Showing posts with label Pedofilia. Show all posts
Showing posts with label Pedofilia. Show all posts

Monday, 11 December 2023

Abusos. O artigo da JN e a falta que faz a centralização de dados

Foi hoje publicado um artigo do Jornal de Notícias sobre o número de padres provisoriamente afastados devido às listas da Comissão Independente, e os que já foram reintegrados. O artigo está aqui, mas é só para assinantes.

Infelizmente, também esta mais recente tentativa de sistematizar os dados sobre este assunto tem vários erros. Já lá irei, mas antes quero dizer que é exactamente por isto que faz falta um ponto onde se possam encontrar estes dados centralizados e tratados. Esse ponto pode, e deve, ser a Coordenação das Comissões Diocesanas, mas recordo que da última vez que esse organismo produziu uma sistematização de dados estava também cheio de erros, como expliquei aqui.

No fundo isto é bastante simples: enquanto as dioceses continuarem a pensar que estes assuntos devem ser tratados unicamente a nível local, vamos ter este problema. Cada diocese trata os dados à sua maneira; uns comunicam, outros não e quando são pedidos números, mesmo pela Coordenação das Comissões Diocesanas, algumas enviam números errados.

A consequência é que os números errados entram no circuito, voltam a aparecer nas pesquisas, são reciclados por jornalistas sem tempo/paciência/capacidade para os verificar melhor e cria-se um ruído que é o oposto daquilo de que precisamos, num assunto que pede transparência.

Às dioceses, volto a pedir que levem a transparência a sério. Não é preciso publicar dados pessoais ou nomes, mas tenham, em local acessível, a informação essencial: Quantos processos têm a decorrer; Quantos padres estão envolvidos; Quais as medidas que foram aplicadas; Quais as sentenças dos processos canónicos; Quais as sanções para os que foram condenados. Quando houver uma novidade, como o arquivamento de um caso, façam um comunicado. Este não serve apenas para divulgar os factos, mas deixa também um registo para consulta futura. A ideia com que se fica é que o cuidado todo com a transparência na altura do relatório e das listas foi só para inglês ver, quando estava tudo de olhos voltados para a Igreja, e que agora tenta-se fazer tudo pela calada. Não caiam nesse erro.

Olhando para este artigo em particular, a dada altura a jornalista diz que de Lisboa, Porto, Braga e Guarda só o Porto é que respondeu às perguntas feitas pelo jornal. Como é que isto é possível? Eu sou jornalista e sei bem que muitas vezes as perguntas são feitas “para ontem” e que isso pode ser difícil. Não sei como foi neste caso em particular, mas não se pode aceitar que apenas uma em quatro dioceses tenha respondido em tempo útil a um pedido de imprensa sobre um tema desta importância.

Aos jornalistas, peço que verifiquem sempre os dados. Infelizmente, por vezes nem nos números oficiais se pode confiar sem confirmar. Eu tenho tido o cuidado de publicar neste blog todos os dados, com o maior rigor possível. Tanto quanto sei, esta é actualmente a melhor fonte de dados que existe sobre o problema dos abusos em Portugal. Usem-no. É para isso que serve. Mas não confiem apenas em dados reciclados de outras fontes, porque o mais natural é conterem erros também.

Os erros do JN

Vamos agora ao artigo do JN. Vou abordar os principais dados incluídos no artigo, e apontar os respectivos erros.

Padres afastados: O artigo diz que houve um total de 14 padres afastados cautelarmente por via das listas dadas às dioceses pela Comissão Independente. Este número está correcto, embora resulte da soma de dados errados, como veremos adiante.

Padres reintegrados: O artigo diz que um total de oito destes 14 padres foram, entretanto, reintegrados. Este número está correcto, embora resulte da soma de parcelas erradas. Por exemplo, o artigo diz que dois dos quatro padres de Lisboa foram reintegrados, quando na verdade foram três. Adiante veremos as dioceses caso a caso.

Padres ainda afastados: O artigo diz que seis padres continuam afastados. Mais uma vez, este número está correcto, embora resulte da soma de parcelas erradas, novamente o caso de Lisboa, onde um padre se mantém afastado, e não dois.

O artigo refere, a dada altura, que seis padres do Porto, Guarda e Lamego, que estavam afastados, foram reintegrados. Estes seriam três do Porto, um da Guarda e dois de Lamego. Contudo, nenhum padre de Lamego foi afastado. Os dois padres que estavam na lista da Comissão Independente foram sujeitados a uma investigação preliminar que concluiu pelo arquivamento dos seus processos, sem nunca terem sido afastados. O mesmo aconteceu a um padre que estava erradamente na lista de Bragança, mas que era de Lamego. Os dados relativos à Guarda estão correctos, e os dados relativos ao Porto também devem estar, uma vez que esta foi a única destas dioceses que respondeu ao JN. A Actualidade Religiosa ainda não tem confirmação independente disso, mas deverá ter em breve, mas por enquanto vou-me fiar no que diz a JN, pois parece-me credível que assim seja.

Em relação a Lisboa, como já vimos, o artigo diz que dos quatro que foram afastados, dois permanecem e dois foram reintegrados. Este número está errado. São três os que já foram reintegrados e um que se mantém afastado.

O artigo do JN diz ainda que em Évora, Braga e Angra os padres que foram afastados continuam nesse estado. Isto bate certo com os meus dados, representando um total de quatro padres, dois de Angra e um cada para Évora e Braga.

Por fim, o artigo refere que em Viana do Castelo um padre foi dispensado pela Santa Sé. Presume-se que isso signifique dispensado do estado clerical. Contudo, não se compreende a referência a este caso, uma vez que o padre em questão não constava da lista da Comissão Independente, pelo que é confuso ser mencionado no artigo, pois a inferência que o leitor retira é de que se trata do único elemento da lista da Comissão Independente que estava vivo na altura, e que era já idoso, não estando, portanto no activo, mas não tendo sido afastado.

Assim, olhando para os dados apresentados no artigo do JN, os padres que foram afastados por estarem nas listas da Comissão Independente seriam: Porto – 3; Guarda – 1; Lamego – 2; Lisboa – 4; Évora – 1; Braga – 1; Angra – 2; Viana do Castelo – 1.

Somando, obtemos 15, o que não bate certo com o número de 14 referido no artigo. Mais, como já vimos, os dados relativos a Viana do Castelo e a Lamego estão errados, o que deixa apenas 12.

Os dois padres que faltam, para a soma estar correcta, são um de Viseu, que já se encontrava afastado quando saiu a lista dessa diocese, mas que constava da mesma, e um de Vila Real, sobre o qual existiu alguma confusão, pois tratava-se de um padre originalmente de Setúbal e apesar de ter sido de imediato afastado do ministério, demorou algum tempo até que Roma interviesse para determinar em que diocese o seu processo deveria ser tratado canonicamente.

Como estão a ver, isto não é fácil. São muitos dados, muitas variáveis, mas é possível ter números rigorosos. Aqui na Actualidade Religiosa continuarei a fazer o que estiver ao meu alcance para apresentar sempre os dados mais fiáveis.


Veja também: 

Cronologia dos casos de abusos sexuais na Igreja em Portugal

O que sabemos das listas dos abusadores compostas pela Comissão Independente

Abusos em Portugal – O que já sabemos, o que falta saber

Wednesday, 12 July 2023

"Sound of Freedom", com Jim Caviezel

Brad Miner
Ainda que este fosse um filme de fraca qualidade, eu seria tentado a elogiá-lo nem que seja porque trata da prática criminal e pecaminosa de raptar crianças para vender para escravatura sexual… e porque o protagonista é o inestimável Jim Caviezel. Mas a verdade é que é um bom thriller, com boas representações, realizada por Alejandro Monteverde, o mesmo que nos trouxe o fantástico filme pró-vida Bella.

O filme inclui Caviezel, Mira Sorvino, José Zúñiga, Eduardo Verastegui, Gerardo Taracena e Bill Camp (que tem a melhor prestação do filme). O guião é de Monteverde e de Rod Barr, e a produção é de Verastegui.

Tim Ballard (Caviezel) deixa o seu cargo como agente especial da U.S. Homeland Security Investigations, tornando-se freelancer, para poder resgatar crianças raptadas por cartéis que, por sua vez, os vendem a traficantes humanos na América Latina que, por sua vez, os revendem por todo o mundo (incluindo para os Estados Unidos) para serem violadas por pedófilos.

Este filme é, como se diz, baseado numa história verídica. O que levanta a questão: Quem é o verdadeiro Tim Ballard? Duas agências americanas recusaram comentar sobre o papel que ele desempenhou, e Tiffany Kaitlin escreveu no The Atlantic que “porta-vozes da CIA e do DHS dizem que não podem confirmar os registos de emprego de Ballard sem a sua autorização escrita, que ele não forneceu”.

Talvez o Sr. Ballard não veja a necessidade de revelar algumas das repreensões que recebeu por causa dos métodos que adoptou, que podem assemelhar-se às que vemos Caviezel protagonizar no filme. É natural que ele tenha sido insubordinado, tendo em conta as restrições impostas aos agentes da lei, tanto táctica como geograficamente.

