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Thursday, 6 April 2023

A Fé na linha da frente na Ucrânia - Reportagens de José Pedro Frazão

O meu bom amigo e colega dos tempos da Renascença tem estado na Ucrânia, onde fez uma série de reportagens sobre a fé vivida na linha da frente. 

Mandou-me algumas destas reportagens há várias semanas, mas foi no auge do caso dos abusos, e por isso não lhes pude ler nem dar a atenção que merecem. Agora publicou mais algumas.

Agora junto-os aqui para poderem ler. Leiam mesmo, nem que seja um por dia, durante estes dias do Tríduo Pascal. E rezem por estas pessoas que estão a viver uma Via Sacra que dura há vários anos, mas com maior intensidade desde Fevereiro do ano passado. 

E que Deus lhes dê a sua paz. 

A última missão do padre Viktor em Bakhmut - O testemunho de um padre católico de rito latino que já esteve preso por forças pró-russas e que é o pároco da cidade que tem acolhido as piores batalhas dos últimos meses no Leste da Ucrânia. 

Conheçam o Serguii, sacristão da Igreja Católica de rito latino em Kherson, que não tem medo das bombas. "Pego no meu terço e vou onde tenho de ir". 

E leiam aqui as palavras de um bispo ucraniano católico que fala da importância de não deixar que o ódio tome conta dos corações dos fiéis.

Aqui podem ler uma entrevista com um conselheiro do Presidente Zelensky, que explica que a Ucrânia conta muito com a "sabedoria" do Papa Francisco neste conflito. 

Zhaporizhzhia tem uma imagem de Nossa Senhora de Fátima e um receio, de tornar-se uma nova Mariupol.

Kharkiv, onde o pão se reparte no intervalo das bombas.

Guerra não se resolve apenas com perdão, e não será fácil para nós nem para os russos. Entrevista com o responsável da Cáritas na Ucrânia

Wednesday, 24 November 2021

Missões Várias

As bravas mulheres religiosas da rede Talitha Kum, contra o tráfico humano, vão lançar amanhã uma campanha para alertar para o risco acrescido deste problema com o aumento da pobreza. Saiba mais sobre esta missão aqui.

Com a aproximação do Natal a Fundação Fé e Cooperação também volta à campanha dos Presentes Solidários. É outra forma de missão.

E por falar em solidariedade, os cristãos de Belém, na Terra Santa, têm alguns artigos de artesanato à venda em Lisboa. Os próprios não conseguiram vir cá vender este ano, mas o material estava armazenado e cada peça comprada é uma ajuda na grande missão de manter a fé em Cristo viva na terra onde Ele nasceu. Vejam mais informações no cartaz.

Desafio-vos a ler a entrevista desta semana da Renascença e da Ecclesia ao responsável pela Missão País, talvez um dos melhores exemplos de nova evangelização que existe na actualidade!

A sua família é numerosa? A do David Bonagura é e ele refere neste artigo do The Catholic Thing algumas das bocas e preconceitos de que tem sido alvo ao longo destes anos. Devo admitir que a minha experiência tem sido mais positiva, embora também tenha algumas histórias para contar. Aproveitem para partilhar as vossas histórias e experiências nos comentários.

Saturday, 16 October 2021

Transfusões de sangue e liberdades diluídas

A Renascença transmitiu este sábado uma edição interessantíssima do Em Nome da Lei, programa da minha colega Marina Pimentel, dedicado ao tema do jovem de 16 anos com leucemia que recusa transfusões de sangue, por ser testemunha de Jeová.

Este caso é atual, e saltou para a comunicação social por causa da decisão de um tribunal que aceita a possibilidade de o menor decidir, caso se faça prova da sua maturidade. Porém, o dilema ético/moral/legal das testemunhas de Jeová (TJ) e das transfusões de sangue é já antigo e tem sido muito discutido.

A mim, o caso interessa-me sobretudo da perspetiva da liberdade religiosa e é nesse sentido que faço alguns comentários.

A idade do rapaz – Uma das questões centrais neste caso é a idade do doente. Ninguém duvida que um adulto tem direito a recusar tratamento, ainda que seja tratamento para lhe salvar a vida e mesmo que seja por questões de fé. Mas como agir quando se trata de um menor de idade? Nesses casos normalmente a Justiça intervém para retirar temporariamente a guarda da criança aos pais, permitindo aos médicos intervir. Fica assim o assunto resolvido. Aqui, porém, o tribunal entendeu que o rapaz talvez possa decidir por si, tendo apenas 16 anos, caso demonstre ter maturidade para isso.

Os críticos apontam a discrepância de uma pessoa com 16 anos não ser considerado maduro para poder conduzir, votar, nem beber álcool, mas poder eventualmente decidir em questões de vida ou de morte. É um ponto válido. Mas também é válido referir que a mesma sociedade permite ao jovem de 16 anos ter relações sexuais consensuais, abortar e até “mudar de sexo”, sem o consentimento dos pais. Não se resolve a situação com esta troca de argumentos. A linha que se traça entre a maioridade e a menoridade é sempre subjectiva, e esteja ela onde estiver vai sempre gerar casos complexos.

Pessoalmente, tendo a concordar com a decisão do tribunal, embora não saiba precisamente como é que essa maturidade pode ser aferida.

A liberdade do rapaz – Esta é uma questão verdadeiramente interessante e muito difícil. A decisão de recusa de um tratamento médico tem de ser livre e esclarecida. Alguns participantes no programa – e importa realçar que apesar de convidados e de inicialmente terem aceitado, os TJ acabaram por não se fazer representar – puseram em causa um rapaz nesta situação poder decidir livremente.

