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Thursday, 18 May 2023

Reacções à legalização da eutanásia

Aqui pretendo juntar as várias reacções que vão surgindo, de organizações de teor religioso, à legalização e promulgação da lei da eutanásia. Agradeço que partilhem outras que possam ainda não constar, para acrescentar. 

Conferência Episcopal Portuguesa

Comungamos da tristeza do Papa Francisco manifestada no passado dia 13 de maio, após a confirmação parlamentar do diploma sobre a morte medicamente assistida: “Hoje estou muito triste, porque no país onde apareceu Nossa Senhora foi promulgada uma lei para matar. Mais um passo na grande lista de países com eutanásia”.

Como reafirmámos por diversas vezes ao longo do processo legislativo que agora chegou ao seu termo, com a legalização da eutanásia quebra-se o princípio fundamental da inviolabilidade da vida humana e abrem-se portas perigosas para um alargamento das situações em que se pode pedir a morte assistida.

Com a despenalização da eutanásia, a vida humana está desprotegida e sofre um grave atentado ao seu valor e dignidade. A morte passa a ser apresentada como solução para a dor e sofrimento, ao invés de uma promoção dos cuidados paliativos humanizantes até ao fim natural da vida.

Leia o comunicado na íntegra aqui

Associação de Juristas Católicos

[A AJC] quer também deixar claro que este combate em defesa da vida não termina agora.

Está ainda aberta a possibilidade de declaração, através da fiscalização sucessiva, de inconstitucionalidades da lei em aspetos ainda não analisados pelo Tribunal Constitucional.

Há que apoiar os médicos e profissionais de saúde que, de diferentes modos, tentarão preservar as ancestrais normas deontológicas que, mais do que quaisquer outras, definem a sua missão ao serviço da vida.

Porque em democracia não há leis irreversíveis, não desistimos de propor a revisão desta lei na primeira ocasião em que tal venha a ser possível. A experiência de outros países diz-nos que é muito difícil e reversão de leis como esta (pelo contrário, têm-se sucedido muito rapidamente leis cada vez mais permissivas). Mas considerar intocável e indiscutível a legalização da eutanásia e do suicídio assistido contraria todos os princípios e regras democráticas.

Leia o comunicado na íntegra aqui

Associação dos Médicos Católicos Portugueses

Portugal vive hoje um dia negro da sua história, uma ocasião de afrontamento à dignidade dos portugueses.

Manifestámos publicamente, por mais diversas vezes, mormente desde que o processo parlamentar se iniciou, em 2017, quer junto dos órgãos decisórios quer junto da opinião pública, a nossa radical oposição à legalização da eutanásia em Portugal. 

Esta firme oposição mantém-se hoje como então e assenta na ética médica e no Código Deontológico, que não pactuam com a lei aprovada.

De novo reiteramos que a eutanásia e o suicídio assistido atentam contra a própria Medicina, são atos vedados aos médicos, não são atos médicos.

Quando os médicos se deparam com um doente em sofrimento de grande intensidade, cuidam e acompanham-no com humanidade e proximidade. Dispomos hoje de meios muito eficazes, para apaziguar o sofrimento físico, psicológico e espiritual dos nossos doentes.

Leia o comunicado na íntegra aqui

Grupo de Trabalho Inter-Religioso | Religiões-Saúde

A aprovação da lei que agora se discute constituiria um tremendo e grave ato de demissão coletiva face aos membros mais vulneráveis da sociedade que constituímos, para com os seus membros mais frágeis. Ora, há um princípio ético que as religiões que representamos ofereceram à civilização que somos, de tal modo que, tendo origem religiosa, faz já parte do sentir comum da sociedade, constituindo um traço civilizacional essencial, determinante e estruturador: os mais vulneráveis têm no próprio facto da sua vulnerabilidade um título de especial dignidade e requerem especial solicitude.

(…) 

A situação que decorreria da legalização da eutanásia e do suicídio assistido, precisamente porque pode empurrar para a morte os frágeis e os vulneráveis, é um atentado aos seus direitos humanos fundamentais: a vida, a dignidade e a liberdade. Ainda que isto seja supostamente feito em nome da qualidade de vida, da dignidade da pessoa e da liberdade individual.

(...)

Aliança Evangélica Portuguesa; Comunidade Hindu Portuguesa; Comunidade Islâmica de Lisboa; Comunidade Israelita de Lisboa; Igreja Católica; Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias; Patriarcado Ecuménico de Constantinopla; União Budista Portuguesa; União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia

Leia o comunicado na íntegra aqui

Federação Portuguesa pela Vida

A Federação pela Vida lamenta o dia, que se vestiu de negro, por ter sido promulgada a lei da Eutanasia. Triste! Dor e tristeza!

