domingo, 19 de janeiro de 2014

Sobre a co-adopção e adopção de crianças por homossexuais

Sempre que se fala de assuntos ligados aos direitos dos homossexuais é preciso lembrar que há duas vertentes que não se devem confundir.

Por um lado, estamos a falar de pessoas. Pessoas cuja dignidade é inerente à sua condição humana e não depende da sua orientação sexual ou das suas práticas.

Por outro lado estamos a falar de fenómenos que têm um impacto social e por isso podem ser discutidos também sob essa perspectiva.

Exige-se por isso alguma contenção de parte a parte. Nem um homossexual deve-se sentir ofendido na sua dignidade ou atacado pessoalmente por alguém defender que o casamento deve ser só entre um homem e uma mulher, nem os opositores do “casamento” gay e da adopção por parte de homossexuais devem tornar as suas críticas pessoais.

Dito assim parece simples, mas facilmente qualquer discussão destas descamba. É mais uma prova da falta de profundidade filosófica da nossa sociedade actual e há culpas de parte a parte.

Tendo em conta isto, penso que é perfeitamente claro que existam pares de homossexuais que não tenham outra intenção do que cuidar de uma criança da melhor forma possível, dar-lhe todo o amor que possam dar e a melhor educação ao seu alcance, e entendo que se sintam magoadas quando se sugere o contrário.

Mas também não tenho dúvidas de que o objectivo desta campanha a favor da co-adopção ou adopção é de mudar a sociedade, como foi antes a campanha a favor do chamado casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A geração de vida é inerente ao casamento e à constituição de família, a adopção é uma solução para quem não o pode fazer de forma natural ou para quem, por mera generosidade, quer dar um lar e uma família a uma criança institucionalizada.

Daí que este seja de facto o passo lógico a dar depois da legalização do “casamento” homossexual, o que revela como foram ingénuos os que acreditaram que naquele debate apenas estava em causa a vida íntima de duas pessoas maiores de idade e que mais ninguém seria afectada.

E daí também que o lobby homossexual queira tanto legalizar a adopção, pois esse é o passo definitivo para a normalização da homossexualidade aos olhos da sociedade. É que quando as crianças passam a estar à mistura, torna-se praticamente impossível conduzir um debate normal que não misture as tais duas vertentes de que falei no início do texto.

Como é que uma professora pode manter um debate aberto sobre a homossexualidade numa sala de aulas em que estão presentes filhos adoptivos de homossexuais? Como é que se pode discutir os méritos e deméritos deste estilo de vida* sem magoar os sentimentos ou traumatizar os filhos dos homossexuais?

E como vão crescer essas crianças? Previsivelmente vão considerar a homossexualidade e a sua prática uma coisa perfeitamente natural, tal como os seus amigos mais próximos.

Não estou a dizer que todas as crianças de homossexuais vão crescer deturpadas e com problemas psicológicos por causa da sua experiência e o lobby gay estará sempre disponível para nos mostrar casos de crianças normalíssimas que têm “duas mães” ou “dois pais” e recordar-nos que Hitler e Stalin eram filhos de heterossexuais. Não me parece que haja dados para poder tirar grandes conclusões sobre isso ainda, a composição psicológica, afectiva e emocional dos homens é simultaneamente muito frágil e muito resiliente.

Afinal de contas, dirão, há muitos homens e mulheres que cresceram sem uma mãe ou sem um pai, por abandono ou por orfandade e que hoje em dia são pessoas normais. Mas também é verdade que em vários países se começa a ver o efeito do fenómeno crónico das mães solteiras, de crianças que nascem sem nenhuma figura paterna de referência, perpetuando um ciclo negativo de gerações de homens sem qualquer sentido de responsabilidade para com os seus filhos. Parece-me evidente que quem cresce num ambiente em que as figuraspaternas são duas pessoas do mesmo sexo fica imediatamente em desvantagemperante os seus pares que têm um pai e uma mãe.

Quem é que instrumentaliza crianças?
Voltando à tal questão da total “normalização” social da homossexualidade, entendo que para muitas pessoas isto não seja chocante, que pelo contrário, seja desejável. Mas o exemplo de outros países onde este debate já ocorreu mostra que o avanço desta causa só se consegue à custa da marginalização de quem pensa de maneira diferente.

E é precisamente isso que me preocupa. Não tardará o dia em que uma pessoa que acredite, seja pelo senso comum, seja por convicção assente nas suas crenças religiosas, que a homossexualidade não é um estilo de vida normal nem desejável, se verá impedida de ocupar certos cargos públicos, de fazer ouvir a sua voz na praça pública. Não é por acaso que esta campanha está a ser feita em nome dos “direitos humanos” dos homossexuais, porque se essa ideia se tornar norma, então imediatamente todas as principais religiões e todas as pessoas que pensam de maneira diferente serão vistas como obstáculos à realização dos direitos humanos dos outros.

