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Thursday, 11 January 2024

Novo líder da Igreja Siro-Malabar, para tentar resolver a crise

O arcebispo-mor Raphael Thattil toma hoje posse da Igreja Siro-Malabar, na Índia, depois de ter sido eleito pelos 53 bispos que formam o sínodo dessa Igreja católica oriental, que é a segunda maior do mundo, a seguir à Igreja Greco-Católica da Ucrânia.

Thattil não constava das listas dos principais candidatos ao cargo, mas a sua eleição foi bastante rápida, e no mesmo dia pediu, e recebeu, a confirmação de comunhão com o Papa Francisco.

Uma das principais tarefas que terá pela frente, agora, é tentar sanar as enormes divisões que existem dentro da Igreja Siro-Malabar, nomeadamente as resistências à adopção de uma liturgia uniforme para toda a Igreja.

A Igreja Siro-Malabar é autóctone do sul da Índia, nomeadamente de Kerala, e foi fundada alegadamente pelo apóstolo São Tomé. Ao fim de alguns séculos, a definhar e sem bispos, recebeu uma missão de cristãos siríacos da Terra Santa que lhe deram um novo impulso. Os descendentes desses cristãos, que sendo de tradição judaica praticavam a endogamia, ainda existem em Kerala e formam a comunidade Knanaíta, que tem as suas próprias tradições e jurisdições eclesiásticas.

Quando os portugueses chegaram à Índia e se depararam com cristãos locais no sul do país procuraram submetê-los a Roma e forçaram uma série de latinizações. Alguns indianos resistiram e romperam com Roma, formando a Igreja ortodoxa, mas a maioria permaneceu católica.

Ao longo das últimas décadas tem sido feito um grande esforço para retornar às raízes orientais da Igreja, em termos de espiritualidade e liturgia, sobretudo porque se reparou que cada diocese ou paróquia celebrava o rito siro-malabar de forma diferente, nomeadamente no que diz respeito ao posicionamento do sacerdote, que nalguns casos estava voltado para o altar – ad orientem – e noutros estava voltado para a assembleia – ad populum. Depois de anos de trabalho, o sínodo acordou um modo de celebração uniforme em que o padre está voltado para a assembleia, mas durante a liturgia eucarística volta-se para o altar. Todas as dioceses aceitaram a nova liturgia, excepto a diocese de Angalamy, que é precisamente a principal e cujo arcebispo é, por inerência do cargo, o arcebispo-mor da Igreja Siro-Malabar.

Mas não foi apenas uma recusa. A tentativa de obrigar os padres a celebrar a nova liturgia levou a protestos, pancadaria, encerramento de igrejas e da principal catedral da diocese e até à imolação de efígies de cardeais. Chegou-se ao ponto de o Papa gravar uma mensagem a dar como prazo o dia de Natal para os padres revoltosos celebrarem a liturgia uniforme, sob pena de excomunhão. No dia de Natal os padres lá cumpriram o pedido do Papa, mas já deixaram claro que foi uma excepção, e que agora voltarão a celebrar como desejam, que é voltados sempre para a assembleia.

O anterior arcebispo-mor, o cardeal George Alencherry, foi incapaz de intermediar o problema que se passava na sua própria diocese, em larga medida porque já estava a ser alvo de uma investigação policial por vendas polémicas de territórios da Igreja. De mãos atadas e com a sua credibilidade afectada, apresentou a sua demissão ao Papa em Dezembro, que foi prontamente aceite. Tem 78 anos, o que na Igreja latina – a principal da Igreja Católica – é já mais três anos do que a idade da resignação, mas essa regra não se aplica a líderes de Igrejas orientais.

É este o cenário que espera Thattil. Não será uma prova fácil.

Contudo, Thattil parte para esta nova missão com alguns trunfos. Conhece a diocese, embora não seja de lá, e passou os últimos anos como bispo de Shamshabad, que é basicamente uma diocese que abrange todos os cristãos siro-malabares que vivem na Índia, mas fora do território tradicional da Igreja. Na prática, isto traduz-se numa diocese que cobre 23 estados, dois territórios federais e duas ilhas, mas com “apenas” 120 mil fiéis. É, por isso, uma diocese cheia de desafios, e certamente cheia de variedade, pelo que talvez seja a pessoa indicada para conseguir moderar uma crise que radica precisamente na resistência à uniformidade e no apego às tradições próprias.

Como escrevi há duas semanas, a situação na Índia é mais uma dor de cabeça para o Papa Francisco, que está a atravessar talvez o momento mais delicado do seu pontificado, com notórias divisões em várias partes da comunhão católica. Se o arcebispo-mor Thattil conseguir resolver essa questão fará um serviço importante não só à sua Igreja, como à Igreja Católica universal e ao Papa Francisco em particular.

Thursday, 28 December 2023

Estará Francisco a perder o controlo da Igreja?

[Esta é uma versão resumida de um artigo que escrevi para o Expresso, que pode ser lida na edição impressa e no site]

O Pontificado do Papa Francisco poderá estar a atravessar o seu momento mais difícil, com crises em diferentes pontos do mundo católico a pôr seriamente em causa a autoridade de Roma e a própria unidade da Igreja.

A declaração Fiducia Supplicans causou bastante polémica na Igreja, com o Dicastério para a Doutrina da Fé a anunciar que pessoas em uniões homossexuais podem receber bênçãos. Sem surpresas, a ideia que passou para o mundo foi de que o Papa acabava de aprovar a bênção de uniões homossexuais, apesar de o texto dizer explicitamente que a bênção é para as pessoas, e em caso algum para a relação em si.

No seguimento dessa declaração aconteceu um facto muito pouco comum, com muitos padres, bispos, e até conferências episcopais inteiras, a dizer que não aplicarão a Fiducia Supplicans nos seus territórios.

Pelo menos 10 conferências episcopais, incluindo a Polónia e o Canadá, já reagiram negativamente ao documento, algumas proibindo explicitamente a sua implementação, e outras apenas reiterando a proibição de bênçãos específicas para relações e uniões homossexuais.

E se é verdade que algumas das reações negativas vieram dos “suspeitos do costume”, também há bispos que são tidos como próximos de Francisco, como Ambongo Besungo, da República Democrática do Congo, que faz parte do grupo de cardeais consultores do Papa desde 2020 e chegou mesmo a pedir uma resposta conjunta de todos os bispos africanos, na qualidade de presidente do Simpósio de Conferências Episcopais de África e Madagáscar.

Talvez uma das respostas mais firmes tenha sido do arcebispo maior Sviatoslav Shevchuk, que é o líder da Igreja Greco-Católica da Ucrânia, que se demarcou do documento, dizendo que ele não se aplica à sua igreja. Shevchuk e Francisco podem ter tido alguns desentendimentos por causa da guerra na Ucrânia, mas são amigos e conhecem-se há muitos anos, pois Shevchuk liderou a comunidade ucraniana na Argentina.

Alemanha e Índia

Entretanto a maioria dos bispos alemães continua a defender o seu “caminho sinodal”, que já apelou explicitamente a mudanças na doutrina moral e sexual da Igreja e tem um caráter marcadamente progressista e liberal.

Francisco criticou abertamente o “caminho sinodal”, dizendo que “a Alemanha já tem uma Igreja evangélica, não precisa de outra”, mas até agora tem evitado tomadas de posição mais firmes que possam acelerar a divisão ou mesmo promover uma rutura. Esta atitude, contudo, leva as alas mais conservadoras a estranhar a dualidade de critérios, recordando que o Papa tem tido mão firma contra outras comunidades, como por exemplo os tradicionalistas, que viram limitada a liberdade que o Papa Bento XVI tinha concedido para a celebração de missa de acordo com a liturgia anterior ao Concílio Vaticano II.

