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Friday, 10 November 2023

Madrinhos, padrinhas e outros enganos

A Santa Sé publicou um esclarecimento esta quinta-feira sobre se as pessoas transexuais podem ser baptizadas, ou ser madrinhas ou padrinhos. Ia escrever sobre isto, mas a explicação tem tantas condicionantes, que me parece que a questão vai sempre parar ao bom-senso do pároco ou do bispo. Nalguns casos existirá, noutros não. Em todo o caso, embora me pareça fantástico que se demonstre preocupação pastoral por todos, lamento que seja a Igreja a usar termos como “transexual”, legitimando aquilo que não passa de um artifício linguístico. Talvez não seja o mais importante, mas acho que poderia ter sido evitado.

Surgiram, no fim-de-semana e durante a semana, notícias que indicam que a Igreja, nomeadamente o Patriarcado de Lisboa, castigou um padre por denunciar casos de abuso sexual de menores. Houve de facto uma sentença de um tribunal canónico contra um padre. Esse padre, de facto, denunciou casos de abuso sexual de menores. Ainda assim, o título da notícia é falso, ou pelo menos enganador, e essa é apenas a última de uma longa lista de tragédias no caso que envolve o padre Nuno Aurélio e o padre Joaquim Nazaré. Está tudo explicado no meu artigo.

Um dos pontos do artigo sobre o caso do Pe Nuno Aurélio é que já basta os tiros que a Igreja dá no pé, para não andarmos a inventar outros. Um bom exemplo de um caso que foi tratado da pior forma, pelo menos até agora, é o do Pe Marko Rupnik, que vai finalmente enfrentar um tribunal canónico. Stephen White conta os pormenores do caso no artigo desta semana do The Catholic Thing e verbaliza o que todos estamos a pensar: “Como é possível?!”

Persiste a guerra na Terra Santa. Um bispo iraquiano suplica que o conflito não se espalhe para o resto da região, outro do Líbano exige que a Comunidade Internacional intervenha para assegurar um cessar-fogo, e a irmã Nabila, que se encontra em Gaza, revela estar de coração partido com a destruição da escola que era um farol de esperança para a comunidade católica local.

Mas há mais guerras pelo mundo, e no Sudão a casa das irmãs salesianas, que cuidam de mais de 40 crianças e suas mães, foi atingido por uma bomba. Por milagre, não morreu ninguém.

Numa altura em que o panorama político do nosso país parece tresandar mais do que é costume, que tal uns perfumes de inspiração bíblica? É só dar um salto a Viseu.

Realiza-se este fim-de-semana o Meeting de Lisboa, organizado pela Comunhão e Libertação. O programa desta edição parece muito interessante, nomeadamente a exposição sobre uma organização criada para documentar os crimes dos soviéticos, que foi encerrada na Rússia por ordem de Vladimir Putin. Eu espero lá passar, vocês também o devem fazer, se puderem.

Friday, 3 November 2023

Papa confirma Dubai e erros transparentes

Imagem gerada com
inteligência artificial

O Papa Francisco confirmou na quarta-feira que vai à COP28, que se realiza no Dubai. Francisco estará lá de 1 a 3 de Dezembro, podendo por isso ainda receber a delegação da organização da JMJ, no dia 30 de Novembro, na Santa Sé. Não é todos os dias que um jornalista consegue um furo a nível mundial, portanto permitam-me regozijar um pouco com o facto de eu ter dado esta notícia há 15 dias, publicada aqui no Expresso (só para assinantes) e aqui no The Pillar.

Na quarta-feira passada a Conferência Episcopal enviou para as redacções uma nota dando conta do número de pessoas – padres e leigos – que foram afastadas cautelarmente das suas funções por suspeitas de abuso sexual desde que foi publicado o relatório da Comissão Independente. A surpresa com que vi esses números foi grande, pela simples razão de que estavam todos errados. Não escrevi nada sobre o assunto no mail da semana passada porque precisei de mais tempo para poder verificar e ter a certeza que o erro não era meu, mas agora posso afirmá-lo com segurança. Escrevi aqui um texto a explicar como é que surgiu o erro, e a tirar algumas conclusões. Sublinho que não foi por deter informações secretas que percebi que os números estavam mal, bastou-me recorrer a dados que são públicos, seja por notas publicadas pelas dioceses, seja por informação recolhida por mim e entretanto publicada no meu blog, aqui, aqui e aqui.

Digo-o no meu texto, mas quero deixar claro aqui que não estamos perante um caso de encobrimento por parte das comissões diocesanas (de onde partiram os erros), mas sim de descuido, ou pelo menos estou disso convencido. Contudo, se todos concordamos que a transparência é um dos factores essenciais para lidar com este flagelo na Igreja, então os organismos da Igreja têm uma responsabilidade acrescida de fornecer números e informações rigorosas. Temos um longo caminho para fazer nesse sentido.

Ainda sobre o tema dos abusos, agora chegou a vez de Espanha, e houve um volte-face no caso do Pe Rupnik, que afinal vai ser julgado pelos crimes de abusos sexuais sobre freiras de quem era director espiritual.

Chegou ao fim o Sínodo sobre a Sinodalidade. Foi sem estrondo, nem dramas. Recordemos, porém, que o processo ainda vai a meio.