O que sabemos ao certo é que Ballard fundou a Operation Underground Railroad (O.U.R.) em 2013, com o objectivo de atravessar fronteiras para resgatar crianças detidas por traficantes e pedófilos.

De acordo com a Wikipedia, a O.U.R. tem um ranking de “ponto de interrogação” por parte de um grupo chamado CharityWatch “porque a organização não divulga informação financeira”.

Interessante. Eu nunca tinha ouvido falar da CharityWatch, que segundo outra página da Wikipedia emprega um total de cinco pessoas. Contudo, a principal agência de avaliação de instituições de solidariedade, a Candid, que emprega 200 pessoas e dirige a GuideStar – que avalia organizações filantrópicas e de solidariedade social com classificações que vão do bronze à platina – a O.U.R. tem uma avaliação de prata. Os salários dos executivos parecem ser invulgarmente altos, mas não estamos a falar dos escuteiros e alguns dos operacionais da O.U.R. põem a vida em risco para cumprir as suas missões.

Mas voltemos ao filme.

Os créditos são acompanhados de imagens a preto e branco do que parecem ser verdadeiras filmagens de câmaras de segurança de miúdos a serem raptados na rua e levados de carro ou de motorizada.

O filme propriamente dito começa com uma falsa agente de talentos (a actriz cubana Yessica Borroto Perryman) a recrutar crianças de várias idades (mas todas menores) sob o pretexto de uma audição. Um pai insuspeito (desempenhado por Zúñiga) deixa ambos os seus filhos entusiasmados na tal audição: Rocio (a suberba Cristal Aparicio, que durante as filmagens devia ter 15 ou 16, mas parece pré-adolescente) e o seu irmão mais novo.

Ballard consegue resgatar o irmão mais novo durante uma rusga na fronteira entre os Estados Unidos e o México, mas não há sinal de Rocio, o que o leva a cortar as ligações à DHS, uma vez que não consegue mais trabalhar dentro das restrições do sistema oficial dos EUA.

Enquanto procura saber para onde foi levada a Rocio consegue libertar um número significativo de crianças organizando uma golpada – uma espécie de Ilha da Fantasia para pedófilos – com a ajuda de um ex-membro de um cartel, Batman (Bill Camp) e um aventureiro rico chamado Paul (Verastegui). Mas a busca pela Rocio continua.

E isso conduze-o à sede do traficante de droga El Alacrán (uma actuação tipicamente ameaçadora de Taracena). Não vou revelar como é que acaba o confronto violento entre Ballard e El Alacrán.

Só tenho uma crítica a fazer à realização de Monteverde: perde muito tempo com silêncios e faces, sobretudo a de Caviezel. Silêncios, caras e penumbra são as técnicas mais antigas e fiáveis para disfarçar um baixo orçamento. Mesmo algumas das cenas de pancadaria não são visíveis, embora essa possa ter sido uma forma de tentar evitar que o filme fosse classificado para maiores de 18.

O dia depois de ter visto o filme, um amigo enviou-me um artigo do New York magazine chamado: “Os detalhes condenatórios que levaram a JPMorgan Chase a chegar a acordo com as vítimas de Epstein”. Estamos a falar, claro, de Jeffrey Epstein, que entrou para o mundo das finanças internacionais devido à sua amizade com o empreendedor Leslie Wexner.

(Uma nota pessoal: A associação entre Wexner e Epstein entristece-me. Ele tirou o curso na Universidade de Ohio State, no departamento que era chefiado pelo meu pai quando ele era aluno. Wexner nega conhecimento da pedofilia de Epstein. Espero que seja verdade, porque a sua filantropia, especificamente o apoio dado à Ohio State é impressionante.)

Refirmo-me a Epstein porque a realidade do tráfico sexual é maior do que muitos imaginam. Os seus tentáculos satânicos têm um longo alcance, chegando aos corredores do poder e do dinheiro.

A Newsweek elencou os nomes de alguns dos homens que viajaram nos voos privados de Epstein para as Caraíbas (conhecidos como a Lolita Express). Não vou referir todos, mas incluem Donald Trump, Bill Clinton, o Príncipe André, Bill Gates e Robert F. Kennedy Jr. Todos esses nomes, e outros, foram também divulgados pela CNN e a Associated Press.

De certa forma Epstein é como Theodore McCarrick. Lendo histórias sobre a sua vida, encontramos sempre a mesma atitude que víamos em relação a McCarrick: um encolher dos ombros e um piscar de olho: “Toda a gente sabia”.

De acordo com a Human Trafficking Institute há actualmente perto de cinco milhões de vítimas de tráfico humano, das quais um milhão são crianças, na maioria raparigas.

As Nações Unidas dizem que o tráfico humano é um negócio de 32 mil milhões de dólares por ano. Porque razão, perguntam, é que alguém se dedicaria a um pecado tão criminal?

Bom, no que diz respeito à prostituição infantil, a resposta está no facto de um chulo poder ganhar até 250 mil dólares por ano com apenas uma rapariga, a quem obriga a praticar actos sexuais até dezenas de vezes por dia.

Depois de ver o filme senti vontade de pesquisar mais um pouco, de pensar um pouco fora da caixa. Mas não quero entrar demasiado fundo nesse pântano, em parte porque os números apresentados por diferentes organizações e agências de segurança variam muito. Os polícias podem preocupar-se com as vítimas, mas as suas estatísticas baseiam-se em detenções. Os activistas podem ser sinceros, mas também procuram financiamento.

Se querem chocar-se com a forma como algumas pessoas estão a tentar normalizar a pedofilia, não precisam de ir mais longe do que o livro The Invincible Family de Kimberly Ellis.

Eu só tenho filhos rapazes, mas tenho uma neta, e a preciosidade da sua vida torna bem presente na minha mente os inimagináveis horrores deste “negócio” profano. E explica porque é que o plano de Deus inclui o Inferno, levantado também questões sobre a forma como a Igreja Católica se tem distanciado da pena de morte.


Brad Miner é editor chefe de The Catholic Thing, investigador sénior da Faith & Reason Institute e faz parte da administração da Ajuda à Igreja que Sofre, nos Estados Unidos. É autor de seis livros e antigo editor literário do National Review.

(Publicado pela primeira vez no sábado, 1 de Julho de 2023 em The Catholic Thing)

© 2023 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de TheCatholic Thing.

Sunday, 25 June 2023

Abusos em Portugal – O que já sabemos, o que falta saber

Desde que comecei a acompanhar esta questão, em 2012, dei conta de um total de 159 alegações de abusos sexuais de menores, ou pessoas vulneráveis, cometidos em ambiente de Igreja. Seguem-se algumas estatísticas. As pessoas em causa são referidas pelo nome apenas em casos em que este já é do conhecimento público. A inclusão dos nomes significa apenas que houve alegações e nada diz sobre a veracidade das mesmas, havendo até várias situações de pessoas sobre as quais foram levantadas suspeitas e que acabaram absolvidas. A informação que se encontra em itálico diz respeito ao relatório da Comissão Independente.

Total de casos: 164

Casos envolvendo leigos: 28

Casos envolvendo padres, seminaristas e religiosos: 135

Casos envolvendo bispos: 4 (todos de encobrimento, nenhum de abusos)

Casos não especificados: 1 (denúncia geral sobre Ordem Hospitaleira de São João nos Açores)


Dioceses sem casos públicos

Forças Armadas


Resultados de processo civil

Arquivamento: 25 (15,2%)

Prescrição: 11 (6,7%)

Absolvição: 7 (4,3%)

Condenação: 13 (7,9%)

Não investigado ou não se aplica: 43 (26,2%)

Morte do suspeito: 2 (1,2%)

Em curso: 12 (7,3%)

Incógnito: 51 (31,1%)

 

Resultados de processo canónico (Não se aplica a leigos)

Arquivamento: 27 (20%)

Absolvição: 4 (3%)

Condenado: 9 (6,7%)

Concluído por dispensa voluntária do sacerdócio: 3 (2,2%)

Não investigado: 36 (26,7%)

Morte do suspeito: 1 (0,7%)

Em curso: 13 (9,7%)

Não se aplica: 4 (3%)

Incógnito: 38 (28,15%)


Casos envolvendo leigos:

  • Fernando Silvestre, professor de EMRC na diocese de Braga, é acusado de 87 crimes de abuso sexual sobre 15 vítimas. A investigação está em curso.
  • João Martins, dirigente dos escuteiros, foi acusado de abusos em 2014 e acabou por se suicidar na cadeia.
  • Um catequista da diocese de Santarém, de 29 anos, foi condenado a 7 anos de cadeia, em 2014, por abuso sexual de quatro menores, com idades entre os 9 e os 11 anos.
  • Marco Ferreira, ajudante de catequese na diocese de Évora, aguarda julgamento por acusação de abuso de duas meninas de 12 anos.
  • Duas leigas, funcionárias de uma instituição na diocese da Guarda foram a tribunal em 2021 acusadas de encobrimento, mas foram absolvidas.
  • Ricardo Jorge, monitor no Colégio dos Maristas, foi condenado em 2020 a oito anos de pena efectiva por abuso de menores.
  • Um leigo, funcionário da Casa do Telhal, dos Irmãos de São João de Deus, foi condenado a pena suspensa por abuso sexual de pessoas vulneráveis.
  • Um leigo, dirigente dos escuteiros, foi condenado em 2017 a seis anos de cadeia por abuso sexual de menores ao seu cuidado
  • Um voluntário do Opus Dei foi acusado de abuso de menores em 2019. O processo civil foi arquivado, mas a instituição afastou-o de qualquer contacto com menores, não tendo sido possível confirmar a veracidade das alegações.
  • Adelino Novais, um leigo que tinha tentado sem sucesso entrar para os franciscanos, apresentava-se como frade e dirigia uma casa de acolhimento para jovens em Fátima, onde terá abusado de menores nos anos 60.
  • O chefe dos acólitos de Felgueiras foi condenado a dois anos de prisão, com pena suspensa, por ter abusado sexualmente de uma aluna da catequese, de 14 anos. Na sequência de uma tentativa de suicídio os pais aperceberam-se dos abusos e denunciaram o abusador.
  • Um casal de acólitos do distrito de Aveiro, mas diocese do Porto incentivou um jovem de 13 anos a participar em actos sexuais. O homem foi condenado a cinco anos com pena suspensa. A mulher foi condenada a um ano, com pena suspensa. 
  • Um sacristão, conhecido como Antoninho, foi condenado a oito anos por pedofilia, no Arco da Calheta, Diocese do Funchal.
  • No comunicado em que dá conta da lista que recebeu da Comissão Independente, o bispo de Portalegre-Castelo Branco diz que a diocese recebeu recentemente uma denúncia relativa a um leigo que terá cometido abusos numa instituição da Igreja diocesana. O caso está a ser averiguado, informa o bispo, que não esclarece se as autoridades foram alertadas.
  • No comunicado em que á conta da lista que recebey da Comissão Independente, a diocese de Beja refere que um dos casos diz respeito a um leigo que era sacristão na cidade de Moura ou numa freguesia do concelho, mas descreve a situação como "vaga". Em todo o caso, o suspeito já morreu. 
  • No comunicado em que dá conta da lista que recebeu da Comissão Independente, a diocese de Leiria-Fátima refere o caso de um leigo que entretanto já foi afastado das suas funções.
  • No comunicado em que dá conta da lista que recebeyu da Comissão Independente, a diocese de Leiria-Fátima refere o caso de um leigo que ainda não conseguiu identificar, podendo mesmo já ter morrido.
  • No comunicado em que dá conta da lista que recebeu da Comissão Independente, a diocese de Braga refere a existência de um "agente pastoral" que não consegue identificar, nem sabe se se trata de um clérigo ou de um leigo. Enquanto isso não for esclarecido, fica listado aqui.
  • No comunicado que dá conta de informações recebidas da Comissão Independente, a Opus Dei refere a existência de um professor do colégio do Planalto que foi acusado por um casal de ter feito toques inapropriados no seu filho. O caso remonta a antes de 1982 e o professor abandonou o colégio na sequência desse incidente. 
  • No comunicado que dá conta de informações recebidas da Comissão Independente, a Opus Dei refere a existência de uma acusação contra um funcionário do colégio do Planalto, médico, que terá feito toques impróprios num aluno. Cerca de 2020 chegaram à direcção do colégio informações coincidentes com as apresentadas no relatório, devendo tratar-se do mesmo caso. Na altura o colégio contactou a vítima e tentou convencê-la a formalizar queixa, oferecendo ainda apoio, mas a vítima rejeitou tudo. Sem o apoio da vítima, a direcção tentou reunir informação para uma denúncia formal, mas não conseguiu matéria suficiente. O suspeito não trabalha no colegio há mais de duas décadas.
  • No comunicado que dá conta de informações recebidas da Comissão Independente, a Opus Dei refere a existência de uma acusação contra um professor do Colégio do Planalto, referindo factos alegadamente ocorridos cerca de 1988. Contudo, o nome referido no testemunho feito à Comissão não corresponde a ninguém que tenha trabalhado no colégio.
  • Num comunicado publicado no dia 13 de Fevereiro, os Jesuítas indicam que a colaboração com a CI permitiu identificar mais suspeitos na ordem, incluindo um leigo. Todos, incluindo o leigo, já morreram.
  • Um leigo referido na lista da CI entregue às irmãs Religiosas do Coração de Maria. Segundo a CIRP, não está no activo.
  • Um homem foi afastado das suas funções numa paróquia de São Miguel, nos Açores, depois de ter sido denunciado pelo pároco por comportamento indevido com menor. O processo foi entregue ao Ministério Público, e ainda decorre.
  • Um leigo da diocese de Braga, com responsabilidades pastorais, foi afastado das suas funções na sequência de uma queixa recebida pela Comissão Diocesana. Não temos mais nenhum detalhe sobre o caso.
  • Um leigo da diocese de Angra, com responsabilidades pastorais, foi afastado das suas funções na sequência de uma queixa recebida pela Comissão Diocesana. Não temos mais nenhum detalhe sobre o caso.

 

 Casos envolvendo clero, por diocese ou ordem religiosa

 Algarve (1)

  • Um padre foi acusado de abusos por um ex-residente de uma instituição de acolhimento onde prestava assistência religiosa. O caso estava prescrito na altura da denúncia, mas houve processo canónico que ilibou o padre. Fontes da diocese disseram à Actualidade Religiosa que se desconfiava ser um caso de vingança pessoal. Tudo indica ser este o caso que consta da lista que chegou à diocese por parte da Comissão Independente.
Angra (2)
  • Um padre nomeado pela Comissão Independente, e afastado cautelarmente do exercício das suas funções enquanto decorrem investigações.
  • Um padre nomeado pela Comissão Independente, e afastado cautelarmente do exercício das suas funções enquanto decorrem investigações.
Aveiro (3)
  • Por lapso, o relatório da Comissão Independente identifica pelo primeiro nome, Domingos, um padre acusado de abusos por uma vítima. O padre era director espiritual num seminário. O lapso permitiu a identificação do sacerdote por parte da Actualidade Religiosa. É provável que este seja um dos três nomes referidos na lista entregue à diocese pela Comissão Independente. 
  • Um dos três padres nomeados na lista entregue pela Comissão Independente, mas que já morreu há vários anos, segundo a diocese.
  • Um padre ainda no activo, que consta da lista entregue pela Comissão Independente, mas que já foi investigado tanto civil como canonicamente, tendo o processo sido arquivado em ambos os casos.

Beja (8) 

  • Um padre da lista entregue pela Comissão Independente, já morto. Caso refere-se a 1963
  • Um padre da lista entregue pela Comissão Independente, já morto. Caso refere-se a 1967/68 e diz respeito a um padre com responsabilidades educativas.
  • Um padre da lista entregue pela Comissão Independente, já morto. O padre é de Serpa, ou de uma freguesia desse concelho. Situação descrita como "vaga".
  • Um padre da lista entregue pela Comissão Independente, já morto. O caso refere-se ao início dos anos 80 e terá ocorrido em Mértola, embora o padre não fosse pároco de lá.
  • Um padre referido no comunicado da diocese em que dá conta dos quatro casos acima referidos, mas que não constava da lista dada pela Comissão Independente. Trata-se de um padre que se envolveu com uma rapariga de 17 anos e que foi demitido do estado clerical por Roma.
  • Um padre acusado de perseguir um menor. O caso foi entregue às autoridades civis e o padre acabou absolvido.
  • Um padre sobre quem recaiu uma denúncia anónima vinda da CDF, em Roma. O caso foi entregue à PJ, e acabou arquivado por falta de provas.
  • No comunicado em que dá conta da lista que recebeu da Comissão Independente, a diocese de Beja refere outro caso, que não constava da lista, mas que diz respeito a um seminarista que foi expulso do seminário por assédio sexual e aguarda sentença do tribunal civil. 

