã Nabila, “só temos Deus”. Rezem, por favor, pela paz em geral, mas especialmente para que Deus console estes cristãos em Gaza. E se quiserem enviem-me mensagens que eu talvez consiga fazer-lhes chegar através da AIS. No caso da minha família, enviámos uma fotografia dos filhos com um desenho a dizer que estamos a rezar por eles. Parece pouco, mas é um encorajamento para quem lá está, saber que não estão esquecidos.

E porque a guerra na Terra Santa nos pôs a falar novamente sobre a questão do terrorismo islâmico, o artigo desta semana do The Catholic Thing fala precisamente sobre a relação entre o Cristianismo e o Islão, recorrendo a citações de grandes pensadores, incluindo São João Paulo II.

Monday, 30 January 2023

Palcos polémicos em Portugal e nabice noticiosa na Nigéria

Fake News... 
Se há dias em que tenho de andar à procura de notícias para vos enviar, há outros em que nem sei por onde escolher!

Obviamente começamos pelo Palco da Polémica. Está tudo num alvoroço por causa dos 4,2 milhões que vai custar o palco da missa final da JMJ. Mas o alvoroço é inimigo da clareza. Neste post tentei congregar aquilo que já se sabe de certeza e aquilo que está por esclarecer, convidando todos a contribuir com explicações e factos, mais do que com opiniões infundadas.

Ontem um sacristão foi assassinado e um padre gravemente ferido num ataque a duas igrejas em Espanha, aparentemente por um muçulmano fanático.

Também ontem surgiu a notícia de que só em 2022 foram assassinados 145 padres na Nigéria. O único problema com esta notícia é não ser verdade. Leiam este meu artigo que explica como nasce uma “fake news”, muitas vezes mais por ignorância e falta de rigor jornalístico do que por má fé.

O Papa Francisco deu uma entrevista à Associated Press em que disse muita coisa interessante. Entre outras coisas, criticou as leis que criminalizam a homossexualidade, ressalvando que os actos homossexuais são pecado aos olhos da Igreja. Fui contactado pelo Observador para dar a minha opinião sobre o assunto, que podem ouvir aqui.

Esta semana, infelizmente, não temos episódio do Hospital de Campanha para vos trazer. Tínhamos uma entrevista interessante alinhavada, mas a convidada adoeceu e não conseguimos acertar agendas para gravar noutro dia. Esperamos voltar em breve. Entretanto, se ainda não ouviram, têm aqui o mais recente episódio sobre a morte e o legado de Bento XVI.

No ano lectivo de 2021/2022 só nas escolas públicas de Chicago, nos EUA, houve 600 denúncias de abuso sexual de menores. No mesmo espaço de tempo, para todo o país, na Igreja Católica houve 30 denúncias, das quais apenas seis foram consideradas credíveis. A conclusão? A Igreja tem aprendido com os erros e é hoje das instituições mais seguras para crianças. Há muito por fazer? Há, mas o progresso tem sido bom. Tudo isto está explicado no artigo do The Catholic Thing, por Stephen P. White.

E no dia 31 de Janeiro o Papa parte para a República Democrática do Congo e para o Sudão do Sul. Eis o que se pode esperar desta viagem.

Termino com dois desafios. Nos dias 10-12 de Fevereiro realiza-se o Segundo Congresso Nacional de Pueri Cantores. Toda a informação aqui.

Wednesday, 2 February 2022

O Jesus de Marc Chagall

Brad Miner

Em “Crucificação Branca” de Marc Chagall, que está actualmente exposta no Instituto de Arte de Chicago, Jesus é representado com um talit, o tradicional xaile de oração usado por judeus religiosos, sobretudo os hassidim. Tem também um pano na cabeça, ao estilo de um pastor. (Tradicionalmente, os homens judeus cobrem sempre a cabeça quando rezam.) Por cima da sua cabeça, praticamente ilegível, está a inscrição INRI em latim e em aramaico. Por baixo dos seus pés vê-se uma menorá. Chagall estava claramente a enfatizar o carácter judaico de Jesus.