O clima de desconfiança entre Roma e os grupos tradicionalistas espalhados pelo mundo tornou-se conhecida como a “guerra litúrgica” e torna ainda mais bizarro o que está a acontecer neste momento na Índia, onde o clero de uma diocese inteira pode estar prestes a ser excomungado.

Trata-se da diocese de Ernakulam-Angamaly, a principal da Igreja Siro-Malabar, a segunda maior igreja católica de rito oriental do mundo, a seguir à já referida igreja ucraniana. A Igreja Siro-Malabar tem mais de quatro milhões de membros, e só a diocese de Ernakulam tem 500 mil, com pelo menos 400 padres.

Tal como outras igrejas de rito oriental, a Igreja Siro-Malabar tem a sua própria liturgia, de origem siríaca, muito anterior à chegada dos portugueses à Índia. Contudo, essa liturgia sofreu muitas influências latinas ao longo dos séculos, que a Igreja tem tentado retificar. Uma dessas influências levou a que em algumas dioceses, incluindo em Ernakulem, os padres passassem a celebrar a liturgia voltados para a comunidade, em vez de seguir a tradição de celebrar voltados para o altar.

Como parte do esforço de uniformização e regresso às raízes litúrgicas, o sínodo da Igreja Siro-Malabar chegou a uma fórmula de consenso em que os padres celebram voltados para os fiéis, exceto a liturgia eucarística, em que se voltam para o altar. Todas as dioceses aceitaram, menos a de Ernakulem, onde padres e fiéis se revoltaram de tal forma contra as novas regras que a polícia encerrou a catedral para evitar cenas de violência e grupos de fiéis queimaram efígies de cardeais da cúria romana.

Falhadas várias tentativas de mediação, o Papa Francisco enviou uma mensagem para a diocese em que pediu aos padres para “não se tornarem uma seita”, sublinhando que a persistência na desobediência poderia levar à excomunhão. Francisco deu até ao Natal para se começar a celebrar o novo rito, mas no dia 25 de dezembro os padres da diocese limitaram-se a celebrar uma missa de acordo com essa liturgia, deixando claro que o faziam por respeito ao Papa, e que ela não se tornaria regra. A possibilidade de um acordo não está descartada, mas o braço-de-ferro mantem-se.

A ironia de o Vaticano estar, de um lado, a pressionar os fiéis de rito latino que querem celebrações com o padre voltado para o altar e, do outro, a ameaçar com excomunhão os padres e fiéis que querem celebrar voltados para o povo, tem sido sublinhada, embora as situações não sejam idênticas. Mas o que as duas realidades revelam é que Francisco tem entre mãos uma Igreja Católica universal cada vez mais dividida, com conflitos abertos sem solução evidente à vista.

Acresce que a idade avançada do Papa, e a sua saúde frágil, tornam ainda menos provável que ele consiga resolver estas crises antes do final do seu pontificado, até porque os seus opositores podem estar dispostos simplesmente a esperar que seja eleito o seu sucessor, para terem um novo parceiro de diálogo, o que implica também que todas estas questões: as bênçãos a homossexuais, o caminho sinodal alemão e as diferentes frentes das guerras litúrgicas, podem vir a desempenhar um papel importante no próximo conclave. 

Thursday, 23 June 2022

Hospital de Campanha - Episódio 7: Novidades cardinalícias

O Papa Francisco nomeou uma série de novos cardeais, que vão ser elevados ao cargo no próximo mês de Agosto. Neste episódio analisamos essas nomeações e o que significam à luz do pontificado de Francisco. 
Nesta lista não consta nenhum português, mas há muito de interesse para Portugal nos nomeados!

Um dos novos cardeais vem de Timor Leste, é o primeiro deste país. Este facto serve de ponto de partida para falar um pouco sobre os 20 anos da independência do mais novo país lusófono do mundo. 

Por fim, alguns minutos para falar das novidades sobre as Igrejas ortodoxas na Ucrânia e na Rússia, onde se registaram mudanças importantes nas últimas semanas. 


Thursday, 23 September 2021

700 anos da Divina Comédia no dia de estreia de Rafael Pedro XXI

Novo Patriarca dos Católicos Arménios
O cardeal D. Tolentino abre esta quinta-feira uma série de dias de estudo sobre a Divina Comédia, de Dante. É uma obra que deve ser conhecida e este é um bom ponto de começo. Saibam mais aqui.

O chefe da Igreja Greco-Católica da Eslováquia, Ján Babjak, tem Covid-19. Normalmente admito que isto não seria a coisa mais preocupante para nós, até porque é vacinado e está com sintomas levas, mas acontece que ele concelebrou com o Papa a semana passada, por isso ganha mais alguma importância, embora não pareça haver grande risco para Francisco.

Por falar em Igrejas orientais, os arménios católicos têm finalmente um novo Patriarca! Finalmente? Isso mesmo. Está tudo explicado aqui.

E na notícia mais bizarra dos últimos dias, uma freira católica na Índia recebeu autorização do Supremo Tribunal estadual para caçar javalis que estão a destruir as colheitas do seu convento. Como? Não sabemos bem, ainda, uma vez que ela não tem licença de porte de arma… ainda.

O artigo do The Catholic Thing desta semana é especialmente adequado pra pais e pessoas ligadas à educação e às escolas. David Carlin explica porque é que a ideia de que a escola é a principal responsável pela educação dos jovens é uma falácia.

E se ainda não ajudou os cristãos da Terra Santa, mas quer fazê-lo, saiba mais aqui.

Friday, 4 June 2021

Menos Marx em Munique

Um dos principais bispos da Alemanha, o cardeal Reinhard Marx, colocou o lugar à disposição do Papa Francisco, reconhecendo erros próprios e sistémicos na forma como a Igreja lidou com a crise de abusos sexuais naquele país.

O padre indiano Stan Swamy, preso por falsas acusações de terrorismo, está com Covid. O jesuíta já sofria de problemas graves de saúde, e tem 84 anos. Na segunda-feira decide-se a sua libertação sob fiança… Esperemos que não seja tarde demais.

Um casal de cristãos paquistaneses, ambos analfabetos, foram ilibados finalmente da acusação e mandarem SMS blasfemos, em inglês, para uma série de clérigos muçulmanos. Ao todo passaram oito anos na prisão.

Mesmo em pecado mortal, Jesus continua a amar-te, disse o Papa Francisco, na quarta-feira, aos fiéis reunidos em Roma.

O Supremo Tribunal dos EUA vai revisitar um caso sobre restrições ao aborto. No artigo desta semana do The Catholic Thing o jurista Hadley Arkes argumenta que a insistência dos pró-aborto de resistir qualquer restrição, por ténue que seja, poderá acabar por ser benéfica para o movimento pró-vida.

Thursday, 27 May 2021

Louvar o mundo mutilado

Uma conta que sigo no Twitter tem estado a postar imagens com a legenda “Tenta louvar o mundo mutilado”. Não pude deixar de pensar no assunto quando vi as imagens do Papa Francisco a beijar a tatuagem do campo de concentração de uma sobrevivente do holocausto, na quarta-feira.

O mesmo Papa Francisco nomeou esta quinta-feira um sucessor para prefeito da Congregação para o Culto Divino. Arthur Roche sucede ao Cardeal Robert Sarah.