Aqui não é tanto a maturidade, mas a pressão social que existe por parte da religião a que pertence. Foi muito interessante o testemunho da enfermeira Carmen Garcia, que viveu de perto o caso de uma rapariga de 21 anos, TJ, que acabou por morrer. Ela explica que enquanto “Sara” esteve internada esteve sempre acompanhada por um ancião dos TJ que nunca saiu do seu lado e que, aos olhos do pessoal no hospital, estava a exercer uma tremenda pressão sobre ela para não aceitar as transfusões. Mais, diz a enfermeira, o doente nessas condições está ainda sujeito à pressão de saber que caso aceite a transfusão será proscrito pela comunidade onde, dada a natureza dos TJ, tendem a estar todos os membros da sua família, amigos, etc.,

Este é certamente um ponto importante a ter em conta.

Outra questão é a de saber até que ponto é que a criança é livre, uma vez que está a decidir com base em preceitos de uma religião que não escolheu, como chegou a ser proposto no programa. Mas esse argumento, para mim, já não colhe. Para isso ninguém é verdadeiramente livre, pois todos somos sujeitos a influências de meios, relações e, sim, sistemas de fé, que não escolhemos.

A liberdade religiosa do rapaz – Esta é uma questão fundamental e foi aqui que achei a argumentação dos participantes do programa mais fracos. É normal, em certa medida, uma vez que não estamos perante especialistas e por isso até entendo que não tenham uma reflexão profunda feita sobre o assunto.

Dito isto, houve uma frase que me chocou, proferido pela Dulce Rocha, actual presidente do Instituto de Apoio à Criança, que a este propósito disse: “Quando se diz o direito à liberdade religiosa é o direito de associação, de professar a sua religião. Não vamos chegar a esse ponto... É o direito de se expressar, do nível religioso, não me parece que seja o direito de decidir sobre a vida e a morte.”

Da liberdade religiosa deles depende a minha

Mas não, a liberdade religiosa não é de todo apenas uma questão de direito de associação e de expressão da nossa fé. A liberdade religiosa existe porque a religião, como a consciência, tem uma importância tão grande para o homem que muitos estão dispostos a morrer antes de violar os preceitos religiosos em que acreditam.

A Dulce Rocha não é obrigada a partilhar dessa visão da religião na vida das pessoas, mas não tem o direito de diluir completamente o conceito de liberdade religiosa.

E porque é que isto é importante? Porque da liberdade religiosa deste rapaz TJ depende a minha e a de todos os outros. Por exemplo, segundo esta visão de Dulce Rocha, a integridade física está acima da liberdade religiosa? Podem, então, os judeus e os muçulmanos circuncidar os seus filhos? É que precisamente com este tipo de argumento já se tentou proibir a circuncisão por motivos religiosos em vários países europeus.

E precisamente porque a liberdade religiosa é um direito humano, e não exclusivo do sistema jurídico português, podemos perguntar como devemos aplicar a visão de Dulce Rocha a uma realidade como o Afeganistão? Se um rapaz de 16 anos no Afeganistão professa o Cristianismo e as autoridades dizem que ele tem de optar entre renunciar à sua fé ou ser executado, devemos concluir que o Estado deve intervir para o obrigar a converter-se para lhe salvar a vida?

Ou se uma rapariga menor de idade engravida e os médicos concluem que a gravidez põe em risco a sua vida, deve ser obrigada a abortar, mesmo contra a sua vontade livremente expressada, para se salvar a sua vida?

É sempre mais fácil decidir quando o que está em causa são os “maluquinhos” dos TJ, que até, pasme-se, rejeitam as transfusões. Mas convém ter bem presente que nós, católicos, somos aos olhos de muitos os “maluquinhos” que acreditam que o pão e o vinho se transformam verdadeiramente em Corpo e Sangue de Cristo durante a Missa e que insistimos que um feto de 10 semanas, de 20 dias ou de 3 horas é vida humana plenamente digna e merecedora de proteção jurídica.

A liberdade religiosa ou é também para os “maluquinhos” ou não existe para ninguém. Pode-se eventualmente argumentar com a necessidade de a confissão religiosa em causa ter representatividade, continuidade histórica, etc., para não termos de levar com toda e qualquer seita que aparece do dia para a noite, mas por esses critérios os TJ têm de ser aceites como uma religião estabelecida.

Quero, por fim, deixar claro que este desabafo sobre este último ponto levantado pela Dulce Rocha não é uma embirração pessoal. Ela faz outros pontos muito interessantes e válidos durante o programa que, repito, deve ser ouvido na íntegra e é muito útil para um debate esclarecido. 

Monday, 5 March 2018

"Ser padre é tão fantástico!"

Em 2009 e 2010, Ano Sacerdotal, fiz uma série de reportagens sobre padres de diferentes áreas pastorais, a que chamei "Vidas Consagradas". Desde essa altura morreram já dois desses padres, o padre Ricardo Neves e o padre Dâmaso, agora em Fevereiro. Na verdade, o padre Saul também morreu, mas no caso dele - o único padre católico casado em Portugal - a entrevista foi precisamente com a mulher dele e a Dª Maria Fernanda ainda está connosco!

Tal como fiz com o padre Ricardo, por ocasião da morte do padre Dâmaso publico agora a transcrição completa da conversa que deu origem à reportagem. Foi uma honra para mim fazer a entrevista, é uma honra poder partilhá-la convosco.