O País foi esquecido, os cidadãos ignorados, os valores do Humanismo descartados, a Ciência envergonhada, os profissionais de saúde ostracizados e dezenas de creditadas Instituições que se pronunciaram, foram silenciadas.

A aprovação e promulgação desta lei é um retrocesso e um caminho para a barbarie.

Leia o comunicado na íntegra aqui

Friday, 10 March 2023

Ainda os abusos (e está para durar)

Quando mandei o último mail estávamos no rescaldo da apresentação do relatório e a Comissão estava prestes a entregar a lista. Até parecia que as coisas podiam correr bem. Depois veio a reunião da CEP de sexta-feira passada e tudo mudou.

A conferência de imprensa foi um desastre, mas foi, a meu ver, acima de tudo um problema de comunicação.

Esse problema de comunicação foi piorado no domingo quando D. Manuel Clemente respondeu uma coisa e os jornalistas perceberam outra, agravando a ideia de que os bispos não queriam cumprir as regras mais básicas da Igreja para lidar com suspeitos de abusos.

A relação entre a comissão e os bispos degradou-se e, muito sinceramente, a Igreja portuguesa mergulhou na sua pior crise desde que eu me lembro. Finalmente as dioceses começaram a emitir comunicados com alguma informação sobre as listas que receberam e aí começaram a levantar-se sérias dúvidas sobre esta parte do trabalho da comissão, que meteu nas listas um número significativo de padres que já morreram ou não estão activos na Igreja. Qual é a solução para este imbróglio? Bispos e membros da comissão, fechem-se num quarto e conversem, sff.

Vou continuar atento a esta questão, publicando sempre que achar necessário textos que ajudem a compreender o que se está a passar. Aqui encontram a cronologia dos casos em Portugal e aqui uma listagem dos casos já conhecidos por diocese e com algum tratamento estatístico. Tenho também sido convidado com alguma frequência para falar desta questão na televisão e rádio. Amanhã, em princípio, estarei na edição das 10h da SIC Notícias, caso queiram ver.

Durante esta Quaresma tenho feito um esforço maior para ir diariamente à Igreja próxima de minha casa e rezar um pouco diante do sacrário. Sobretudo nesta fase da vida da Igreja portuguesa, quanto mais rezarmos melhor. E é nesse sentido que vos recomendo que leiam o artigo desta semana do The Catholic Thing, que nos apresenta um santo espanhol que se dedicou a encorajar a devoção eucarística.

Wednesday, 12 February 2020

Padres casados não, eutanásia muito menos...

Longe da floresta tropical!
A notícia quente do dia é que afinal não vai haver padres casados na floresta tropical, nem diaconisas. Mas polémicas à parte, vale a pena ler sobre os “quatro sonhos do Papa para a Amazónia”.

O outro assunto é a eutanásia. Vão-se juntando vozes a pedir referendo. Os bispos tomaram posição, Cavaco Silva e Ramalho Eanes também, bem como Fernando Santos.

A minha posição sobre um eventual referendo foi expressa há mais tempo e está aqui. Sem margem para dúvidas e sem pretensões democráticas.

Mas porque há vida para além da eutanásia e dos padres casados, leiam também o artigo do The Catholic Thing desta semana em que Randall Smith usa o exemplo da viúva pobre para nos dizer, essencialmente: façam o que puderem, deixem Deus fazer o resto.

Uma lição que serve para tudo, incluindo para debates como o da eutanásia. Que cada um faça o que puder!

Monday, 7 September 2015

Bispos em Roma, refugiados em todo o lado

Adeptos alemães mostram-nos o caminho
Regressei hoje de férias e logo numa altura de enormes e importantes novidades em termos de notícias religiosas.

Comecemos pela visita ad limina dos bispos portugueses a Roma. Hoje ouviram palavras elogiosas, mas outras duras do Papa Francisco, que pergunta se a “nossa proposta de Jesus não convence os jovens”, que estão a abandonar a Igreja.

D. Manuel Clemente falou aos jornalistas em nome dos bispos e aproveitou para dizer que estes tinham falado directamente com o Papa sobre a questão dos refugiados, pondo-se ao dispor para receber e ajudar as famílias católicas a receber os que puderem.