Continua a tragédia da guerra na Terra Santa. Os líderes cristãos da região não fizeram grandes declarações nos últimos dias, à excepção do Patriarcado Greco-Ortodoxo, que criticou duramente o facto de Israel estar a atingir centros culturais, desportivos e locais de culto em Gaza. A Ajuda à Igreja que Sofre tem estado em contacto diário com a comunidade católica que está na Igreja da Sagrada Família em Gaza. É grande o cansaço, e só não falo em desespero porque, como diz a irmã Nabila, “só temos Deus”. Rezem, por favor, pela paz em geral, mas especialmente para que Deus console estes cristãos em Gaza. E se quiserem enviem-me mensagens que eu talvez consiga fazer-lhes chegar através da AIS. No caso da minha família, enviámos uma fotografia dos filhos com um desenho a dizer que estamos a rezar por eles. Parece pouco, mas é um encorajamento para quem lá está, saber que não estão esquecidos.

E porque a guerra na Terra Santa nos pôs a falar novamente sobre a questão do terrorismo islâmico, o artigo desta semana do The Catholic Thing fala precisamente sobre a relação entre o Cristianismo e o Islão, recorrendo a citações de grandes pensadores, incluindo São João Paulo II.

Friday, 27 October 2023

As palavras dos líderes religiosos da Terra Santa e bispos de pernas tremidas

Irmã Nabila, em Gaza, antes da guerra

Já vamos em quase vinte dias de conflito na Terra Santa, com o número de mortos sempre a subir. O que andam a dizer os líderes religiosos locais sobre esta guerra? Aqui podem ler as principais declarações, com alguns destaques meus, e aqui podem ler a minha primeira análise a estas declarações, onde concluo que infelizmente a voz que mais urgentemente precisa de ser escutada nesta situação é a que tem menos força.

Entre os palestinianos sitiados em Gaza incluem-se cerca de mil cristãos, que são na maioria ortodoxos, com alguns católicos. No dia 19 à noite Israel atingiu o complexo da Igreja Ortodoxa Grega, fazendo mais de uma dúzia de mortos. Alguns dos sobreviventes mudaram-se para a paróquia católica, que já estava sobrelotada, criando ainda mais pressão sobre os recursos. Aqui podem ler o testemunho de uma freira que está a ajudar a cuidar destes refugiados.

Esta sexta-feira o Papa Francisco convida-nos a fazer novamente um dia de jejum e oração pela paz na Terra Santa. Juntemo-nos a este esforço.

Mudando de assunto, o cardeal D. Américo já tomou posse enquanto bispo de Setúbal. Esta quinta-feira foi publicada uma longa entrevista em que o bispo não descarta a possibilidade de vir a ser Papa um dia, mas admite que lhe vão tremer as pernas quando chegar o dia de votar num conclave. Pelo meio há um detalhe importante: as contas ainda não estão fechadas, mas a JMJ deu lucro.

A primeira fase do Sínodo sobre a Sinodalidade, que está a decorrer em Roma, está a chegar ao fim. Os participantes escreveram uma carta aos fiéis, e o Papa fez uma intervenção em que voltou a criticar o clericalismo.

E não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, que volta a falar sobre a relação entre o Cristianismo e o poder secular. O padre Paul Scalia explora o significado de dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César, mas também de evitar que César se apodere daquilo que é de Deus. Leiam aqui, que vale a pena.

Thursday, 26 October 2023

Statements by religious leaders in the Holy Land, regarding the 2023 war between Israel and Hamas

In this post I will try to collect signficant statements by local religious leaders regarding the current ongoing war between the Israeli military and Hamas, in Gaza. 

Despite an initial search, I have not found public written statements by Jewish or Muslim leaders. I searched specifically for statements by the two chief rabbis of Israel, and by the Grand Mufti of Jerusalem, but to no avail. If I find them later, I will add them. 

Highlights in the statements are my own.

Português: Neste post tentarei reunir as declarações dos principais líderes religiosos da região, sobre a actual guerra entre as Forças Armadas de Israel e o Hamas, em Gaza. 

Apesar dos meus esforços, ainda não consegui encontrar declarações públicas de líderes muçulmanos e judeus. Procurei especificamente dos dois Rabinos-mor de Israel e do Grão-Mufti de Jerusalém, mas sem sucesso. Se os encontrar adicioná-los-ei. 

Os realces nos textos - que estão todos em inglês - são da minha responsabilidade.

Thursday, 19 October 2023

O Hospital Anglicano de Gaza e o paradigma da desinformação

O que se passou esta semana no Hospital Anglicano, em Gaza, é quase um retrato da guerra no Século XXI.

Na terça-feira ao fim da tarde começaram a chegar as notificações dos grandes órgãos de comunicação social. Israel acabava de bombardear o Hospital Anglicano, matando cerca de 500 pessoas. Horror absoluto! Chocado, eu partilhei a informação no Twitter. Felizmente, porque enquanto jornalista sei como estas coisas funcionam, usei a condicional. “Israel terá bombardeado o Hospital Anglicano em Gaza…”

Duas horas mais tarde Israel garantia que não tinham sido eles, tinham sido os palestinianos e a explosão tinha sido causada por um míssil que falhou o alvo, caindo em Gaza.

Começaram as trocas de acusações e pelo mundo partidários de uns e outros pegaram logo nas suas bandeiras, assumindo como verdade absoluta tudo o que estava a ser dito pelo lado que apoiam. Muito rapidamente percebemos que a dor e a tristeza pela morte de tantos civis eram secundárias em relação aos pontos que se podia ganhar nas discussões.

Neste tempo em que temos acesso a informação na ponta dos dedos, continuamos a ser expostos a desinformação a um ritmo alucinante. A culpa é, em larga medida, dos órgãos de comunicação social que, na ânsia de serem os primeiros a dar a notícia nem sempre verificam bem os factos, o que se torna ainda mais evidente quando é impossível ter correspondentes no terreno.