Nasceu na Holanda, sempre quis ser padre?
Eu senti-me muito cedo atraído por Deus, muito cedo. Vivíamos numa casa grande e eu e os meus dois irmãos tínhamos o quarto no segundo andar. Muitas vezes quando era rapaz ia para cima para rezar. A minha mãe ia à minha procura e perguntava o que é que eu estava a fazer e eu respondia que estava a rezar.

Senti-me muito atraído por Deus. Ia todos os dias à missa. Fiz-me acólito bastante cedo. Foi tudo muito natural, ninguém me empurrou, fui eu. Eu procurei isto tudo. Tem muita piada. Fiz a minha primeira comunhão com 7 anos de idade e praticamente desde esse dia até hoje, comunguei todos os dias. Eu vivia Jesus, vivia Deus. Por isso em 42, durante a 2ª Guerra Mundial comecei a pensar em ir para o seminário. Não pude ir logo porque nessa altura os quartéis eram bombardeados e eles ocupavam os seminários como quartéis, e então os seminários eram bombardeados e eles ocupavam outras coisas.

Mas comecei a ter uma orientação. Através dos sacerdotes da minha congregação que estavam lá perto. Havia vários padres que deviam ir para as missões mas não podiam, e interessavam-se por estes jovens que queriam ser padres mas não podiam ainda ir para o seminário.

Depois da guerra fui para o seminário e quis ser sacerdote e religioso. Quis consagrar realmente a minha vida a Deus.

Como era a vida nessa altura da Segunda Guerra Mundial?
Os rapazes da paróquia iam buscar lenha para os doentes e para os idosos, porque os alemães ficavam com o carvão todos. Era tudo muito miserável, mas vivíamos nisto e tentávamos ajudar.

Depois no último ano da guerra não havia mesmo nada para comer. Então os alemães, na sua “generosidade fantástica” começaram a oferecer comida aos holandeses. Era considerado tão ridículo. Aquela sopa que ofereciam era 99,9% de água, e não alimentava rigorosamente nada. Mas a gente não tinha nada e por isso aproveitávamos.

Como é que se começou a envolver na pastoral prisional?
Eu não queria ser pároco. Por acaso o Cardeal Cerejeira gostou muito de mim. Em 61 ele disse-me: “Oh Padre Dâmaso, eu gosto muito de si, só falta uma coisa na sua vida, que é ser português”, então eu perguntei se ele gostaria que eu me naturalizasse e ele disse que sim, que gostava muito. Ele queria-me prender à diocese. E então eu fiz isso. Eu fazia tudo o que o Cardeal queria. Viva com uma disponibilidade total, era a minha vida.

Queria dedicar-me aos necessitados. Queria ir para as missões, mas o cardeal tinha pedido mais uns padres holandeses para as missões populares, então o meu superior pediu-me para vir para Portugal e eu aceitei.

Em 69 fui convidado para fazer umas conferências na prisão de Tires. Tiveram um certo impacto e então pediram-me para fazer conferências noutras cadeias. E eu senti nisto um chamamento de Deus para me dedicar aos presos. O Cardeal não queria, achava que eu tinha qualidades para outras coisas, mas eu quis. Comecei por ser visitador voluntário. Este ano faz 50 anos que entrei numa cadeia pela primeira vez.

O que e que me movia? Movia-me dar a minha vida por gente que sofria, mais nada. Não sabia nada de presos, nada daquele mundo, ainda pensei em tirar um curso de psicologia, para me dedicar mais aos presos, mas não o fiz porque tinha matemática e eu detestava matemática. Mas os anos ensinaram-me muito, trabalhar uns anos na cadeia como sacerdote já dá um curso de psicologia.

Comecei por ser visitador no Linhó, porque aquele director ficou muito meu amigo, e também na penitenciária em Lisboa, que agora é cadeia de preventivos. Mas naquele tempo eram as duas cadeias principais desta zona. Linhó era de penas curtas, para homens, e a penitenciária era para penas mais longas.

Alcoentre era para gente da província, gente que tinha morto o vizinho por causa de uma galinha, ou um pedaço de terra. Homens bons. Era uma espécie de preso totalmente diferente.

Trabalhar com os presos é uma vocação?
Estou convencido que sim. Quem não tem vocação não deve lá ir.

Gratificante ou desgastante, como descreveria este trabalho?
Não é fácil. Mas é gratificante, para quem se quer dar, para quem quer fazer da sua vida dádiva. Também tem alguns momentos muito bons, em que damos graças a Deus, mas no princípio, é preciso meter-se no mundo dos presos. E para se meter no mundo dos presos é preciso renunciar a nós mesmos. Eu no princípio não fazia isto. Às vezes ia a sair da cadeia e mandava tudo aquilo para detrás das costas. Mas depois compreendi que não eram eles que tinham que mudar, eu tinha que mudar, eu tinha que me dar, sem procurar os meus próprios interesses, a minha própria vida. Eu tentei crescer nisto.

Já se encontrou em situações de perigo alguma vez?
Não. Perigo propriamente não. Tivemos muitos problemas e muitas dificuldades depois do 25 de Abril. Não logo, mas depois por uma política errada do Ministério de Justiça que prometeu uma amnistia mas que demorou muito tempo e os presos ficaram cada vez mais nervosos e por isso tivemos problemas. Houve dias que eu dizia ao guarda: “Eu vou entrar na parte prisional, se passado uma hora e meia não tiver saído, entrem à minha procura”. Podíamos entrar, mas não sabíamos se íamos sair.
Tive outro problema, quando um preso me bateu, mas logo os outros vieram para me defender. Não foi assim tão grave.