Chegará muito rapidamente o dia em que o Cristianismo, sem o qual a noção dos direitos humanos como nós os conhecemos não seria sequer possível, é marginalizado em nome de “direitos humanos” inventados. Em que a civilização ocidental, construída sobre fundações cristãs, se verá ostracizada das sociedades ocidentais.

Não é preciso ser engenheiro para saber o que acontece a um edifício quando se destroem as fundações, pois não?

Filipe d'Avillez

*Depois de publicado o texto percebi que algumas pessoas achavam que eu estava a equiparar a homossexualidade a um estilo de vida. Não era essa a minha intenção quando escolhi o termo. O que quero dizer é que embora a homossexualidade, enquanto orientação, não é criticável nem social nem moralmente (e é essa a posição da Igreja Católica também), a transformação dessa homossexualidade num estilo de vida que a glorifica e ostenta já supõe uma escolha que me parece, por isso, ser criticável. Lamento se fui ambíguo e espero que com esta adenda a questão fique mais clara. Agradeço a quem me alertou para a falha.

26 comentários:

  1. Como Católica Apostólica Romana e heterossexual, não posso deixar de manifestar a incredulidade pelo preconceito espelhado na sua afirmação "... Como é que uma professora pode manter um debate aberto sobre a homossexualidade numa sala de aulas em que estão presentes filhos adoptivos de homossexuais? Como é que se pode discutir os méritos e deméritos deste estilo de vida* sem magoar os sentimentos ou traumatizar os filhos dos homossexuais?"
    Méritos e deméritos?
    Sendo nós Católicos, como podemos julgar os outros?
    Desde quando um professor debate numa sala de aulas os méritos deméritos da orientação sexual?
    Acho sinceramente que o tema da adopção de crianças por homossexuais está a levar em conta não o interesse supremo da criança, mas sim do adulto que se arroga um direito.
    Não me venham com o argumento de que há muitas crianças institucionalizadas a precisarem de famílias, porque o problema não reside na falta de candidatos, mas sim na imbecilidade da nossa justiça que, por falta de preparação ou por se achar uma entidade acima de qualquer interesse da criança, as deixa plantadas em instituições sem terem a possibilidade de encontrarem um projecto de vida que merecem.
    O tempo médio de espera nas candidaturas para adopção, varia entre os 3,5 anos e os 6 anos.
    Certamente não é por falta de candidatos à adopção. Eles existem, esperam e desesperam!
    Maria Sousa

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  2. Olá Maria,
    Repare que eu escrevi estilo de vida e não orientação. Aquela é uma escolha, esta não. Se ler a nota correspondente ao asterisco penso que isso fica claro.
    Obrigado pelo comentário.
    Filipe

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  3. "A liberdade de uns termina onde começa a dos outros"... não sei quem escreveu esta frase, mas penso que se aplica a esta questão a 100%!

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  4. "Não tardará o dia em que uma pessoa que acredite, seja pelo senso comum, seja por convicção assente nas suas crenças religiosas, que a homossexualidade não é um estilo de vida normal nem desejável, se verá impedida de ocupar certos cargos públicos"

    Ainda be que levanta esta questão. Gostava de dizer que votaria SIM num referendo sobre essa matéria, impedindo que pessoas como o autor deste blog desrespeitassem o carácter igualitário anti-descriminatório da Constituição da República Portuguesa, que conforme sabe é um Estado laico.

    Dizer "por senso comum".. Só se for na sua paróquia.

    Cumprimentos

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  5. Muito obrigado André por este seu comentário tão ilustrativo daquilo para o qual alerto no meu post.
    Da minha parte, fique descansado que nunca faria nada para limitar a sua liberdade de expressão e de poder trabalhar onde bem entender. Enfim, coisas de fundamentalista retrógrado certamente.
    Saudações

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  6. Coloco então a questão de outra forma, para assumir o mesmo tom:

    Sabendo que os membros da igreja católica mataram mais que provavelmente milhões de pessoas ao longo da história (veja-se a bem da proximidade o massacre levado a cabo pelos dominicanos aos judeus em Lisboa em 1506), presta vassalagem a um deus cujo texto fundamental advoga o assassínio de crentes de outras religiões e homossexuais (extermínio de Sodoma e Gomorra no antigo testamento), sabendo portanto que se trata de uma instituição objectivamente com provas dadas de "fundamentalismo retrógrado", não será então que qualquer "estilo de vida que glorifica e ostenta" esta história de barbárie contra o ser humano constitui uma escolha criticável?

    Cumprimentos

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  7. Nota para os outros leitores...

    Tanto quanto eu sei o André é uma pessoa verdadeira e não uma personagem que eu inventei para justificar a existência de um estereótipo. É que poderia haver dúvidas.

    Obrigado.

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  8. Concordo plenamente com o texto Filipe. Para além de me parecer estar muito claro, acho que foi escrito com todo o respeito pelas pessoas de ambas as partes.

