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Friday, 11 November 2022

Aquele que tem ouvidos, que ouça o Hospital de Campanha


Hoje temos novo episódio do Hospital de Campanha. Para esta conversa convidámos o Pe. Tiago Fonseca que nos fala da sua vocação, de como é ser padre numa altura em que tanto se fala dos pecados e dos crimes cometidos pelo clero, do perigo da solidão entre os sacerdotes e como se pode combater e termina com um apelo às famílias para apoiarem os padres, convidarem-nos para jantar ou, idealmente, para ir ver o Benfica.

Foi uma excelente e animada conversa e ainda por cima o som não nos pregou partidas desta vez, portanto aproveitem e partilhem!

Houve um novo caso de abusos em França, envolvendo um cardeal. É o 11º caso a envolver bispos neste país, mas o cardeal Jean-Pierre Ricard tem a particularidade de ter passado anos na Congregação para a Doutrina da Fé, a decidir sobre casos de abusos entre o clero. O que é que isto quer dizer? Que conclusões podemos tirar? Leiam aqui a minha análise e ouçam o Papa Francisco, que disse recentemente que é preciso coragem para combater este flagelo, mas que nem todos a têm.

O Cardeal D. José Tolentino acaba de publicar um livro sobre São Paulo. Uma boa recomendação para a altura do Natal, que se aproxima.

Por falar em Natal, a fundação Ajuda à Igreja que Sofre acaba de lançar a sua campanha de Natal, este ano focada no Líbano e na Síria. Foi para ajudar a preparar artigos para esta campanha que estive no Líbano em Abril do ano passado, por isso mantenham-se atentos ao site da AIS nas próximas semanas e, mais importante, contribuam para estas comunidades, que tanto precisam.

Entretanto continuamos com o processo do Sínodo sobre a Sinodalidade. O artigo desta semana do The Catholic Thing é de Stephen White, que coloca questões importantes sobre a sinodalidade e deixa avisos que não devemos ignorar.

Já sabem que no blog continuo a publicar as principais declarações sobre a guerra na Ucrânia de líderes religiosos relevantes, recentemente actualizei o Papa Francisco, o Patriarca Cirilo e o Metropolita Onófrio. Tenho também, em constante actualização, a cronologia de casos de abuso sexual em Portugal, que também podem ir visitando.

Tuesday, 8 November 2022

Abusos na Igreja - O caso do cardeal Jean-Pierre Ricard

A revelação, feita ontem, de que um cardeal francês abusou sexualmente de uma jovem de 14 anos numa altura em que ainda era pároco, é muito mais grave do que pode parecer à primeira vista – e à primeira vista é já extraordinariamente grave.

O cardeal em causa é Jean-Pierre Ricard, bispo emérito de Bordéus.

Com este escândalo são pelo menos três os cardeais que na última década foram acusados de impropérios sexuais. O cardeal Keith O’Brien, da Escócia, que foi revelado pela imprensa mesmo antes do último conclave, no qual não chegou a participar, embora nunca tivesse deixado de ser cardeal; o cardeal Theodore McCarrick, de quem se soube em 2018 e acabou mesmo por ser laicizado, e agora Jean-Pierre Ricard. Pelo meio tivemos outro bispo afastado do Colégio dos Cardeais, Giovanni Angelo Becciu, mas por suspeitas de más-práticas financeiras, e não sexuais e mais recentemente tivemos o caso de D. Ximenes Belo, que não sendo cardeal é Nobel da Paz, o que o coloca também num patamar especial.

Em Portugal os bispos têm estado sob pressão por causa dos casos de abuso sexual na Igreja, mas nada que se compare com França. É verdade que o estudo apresentado em França, que aponta para centenas de milhares de vítimas de abuso infantil na Igreja local, é muito questionável, mas independentemente disso, a verdade é que Ricard não é o primeiro, mas sim o décimo-primeiro bispo a ser acusado no âmbito desta questão dos abusos sexuais.

Mas olhando agora mais de perto para a sua acusação em particular – ou melhor, a sua admissão, pois o próprio já admitiu os factos e pediu perdão à vítima, pondo-se ao dispor da justiça civil e canónica – um dos factos mais graves, e que ainda não vi merecer a devida atenção na imprensa portuguesa, é que Ricard fez parte, durante 14 anos, da Congregação para a Doutrina da Fé (agora Dicastério), que ainda é o órgão que trata da maioria dos casos de abuso sexual praticados na Igreja, decretando as sentenças para os padres que são condenados.

Isto significa que durante mais de uma década um homem que sabia ser ele próprio um abusador fez parte do painel responsável por lidar com casos de abusos. E isto é grave porque mesmo que ele tenha feito tudo bem – e não temos qualquer indício de que não tenha sido o caso – isto afecta gravemente a confiança dos órgãos da Igreja que mais precisam de ser insuspeitos para que ela limpe finalmente a sua imagem e vire uma nova página.

É evidente que nenhum sistema é perfeito, e haverá sempre padres e bispos corruptos, como existem polícias, juízes e políticos corruptos. Não há reforma que nos livre disso. Mas se há uma grande lição a retirar deste caso é mesmo para os clérigos.