Braga (10)

  • O padre Abel Maia foi acusado de abusar de um jovem adulto que tinha uma dependência emocional dele e sofria de problemas psiquiátricos. O caso foi arquivado civilmente, uma vez que a vítima negou os factos em tribunal. Houve processo civil, porém, que condenou o padre a cinco anos sem contacto com menores. A diocese diz que a pena escrupulosamente cumprida e o padre está de novo em funções. Mais tarde surgem novas denúncias relativas a abusos praticados sobre seminaristas quando Abel Maia era director do Seminário dos Montes Claros, dos dehonianos, em Coimbra.
  • Cónego Fernando Sousa e Silva, acusado de comportamentos abusivos com menores. Decorreu um processo em 2019 do qual resultaram medidas disciplinares. D. José Cordeiro publicou uma carta sobre este caso em que falou de “vítimas” e não “alegadas vítimas” e convidou-as a vir prestar declarações na diocese, mas ninguém apareceu. Contudo, no seguimento de um processo canónico, o padre foi condenado a medidas disciplinares.
  • D. Jorge Ortiga, suspeito de encobrimento por não ter denunciado o supracitado “padre jovem ainda no activo”. Não haverá qualquer processo civil ou canónico em curso.
  • Um padre admitiu em 2015 ter praticado abusos cerca de 40 anos antes. O caso foi denunciado ao Ministério Público mas não houve processo canónico uma vez que o abusador abandonou voluntariamente o sacerdócio.
  • A Comissão Independente envia para o Ministério Público uma denúncia anónima de um padre, que não é identificado, que terá abusado de um menor de 12 anos em 2015. Uma vez que nem o padre, nem a vítima foram identificados, o caso é arquivado pelo MP.
  • A Comissão Independente envia para o Ministério Público uma denúncia anónima de um seminarista que terá cometido abusos quando estava no seminário menor. Uma vez que nem o seminarista, nem a vítima, foram identificados, o caso é arquivado pelo MP.
  • No relatório final, a Comissão Independente refere o caso do Padre Joaquim Carneiro, da Aveleda, cujo caso terá sido noticiado no início dos anos 90. Consegui apurar que o Padre Joaquim foi absolvido em processo civil e que por isso nunca chegou a haver um processo canónico.
  • No seguimento da entrega da lista elaborada pela Comissão Independente à diocese, foi preventivamente afastado o padre Albino Meireles. Numa busca feita à casa do padre, a polícia encontra uma arma ligeira, com munições. O padre é constituído arguido por posse de arma proibida. Segundo o jornal Sol, este é o caso referido anteriormente sobre um "jovem padre no activo", que tinha sido denunciado pela mãe de uma das vítimas a D. Jorge Ortiga, mas que só teve desenvolvimento com a chegada à diocese de D. José Cordeiro. Esse outro caso já constava desta lista, sem nome. Uma vez que se trata da mesma pessoa esse registo foi eliminado e o número de casos em Braga corrigido. Em Agosto o Expresso noticiou que a polícia também encontrou pornografia infantil no computador do sacerdote e que a arquidiocese espera que chegue de Roma, em breve, ordem de redução ao estado laical.
  • Um padre foi afastado cautelarmente das suas funções na sequência de uma queixa recebida pela Comissão Diocesana e o processo ainda decorre.
  • Um padre foi afastado cautelarmente das suas funções na sequência de uma queixa recebida pela Comissão Diocesana. A queixa foi arquivada e o padre reintegrado.

 Bragança (1)

  • O padre José Belmiro Lino Rodrigues é acusado em 2019 de ter mantido uma relação com um rapaz de 17 anos, muitos anos antes. Pela idade do rapaz, não se trata de um crime do ponto de vista civil, mas sim do ponto de vista canónico. Trata-se do sacerdote indicado na lista da CI e que entretanto foi condenado a medidas disciplinares pelo tribunal canónico. Já cumprida a pena, regressou ao activo, embora esteja sem cargos de responsabilidade e sem nomeação.

 Coimbra (6)

  • Um padre é acusado de abusos em 2015 através de uma carta anónima, nunca substanciada. A Diocese pediu que se enviassem dados concretos, caso alguém os tivesse, mas isso nunca aconteceu. Suspeita-se de um caso de vingança pessoal. O padre nunca foi identificado publicamente e o caso foi arquivado pelo MP, nunca tendo sido aberto um processo canónico.
  • Um padre é suspeito de ter cometido abusos numa instituição de acolhimento de rapazes, onde trabalhava. Confrontado com as acusações foi viver e trabalhar para um país africano de língua portuguesa. Em 2015 procurou voltar para a diocese de Coimbra, e chegou a ser nomeado, mas quando o novo bispo foi informado das suspeitas rescindiu a nomeação e o padre em questão voltou para o PALOP onde estava antes a trabalhar, tendo morrido de causas naturais entretanto.
  • O padre Sebastião Cruz é acusado por uma mulher de ter abusado dela quando era interna num colégio interno, em Coimbra, na década de 70-80. A acusação é feita no programa “A Prova dos Factos”, da RTP1.
  • O padre António de Sousa foi acusado de abusos em 1971 pelo pai de uma menina que se queixava que ele a beijava e metia a mão nas cuecas. O caso gerou polémica e divisões na paróquia, mas o padre chegou a ser julgado e absolvido em tribunal civil. Nunca houve investigação canónica.
  • Um padre referido na lista da Comissão Independente mas que, segundo a diocese, já tinha tido o seu processo arquivado tanto civil como canonicamente. 
  • Um padre referido na lista da Comissão Independente, mas quando a diocese pediu mais informação concluiu-se que não se tratava de um caso de abuso sexual, nem de menores, nem de qualquer espécie. O processo acabou por não avançar, nem canónica, nem civilmente.

 Évora (4)

  • O padre Heliodoro Nuno é suspenso e investigado por alegado encobrimento ao não ter agido com celeridade para remover um catequista que terá abusado de duas meninas de 12 anos. O processo é arquivado pelo Ministério Público e o processo canónico é arquivado por indicação de Roma, sendo o padre reintegrado.
  • O padre José António Gonçalves suicida-se horas depois de ter entrado uma denúncia na Comissão Diocesana de alegados abusos sexuais de um adulto vulnerável, por via de mensagens impróprias. Este sacerdote não constava da lista de padres abusadores elaborada pela Comissão Independente
  • Um padre, cujo nome não foi divulgado, é afastado cautelarmente do ministério enquanto decorre uma investigação sobre alegados abusos cometidos no seminário menor de Évora, na década de 80. O nome é um de dois que constava da lista enviada à diocese pela Comissão Independente. O outro nome da lista é de um padre, também não nomeado, que já morreu. 
  • Um dos dois padres de Évora nomeados pela Comissão Independente como alegadamente estando no activo, afinal já morreu. 

 Funchal (4)

  • O padre Frederico, de nacionalidade brasileira, foi acusado de abuso sexual e homicídio de um jovem na ilha da Madeira. Foi condenado a 13 anos de cadeia, seguidos de expulsão de Portugal. Durante o julgamento, quatro adultos disseram ter sido abusados pelo padre quando ainda eram menores. O bispo Teodoro de Faria defenderam a inocência do padre. A meio da sentença, numa precária, o padre fugiu com a sua mãe para o Brasil, onde ainda reside. Continua a garantir a sua inocência. Nunca chegou a haver processo canónico.
  • O Cónego Carlos Nunes é acusado de ter praticado abusos em 2014. O caso é arquivado pelo Ministério Público e não chega, por isso, a ser investigado pela diocese, estando o sacerdote ainda em funções.
  • O padre Anastácio Alves é acusado, em 2018, de ter praticado abusos em 2005. Embora o caso tenha sido arquivado pelo Ministério Público, o padre é condenado em processo canónico e suspenso. Abandona o país e acaba por pedir dispensa do estado clerical, que lhe é concedida. Em Dezembro de 2023 o padre foi condenado em tribunal civil a seis anos e seis meses de cadeia, com pena efectiva.
  • Dos quatro nomes entregues pela Comissão Independente à Diocese do Funchal, um é desconhecido pela diocese, e por isso não será contabilizado nesta lista, e três foram identificados mas não têm já qualquer cargo atribuído. Havendo a possibilidade de dois deles serem o Padre Frederico e o (ex)padre Anastácio Alves, para efeitos desta listagem será contabilizado apenas mais um caso, cuja existência está confirmada, mas cujo nome ainda não é conhecido.

 Guarda (5)

  • O padre Luís Mendes foi acusado, julgado e condenado a 10 anos de pena efectiva pela prática de abusos no seminário do Fundão. Foi condenado também em processo canónico, e demitido do estado sacerdotal.
  • O padre Ângelo Martins foi acusado, juntamente com duas leigas, de encobrir dois residentes de uma instituição de acolhimento que suspeitos da prática de abuso sexual de menores. Levado a tribunal juntamente com as duas leigas funcionárias, foi absolvido e continua ao serviço. Não existiu processo canónico.
  • O padre Vítor Manuel Alago Lourenço foi acusado em 2022 de abusos que terão sido praticados a partir do ano 2017. A diocese passou todas as queixas ao MP, mas o bispo optou por não suspender o padre, dizendo que “em caso algum, desejo contribuir para transformar qualquer notícia, declaração ou até acusação sem investigação, em condenação direta e sumária na praça pública". Este padre é um dos nomes que consta da lista entregue à diocese pela Comissão Independente. No dia 10 de Março a diocese anunciou o seu afastamento cautelar enquanto decorre a investigação prévia. No dia 16 de Julho o padre voltou a celebrar missa. O processo foi arquivado canonicamente, por não se ter conseguido identificar a alegada vítima.
  • Um de dois padres nomeados na lista entregue pela Comissão Independente à diocese. O nome não é divulgado, mas o sacerdote já morreu em 1980.
  • Um padre foi afastado cautelarmente das suas funções na sequência de uma queixa recebida pela Comissão Diocesana. A queixa foi arquivada e o padre reintegrado.