Reparem como foi a evolução desta notícia em particular: De “Israel bombardeia hospital, destruindo-o completamente e matando 500 pessoas”, passámos para “hospital bombardeado e destruído, morreram 500 pessoas”, para “Palestinianos bombardeiam hospital, matando 500 pessoas” e por fim para “explosão no parque de estacionamento do hospital mata dezenas de pessoas”.

E no meio disto tudo continuamos sem saber, em rigor, quem disparou o projétil que atingiu o parque de estacionamento do hospital, nem quantas vítimas houve, já que o Hamas fala em 471, mas fontes de agências secretas europeias dizem que foram “apenas” dezenas.

Uma das coisas mais interessantes nisto é a forma como os partidários de um lado e do outro parecem estar perfeitamente convencidos de que o lado que apoiam seria incapaz de cometer um acto destes, e que o lado contrário não só seria capaz, como o faria de forma propositada e com gosto. Isto revela uma divisão social e ideológica que embora seja compreensível no próprio Médio Oriente, não faz sentido para quem observa à distância.

Mas a verdade é que ambos os lados já fizeram o equivalente, e provavelmente pior. Quem diz que os palestinianos não seriam capazes de bombardear o hospital esquece-se que estamos a falar de um movimento que só existe porque faz de toda a população de Gaza o seu escudo humano e que há menos de duas semanas penetrou no território israelita e matou mais de 1000 civis desarmados, homens, mulheres e crianças. Não seriam capazes de matar algumas dezenas dos seus próprios civis para prejudicar a imagem dos israelitas? Claro que seriam. Não estou a dizer que o fizeram, mas que seriam capazes é evidente.

E quem diz que Israel jamais atingiria um hospital, matando civis, esquece-se que o mesmo Hospital Anglicano foi atingido por tiros de artilharia israelita dias antes, mas que felizmente não fizeram vítimas.

Com base na informação que já saiu, parece-me bastante convincente a teoria de que foi um míssil palestiniano a fazer estragos no hospital, mas não vejo qualquer indício de que tal tenha sido propositado. Parece-me antes que foi um terrível acidente, mas que as autoridades de Gaza, ou pensando que tinha sido um ataque israelita, ou sabendo já que tinha sido um erro palestiniano, culparam os israelitas para poder gerar indignação interna e internacionalmente contra o seu inimigo. E funcionou, obviamente. O número de mortos pode ter sido exagerado com o mesmo propósito, mas se foi isso que aconteceu, então naturalmente o Hamas, tendo já avançado essa informação, não poderia voltar atrás e dizer que tinham sido apenas umas dezenas de vítimas, pelo que se vê obrigado a manter a narrativa e não pode aceitar de forma alguma a culpa pelo incidente.

Não é brincadeira nenhuma quando se diz que a primeira grande vítima da guerra é a verdade.

O que faz um hospital anglicano em Gaza?

Feita esta primeira análise, um comentário sobre o facto de haver sequer um hospital cristão em Gaza, sobretudo anglicano, quando os anglicanos são uma minoria praticamente insignificante na Palestina em geral, e julgo não existirem sequer em Gaza.

O facto de este hospital existir não é apenas testemunho de uma história de envolvimento cristão na região. De facto, quando o hospital foi fundado não existia Israel, quanto mais Autoridade Palestiniana.

Mas à medida que a realidade no terreno foi mudando, e sobretudo a partir do momento em que o Hamas, um grupo radical islâmico, foi ganhando peso e os cristãos foram saindo de Gaza para outras partes do mundo, ou então para a Cisjordânia, o hospital poderia perfeitamente ter sido desactivado ou, pelo menos, desvinculado de uma Igreja que não tem presença no terreno. Mas não. A Igreja Anglicana (mais especificamente Igreja Episcopal de Jerusalém, o ramo local da Comunhão Anglicana) manteve o hospital activo e a servir a população quase totalmente muçulmana porque é isso que os cristãos fazem.

Em todo o mundo vemos o mesmo padrão. Mesmo em locais onde são uma pequena minoria, as igrejas cristãs desempenham um papel absolutamente desproporcional no fornecimento de serviços às populações locais, seja na área da saúde, seja na área da educação ou da justiça social.

Este é um verdadeiro e belo testemunho de amor cristão pelos outros, e de serviço ao bem comum, e é também uma forma de evangelização, mesmo que não resulte em conversões imediatas, ou futuras.

Entretanto, continuemos a rezar pela Terra Santa. Que Deus faça brotar no coração dos homens a sede de paz, porque humanamente não se vê luz ao fundo do túnel nesta altura.

Friday, 13 October 2023

O triste e grotesco regresso da Guerra na Terra Santa

O triste regresso à normalidade em Gaza
O tema desta semana é, obviamente, o regresso – em grotesca força – do conflito entre Israel e Palestina. O Papa é apenas um dos muitos líderes que tem apelado à paz, e mais recentemente à libertação de reféns, mas esta não parece estar para breve. Aliás, Israel criticou-o por fazer “falsos paralelismos”. Francisco telefonou também ao pároco da comunidade católica em Gaza, que é muito pequena, mas desenvolve um trabalho social muito importante na região.

Os bispos católicos da Terra Santa já declararam que o dia 17 de Outubro será de oração e jejum pela paz, e sei que várias organizações católicas se vão juntar a esse apelo, por isso encorajo-vos a fazer o mesmo.