Assistiu a histórias de conversão?
Há conversões. Muitas vezes não vemos estas conversões, há conversões que às vezes ouvimos anos depois. O ano passado encontrei na rua um homem bem vestido com dois filhos pequenos e ele cumprimentou-me, eu disse que não o conhecia, mas ele disse que tinha estado no Linhó quatro anos no fim dos anos 60 e depois disse aos filhos: “Este é o padre da cadeia onde o pai esteve”, ele não se importou que os filhos soubessem que o pai tinha estado preso. Era um homem totalmente recuperado. E ele disse-me: “O senhor nunca soube, mas marcou-me profundamente. O senhor e o que fazia na cadeia. Por isso, embora muito tarde, quero agradecer-lhe pelo que fez por mim, porque você que me marcou naqueles quatro anos.”

Tenho muitos encontros destes. Homens que mais tarde me falam e dizem “o senhor significou muito para mim, foi isto, foi aquilo”, homens que vinham à missa ou não, mas eu convivia com os presos, como ainda convivo com os presos. Talvez haja mais conversões do que sabemos.

Há homens que encontraram alguma coisa na minha maneira de ser, outros não. Também há muitos que não se converteram. Mas estou convencido que um capelão marca muito a vida de uma cadeia, um capelão que se dedica. Eu vou muitas vezes aos pátios no Domingo à tarde para estar com os rapazes, porque a cadeia do Linhó é para jovens. E um tipo veio ter comigo e disse: “Sabe capelão, quando o senhor vem ter connosco, nós sentimo-nos mais valorizados”, a minha presença tem um certo impacto para eles.

Qual é o papel de um padre numa prisão?
Celebro missa. Antigamente tinha muita gente, antes do 25 de Abril era mais de 50%, depois diminuiu. Hoje são poucos, mas os rapazes cá fora também não vão à missa.

Mas naquele momento que celebro a missa Deus é o centro da cadeia. Vivo isto muito intensamente, naquele momento é Jesus Cristo que enche a cadeia, não só aquela sala, mas toda a cadeia com a sua presença. Isto é a eucaristia na cadeia, por isso para mim é muito importante. Celebro sempre a missa na cadeia com o cálice que os meus pais me ofereceram. Porque eu recebi tudo dos meus pais, a educação, a bondade, a minha mãe foi uma pessoa que também se deu pelos pobres e necessitados. Na Holanda os pais não mandam os filhos para a Igreja como fazem aqui. Nunca fui mandado para a Igreja. Os meus pais apoiavam-me, no fundo, mas não queriam obrigar-me.

Falo muitas vezes com a minha irmã mais velha e digo-lhe: “Eu sou o sacerdote mais feliz do mundo” e eu vivo muito isto.

A ideia que se tem é de que os reclusos tendem a recusar a responsabilidade pelos seus actos, como Padre pode ajudar nesse sentido?
Quando eu falo com um preso digo, “eu não sei se fizeste mal ou não. Isso é contigo”. Às vezes contam-me, outras vezes até me contam outras coisas más que fizeram, mas pelas quais nunca foram apanhados. Fazem-no para aliviar a consciência, não confessam, mas contam.

A nossa presença, o exemplo, a maneira de falar… eu procuro animar aquela gente, que eles vejam que estão numa cadeia, e uma cadeia é um não mundo, e eles podiam ter uma outra vida.

Procuro abrir-lhes os olhos, para eles pensarem. Eu não imponho nada, mas ajudo a que eles pensem e vejam a sua miséria, para que vejam as possibilidades de uma vida diferente. A este respeito não tenho resultados concretos muitas vezes, mas sei que tenho resultados. Nós padres, na cadeia não nos devemos impor. Nós acompanhamos, somos guias, temos uma missão. Eu trabalho muito com os educadores, falamos muito sobre determinados reclusos que me preocupam. Falo com os educadores o que é que podemos fazer por estes rapazes, por aquele homem? É este o espírito. Não ando à procura de resultados concretos.

Qual é a sua liberdade na cadeia? Pode estar à vontade com os presos?
Total! Total! Eu já faço parte daquela cadeia, estou lá há quase 50 anos, sou prata da casa. Estou lá há mais tempo que os guardas, sou o mais velho. Fui 6 anos visitador voluntário, mas nessa altura o capelão não gostava de o ser, e por isso quando tinha os domingos livres ia lá celebrar. Por isso já tive bastante influência, mesmo naqueles anos em que era visitador. Depois, em 66 o cardeal cedeu e nomeou-me para capelão para o Linhó.

Comecei a trabalhar, tenho liberdade de acção. Até fiz, durante muitos anos, parte do concelho técnico. Estive metido nas deliberações sobre os reclusos, e foi um trabalhão. Mas nessa altura eu dedicava grande parte da minha vida às cadeias, e era maravilhoso.

Fazia teatro e jogos com os reclusos. Naquele tempo podia-me dedicar mais. Depois fui nomeado capelão chefe e a minha vida mudou porque já não me podia dedicar tanto. Eu tenho acesso às celas disciplinares, a tudo.

É fácil celebrar missa e confessar? E outros sacramentos? Já baptizou ou crismou na cadeia?
Sim. Não o faço com facilidade. Quando um adulto quer ser baptizado tem de se comprometer a ser cristão. De outra maneira estamos a brincar. Por isso o rapaz tem de demonstrar que tem boa vontade e que quer ser cristão. Isso não é fácil. Mesmo assim tenho tido alguns fracassos… Mas há boas surpresas. Ainda há pouco tempo baptizei um rapaz, é maravilhoso aquele rapaz, ele não é muito inteligente mas é muito bom. Estou convencido que foi uma festa para ele e para os visitadores, foi muito bom.