Pode levar cinco, dez, vinte ou, como neste caso, trinta-e-cinco anos a saber-se. Mas o mais provável é que venha mesmo a saber-se. E quando se souber, quanto mais altos estiverem na hierarquia, quanto maiores as responsabilidades que assumiram, mais isso vai afectar a confiança dos fiéis que vos foram encomendados, mais as almas vão duvidar, mais pessoas virarão costas à mensagem salvadora de Cristo.

Depois de anos a cuidar da sua imagem e reputação, a Igreja está agora a perceber que é preciso colocar as vítimas em primeiro lugar. Mas lembrem-se que também o Povo de Deus merece respeito, merece integridade e verdade dos seus pastores e haverá um momento na vida de cada um dos que cometeu estes abomináveis crimes em que terá de decidir se aceita o cargo, a promoção ou a responsabilidade que lhe está a ser oferecida, apesar de carregar esta bomba relógio consigo, ou se recusa, para pelo menos poupar os fiéis de mais escândalos no futuro quando a verdade vier ao de cima.

Já que fizeram a coisa errada no passado – se for esse o caso – façam a certa agora. E de preferência submetam-se à justiça da Igreja e do Estado, já que a de Deus é certa. 

Friday, 5 November 2021

A Cultura da Morte não desiste, persiste

Raffaella Petrini, a Franciscana do Francisco
Sem surpresas, o Parlamento voltou a aprovar a lei da eutanásia, agora com umas pequenas alterações que na verdade não mudam coisa nenhuma. As confissões religiosas voltaram a manifestar-se contra e a Associação de Juristas Católicas espera que o Presidente vete o diploma.

Um novo relatório sobre abusos sexuais, desta vez no estado do Nebrasca, nos Estados Unidos. Há, como sempre, histórias arrepiantes e muita coisa para envergonhar a Igreja, mas há também dados positivos como o facto de se comprovar, novamente, que as medidas de prevenção adotadas no ano 2000 resultaram e continuam a resultar.

Sobre o mesmo tópico, o Papa mandou uma carta à Igreja francesa, ainda a recuperar do escândalo do seu próprio relatório (sobre o qual escrevi aqui), a dizer que está solidário como eles para carregarem juntos o fardo da vergonha. E em Portugal os bispos prometem continuar a acompanhar o assunto.

A Grécia juntou-se aos países que proíbe a matança ritual de animais para consumo, deixando assim as comunidades islâmicas e judaicas sem outra opção que não importar carne kosher e halal e com um forte sentimento de não serem bem-vindos…

Conheça aqui a mulher que ocupa um alto cargo no Vaticano. É franciscana e cientista política.

Costuma rezar pelos padres que acompanharam a sua família? Não deixe de o fazer, porque é bem possível que mais ninguém o faça. Tudo explicado no artigo desta semana do The Catholic Thing.

Thursday, 7 October 2021

Encontro de Médicos Católicos em Sintra, polémica em França

É já no sábado que se realiza o encontro da Associação de Médicos Católicos, no campus da nova faculdade de Medicina da Católica, em Sintra. Os temas em destaque são a pandemia e a eutanásia. Eu estarei lá para moderar uma conferência, mas há muito mais razões de interesse para não faltar! Médicos, estudantes de medicina ou apenas interessados, não percam! O programa e detalhes estão aqui.

Como prometido, trago-vos hoje o texto em que questiono o rigor do relatório sobre abusos sexuais de menores na Igreja francesa. Não se trata de uma defesa cega da instituição. Este é um problema muito grave que merece – mesmo por respeito às vítimas – ser tratado com rigor, o que não me parece ter sido agora o caso.

Entretanto os efeitos do relatório já se fizeram sentir, com Macron a chamar o presidente da Conferência Episcopal Francesa para falar sobre o segredo da confissão.

Boas notícias do Curdistão iraquiano, onde o Governo regional cedeu um distrito para ser gerido pela maioria cristã que lá vive. Saiba mais aqui.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, sobre as possíveis sementes do Evangelho que foram plantados no Afeganistão.

Abusos em França. Números que não batem certo

Foi divulgado esta semana um relatório sobre abusos sexuais praticados em ambiente eclesial, em França.

O relatório fez manchetes em todo o mundo. Dias depois de ter sido revelado que entre 1950 e 2020 houve cerca de 3.000 padres ou religiosos que abusaram sexualmente de menores em França, na terça-feira soube-se que terá havido até 216 mil vítimas, ou mais, uma vez que o número sobe para os 330 mil se forem contabilizados os leigos que abusaram de menores em contextos de igreja.

São números verdadeiramente chocantes. Aliás, ainda que fosse só uma vítima e um abusador, não deixaria de ser verdadeiramente chocante. Contudo, penso que os dados apresentados merecem ser questionados.

Estimativas, não factos

Em primeiro lugar é preciso que fique muito claro que não estamos a falar de números concretos, mas sim de estimativas. E mais, que as estimativas se baseiam em três fontes: os casos revelados por vítimas que fizeram queixa; os casos sobre os quais foram encontradas referências em documentação da Igreja e, por fim, um inquérito levado a cabo junto da população maior de idade em França.

E qual é a distribuição? 2.700 vítimas tomaram a iniciativa de denunciar os seus casos e 4.800 vítimas referidas nos registos diocesanos. Isto significa que os restantes 209.500 casos da estimativa foram calculados com base no tal inquérito feito à população.

