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Monday, 2 November 2020

Viena, de novo

Sinagoga de Viena
Os ataques de radicais islâmicos na Europa continuam a suceder-se. Hoje a Al-Qaeda ameaçou diretamente Emmanuel Macron, no sábado um padre ortodoxo grego foi baleado à porta da sua igreja em Lyon, soube-se entretanto que um grupo de dezenas de jovens – alegadamente de ascendência turca – atacaram uma igreja em Viena e hoje temos um ataque a uma sinagoga na mesma cidade. Os detalhes são escassos, mas é triste que tenhamos poucas dúvidas da intenção dos atacantes.

O Vaticano divulgou um esclarecimento sobre as palavras do Papa, de apoio a uma forma de cobertura legal para pessoas do mesmo sexo em uniões civis, que tanta polémica causou há quase duas semanas.

Temos novas restrições por causa da pandemia, mas não há qualquer alteração as normas para o culto religioso. Ainda assim, muitos que queriam ir aos cemitérios no fim-de-semana não puderam, mas houve quem conseguisse. O Papa estava com eles em espírito.

José Eduardo Rebelo, biólogo da Universidade de Aveiro que se dedicou ao estudo na área do luto, explica porque é que esta questão é de saúde pública também.

Wednesday, 28 March 2018

Coelhos fora-da-lei e heróis dos nossos dias

Cabeça de coelho ilegal na Áustria
Morreu D. António Santos, bispo emérito da Guarda. O funeral foi hoje.

Foi homenageado o polícia francês que deu a vida pelos reféns no caso de terrorismo da semana passada. Conheça também a história da menina nigeriana que recusou converter-se ao Islão e por isso continua refém do Boko Haram. Heróis dos nossos dias.

Continuamos na expectativa de saber se vai, ou não, haver acordo entre a China e o Vaticano. Entretanto os sinais que chegam não são os mais positivos, com mais um caso de um bispo leal a Roma detido.

Uma portuguesa entregou esta quarta-feira um presente muito original ao Papa Francisco. Veja aqui as imagens.

A Áustria aprovou o ano passado uma lei anti-burqa. Até agora foram advertidos turistas asiáticos, esquiadores e até a mascote do Parlamento. Um fracasso total, diz a polícia.

Hoje temos novo artigo do The Catholic Thing. Robert Royal reflecte sobre o encontro pré-sinodal que teve lugar em Roma a semana passada e pesa os prós e os contras desta forma de pastoral juvenil. Uma análise interessante que vale a pena ler.

Wednesday, 1 February 2017

(Muita) Eutanásia

Cartaz pró-eutanásia, Alemanha, anos 30
Hoje foi o dia em que arrancou o debate da Eutanásia no Parlamento. Ainda passará muita água debaixo da ponte…

A Renascença preparou um grande pacote de reportagens sobre o assunto. Destaco o trabalho da minha colega Matilde Torres Pereira sobre a “excepção” que tem o hábito chato de não parar de crescer e aqui uma reportagem com vídeo que procura mostrar ambos os lados do argumento e que revela a grande necessidade de investimento nos cuidados paliativos. Da minha autoria, um resumo da posição da Igreja sobre a Eutanásia. Temos ainda a opinião da directora de informação Graça Franco, de Ana Sofia Carvalho, especialista em ética da Universidade Católica do Porto A Renascença publicou ainda uma nota de abertura sobre este assunto, a deixar bem clara a posição institucional da casa. Para ver tudo o que se publicou sobre o assunto cliquem aqui.

Enquanto uns se preocupam em legislar a morte, outros apostam em melhorar a qualidade de vida dos mais pobres de entre os pobres. Foi o que fez a Cáritas portuguesa, com uma campanha que vai ajudar mais de 250 famílias na Grécia e na Sérvia.

Dos EUA temos duas notícias sobre Donald Trump. Será que a medida temporária que proíbe a entrada de muçulmanos de sete países é mesmo temporária, ou é um modelo para o futuro? E parece que o próximo juiz do Supremo Tribunal será Neil Gorsuch, que é episcopaliano e conservador (sim, parece que ainda existem).


No artigo do The Catholic Thing de hoje temos Anthony Esolen a lamentar o analfabetismo religioso dos seus alunos. Quando lhes perguntou qual dos apóstolos permaneceu junto à Cruz de Jesus, responderam “Pedro?” “Judas?” “Simão?” “Tomás?” “Paulo?”…

Friday, 3 June 2016

Judeus que votam na extrema direita e Mourinho papabile

Nem todos se surpreenderam com a notícia do Mourinho
Tenho de começar este mail com um pedido de desculpas e uma rectificação. Por um qualquer lapso que certamente Freud saberia explicar, no mail de ontem escrevi “muçulmanos” em vez de “luteranos” na notícia sobre a comemoração conjunta dos 500 anos da reforma. Felizmente houve pessoas atentes que se aperceberam do erro… Mas peço desculpa a todos pelo bizarro erro.