Fale-nos de O Companheiro?
Eu a certa altura, em 66 fui à zona prisional da PJ para falar com um preso. Mas essa cadeia não era da Direcção Geral dos Serviços Prisionais, era da PJ e por isso não tinha previsto assistência religiosa. E os presos ficavam lá muito poucos dias, e depois iam para o Limoeiro.

Naquele tempo não havia muitos presos porque ainda não era o tempo da droga, isso só começou no fim dos anos 60 e princípio dos anos 70. Eu fui lá visitar um homem e havia só guardas e um inspector da PJ que era director. Não havia mais gente. Fui cumprimentar o inspector e ele achou graça a um padre que trabalhava nas cadeias, e disse: “Porque é que o senhor não vem cá mais vezes” e eu comecei a ir, uma manhã por semana, faço-o até agora. Nunca ganhei nem um centavo, vou voluntariamente, mas é bom. Estão lá aqueles que foram presos há poucos dias. Sentem-se um bocado perdidos no meio de certos presos, há lá muita malandragem também. Mas também há gente com cultura, temos lá um banqueiro neste momento, tivemos lá os da Universidade Moderna também, e esta gente anda lá perdida no meio daquele ambiente. Estou convencido que a minha presença é muito importante. É uma presença totalmente diferente do que numa cadeia de condenados, também o ambiente é totalmente diferente. Eles estão a dar os primeiros passos no mundo terrível das cadeias. E eu procuro ser uma presença positiva junto deles.

Mas havia lá rapazes que eu já tinha conhecido de outra cadeias. E eles diziam-me “ninguém nos ajudou!” e eu fundei o companheiro precisamente para presos em dificuldade, e ex-reclusos em dificuldade, para que eles pudesse contar com ajuda, e contar com trabalho, durante algum tempo enquanto procurem uma coisa melhor. Procuramos ajudar todos os ex-reclusos em dificuldade, e também outros. Eu nunca quis que nos estatutos estivesse ex-reclusos para que as pessoas lá à volta não pensassem que só lá estavam ex-reclusos. E isto funciona.

Gosto imenso daquilo, porque é muito importante, conseguimos que certas pessoas não voltassem para a cadeia. Ao mesmo tempo, presos que não têm para onde ir numa precária, podem vir ter connosco. Também damos hospedagem a reclusos em precárias. E também ajudamos em outras coisas, tentamos ser uma presença de ajuda para pessoas em necessidade.

E prisões femininas?
Fui quase seis anos capelão em Tires. A mulher é completamente diferente do homem, as mulheres não nasceram para ser presas. O homem adapta-se mais facilmente que as mulheres. Antes do 25 de Abril havia lá mais prostitutas e esse tipo de mulheres. Actualmente temos em Tires umas 25 nacionalidades, sobretudo por causa da droga, e temos mulheres que matam o marido. E isto para mim é uma tristeza, porque muitas das mulheres que matam o marido já passaram por uma Via-sacra, por muitas humilhações, muitos problemas. Tenho uma ternura por estas senhoras. Elas aceitam, porque mataram o seu marido, mas no fundo não estão arrependidas. Porque sofreram tanto dos seus homens… isto é completamente diferente dos homens que matam as suas mulheres. Pode haver excepções, mas normalmente é totalmente diferente. Acontece principalmente na província. Porque estas mulheres passaram por tantos sofrimentos, tantos castigos, tantas pancadarias, é impressionante. Às vezes há pessoas da família que me contam que de facto compreendem o que aquela mulher sofreu, mas pronto, a lei é para cumprir, eu não vou discutir isso, mas acho que deviam estar pouco tempo na cadeia, porque a cadeia em si não resolve nada. Estas mulheres já estão recuperadas porque o marido morreu…

Mas foi bom ter estado uns anos com mulheres, foi bom abriu-me o mundo das mulheres nas cadeias, e completou a minha formação geral para lidar com presos e com presas. Ainda há mulheres que me procuram, que já estão em liberdade mas que têm necessidades, principalmente mulheres daquele tempo, mas também, mulheres que me ouvem na Rádio Renascença, por isso ainda tenho contactos com mulheres. Normalmente são contactos diferentes do que com os homens. Os problemas são diferentes, precisam mais de uma palavra de ânimo, precisam de apoio, porque se sentem sós, não compreendidas pelos filhos, por exemplo.

As principais figuras do cristianismo passaram pela prisão, fala disso aos presos?
Sim, mas a motivação deles é muito diferente, e eles sabem isso. Não posso usar isso demasiadamente, porque é outro mundo, é outra motivação. Para mim, o meu contacto com os presos, principalmente aos sábados de manhã temos uma reunião informal com presos, à qual vão alguns visitadores, é o Evangelho. Eu vivo Jesus Cristo muito intensamente, tenho vivido sempre ao longo da vida, é ele que procura comunicar. Jesus Cristo que compreende, que perdoa, que quer salvar, que nos quer fazer homens novos. Em volta de Jesus Cristo podemos comunicar muito aos reclusos.

O que é para si ser Padre?
É felicidade, é gratidão. É tão fantástico. Não tenho palavras. Ser padre é… é tudo. Ser Padre, viver a consagração… todos os dias eu posso viver a consagração. Jesus ofereceu a sua vida, isto é o meu corpo entregue por vós, este é o meu sangue derramado por vós. Eu vivo de manhã para a consagração e o resto do dia vivo a partir da consagração. Ser padre é a consagração da Eucaristia. É maravilhoso, é tudo.