A situação da pandemia na Índia está a atingir níveis assustadores, com uma religiosa a dizer que há cada vez mais órfãos a precisar de famílias.

Na Renascença continuamos a conversar com bispos para saber como é que a pandemia afetou as suas dioceses. Ontem falámos com o bispo de Lamego e hoje com o de Aveiro

Recentemente houve na Alemanha uma sessão organizada de bênção de casais em situação irregular, incluindo homossexuais, contrariando assim, propositadamente, a doutrina da Igreja e uma recente decisão da Congregação para a Doutrina da Fé. A autora do artigo desta semana do The Catholic Thing foi ver o que se passava numa dessas celebrações e faz a descrição, algo deprimente.

E por fim, o meu desafio para enviarem sugestões para nomes de bandas de death metal cristão (género que, incrivelmente, existe mesmo) não foi propriamente um retumbante sucesso, mas ainda chegaram algumas. “Santo Sepulcro”, “Andronikos Rakar” e “Kristos Rules” ficam assim empatados em primeiro lugar.

Wednesday, 12 May 2021

Especial pré-apocalíptico de liberdade religiosa

Há caos na Terra Santa, uma praga de dimensões pandémicas e o Sporting é campeão, por isso parece-me mais que evidente que o apocalipse está à porta. Uma boa razão para mais um apanhado de Actualidade Religiosa…

Hoje prestamos especial atenção a questões de liberdade religiosa. Temos o caso do capelão de uma escola inglesa que foi denunciado a uma unidade de antiterrorismo por dizer aos seus alunos que podiam questionar a ideologia do género.

Temos ainda o caso da deputada e ex-ministra finlandesa que vai ser julgada por ter questionado o facto da sua igreja ter patrocinado uma marcha gay.

E na Suíça um tribunal deu razão a um médico que se queixou da suspensão do culto público, decretando que viola a liberdade religiosa dos cidadãos.

Liberdade Religiosa é coisa que escasseia na Índia e as ONG e especialistas esperam que a União Europeia pressione o primeiro-ministro Modi sobre o assunto.

Por falar em União Europeia, foi finalmente nomeado o novo enviado especial para a liberdade religiosa fora da UE. É um cipriota (na foto) e os bispos europeus já saudaram a escolha.

No programa Aura Miguel Convida da semana passada ficámos a conhecer Luís de Sousa Coutinho, um aristocrata que se apaixonou por Cristo e se tornou eremita, inspirado pelo (em breve) santo Charles Foucauld.

Por fim, temos dois novos artigos do The Catholic Thing no blog. No primeiro podem ler o testemunho comovente de uma mulher que foi levar a comunhão a um lar de idosos a pessoas que não comungavam há mais de um ano e no segundo ficam a conhecer H. H. Weiler, um académico judeu que tem uma teoria interessantíssima sobre o julgamento de Jesus.

Wednesday, 14 April 2021

Foi Maputo que ameaçou Lisboa, que se mudou para o Brasil

Um tribunal decidiu ontem que o Estado de Ohio pode, sim, proibir abortos por motivo de o bebé ter sido diagnosticado com Trissomia 21.

O ex-bispo de Palma, em Moçambique, admitiu em entrevista que as ameaças de morte de que foi alvo, e que o obrigaram a abandonar o país, partiram do Governo, em Maputo, e não dos terroristas.

Começou ontem o Ramadão. Este ano será novamente diferente, por causa da pandemia. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa enviou saudações à comunidade.

Na Índia também se vivem dias de festa. O Kumbh Mela é a grande peregrinação dos hindus, mas está a provocar aglomerações de dezenas de milhares de pessoas sem cuidados numa altura em que a pandemia está em alta.

Sete religiosos – dois padres e duas freiras – foram raptados no Haiti e os raptores pedem perto de 900 mil euros de resgate.

Temos hoje novo artigo do The Catholic Thing. Randall Smith diz o seguinte sobre a ressurreição dos mortos. “Uma das maiores tragédias, quando as pessoas perdem a fé na Presença Real de Cristo na Eucaristia, é de que rapidamente perdem a sua esperança na comunhão dos santos – de que mesmo na morte continuamos presentes para os nossos amados e eles connosco. Se Cristo não ressuscitou e está presente para nós, então o mesmo se aplica a todos aqueles que amamos. E isso é algo demasiado triste para contemplar.” A ler! 

Wednesday, 20 December 2017

Actualidade Religiosa: Cardeal Law, perseguição na Índia e focas chamadas Amália

Morreu o cardeal americano Bernard Law. O seu legado fica tristemente associado ao escândalo de abusos sexuais da diocese de Boston, mas como nos recorda o cardeal Sean O’Malley, ele era muito mais do que os seus pecados e as suas falhas que conduziram ao encobrimento de dezenas de casos de abusos.

Os cristãos na Índia temem um aumento de casos de perseguição, agora por altura do Natal, e apontam para uma situação recente que levou à detenção de um grupo de 32 seminaristas.

Conheça a foca chamada “Amália” que foi comprada pelas Irmãs Hospitaleiras para melhorar o bem-estar de pessoas com demência…

Convido-vos também a ver esta grande reportagem multimédia da Renascença sobre a vida dos refugiados sírios na Turquia. Não tem directamente a ver com religião, mas penso que não se vão arrepender de o ver e ler até ao fim.

Hoje temos novo artigo do The Catholic Thing. Num mundo que é cada vez mais dominado pelos sentimentos e as emoções do que pela razão, é urgente ler e compreender este artigo do padre James V. Schall, que fala dos riscos que esta tendência apresenta para a nossa civilização. 

Sunday, 3 December 2017

"Católicos na Birmânia e no Bangladesh sentem-se (legitimamente) portugueses"

Aqui podem ler a transcrição integral da minha conversa com o historiador Miguel Castelo Branco, a propósito da importância da presença portuguesa na Birmânia e no Bangladesh. Esta entrevista serviu de base para três reportagens, que podem ser lidas aqui, aqui e aqui.

O Papa viaja nos próximos dias para a Birmânia e para o Bangladesh. São dois destinos em que o catolicismo está muito ligado a Portugal…
O primeiro contacto que tiveram com o Ocidente foi com portugueses, muito embora alguns digam que por lá, ocasionalmente pudesse ter chegado algum mercador genovês ou veneziano. Mas a presença impressiva, que deixou sulco e que ainda deixa sulco por todas as comunidades católicas – atrever-me-ia mesmo a dizer do Cabo ao Japão – foram profundamente inspiradas pela matriz do Catolicismo português, porque há estruturas sociais, mentais e de valores que extravasam o campo estritamente religioso e que têm uma marca profunda de Portugal.

No caso da Birmânia desde meados do Século XVI foram chegando portugueses, não propriamente portugueses organizados, porque não eram funcionários ou servidores do Estado da Índia, e que se fizeram no actual Myanmar como soldados.

Mas há aqui uma série de outras questões engraçadas, que dariam um filme por exemplo, dos aventureiros mercenários portugueses, dois dos quais até se transformaram em reis locais.

Há o caso do Sebastião Tibau, que é um rapaz novo, de 20 anos, que chega à Índia, deserta imediatamente e põe-se ao serviço do Rei do Arracão, que é esta região onde há actualmente este problema dos Rohingyas, chama-se Rakhine. E ele transforma-se lentamente num rei pirata de uma ilha que fica no Golfo de Bengala, em frente ao Bangladesh, onde termina o Bangladesh começa Myanmar.