Ao que parece há judeus que votam nos partidos de extrema-direita em vários países europeus, seduzidos pelo discurso anti-islâmico. Quem o diz é o presidente da Conferência Europeia de Rabinos.


A notícia bizarra do dia é de que José Mourinho vai ser a voz do Papa Francisco num filme de animação sobre Fátima.

A Renascença apresenta-lhe a pré-publicação do excelente livro de Lucien Israel sobre a eutanásia. Não percam!


E finalmente, estarei na Feira do Livro, no próximo domingo, às 16h na banca da Aletheia para autografar exemplares do meu livro “Que Fazes Aqui Fechada”, de entrevistas a freiras e monjas. Apareçam, nem que seja para dizer olá (mas de preferência para comprar o livro…)

Monday, 15 December 2014

Sequestro em Sidnei e MDV premiado

O sequestrador Mon Haron Monis
Um homem fez pelo menos 30 reféns num café em Sidney, durante a madrugada de ontem. Trata-se de um autoproclamado sheikh muçulmano, nascido xiita, no Irão, mas convertido depois de ter sido recebido na Austrália como refugiado.

À medida que escrevo estas linhas o sequestro terminou, mas há notícia de mortos. Não é certo exactamente quem, mas mesmo que um seja o próprio sequestrador, haverá pelo menos uma vítima inocente a lamentar. A Renascença está a acompanhar de perto a situação.

Entretanto a Áustria mandou fechar uma escola saudita por suspeitas de radicalismo, mas há preocupação também com legislação proposta que limita a liberdade religiosa, impondo, por exemplo, uma versão alemã e estandardizada do Alcorão.

O Movimento de Defesa da Vida, que faz um trabalho notável com um orçamento muito limitado, recebeu um prémio com valor monetário de 50 mil euros pelo “Projecto Família”, que trabalha com famílias em situação precária. É uma ajuda preciosa.

O Cardeal Oscar Maradiaga, um dos principais conselheiros do Papa Francisco, esteve em Portugal e falou com Aura Miguel sobre as suas ideias da Igreja e das reformas que o Papa está a preparar.

Wednesday, 9 May 2012

Obediência


Pe. Bevil Bramwell, OMI
Na sua recente homilia de Quinta-feira Santa, o Papa Bento XVI referiu-se ao apelo à desobediência de alguns membros do clero na Europa. A obediência, por uma série de razões, não é um conceito popular. A maioria dessas razões são psicológicas e, por isso, não estão aqui em discussão.

Mas uma razão cultural é de que a obediência a um superior terreno, como um padre ou um bispo, é visto como humilhante. Contudo, a lógica não faz sentido. Apenas se deve obediência a um superior (outra palavra politicamente incorrecta) que nos pede para fazer algo que seja moralmente bom. Como é que isso pode ser humilhante?

Estamos aqui para fazer o bem, mas nem sempre sabemos ao certo que bem é esse. Não há maior bem que seguir a Cristo. Os pastores, superiores religiosos e bispos apenas querem ajudar as pessoas a seguir a Cristo.

É interessante que as pessoas que têm dificuldades em obedecer à igreja não deixam de obedecer ao patrão, ao meteorologista, ou ao polícia, e não notam qualquer inconsistência. Seguir a Cristo e à sua Igreja é o maior de todos os bens.

Outra razão invocada para a desobediência é de que obedecer a uma autoridade eclesial dá demasiado poder à Igreja, algo que é simplesmente inaceitável na era do material. Sim, fazer o bem tem, de facto, o seu próprio e extraordinário poder na cultura.

Veja-se a Igreja na Polónia debaixo dos nazis e dos comunistas. Veja-se a Igreja nos Estados Unidos onde tantas paróquias e institutos de solidariedade social trabalham no silêncio, ajudando os sem-abrigo, os doentes e os moribundos, para falar de apenas uma grande área de serviço.

O tipo de poder que despertou a objecção original à obediência data do Iluminismo, quando o poder da Igreja estava demasiado próximo das elites políticas e económicas em vários países. Mas essa aliança há muito que foi desfeita, por exemplo nos Estados Unidos. E é bom que assim seja, porque essa separação permite à Igreja ser Igreja, em vez de um mero passatempo das elites.

A obediência devia ser um conceito popular, porque apenas crescemos quando algo nos chega do exterior. Pode ser tão simples como comida ou tão fundamental como o mandamento de amar e seguir a verdade. Estamos vinculados a realidades maiores: em bebés, aos nossos pais; enquanto estudantes, às universidades; enquanto trabalhadores, às fábricas; enquanto católicos, à Igreja, e por aí fora.