E esta questão dos refugiados está na ordem do dia. Ao longo dos últimos dias tenho ficado profundamente chocado e triste ao ver pessoas a criticar o acolhimento de refugiados e, o que é para mim escandaloso, a fazê-lo em nome do Cristianismo. A minha opinião tentei deixá-la clara neste artigo, mas bastaria talvez ter ido buscar esta passagem da Bíblia:

“Pois o Senhor vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas; que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa. Por isso amareis o estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egipto.” Deuteronómio 10, 17-19

A minha entidade patronal, felizmente, deixou a sua posição bem clara também nesta nota de abertura que vale a pena ler.

Entretanto, ao longo destas semanas de férias publiquei três artigos do The Catholic Thing, que vos convido a ler se tiverem tempo.

Em Nossa Senhora da Realidade, Anthony Esolen procura uma nova invocação da Virgem para os nossos tempos, em que fingimos que o coração que bate não é vida e em que nos convencemos que podemos inventar e reinventar a nossa identidade ao sabor dos nossos caprichos.

O Padre Mark Pilon pergunta como é que a história vai julgar uma Igreja que permitiu que a confusão se semeasse entre os seus fiéis, com atitudes contraditórias e confusas em relação sobretudo a políticos que se dizem católicos e defendem o aborto.

E por fim, o Francis J. Beckwith sobre os “Dogmas materialistas” e os erros de lógica de quem parte do princípio que o sobrenatural não pode existir.

Wednesday, 15 October 2014

Lost in Translation

Depois da tempestade, a calma. Hoje a conferência de imprensa do sínodo foi só palmadinhas nas costas e sorrisos. Afinal somos todos amigos, ao que parece! Interessante o arcebispo Fisichella a dizer que há um “boicote” ao ensino dos métodos naturais de planeamento familiar e a considerar que onde há uma fé forte há famílias fortes.

Mas afinal de contas há polémica ou não há? Há. Mas uma boa parte talvez não devesse haver, uma vez que surgiu por causa de um erro de tradução. Incrível? Tudo é possível com a sala de imprensa da Santa Sé.

D. Manuel Clemente, o participante português, faz o seu resumo da primeira semana, aqui.

Os bispos portugueses afirmaram ontem estar em sintonia com o que se passa no sínodo, o que não deixa de ser interessante, tendo em conta que os participantes do sínodo não estão em sintonia uns com os outros…

Mas muito mais importante é o facto de a CEP apoiar e incentivar a iniciativa legislativa de cidadãos “Pelo Direito a Nascer”, que foi apresentado no final da Caminhada pela Vida do passado dia 4 de Outubro.

Hoje é quarta-feira e publicamos um novo artigo do The Catholic Thing. David G. Bonagura pergunta o que temos a ganhar com a fé e conclui que é como estar no meio da Amazónia a tentar chegar a casa – mas com mapa, bússola, mochila e botas.

Thursday, 15 November 2012

Bispos, cardeais e idosos

Parabéns pelos quinhentos anos!
Terminou hoje a Assembleia Plenária da Conferência Episcopal. Os bispos lamentam que a Igreja não tenha sido tida nem achada pela troika e deixam um apelo: “não apertem demais, porque precisamos de respirar”.

Mudando de bispo, o auxiliar de Lisboa D. Nuno Brás falou ontem no debate na Renascença sobre o Átrio dos Gentios que “pode mostrar que Cristo não saiu de moda”. A questão demográfica também foi abordada.

Passando de bispo para cardeal, mas recuando cinco séculos… O cardeal-rei D. Henrique faria anos hoje. Évora não o esquece.

E está agora a ser lançado um livro que visa angariar dinheiro para a paróquia de São Nicolau ajudar os idosos da baixa. Conheça os detalhes aqui.

O nosso grupo no Facebook já conta com 748 membros! Vá, só mais dois para chegarmos aos 750! Voluntários?

Tuesday, 17 April 2012

Família, educação e Guiné

Decorreu hoje uma conferência sobre a família, na Universidade de Lisboa. O principal orador foi o Cardeal Antonelli (na imagem), que culpa uma sociedade libertária e relativista pela desvalorização da família.


Entretanto os bispos portugueses continuam reunidos em Fátima. Ontem o Patriarca, presidente da CEP, pediu “equidade e justiça no combate à crise”.

Os bispos também estão preocupados com o estado do ensino superior, que temem estar a tornar-se demasiado elitista.

Por falar em educação, fica o desafio lançado a todos os que possam para ir ouvir o responsável dos jesuítas em Portugal, o Pe. Alberto Brito, a falar do tema “Educar para quê?”. A conferência é organizada pelo sector de Cascais das Equipas de Nossa Senhora e integra-se no tema do ano “Educar na Esperança”. A não perder, na Igreja de Santo António do Estoril, às 21h30

Tuesday, 15 November 2011

Mitras na política

Em Espanha os bispos deram a conhecer em Outubro uma nota para ajudar os católicos a decidir em quem votar nas próximas eleições.