Convém recordar que estamos a falar de casos de abuso sexual de menores, e não de uma sondagem eleitoral, ou um inquérito de satisfação com um serviço. Eu compreendo que apesar dos apelos, nem todas as vítimas têm a coragem de falar dos seus casos, e compreendo ainda que nem todos os casos que tenham de facto existido estejam registados nos arquivos diocesanos. Mas uma diferença deste tamanho?

Quais foram as perguntas feitas no inquérito? Houve alguma triagem das respostas para se poder averiguar da plausibilidade das respostas? Confesso que não li as 2.500 páginas do relatório à procura da resposta, até porque o meu francês não é suficientemente bom para poder compreender bem os conteúdos técnicos, se é que lá estão descritos.

A surpresa com os números só aumenta se tivermos em conta o número de padres abusadores, segundo o relatório. Mesmo que se aponte para o máximo estimado de 3.200 ao longo dos 70 anos, isso representa cerca de 3% do universo total de 115 mil. Até aqui tudo bem – salvo seja – pois bate certo com as estatísticas encontradas noutros países e está mesmo abaixo de alguns.

A questão é que, juntando os dois números, somos forçados a concluir que cada padre ou religioso abusador teve, em média, mais de 67 vítimas. É um número absolutamente incrível, no sentido literal da palavra, de que não dá para acreditar.

Tenhamos em conta que segundo o relatório John Jay, sobre os abusos clericais nos Estados Unidos, que foi levado a cabo por uma instituição altamente credível, naquele país a maioria dos padres tinha abusado apenas de uma pessoa. Houve casos de abusos em série, mas são em número reduzido.

Onde está a discrepância? Claro que pode estar do lado dos padres. Se a estimativa do número de padres abusadores estiver (muito) aquém, então o número de vítimas já faz mais sentido. Mas se o número de padres está mais ou menos correcto, então estamos perante uma clara inflação do número de vítimas.

Credibilidade

A prática comum nos países onde a Igreja está mais avançada em lidar com este problema é de analisar cada acusação e tentar perceber se é, ou não, credível. Não é por haver acusações falsas que devemos desvalorizar todas as denúncias, mas por uma questão de justiça para com os acusados e as verdadeiras vítimas, devemos avaliar bem e distinguir entre o que é verdade, invenção ou confusão. Incrivelmente, o relatório chega a sugerir que a Igreja pague indemnizações sem que haja processo judicial. Mas isso faz algum sentido como regra?

Há mais. Michael Cook, no Mercatornet, realça uma série de confusões com datas – parece que ao contrário do que dizem, há dados que remontam à década de 40 – e aos dados sobre outras instituições, como as escolas, em que só foram tidas em conta escolas públicas sem internato.

Isto interessa? Claro que sim. Uma coisa é haver uma instituição em que existem alguns elementos que se comportam mal e outros que, motivados pela compreensível – mas inaceitável – vontade de proteger a reputação, abafam os casos; outra é haver uma organização que está irremediavelmente corrupta. Estes números, e a forma como foram reproduzidos na imprensa e nas redes sociais de todo o mundo, reforçam a ideia de uma instituição que mais não passa de uma rede de abusadores. O resultado é que já hoje vimos Macron a exigir explicações ao episcopado francês sobre o segredo da confissão e o porta-voz do Governo a insistir que “nada é mais forte que as leis da República”, em resposta ao comentário do presidente da Conferência Episcopal, que terá dito que no segredo da confissão não se pode mexer.

A questão dos abusos sexuais na Igreja é muito, muito grave. Os primeiros interessados em limpar a casa devemos ser nós, católicos. Os relatórios e estudos aprofundados sobre as causas e os erros cometidos pela hierarquia são bem-vindos, sempre, mesmo que doam muito, mas tenho sérias dúvidas de que este relatório sirva para muito mais do que para bater na instituição e perpetuar números que parecem ter muito pouco de científicos.

Esperemos que o tempo e olhares mais rigorosos e independentes aos números ajudem a revelar a verdade, pois essa sim nos liberta e é até mais forte que as leis da República de Macron.

Wednesday, 6 October 2021

Práticas demoníacas e uma vida "autenticamente cristã"

Notícias trágicas de França, onde um relatório publicado ontem revela que poderá ter havido até 330 mil menores de idade abusados sexualmente em ambiente clerical. O Papa expressou hoje a sua vergonha e agradeceu a todos os que denunciaram os crimes.

Estes dados são, de facto chocantes, mas merecem uma análise mais profunda que espero conseguir fazer nos próximos dias.

Esta quarta-feira morreu o padre Vítor Feytor Pinto. Uma grande referência na vida religiosa, e também civil, de Portugal. Saiba aqui os detalhes das cerimónias fúnebres.

De Roma chega a notícia de três elementos da Guarda Suíça que preferiram demitir-se a ter de tomar a vacina contra a Covid-19.

Hoje temos um novo artigo do The Catholic Thing. Ines Marzaku olha para as sementes – discretas, mas reais – que a Igreja tem deixado ao longo dos últimos 100 anos no Afeganistão e pergunta se um dia não seremos surpreendidos pelos seus frutos.