No dia seguinte, 18 de Outubro, a fundação Ajuda à Igreja que Sofre já tinha convocado a iniciativa “Um milhão de crianças reza o terço” e a paz na Terra Santa será sem dúvida uma das principais intenções.

Não há nada que se passe na Terra Santa que não tenha uma dimensão religiosa, e há poucos locais do mundo em que a realidade religiosa é tão complexa como lá. Hoje actualizei e republiquei um texto que datava originalmente de 2012 sobre a relação dos cristãos com Israel. É um assunto complicado e muito, muito variado, mas que podem ter interesse em aprofundar numa altura como esta. Aconselho ainda a leitura desta entrevista com um padre, judeu convertido ao catolicismo, que explica porque é que a Igreja Católica tem de agir com cautela quando fala desta guerra, que parece não ter fim.  

O grupo Renascença tem um novo presidente do Conselho de Administração, o cónego Paulo Franco. Como a maioria de vocês saberá, eu trabalhei na Renascença durante mais de uma década e para além de ainda lá ter muitos amigos, continua a ser uma casa pela qual tenho a maior estima. Acredito perfeitamente que a Renascença ainda tem um papel a cumprir na comunicação social em Portugal e que pode ser cada vez mais e melhor aquela instituição que ajuda os portugueses a fazer uma leitura crente e cristã da actualidade. Por isso só desejo o maior sucesso ao Pe. Paulo Franco e a todos os que lá trabalham, sabendo muito bem que o presente e o futuro continuam a não ser nada fáceis.

Enquanto isto, o ex-presidente da Renascença, o agora Cardeal Américo Aguiar, vai presidir às celebrações de Fátima, que começaram na noite de quinta-feira, e onde certamente também se vai rezar muito pela paz.

A semana passada disse que estava para sair um artigo meu no Expresso sobre o papel da mulher na Igreja, a propósito do Sínodo. Foi adiado para esta semana, em princípio, portanto podem procurá-lo a partir de amanhã.

E por falar no papel da mulher na Igreja, o artigo desta semana do The Catholic Thing é talhado para gerar discussão e até alguma polémica. A teóloga Carrie Gress pergunta se é possível um feminismo cristão. Leia a conclusão a que chega.

Thursday, 24 November 2022

Ajude os cristãos da Terra Santa neste Natal

Visitem a mostra de artesanato de oliveira feito por cristãos da Terra Santa. 

Esta é uma forma muito fácil e importante de apoiar uma comunidade que tanto precisa da nossa ajuda. E as peças são belíssimas!

A mostra está, como é costume, na Basílica dos Mártires, no Chiado. 

Basta clicar na imagem para ter mais informação. 



Wednesday, 15 September 2021

Ajudar os nossos irmãos na Terra Santa

 Recebi há dias um pedido de ajuda, que partilho convosco.

Como sabemos, os cristãos na Terra Santa são cada vez menos e passam muitas dificuldades. Muitos dos que vivem em Belém dependem da indústria do turismo, que por causa da pandemia tem estado parada. 

Todos os anos costumava vir a Portugal o Nicolas, católico de Belém, que trazia peças esculpidas em madeira de oliveiras da Terra Santa, para vender. É uma importante fonte de rendimento que, infelizmente, secou por causa da Covid. 

Já em desespero, ele e outros vendedores juntaram-se para vender as peças, a preço quase de custo, com possibilidade de envio por correio. De uma perspetiva comercial, quase que não vale a pena, para nós, uma vez que pagamos mais pelo envio do que pelas peças, mas não são os cristãos chamados a olhar a realidade por outra perspetiva?

Estes cristãos precisam da nossa ajuda. Aqui podem ver em detalhe as peças (cliquem para aumentar as fotos) e em baixo está a lista com os preços. As encomendas podem ser feitas diretamente ao Nicolas por whattsapp, para o número +972 52-457-6851.

Ele poderá depois dar melhor ideia de valores de envio, mas pelo que me disse uma encomenda de 20 quilos fica a cerca de 100 euros e uma de 2 kilos a cerca de 20 euros. Os pagamentos podem ser feitos por transferência para uma conta que eles mantêm em Portugal, evitando taxas. Por que não juntar uma família, ou uma paróquia, para fazer encomendas maiores e ter peças para vender ou distribuir pelo Natal?

Falamos muito em ajudar os cristãos perseguidos e que passam dificuldades. Rezamos por eles. Esta é uma forma prática e ao alcance de todos de ajudar pessoas em concreto. Não a desperdicemos!











Friday, 21 May 2021

O Filipe resolve o problema do Médio Oriente... Quase.

Ontem estive no programa da Agência Ecclesia para falar sobre a crise no Médio Oriente, as raízes do conflito entre Israel e a Palestina, o papel da religião em tudo isto e possíveis soluções de paz.


Monday, 3 December 2018

Velas em Roma pela paz na Síria

O Papa acendeu ontem uma vela pela paz na Síria. Faz parte de uma campanha internacional lançada pela fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

Soube-se também por estes dias que o Papa deu uma longa entrevista a um padre espanhol, que será publicada em breve, em que diz que os padres homossexuais que não vivem de forma celibatária devem abandonar o sacerdócio.

Conheça aqui a exposição “Capela Mundi”, sobre os 100 anos da Capelinha das Aparições.

Esta segunda-feira assinala-se o Dia Internacional dos Deficientes e Isabel do Vale, do Serviço Pastoral às Pessoas com Deficiência lamenta que ainda haja igrejas onde as pessoas com dificuldades de locomoção não conseguem entrar.