    Acho realmente importante alertar para questões como a que referiu: "Chegará muito rapidamente o dia em que o Cristianismo, sem o qual a noção dos direitos humanos como nós os conhecemos não seria sequer possível, é marginalizado em nome de “direitos humanos” inventados. Em que a civilização ocidental, construída sobre fundações cristãs, se verá ostracizada das sociedades ocidentais." - é isto precisamente que já está acontecer e é, na minha modesta opinião, um grande perigo!

    Tudo começa por pessoas que insultam aqueles que são contra, fazendo da sua imagem algo de monstruoso e cruel para com os outros que só querem ver os seus "direitos" reconhecidos. No entanto, com isto começa a banalizar-se os actos de descriminação daqueles que permanecem contra... Isto hoje sente-se tanto nos jovens que se dizem contra, como no local de trabalho.

    Muito Obrigada por este seu texto. Parece-me que esclarece muito bem os perigos deste tema.

    Susana

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  9. Além de eu ser real tenho cara. Ao contrário de tantos anónimos e outros sem cara que aqui dão a missa aos crentes desta vossa fé que é julgar os outros. E respondo a questões em vez de tentar fazer os outros perder a face. Caro Filipe, a sobranceria de posições que tentam limitar a liberdade dos outros quando as próprias filiações têm telhados de vidro (conforme tem a igreja católica, seus massacres, casos de pedofilia e respectivo deus vingativo) fazem com que quaisquer lições de moral valham.. zero.

    Bem sei que não há ponte entre os nossos pontos de vista. Acho contudo que ao menos podias tirar a cassete dos padres de antigamente e por a do papa Francisco que se dedica a causas mais nobres do que julgar a legitima escolha do estilo de vida dos outros.

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  10. André, um grande Ámen para si!

    O meu Deus não julga, não castiga. É amor, solidariedade, empatia e respeito omnipresentes. Este é o legado de Jesus. Não compreendo a incompatibilidade do Deus descrito com a prática da adopção de crianças por homossexuais. Não sei se quer esclarecer-me, Filipe.

    Obrigado.

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  11. André, o facto de não se esconder atrás do anonimato é de louvar. Agradeço.

    Eu conheço bem os meus telhados de vidro, eles ajudam-me a definir a minha posição e a colocar os meus argumentos de forma a tentar não ofender ninguém.

    A questão da limitação das liberdades dos outros é ilustrativa. Recordas o que escreveste no primeiro comentário? É que o futuro é esse. Falemos então de liberdades limitadas...

    Por fim, quando falas na cassete do Papa Francisco, estás-te a referir à mesma pessoa que escreveu esta carta às carmelitas de Buenos Aires quando se discutia a legalização do "casamento" entre homossexuais na Argentina?

    I write this letter to each one of you in the four Monasteries of Buenos Aires. The Argentine people must face, in the next few weeks, a situation whose result may gravely harm the family. It is the bill on matrimony of persons of the same sex.

    The identity of the family, and its survival, are in jeopardy here: father, mother, and children. The life of so many children who will be discriminated beforehand due to the lack of human maturity that God willed them to have with a father and a mother is in jeopardy. A clear rejection of the law of God, engraved in our hearts, is in jeopardy.

    I recall words of Saint Thérèse when she speaks of the infirmity of her childhood. She says that the envy of the Devil tried to extort her family after her older sister joined the Carmel. Here, the envy of the Devil, through which sin entered the world, is also present, and deceitfully intends to destroy the image of God: man and woman, who receive the mandate to grow, multiply, and conquer the earth. Let us not be naive: it is not a simple political struggle; it is an intention [which is] destructive of the plan of God. It is not a mere legislative project (this is a mere instrument), but rather a "move" of the father of lies who wishes to confuse and deceive the children of God.

    Cumprimentos

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  12. "Não compreendo a incompatibilidade do Deus descrito com a prática da adopção de crianças por homossexuais. Não sei se quer esclarecer-me, Filipe."

    No Reino Unido, antes da legalização da adopção por homossexuais havia cerca de 18 agências de adopção ligadas à Igreja Católica. Sabe quantas existem hoje? 0. Foram forçadas a fechar porque o Estado não lhes dava o direito à objecção de consciência nesta matéria. A história repete-se em todo o mundo e há-de chegar cá também. São provas indicativas do "amor, empatia e respeito omnipresente" dos arautos do admirável mundo novo pela liberdade religiosa e de consciência dos seus adversários.

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  13. Caro Filipe:
    Gostei muito de o ler e concordo com os seus pontos de vista. É importante lembrar as pessoas de que os promotores desta co-adoção, querem mais do que isto e têm uma «agenda» que é a de modificar a Família tal como a conhecemos. Ficaremos todos a perder caso consigam. Muito obrigado, Vasco d'Avillez

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  14. Um «casal» de um homem e de uma mulher não é igual a um par de homens ou de mulheres, se ao casamento dermos o sentido que teve desde sempre: vida íntima de duas pessoas para gerar. Outra coisa são relações sexuais e relações de amor, que até podem existir em muitas outras combinações de pessoas e até de animais. Se a dignidade fosse o argumento nesta questão, então não poderíamos admitir diferenças nenhumas entre pessoas, para qualqiuer efeito que fosse, uma vez que a dignidade é semºre igual, o que seria ridículo. E, por favor, não invoquem o título de «católica» para dar opinião.