Monday, 4 October 2021

Já há datas para a JMJ 2023

Já há datas oficiais para a Jornada Mundial da Juventude em 2023, em Lisboa, e há também a confirmação de que o Papa estará presente durante o evento inteiro, segundo D. Américo Aguiar.

Esta segunda-feira o Papa participou num evento que antecede a COP 26, que se vai realizar na Escócia, e pediu “respostas eficazes” à crise ecológica.

As escolas católicas com contrato de associação querem uma revisão dos mesmos, lembrando que poupam muito dinheiro ao Estado. Para terem ideia, só um colégio, em Aveiro, gera uma poupança de 1,3 milhões por ano.

Na entrevista desta semana da Renascença em conjunto com a Ecclesia é com o economista Carlos Farinha Rodrigues, que diz que houve um “salto qualitativo” na capacidade da Igreja de diagnosticar problemas e propor soluções.

Uma comissão nacional em França concluiu que desde 1950 existiram naquele país cerca de 3000 abusadores sexuais que eram padres ou membros de ordens religiosas, isto num universo de mais de 115 mil.

Em pleno Ano Xacobeu chega a informação de que um em cada quatro peregrinos a Santiago faz o caminho português, com os responsáveis a garantirem que a Galiza reúne os requisitos do turismo na pós-pandemia

Monday, 2 November 2020

Viena, de novo

Sinagoga de Viena
Os ataques de radicais islâmicos na Europa continuam a suceder-se. Hoje a Al-Qaeda ameaçou diretamente Emmanuel Macron, no sábado um padre ortodoxo grego foi baleado à porta da sua igreja em Lyon, soube-se entretanto que um grupo de dezenas de jovens – alegadamente de ascendência turca – atacaram uma igreja em Viena e hoje temos um ataque a uma sinagoga na mesma cidade. Os detalhes são escassos, mas é triste que tenhamos poucas dúvidas da intenção dos atacantes.

O Vaticano divulgou um esclarecimento sobre as palavras do Papa, de apoio a uma forma de cobertura legal para pessoas do mesmo sexo em uniões civis, que tanta polémica causou há quase duas semanas.

Temos novas restrições por causa da pandemia, mas não há qualquer alteração as normas para o culto religioso. Ainda assim, muitos que queriam ir aos cemitérios no fim-de-semana não puderam, mas houve quem conseguisse. O Papa estava com eles em espírito.

José Eduardo Rebelo, biólogo da Universidade de Aveiro que se dedicou ao estudo na área do luto, explica porque é que esta questão é de saúde pública também.

Friday, 30 October 2020

Desespero em Cabo Delgado, choque em Nice

Temos mais um trágico atentado em Nice a lamentar, desta vez vitimou três pessoas que se encontravam numa igreja. O Papa manifestou a sua solidariedade e a conferência episcopal portuguesa também condenou o atentado.

Lembrem-se que aa vontade de responder a isto com atitudes de exclusão, de culpabilização coletiva e recorrendo a um “Cristianismo armado” é exatamente o que os terroristas pretendem. Não que a resposta do bispo do Porto seja, a meu ver, muito melhor.

Quem também está a sofrer às mãos de terroristas é a população de Cabo Delgado, em Moçambique. O bispo local pede ajuda há muito tempo, agora está a atingir o desespero.

Estamos em fase de restrições à circulação. Medida adequada ou ilegal? Um ataque à liberdade religiosa? As opiniões divergem.

E por falar em ataques em igrejas e ataques à Igreja, leiam o artigo desta semana do The Catholic Thing em que Ines A. Murzaku explica porque estes tempos difíceis não nos devem levar ao desespero.

Wednesday, 5 August 2020

O Exemplo de São Jean Vianney

Michael Pakaluk
O verão de 1859 viu começar a Corrida ao Ouro em Pike’s Peak. Amhurst e Williams jogaram o primeiro jogo de basebol interuniversitário. Em Outubro John Brown tomou de assalto o Ferry de Harper mas viria a ser capturado pelas forças de Robert E. Lee e enforcado no dia 2 de Dezembro. E foi precisamente nesse dia que morreu, na sua aldeia em França, o Santo Cura d’Ars, Jean Baptiste Vianney, aos 73 anos. 

A beatificação e a canonização de Vianney foram das mais rápidas dos tempos modernos, antes das reformas promovidas pelo Papa João Paulo II. Pio X beatificou-o em 1905 e no dia 31 de maio de 1925 foi canonizado por Pio XI.

Num artigo recente referi-me à conhecida citação de S. Josemaria Escrivá, de que “as crises do mundo são crises de santos”. Podemos concordar com essa frase, mas ainda assim não compreender bem o seu alcance. O seu significado parece variar tanto em relação ao indivíduo, e à própria crise, como o conceito de santidade. Consideremos os exemplos de Juan Diego, Tomás Moro, John Henry Newman, madre Teresa e João Paulo II. Mas por hoje consideremos Vianney.

