quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Make kids, not strikes!

A caminho de Portugal para ver como se reduz a fertilidade
Este blogue existe para dar destaque a assuntos religiosos e analisar a forma como se interligam com a actualidade nacional e internacional.

Há coisas que são explicitamente religiosas, mas há outras que não sendo explícitas mexem com tantos valores religiosos que também precisam de ser vistas e analisadas. Tudo o que diz respeito ao “inverno demográfico” entra nessa categoria. A fertilidade e o facto de em Portugal nascerem tão poucas crianças que a própria existência do país está ameaçada a médio prazo, não terá directamente a ver com religião, mas tem certamente a ver com um choque de valores que tem importantes implicações religiosas.

É por isso que a Igreja Católica fala tantas vezes do problema. Uma sociedade que rejeita Deus acaba, progressivamente, por rejeitar a própria vida. Num mundo onde a religião é letra morta, o meu conforto passa facilmente a ser o único bem que urge preservar e por consequência encaro os meus filhos (sobretudo quando ainda não os tenho), como uma mera extensão da minha auto-realização, a realização de mais um projecto de vida.

A visão religiosa da vida é diametralmente oposta a isto e penso que posso generalizar no que diz respeito às religiões, isto não é apenas uma questão católica. Os filhos não são “nossos”, são-nos confiados. Através da paternidade tornamo-nos co-responsáveis da criação de Deus. É uma missão da maior dignidade e importância.

Temos consciência e temos razão. Temos também formas de controlar os nascimentos, sejam artificiais ou naturais, ao nosso dispor. Podemos por isso decidir, na medida do possível, quantos filhos queremos ou podemos ter. Mas com que critérios optamos? A sociedade encoraja-nos a usar como bitola o conforto, não só o nosso mas o dos filhos também. Poderemos dar-lhes tudo o que precisam? A fé encoraja-nos a usar a bitola da generosidade e a perceber que se calhar aquilo de que os nossos filhos “precisam” não seja exactamente o que a sociedade considera importante. Uma criança ganha mais com uma consola do que com um mano? Duvido.

Num almoço ouvi recentemente um comentário que me pareceu certeiro. Vemos tantas pessoas nas manifestações, ainda hoje mais milhares, todos a reivindicar os seus direitos. Todos pedem maiores compromissos, do Estado, das entidades patronais. Exigem-se contratos laborais que são, sem exagero, mais difíceis de romper que os casamentos.

Mas nas suas vidas pessoais que fazem estas pessoas? Põem em prática essa lógica do compromisso? Casam-se? Têm filhos? Está à vista que não.

É claro que deve haver muitos exemplos de bons pais de famílias numerosas que são ateus e também participam em manifestações. Ainda bem que existem! Mas a tendência não é essa, os números não mentem. Só na Bósnia, actualmente, é que nascem menos crianças por mulher do que em Portugal.

A este ritmo bem podem fazer as greves e manifestações todas agora, porque quando chegar a vez dos nossos filhos não vai haver mais Estado social para preservar.

Filipe d’Avillez

5 comentários:

  1. Os comentários aqui apresentados pecam pela sua superficialidae e falta de rigor, como, infelizmente, se vai tornando hábito aqui.

    A questão da natalidade, situação concreta da vida e dos modelos familiares,a partir de visões necessariamente plurais, mesmo entre os católicos, bem como o debate sobre a legitimidade moral do acesso dos mesmos à contraceção - praticada mas não assumida pela sua generalidade - é um debate que não tem sido seriamente feito, muito por culpa de algumas posições intransigentes da hierarquia católica, que assim contribui diretamente para a perda de relevância cultural do cristianismo.
    Um pormenor: acerca da facilidade ou dificuldade de despedimentos, basta ver o que está a acontecer com alguns respeitados jornalistas portugueses. Oxalá nunca tenha que se confrontar pessoalmente com essa realidade que é o despedimento -fácil - e o desemprego prolongado.
    Antes de se escrever, deve-se refletir.

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  2. Meu caro, fantástico como consegue transformar esta frase: "Num almoço ouvi recentemente um comentário que me pareceu certeiro. Vemos tantas pessoas nas manifestações, ainda hoje mais milhares, todos a reivindicar os seus direitos. Todos pedem maiores compromissos, do Estado, das entidades patronais. Exigem-se contratos laborais que são, sem exagero, mais difíceis de romper que os casamentos. Mas nas suas vidas pessoais que fazem estas pessoas? Põem em prática essa lógica do compromisso? Casam-se? Têm filhos? Está à vista que não."

    Numa defesa do despedimento fácil.

    Se acha que sou a favor do despedimento fácil ou de ver colegas respeitados, e amigos, a serem despedidos, então não me admira que veja nos meus comentários superficialidade e falta de rigor, sobretudo porque está a ver neles coisas que não constam.

    Tudo o que pretendo dizer é que o facto de as pessoas não se comprometerem com o casamento nem em ter filhos é uma tragédia para este país, uma tragédia bem maior que os empregos precários.
    Cumprimentos,
    Filipe

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  3. "Exigem-se contratos laborais que são, sem exagero, mais difíceis de romper que os casamentos." Será?

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  4. Aqui reconheço que me tenha faltado claridade. A crítica é à facilidade com que se rompem casamentos, do ponto de vista legal, e não à lei laboral. Eu não sou a pessoa certa, nem este é o local certo, para discutir as questões laborais.
    Agora, com a facilitação que se fez ao divórcio no Governo Sócrates, não tenho dúvida que o Casamento, enquanto contrato civil, passou a ser mais fácil de romper que um contrato laboral. Estou enganado?

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