O académico Ziva Amishai-Maisels, da Universidade Hebraica de Jerusalém, explica que a forma como Chagall escreve “Nazareno” (HaNotzri), em “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”, é um trocadilho do artista, uma vez que Nazareno se tornou um sinónimo de “Cristão”. Assim, escreve Amishai-Maisels, Chagall “sublinha a importância de Jesus tanto para cristãos como para judeus, pois o Jesus judeu com a cabeça coberta e o xaile com franjas é também um cristão”. (Art Institute of Chicago Museum Studies, Vol. 15, No.2, 1991).

(É interessante referir que letra árabe “nun” foi usada pelo Estado Islâmico para identificar as casas de cristãos no Iraque e na Síria. Esta é a primeira letra de Nazareno e indica aqueles que devem ser exilados ou martirizados. A letra nun, ou nün, escreve-se de forma semelhante em Hebraico, Aramaico e árabe.)

Em 1938, quando Chagall pintou “Crucificação Branca”, os judeus da Europa estavam a começar a sofrer a pior perseguição da história. Os nazis tinham-se tornado o principal partido da Alemanha quatro anos antes e, pouco depois, Adolf Hitler foi feito Chanceler. Os judeus estavam a ser sistematicamente privados dos seus direitos civis desde 1934. Foi inaugurado o Gabinete de Política Racial – sede da “raça superior” – e nasceu a Lebensborn, que tinha o objetivo de promover a pureza racial, em parte pela procriação de mulheres arianas solteiras com homens arianos.

Hitler passou de Chanceler a Presidente, e depois a Führer. O campo de concentração de Dachau abriu em 1933. Destinava-se principalmente a prisioneiros políticos, mas em breve abriram outros campos, com o objectivo de levar a cabo o extermínio dos judeus e de outros povos “depravados” na Europa.

E ao longo dos anos trinta e grande parte dos quarenta, o mundo dormia.

Nesta altura Chagall vivia em Paris e as notícias que lhe chegaram do pogrom de Kristallnacht, e outros ataques aos judeus, foram o ímpeto para a criação de “Crucificação Branca”.

Na Noite de Cristal, de 9 para 10 de novembro de 1938, milhares de lojas, casas, hospitais e sinagogas judaicas foram atacadas pelo grupo paramilitar nazi Sturmabteilung (SA). Trinta mil homens judeus foram detidos e enviados para os campos. Tudo isto, e mais ainda, foi concentrado por Chagall em “Crucificação Branca”, embora as cenas do pogrom tenham sido transladadas para a sua terra natal de Vitebsk, actualmente na Bielorrússia.

Chagall estava bem ciente do perigo em que se colocava a si mesmo e à sua família com esta pintura, caso os alemães ocupassem Paris. Quando isso aconteceu, em 1940, os Chagall já tinham partido para Marselhas, onde foram detidos pelos nazis. Tal como no filme Casablanca, de 1942, os Chagall estavam a tentar chegar a Lisboa, onde esperavam assegurar uma passagem para Nova Iorque. Graças a Deus acabaram por conseguir, mas não sem que antes as suas pinturas, já encaixotadas, incluindo a “Crucificação Branca”, tivessem sido brevemente apreendidas, primeiro pelos alemães, no sul de França, depois por fascistas espanhóis, a caminho de Portugal.

Clicar para aumentar


Chagall poderá ter sido ingénuo ao pensar que a União Soviética, outro bastião de antissemitismo, viria em socorro dos judeus da Europa, mas aparentemente é isso que podemos observar no canto superior esquerdo do quadro, na forma de uma turba com bandeiras encarnadas.

Os restantes tableaux que rodeiam Jesus são reconhecíveis, ainda que não nos seja possível entender todas as referências específicas. E não podemos culpar o artista por ter uma visão um pouco romântica da Rússia, o país onde cresceu. Afinal de contas, o “New York Times” também tinha. E Chagall tinha sido o Comissário das Artes em Vitebsk.

Quando deixou a União Soviética, em 1992, foi em parte porque tinha dado por si do lado errado daquilo que significava ser um revolucionário soviético. Nas palavras de Talya Zax, a esperança de Chagall era “um modelo da esperança do seu país, mais frágil do que qualquer dos revolucionários estava pronto a admitir. Tanto para ele como para eles, o equilíbrio não se poderia manter”.

O antissemitismo na Rússia era evidente para todos. Como escreveu Sarah Boxer – numa recensão a uma biografia de Chagall no “New York Times”, “a cegueira de Chagall em relação aos horrores soviéticos é quase patológica”.