Em retrospectiva, Vianney parece ser um de vários padres e religiosos criados na sequência da Revolução Francesa para trazer França de volta à fé. Era um rapaz durante o Reino de Terror da Revolução Francesa. Assistiu à execução de padres e ao encerramento de igrejas por ordem das autoridades civis. Mas, para ele, a necessidade de padres tornou-se ainda mais palpável, e não menos. E não era caso único. Entre os que foram ordenados diáconos com ele em Lyons estavam Marcellin Champagnat (canonizado por João Paulo II em 1999) e Jean-Claude Colin, fundador dos padres maristas.

Mas embora os santos sejam as respostas às crises, não aspiram a ser “respostas às crises” – nem, pode-se dizer, seriam santos se o fizessem. Aspiram a amar Deus de forma apaixonada, independentemente das crises. O biógrafo de Vianney, Joseph Vianney, interpreta as conhecidas dificuldades do padre com o Latim e a Filosofia à luz disto mesmo.

Do ponto de vista humano, escreve Joseph, pode-se pensar que a crise em França seria confrontada por apologética brilhante na Sorbonne, ou pela bela oratória na catedral de Notre Dame. Mas a Igreja estava ainda mais necessitada de párocos rurais. “para demonstrar, pela santidade das suas vidas, a verdade do Evangelho, no qual as pessoas tinham deixado de crer. A criança de Dardilly havia sido escolhida, de entre todas as outras, para ser o modelo desses santos padres, que são indispensáveis para a execução do plano divino.”

Anos mais tarde um sacerdote trouxe ao confessionário do Cura d’Ars um problema de consciência complexo, que tinha confundido os maiores teólogos morais, e viu que foi resolvido de forma imediata, elegante e convincente pelo simples pastor. Perguntou a Vianney onde tinha obtido um conhecimento teológico tão astuto e o santo respondeu apontando ao genuflectório.

O Cura estava profundamente convicto da sua própria indignidade e não retirava qualquer consolo da sua virtude. Rezava ardentemente para que não se tornasse o centro das atenções. Por exemplo, através das suas orações milhares de peregrinos a Ars foram curados de males físicos. Mas, aparentemente em resposta às mesmas orações, nunca eram curados imediatamente. Ele dizia-lhes para regressarem a casa e rezarem uma novena a Santa Filomena – e ao nono dia eram curados, sem atenções, longe de Ars.

Já é bem sabido que ele passava 16 a 17 horas por dia no confessionário. Isso em si já é espantoso. Mas depois lembrem-se que a Igreja não era aquecida. Ele brincava que ao fim de cada dia, no inverno, via os seus pés antes de os conseguir sentir. Tocava-os, dizia, para se assegurar de que ainda lá estavam.

No pico do verão os peregrinos que aguardavam em filas podiam sair durante alguns momentos para respirar ar fresco, de forma a não desmaiar. Mas ele passava o tempo todo atrás de uma cortina, dentro de uma caixa, alimentado pelo respirar dos penitentes e, frequentemente, pelo seu cheiro.

E essas 16 ou 17 horas eram passadas a ouvir pecados. Esta era a grande causa do seu sofrimento. “Desfaleço com melancolia nesta terra maldita”, disse, certa vez, a um colega padre. “A minha alma está numa tristeza de morte. Os meus ouvidos nada ouvem se não coisas dolorosas que partem o meu coração com tristeza”. O seu biógrafo compara-o a São Pedro, obrigado a assistir à Paixão do Senhor durante 17 horas por dia.

Dormia em cima de tábuas, apenas algumas horas por noite, suportando dores crónicas. Só a graça e o amor podem explicar a energia que sentia durante o dia. A comida que consumia diariamente não chegaria para uma pessoa sobreviver por meios naturais. Mais tarde, por obediência, passou a tomar um bocado de pão com leite depois da missa. O seu biógrafo conta-nos um incidente revelador. “O irmão Jerome, que estava frequentemente presente durante este leve repasto, notou que ele consumia o pão primeiro e só depois bebia o leite. ‘Mas, Monsieur le Curé’, observou ele um dia, quando viu a dificuldade com que ele engolia o pão, ‘se molhasse o pão no leite, seria muito melhor’. ‘Sim, eu sei’, respondeu Vianney, suavemente.”

A vida de um pároco era muito mais difícil do que a de um religioso, dizia ele. “Pensa-se que aquilo de que um padre precisa é de meditação, oração e união íntima com Deus. Mas o cura vive no mundo; conversa, mistura-se com a política, lê os jornais, tem a cabeça cheia destas coisas; depois vai ler o seu breviário e celebra missa; e faz tudo isto como se fosse uma coisa normal!”

De facto! As suas palavras aplicam-se tanto a leigos como a padres seculares. E as crises deste mundo são crises de santos.

 

Michael Pakaluk, é um académico associado a Academia Pontifícia de São Tomás Aquino e professor da Busch School of Business and Economics, da Catholic University of America. Vive em Hyattsville, com a sua mulher Catherine e os seus oito filhos.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na terça-feira, 4 de Agosto de 2020)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.


Monday, 8 July 2019

Wednesday, 28 March 2018

Coelhos fora-da-lei e heróis dos nossos dias

Cabeça de coelho ilegal na Áustria
Morreu D. António Santos, bispo emérito da Guarda. O funeral foi hoje.

Foi homenageado o polícia francês que deu a vida pelos reféns no caso de terrorismo da semana passada. Conheça também a história da menina nigeriana que recusou converter-se ao Islão e por isso continua refém do Boko Haram. Heróis dos nossos dias.