E termino com o convite, como tenho feito nos últimos anos, de se deslocarem, se possível, ao Chiado onde encontram no número 10 da rua Anchieta um espaço onde estão à venda artigos religiosos feitos pelos cristãos da Terra Santa, trazidos mais uma vez pelo Nicolas Ghobar (ver foto). Este ano o Nicolas esteve em directo na Renascença para falar sobre a sua experiência de cristão na terra onde Jesus nasceu.

Tuesday, 17 November 2015

Papa vai à sinagoga e dicas de presentes de Natal

Presentes de Natal!
O Papa Francisco vai visitar a sinagoga de Roma em Janeiro, como já fizeram antes dele os Papas Bento XVI e João Paulo II.

Está disponível o livro “Quero dizer-Te: Obrigado!”, um roteiro espiritual, que pretende ajudar doentes e os que cuidam de quem está a viver a última etapa da vida.

Enquanto prosseguem os desenvolvimentos à volta dos atentados de Paris, a comunidade muçulmana de França teme represálias e insiste na mensagem de que o Islão não tem nada a ver com aquilo.

Encontram-se em Lisboa dois irmãos cristãos da Palestina, que vêm vender artesanato produzido pela comunidade cristã de Belém. Os artigos estão à venda na entrada da Igreja dos Mártires, no Chiado e a sua compra é uma forma muito concreta de ajudar estes cristãos, que vivem situações complicadas.

O ano passado também cá estiveram e na altura entrevistei um deles. A transcrição integral dessa entrevista, muito interessante, está aqui e não perdeu nada da sua actualidade.

“Sem cristãos os lugares santos tornam-se apenas pedras e prédios”

Transcrição integral da entrevista feita a Nicolas, um cristão da Terra Santa que se encontra em Portugal para vender artesanato produzido pelos cristãos de Belém. A entrevista foi feita o ano passado, mas na altura não publiquei a transcrição no blog. Os artigos estão à venda na Igreja dos Mártires, no Chiado e é uma maneira concreta de ajudar os cristãos na Terra Santa, que tanto precisam.


Estás em Portugal, mas originalmente és da Terra Santa, não é?
Sim, da Terra Santa, da cidade de Belém.

Cidade essa que ganha uma importância muito especial nesta altura do ano...
Sim.

És cristão?
Sou cristão, católico.

Os cristãos em Belém têm noção do significado do sítio onde vivem?
Sim. Sinceramente, temos um grande valor. Porque vivemos num lugar muito importante, muito religioso, que se pode considerar um dos lugares mais sagrados do mundo, onde nasceu o nosso salvador Jesus Cristo, e temos um grande amor, grande fé, desse lugar, o único lugar que temos, na cidade de Belém.

Belém é governada pela Autoridade Palestiniana?
Sim.

Houve uma altura em que os cristãos eram maioria em Belém...
Sim. Éramos quase 60% de cristãos no território da Palestina, hoje em dia somos perto de 1%.

Com as guerras e acontecimentos no país ao longo dos anos muitos cristãos emigraram e foi afectando a população.

E em Belém em Particular?
São cerca de 50 mil habitantes, os cristãos são cerca de 25%.

Com a causa palestiniana cada vez mais focada em movimentos islamitas, os cristãos ainda se identificam com ela?
Continuamos sempre a fazer parte da situação do território, mas sinceramente, como minoria que somos já não temos muita voz nem muitas opções. Temos que ficar calmos e ter fé que um dia os problemas passam.

A maioria dos cristãos que saem vão para onde?
Em 1910, 1915, começaram a ir para a América Latina, por causa da perseguição dos turcos. Mas hoje em dia, onde tiverem acesso fácil, saem para a Europa, América, América Latina, porque vão à procura de uma vida melhor, segurança, paz, tranquilidade. Formar uma família sem conflitos nem problemas.

No teu caso, sais da Palestina para vir temporariamente à Europa. Mas depois voltas?
Muitas pessoas ofereceram-me estadia aqui, mas sinceramente a minha família depende do meu trabalho e gostaria de ficar, mas prefiro voltar para a minha terra, porque somos a pedra e o sal desta terra e sem cristãos os lugares santos, com tempo, tornam-se apenas pedras e prédios.

Prefiro ficar na minha terra, porque sou um da minoria cristã que fica na Terra Santa e a Terra Santa sem cristãos é um problema grande.

Tens irmãos?
Sim, somos dois rapazes e uma rapariga.

E o teu irmão vem ajudar-te nestes tempos em Portugal?
Sim, porque ele não tem emprego na Terra Santa, na parte da Palestina. Belém é como Fátima, vivem do Turismo, dos peregrinos, mas muita gente que escuta e vê na televisão acha que é perigoso, que não vale a pena ir, que tem bombas e essas coisas, e como o nosso petróleo é o fabrico de artesanato de madre-pérola e madeira de oliveira, por causa destes problemas muitos cristãos tiveram de fechar as suas oficinas e sair do país. Então nós, como vários cristãos que têm contactos noutras partes do mundo, tentamos trazer artesanato dessas oficinas para mover os seus produtos e assim eles ficam nas suas oficinas, com a esperança de ainda poder sobreviver.

Vocês aqui vendem artesanato, mas não produzem...
Não, só trazemos directamente das oficinas de Belém.

A tua irmã também está lá em Belém?
Ela está em Espanha, a estudar. Em Julho termina. Arranjou um diploma através da Universidade Católica, porque também não tem trabalho na nossa terra, mas assim que terminar vai voltar à cidade de Belém.