Chagall criou pelo menos 100 cenas de crucificações ao longo dos anos, e fez vitrais para igrejas. Porém, nada sugere que fosse um cristão disfarçado. David Lyle Jeffreys nota, contudo, que Chagallera amigo próximo de Raïssa Maritain, mulher do filósofo Jacques Maritain (ambos católicos convertidos, ela do judaísmo ortodoxo, ele do agnosticismo protestante) e ela terá dito que Chagall sempre pintou “Christ étendu a travers le monde perdu” (Cristo estendido no mundo perdido).

Seja porque via Cristo simplesmente como um judeu extraordinário e ético do primeiro século, ou, menos provável, como o Messias, para Chagall Jesus sempre representou a esperança, o que significa que existe verdade na obra do pintor.

É certo que Chagall pintava Cristo sobretudo por razões políticas. Como diz o professor Amishai-Maisels, Chagall nunca tentou “representar o Messias cristão… mas o mártir judeu que não tem qualquer esperança de salvação”. Pelo menos não no mundo como Chagall então o via, um mundo em que os próprios cristãos tinham esquecido a mensagem de Cristo de paz e fraternidade.

Em todo o caso, trata-se de uma paixão que durou toda a vida. Chagall pintou a sua primeira crucificação, “Golgota”, em 1912 (actualmente no MoMA, em Nova Iorque). E continuou a pintá-las até ao início dos anos 70.

Hoje, judeus e cristãos, unidos na tradição bíblica, são cada vez mais sujeitos a perseguição, e não apenas no lugar onde ambas as religiões nasceram – as terras hostis em torno da Terra Santa – mas também nos nossos actuais impérios romanos, onde novos e seculares deuses surgem para desafiar o Senhor.

Resta apenas dizer que “Crucificação Branca” é uma das duas pinturas favoritas do Papa Francisco, a par de “O Chamamento de São Mateus”, de Caravaggio. O Papa tem bom gosto em arte.


Brad Miner é editor chefe de The Catholic Thing, investigador sénior da Faith & Reason Institute e faz parte da administração da Ajuda à Igreja que Sofre, nos Estados Unidos. É autor de seis livros e antigo editor literário do National Review.

(Publicado pela primeira vez na terça-feira, 1 de Fevereiro de 2022 em The Catholic Thing)

© 2022 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de TheCatholic Thing.


Wednesday, 1 September 2021

O essencial da entrevista do Papa à Cadena COPE

A “silly season” costuma terminar com o final de Agosto, e parece que assim foi. O espanhola Cadena COPE divulgou esta quarta-feira uma longa entrevista ao Papa Francisco, cheia de coisas interessantes, como o facto de assumir que tem medo dos “demónios bem-educados”.

O Papa começa por falar da luta contra a corrupção e de como foi necessário, para tal, reformar o sistema judicial. Expressa ainda o desejo, sem se comprometer, de que o cardeal Becciu, actualmente ser julgado, seja inocente.

Francisco não foge a temas como os abusos sexuais na Igreja, mas pergunta por que razão os estados não fazem mais para combater a pornografia infantil dentro das suas fronteiras, afirmando que não acredita que seja por falta de conhecimento.

O diálogo com a China também foi falado, com Francisco a defender que este deve continuar, mas a aceitar que existam dúvidas e críticas legítimas ao que foi alcançado até agora.

E por fim o Papa deixa um recado aos próprios espanhóis, apelando a que se reconciliem com a história do século passado, dizendo ainda que a Europa tem de escolher entre aperfeiçoar-se ou desintegrar-se.

Noutras latitudes, os EUA deduziram acusação contra um padre americano em Timor-Leste por abusos sexuais. Richard Daschbach já está a ser julgado em Timor e foi laicizado pela Igreja. Mas conta naquele país com importantes aliados.

E o tema do artigo do The Catholic Thing em português é, hoje, a aparente derrota dos EUA e aliados no Afeganistão. A ex-militar Michele Maria McAloon explica qual deve ser a atitude cristã peranteesta realidade.

Monday, 1 July 2019

Newman e ditadores ressuscitados

O Cardeal John Henry Newman vai ser canonizado no dia 13 de Outubro!