Veja também


Friday, 23 February 2018

Morreu o padre Dâmaso Lambers

Morreu o padre Dâmaso, o bom e santo padre Dâmaso. Estou com saudades, mas não caibo em mim de alegria por saber que ele agora está junto do seu bom amigo Jesus.

Leiam aqui o obituário que eu lhe fiz e aqui a entrevista de vida que a Marta Grosso lhe fez recentemente e a homenagem que a directora de informação, Graça Franco, lhe deixa aqui.

Para mim o padre Dâmaso desempenhou um papel especial. Para uma pessoa como eu, que se tem em tão boa conta, faz maravilhas conviver semanalmente com um santo que aparentemente nunca fazia ideia quem eu era

Obrigado meu querido santo padre Dâmaso.

Friday, 9 February 2018

Salve o queijo da Serra, adopte uma ovelha!

Depois de a Renascença ter dado calmamente a notícia da nota do Patriarcado de Lisboa na terça-feira, ontem o resto da imprensa acordou e decidiu pegar no assunto por um ângulo que nada tem de novo, nomeadamente a recomendação de viver em continência para alguns casais em situação irregular. Por isso ao fim da tarde pegámos no tema outra vez e pedimos ao padre José Manuel Pereira de Almeida que nos explicasse exactamente o que se passa. Vale a pena ler para ficar esclarecido.

O Cristo Rei, em Almada, vai ser “pintado” de encarnado em solidariedade com os cristãos perseguidos, tal como o Coliseu de Roma e igrejas em Alepo e em Mossul, no Iraque.

9,4 milhões visitaram Fátima no ano do centenário. Um número verdadeiramente impressionante.

Quer ajudar os produtores de queijo da Serra, afectados pelos incêndios? Adopte uma ovelha.

Conheça ainda o fantástico trabalho das irmãs hospitaleiras na Guarda, que usam a arte para ajudar as pessoas com doença mental.

A Eutanásia vai continuar a dar que falar, claro. Sobretudo com o PS a decidir que a única forma de “participar no debate” é apresentando mais uma lei, não vá ser flanqueado pelo Bloco. Hoje Henrique Raposo explica de forma brilhante por que é que é um absurdo validar e resolver de forma permanente um desespero que por natureza é transitório. Leia e partilhe!


E porque vou estar fora na próxima semana, convido-vos a tomar conhecimento e a divulgar, através da imagem que ilustra este post, a campanha dos 40 dias de oração pela vida, que começa novamente na quarta-feira de Cinzas. A causa não podia ser mais nobre.

Friday, 26 January 2018

Se não vale a dignidade, então vale tudo

O Papa falou hoje à Congregação para a Doutrina da Fé, aproveitando para criticar a aceitação da eutanásia e o que isso implica. Vale a pena ler.

O Algarve vai ter um pouco da espiritualidade de Taizé, graças a um programa da comunidade. Saiba mais aqui.

Ontem decorreu um debate na Ecclesia sobre a mensagem do Papa para o dia das Comunicações. Participaram jornalistas da Renacença, numa prova de boa-vizinhança. Saiba o que se passou.

Convido-vos ainda a acompanharem esta interessante conversa entre Henrique Raposo, pela Renascença, e Francisco Mendes da Silva. Diz respeito a todos os que têm filhos, meninos ou meninas, e todos os que se preocupam com uma sociedade em que campanhas como o #MeToo são sequer necessárias. Deixo o link para o último episódio, que contém ligações para as anteriores.

Thursday, 19 October 2017

Participação no Madragoas, da Rádio Amália

Na noite de terça para quarta-feira tive o prazer de estar à conversa com António Vieira, da Rádio Amália, no programa Madragoas.

Falámos sobre o meu livro "Que fazes aí fechada?", sobre o paradoxo que é a liberdade que sente quem faz votos de pobreza, obediência e castidade, sobre ser cristão hoje em dia e sobre o meu trabalho enquanto jornalista da Renascença, especializado na área de religião. Também foi tema de conversa a natureza da Renascença enquanto emissora católica.

Pelo meio sugeri músicas, incluindo dois fados do Peu Madureira, meu amigo e cunhado.

Podem ouvir tudo aqui. Espero que gostem.

Tuesday, 4 April 2017

Papa tira do tesouro coisas antigas e coisas novas

A saga da procura da reconciliação entre Roma e a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (vulgos lefebvrianos) continua. O Vaticano deu mais um passo, tomando medidas para que os casamentos celebrados no contexto da Fraternidade sejam considerados lícitos.

Neste mesmo dia o Papa sublinhou a importância do documento Populorum Progressio, de Paulo VI, um marco no campo da justiça social e do desenvolvimento.


António Costa esteve na Renascença esta terça-feira para ser entrevistado. Sobre a eutanásia diz que não sabe como votaria se fosse deputado. Da minha parte insurgi-me em artigo de opinião no blogue contra frases do género “é preciso um debate sério e sereno” ou “ainda não é tempo de discutir isto, há questões económicas mais importantes”, etc. Leiam e discutam.

Um convite, antes que se metam as férias da Páscoa, Thereza Ameal vai apresentar o seu livro “Querido Deus” no dia 19 de Abril às 17h30, na Obra Social Paulo VI, no Campo Grande. Apareçam e divulguem, que a autora certamente agradece!

Tuesday, 24 January 2017

Novo Prelado no Opus Dei, eu na FNAC de Santa Catarina

Foi ontem escolhido e confirmado o novo prelado do Opus Dei. Chama-se padre Fernando Ocáriz e tem 72 anos. Toda a informação aqui.