Ele foi rei de Sundiva, depois é claro que com tantas traições e mudanças de campo acabou por ser destruído pelos birmaneses.  E depois há o famosíssimo Rei do Sirião, ou rei do Pegú, que é um Filipe Brito de Nicote, no primeiro quartel do século XVII, e que era também um mercenário, que ganhou tanto relevo que acabou por ser investido como Senhor do Sirião. Sirião fica no Pegú, o extremo sul da Tailândia, perto do mar de Andaman. Mas a partir do momento em que extravasou a sua lealdade para com o Rei do Arracão...

Tudo isto no que é actualmente a Birmânia?
A Birmânia antigamente, assim de forma muito simplista, eram dois reinos. O Arracão, actualmente o Rakhine – aquele Estado onde está em curso aquele problema dos rohingyas – e o norte, a Birmânia interior, que era o Reino de Ava.

Filipe Brito de Nicote servia o Arracão, mas a partir do momento em que excedeu em liberdade em autonomia, foi eliminado. Temos aqui dois casos de soldados práticos que não têm nada a ver com o Estado da Índia nem com as relações diplomáticas, informais, entre Portugal e a Birmânia.

Esses são dois casos isolados e curiosos. Mas há depois uma presença mais organizada que acaba por ter uma grande influência na história da Birmânia...
Onde há portugueses à solta – que era o nome que se lhes dava – geravam espontaneamente comunidades ditas portuguesas. Casavam com mulheres locais e os filhos recebiam educação portuguesa, o que quer dizer a religião dos portugueses, católica. E por conseguinte, ao fim de 20 ou 30 anos geravam-se os chamados bandéis, que são povoados inteiramente ocupados por esta população mista, neste caso luso-birmanesa, como na actual Tailândia, luso-siamesa e por todo o lado assim aconteceu.
Eram comunidades que desabrochavam espontaneamente e que eram especializadas, isto é, estas comunidades tinham uma função no quadro das monarquias locais. Eram soldados, eram intérpretes (não nos esqueçamos que o português era a língua franca internacional. Até ao Século XIX os ingleses, holandeses e franceses, tinham de aprender português para poderem negociar nessa região, uma região vasta, que vai praticamente até Timor. O inglês é uma coisa muito recente), eram bons agentes diplomáticos para receber europeus, porque dominavam o processo de negociação e conheciam as manhas dos ocidentais, e eram também fundidores.

Até ao século XIX, no caso da Birmânia, estas comunidades, que eram numerosas, tinham um estatuto muito privilegiado e eram muito protegidas pelas monarquias budistas – como é o caso da Tailândia e da Birmânia – que são aliadas dos portugueses, mas no sentido em que há forças que são intermediárias entre Portugal e essas monarquias e essas forças locais, sociais, são estas comunidades católicas.

Claro que com o aumento da expressão demográfica destas minorias católicas portuguesas, porque era assim que eram tratados – a religião dos portugueses era o Catolicismo, logo o Catolicismo só era próprio dos portugueses – eles tiveram de pedir assistência religiosa e assim várias ordens religiosas, nomeadamente os jesuítas, os agostinhos, os franciscanos enviaram missionários e criaram-se missões.

Ainda há quem recorde a presença dos portugueses naquele país? O que é que lá ficou?
Ainda há uma comunidade compacta. Eles foram distribuídos pelo território, por vários motivos históricos.

A França e a Alemanha daquela região são respectivamente a Birmânia e a Tailândia, e estavam em constantes guerras. Como havia portugueses de um e de outro lado, ao serviço das monarquias, o princípio não era matá-los, era capturá-los, porque nas guerras asiáticas desse tempo a lógica não era exterminar o inimigo, era aprisionar o inimigo, porque havia uma falta crónica de mão-de-obra e de gente e sabiam que estes arcabuzeiros, estes atiradores portugueses eram muito bons, pelo que tentavam capturá-los e cobriam-nos de regalias.

Estando de um lado ou de outro, sendo capturado por um lado ou por outro, sabiam que não seriam mal-tratados.

Actualmente ainda há vestígios razoavelmente importantes. Quem leu as “Burmese Days”, de Orwell, encontra esta figura do português, aquilo a que os ingleses chamavam desdenhosamente “Black Portuguese”, com o seu racismo, porque de facto essas populações foram hostilizadas sobretudo pelas potências coloniais, não foram pelos estados independentes que subsistiram até ao século XIX. No caso da Tailândia felizmente nunca foi colonizada até ao Século XX.

Actualmente estes descendentes vivem alguns em Rangum, que foi até há pouco a capital do Myanmar, mudou para Naipindau, e no Norte. Eles foram acompanhando a monarquia Birmanesa no seu recuo para o interior. Sobretudo no Século XIX quando os ingleses chegaram para invadir pela primeira vez a Birmânia – a Birmânia era um grande Estado, foi agredida três vezes militarmente pelos ingleses até desaparecer, três guerras sucessivas no século XIX – a população católica acompanhou os seus reis, os seus reis budistas, até Mandalay. No Norte do país, perto do Rio Mo, há ainda uma numerosa população portuguesa, com os seus padres católicos, descendentes de portugueses.

Ainda há um ano na Faculdade de Direito, a Nova Portugalidade organizou uma conferência que teve por convidado Sua Alteza Real o Sr. D. Duarte, e ele falou sobre as comunidades e as cristandades portuguesas no Oriente e lembrou que todos os bispos da região têm ascendência portuguesa, o que de facto mostra que são comunidades que mantiveram a sua lealdade e a sua lealdade é tripla: É uma lealdade nacional, porque eles são bons patriotas e bons cidadãos dos países onde nasceram; uma lealdade à sua religião, são católicos, e uma lealdade emocional a Portugal, coisa que certamente nas Necessidades ninguém se lembrará.

São comunidades extremamente importantes e continuam a ser, sobretudo na Tailândia, onde ocupam funções de grande relevo no serviço público.

Neste momento há uma crise humanitária com os Rohingya... Quais são as raízes históricas do que se está a passar aí?
Creio que há uma grande parcialidade, para não dizer uma grande manipulação, em relação á questão dos refugiados rohingyas. Para o Governo birmanês eles não são birmaneses, isto é, não são cidadãos do Myanmar. Chamam-lhes bengalis, porque vieram do Golfo de Bengal.

Acontece que a questão é antiga e é recente. É antiga porque de facto há referências esparsas, de viajantes ingleses, sobretudo, à existências desses rohingyas já no século XVIII. Como era prática no quadro do império, o Raj britânico, havia mudanças de população. Os ingleses levaram para a Malásia milhares, que agora são milhões, de chineses, como levaram para o Uganda indianos, como levaram chineses também para a actual Singapura e levaram estes bengalis para o ocidente de Myanmar, para este Estado de Rakhine.

O que acontece é que durante a Segunda Guerra Mundial a Birmânia tornou-se independente. Teve um Governo fabricado pelos japoneses para demonstrar que o Japão estava na dianteira do processo de luta contra o imperialismo ocidental. Os birmaneses aceitaram naturalmente essa graça da independência e foram fiéis aliados dos japoneses. Quando voltaram os ingleses em 45 já estavam com problemas na Índia, iniciaram o processo de independência da Índia e depois da Birmânia. E ao saírem entregaram todas as armas que tinham aos muçulmanos, ditos rohingyas, que agora estão no centro dos noticiários.

Acontece que entre 1948, data da independência da Birmânia, e os anos 60, estes muçulmanos desenvolveram uma guerra de guerrilha intensíssima que foi, finalmente, vencida pelo Exército birmanês.