Espanha vai apresentar queixa formal sobre o núncio apostólico. A culpa é do Franco, claro.

Numa altura em que o segredo da confissão está sob ataque em vários sítios, o Vaticano emitiu um documento a falara da importância da inviolabilidade.



Ultimamente tenho lido, sobretudo nas redes sociais, várias referências aos trabalhadores das organizações que resgatam migrantes no Mediterrâneo como “negreiros” e traficantes humanos. Segundo esta lógica, evidentemente, as freiras que ajudam prostitutas são chulos e as instituições que socorrem grávidas adolescentes estão a incentivar a sexualidade desregrada. É a lógica dos “bloquistas de direita”.


Wednesday, 21 March 2018

É mesmo #melhorcontigo

Demitiu-se o responsável pela comunicação da Santa Sé. Monsenhor Dario Viganò não resistiu à polémica da carta de Bento XVI. Tudo explicado aqui.

A Europa está cada vez mais secularizada. Em alguns países mais de 90% dos jovens não se identificam com qualquer religião. Até aqui, nada de grandes surpresas, mas parece que Portugal está a resistir a esta tendência e os nossos jovens são substancialmente mais religiosos que nuestros hermanos do outro lado da fronteira, por isso nem tudo é mau!

O Papa Francisco vai a Dublin em Agosto para o encontro mundial das famílias.

E hoje é dia Mundial de Trissomia da Síndrome de Down. Foi com o maior gosto que pude dar notícia desta belíssima iniciativa, porque verdadeiramente, o mundo é #melhorcontigo. Com todos eles.

Hoje há artigo novo do The Catholic Thing em que o grande David Warren explica como é que apesar das suas más experiências numa escola católica no Paquistão – onde foi obrigado a ir à missa por ser branco, depois espancado pelos religiosos por ter ido à missa quando descobriram que afinal ele era protestante – ficaram as sementes que levariam à sua conversão, décadas mais tarde. É sempre um prazer ler este senhor, não percam!

Thursday, 25 September 2014

Clima de Guerra, de Espanha ao Paraguai

Num gesto raro, o Papa Francisco “demitiu” hoje um bispo do Paraguai. É um caso que promete dar que falar e que envolve tanto a questão de abusos sexuais como a “guerra” entre liberais e conservadores.

Em Espanha também há guerra, mas os protagonistas são outros. De um lado o movimento pró-vida e do outro o PP de Mariano Rajoy, que traiu os seus compromissos eleitorais e abandonou a reforma da lei do aborto.

Este facto só prova que esta é uma batalha que não pode ser deixada apenas nas mãos dos políticos. Dia 4 estaremos na rua para, em ambiente de festa, recordar que a luta pela vida não é um combate político mas social e que não queremos só mudar leis, queremos tocar corações e mudar mentalidades. NÃO FIQUE EM CASA! Aqui está uma imagem que pode adoptar como foto de perfil no Facebook e outras redes sociais. Eu já o fiz.


Ontem escrevi que o Estado Islâmico tinha ameaçado decapitar um refém francês. Mal o fiz surgiu a notícia de que ele já foi morto. Que descanse em paz. Entretanto hoje temos informação sobre como os militantes do Estado Islâmico treinam crianças, obrigando-as a matar ou torturar um preso para se “formarem”.



Termino com um aviso. Quem estiver interessado em fazer uma pós-graduação sobre gestão e administração de organizações religiosas, pode encontrar aqui todas as informações necessárias.

Friday, 20 December 2013

Católicos e anglicanos armados com tacos

Tudo a comprar bilhetes de avião! É em Setembro que se realizará o primeiro jogo de criquete entre católicos e anglicanos. Têm nove meses, portanto, para aprender as regras deste jogo indecifrável.

Notícias mais sérias… Espanha aprovou uma lei que restringe o acesso ao aborto, equiparando a lei actual à de 1985. Disseste alguma coisa Edite Estrela? Se calhar fui eu que imaginei.


Obrigado a todos os mais atentos que me avisaram da gralha do mail de ontem. O tempo passa depressa, mas claramente Francisco não é Papa há nove anos, mas sim há nove meses.

Tuesday, 16 April 2013

Parabéns Bento XVI, obrigado políticos espanhóis!