Continuamos na expectativa de saber se vai, ou não, haver acordo entre a China e o Vaticano. Entretanto os sinais que chegam não são os mais positivos, com mais um caso de um bispo leal a Roma detido.

Uma portuguesa entregou esta quarta-feira um presente muito original ao Papa Francisco. Veja aqui as imagens.

A Áustria aprovou o ano passado uma lei anti-burqa. Até agora foram advertidos turistas asiáticos, esquiadores e até a mascote do Parlamento. Um fracasso total, diz a polícia.

Hoje temos novo artigo do The Catholic Thing. Robert Royal reflecte sobre o encontro pré-sinodal que teve lugar em Roma a semana passada e pesa os prós e os contras desta forma de pastoral juvenil. Uma análise interessante que vale a pena ler.

Tuesday, 7 November 2017

A cruz do padre Dall'Oglio

Padre Dall'Oglio
O Papa Francisco manifestou-se esta terça-feira “profundamente consternado” pelo massacre numa igreja no Texas.

Em França há um monumento a João Paulo II, ornado com uma cruz que pelos vistos ofende de tal forma a laicidade que o conselho de Estado a quer remover… 70 mil pessoas na Europa, por enquanto, discordam.

Terá sido assassinado o padre italiano que foi raptado na Síria há mais de quatro anos. O padre Dall’Oglio, que entrevistei em 2012, terá sido morto em Raqqa dias depois de ter sido levado, diz agora um militante do Estado Islâmico que foi capturado por forças curdas.


Friday, 25 November 2016

Crianças com trissomia na TV? Non, merci...

Longe da TV francesa! Longe...
O Papa voltou a criticar duramente o clericalismo. Foi numa conversa informal com jesuítas que foi agora publicada na íntegra numa revista daquela ordem.

Foi detido em França o homem que ontem tomou de assalto uma casa de missionários reformados, matando uma funcionária. Ao que parece o caso nada tem a ver com terrorismo islâmico.

O que tem a ver com terrorismo islâmico é o caso do marroquino detido em França e que tinha autorização de residência em Portugal. Ao que parece ele e a sua “trupe” tinham ordens do Estado Islâmico para fazer um atentado no dia 1 de Dezembro.

Ainda de França chega a notícia incrível da proibição de um anúncio que pretende encorajar as mulheres grávidas de crianças com trissomia 21. As autoridades francesas consideram que pode perturbar a consciência de quem abortou. Actualmente, nos países em que existem estatísticas, sabe-se que cerca de 9 em cada 10 bebés diagnosticados com trissomia são abortados. Há uma palavra para isto: Genocídio.

Arranca no domingo o programa do centenário das aparições de Fátima, mas esta sexta-feira já abriu a exposição Mater Dei, com 25 representações de Maria na Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha, em Lisboa, que foi toda restaurada recentemente.

Tuesday, 14 June 2016

Ódio, tragédias e uma voz de esperança

Clicar para aumentar
Aconteceu muita coisa desde o meu último mail, a começar pelo absolutamente trágico ataque em Orlando, num bar frequentado sobretudo por homossexuais, que fez meia-centena de mortos. O atacante disse agir em nome do Estado Islâmico, o Papa lamentou o horror, o FBI disse “oops”, Obama aproveitou para falar novamente das leis das armas e Trump tentou ganhar votos. Entretanto várias pessoas arranjaram maneira de culpar os cristãos conservadores pelo massacre, o que faz mais ou menos o mesmo sentido que culpar os homossexuais pelo massacre de cristãos no Médio Oriente…

Ontem, novo ataque terrorista, desta vez em França, com um “lobo solitário” a matar um polícia e a sua mulher.

Hoje, soube-se que frei Bernardo, que viveu no início do século XX, foi declarado Venerável. Conheça aqui a fascinante história do jovem frade que converteu Teixeira de Pascoaes.

O líder do Estado Islâmico pode ter morrido!! Ou não… Nunca se sabe bem e esta deve ser a quinta vez que o homem é declarado morto, portanto tudo pode acontecer.

A Congregação para a Doutrina da Fé lançou um documento que diz que a hierarquia e os movimentos católicos não se sobrepõem uns aos outros, mas antes se complementam.

Termino com um convite, para irem no dia 21 de Junho assistir ao concerto da minha prima Ana Stilwell, que colocou o seu talento ao serviço da causa dos refugiados. É às 21h no Teatro Thalia e o dinheiro angariado vai para a Plataforma de Apoio aos Refugiados. Divulguem!

Wednesday, 16 March 2016

O Patriarca, o Presidente e o Papa

Marcelo Rebelo de Sousa visita amanhã o Papa Francisco, na Santa Sé. A vaticanista Aura Miguel estará no local, pelo que podem saber de tudo na Renascença. Entretanto o Patriarca quer que o novo Presidente traga de Roma novidades sobre a visita do Papa a Portugal, em 2017.

Hoje, entretanto, o Papa Francisco ergueu a voz novamente sobre a situação dos refugiados.

Começa amanhã um curso de Marketing, comunicação e pastoral para organizações religiosas, organizado pelo Patriarcado. Saiba mais aqui.