O Vaticano divulgou esta terça-feira a mensagem das comunicações sociais. Diz o Papa que os media deviam tentar comunicar de forma mais positiva.

Este é um assunto comentado por Paulo Rocha, da Ecclesia, que foi o convidado de Ângela Roque, na Renascença.

Na preparação para os meus artigos sobre o filme Silêncio, falei com três especialistas. Mas o mais interessante de todos foi sem dúvida o padre Adelino Ascenso, padre e missionário com mais de 10 anos de experiência no Japão, cuja tese de doutoramento foi precisamente sobre a obra de Shusaku Endo, autor do livro original. Depois de terem visto o filme, leiam a entrevista. É obrigatório. Sou eu que mando.

Um aviso a todos os que vivem para norte. Estarei amanhã na FNAC de Santa Catarina, no Porto, para moderar uma conversa sobre o filme Silêncio. Será às 18h, apareçam!

Não deixem de ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing. A semana passada a escolha recaiu sobre Martin Luther King e a sua carta de umaprisão de Birmingham, a não perder.

Friday, 13 May 2016

Papa na inauguração das novas instalações da Renascença

Acabaram de ser oficialmente inauguradas as novas instalações da Renascença, aqui na Quinta do Bom Pastor. Estiveram cá quase todos os bispos, o Primeiro-ministro e o Presidente da República e nem o Papa quis faltar à inauguração, mandando uma bênção e uma mensagem.

Amanhã realiza-se a Caminhada pela Vida. Que ninguém falte! Vai ser lançada uma petição a pedir à Assembleia da República que não aprove a Eutanásia e que aposte nos cuidados paliativos.

O Patriarca, antes de vir à Renascença, esteve em Fátima onde presidiu às cerimónias do 13de Maio e disse que só por distracção ou preconceito é que não se reconhece a importância da Cova da Iria para Portugal.

Também hoje, por ser 13 de Maio, recuperamos a ligação de João Paulo II a Fátima, pela voz do seu então secretário-pessoal, hoje Cardeal de Cracóvia.

Foram aprovadas as leis da procriação medicamente assistida e das “barrigas de aluguer”. Passos Coelho e mais 23 deputados do PSD votaram a favor das “barrigas”, compensando assim os 15 votos contra do PCP. Sim, leram bem.

Monday, 14 December 2015

Jubileu da Misericórdia e as dificuldades do maçon

De regresso depois de uma semana de férias, trago-vos novamente o essencial da informação religiosa.


Neste link encontra uma série de perguntas e respostas sobre o que é um jubileu, porque é que este é extraordinário e o que são indulgências, por exemplo.

Ainda ligado a este assunto, o Papa elaborou hoje sobre a história da Portuguesa que conheceu e que lhe deixou muito boa impressão, que tinha mencionado em entrevista à Renascença.

E da série de conversas sobre Deus, na Capela do Rato, Henrique Monteiro afirma que tem muita dificuldade em explicar às pessoas que é maçon e não católico, mas que isso não o impede de acreditar em Deus.

Deixo-vos com o artigo da semana do The Catholic Thing, “Sobre o Conhecimento Divino”. 

Friday, 11 September 2015

Tragédia em Meca e amnistia em Cuba

O momento em que a grua em Meca
atingida por um relâmpago
É já na próxima segunda-feira que a Renascença transmite uma entrevista exclusiva com o Papa Francisco. Às 9h passa na Rádio e a partir dessa hora já poderá ver a entrevista no site. Até lá, vai ter de se contentar com este “teaser” em que o Papa admite que a sua popularidade é também uma cruz: “Jesus, num certo momento, foi muito popular e depois acabou como acabou”.

Uma notícia trágica chega de Meca, onde esta tarde a queda de uma grua fez dezenas de mortos e centenas de feridos na principal mesquita da cidade. Recordo que sexta-feira é o dia santo para os muçulmanos, pelo que a mesquita teria mais pessoas do que noutro dia qualquer.

O Governo de Cuba anunciou esta manhã que vai libertar mais de 3500 presos por ocasião da visita do Papa Francisco, no próximo dia 19.

Ontem o Papa encontrou-se com membros das Equipas de Nossa Senhora, em Roma, a quem falou das ameaças ideológicas que a família enfrenta.


Por fim, o padre Lino Maia diz que devemos olhar para esta crise de refugiados à porta da Europa não como uma ameaça, mas como uma oportunidade. Amen!

Wednesday, 9 September 2015

Papa dá entrevista exclusiva à Renascença

A notícia do momento não é tanto uma notícia, antes uma antecipação de uma notícia.

A Renascença entrevistou ontem, em exclusivo, o Papa Francisco. Agora há uma série de passos que têm de ser seguidos, mas a entrevista será transmitida na íntegra às 9h00 de segunda-feira, com repetição às 19h do mesmo dia, com publicação no site também na segunda-feira de manhã. Não percam!


Esta quarta-feira o Papa Francisco repetiu, na sua audiência geral, que as Igrejas devem ter as portas abertas. As que não as têm, deviam chamar-se museus, afirmou.

Hoje publicou-se novo artigo do The Catholic Thing. O autor, George J. Marlin fala do livro de Mario Vargas Llosa “A Cultura do Espectáculo” e tira ilações sobre a nossa civilização actual. Não deixe de ler.