Happy Birthday to you!
Os noticiários foram dominados pelo que se passou em Boston ontem à noite. O bispo local é, recorde-se, o Cardeal Seán O’Malley. O Cardeal, que se encontrava na Terra Santa, regressou imediatamente para os Estados Unidos e já manifestou a sua proximidade com as vítimas.

Mal começaram a circular as notícias começaram também as reacções. O Cardeal Dolan foi dos primeiros a falar.


Esta manhã, na missa que celebra em Santa Marta, o Papa criticou aqueles que querem regressar ao período pré-conciliar.

Essa missa foi celebrada por intenção de Bento XVI, que hoje faz 86 anos e festejou em Castel Gandolfo, na companhia do seu irmão.

Com tudo isto pode ter passado despercebido a muitos o facto de o Governo espanhol ter anunciado que quer mudar a lei do aborto, tornando-o muito mais restrito. Um elemento do PP espanhol diz que a lei “não vai agradar aos bispos”… permita-me discordar Sr. Alonso, acredito que vai agradar bastante mais que a actual!

Quem estiver pelo Porto, não deixem de participar na exposição itinerante “São Francisco de Assis – Património Vivo no Porto”. Quem não estiver, não deixem de ir visitar o novo site da iMissio com a qual tenho a honra de passar a colaborar.

Tuesday, 25 September 2012

Mulheres para Roma e Olivença portuguesa

Matilde Trocado,
encenadora de "O Quadro"
Para aqueles que começam já no Outono a pensar nos presentes de Natal, aqui fica a dica: O terceiro livro do Papa sobre Jesus de Nazaré deverá ser publicado até lá, embora a edição portuguesa deva demorar mais algum tempo a sair.

Aproxima-se o sínodo dos bispos para a Nova Evangelização que contará, entre peritos e observadores, com o maior contingente feminino de sempre. 19 mulheres não é propriamente uma grande quantidade, mas é um bom sinal.

E agora permitam-me um pequeno momento de patriotismo… Qual é o recanto mais bonito de Espanha*? É uma igreja portuguesa com certeza!

Ontem surgiram várias notícias sobre o “imposto da Igreja” na Alemanha e as penas em que incorrem os católicos que deixarem de o pagar. É um tema complicado mas fiz um esforço por esclarecer os detalhes aqui.

Termino com um desafio para irem ver a peça “O Quadro”, encenado por Matilde Trocado (na foto), que produziu o musical Wojtyla, e com texto do Pe. Nuno Tovar de Lemos. Vai estar em cena a partir de 11 de Outubro, e os bilhetes já estão à venda. Eu lá estarei na noite de estreia.

*Esta frase não deve ser lida como um reconhecimento da anexação de Olivença. Quando no-la quiserem devolver, agradecemos.

Tuesday, 17 January 2012

Os carrascos de Deus

Faz hoje 94 anos que Deus foi julgado e condenado à morte por um tribunal popular soviético.

O processo levou cinco horas e até teve direito a defesa, se bem que os esforços dos advogados do arguido se tenham limitado a tentar argumentar a sua inimputabilidade por “grave demência e perturbações psíquicas”.

Anatoly Lunacharsky, o arquitecto desta manobra de propaganda e juiz no processo, decidiu, sem grandes surpresas, condenar Deus pelos crimes de genocídio e crimes contra a humanidade.

Se durante o julgamento Deus tinha sido representado pela colocação de uma Bíblia no banco dos réus, no dia seguinte o pelotão de fuzilamento decidiu-se por uma abordagem mais prática e disparou uma salva de tiros para o… céu.

Tanto quanto foi possível averiguar, esta foi a primeira vez que Deus foi julgado (exceptuando o julgamento de Jesus Cristo, para quem é cristão). Mas não a última!

Na Guerra Civil de Espanha tornou-se famosa a imagem de um pelotão de fuzilamento republicano a executar a sentença de morte contra uma imagem de Cristo Rei.

Mas a história mais interessante que mete Deus no tribunal ter-se-á passado num campo de concentração Nazi, durante o holocausto. Na verdade não há provas concretas que tenha tido lugar, mas a lenda teve força suficiente para ter entrado no imaginário e ser representado num filme.