Agora, uma coisa que as pessoas não sabem é porque é que o Governo do Bangladesh e o Governo da Índia hostilizam de uma forma tão notória os chamados rohingyas. Porquê? Porque o braço armado da chamada resistência rohingya é o nome local para a Al-Qaeda.

Os rohingyas não são só alvo de perseguição, têm morrido milhares de budistas, impalados, queimados vivos, com templos destruídos, pelo chamado exército de defesa rohingya. Portanto os rohingya armados são outro nome para a Al-Qaeda.

Não devemos de uma forma tão afirmativa separar os bons dos maus, porque aqui há de facto um problema grave. Há um problema de populações, um problema de sofrimento humano, mas parece-me que, ao contrário do que se diz, a senhora Aung San Su Kyi tem tentado de uma forma razoavelmente cordata – no pressuposto de que Estado algum aceita uma secessão de uma parte do seu território. Se acontecesse connosco no Algarve ou nos Açores, ou com os espanhóis na Catalunha, a posição do Estado é mais dura – mas não me parece que da parte dela e da parte da grande maioria da população, e sobretudo dos agentes políticos birmaneses, haja qualquer expressão de ódio em relação aos muçulmanos.

Não está em curso uma guerra religiosa, ao contrário do que muitas pessoas julgam. A situação não é tão clara como parece e há, no caso dos rohingyas, um fantasma, um espectro oculto, que é a Al-Qaeda, que também está em Mindanao nas Filipinas, que está no Sul da Tailândia, portanto a questão não é tão linear como alguns pretendem fazer crer.

Independentemente disso, que dá contexto, as imagens que vimos dos refugiados, das tragédias, da limpeza étnica...
Eu não sei se será limpeza étnica, mas há de facto um nível de violência inaceitável.

Mas conviria estudar e saber in loco, porque ao contrário do que o senso comum, que muitas vezes tem um peso imenso, pretende fazer crer, os especialistas na matéria birmanesa tomam todos partido pelo Governo da Birmânia. Estou a falar de grandes autoridades, historiadores, sociólogos e antropólogos e etnólogos, que conhecem profundamente Rakhine, que é o estado onde estão a acontecer estes problemas, e todos eles tomam partido.

Eu creio que tal como aconteceu na Síria, seria conveniente saber quem é quem e saber quem é que faz o quê. Ainda me lembro que há quatro ou cinco anos era impossível falar na Síria sem ter de despejar uma torrente de impropérios sobre o Governo de Bashar al-Assad, quando para nós, católicos e cristãos, era a entidade que estava a defender as cristandades existentes na Síria. Portanto eu creio que é necessário muitas vezes tentar perceber um pouco e ouvir as autoridades certas e no caso da Birmânia aquilo que me parece é que houve um grande exagero, como há estas explosões emocionais, que são próprias, mas que não são esclarecedoras. E depois é necessário dar voz, e ouvir as pessoas que conhecem, sobretudo ocidentais, sem parcialidade e sem cegueiras, para que possam dizer-nos exactamente o que é que está a acontecer.

Temos depois o Bangladesh onde, segundo o embaixador em Lisboa, ainda existem 1.500 palavras portuguesas no vocabulário e o principal bispo tem o apelido D’Rozário… Fica surpreendido ao saber estas coisas?
Há uma grande comunidade, aliás, Calcutá, que foi – creio que ainda será – a maior cidade indiana, onde os ingleses se fixaram depois no Século XVII para XVIII, foi criada pelos portugueses. De Calcutá para Leste, ali na foz do Bramaputra, constituíram esses tais bandéis, esses tais acampamentos dos portugueses. A maior cidade portuária, que é agora especialista mundial em desfazer navios, que é Chitacong, foi criada pelos portugueses. E o Bangladesh tem esta curiosidade, tem de facto uma minoria católica forte, muito resistente até à pressão islâmica, o que é um caso notável de sobrevivência. Mas essa presença portuguesa está lá desde o século XVI, também.

Temos alguns piratas e que desenvolvem uma actividade importante, porque escoam os produtos dessas regiões, portanto tornaram-se úteis, ao contrário do que diz alguma historiografia anglo-saxónica, não são parasitas, pelo contrário, são agentes de reprodução de riqueza, dai serem tão estimados.

A India durante 400 anos foi governada pelo chamado Império o Grão Moghol. O Grão Moghol hostilizava os cristãos, mas protegia os portugueses, porque sabia que tinham esta faculdade, eram agentes importantes dinamizadores do comércio e da riqueza. No caso do Bangladesh, um país que se inunda com facilidade, os portugueses penetraram ligeiramente no interior.

Os portugueses não foram os únicos europeus a ter interesses, comércio e a deixar um legado na Ásia. Mas este fenómeno de orgulho nas raízes portuguesas que vemos na Birmânia, na Tailândia, etc. acontece também com ingleses, holandeses, franceses?
No caso holandês e inglês não, decididamente, porque a própria expressão da sua presença e até a sua própria ideologia é marcada por uma profunda desconfiança em relação àquilo. O Grócio dizia que os portugueses eram uma raça decaída, um povo caído, porque se misturavam com os animais. Isto mostra um bocadinho o tipo de atitude holandês e inglês em relação aos povos de pele escura.

No caso dos franceses é tardia, porque a França tem sobretudo uma presença na Índia em Puducherri, a mestiçagem é muito pequena, e depois a França só volta de facto a ter algum impacto no sudeste asiático a partir da década de 60 da década XIX.

No caso português é diferente. As populações católicas que se orgulham das suas raízes portuguesas são imensas. E até têm a faculdade de resgatar do isolamento e da sua condição social marginal os mestiços feitos pelos ingleses e pelos holandeses. Todos eles quer em Batávia, actual Jacarta, quer no actual Ceilão, muitos dos descendentes de marinheiros e soldados holandeses quiseram ficar portugueses e tomaram nomes portugueses, não querem nada com essa memória e com essa ancestralidade cultural holandesa.

Aliás, as marcas são muito pequenas. Eu falo tailandês, estive vários anos na Tailândia, e não há semana que não encontre uma expressão portuguesa já muito corrompida. Perguntaria quantos termos holandeses terão ficado na actual Indonésia.

E o caso inglês e holandês, são casos de companhias, são companhias de accionistas. O império, de jure, inglês na Ásia é do Século XIX. Antes eram iniciativas de uma empresa, de uma companhia, que se chamava Companhia das Índias Orientais. O mesmo acontecia com os holandeses.

A presença portuguesa é efectiva e desenvolve-se em vectores profundíssimos, não é só uma presença de estado, económica e comercial. É uma presença religiosa, cultural e de populações que passam a ser portuguesas, dentro e fora dos limites do próprio império português. Isto é um caso único daí que para muitos ocidentais se consegue demonstrar que há actualmente – isto pode parecer um pouco exagerado – um império. Já lhe chamaram império informal ou império invisível, mas há um império invisível português na Ásia que tem a ver com todas estas comunidades católicas, que continuam vivas, algumas com alguma influência, e que Portugal infelizmente não acompanha, porque são vectores poderosíssimos de relacionamento com os estados onde prosperam estas comunidades.

Hoje em dia temos comunidades em vários pontos da Ásia que reivindicam ser descendentes dos portugueses. O Governo português faz alguma coisa para cultivar estes laços? Que mais poderia ou deveria ser feito?
Poderia fazer muito, creio que deveria. Da mesma forma que a Assembleia da República, há cerca de um ano, aprovou a concessão da nacionalidade portuguesa a sefarditas que façam testemunho e prova da sua ancestralidade portuguesa – é claro que não poderíamos fazê-lo de uma forma despreocupada – mas julgo que se deveria estudar, devia-se conhecer e de uma forma, mesmo que fosse simbólica, restituir parte da cidadania portuguesa.