Sem falar em partidos, na prática os bispos excluem o PSOE de Zapatero, actualmente no Governo, quando colocam no topo da lista de prioridades o combate a leis que atentam contra a vida e contra a noção tradicional de casamento como sendo entre um homem e uma mulher.

Por outro lado, enfatizam também os cuidados a ter com os mais frágeis, incluindo os pobres, os idosos e os imigrantes, bandeiras sociais mais comummente associados à esquerda, quer se concorde ou não.

Esta semana os bispos americanos deram um murro na mesa aofalar abertamente sobre um conflito crescente com a administração democrata queactualmente manda no país. Os bispos queixam-se de que há quem os queira empurrar de volta para a sacristia e recordam que a liberdade religiosa não se limita à liberdade de culto, mas engloba também a liberdade de viver a fé na sociedade e reflecti-la nas posições e nas instituições.

Tanto em Espanha como nos EUA há uma cultura maior de intervenção política das figuras religiosas que não existe em Portugal. Seja por que razão for, os bispos portugueses preferem manter um perfil mais discreto no que diz respeito à ingerência no jogo político. Não é só uma questão de feitio, trata-se de uma escolha. Perante a posição do episcopado espanhol, que durante os anos de governação de Zapatero chegou a patrocinar gigantescas manifestações em Madrid, os bispos portugueses decidiram conscientemente seguir outro rumo.

Neste campo a Igreja será sempre presa por ter cão e presa por não ter. Há críticos de ambos os lados e o consenso não me parece possível. A evidência também não nos permite tirar muitas conclusões. Nem em Espanha nem em Portugal foi possível travar as leis que se queriam travar. Dirão uns que pelo menos em Espanha a Igreja tomou uma posição firme, dirão outros que lá se queimaram pontes de diálogo que cá continuam de pé.

A verdade é que a tendência de remeter a religião para a esfera do privado é crescente e não se resume à Europa. Pessoalmente não me faz a menor confusão ouvir a voz dos bispos na praça pública, a gritar se for preciso. Temo mesmo é o dia em que por mais que gritam ninguém dá por isso.


Filipe d'Avillez

Thursday, 10 November 2011

Os bispos e os obscuros jogos de Capital*

Parece que serão mesmo os feriados do Corpo de Deus e o 15 de Agosto que vão acabar. Os bispos fizeram a sua proposta, agora o Estado tem de negociar com o Vaticano.

Parabéns aos que acertaram, incluindo eu! Prometo que não tive qualquer informação privilegiada!

Na mensagem final da sua assembleia plenária, os bispos portugueses avisam ainda que a actual crise mostra como os “obscuros jogos de capital” podem colocar em perigo a democracia.

A Igreja dá importantes passos nas terapias com células estaminais adultas. Uma boa notícia numa altura em que se insiste em passar a ideia que a Fé e a Ciência são incompatíveis.

A ONU está preocupada com as minorias religiosas no Irão e na Índia 31 homens foram condenados a prisão perpétua por terem participado nos massacres de Gujarat, que vitimaram mais de 1000 pessoas, na maioria muçulmanos.

A título de curiosidade, grande parte da comunidade islâmica em Portugal é originalmente de Gujarat…

No Reino Unido um tribunal decidiu que as dioceses podem ser responsabilizadas por abusos sexuais cometidos pelos padres. Teme-se agora uma onda de processos…

Finalmente, para aqueles que gostam de seguir o Papa a todo o lado onde vai, comecem a procurar viagens baratas para Cuba e México

*Não, não é um novo romance de José Rodrigues dos Santos

Tuesday, 8 November 2011

CEP renova estruturas, Dalai Lama ataca a China

A Conferência Episcopal renovou a estrutura das Comissões Episcopais e nomeou novos presidentes. Saiba tudo aqui.

No Vaticano começa amanhã uma conferência importante sobre Células Estaminais.

Nos últimos meses 11 monges ou freiras tibetanos auto-imolaram-se em protesto contra a repressão chinesa. O Dalai Lama culpa o “genocídio cultural” que a China pratica na região.


Tragédia na Índia, onde 16 peregrinos hindus morreram esmagados durante uma cerimónia religiosa e, para finalizar, a Igreja Colombiana agradece às Forças Armadas terem “cumprido a sua missão” de matar o líder das FARC.

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