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  15. Caro Filipe,

    (peço desculpa mas estendeu-se e tive de repartir)

    Deixa-me em primeiro lugar louvar-te por tentares manter o debate o mais civilizado possível. Infelizmente existe muitos que de ambos os lados resumem o tema a "a minha opinião deveria ser imposta sobre a tua independentemente do que dizes apenas porque eu acredito que as minhas crenças são correctas". Aqui tentas evitar isso e por isso dou-te os parabéns.

    Mas queria chamar a atenção de algumas falhas que acredito haver no teu raciocínio, sem ajuizar ou defender alguma posição. Se calhar vais achar que estou a dizer-lo para defender uma ou outra posição pelo que vou dizer, mas eu não o acho, e até diria que colocava as mesmas críticas (construtivas) se defendia uma ou outra posição.

    Chamo-te a atenção para as seguintes afirmações que fazes: (espero que assim possas melhorar a tua posição, pelo menos na minha opinião):

    1. "Mas também não tenho dúvidas de que o objectivo desta campanha a favor da co-adopção ou adopção é de mudar a sociedade". Não percebo esta afirmação. Todas as discussões politicas tem impacto sobre a sociedade e a mudam (até não políticas). A existência da mudança é algo desejável sendo que o que se pode discutir é se é positiva ou é negativa. Mas acontece sempre, e é sempre visível. Daí não perceber o porque desta afirmação e acho que a sua existência cria confusão, pois só posso achar que é uma de 3 opções: a) Estás simplesmente a dizer o óbvio, e o efeito é negativo para o teu discurso pela confusão que cria dizer o óbvio, pois faz parecer que o óbvio é tão discutível como o que não é. Porque razão fazes esta afirmação e não fazes outras óbvias como "não tenho dúvidas que nem todos no país serão afectados negativamente ou positivamente"? b) És contra a mudança per si e achas que tudo deve ficar sempre igual e que nada deve ser questionado ou não deve haver espaço a novas propostas c) Acreditas que existem propostas de alteração de leis que não têm impacto na alteração da sociedade (ou seja, que é legalizar algo que já existe, sendo que se já existe e é aceite então não muda nada, e não mudando nem faz sentido discutir pois é por em papel o que já existe e é aceite)

    2. "A geração de vida é inerente ao casamento e à constituição de família" É falso, a geração de vida não pertence ao casamento. É possível gerar vida sem casamento, sempre o foi e sempre o será. A Natureza como foi criada não criou condições de existir casamento antes do ser gerar vida. Gerava-se vida antes da criação por parte do homem do conceito de casamento. Nem sequer é pertencente à constituição de família. Pelas mesma razões, porque nem toda a vida gerada cria uma família. (podes dizer infelizmente, mas não uma coisa apenas gera a outra por decisão dos participantes, ou por imposição sobre os mesmos). E o inverso também é falso. O Casamento ou a constituição da família não implica a geração de vida. Nem é o seu objectivo na sociedade (senão estaríamos a dissolver casamentos que não dessem em geração de vida, e parece-me que isso já não acontece desde a idade média). O Casamento e a geração de vida são na verdade actos separados na sociedade. Um não implica o outro, um não necessita do outro. (podes me dizer em termos da religião ou fé que cada um segue, mas as leis do país não seguem nem devem seguir as mesmas tal como decidido na constituição).

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    1. 3. " a adopção é uma solução para quem não o pode fazer de forma natural ou para quem, por mera generosidade, quer dar um lar e uma família a uma criança institucionalizada" A adopção não é uma solução apenas para quem não consegue gerar vida nem apenas para crianças institucionalizadas. Existem casais que conseguem ter filhos e adoptam crianças que não estão institucionalizadas. A adopção é mais do que isso (aqui estou talvez a ser demasiado específico nas palavras, mas creio ser importante, pois esta altura do teu texto estás a criar definições que usas à frente). Talvez consigas ser mais claro do que eu quando repensares, mas eu descreveria a adopção como "uma solução para quem quer fornecer a uma criança um lar e uma família que não tem ou melhor que a que actualmente tem". Preferia até descrever o tema do ponto de vista da criança, que me parece mais justo, algo como "uma solução para uma criança que lhe permite ter um lar e uma família que não tem ou melhor que a sua situação actual"

      4. "Daí que este seja de facto o passo lógico a dar depois da legalização do “casamento” homossexual, o que revela como foram ingénuos os que acreditaram que naquele debate apenas estava em causa a vida íntima de duas pessoas maiores de idade e que mais ninguém seria afectada." Esta frase está na verdade fora do contexto a discutir. Acabas por chamar a atenção de que algumas pessoas são ingénuas sobre outro tema paralelo, mas que nada tem a haver com este assunto específico. Deixa-me dizer que neste ponto acabas por irreversivelmente afastar muitos da tua discussão porque passa a mensagem que queres discutir não apenas a co-adopção mas toda a homossexualidade.