Até ao século XIX a cidadania antiga portuguesa era para todo aquele que fosse católico, vivesse ou não em domínio português e que fosse leal, de uma certa forma, ao Rei de Portugal que era o responsável pelo padroado português no Oriente. Todos eles se consideravam portugueses. Subitamente há uma revolução em 1820, fazem uma Constituição escrita a dizer que são portugueses os cidadãos nascidos em Portugal... Essa gente sofre desde então uma certa orfandade, porque eles consideram-se, e legitimamente, na sua perspectiva, portugueses.

Portanto caberia ao Estado português tentar encontrar uma fórmula e sobretudo investir um bocadinho mais. Creio que a Igreja portuguesa poderia ser neste caso apoiada, e todas as organizações católicas, que enviam tantos jovens para África, poderiam ajudar. Há pouco tempo uma Cátia Ferreira esteve em Malaca, professora de português, e tinha centenas de miúdos a querer aprender português.

O Governo português poderia enviar – e isto custaria menos que um dos milhares de bolsas da FCT – uns 20 professores primários, professores de português básico, para o Bangladesh, para as nossas comunidades portugueses no Myanmar, para os bairros católicos de Banguecoque, para tanto lado onde há uma fome imensa de aprendizagem da língua portuguesa, porque eles consideram-se portugueses. São portugueses, mas não têm cidadania, não são ouvidos, nem se quer, julgo eu, para nosso mal, haverá muitas pessoas nas Necessidades que tenham sequer a percepção de que este problema existe. 

Leia também


Wednesday, 24 May 2017

Trump, Francisco e a Mantilha de Melania

Nossa Senhora Auxiliadora da China
A notícia do dia é o encontro entre Trump e o Papa Francisco. Falaram sobre muita coisa e trocaram presentes mas claro que o que gerou mais atenção foi a roupa de Melania e de Ivanka Trump. Se não sabe porque é que estavam de preto, aproveite para descobrir.

Hoje é dia de oração pela Igreja na China. O cardeal Joseph Zen reza mas aproveita também para criticar o regime.

Uma capela na Índia dedicada a Nossa Senhora de Fátima foi vandalizada por fanáticos hindus.

Sabia que existe uma Bíblia escrita em verso? Pois é verdade! E é de autoria portuguesa…

O Papa nomeou novos cardeais. Há surpresas não só pelos locais representados, mas também pelo facto de um deles ser bispo auxiliar de uma diocese cujo bispo não é cardeal.

E os terroristas continuam a fazer das suas. Na segunda-feira à noite deu-se o terrível ataque em Manchester, mas nas Filipinas também houve novos confrontos.

Leiam também o artigo desta quarta-feira do The Catholic Thing em que o padre Gerald Murray escreve sobre a importância da verdade e da realidade também nas relações ecuménicas. O tema aqui é a validade das ordens anglicanas, o que pode parecer uma ninharia,mas na realidade tem bastante importância.

Friday, 17 March 2017

Elder Jackie Chan? Temos pena

É só sorrisos até que alguém saca de uma arma...
Começo por vos convidar a ver esta notícia de um assalto que correu muito mal – para os assaltantes. Da próxima vez que virem um missionário mórmon na rua sorriam, mas não o provoquem!

O bispo da Guarda esteve de visita a Angola, onde uma missão por ele iniciada educa 350 crianças. Em breve serão 400.

Duas notícias de abusos de menores. A Igreja Anglicana da Austrália recebeu mais de 1.100 queixas de abusos no espaço de 35 anos, revela a mesma comissão que já analisou a Igreja Católica no mesmo âmbito. Já em Portugal, o padre do Fundão que foi condenado por abusos viu a sua pena confirmada peloSupremo Tribunal.

Os seguidores do Estado Islâmico na Índia têm um novo alvo. É o Taj Mahal, ironicamente considerada uma das jóias da arte islâmica naquele país.

Por falar em Islão, o artigo desta semana do The Catholic Thing tem palavras duras sobre esta religião. Escolhi e traduzi-o para esta semana não porque concordo com tudo o que o autor diz, mas porque concordo com a sua mensagem central. Há que olhar de frente o problema e assumir que há um problema com o Islão que os muçulmanos precisam de abordar.

Tuesday, 17 March 2015

Atentado no Paquistão e "O Williamson ordena amigos"

"Negando o holocausto num dia, ordenando os amigos no seguinte"
A vida difícil de um bispo ultra-tradicionalista
Domingo foi mais um mau dia para os cristãos perseguidos. Morreram 14 pessoas no Paquistão, num duplo atentado que o Papa lamentou e pela qual a Igreja local culpa em parte o Governo.

Já esta segunda-feira surgiu o relato na primeira pessoa de um espanhol que foi refém do Estado Islâmico durante vários meses, isto no mesmo dia em que os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia disseram-se dispostos a recorrer a todos os meios para travar o grupo. O Vaticano também já disse que aceita o uso da força para travar o Estado Islâmico.

Outra história terrível, mas da Índia, onde uma freira de 71 anos foi violada no decorrer de um assalto.

Há muito tempo que não ouvíamos falar dele, mas parece que o bispo que se mostrou demasiado tradicionalista até para os lefebvrianos da SSPX, vai ordenar pelo menos mais um bispo entre os seus seguidores. Ao fazê-lo entrará para a história como uma das poucas pessoas a ser excomungada duas vezes…

E terminemos com uma coisa mais alegre. Durante a Quaresma a Renascença tem feito reportagem com pessoas que ajuda outras. Desta vez damos a conhecer o trabalho dos ministros extraordinários da comunhão que levam Jesus aos doentes e acamados.

Friday, 2 May 2014

Pastoral penitenciária e eleições europeias

Afinal é mesmo importante...
Depois de ter escrito um texto inicial sobre a questão dos divorciados e o acesso à comunhão, publiquei ontem à noite uma nova reflexão com as conclusões que retirei depois de alguns dias de intensa discussão.

A Europa tem de pôr a família em primeiro lugar, diz a secretária-geral da Federação Europeia das Associações das Famílias Católicas. Maria Hildingsson explica ainda porque é que é importante votar nas eleições europeias.

Papa contra o futebol moderno! Francisco disse esta manhã que o dinheiro “polui” o desporto. Não sabemos se Platini ouviu o recado, ou se o crescimento súbito da sua cabeça lhe afectou a audição.

Tem decorrido o congresso da pastoral penitenciária, em Fátima. Hoje D. Jorge Ortiga manifestou-se contra a privatização das prisões e ontem o monsenhor Mario Toso falou da urgência de se ajudar os presos a encontrarem-se com Cristo.


Preocupação na Índia com um crime anti-islâmico que pode incendiar um país já em polvorosa por causa das eleições que se aproximam e, na Nigéria os bravos raptores de mulheres e assassinos de crianças do Boko Haram voltaram a fazer das suas.

Tuesday, 22 April 2014

Páscoa em Roma, na Síria, e numa prisão paquistanesa

Narendra Modi
Antes de mais, espero que todos os cristãos e judeus tenham tido uma Santa Páscoa. Talvez não tenham notado, mas este ano a Páscoa calhou no mesmo dia no calendário gregoriano e no calendário juliano, e na mesma semana que as festividades dos judeus.