Os desenvolvimentos dos últimos anos têm tornado a vida mais difícil para quem vive destas actividades em Belém, não é?
Sim. Está muito difícil. É difícil falar de como está a situação. E na Síria e no Iraque ainda está pior, mas por exemplo Portugal teve guerra, problemas políticos, agora económicos, mas tem liberdade, paz e prosperidade. Nós na Terra Santa sempre tivemos problemas políticos, religiosos e económicos, há dois mil anos. Não sabemos o que é paz, nem prosperidade nem liberdade. Mas continuamos nesta terra. Viver na Terra Santa é ser um herói.

A principal dificuldade nos últimos anos tem sido o muro...
Sim, são quase 720 quilómetros...

Que divide territórios e impede a chegada de outras pessoas a Belém, não é?
Sim.

Como é que viveram a ida do Papa à Terra Santa?
No tempo do Papa Bento XVI, quando ele foi à Terra Santa em 2009, estive lá, e ele trouxe muita gente e uma mensagem. Mas com o Papa Francisco veio ainda mais gente e mostrou ao mundo que precisamos de paz, que não tem de haver muralhas, mas pontes e surpreendeu-nos ao parar diante do muro e rezar diante do muro. Com a sua mensagem deu-nos uma grande paz e ânimo para ficar nesta terra.

Os israelitas defendem-se, dizem que desde que construíram o muro que de facto diminuíram os ataques...
É preciso ver para crer...Eles dizem que baixou muito. Mas com a muralha há pessoas que têm terrenos do outro lado e já não podem cultivar, não podem construir. Dificulta muito o acesso. Como cristãos temos direito a ir ao outro lado duas vezes por ano, no Natal e na Semana Santa, a certas horas e em certas partes. É mais fácil para um turista conhecer a nossa terra do que para nós mesmos.

Estava a dizer que há muitos turistas que têm medo porque pensam que há instabilidade e bombas em toda a parte. Para quem pensa eventualmente ir visitar, o que tem a dizer?
Diria que não há essas coisas. Claro que acontecem, mas é longe. Nos lugares de turismo, de peregrinação, nunca aconteceram esses conflitos. Estive com grupos em Junho e Julho e não se passou nada. É seguro e recomenda-se. Recomendo muito, é uma viagem da vida, é onde nasceu a nossa religião e não é como parece nas notícias.

Como é que é o Natal em Belém? Claro que vão muitos turistas, mas para vocês, que tradições têm?
Há dois anos colocaram uma árvore de Natal na praça da Manjedoura, onde transmitem a Missa do Galo e deram um pouco mais de vida e de sabor à cidade de Belém, com mais decoração, mais luzes, uma vez que este lugar é a capital do Natal. Nós como cristãos temos a tradição de estar em família. Jantamos juntos e depois ir à missa, mas com poucos cristãos a tradição, a decoração, essas coisas, estão a perder-se um pouco cada ano.

Certamente têm vizinhos e amigos muçulmanos, eles respeitam os vossos festejos?
Respeitam muito, sim. Assim como nós respeitamos o Eid-al-Adha ou o Ramadão, duas festas muito importantes, cada um respeita o dos outros.

Há quantos anos vem a Portugal vender estes produtos?
Há quase cinco anos, de Novembro a Dezembro.

Vale a pena?
Vale. Eu diria que vale a pena porque conhecemos melhor os países, vendemos os produtos das oficinas de Belém e gosto muito do país. Também não tenho outra opção.

Consegue dinheiro pelo menos para pagar as viagens?
Sim. Como trazemos as coisas directamente das oficinas e não da loja, o preço é acessível e são coisas de artesanato e religiosas e coisas de que os portugueses muito gostam, como presépios, cruzes, terços.

Há quanto tempo é que a sua família é cristã?
Essa é uma pergunta que nos fazem muitas vezes, porque trabalho como guia em Belém e muitas pessoas pensam que não há cristãos, pensam que só há judeus e muçulmanos, mas a minha família, toda a vida foi cristã. Não é como noutros países onde se pode trocar de religião, lá isso não acontece, por tradição e por cultura. Toda a vida fomos católicos, desde a altura de Jesus.

Friday, 26 June 2015

Os direitos constitucionais que ninguém sabia existirem...

Bolas! Estava à procura de
um direito constitucional
Por onde começar? Não sei mesmo qual será a notícia mais importante em termos do impacto que tem sobre a nossa civilização…

Mas começo pelas notícias com sangue e mortos. Nesta mesma sexta-feira do Ramadão, vários atentados abalaram o mundo. Uma decapitação em França, um atentado num hotel turístico na Tunísia e ataque suicida numa mesquita xiita no Kuwait. Preparem-se, vai ser um looongo Ramadão.

Nos Estados Unidos, outra bomba. O Supremo Tribunal decidiu que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um direito constitucional e de uma assentada legalizou-o em todo o país. É uma tremenda vitória para os activistas gay, agora vão começar as batalhas legais que afectam mais directamente as instituições religiosas etc.

O Vaticano assinou um tratado com a Palestina em que se refere a ela como um Estado. Não é novo em si, mas é mais um passo nas relações entre os dois.

Friday, 15 May 2015

Um Arraiolos para o Papa e duas santas para a Palestina

As duas novas santas palestinianas
Um autarca em França, do mesmo partido de Sarkozy, teve a brilhante ideia de propor que o Islão seja proibido, dizendo que isso resolverá os problemas do país. Sem dúvida um candidato a Ministro das Ideias Inúteis, no caso de vitória eleitoral de Sarkozy.

Uma artesã alentejana quer homenagear o Papa oferecendo-lhe um tapete de Arraiolos. Demorou quatro meses a ser elaborado e tem mais de 200 mil pontos.