      5. Alem do qual é contraditória com o parágrafo seguinte "É que quando as crianças passam a estar à mistura, torna-se praticamente impossível conduzir um debate normal que não misture as tais duas vertentes de que falei no início do texto.". Portanto afirmas que são ingénuos os que acreditam que dá para discutir o casamento homossexual sem a co-adopção e adopção porque é lógico um e o outro, mas que é impossível discutir um debate normal pois estão as crianças à mistura. Tiro duas conclusões: a) Achas que discutir o casamento homossexual normalmente é impossível pois está associado à co-adopção e às crianças. b) Achas que discussões com crianças à mistura não é posssível ser normais (como esta que fazes e parece-me que o consegues de um modo normal) c) Achas que temas que estão ligados só podem ser discutidos como um todo, e não em separado. Acho que estás errado em todas as partes. Uma provas tu, ao ter uma discussão de um tema que envolve crianças de maneira "normal". Outras que o casamento homossexual pode estar separado da co-adopção, pois foi exactamente isso que aconteceu. Todas as discussões têm lógica, surgem de algo, de uma discussão anterior. Faz parte do raciocínio. A discussão do casamento homossexual não estava em causa a adopção, pois essa não se alterou. Se estivesse, tinha alterado. Nessa lógica apenas poderíamos defender revisões constitucionais, pois qualquer tema poderia dar origem a outros mais à frente.

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    2. 6. "Como é que uma professora pode manter um debate aberto sobre a homossexualidade numa sala de aulas em que estão presentes filhos adoptivos de homossexuais? Como é que se pode discutir os méritos e deméritos deste estilo de vida* sem magoar os sentimentos ou traumatizar os filhos dos homossexuais?"
      Além dos comentários anteriores, Parece que aqui estás apenas a chamar ao alarmismo e pouco mais. Discute-se e debate-se da mesma maneira que se faz sobre os méritos e deméritos do casamento e do divórcio, onde não me parece magoar os sentimentos ou traumatizar os filhos dos casados ou divorciados (ou adoptados, ou o homem, ou a mulher, ou ser católico, ou acreditar num ser superior ou qualquer outro "estilo de vida" da sociedade.) A não ser que estejas a dizer que a discussão sobre a homossexualidade como se esta fosse uma escolha de estilo de vida. Como quem escolhe viver com crédito habitação ou arrendar uma casa. Se é isso que queres dizer então não me parece que quem queira discutir isso deveria estar numa sala de aulas não vá querer discutir o estilo de vida da evolução e origem de espécies. É possível falar sobre coisas sem ofender ou traumatizar, desde que não se insulte, ou se engane ensinado algo que não é verdade.

      7. "E como vão crescer essas crianças? Previsivelmente vão considerar a homossexualidade e a sua prática uma coisa perfeitamente natural, tal como os seus amigos mais próximos." Dizes portanto que é algo anormal? Uma deficiência talvez? Creio que em Portugal a sociedade e a lei consideram a homossexualidade algo perfeitamente normal. Portanto esta pergunta parece-me que ou não sabes o que se passa ou achas que as crianças devem considerar a homossexualidade algo anormal. Talvez devias defender é que isso seja ensinado às crianças, pois se achas isso parece-me bastante mais crítico que o tema da co-adopção. E não estavas a discutir a co-adopção? Como é que a co-adopção vai alterar o facto de a homossexualidade já ser ensinada nas escolas que é normal, que há crianças que crescem em famílias com homossexuais. Elas crescem já a achar a homossexualidade normal, Esta pergunta faz parecer que é agora que vai tudo mudar. Acho que engana e é apenas alarmista para aqueles que erradamente acham que as crianças hoje em dia ainda acham e são ensinadas que a homossexualidade não é normal. Fica bastante mal aqui dado os princípios que declaras no inicio do post.

      8. "Não estou a dizer que todas as crianças de homossexuais vão crescer deturpadas" Aqui a palavra "todas" acho bastante mal. Porque? porque fica implícito que o que estás a dizer que não são todas, mas são as outras hipóteses que não todas (algumas, metade, quase todas). Simplesmente não há dados como dizes para sequer afirmar que as crianças de homossexuais crescem mais deturpadas que crianças de não homossexuais. Esta frase fica muito melhor se simplesmente tirares a palavra "todas". Assim não quantificas apenas o 100% que é estranho quantificares apenas o todas, mesmo que seja sem querer, pois para que especificar todas se não for para querer dizer exactamente isso. (se calhar estás a querer dizer isso, que algumas crianças de homossexuais crescem mais deturpadas que de não deturpadas, e não me parece que tenhas fundamentos para isso. E nota que uso o termo que usaste "deturpadas" com todo o significado e carga que tem)