É ainda com tristeza que vemos que esta foi mais uma Páscoa atrás das grades para Asia Bibi, a paquistanesa acusada de blasfémia.

Passada a Páscoa, as atenções focam-se nas canonizações de João Paulo II e João XXIII, que terão lugar no próximo Domingo. Ontem a Aura Miguel fez um trabalho excelente sobre João XXIII. Esta terça-feira foi a vez de João Paulo II, visto pelos olhos do seu “porta-voz” de 20 anos, Joaquín Navarro-Valls.

A Renascença aproveitou ainda estes dias para relançar um trabalho multimédia, devidamente actualizado, sobre João Paulo II, que não devem mesmo perder.

Mudando de ares… os cristãos e os muçulmanos na Índia estão preocupados com a possível eleição de Narendra Modi para primeiro-ministro. Saiba aqui porquê…

Thursday, 12 December 2013

Papa pede fraternidade, romenos... enfim...

Amigo dos intocáveis
inimigo dos Estado...
O Vaticano publicou esta quinta-feira a mensagem para o Dia Mundial da Paz. Nele o Papa fala muito das injustiças da guerra e também da economia e, numa passagem que considero crucial, diz que é na família, composta por uma mãe e um pai, que se aprende a fraternidade.

Estamos perto do Natal e é natural que comecemos a ouvir as tradicionais músicas natalícias. Esperemos, contudo, que não sejam como estas que foram transmitidas na televisão pública da Roménia…

Na Índia não é fácil ser arcebispo, mas é pior ainda ser um “intocável”. Então quando o Arcebispo sai em defesa do intocável, a situação torna-se explosiva.

Na Arábia Saudita a autoridade máxima do Islão condenou, recorrendo a termos muito fortes, os atentados suicidas.

Boas notícias para a diocese de Bragança que, três décadas depois, acabou de pagar a catedral.

Hoje publiquei no blogue duas interessantes transcrições de entrevistas feitas a propósito dos direitos humanos. Numa conversa interessantíssima, o cónego João Seabra explica o que é que os direitos humanos devem ao Cristianismo e noutra o activista Austin Ruse explica porque é que as Nações Unidas são, actualmente uma ameaça aos direitos humanos.

Não deixem ainda de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, no qual Robert Royal fala de alguns projectos de evangelização que estão a ter muito sucesso. E se gosta de ler estes artigos então poderá estar interessado em fazer um donativo para assegurar a manutenção do projecto. Noto que este link vai directamente para a página do TCT, a Actualidade Religiosa não recebe um tostão dos mesmos.

Wednesday, 4 December 2013

A Igreja Perseguida na Índia

George J. Marlin
Depois de romper com os seus laços coloniais com o Reino Unido, em 1947, a Índia, uma nação de 1,2 mil milhões de pessoas, organizou-se como uma república secular que assegura a liberdade de culto e de propagação da fé.

O Cristianismo na Índia data dos Actos dos Apóstolos, mas apenas 2,5% da população actual professa esta fé. O número total de católicos ascende aos 19,5 milhões.

Infelizmente, durante o século XXI a cláusula da liberdade religiosa na constituição indiana tem sido ignorada por fundamentalistas hindus que têm planeado, coordenado e levado a cabo perseguições anticristãs. No dia de Natal de 2008, por exemplo, mais de 100 igrejas e edifícios cristãos foram pilhados, danificados ou destruídos e mais de 400 casas de cristãos foram arrasadas.

Desde 2008 o centro dos terroristas hindus tem sido na aldeia de Kandhamal, situada junto à selva, no Estado de Orissa. Mais de 56 mil dos 117 mil cristãos que lá vivem foram expulsos das suas casas, com seis mil destas casas a serem incendiadas. Trezentas igrejas ou locais de culto foram profanadas ou destruídas.

Os cristãos estão a ser perseguidos não só por causa da sua fé, como acontece no Egipto e na Síria, mas porque se recusam a renunciá-la e a abraçar o Hinduísmo. O resultado e que milhares de indianos, incluindo padres, freiras e pastores, têm sido torturados de forma sádica. Muitos ficaram sem membros, outros foram queimados vivos. Mais de 100 perderam a vida pela fé.

Perante estes crimes hediondos, o arcebispo de Bombaím, Oswald Gracias, afirmou: “O sangue dos mártires sempre foi semente de cristãos. Este é o mistério da Cruz! Não tenho dúvidas de que Deus enviará muitas bênçãos sobre as pessoas de Orissa e da Índia em consequência do sofrimento dos cristãos de Kandhamal.”

Mas o preço é pesado. Na sua obra “Early Christians of the Twenty-first Century”, o jornalista premiado Anto Akkara, que visitou Kandhamal 16 vezes, relata a forma como a violência anticristã foi orquestrada e os testemunhos de vítimas e as suas famílias. O livro contém “uma colecção de mais de 100 verdadeiros testemunhos cristãos encharcados em sangue, testados e purificados através de um sofrimento inaudito”.

Akkara explica que a polícia limitou-se a observar enquanto as igrejas eram destruídas e como, em muitos casos, as autoridades se recusaram a registar a causa da morte como homicídio. Para evitar processos judiciais os terroristas hindus esconderam as provas. Os corpos dos mártires foram cremados ou lançados aos pântanos ou ribanceiras no meio da selva. Nos poucos casos que chegaram a tribunal, os fundamentalistas hindus foram rapidamente absolvidos por falta de provas.

Depois de meia dúzia de líderes cristãos, chefiados pelo Arcebispo Raphael Cheenath, de Cuttack-Bhubaneswar, ter confrontado o primeiro-ministro Manmohan Singh sobre a violência, Singh reconheceu publicamente que o que se passava era uma “vergonha nacional”, mas tomou poucas medidas no sentido de restaurar a confiança da comunidade cristã.

Cristãos em Kandhamal

Para os fiéis, a garantia constitucional de liberdade religiosa e igualdade perante a lei continua a ser um “slogan” vazio.

Há muitas histórias dramáticas no livro de Akkara, mas aquela que mais me marcou é a de um padre de 56 anos e uma freira de 28.

O padre Thomas Chellan, director do Centro Pastoral Divyajyoti e a sua assistente, a irmã Meena, conseguiram fugir por cima do muro do centro enquanto os terroristas hindus destruíam o complexo, que incluía uma igreja, um dormitório e outros serviços.

Mas no dia seguinte foram capturados. A cabeça de Chellan foi regada com petróleo mas no instante antes de lhe pegarem fogo decidiu-se não avançar. Em vez de o matarem, um grupo de 50 hindus espancou o padre e a freira. “Parecia uma via-sacra”, afirmou mais tarde o sacerdote.

Os seus carrascos despiram-nos e começaram a violar a irmã Meena. Depois conduziram os seus prisioneiros pelas ruas antes de tentarem obrigar o padre Chellan a violar a freira: “Quando recusei, continuaram a espancar-me e levaram-me até um gabinete governamental. Infelizmente, um grupo de cerca de 12 polícias estava a observar tudo sem fazer nada”.

Finalmente, um oficial da polícia levou-os para outra esquadra, a 12 quilómetros, onde acabou o seu suplício. No dia seguinte foram libertados e levados para Bombaím para serem tratados.

A irmã Meena, depois de recuperada da sua experiência traumática, recusou-se a permanecer em silêncio. Convocou uma conferência de imprensa em Nova Deli e, diante de 200 câmaras de televisão, exigiu que a sua violação fosse investigada. Descreveu tudo, cada detalhe grotesco, incluindo a forma como a polícia a tentou dissuadi-la de apresentar queixa depois dos exames médicos terem confirmado a violação.