No próximo domingo o Papa Francisco vai canonizar duas freiras palestinianas, um gesto que enche de esperança os cristãos da Terra Santa.

Também no domingo decorre a Festa das Famílias do Patriarcado de Lisboa. Eu vou lá estar e sei que estará uma banca da Alêtheia onde o meu livro “Que fazes aí fechada” estará à venda, por isso quem quiser adquirir o livro e pedir uma dedicatória só tem de procurar o tipo alto e careca a tentar controlar os filhos.

Por falar no livro, ontem apareceu uma reportagem alargada no programa de televisão da Ecclesia. Vale a pena ver sobretudo por causa do trabalho inicial, com declarações de Maria João Avillez e de uma das freiras entrevistadas no livro.

Wednesday, 30 July 2014

Vontades inquebráveis em Gaza e justos no Iraque

E não esqueçam!!!
Hoje temos uma edição quase totalmente médio-oriental…

Gaza continua debaixo de fogo, por isso falei com os directores de duas agências católicas que socorrem os habitantes daquela região da Palestina, onde a Igreja se recusa a abandonar os civis à sua sorte.

O padre Raed, da Cáritas, diz que o poderio militar israelita não poderá quebrar a vontade do povo palestiniano, e Matt McGarry fala de uma situação “horrível, que está a piorar”, como podem ver nas transcrições completas das entrevistas, no blogue.


Por ser quarta-feira temos também artigo novo do The Catholic Thing. David Warren fala do sofrimento dos cristãos no Iraque, mas não esquece os muçulmanos que tudo têm arriscado para salvar os seus vizinhos perseguidos. Uma excelente perspectiva do problema.

Por fim, e para dar um toque mais português, uma notícia sobre os alunos da Católica que mudaram a vida dos habitantes de “Vale de Papas”.

Monday, 26 May 2014

Beijinhos e abraços na Terra Santa

(Clicar para aumentar)
O Papa Francisco está neste momento a despedir-se da Terra Santa, onde passou os últimos três dias. Está por publicar um artigo com 10 dos pontos altos desta viagem, que divulgarei amanhã, mas desta peregrinação destaco os seguintes:


O discurso do Rei Abdullah, da Jordânia, que chamou ao Papa “Consciência do mundo”.

O encontro ecuménico entre Francisco e o Patriarca de Constantinopla.

E por fim o momento esta manhã em que o Papa beijou as mãos a seis sobreviventes do Holocausto.

Leiam também a crónica de Aura Miguel sobre a viagem para a Jordânia, em que o Papa falou de Fátima.

A viagem termina, mas o Papa vai falar com os jornalistas a bordo do avião, de regresso a Roma, pelo que haverá certamente novidades ainda, já sabem que as poderão encontrar na Renascença.

Na próxima quinta-feira realiza-se um colóquio em Lisboa que não vai querer perder. Trata-se do primeiro evento do género dedicado a Chesterton (pelo menos de que eu tenha conhecimento…). Supostamente eu vou moderar uma das conferências, mas acabei de ser informado pelo obstetra da minha mulher que na quinta-feira os planos poderão ser outros, por isso não posso garantir a minha presença. Mas a não ser que estejam a ter filhos também, espero que consigam ir ao Auditório 2 da Universidade Católica a partir das 16h para ouvir João César das Neves, Tiago Cavaco, Pedro Picoito, Miguel Morgado e Zita Seabra, entre outros, a falar desta figura ímpar.

Thursday, 11 July 2013

O Hamas Precisa de Amigos...

O Papa Francisco actualizou hoje o código penal da Santa Sé. Naquele Estado deixa de existir pena de prisão perpétua e alarga-se a definição de crimes contra menores.


Normalmente os rigores do jejum do Ramadão só comprometem os muçulmanos, mas na Arábia Saudita quem violar as suas regras em público, mesmo que seja não muçulmano, pode ir para a cadeia ou ser expulso do país.

No Egipto foi morto mais um cristão como represália pelo apoio que os coptas têm dado ao golpe militar contra a Irmandade Muçulmana.

Tem muito dinheiro ou fabrica bombas caseiras? Ligue para a Palestina, porque ao que parece, o Hamas está a precisar de amigos.

Friday, 29 June 2012

Não queremos um Iraque em todas as regiões


Transcrição integral da entrevista feita a Dom Farès Maakaroun, arcebispo do greco-melquitas no Brasil. A notícia está aqui. Para esta entrevista contei com a ajuda inestimável de Philippe Gebara, a quem agradeço.

Quando falámos, D. Farès estava ainda no Líbano, onde esteve a participar no sínodo da Igreja Melquita.

Foi discutida a questão da Síria durante o Sínodo?
O Sínodo aconteceu no Líbano, na sede Patriarcal, a 50 quilómetros de Beirute. Participaram todos os bispos do Oriente e da Diáspora também, da América, Canadá, Austrália e América do Sul. Todos participaram menos os que estavam bem doentes.

Foi uma semana de encontros, de reflexão e, visto a situação um pouco crítica no Oriente, especialmente na Síria, e como de greco-melquitas já morreram pelo menos 200 a 300 pessoas, e há bastantes pessoas que já saíram das suas aldeias, estudámos a possibilidade de como fazer para poder lançar uma chamada ao mundo inteiro, pela paz, pela fraternidade, pela ajuda mútua, porque todo o mundo está a precisar de amor, de carinho, de amor, de comida e de bebida, de padres para cuidar deles. Há padres que precisam de ajuda, porque a maioria, em algumas regiões, não têm possibilidades de ter sequer um salário mínimo para viver.