Um grupo de prisioneiros judeus, discutindo como era possível acreditar em Deus na situação em que se encontravam, decidiram julgá-lo num tribunal rabínico. No filme o processo é levado a cabo com muita seriedade. O advogado de defesa cumpre o seu papel com a maior devoção, mas isso não chega para que o Senhor seja ilibado.

Talvez o mais engraçado seja o crime pelo qual os judeus o condenam: quebra de contrato.

Pelo menos no filme, contudo, fica a ideia de que no final, mesmo para quem considerou Deus culpado, a história não é assim tão simples. Aqui podem ver uma parte do julgamento. Neste canal de YouTube (de um ateu militante brasileiro) podem ver o resto, se assim quiserem, legendado em português.


Tuesday, 15 November 2011

Bispos na política e um iPad no Vaticano


Os bispos devem ter estas intervenções no jogo político? A verdade é que o episcopado português tende a ser mais discreto que nuestros hermanos. É um terreno complicado…


Entretanto já sabemos quais serão, em princípio, os feriados civis a desaparecer: 5 de Outubro e 1 de Dezembro. A proposta parece feita para agradar a gregos e a troianos ou, mais precisamente, para desagradar a monárquicos e republicanos.

O Papa, que certamente se preocupa com todos estes assuntos, também tem direito a distracções, como por exemplo acender a maior árvore de Natal do mundo com um iPad. É verdade.

Mitras na política

Em Espanha os bispos deram a conhecer em Outubro uma nota para ajudar os católicos a decidir em quem votar nas próximas eleições.

Sem falar em partidos, na prática os bispos excluem o PSOE de Zapatero, actualmente no Governo, quando colocam no topo da lista de prioridades o combate a leis que atentam contra a vida e contra a noção tradicional de casamento como sendo entre um homem e uma mulher.

Por outro lado, enfatizam também os cuidados a ter com os mais frágeis, incluindo os pobres, os idosos e os imigrantes, bandeiras sociais mais comummente associados à esquerda, quer se concorde ou não.

Esta semana os bispos americanos deram um murro na mesa aofalar abertamente sobre um conflito crescente com a administração democrata queactualmente manda no país. Os bispos queixam-se de que há quem os queira empurrar de volta para a sacristia e recordam que a liberdade religiosa não se limita à liberdade de culto, mas engloba também a liberdade de viver a fé na sociedade e reflecti-la nas posições e nas instituições.

Tanto em Espanha como nos EUA há uma cultura maior de intervenção política das figuras religiosas que não existe em Portugal. Seja por que razão for, os bispos portugueses preferem manter um perfil mais discreto no que diz respeito à ingerência no jogo político. Não é só uma questão de feitio, trata-se de uma escolha. Perante a posição do episcopado espanhol, que durante os anos de governação de Zapatero chegou a patrocinar gigantescas manifestações em Madrid, os bispos portugueses decidiram conscientemente seguir outro rumo.

Neste campo a Igreja será sempre presa por ter cão e presa por não ter. Há críticos de ambos os lados e o consenso não me parece possível. A evidência também não nos permite tirar muitas conclusões. Nem em Espanha nem em Portugal foi possível travar as leis que se queriam travar. Dirão uns que pelo menos em Espanha a Igreja tomou uma posição firme, dirão outros que lá se queimaram pontes de diálogo que cá continuam de pé.

A verdade é que a tendência de remeter a religião para a esfera do privado é crescente e não se resume à Europa. Pessoalmente não me faz a menor confusão ouvir a voz dos bispos na praça pública, a gritar se for preciso. Temo mesmo é o dia em que por mais que gritam ninguém dá por isso.


Filipe d'Avillez

Friday, 30 September 2011

Crime e milagre em Espanha

Em Espanha já lhe chamam um milagre. Um bebé foi salvo depois da sua mãe grávida ter sido baleada na cabeça ontem à noite, numa Igreja de Madrid, minutos antes do começo da Missa.

O Patriarca da Igreja Maronita está a sofrer na pele as consequências de defender Bashar Al-Assad. Depois de França, agora são os EUA a pressioná-lo.

Por falar em pressão americana, a Casa Branca ergueu a sua voz em defesa do cristão iraniano condenado à morte e que pode ser enforcado a qualquer momento.

Por cá, terminaram as jornadas pastorais da Comunicação Social. Esta sexta falou D. Manuel Clemente e Monsenhor Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais.

Partilhar