Showing posts with label Jean-Pierre Ricard. Show all posts
Showing posts with label Jean-Pierre Ricard. Show all posts

Friday, 11 November 2022

Aquele que tem ouvidos, que ouça o Hospital de Campanha


Hoje temos novo episódio do Hospital de Campanha. Para esta conversa convidámos o Pe. Tiago Fonseca que nos fala da sua vocação, de como é ser padre numa altura em que tanto se fala dos pecados e dos crimes cometidos pelo clero, do perigo da solidão entre os sacerdotes e como se pode combater e termina com um apelo às famílias para apoiarem os padres, convidarem-nos para jantar ou, idealmente, para ir ver o Benfica.

Foi uma excelente e animada conversa e ainda por cima o som não nos pregou partidas desta vez, portanto aproveitem e partilhem!

Houve um novo caso de abusos em França, envolvendo um cardeal. É o 11º caso a envolver bispos neste país, mas o cardeal Jean-Pierre Ricard tem a particularidade de ter passado anos na Congregação para a Doutrina da Fé, a decidir sobre casos de abusos entre o clero. O que é que isto quer dizer? Que conclusões podemos tirar? Leiam aqui a minha análise e ouçam o Papa Francisco, que disse recentemente que é preciso coragem para combater este flagelo, mas que nem todos a têm.

O Cardeal D. José Tolentino acaba de publicar um livro sobre São Paulo. Uma boa recomendação para a altura do Natal, que se aproxima.

Por falar em Natal, a fundação Ajuda à Igreja que Sofre acaba de lançar a sua campanha de Natal, este ano focada no Líbano e na Síria. Foi para ajudar a preparar artigos para esta campanha que estive no Líbano em Abril do ano passado, por isso mantenham-se atentos ao site da AIS nas próximas semanas e, mais importante, contribuam para estas comunidades, que tanto precisam.

Entretanto continuamos com o processo do Sínodo sobre a Sinodalidade. O artigo desta semana do The Catholic Thing é de Stephen White, que coloca questões importantes sobre a sinodalidade e deixa avisos que não devemos ignorar.

Já sabem que no blog continuo a publicar as principais declarações sobre a guerra na Ucrânia de líderes religiosos relevantes, recentemente actualizei o Papa Francisco, o Patriarca Cirilo e o Metropolita Onófrio. Tenho também, em constante actualização, a cronologia de casos de abuso sexual em Portugal, que também podem ir visitando.

Tuesday, 8 November 2022

Abusos na Igreja - O caso do cardeal Jean-Pierre Ricard

A revelação, feita ontem, de que um cardeal francês abusou sexualmente de uma jovem de 14 anos numa altura em que ainda era pároco, é muito mais grave do que pode parecer à primeira vista – e à primeira vista é já extraordinariamente grave.

O cardeal em causa é Jean-Pierre Ricard, bispo emérito de Bordéus.

Com este escândalo são pelo menos três os cardeais que na última década foram acusados de impropérios sexuais. O cardeal Keith O’Brien, da Escócia, que foi revelado pela imprensa mesmo antes do último conclave, no qual não chegou a participar, embora nunca tivesse deixado de ser cardeal; o cardeal Theodore McCarrick, de quem se soube em 2018 e acabou mesmo por ser laicizado, e agora Jean-Pierre Ricard. Pelo meio tivemos outro bispo afastado do Colégio dos Cardeais, Giovanni Angelo Becciu, mas por suspeitas de más-práticas financeiras, e não sexuais e mais recentemente tivemos o caso de D. Ximenes Belo, que não sendo cardeal é Nobel da Paz, o que o coloca também num patamar especial.

Em Portugal os bispos têm estado sob pressão por causa dos casos de abuso sexual na Igreja, mas nada que se compare com França. É verdade que o estudo apresentado em França, que aponta para centenas de milhares de vítimas de abuso infantil na Igreja local, é muito questionável, mas independentemente disso, a verdade é que Ricard não é o primeiro, mas sim o décimo-primeiro bispo a ser acusado no âmbito desta questão dos abusos sexuais.

Mas olhando agora mais de perto para a sua acusação em particular – ou melhor, a sua admissão, pois o próprio já admitiu os factos e pediu perdão à vítima, pondo-se ao dispor da justiça civil e canónica – um dos factos mais graves, e que ainda não vi merecer a devida atenção na imprensa portuguesa, é que Ricard fez parte, durante 14 anos, da Congregação para a Doutrina da Fé (agora Dicastério), que ainda é o órgão que trata da maioria dos casos de abuso sexual praticados na Igreja, decretando as sentenças para os padres que são condenados.

Isto significa que durante mais de uma década um homem que sabia ser ele próprio um abusador fez parte do painel responsável por lidar com casos de abusos. E isto é grave porque mesmo que ele tenha feito tudo bem – e não temos qualquer indício de que não tenha sido o caso – isto afecta gravemente a confiança dos órgãos da Igreja que mais precisam de ser insuspeitos para que ela limpe finalmente a sua imagem e vire uma nova página.

É evidente que nenhum sistema é perfeito, e haverá sempre padres e bispos corruptos, como existem polícias, juízes e políticos corruptos. Não há reforma que nos livre disso. Mas se há uma grande lição a retirar deste caso é mesmo para os clérigos.

Pode levar cinco, dez, vinte ou, como neste caso, trinta-e-cinco anos a saber-se. Mas o mais provável é que venha mesmo a saber-se. E quando se souber, quanto mais altos estiverem na hierarquia, quanto maiores as responsabilidades que assumiram, mais isso vai afectar a confiança dos fiéis que vos foram encomendados, mais as almas vão duvidar, mais pessoas virarão costas à mensagem salvadora de Cristo.

Depois de anos a cuidar da sua imagem e reputação, a Igreja está agora a perceber que é preciso colocar as vítimas em primeiro lugar. Mas lembrem-se que também o Povo de Deus merece respeito, merece integridade e verdade dos seus pastores e haverá um momento na vida de cada um dos que cometeu estes abomináveis crimes em que terá de decidir se aceita o cargo, a promoção ou a responsabilidade que lhe está a ser oferecida, apesar de carregar esta bomba relógio consigo, ou se recusa, para pelo menos poupar os fiéis de mais escândalos no futuro quando a verdade vier ao de cima.

Já que fizeram a coisa errada no passado – se for esse o caso – façam a certa agora. E de preferência submetam-se à justiça da Igreja e do Estado, já que a de Deus é certa. 

Partilhar