quarta-feira, 27 de julho de 2016

Islão e os Dez Mandamentos

Howard Kainz
A primeira vez que notei algo fora do comum sobre o Islão foi nos anos 80 quando estava a fazer investigação para o meu livro “Ethics in Context”. Dediquei uma secção do livro à “Regra de Ouro”. A “Regra de Ouro”, na sua formulação negativa ou positiva não existe apenas no Cristianismo (Mat. 7,12), em que Jesus declara que resume a “lei e os profetas”, mas também noutras grandes religiões. Por exemplo, no Judaísmo, “o que for detestável para ti, não o faças ao teu vizinho”; no Hinduísmo, “que nenhum homem faça a outro aquilo que é repugnante para si”; no Budismo, “não magoes outros de formas que também acharias dolorosas”; no Confucionismo, “aquilo que não queres que te façam, não o faças aos outros”.

Na altura interpretei isto como prova de uma relativa universalidade dos princípios éticos racionais no mundo. Mas no Islão não encontrei nada do género, apenas o oposto – o inverso da Regra de Ouro, por assim dizer: “Mohammad é o Mensageiro de Allah, e aqueles que estão com ele são severos para com os incrédulos, porém compassivos entre si” (Alcorão 48,29) e “Os crentes não tomam por confidentes os incrédulos, em detrimento de outros crentes” (3,28). A isto somam-se os comandos do Alcorão para matar os infiéis onde quere que se encontrem (2,191), lutar e ser duro para com eles (9,123), e golpear-lhes os pescoços (47,4)  que acentuam a distância para a Regra de Ouro.

Na altura optei apenas por omitir qualquer referência ao Islão nesse capítulo. Contudo, à medida que investiguei outros assuntos, os problemas religiosos/éticos no seio do Islão são ainda mais sérios. Tal como o Islão ensina o inverso da Regra de Ouro, ensina também o reverso dos últimos sete dos Dez Mandamentos, que lidam com questões de moral:

§  4º Mandamento, Honrar Pai e Mãe: A Universidade de Al-Azhar, a mais respeitada autoridade do Islão Sunita, afirma que um homicídio deve ser vingado, excepto quando se trata de “um pai ou uma mãe (ou os seus pais) por matar um filho, ou o filho de um filho”. Mas os homicídios de honra podem funcionar ao contrário também. Rapazes capturados pelo Estado Islâmico afirmam que receberam ordens para matar os seus pais, de acordo com o que está escrito no Alcorão – Suras 9,23, 58,22, 60,4 – que obrigam ao ódio total por, e dissociação de, infiéis, mesmo que sejam familiares ou pais.

§  Mandamento, não matar: Maomé é considerado o “homem perfeito” pelos muçulmanos, mas ofereceu inúmeros exemplos de homicídio para serem seguidos pelos fiéis muçulmanos – a começar pelo assassinato dos poetas que o ridicularizaram em Medina e em Meca e a acabar com a decapitação de centenas de “infiéis” em vários assaltos e batalhas. Na sua “Declaração de Guerra contra os Americanos que Ocupam a Terra dos Dois Lugares Sagrados”, de 1996, Osama bin Laden justifica a sua Fatwa para matar americanos citando os versículos 3,145; 47,4-6; 2,154; 9,14; 8,72 e 9,5 (o “versículo da espada”). O terrorismo é especificamente justificado nos versículos 8,12 e 3,151 e num hadite de Bukhari 52,256. E a conversão do Islão para outra religião é punida com execução, de acordo com Bukhari 9.84.57, “[Mohammad ordenou] ‘Quem mudar a sua religião islâmica, matai-o’.”

§  6º Mandamento, contra o adultério: Em linguagem comum, “adultério” significa infidelidade para com o esposo ou esposa. Mas para homens muçulmanos, que podem ter até quatro mulheres, divórcio fácil e escravas (4,3), seria extremamente desleixado cometer adultério. O próprio profeta ofereceu exemplos de como “evitar o adultério”, tendo treze mulheres, concubinas e escravas, tudo permitido por Allah (Sura 33,50). Para mulheres e homens solteiros, contudo, o adultério é possível e é severamente punido.

§  7º Mandamento, não roubar: Ali Dashti, na sua biografia de Maomé, Twenty-Three Years, mostra como, ao juntarem-se numa única grande força, os muçulmanos foram capazes de tirar partido do hábito já existente nas tribos árabes de “alimentar a sua ganância ao roubar duzentos ou trezentos camelos num assalto a uma tribo mais fraca” e assim “puderam capturar muito mais despojos” e “conquistar terras ricas e férteis”. A Sura 8 do Alcorão deixa indicações claras sobre o que fazer com despojos de guerra, incluindo a revelação especial (8,41) de que “Deus e o seu apóstolo” deviam receber 1/5 dos despojos.

§  8º Mandamento, não mentir: Ao contrário dos mártires cristãos, que estavam dispostos a dar a vida para não negarem a sua religião, os muçulmanos estão autorizados, pela taqiyya, a mentir sobre as suas crenças religiosas desde que isso contribua para o avanço do Islão. Nonie Darwish, no livro The Devil We Don’t Know, descreve como a Sharia incorpora a taqiyya: “A própria Sharia permite mentiras não só para com infiéis, mas também para resolver disputas entre muçulmanos e nas relações conjugais, cobrindo assim praticamente todas as relações… O muçulmano aprende que a protecção do Islão e uma obrigação comunitária que é mais importante do que a família, a vida ou a felicidade.”

§  9º Mandamento, não cobiçar a mulher alheia; O próprio Maomé, modelo de virtude Islâmica, oferece o melhor exemplo de negação deste mandamento. Tendo-se apaixonado por Zeinab, a mulher do seu filho adoptivo, Zeid, recebeu a aprovação de Allah (33,37) para a tomar por sua mulher. Aconteceu uma coisa semelhante com Aisha, que mais tarde viria a ser a sua mulher favorita, quando ela tinha apenas seis anos, e também com Reihana, uma judia acabada de enviuvar, com quem se deitou na mesma noite em que executou o seu marido.

§  10º Mandamento, não cobiçar os bens alheios: Wafa Sultan, no livro A God Who Hates, refere as condições históricas e culturais que acentuam e continuam a alimentar a importância da inveja no Islão: “Os beduínos temiam os assaltos, por um lado, mas dependiam deles para se sustentarem, por outro. Depois surgiu o Islão que canonizou a prática. Os muçulmanos no Século XXI continuam a temer serem assaltados e vivem cada segundo das suas vidas a preparar-se para assaltar outros”.

Tal como sugeri num artigo anterior, o Islão deve ser compreendido como uma seita de dimensão mundial. Reforça a ideia de honestidade e justiça entre crentes, mas não obriga a qualquer respeito pelos cânones éticos dos “infiéis”, o que inclui a Regra de Ouro e os Dez Mandamentos.


Howard Kainz é professor emérito de Filosofia na Universidade de Marquette University. Os seus livros mais recentes incluem Natural Law: an Introduction and Reexamination (2004), The Philosophy of Human Nature (2008), e The Existence of God and the Faith-Instinct (2010)

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no Sábado, 23 de Julho de 2016)

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1 comentário:

  1. Repare-se tb que o islam ao se basear nos 5 pilares e não nos 10 mandamentos tal como judeus e Cristãos fazem, mostra que o islam não manteve o bem dos 10 mandamentos ou evoluiu para algo melhor, mas que retrocedeu para 5 pilares, que são declaradamente piores.

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