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    3. 9. "Parece-me evidente que quem cresce num ambiente em que as figuraspaternas são duas pessoas do mesmo sexo fica imediatamente em desvantagemperante os seus pares que têm um pai e uma mãe.". Não querendo discutir este tema, que é capaz de ser verdade, parece-me que este não é o tema. Não está em discussão se deve-se retirar crianças de pais de sexo diferente e as colocar noutra situação. Nem sequer a adopção, ou sequer se esta deve ser prioritariamente para famílias de casais de sexo diferente antes de casais do mesmo sexo. A discussão é se uma criança, que hoje vive com um casal homossexual, que é filha legal de um deles (e não de mais ninguém fora do casal), tem o direito de ser adoptada pelo outro. Portanto, o facto de filhos de casais de sexo diferente estarem em vantagem não tem nada a haver, pois não existe essa hipótese. A não ser que se ache que uma criança, filha de um dos membros de um casal homossexual, em vez de ser adoptada pelo outro membro, deve ser adoptada por um terceiro que não pertence ao casal mas é de sexo diferente. A mim parece-me óbvio que forçar esta ultima situação é pior (se calhar estou a ser óbvio, mas apenas quero tentar entender o porque da referência aos casais de pais de sexo diferente). A única discussão possível, é se uma criança, filha de um dos membros de um casal homossexual, é prejudicada em ser adoptada pelo outro, ou por outro lado é beneficiada.

      10. Vou repetir o ponto acima, pois aparece varias vezes. Trazer à discussão a vantagem ou desvantagem de uma criança ter dois pais de sexo diferente vs. do mesmo sexo, não tem nada a haver com o tema pois não é alternativa. A questão em discussão é apenas e unicamente; "criança de um casal apenas filha legal de um vs. filha legal dos dois do mesmo sexo". Poderás insistir que o tema também mete a adopção (que eu continuo a achar que podem ser discutidos em separado, o facto de um ser relacionado com o outro, não implica que se tenha de discutir ou legislar em conjunto), mas mesmo assim a discussão é "criança de um casal apenas filha legal de um ou institucionalizada vs. filha legal dos dois do mesmo sexo". Meter a discussão sobre vantagem de pais de sexo diferente é distrair, ou pior se for conscientemente, enganar os outros, pois não existe essa alternativa. Para mim pessoalmente (e creio para muita gente) trazer a vantagem de pais de sexo diferente à discussão é como estar a discutir se os pobre e sem abrigo devem ser apoiados e vir dizer que ser rico é melhor do que ser pobre e sem abrigo.

      11. "Mas o exemplo de outros países onde este debate já ocorreu mostra que o avanço desta causa só se consegue à custa da marginalização de quem pensa de maneira diferente" Quais exemplos? Onde existe um país onde a partir do momento onde há a normalização da homossexualidade quem pensa de maneira diferente é marginalizado? E marginalizado como? Têm menos direitos? Ganham menos? Perdem empregos? E quem diz que isso é por causa e à custa disso? Existem países onde a homossexualidade é mais aceite que não se vê nenhuma marginalização. (ex. Islândia). Não sei se sou eu que não conheço os vários exemplos de países onde existe marginalização de pessoas que pensam de maneira diferente por causa da normalização social da homossexualidade. Estaria eu, e muitos outros em conhecer esses casos.

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  16. 12. E por fim chega-se ao cerne do que parece quereres discutir, que me parece muito muito longe da discussão normal da co-adopção. (e a mim parece que no fim do artigo descambaste). Digo isto porque deixas sequer de falar na co-adopção e já só referes a "normalização" social da homossexualidade e se é um estilo de vida normal e desejável. E este é o tema que te preocupa. Que sejas marginalizado e afastado de cargos públicos e de ter liberdade de expressão porque achas que o estilo de vida homossexual não e normal e desejável. Pessoalmente acho que depende. Queres ensinar numa escola pública que a homosexualidade não é normal? Claro que não, Tal como se quiseres ensinar num cargo público que Jesus é filho do senhor. Essa marginalização já existe. Porque? Porque há uma sociedade, e um consenso, e esse consenso, feito maioritariamente por pessoas de fé cristã, acredita que o melhor é não permitir que o estado ensine uma religião como única verdadeira, deixando para cada um a liberdade de pensar como quer. Quanto ao resto não há razão nenhuma para pensar que assim será. Continuas a ter direito de ir para a praça pública dizer isso, como todos têm liberdade de expressão de exprimir opiniões por enganadas que sejam (até há partidos legais que o fazem!). "porque se essa ideia se tornar norma, então imediatamente todas as principais religiões e todas as pessoas que pensam de maneira diferente serão vistas como obstáculos à realização dos direitos humanos dos outros" Isto é uma fantasia, um medo imaginado que não tem fundamento nenhum. O Cristianismo já foi marginalizado em exactamente igual modo (eu até diria mais ainda) que a normalização do estilo de vida homossexual. E o edifício continua de pé. Porque? Porque não se acabaram com as fundações, que são os princípios que vieram com a própria religião cristã. O que se fez foi deixar de deixar que o arquitecto decida e obriga como se mora no prédio e quem pode lá morar, e muitas outras decisões. Mesmo que este e a sua família ainda lá more.