 Lamego (5)

  • O padre António Júlio Fernandes Pinto foi detido em 2022 por suspeita de abusos continuados sobre uma pessoa com deficiência que estava à sua guarda. O processo civil está em curso.
  • Um padre de nome desconhecido, referido por D. António Couto como tendo  um processo já em curso quando este explicou que recebeu apenas dois nomes na lista entregue pela Comissão Independente. Disse na altura ter já dois processos a decorrer, sendo que um é do Padre António Júlio, este será o outro. Ao que a Actualidade Religiosa apurou, o padre está a ser investigado por posse e acesso a conteúdos de pornografia infantil, mas as perícias policiais nada encontraram, pelo que se espera que o caso seja arquivado.
  • Um padre referido na lista entregue pela Comissão Independente, sobre o qual D. António Couto pediu mais informação. Ao que a Actualidade Religiosa apurou, a investigação prévia feita a este caso não revelou informação que permitisse o prosseguimento do processo, pelo que o caso foi arquivado.
  • Um padre referido na lista entregue pela Comissão Independente, sobre o qual D. António Couto pediu mais informação. Ao que a Actualidade Religiosa apurou, a investigação prévia feita a este caso não revelou informação que permitisse o prosseguimento do processo, pelo que o caso foi arquivado.
  • Um padre referido na lista entregue pela Comissão Independente à Diocese de Bragança, mas que por ser afinal de Lamego foi reencaminhado para lá. Ao que a Actualidade Religiosa apurou trata-se de um padre que está no activo. A investigação prévia feita a este caso não revelou informação que permitisse o prosseguimento do processo, pelo que o caso foi arquivado.

 Leiria-Fátima (4)

  • D. José Ornelas foi denunciado por alegadamente encobrir o caso envolvendo o Pe. Abel Maia, de Braga, quando era ainda superior dos dehonianos. O processo foi entregue ao Ministério Público, mas tendo em conta a natureza do caso e quem faz a denúncia, a Actualidade Religiosa explicou aqui porque é que este caso não tem credibilidade. Mais tarde, em Março de 2023 D. José Ornelas volta a ser apontado como responsável por encobrir crimes de abuso de menores praticados por Abel Maia, mas desta vez no seminário dos dehonianos em Coimbra. A CEP contesta que o então padre José Ornelas não se encontrava em Coimbra nos anos em que Abel Maia era director do seminário.
  • Um padre referido na lista da CI, que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI, que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI, que já morreu.

 Lisboa (24)

  • O padre Inácio Belo foi acusado em 2012 de abusos praticados em 2003. Desconhece-se se existiu processo civil, foi suspenso do ministério, mas acabou por abandonar o sacerdócio. Consta que é actualmente pastor evangélico. É possível que este seja o padre referido na lista da CI e indicado pelo Patriarcado como já tendo abandonado o sacerdócio, mas também pode tratar-se do "Padre Y".
  • Nuno Fraga Aurélio foi acusado em 2013 de ter cometido abusos durante os anos 90 sobre um menor que mais tarde se suicidou. O processo civil foi arquivado por prescrição. Canonicamente, houve investigação preliminar, mas foi arquivada por falta de indícios. Em 2022 o Padre Joaquim Nazaré, do Patriarcado de Lisboa, denunciou publicamente o padre Nuno Aurélio, insinuando a sua culpa nesse caso e dizendo que tinha havido mais casos na sua nova paróquia, em Paris. O padre Nuno Aurélio apresentou queixa no Tribunal Patriarcal, que lhe deu razão, condenando Joaquim Nazaré a um pedido de desculpa, o pagaemento de um salário ao Fundo Diocesano e uma retratação pública. O Pe Nazaré não colaborou com o processo e disse publicamente que não cumpriria a pena imposta.
  • O padre Duarte Andrade e Sousa foi suspenso preventivamente enquanto se investigava o alegado envio de mensagens impróprias num grupo de WhatsApp que incluía menores de idade. O processo no Ministério Público acabou por ser arquivado e de Roma veio ordem de arquivamento do processo canónico. O sacerdote está de novo no activo, mas não tinha nomeação na altura em que o Patriarcado indicou que três dos padres referidos na lista da CI estavam sem nomeação, pelo que pode ser um desses.
  • Em 2022 surgiram denúncias de um padre que era então capelão hospitalar. O padre não chegou a ser identificado na imprensa, mas a Actualidade Religiosa sabe o seu nome. O Caso remontava a 2003 e não foi denunciado na altura às autoridades civis porque a própria vítima assim o pediu. Pela mesma razão não foi iniciado um processo canónico, embora o padre tenha sido afastado de qualquer obra da Igreja que envolvesse menores de idade. Contudo, a Igreja não interveio quando o padre abriu uma instituição de acolhimento de jovens, fora do âmbito canónico. Não existe qualquer acusação contra o padre desde 2003. Actualmente o padre está com cancro, em fase terminal. Este deve ser um de dois padres da lista da CI indicado pelo Patriarcado como estando doente e retirado.
  • D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa, foi acusado de encobrimento no caso supracitado do padre capelão hospitalar. O Patriarca nega ter encoberto o caso, dizendo que foram respeitadas todas as normas da época e que foi por sua iniciativa que se encontrou com a vítima, em 2019.
  • O padre Luís Cláudio Ferreira dos Santos foi acusado em 2022 de ter cometido abusos anos antes. O processo não foi investigado pelo Ministério Público por estar prescrito. Seguiu um processo canónico em que não foi provada a acusação, tendo por isso o padre sido ilibado e voltado ao activo.
  • Num email anónimo enviado a todo o clero do Patriarcado de Lisboa são levantadas suspeitas sobre eventuais abusos cometidos por um cónego, em 2003. Estas suspeitas nunca surgiram na imprensa, e a Actualidade Religiosa não conseguiu obter qualquer informação que indique serem verdadeiras. O padre em questão esteve envolvido num caso de alegado assédio, mas entre adultos, tendo admitido precisar de apoio psicológico e estando por isso suspenso de actividade. Este poderá ser um dos padres referidos na lista da CI e indicado pelo Patriarcado como estando doente e retirado.
  • O padre João José Cândido da Silva foi acusado de violação por uma mulher, maior de idade. Mais tarde surgiu a informação de que o sacerdote estaria a ser investigado também por suspeita de abuso de menores, cometido anos antes, em Vila Real. Está em curso um processo civil, mas desconhece-se se está em curso um processo canónico. É possível que este seja um dos padres referidos como não tendo nomeação no comunicado do Patriarcado, sobre a lista da CI.
  • Em 2022 surgiu a história de um padre de Lisboa que terá sido acusado de abusos pela família da alegada vítima. Contudo, em vez de denunciar o caso, a vítima chantageou o padre por 10 mil euros, para manter silêncio. O padre não foi nomeado na imprensa, e terá morrido em 2021, de causas naturais. É possível que este seja um dos padres referidos na lista da CI e que já morreu.
  • O padre Carlos (apelido desconhecido) foi acusado de ter praticado abusos sob uma criança nos anos 60. A criança, agora adulta, denunciou o caso no programa “A Prova dos Factos”, da RTP1, em 2023. Inicialmente estava aqui elencado como sendo da diocese de Santarém, mas nesse tempo Santarém não era diocese, portanto seria de Lisboa e é deve ser um dos elementos da lista da CI que a diocese refere como já tendo morrido.  
  • O padre José Francisco Faria terá mantido uma vivência homossexual activa, incluindo com menores, durante vários anos. Não há qualquer notícia de investigação civil ou canónica. Morreu em 2019. É possível que seja um dos padres referidos como tendo morrido, na lista da CI.
  • Um padre referido na lista da CI mas que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI mas que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI mas que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI mas que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI mas que já morreu.
  • Um padre referido na lista da CI mas que se encontra sem nomeação.
  • O "padre Y", mencionado no relatório da Comissão Independente, tem uma queixa na Comissão e enquanto capelão de uma instituição de ensino superior "dava-se a intimidades com as alunas, que se queixaram". Não é certo se a queixa na comissão é de uma dessas alunas - que teria de ser menor na altura, para ser considerada pela comissão - ou outro caso. Nem o padre, nem a diocese são identificados no relatório, mas a Actualidade Religiosa sabe tratar-se de um padre de Lisboa que, entretanto, como consta no relatório, abandonou o sacerdócio e casou. Não houve qualquer processo civil ou canónica. É provável que seja um dos padres referidos na lista da CI relativa a Lisboa, e que seja referido por sua vez no comunicado do Patriarcado como o padre que abandonou o sacerdócio, mas também pode tratar-se do Pe. Inácio Belo.
  • O Padre Mário Rui Pedras é um dos quatro padres de Lisboa afastados cautelarmente no seguimento da denúncia feita à Comissão Independente. No comunicado o padre garante a sua inocência. No dia 14 de Junho o Patriarcado de Lisboa arquiva o processo contra ele, por falta de indícios.
  • O padre Teodoro Dias de Sousa é um dos quatro padres de Lisboa afastados cautelarmente no seguimento da denúncia feita à Comissão Independente. Demite-se da função da assistente espiritual da Academia Musical de Santa Cecília. Após mais queixas junto da comissão diocesana, agrava-se a sanção provisória do padre, proibindo-o de contactar com menores. O padre é oficialmente afastado das suas paróquias e nomeado um sucessor. Aguarda-se ainda a conclusão do processo canónico.
  • Um padre é afastado cautelarmente por o seu nome constar da lista da Comissão Indepdendente. No dia 19 de Junho é confirmado que este processo foi arquivado. O padre em causa já morreu entretanto.
  • Um padre é afastado cautelarmente por o seu nome constar da lista da Comissão Independente. Em Agosto fonte da Comissão Diocesana confirmou que este caso já foi arquivado por Roma.
  • Um padre foi denunciado à Comissão Diocesana, pouco antes da JMJ. Será aberto processo, mas fonte da Comissão diz que o caso não é minimamente credível. 
  • Um padre que é de uma ordem religiosa, mas que não tem reconhecimento formal, e que por isso estará sob a alçada canónica da diocese onde reside, que é Lisboa. O padre, que ainda é vivo, é referido no relatório da Comissão Independente de forma que o torna bastante fácil de identificar, mas segundo informação obtida pela Actualidade Religiosa, não consta da lista entregue ao Patriarcado pela CI. 