Wednesday, 8 July 2015

Diz-me a tua receita que eu digo-te a minha

Guardas Suíços em alerta máximo por
ameaça chamada Cruella de Vil
O Papa Francisco voltou hoje a fazer das suas e quando chegou a altura de fazer o seu discurso deixou de lado a versão escrita e disse que não tinha paciência para a ler.

No seu discurso improvisado Francisco alertou para o a importância de os padres e religiosos terem memória e de reconhecerem a gratuidade da sua vocação. Francisco também andou a trocar receitas (de alegria) com os equatorianos.

Já o outro discurso, que não tendo sido lido foi entregue a um representante do clero local para ser tornado público, explicava que os clérigos não são mercenários mas servidores. Vale a pena ler ambas as notícias que, naturalmente, se completam.

Ontem foi dia de falar de ecologia, de pobreza, do amor que devemos ter até pelos nossos adversários, e de lamentar novamente o facto de a morte dos pobres não ser notícia nas nossas sociedades. Foi também dia de paramentos ponchos e de báculos bacanos (ou de férulas fixes).

Esta quarta-feira D. Manuel Clemente esteve na Renascença para empossar o Conselho de Gerência e sublinhou que a catolicidade da emissora católica portuguesa não é uma coisa de tirar e pôr, deve estar sempre presente. Vamos fazendo por isso Senhor Patriarca!

Por fim, não deixem de ler o artigo desta quarta-feira do The Catholic Thing em português. Fala-se muito na crise do casamento, mas e a crise do namoro? Não é menos importante e drástica. O namoro na idade da pílula tem muito que se lhe diga, nem tudo de bom.

Wednesday, 20 May 2015

O padre que salva refugiados e a freira que beijou o Elvis

O beijo milionário de Dolores Hart e Elvis Presley
Conheçam Mussie Zerai. Ele não é apenas mais um homem que veio de África trabalhar na Europa. É um padre católico da Eritreia e é responsável por ter salvo milhares de pessoas de se afogarem no Mediterrâneo. Um herói.


Ontem foi anunciado o prémio Árvore da Vida. A contemplada deste ano é a artista plástica Lourdes Castro.

Conheça ainda a freira que ajudou a salvar um mosteiro beijando uma estrela de rock. (Leia mesmo, nem tudo é o que parece…)

No passado fim-de-semana fui entrevistado pela Renascença (é só cunhas!) sobre mim, o meu trabalho, os meus estudos e, claro, o meu livro “Que fazes aí fechada”. Se quiserem ouvir a entrevista completa, está aqui.

Amanhã, para quem ainda não se fartou de mim, estejam atentos ao “Você na TV” (conhecido como o programa do Goucha), onde estarei a falar do livro também, devendo entrar por volta das 11h.

Hoje é dia de artigo do The Catholic Thing. Perante a cedência dos bispos alemães e suíços à agenda do politicamente correcto, o psicólogo Rick Fitzgibbons vem trazer alguns factos, baseados em estudos e não em propaganda, sobre a homossexualidade.

"Que Fazes Aí Fechada" no "Porta Aberta"

No domingo passado estive no programa Porta Aberta do Óscar Daniel, na Renascença. 
Foi uma conversa longa sobre o meu percurso, o meu trabalho enquanto jornalista, os meus estudos académicos sobre o perdão, a minha vida familiar e, claro, o meu livro "Que fazes aí fechada".
Para ouvirem a entrevista na íntegra basta clicarem aqui e escolherem o áudio, debaixo da imagem principal.

Monday, 22 December 2014

A três dias do Natal... mas saiba porquê!

Estamos a dias do Natal. Mas foi só no século IV que se começou a assinalar o nascimento de Jesus neste dia. Isto, e muito mais sobre os costumes natalícios que hoje damos como adquiridos, explicado aqui.

O Papa Francisco falou esta manhã aos membros da Cúria Romana. Quem esperava platitudes e palavras de ocasião sobre o Natal deve ter ficado com as orelhas a arder. O Papa nem sequer poupou os outros funcionários, como os jardineiros e pessoal de limpeza!

Um jornalista alemão passou tempo em pleno “califado” do Estado Islâmico e conta tudo nesta reportagem da Reuters, que a Renascença lhe traz.

Friday, 17 October 2014

Cardeal Marx e Dança do Ventre nos Açores

O sínodo dos bispos está na fase final. Hoje houve folga enquanto se prepara o relatório final. Na sala de imprensa esteve o cardeal Marx, que disse que “obviamente” a Igreja tem liberdade para mudar a as regras sobre comunhão para divorciados e recasados.

Esta sexta-feira a Renascença começa a publicar uma série de reportagens sobre o Papa Paulo VI, que é beatificado no domingo. D. Manuel Clemente fala da importância do Papa do concílio e aqui podem ver filmagens da primeira visita de um Papa a Portugal.

Já esta manhã o Vaticano promoveu uma conferência de imprensa em que falou da cura milagrosa de um feto, que permitiu esta beatificação.

A Renascença terá todo o acompanhamento tanto da beatificação como do final do sínodo, por isso vá consultando o site e ouça a emissão especial de domingo, que começa às 9h00

O presidente da Cáritas Portuguesa está estupefacto com o Orçamento do Estado de 2015. Já o bispo do Porto aponta duas críticas, mas faz também um elogio.


Da Nigéria chega a notícia de que há um cessar-fogo com o Boko Haram que envolve a “devolução” das mais de 200 raparigas raptadas há mais de seis meses.

Más notícias para todos os católicos açorianos adeptos de danças orientais! Acabaram-se as danças do ventre nas igrejas daquele arquipélago. Pois, eu também não sei muito bem como reagir a esta notícia…

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