Um sacerdote a prometer obediência ao seu bispos
A lista é interminável. Não podemos viver sem esta quantidade de coisas que todos os dias nos chegam. O amor, a comida, a informação, o exercício dos nossos direitos económicos e políticos, tudo isto abre a nossa vida a algo maior. Por isso mesmo num sentido puramente natural: “De facto, nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum morre para si mesmo. (Romanos 14,7).

Mas na verdade, nessa passagem, Paulo estava a escrever sobre pessoas no exercício da fé. A obediência – a entrega de nós mesmos – faz parte da estrutura da fé. Não há outra forma de o exprimir: “não há outra possibilidade para possuir certezas em relação à nossa vida se não pelo abandono de si, em crescendo contínuo, nas mãos de um amor que parece aumentar constantemente, porque tem a sua origem em Deus.” (Bento XVI). Trata-se de um abandono nas mãos de Cristo, que nos chega pela Igreja. É por isso que a Igreja é apelidada de “nossa mãe”.

Falando de apenas uma vertente deste abandono: entregamo-nos aos documentos do Vaticano II e podemos dizer, com Bento XVI: “Devem ser lidos correctamente, conhecidos por muitos e entendidos pelo coração como sendo textos importantes e normativos do Magistério, no contexto da Tradição da Igreja... Sinto cada vez mais que é meu dever apontar para o Concílio como sendo a Graça dada à Igreja no Século XX: é lá que encontramos uma bússola segura para nos orientar neste século que agora se inicia.”

E continua:

“Gostaria de sublinhar aquilo que tive ocasião de dizer sobre o Concílio alguns meses depois da minha eleição como Sucessor de Pedro: ‘se formos guiados por uma hermenêutica correcta na sua interpretação e implementação, ele pode-se tornar um instrumento cada vez mais poderoso e necessário para a renovação da Igreja.”

A nossa obediência consiste, portanto, numa complexa leitura e interpretação de documentos da Igreja. Ela abre-nos para a Graça e leva à conversão e à renovação!

Termino com um pensamento de Henri de Lubac S.J.: “Uma aprendizagem deste género nunca termina; é dura para a nossa natureza e os homens que se acham mais iluminados são os que têm maior necessidade (é por isso que é particularmente útil para eles), de modo a que sejam esvaziados da sua falsa riqueza, ‘para humilhar os seus espíritos sob uma autoridade visível’ (Fénelon)”.


(Publicado pela primeira vez no Domingo, 6 de Maio 2012 em www.thecatholicthing.org)

Bevil Brawwell é sacerdote dos Oblatos de Maria Imaculada e professor de Teologia na Catholic Distance University. Recebeu um doutoramento de Boston College e trabalha no campo da Eclesiologia.

© 2012 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Thursday, 17 November 2011

United Colours of Polémicas

Em breve teremos um “retrato da identidade católica”, baseada em sondagens e estudos científicos.

Em notícia de última hora, sete cristãos coptas ficaram feridos durante uma marcha no Egipto. Para quem não leu na altura e não tem ideia de quem são os coptas, remeto para este texto, escrito o mês passado.

Por esta altura já estarão a par da polémica do anúncio da Benetton que envolve Bento XVI. Claro que o Vaticano reclamou e essa imagem foi retirada da campanha. Eis como se põe todo o mundo a falar de uma marca.

Escusado será dizer que a Benetton tem larga experiência a fazer campanhas polémicas. A primeira de que me lembro é dos anos 90, da imagem que ilustra este post. Mas há mais...

Depois da Áustria, o ramo irlandês do movimento Nós Somos Igreja anunciou um “apelo à desobediência”. A única diferença é que os irlandeses classificam-na de santa desobediência, de resto as reivindicações são as do costume.

Os bispos americanos querem um novo Plano Marshall para o Iraque e hoje há mais notícias de perseguição aos cristãos do Paquistão.

Foram encontradas bíblias e textos sagrados escritos em tibetano, um achado muito raro. Não sabia que havia cristãos no Tibete? Então não perca isto.

Thursday, 6 October 2011

Vaticano II: Espírito, ruptura ou hermêutica da continuidade?

O prefeito para a Congregação do Clero criticou o “espírito” do Concílio Vaticano II, dizendo que este deve ser lido de acordo com os textos que produziu e negando que tenha sido uma ruptura.
Opinião diferente terão certamente os padres austríacos que assinaram um Manifesto pela Desobediência. Já são mais de 400 e dizem que não vão ceder nas suas reivindicações.
Ramos Horta juntou-se ao Arcebispo (anglicano) Desmond Tutu para pedir o fim da perseguição dos Bahá’ís no Irão.
No Reino Unido a Comissão para a Igualdade apoia as duas mulheres despedidas por usarem crucifixo no seu caso no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

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