A operação anti-terrorista na Bélgica terminou com um jihadista morto, dois detidos e outros em fuga e ainda hoje em França foram detidos quatro fundamentalistas que estariam a preparar um “ataque iminente” no centro de Paris. Enquanto isto, o congresso americano definiu a perseguição do Estado Islâmico aos cristãos como genocídio, o que coloca Obama sob pressão, saiba porquê.

Hoje temos um novo artigo do The Catholic Thing. Randall Smith fala, brilhantemente como sempre, da confissão, que descreve como “ser beijado por Deus”. Vale mesmo a pena ler e partilhar.

Wednesday, 18 November 2015

Cristo entre a Tralha: Notre Dame Ontem e Hoje

Brad Miner
Ver a multidão a transbordar do Notre Dame de Paris, na vigília de domingo à noite pelas vítimas dos atentados terroristas, foi uma experiência emocionante. É fantástico como a proximidade do mal leva as pessoas a voltarem-se para Deus. Mas recordou-me de uma experiência pessoal de há muitos anos, que também conduziu a uma viragem espiritual.

Certo dia, em Agosto de 1968, estava a deambular pelas estradas de Paris. Tinha um quarto num hotel barato na zona de Saint Germain e não tive grande pressa em passear até à Pont Neuf para chegar à Île de la Cité e à Notre Dame.

Nessa altura da minha vida era apenas um universitário pagão. Tinha entrado em igrejas católicas um total de duas vezes, ambas em Ohio. A primeira foi a igreja do meu bairro, para a misteriosa Primeira Comunhão de uma colega da escola, bonita no seu vestido e mantilha brancos, pois isto foi antes do Concílio. A outra vez tinha sido há poucos meses, para uma missa no campus universitário a que a minha namorada católica me levou. Nem num caso nem noutro tinha prestado a menor atenção ao que se estava a passar, só estava interessado nas miúdas.  

As velas, as imagens e os crucifixos dentro da Notre Dame de Paris – a estranheza de tudo aquilo – ofendia-me, porque estava habituado à bruta simplicidade da igreja metodista da minha juventude, embora fosse, como se esperaria de um pagão, totalmente indiferente à piedade fácil protestante. Pensei que a Notre Dame era interessante do ponto de vista arquitectónico, mas demasiado requintada. Como é que se encontrava Deus no meio de toda esta tralha? Se é que havia um Deus para encontrar.

Mas havia mais, e eu sabia. Tinha lido que os arcos interiores góticos simbolizavam mãos em oração, e na catedral estavam imensas pessoas ajoelhadas a rezar, com os olhos postos no alto e, por todo o lado, uma sensação de deslumbramento que se sentia. Centenas de pessoas andavam de um lado para o outro em silêncio. Sabia que se estivesse com os meus amigos estaríamos quietos e em silêncio, como todos os outros, sem as palhaçadas irreverentes que de resto praticamente nos definiam. Sozinho, comecei a ficar perturbado por este deslumbramento. Nunca me tinha sentido tão pequeno. Há medida que a minha aflição aumentava, disse uma palavra ansiosa, quase como protecção contra o mistério: Jesus.

Virei-me para sair e vi pela primeira vez a janela rosácea. O sol do meio-dia atravessava-a – atrás de mim o som da missa a começar – Nossa Senhora com o menino Jesus, no centro, os vitrais dos seus 84 painéis a formar um caleidoscópio vertiginoso de apóstolos, anjos, ressurreição e inferno.

Saí apressado para a Place du Parvis (hoje Place João Paulo II), sentindo as gárgulas a observar-me enquanto corria de volta para a margem esquerda.

Passados uns dias, no comboio para Roma, dei por mim a pensar na minha reacção. Não acreditava em Deus, e pensava que a Igreja Católica não passava de uma gigantesca fraude, embora tivesse ficado bastante impressionado pelo estudo da Europa em Civilização Ocidental 1 e 2, em que a Igreja desempenhava um papel tão importante. Mas num trabalho (para o qual tive A-) tinha-me revoltado contra o catolicismo pela forma como tratou Galileu e o meu professor tinha escrito na margem: “Teria sido um A+ se não fosse o acesso de revolta anti-católica. Tenta ser objectivo, sempre.” Mais tarde, quando lhe disse que ia passar o Verão à Europa ele deu-me uma espécie de penitência, fez-me prometer-lhe que iria visitar todas as principais catedrais de Paris, Roma, Florença, Viena e Praga, embora duvidasse – não obstante os meus planos – que eu conseguisse entrar na Checoslováquia. Tinha razão. Dois dias antes da minha planeada viagem de Viena para Praga, 2000 carros de combate soviéticos e 200 mil tropas do Pacto de Varsóvia invadiram.

Janela rosácea de Notre Dame
Mas à medida que o comboio de Paris ia rolando para sul até Roma, meditei sobre o poder que a história e a literatura têm para nos cativar, mesmo quando nos convencemos que aquilo não tem nada a ver connosco. Esse verão representou, a meu ver, a minha emancipação de todas as amarras do passado e não fazia ainda ideia que Deus me estava a prender agora ao próprio objecto do meu desprezo.