“Talvez Deus quisesse que eu sofresse com o meu povo, tornando-me um instrumento para falar em nome das pessoas sem voz de Kandhamal”, afirmou à imprensa. Concluiu a conferência agradecendo publicamente a Deus “por me ter escolhido para sofrer esta humilhação, dando-me a oportunidade de sofrer pelas pessoas de Kandhamal. Tive a oportunidade de viver a experiência da crucifixão”.

A fé sólida da irmã Meena e de milhares de outros foi o que inspirou Anto Akkara a escrever o seu livro. Ele acredita que estas pessoas merecem ser conhecidas como “Cristãos Primitivos do Século XXI” porque se mantiveram fiéis “no meio da crueldade diabólica, da impunidade e da apatia do Estado”.


George J. Marlin é editor de “The Quotable Fulton Sheen” e autor de “The American Catholic Voter”. O seu mais recente livro chama-se “Narcissist Nation: Reflections of a Blue-State Conservative”.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quarta-feira, 30 de Outubro de 2013)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Thursday, 31 October 2013

The message Christ has given, John de Brito followed

Full transcript of the interview with Fr. Anthony Cyril, rector of the Shrine of St. John de Brito, in Oriyur, India. News feature, with video, here.

Transcrição integral da entrevista ao Pe. Anthony Cyril, reitor do Santuário de São João de Brito, em Oriyur, Índio. Reportagem, com vídeo, aqui.

Tell us a little about the shrine of Oriyur…
In Tamilnadu the São João de Britto Shrine is the oldest shrine, but since it is situated in a remote area, the attention is not given properly, so far. For the past three to four years we have been giving some attention, there is a lot of improvement, in terms of the pilgrimages and the restoration and renovation of the churches. Now the pilgrims come and say Father, the shrine is good now, it is clean now, there is a spiritual atmosphere. They donate what they have, these contributions are also increasing, sharing their resources.

Three hundred years ago St. John de Brito was beheaded here. People started coming and venerating him. Not only Catholics, but other religious groups, particularly Hindus and Muslims. Among the Christians there are also other sects, people come because they want to pay respects to the man who introduced Christ, they say they want to see their forefather and get blessings from him.

People have started coming, I am struggling to get the government to increase the facilities. The road is good now, a bank has come, some infrastructures have improved. The Tamilnadu government has given money for dormitories for the pilgrims, toilet facilities, water purification machine and the fourth is solar energy. Because of our tireless effort things are progressing and the spiritual atmosphere is improving.

The shrine is run by the Jesuits?
Yes, but it is under the diocese of Sivangagai, but we cooperate in the development.

How well known is Saint John in India?
It’s a pity, but many Indian Christians do not know John de Brito, but their forefathers, those who know, tell their grand-children about them. But I make an effort, I go to different parishes every week and I speak about him, and people then get to know him and come to the shrine. There are three very important saints in the Indian Catholic Church. One is St. Thomas, the other is St. Francis Xavier, and then there is St. John de Brito. Everybody knows the first two, but not so many know the third. But the consciousness is increasing.

This year, one of the purposes of my visit is that we are making a short film about John de Brito. It will start in Lisbon, his birth place, his baptism place, his house, where he studied in Coimbra, then his landing in Goa and his history in India. The CD will be distributed in Portugal as well. It will be a short film, later we might make a bigger one. We have an Indian cast, in Tamilnadu many villages already have plays about St. John de Brito, and they are ready to participate.

What would you highlight from St. John’s legacy in India?
He didn’t live a long time. He died at the age of 46. By then he had spent 20 years in India and had made a great impact on the Indian Catholic Church. In 20 years he converted 30 thousand people. At that time there were no facilities, no roads, buses, he went on foot. He went around all of Tamilnadu on foot, he crossed forests, rivers, he had a very tough time.

But he was so happy to serve the people, such an enthusiastic personality.

When you look at his life, at the beginning he was very sick, physically. His mother prayed to St. Francis Xavier, and he was saved. He travelled in the see for 11 months, many people died but he survived. Then in India he had bad facilities, but he had strong willpower, and, especially, he had a very strong faith in Christ.

During the last period of his life the king tortured him. He went to jail, then he was hung upside down in a well, then he was beaten up. All this he bore with happiness and joy. He almost reflected Christ. Even at the last moment, he blessed the man who came to behead him, telling him to do his duty with a smile on his face.

So that is a lesson we hope to learn, when we have suffering, we accept it with a joyful note. That is the message Christ has given, John de Brito followed. That is why he is alive in the shrine, with happiness, with Joy. That is why in Tamil he is called Arul Anandar, which means Grace with Joy.

People come to the shrine with problems, but they meet him and their problems are solved, because he was pouring abundant grace on the people who are suffering.

Are there many documented cases of miracles?
Yes, many, and they will be shown in the film as well.

What plans do you have for the future of the shrine?
We are establishing a missionary park, to mark the year of faith. In that park we have already finished one structure, a meditation hall, where 700 people can sit and meditate. Around it we are building a structure, where we are bringing many missionary figures. It is because of missionaries that the church has grown. For example, we have biblical missionaries. Moses, Abraham, the prophets. From the New Testament, John the Baptist, Mary Magdalene, Saint Peter, Saint Thomas, Saint Paul, all missionaries. IN the early Christian time Saint Ambrose. Then in the medieval time, Saint Francis of Assisi, Saint Ignatius, Saint Francis Xavier, Saint Anthony. Later St. Pio, Sister Theresa, St. John Paul II. They will all be in our missionary park. It is going to be faith formation for children and youth, a unique project of our shrine. I feel that when it is finished people will come to see our particular area; we are planning a 30 minute sound and light programme for the evening. People are really taken up by it.

The Cologne Archdiocese was supporting it and I think they will continue to support it.

I am going to introduce the shrine to the church in Goa, maybe after preparing more facilities for lodging. Soon it will be an international shrine, but it takes time, we have to struggle and suffer, as St. John de Brito struggled and suffered.

We have heard some troubling news from India in terms of religious freedom… what is the situation for Christians at the moment in general, and also in the area you live in?
In my place there is no problem. For example South India is safer than North India. It is a question of political gain, the politicians make use of religion to divide the people and make them fight. But among the people there is a peaceful coexistence, but they instigate. Now there are going to be elections and the Hindu fundamentalists are instigating the people. But in my place there is no violence, the number of Hindu fundamentalists is much smaller.

But the John de Brito shrine is a shrine of reconciliation; it is a shrine of interreligious atmosphere, a shrine of peace. For example during the festival all the people come and cooperate and work for the feast.

O santuário de Oriyur
Has Christianity been growing in your region?
Yes.

Some of the accusations against the Christians are that they try to convert people from lower castes…
They come on their own, they join on their own, it is growing, but they love Christ, they love the Church, they love the church activities, education, health care, social work. Christianity is growing in India, it’s not dying, its growing, stronger and stronger. The number of people participating in the church is high. In my parish in Chennai, there are 12 masses on Sunday and the church is always packed!

Were you born into a Christian family?
Yes. Maybe three or four generations. My forefathers were converted by John de Brito, then they went to Myanmar. My grandfather went there, my father was there and I was born in Myanmar and was there until the age of 10. Then I came back to India, then I joined the Jesuit order, and now I have a great chance to develop the John de Brito shrine, it’s a blessing for me. Nobody got this opportunity, but I did. It’s a blessing!

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