terça-feira, 21 de janeiro de 2014

“Vanguardas pretendem impor adopção por homossexuais à sociedade”

Transcrição integral das declarações de Manuel Braga da Cruz sobre co-adopção e adopção por homossexuais. Notícia aqui.

O que é que este debate, e a eventual aprovação, dizem sobre a sociedade?
Este problema transcende e muito a mera questão técnica de saber quem pode adoptar. Uma sociedade forte é uma sociedade organizada, uma sociedade que é apenas composta por indivíduos atomizados não é só uma sociedade fraca, é uma sociedade que fica à mercê de desígnios políticos, nomeadamente totalitários, como a história do século XX nos ensina.

A maneira de a sociedade conseguir resistir às tentativas demagógicas de a levar para horizontes que não são desejáveis é ser uma sociedade organizada institucionalmente, uma sociedade assente em instituições. Entre essas instituições a família é seguramente a mais importante e a mais básica. Ora, a questão da co-adopção é uma que remete não apenas para a educação que nós queremos que seja dada a todos os portugueses, mas também para a organização da sociedade.

A educação, obviamente, tem a ver com o processo da socialização e o processo da interiorização dos papéis no interior da família. E todos sabemos por experiência e por tradição que a família é um equilíbrio de papéis. Entre esses está o papel do pai e o papel da mãe, que historicamente têm a sua evolução e a sua diversidade, mas que são indispensáveis para a formação integral da pessoa humana.

Admitir que uma adopção possa ser feita por um agregado que não integre esta diversidade de papéis no interior da família é particularmente grave não só porque debilita a criança que é educada, como debilita a própria instituição familiar e, por aí, também a família.

Portanto esta questão da co-adopção está muito longe de ser apenas uma questão de saber quem pode adoptar uma criança, claro que é isso também, mas remete para questões muito mais vastas e de maior importância. Nos últimos anos temos vindo a assistir a uma deliberada orientação política que visa debilitar a sociedade, em nome do reforço da liberdade individual. Isso enfraquece a cidadania, enfraquece a sociedade civil e torna a sociedade facilmente manipulável por objectivos políticos.

Estamos perante uma questão que altera a ordem civilizacional em que temos vivido ao longo de milénios. Não é coisa pouca, é uma questão muito importante que não pode ser decidida ligeiramente e apressadamente.

Por isso é fundamental haver um debate na sociedade para esclarecer o que está em jogo, para não haver uma decisão tomada à surrelfa, apressadamente, nas costas dos cidadãos, para impor modelos que algumas vanguardas pretendem impor à sociedade portuguesa.

Quando fala em vanguardas, está a dizer que estamos perante um caso de engenharia social?
Acho que essas vanguardas visam em primeiro lugar a liberdade do indivíduo, numa perspectiva muito egoísta, e que não têm em devida consideração não apenas os direitos da criança e os direitos educativos da criança, como não têm em consideração aquilo que deve ser uma sociedade civil forte, actuante e adulta numa democracia.

Qual deverá ser o papel da Igreja no referendo?
O papel da Igreja na instituição deve ser de contribuir para o debate cívico, que também é político obviamente, através do esclarecimento daquilo que é a sua doutrina social, que resulta de uma longa e vasta, historicamente falando, sabedoria que amadureceu ao longo dos séculos na sua visão e compreensão do homem.

A Igreja deve contribuir para este debate, não apenas os bispos mas também os leigos, para que se compreenda todo o alcance do que está em causa e aquilo que deve ser ponderado antes de uma decisão neste domínio.

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