Portalegre-Castelo Branco (2)

  • Um de dois padres que consta da lista entregue pela Comissão Independente à diocese, mas que já morreu na década de 1960.
  • Um de dois padres que consta da lista entregue pela Comissão Independente à diocese, mas que já morreu na década de 1980. 

Porto (9)

  • D. Manuel Linda foi denunciado por alegadamente encobrir o caso envolvendo o Padre Heitor Nunes, da Diocese de Vila Real. A vítima do Padre Heitor Nunes disse, em 2022, que na altura em que iniciou o seu relacionamento com o sacerdote confidenciou ao então padre Manuel Linda. O agora bispo do Porto diz não ter qualquer recordação dessa conversa. Importa dizer que este caso do padre Heitor foi divulgado pela primeira vez em 2019 no jornal O Observador e na altura a vítima não referiu este detalhe. Em 2022, nas diferentes vezes em que fez a denúncia, terá apresentado versões diferentes. Tanto quanto a Actualidade Religiosa sabe, não foram iniciados processos civil ou canónico para investigar a alegação.
  • O Cónego António Ferreira dos Santos foi acusado em 2008 de ter praticado abusos. A denúncia não foi levada a sério, depois de se ter concluído que o denunciante agia por vingança pessoal contra o padre. Não houve processo civil ou canónico.
  • Um padre nomeado na lista da CI é afastado cautelarmente enquanto se aguarda o desenrolar do processo. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.
  • Um padre nomeado na lista da CI é afastado cautelarmente enquanto se aguarda o desenrolar do processo. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.
  • Um padre nomeado na lista da CI é afastado cautelarmente enquanto se aguarda o desenrolar do processo. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.
  • Um padre nomeado na lista da CI mas que não é afastado cautelarmente, apesar de o seu processo ter sido entregue directamente ao Dicastério para a Doutrina da Fé, em Roma. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.
  • Um padre nomeado na lista da CI mas que não é afastado cautelarmente, apesar de o seu processo ter sido entregue directamente ao Dicastério para a Doutrina da Fé, em Roma. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.
  • Um padre nomeado na lista da CI mas que não é afastado cautelarmente, apesar de o seu processo ter sido entregue directamente ao Dicastério para a Doutrina da Fé, em Roma. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.
  • Um padre nomeado na lista da CI mas que não é afastado cautelarmente, apesar de o seu processo ter sido entregue directamente ao Dicastério para a Doutrina da Fé, em Roma. Processo arquivado civilmente a 14 de Julho de 2023. Em Dezembro de 2023 o JN informou que o processo canónico também tinha sido arquivado, tendo o padre sido reintegrado.

 Santarém (1)

  • O padre António Júlio Ferreira dos Santos foi acusado de tocar de forma inapropriada uma escuteira, durante um acampamento. O padre foi condenado a 14 meses de pena suspensa pelo tribunal civil e a uma pena canónica de termo limitado sem contacto com menores, sem nomeação e com obrigação de acompanhamento profissional. Cumprida a pena, o padre voltou ao activo e colocado como director paroquial, e não pároco, de uma paróquia onde pode ser acompanhado por outro padre. No seguimento da revelação do relatório e da lista da CI, o padre foi alvo de atenção mediática e, sob pressão, pediu para ser afastado temporariamente das paróquias a que assistia.

 Setúbal (4)

  • Um padre foi acusado por acólitos de ter praticado abusos. A diocese abriu um processo canónico que concluiu pela sua absolvição. O caso não foi denunciado às autoridades civis, e não terá sido investigado pelo Ministério Público. A Actualidade Religiosa recebeu indicações que apontam para se ter tratado de uma acusação falsa. Segundo o relatório da Comissão Independente houve outro caso envolvendo este padre mas a diocese considerou na altura que não havia dados suficientes para se abrir um processo penal. Em todo o caso, recomendou-se uma admoestação e um pedido de desculpa formal ao denunciante, um ex-seminarista. O instrutor do processo diz que considerou a versão do denunciante mais credível que a do denunciado. Tudo indica ser este o padre referido na lista entregue pela Comissão Independente à diocese que terá sido alvo de dois processos, segundo a diocese, que não configuravam abuso de menores. É possível que os acólitos e ex-seminarista que se queixaram fossem maiores de idade na altura. Contudo, a diocese diz que a Comissão terá recebido em relação a ele uma queixa de abuso de menores, pelo que aguarda mais informação. Diz que o padre está sem nomeação pública neste momento, embora no anuário conste uma nomeação, de natureza não paroquial.
  • Um padre da diocese de Setúbal foi acusado por uma mãe de ter abusado do seu filho menor, ainda criança. O caso foi entregue às autoridades que concluíram não haver qualquer credibilidade na acusação, uma vez que o padre nem sequer estava no local indicado no dia em que teriam acontecido os abusos. Na lista da Comissão Independente vem uma referência a um padre que foi preventivamente afastado enquanto decorreu um processo por abuso de menores, mas que depois de concluído o processo foi reintegrado. É possível que seja esta situação. Sem ter a certeza de que se trata de uma pessoa diferente, não se vai elencar outro caso nesta lista.
  • Um padre nomeado na lista entregue pela Comissão Independente. Nos arquivos da diocese nada consta, pelo que foi pedida mais informação e acabou por se verificar que segundo as alegações, o suspeito era menor na altura dos factos e terá abusado de uma pessoa maior. Não sei se a pessoa maior de idade era vulnerável ou não, mas a conclusão da diocese foi de que o caso não reunia condições para ser investigado, pelo que não avançou qualquer processo.
  • Um padre nomeado na lista entregue pela Comissão Independente. Nos arquivos da diocese nada consta, pelo que foi pedida mais informação e decorre agora a instrução do processo.

 Viana do Castelo (3)

  • O padre André Filipe da Costa Gonçalves foi confrontado com uma denúncia de ter abusado de um rapaz de 17 anos, em 2022. Assumiu os factos e foi suspenso pela diocese. A vítima veio a dizer que a relação entre os dois foi consensual, mas o direito canónico considera que a idade de consentimento são 18 anos, pelo que esse dado em nada afecta esse processo. Pode, contudo, impedir uma acusação formal por parte do Ministério Público, a quem foram entregues pela diocese todos os indícios.
  • Um padre consta da lista entregue pela Comissão Independente, mas está sem nomeação por estar num estado de grande fragilidade pessoal, segundo o bispo. A Actualidade Religiosa sabe que se trata de um padre já muito idoso.
  • Um padre consta da lista entregue pela Comissão Independente, mas já morreu "há vários anos", segundo o bispo. 

 Vila Real (5)

  • O padre Pedro Ribeiro foi condenado em 2016 por ter enviado imagens explícitas a menores de idade, em 2015. Pedro Ribeiro foi condenado a vinte meses de pena suspensa e ao pagamento de seis mil euros de indemnização. Em processo canónico o padre foi condenado a passar quatro anos num mosteiro, sem exercer o sacerdócio. Tendo passado essa pena, o padre está actualmente em processo de incardinação numa ordem religiosa, que opera na mesma diocese. Este parece ser o caso que constava da lista da CI e que a diocese referiu como tendo sido tratado e resultado numa pena de suspensão.
  • O padre Heitor Nunes foi acusado em 2019 de ter mantido uma relação com uma menor de idade, de 14 anos, em 2002. O processo foi arquivado pelo Ministério Público, mas o processo canónico condenou-o e suspendeu-o. Entretanto Heitor Nunes pediu dispensa do sacerdócio.
  • O padre Manuel Machado foi acusado em 2022 de ter praticado abusos entre 1987 e 1991. Apesar de estar incardinado em Lisboa à data da acusação, na altura dos factos era padre da diocese de Vila Real. Segundo a imprensa, terá havido apenas uma vítima, que sofreu mais de 100 abusos. O processo encontrava-se prescrito civilmente à data da denúncia e o processo canónico foi interrompido a partir do momento em que o padre pediu e obteve dispensa do estado clerical. Pode ser o caso da lista da CI que é indicado pela diocese como tendo resultado na expulsão do sacerdócio.
  • Um padre foi acusado de ter abusado de um menor de 14 anos. A denúncia foi feita pela vítima, que no entanto não se quis identificar, nem identificou o padre, pelo que não foi possível abrir processo civil ou canónico. Segundo a vítima, os abusos ocorreram uma vez e o padre, que na altura tinha 50 anos, pediu-lhe desculpa. Porém, a vítima diz saber de mais menores que foram abusados pelo mesmo sacerdote.
  • Um padre veio referido na lista entregue pela Comissão Independente à diocese de Vila Real. O padre não é da diocese, embora resida lá. Foi imediatamente afastado do ministério, enquanto a diocese de origem foi avisada. Trata-se do mesmo padre que constava da lista de Setúbal, mas que a diocese na altura indicou estar já sob outra jurisdição. Isso significa que o nome estava repetido na lista da CI. Depois de meses de disputa, a Santa Sé determinou que o caso referente a este padre ficará a cargo de Vila Real. Segundo notícia do Expresso, publicada em Agosto, a Santa Sé considerou entretanto que o padre não praticou os factos imputados, e regressou ao seu ministério. 