Estudámos um pouco esta situação complicada e pedimos muitas orações aos responsáveis de todo o lado, de permitir um pouco mais à região, de trabalhar a humanidade, aos homens de boa-fé, de boa vontade, de trabalhar bem, para que a paz possa reinar em todo o lugar, porque perder tudo seria algo prejudicial para todos.

Discutimos essa situação e também estamos tentando colocar bispos onde faltam, mesmo dentro da Síria, porque em muitas regiões a paz reina completamente, não têm nada de especial, mas há regiões que são um pouco críticas e faltam dois* bispos na Síria. Enviámos os nomes para o Vaticano e estamos à espera de confirmação.

No início das revoltas a Igreja Melquita teve uma posição muito cautelosa e parecia estar com algum medo do que poderia acontecer se de facto fosse derrubado o regime.
Somos cristãos do Oriente. Somos árabes. Somos sírios, libaneses, iraquianos, egípcios, jordanianos, palestinianos. Não somos estrangeiros aqui, é nossa terra. Sempre os cristãos tentaram ser cidadãos exemplares em todos os lugares. Mas com esta situação complicada ninguém sabe o que está a acontecer. Pedimos às forças mundiais para nos deixarem em paz ou para nos ajudarem para permitir a paz. Ninguém sabe o que o amanhã pode trazer, nem o que uma troca de regime pode dar. Tome-se o exemplo do Iraque, que é muito triste. Não queremos um Iraque em todas as regiões. Hoje, depois de anos e anos, centenas de pessoas morrem todos os dias. Queremos a paz, o amor e o perdão. Vamos continuar a rezar, a amar e a perdoar a todos.

Tem havido relatos de perseguição aos cristãos por parte dos opositores ao regime. Confirma isso?
Não tem casos muito especiais, mas quando há pessoas a morrer, um tipo de guerra aqui ou ali, todos perdem, sejam cristãos ou não. Mas como os cristãos não participam, não andam armados, eles ficam na situação de perder tudo. Nós olhamos ao exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, levado à cruz, sim, mas sabemos que na final a religião vai vencer, a fé vai vencer, o bem vai vencer o mal. Com a graça de Deus, a graça da Virgem Maria nossa mãe, mãe de todos nós, respeitada também pelo mundo muçulmano, temos muita esperança que apesar dos feridos e dos mortos, vamos ter no final uma cura.

Acredita que essa paz que tanto deseja é possível ainda com o regime actual no poder?
Não entendo bem a política, mas entendo bem as coisas do céu. E com a ajuda do Senhor ninguém sabe. Nosso Senhor venceu a morte pela morte. Tudo é possível com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo.

*Por erro do entrevistador, numa versão anterior lia-se que faltavam dez bispos na Síria. O som da entrevista não estava totalmente perceptível, mas a Igreja Melquita teve a bondade de me enviar uma correcção a esse respeito. É de realçar que dos dois que faltavam, o novo bispo de Homs já viu a sua nomeação confirmada pelo Vaticano.

Friday, 20 January 2012

“To be pro-Israel is to be pro-Palestinian”

Full transcript of the interview with Archbishop Kelly, of Liverpool, about his recent trip to the Holy Land

What exactly is the Holy Land Coordination meeting, what is its mission?

These meetings were set up about 12 years ago by the Holy See. The initial idea was that the presidents of the Bishops conferences or a representative, of the countries which played a political role in establishing the present reality of the Holy Land would come together to the Holy Land above all to support the local church in two things, in its endeavours never to be silent in the face of injustice wherever it comes from, but also always to be a church which seeks to reconcile, and that has always been the focus.

As we know, the Christian community in the Holy Land has been diminishing, is that something you feel on your trips?

Every year when we go we are made ever more aware of the diminishing numbers and there is no doubt that a number of factors weigh down upon them. They feel very much, especially in a place like Bethlehem, that they are almost living within prison walls, their restriction of movement is so great, and indeed the movement across the West Bank. In our final communiqué we used the word was that they are living in a state of occupation.

We also experienced that very often there is wonderful work done in education, but for reasons I can understand, not least as a son of an economic migrant from Ireland to England, very often education opens up opportunities to go to other countries where they have more space and freedom.

So the diminishing numbers are a real factor, but there are many factors that bring that about.

Despite that, do you feel there is hope for the future?

There must always be hope for that. I always go back to the first pilgrim pope to the Holy Land who said, “If you want peace, seek justice”, then I am sure, if there is justice for the two peoples and three ways of walking before God, which are the reality of that land. If that justice is achieved then there will be peace and then the communities have more hope for the future. At the present time there is still the clear teaching of the Holy See in favour of a Two State Solution. One thing we also mention in our final Communiqué is that to be pro-Israel is to be Pro-palestinian, it is not an either or, for there to be peace for both peoples there has to be justice for all.

Archbishop Kelly plays snooker in Nablus, Palestine

Just a few weeks ago we witnessed a fight between monks in the Church of the Nativity. The same thing often happens in Jerusalem, around Easter Time. Were these bad examples discussed?

It was mentioned. I gather it was more complex as to who was involved, certainly the leaders were not involved.

I know well the story of Ireland and have always found that wherever you have people suffering under a sense of injustice behaviour can go very wrong indeed. It is so hard to have a normal discourse in a context which has so many factors which weigh down upon you. It is tempting for me to say that this should not happen, but if I lived with this reality every day I am sure I would probably break out into words and actions which I wish were not there.

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