    A suposta marginalização de quem pensa diferente é um mito. Já o é na nossa constituição há muito tempo, aqui em Portugal. E não criou a marginalização de quem pensa diferente, nem vai por mais "normal" que seja a homossexualidade na sociedade.

    Portanto a razão que parece passar, que a co-adopção é um problema pois pode te marginalizar, não existe.
    ("Chegará muito rapidamente o dia em que o Cristianismo, sem o qual a noção dos direitos humanos como nós os conhecemos não seria sequer possível, é marginalizado")

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    1. Creio ainda haver espaço para uma discussão sobre a co-adopção e adopção no âmbito de se é ou não desejável que uma criança que tenha apenas um pai numa família de mesmo sexo seja filha legal do outro pai. E acho que deverias tentar novamente em escrever esse artigo. Mas não creio ser este pelas várias razões que aponto acima.
      É com muito interesse que aguardo um novo artigo, de preferência que não fale em alternativas e comparações que não se aplicam aos casos que se querem legislar (vantagem de pais de mesmo sexo), ou de potenciais possíveis marginalizações e restrições de liberdade de expressão e pensamento que poderão vir a acontecer num futuro mítico, mas que nunca aconteceram nem noutros países nem em temas semelhantes em Portugal.
      (nem por favor que refiram os problemas que já existem em casos de adopção por casais do mesmo sexo, como o divorcio ou morte do progenitor, ou filhos de múltiplos pais adoptivos, que por alguma razão haja quem queira fazer parecer que não existem já há muitos anos e não haja resolução para os mesmos)

      Digo isto porque gostava mesmo de me informar e formar uma opinião minha sobre o assunto, mas que seja relevante

      ps 2: Não entendo a correcção que fazes no fim e não me parece que faça significado no texto. Por exemplo no fim quando dizes "que a homossexualidade não é um estilo de vida normal nem desejável" queres dizer que "que a homosexualidade num estilo de vida que a glorifica e ostenta nem é normal nem desejável"? Mas e se não for com glorificação e ostentação? Aí já é normal e desejável? Não me parece que a co-adopção tenha algo a haver com estilo de vida de glorificação e ostentação de homossexualidade. Honestamente não acho que tenha ajudado a tua clarificação pois discutir a glorificação e ostentação parece que nada tem a haver com a lei, ou a co-adopção, ou a vantagem ou desvantagem da mesma, ou com os direitos humanos ou não. Vou ser honesto e acho que não estás a discutir "a glorificação ou ostentação" mas sim "a homossexualidade como estilo de vida e se é ou não normal e desejável existir". Todo o texto perde bastante sentido se cada vez que se ler estilo de vida, passar a ler estilo de vida de glorificação e ostentação, parece-me que estás a adaptar depois o que querias dizer. Se calhar estou enganado, mas é o que me parece. Ex. "Como é que se pode discutir os méritos e deméritos do estilo de vida de ostentação e glorificação dos homossexuais sem magoar os sentimentos ou traumatizar os filhos dos homossexuais?" Esta frase por exemplo deixa de fazer sentido. Porque hão dos filhos de homossexuais ter problemas em discutir a glorificação dos homossexuais? Existe algum problema em discutir os méritos e demeritos da glorificação de qualquer orientação sexual sem que as pessoas fiquem ofendidas? Não podemos perfeitamente discutir os méritos e deméritos da glorificação da heterossexualidade sem ficares ofendido ou traumatizado? Por isso não sei se entendo a clarificação.

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  17. Epá…
    Deixa-me lá ver se consigo responder a isto tudo o mais sinteticamente possível.

    1. A nossa sociedade não nasceu num vazio, nasceu com bases que são, entre outras, uma herança cristã. Quando falo em mudar a sociedade não falo em mudanças estéticas mas numa mudança radical, arrancando essas fundações para criar algo inteiramente novo.

    2. Eu não disse que era preciso o casamento para gerar vida, disse que o casamento (uma instituição que antecede as leis nacionais) serve para gerar vida e proteger a vida gerada. Isso não quer dizer que os casamentos que, por infelicidade, não geram vida sejam nulos, mas quem casa sem intenção de ter filhos está a defraudar o conceito natural de casamento.

    3. Sim, a adopção é tudo isso também. Nada contra.

    4. Pelo contrário, é muito relevante. Todo o meu artigo aponta para as consequências inevitáveis desta lei, tal como ela é uma consequência inevitável de outra anterior, apesar de na altura nos terem tentado enganar e dar a entender que não.