 Viseu (5)

  • O padre Luís Miguel da Costa foi acusado em 2021 de ter enviado uma mensagem de teor explícito a um menor de idade que conheceu num almoço. O caso foi denunciado às autoridades civis e decorrem actualmente processos civil e canónico, estando o padre suspenso enquanto aguarda o seu desenrolar. Este é muito provavelmente um dos nomes referidos na lista produzida pela Comissão Independente e entregue à diocese.
  • Um padre foi acusado por uma mulher, em 2021, de a ter “violentado” vários anos antes. O padre estará ainda no activo. Segundo o jornal que divulgou o caso, este processo terá chegado à Comissão Diocesana através de uma denúncia feita pelo Serviço de Escuta dos jesuítas. Este é muito provavelmente um dos nomes referidos na lista produzida pela Comissão Independente e entregue à diocese.
  • Um de cinco padres referidos na lista entregue à diocese pela Comissão Independente. Segundo o bispo, o caso já foi devidamente entregue e tratado ao nível canónico e civil, embora não se tenha dito o resultado. 
  • Um de cinco padres referidos na lista entregue à diocese pela Comissão Independente. Segundo o bispo, o caso já foi devidamente entregue e tratado ao nível canónico e civil, embora não se tenha dito o resultado. 
  • Um de cinco padres referidos na lista entregue à diocese pela Comissão Independente. Segundo o bispo, o caso já foi devidamente entregue e tratado ao nível canónico e civil, embora não se tenha dito o resultado.  

São João de Deus (2)

  • Um padre da ordem de São João de Deus foi investigado em 2012 por alegados abusos de pessoas com incapacidade psíquica, entre 2004 e 2010. Foi absolvido em processo civil e canónico. Apesar disso esteve impedido de exercer cargos de responsabilidade durante cinco anos na ordem, e de voltar a trabalhar na instituição onde terão ocorrido os abusos. Um leigo, funcionário da instituição, foi condenado no mesmo processo (está contabilizado na lista dos leigos, mais acima). 
  • Na lista entregue pela CI à CIRP consta um membro da ordem, descrito como não activo. Segundo a ordem trata-se de um religioso que não se encontra em Portugal há 31 anos, suspeito de ter praticado abusos na década de 70. A sede da ordem, em Roma, foi informada e foi aberta uma investigação preliminar. Em resposta a perguntas colocadas pela Actualidade Religiosa, a ordem refere que o padre em questão é português, nonagenário e vive numa residência para idosos num país lusófono. A sede da ordem foi informada sobre o caso e abriu-se uma investigação preliminar.

 Salesianos (3)

  • Um órgão de informação referiu uma suspeita de abusos de um padre salesiano, que terá sido praticado na zona de Cascais em 2005/2006. O caso terá sido arquivado pelo Ministério Público, por prescrição. Desconhecem-se quaisquer outros dados sobre este processo, incluindo se chegou a haver processo canónico, ou a identidade do padre.
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a dois membros desta ordem suspeitos de abusos. Segundo a CIRP, um já morreu e o outro não é conhecido.

 Jesuítas (11)

  • Segundo informação disponibilizada pela Companhia de Jesus, há registos de 12 membros da ordem que praticaram abusos ao longo dos últimos 70 anos, sendo que 11 são religiosos e um é leigo, estando elencado na lista dos leigos, mais acima. Todos já morreram. Entre os suspeitos haverá padres, mas também irmãos, que não sendo ordenados são considerados religiosos professos, e por isso constam desta lista, e não da lista dos leigos. Esta contagem dos jesuítas começou por elencar apenas 8 religiosos, mas através da colaboração com a CI foi possível rever o número e chegar a 12. Na lista da CI entregue à CIRP há referência a quatro jesuítas. Ao que a Actualidade Religiosa conseguiu apurar, todos constavam já da contagem que a ordem tinha feito e apresentado, em comunicado, a 13 de Fevereiro.
Maristas (1)
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a dois membros desta ordem suspeitos de abusos. Ambos são descritos como "não activos e não vinculados" ao instituto. É possível que um destes seja o Ricardo Jorge, referido mais acima na lista dos leigos, pelo que apenas será contabilizado um caso aqui, até que isso seja esclarecido.
Irmãs Reparadoras de Nossa Senhora de Fátima (1)
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a um membro desta ordem suspeita de abusos. É descrita como estando no activo. A Actualidade Religiosa apurou que a irmã era acusada de encobrimento, por ter tido conhecimento de abusos decorridos no confessionário, mas nada ter feito para evitar que as alunas continuassem a ser enviadas para lá. A investigação da ordem não permitiu sustentar essa acusação, pelo que não aberto sequer um processo formal.
Missionários da Consolata (1)
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a um membro desta ordem suspeito de abusos. Segundo a CIRP, já morreu. 
Ordem dos Frades Menores - Capuchinhos (1)
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a um membro desta ordem suspeito de abusos. Segundo a CIRP trata-se de um frade no activo. A Actualidade Religiosa apurou que depois de ter reunido informação e de ter enviado para a sede da ordem em Roma, veio instrução para arquivar o processo, por falta de dados e por não se ter identificado o denunciante.
Ordem dos Frades Menores - Franciscanos (3)
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a três membros desta ordem suspeitos de abusos. Segundo a CIRP trata-se de dois frades que já morreram, e um que não está no activo. Em relação ao que não está no activo, ainda faz parte da ordem, mas foi afastado de qualquer contacto com menores ou pessoas vulneráveis há vários anos, depois de ter sido recebida uma denúncia escrita que não tendo sido confirmada, foi tida como credível.
Dehonianos (3)
  • Segundo um comunicado publicado pelos dehonianos, a ordem encontrou referências na sua investigação interna a dois casos de abusos.
  • Segundo um comunicado publicado pela CIRP, a CI encontrou referências a um membro desta ordem suspeito de abusos. Segundo a CIRP, já morreu. Segundo os dehonianos, os abusos em causa terão sido praticados na década de 60 e o suspeito já morreu "há décadas". Diz ainda que nunca tinha recebido uma denúncia sobre esta pessoa, pelo que se presume não ser nenhum dos dois referidos no ponto acima.
Combonianos (2)
  • Segundo um comunicado publicado pelos combonianos, o relatório da CI contém referências a dois casos envolvendo padres desta ordem. Num dos casos o padre em questão é suspeito de ter cometido abusos nos anos 60. Não sendo português, voltou para o seu país há décadas e encontra-se actualmente numa casa de repouso, incapacitado. O outro caso envolve um padre que não foi possível identificar, mas que é suspeito de ter praticado abusos na década de 1970. Apesar de constarem do relatório, estes dois casos não constavam da lista que foi entregue pela CI aos institutos da CIRP.
Opus Dei (1)
  • Dados comunicados pela Comissão Independente à Opus Dei referem a existência de um testemunho envolvendo um padre da obra que é acusado pela vítima de ter feito "perguntas consideradas impróprias numa confissão, sentidas como intrusivas". Os dados fornecidos não permitem identificar o sacerdote e a obra diz que a investigação interna avançará quando houver mais informações.
Desconhecidos
  • Uma notícia de um jornal refere o caso de um padre que é suspeito de ter abusado de vários seminaristas, alunos de catequese e acólitos. Diz que dois dos seminaristas abusados são agora padres numa diocese no sul do país. Contudo, a forma como o artigo está escrito deixa a possibilidade, não confirmada, de este padre ser o Inácio Belo, de Lisboa, referido mais acima. Devido a essa incerteza, e sem outros elementos que o clarifiquem, optei por não considerar este caso para a contagem.
  • O mesmo artigo acima citado refere o caso de um padre de uma diocese do norte que é suspeito de ter abusado de seminaristas, alguns dos quais abandonaram o seminário. Uma vez que existe a possibilidade, não confirmada, de este ser o mesmo caso já referido de Bragança, também optei, enquanto não chegam mais detalhes, por não o considerar para a contagem total.

Casos não especificados (1)
  • Em 2010 surge uma denúncia vaga sobre a Ordem Hospitaleira de São João de Deus nos Açores. Ninguém, nem padre nem leigo, é mencionado especificamente e a investigação não dá em nada.