Em Itália cumpri a minha obrigação de visitar a basílica de São Pedro e o Il Duomo de Florença, e em Viena fui ao Stephansdom. Numa paragem em Lausanne, na Suíça, até corri monte acima para ver a catedral de Notre Dame, visível da cidade (e cujo nome me tinha sido indicado por um transeunte), apenas para descobrir que se tinha tornado protestante no século XVI. Não tinha qualquer razão para ficar desapontado por isso, mas fiquei.

De regresso a Paris voltei para o Notre Dame. O cheiro de uma catedral católica é incomparável, não tem nada a ver com o cheiro fresco de pinheiros do protestantismo do Oeste americano. Sentei-me num banco e reflecti sobre aquela que continuo a considerar a maior igreja da Cristandade e tentei discernir os aromas: cera derretida, incenso, suor, lágrimas, suspiros, idade… Agora, em vez de “requintada”, a palavra que me surgia foi “antiga”. E lembro-me de pensar: O que é velho é novo.

Jean-Charles, o recepcionista do hotel, recrutou-me nessa noite para jantar com ele e duas raparigas que lá estavam hospedadas. Ele estava caído pela Ilke, que era alemã, deixando-me com uma mexicana morena e linda chamada Maria, que não falava uma palavra nem de inglês nem de francês. Elogiei-a pela bonita cruz de prata que usava ao pescoço. Através da Ilke, (que falava espanhol, para além de inglês, francês e alemão) ela corrigiu-me: “É um crucifixo”.

Corrigido estou.


(Publicado pela primeira vez na quarta-feira, 18 de Novembro de 2015 em The Catholic Thing)

Brad Miner é editor chefe de The Catholic Thing, investigador sénior da Faith & Reason Institute e faz parte da administração da Ajuda à Igreja que Sofre, nos Estados Unidos. É autor de seis livros e antigo editor literário do National Review.

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Tuesday, 17 November 2015

Papa vai à sinagoga e dicas de presentes de Natal

Presentes de Natal!
O Papa Francisco vai visitar a sinagoga de Roma em Janeiro, como já fizeram antes dele os Papas Bento XVI e João Paulo II.

Está disponível o livro “Quero dizer-Te: Obrigado!”, um roteiro espiritual, que pretende ajudar doentes e os que cuidam de quem está a viver a última etapa da vida.

Enquanto prosseguem os desenvolvimentos à volta dos atentados de Paris, a comunidade muçulmana de França teme represálias e insiste na mensagem de que o Islão não tem nada a ver com aquilo.

Encontram-se em Lisboa dois irmãos cristãos da Palestina, que vêm vender artesanato produzido pela comunidade cristã de Belém. Os artigos estão à venda na entrada da Igreja dos Mártires, no Chiado e a sua compra é uma forma muito concreta de ajudar estes cristãos, que vivem situações complicadas.

O ano passado também cá estiveram e na altura entrevistei um deles. A transcrição integral dessa entrevista, muito interessante, está aqui e não perdeu nada da sua actualidade.

Friday, 26 June 2015

Os direitos constitucionais que ninguém sabia existirem...

Bolas! Estava à procura de
um direito constitucional
Por onde começar? Não sei mesmo qual será a notícia mais importante em termos do impacto que tem sobre a nossa civilização…

Mas começo pelas notícias com sangue e mortos. Nesta mesma sexta-feira do Ramadão, vários atentados abalaram o mundo. Uma decapitação em França, um atentado num hotel turístico na Tunísia e ataque suicida numa mesquita xiita no Kuwait. Preparem-se, vai ser um looongo Ramadão.

Nos Estados Unidos, outra bomba. O Supremo Tribunal decidiu que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um direito constitucional e de uma assentada legalizou-o em todo o país. É uma tremenda vitória para os activistas gay, agora vão começar as batalhas legais que afectam mais directamente as instituições religiosas etc.

O Vaticano assinou um tratado com a Palestina em que se refere a ela como um Estado. Não é novo em si, mas é mais um passo nas relações entre os dois.

Friday, 15 May 2015

Um Arraiolos para o Papa e duas santas para a Palestina

As duas novas santas palestinianas
Um autarca em França, do mesmo partido de Sarkozy, teve a brilhante ideia de propor que o Islão seja proibido, dizendo que isso resolverá os problemas do país. Sem dúvida um candidato a Ministro das Ideias Inúteis, no caso de vitória eleitoral de Sarkozy.

Uma artesã alentejana quer homenagear o Papa oferecendo-lhe um tapete de Arraiolos. Demorou quatro meses a ser elaborado e tem mais de 200 mil pontos.

No próximo domingo o Papa Francisco vai canonizar duas freiras palestinianas, um gesto que enche de esperança os cristãos da Terra Santa.

Também no domingo decorre a Festa das Famílias do Patriarcado de Lisboa. Eu vou lá estar e sei que estará uma banca da Alêtheia onde o meu livro “Que fazes aí fechada” estará à venda, por isso quem quiser adquirir o livro e pedir uma dedicatória só tem de procurar o tipo alto e careca a tentar controlar os filhos.

Por falar no livro, ontem apareceu uma reportagem alargada no programa de televisão da Ecclesia. Vale a pena ver sobretudo por causa do trabalho inicial, com declarações de Maria João Avillez e de uma das freiras entrevistadas no livro.

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