    5. Não é isso que estou a dizer. Claro que é possível discutir assuntos que envolvem crianças. Mas neste caso, a partir do momento em que isso deixar de ser teórico e passar a existir na prática, qualquer tentativa de criticar ou de anular a lei será interpretada como um ataque às crianças que já vivem nessa situação, com efeitos possivelmente traumáticos etc. Era isso que queria dizer, a questão prática e não teórica.

    ...

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  18. 6. Na verdade a minha preocupação vai para além dessa, talvez devesse ter sido mais claro. O que eu temo é que quem acredita que o casamento e a adopção por homossexuais são coisas nocivas para a sociedade seja impedido de dar aulas no sistema público ponto final, por não lhe ser reconhecido o direito a objecção de consciência quando tiver de ensinar que uma família pode ser constituída por “dois pais” ou “duas mães”.
    7. “Creio que em Portugal a sociedade e a lei consideram a homossexualidade algo perfeitamente normal”. Crês mal. É precisamente isso. A sociedade não pensa isso e eu, já que perguntas, também não. Considero que a homossexualidade é um desvio da orientação sexual normal, que é a heterossexualidade. Não quer dizer que os homossexuais sejam menos dignos que os heterossexuais, nem que devam ser apedrejados. Acho, aliás, que é mau para a sociedade que seja ensinado a quem quer que seja, que a homossexualidade é uma coisa normal e perfeitamente aceitável. Reconheço que há uma campanha em curso nesse sentido e acredito firmemente que essa campanha só se dará por concluída quando a voz de quem pensa de forma diferente for finalmente silenciada na praça pública. Esse é precisamente o objectivo do meu texto.
    8. Aceito.
    9. “A discussão é se uma criança, que hoje vive com um casal homossexual, que é filha legal de um deles (e não de mais ninguém fora do casal), tem o direito de ser adoptada pelo outro”. Precisamente, essa não é a discussão. Essa é a brecha que se procura abrir para fazer entrar a adopção plena. Mais uma vez, é esse o meu ponto. Este tema não vem isolado, vem na consequência de outros e terá consequências futuras.
    10. Idem
    11. Reino Unido: Depois da legalização da adopção por crianças homossexuais, todas as agências de adopção católicas (cerca de 20) foram forçadas a fechar uma vez que o Estado não aceitou que elas recusassem colocar crianças com homossexuais, de acordo com as suas consciências. Também no Reino Unido, pelo menos um casal de acolhimento, que já tinha cuidado de várias crianças, foi descartada pela segurança social porque se soube que, sendo cristãos, discordavam da prática homossexual. França, agora sobre o casamento, presidentes de câmara ameaçados com penas de prisão por não aceitarem “casar” homossexuais; Suécia – pastor evangélico preso por dizer, numa homilia e na sua igreja, que a prática da homossexualidade é uma coisa má… chega?
    12. Assentas o resto dos teus comentários nesta ideia: “A suposta marginalização de quem pensa diferente é um mito”, o que penso ter provado, no anterior ponto, não ser verdade. É, de facto, isso que me preocupa.

    Muito obrigado pelos comentários.
    Abraço!
    Filipe

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  19. respeitemos uns aos outros. não aceitemos as opiniões, ok, mas respeitemos. deixemos de imposições das nossas ideias nos outros. só estamos bem se os outros estiverem de acordo com as nossas opiniões?
    respeitemos uns aos outros.
    como existe liberdade neste país, tenho a liberdade/escolha de poder comentar como anónimo, certo?
    obrigado.

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  20. http://www.youtube.com/watch?v=vw8r8h46r1s

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  21. Caro Filipe,

    Sendo católico continuo sem compreender como a homossexualidade (orientação sexual), sendo algo com que se nasce, e que deriva portanto da intenção de Deus, pode ser sequer considerado errado por nós simples leitores de um livro com 2000 anos (que nem centro é da nossa fé).

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  22. Olá meu caro. Obrigado pelo comentário.
    Em relação ao que escreve, contesto esta afirmação: "sendo algo com que se nasce, e que deriva portanto da intenção de Deus"

    Não há qualquer indicação de que assim seja. Não só não é claro que se nasça homossexual, como se for provado que sim nalguns casos (o que, repito, não aconteceu até agora) isso não implica que seja essa a explicação para todos os casos de homossexualidade.

    Por fim, a sua afirmação depende da premissa de que todas as coisas com que nascemos são vontade de Deus, o que também me parece manifestamente falso. Foi vontade de Deus que o filho dos meus amigos nascesse com uma deficiência profunda? Não creio. Deus permite-nos retirar o bem de todas as situações, mesmo as difíceis. Mas isso não significa que as situações difíceis sejam vontade de Deus.

    E com este último ponto, para que fique claro, não estou a comparar a homossexualidade com uma deficiência profunda, mas sim a usar um exemplo extremo para demonstrar como nem tudo o que acontece, antes ou depois de nascermos, é necessariamente vontade de Deus.

    Cumprimentos!
    Filipe

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