[Actualizado a 22/12/2023] 

Thursday, 4 May 2023

Listas fechadas, números equivocados e transparência

Eu a tentar fazer sentido das listas
(mas sem fato e com menos cabelo)
A semana passada os membros da agora ex-Comissão Independente para o estudo dos abusos sexuais na Igreja Católica reuniram-se com representantes das ordens e institutos religiosos, a quem fizeram chegar também listas de nomes de alegados abusadores.

Apesar de ter sido muito menos mediático do que a entrega das listas aos bispos, este foi um momento importantíssimo, pois fecha, de certa forma, o capítulo da Comissão Independente em toda esta “novela” que, porém, continuará a ter mais episódios.

Talvez a maior surpresa tenha sido o facto de a lista entregue aos membros da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) conter tão poucos nomes. Eu estava à espera que pudessem até ser mais do que os que foram entregues às dioceses, tendo em conta que muitas das ordens desempenham um papel importantíssimo na educação e, por outro lado, tendem a ser realidades mais opacas do que as dioceses. Contudo, foram apenas 17 os nomes, sendo que mais de metade são pessoas que já morreram.

Página 187 do relatório
Mas o caso torna-se mais estranho quando comparamos este número com os próprios dados apresentados pela Comissão Independente no seu relatório. Ora, juntando os dados para as ordens masculinas e femininas, temos um total de 69 casos, entre religiosos e leigos, sendo 59 das ordens masculinas e 10 das ordens femininas. Como é que estes 69 se transformam em 17? Nem se pode usar o argumento de terem excluído os mortos, porque já vimos que não o fizeram.

Nalguns casos a discrepância é gritante. Segundo o relatório, só nos salesianos houve 18 religiosos nomeados por testemunhas. Mas a lista que foi entregue aos salesianos continha apenas dois nomes, sendo que um já tinha morrido e o outro é desconhecido.

A meu ver, pode haver algumas explicações para isto. Uma é que a CI optou por considerar apenas os casos de alegados abusadores que estavam vivos ou cujas vítimas ainda possam estar vivas, mas quase todos os casos do relatório derivam de testemunhos validados pela própria comissão, pelo que isso não parece explicar a diferença.

Outra explicação é de que, tendo tido mais tempo, os membros da CI tenham tido também outras possibilidades de trabalhar a lista e excluir casos que levantassem mais dúvidas. A ser isto, confirma algo que eu tenho dito há muito: que todos teríamos ganho se a Comissão tivesse mais tempo para trabalhar, nomeadamente para tratar os dados de que dispunha com mais rigor, permitindo ainda à Comissão Histórica trabalhar de forma mais folgada.

Números finais

Com a entrega dos 17 nomes aos institutos, temos agora números finais em relação à famosa lista de abusadores “no activo” mas que afinal não estão todos no activo… Assim, as duas listas somadas dão um total de 114 nomes. Deveria dar 115, porque o total de nomes da lista das dioceses era 98, mas mais abaixo explico porque é que afinal são apenas 97.

Destes 114 nomes, 45 são pessoas que já morreram e 9 são desconhecidos. Isto corresponde a cerca de 47% do total.

Há ainda 16 padres/religiosos que estão indicados como estando sem nomeação, ou sem cargo e outros 14 que já tinham visto os seus processos – civis e/ou canónicos – concluídos quando a lista saiu, e que ou já tinham sofrido sanções ou tinham sido ilibados, ou visto os processos arquivados. Sobre este ponto é importante sublinhar que há alguma discrepância na forma como as dioceses comunicaram a informação. Sei de pelo menos um caso de um padre que foi indicado como estando sem nomeação, o que não deixa de ser verdade, mas está simplesmente à espera de ser nomeado novamente depois de ter visto o seu processo arquivado, uma vez que tanto Roma como o Ministério Público consideraram que não havia factos que constituíssem crime. Em bom rigor, embora não seja mentira que ele esteja sem nomeação, faria mais sentido, a meu ver, que ele estivesse na lista dos que já viram os seus processos concluídos. Contudo, segui a informação oficial da lista, até porque eu tive conhecimento dos outros detalhes por via não oficial.

Há ainda a reter a existência de quatro leigos vivos, uma vez que um quinto já terá morrido e está por isso contabilizado com os mortos.

Naturalmente, o dado mais importante é o número de padres/religiosos no activo que estavam nas listas, que no total pode chegar a 27. Estes incluem 15 que já sabemos que estão preventivamente afastados do ministério enquanto decorrem os seus processos. Na maioria foram afastados no seguimento de aparecerem os nomes nas listas, mas pelo menos um já estava afastado antes disso.

Depois, há 11 que estão no activo, sobre os quais foi pedida mais informação pelas dioceses ou ordens religiosas. Vale a pena escrutinar um pouco este número. Quatro desses 11 são do Porto e sabemos que o bispo encaminhou os seus processos para Roma, mas optou por não os afastar preventivamente, ao contrário do que tinha feito com outros três. Contudo, a informação de que disponho é de que não houve grande base para essa decisão, isto é, o facto de uns terem sido afastados e outros não, não traduz uma gravidade maior de uns casos em relação a outros, ou maior credibilidade de uns ou de outros.

Há ainda o estranho caso de Coimbra. A diocese recebeu o nome de um padre no activo mas, quando obteve mais informação da Comissão Independente verificou que afinal não se tratava de um caso de abusos. Pelo que percebi, foi aberto um processo preliminar na mesma, mas o mais natural é o caso vir a ser arquivado.

Depois temos dois padres de Setúbal, sobre os quais não temos mais informação até agora. Ainda hoje confirmei que a própria diocese ainda espera por mais informação da CI, que tarda em chegar, mas que sem essa informação, e por não ter nenhum dado em arquivo, manteve os padres em actividade.  

Há ainda uma religiosa das Reparadoras de Nossa Senhora de Fátima. Tentei obter mais informação sobre esse caso, mas não obtive qualquer resposta da ordem até agora.

Finalmente, temos os casos de Lamego. Esta diocese começou por comunicar que tinha dois nomes na lista, sobre os quais tinha sido pedida mais informação. Depois de várias tentativas de obter mais detalhes, ao longo da última semana, consegui saber que os processos desses padres foram encaminhados para Roma, mas ninguém me soube dizer se os sacerdotes estão preventivamente afastados do ministério, ou não. Contudo, entretanto, soube que um dos padres que tinha sido indicado na lista de Bragança, mas que a diocese comunicou ser de outra diocese, afinal era de Lamego. A minha fonte não me soube dizer mais detalhes sobre o padre, por isso não posso garantir que ele esteja no activo, mas havendo essa possibilidade ele será o 11º.

Onze mais 15 dá 26. Quem pode ser o outro? Se bem se recordam, nos comunicados das dioceses, depois de receberem as listas, vinha a indicação de mais dois padres que tinham ido parar à lista errada. Setúbal disse que tinha um padre na sua lista que estava sob outra jurisdição e Vila Real disse que tinha um padre que estando a trabalhar nessa diocese, era na verdade de outra, mas tinha sido preventivamente afastado do ministério em Vila Real enquanto a sua diocese de origem era informada. Ora, qual não foi a minha surpresa quando soube que afinal trata-se da mesma pessoa. Isto significa que esse nome está repetido na lista, e por isso o número das listas das dioceses é 97 e não 98, como previamente se pensava, logo o número das dioceses e das ordens religiosas, em conjunto, dá 114. Mas significa também que as duas dioceses claramente não se entendem sobre quem é de facto responsável pelo sacerdote. Isto terá naturalmente dimensões de direito canónico que me escapam, mas para uma questão de organização da minha informação, e uma vez que a pessoa em causa está fisicamente em Vila Real, estou a contá-la como sendo dessa diocese.

Transparência

Por fim, uma das coisas que tenho dito desde o início desta polémica é que a Igreja tem mesmo de apostar na transparência para melhorar a forma como lida com esta questão e iniciar um novo paradigma de boas práticas. Ora, basta ler o ponto acima para perceber que para muitas dioceses a transparência apenas existiu enquanto os olhos mediáticos estavam postos na questão dos abusos, nomeadamente por causa das listas. Depois disso, voltaram a não revelar qualquer informação, ou quando o fizeram foi de forma pouco clara. O mesmo aconteceu agora com algumas das ordens ou institutos religiosos, embora outros se tenham apressado a divulgar a informação de que dispunham.

É importante os responsáveis pelas dioceses e pelas ordens perceberem que embora possa custar, todos temos a ganhar com a maior transparência possível – dentro do bom-senso – nesta matéria.

Da minha parte continuarei a acompanhar estes casos na medida do possível, para vos trazer os dados mais completos e mais rigorosos, mesmo quando o resto da imprensa só quiser saber de Galambas e afins.

Recordo que podem ver aqui todos os detalhes sobre as listas que foram entregues à CEP e à CIRP, com uma análise mais estatística dos dados conhecidos e que aqui podem encontrar uma lista com todos os casos até agora conhecidos, pré e pós relatório, dividios por estatuto e por diocese ou ordem religiosa. Por fim, aqui têm a cronologia que mantenho sobre este assunto desde 2012. 

Partilhar