quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Basta!

Anthony Esolen
Que não ouçamos mais vozes de padres, prelados e autores católicos, a dissentir da verdade – da razão, da Escritura, do constante e claro ensinamento da Igreja no que diz respeito à criação da humanidade, homem e mulher; da união carnal desejada por Deus desde o princípio; da educação de rapazes para serem homens e de meninas para serem mulheres, criadas um para o outro; da bondade e da realidade do sexo e das suas expressões naturais na cultura humana; da natureza criada do casamento que era tão óbvia para os pagãos como é para os cristãos; da inadmissibilidade de separar a dimensão de prazer do acto sexual do seu propósito biológico e do seu sentido corporal; da indissolubilidade do casamento e dos avisos dos mais recentes Papas; da solidão, confusão e tristeza que resultam de todos os géneros de caricatura de casamento, incluindo a fornicação habitual e consensual.

Que não ouçamos mais palavras a menorizar a perversão dos actos que violam a própria estrutura dos sexos. Que cesse a denigração ingrata da masculinidade e feminidade verdadeiras e a submissão cobarde a todas as mentiras nojentas do entretenimento e da educação de massas, para as quais uma escola católica está apenas um ou dois anos atrás dos tempos – New York Times.  

Não queremos ouvir mais sobre pronomes da parte de padres, prelados e autores católicos, que praticaram ultrajes sobre as almas e os corpos de jovens padres e seminaristas, nem de quem os encobriu, por razões que só vocês conhecem, mas que não servirão para vos desculpar nem para evitar que façam o que é digno. Se está numa posição de autoridade, e nada fez, deve demitir-se. Pode ser substituído, não é indispensável. Basta.

Há vários anos o bispo da diocese canadiana onde vivemos no verão foi apanhado numa inspeção de rotina no aeroporto. Tinha na sua posse imagens pornográficas com crianças. A imprensa canadiana não foi mais específica do que isso. Resignou em desgraça e cumpriu uma curta pena na prisão. Agora, segundo ouvi dizer de um padre respeitável, vive com outro homem. Nada que nos surpreenda. Ele tinha o hábito de viajar para destinos peculiares no mundo, que nada tinham a ver com as características étnicas ou culturais da sua diocese, maioritariamente rural. Lugares onde a carne é barata.

Se é verdade que agora está a viver uma velhice confortável de pecado, não é tanto um exemplo de arrependimento, mas de contumácia e de desafio. Não há vergonha? Não estamos a falar de uma diocese recheada de padres homossexuais atrás de rapazes adolescentes, embora houvesse alguns, e as paróquias, que já não eram propriamente ricas, foram reduzidas à penúria pelo custo das indemnizações. Ele já sabia que assim era, e ainda sabe. Uma senhora idosa da nossa aldeia ofereceu 165 mil dólares para ajudar a manter aberta a igreja local e os paroquianos fartaram-se de trabalhar para restaurar o edifício, em vez de contratar um empreiteiro. Todo esse dinheiro foi esbanjado. 

As paróquias faliram todas e o seminário diocesano está vazio, e mesmo assim não vemos vergonha na chancelaria.

Não quero insinuar que os fiéis não têm também pecados. Em parte, recebemos líderes e pastores muito piores do que merecíamos, mas não merecíamos grande coisa. Toda a gente tem sido queimada e conspurcada pela devolução sexual. Todos tinham o hábito de piscar o olho e virar a cara. Não há quem não tenha culpa. “A Igreja está este bordel porque eu contribuí para que assim fosse”, é o que todos os cristãos deviam dizer, por ser a verdade.

Mas alguns cristãos, alguns católicos romanos, têm estado a combater uma luta desigual não só para se arrependerem do que fizeram mal, mas para sarar aquilo que feriram e reconstruir o que ajudaram a demolir.

É agora que precisamos de pastores que possam liderar-nos nesse combate e não que nos repreendam a cada passo e que nos carreguem com o peso da sua verborreia burocrática, não para sorrirem para aqueles que sabem o que se passa, assegurando-lhes calmamente que nada vai mudar. Não estou em luta contra o episcopado, que em larga medida tem culpa pelos escândalos dos últimos quinze anos e que não se sujeitou a qualquer sanção, preferindo cobrir as suas almas episcopais colectivas de elogios.

Eu quero acreditar nos bispos. Deus sabe que aceito a autoridade dos seus cargos. Mas digo-vos que se não querem travar o combate que temos pela frente, então é melhor que saiam da frente e deixar passar quem esteja disposto a fazê-lo. Chega de brandura e de chazinho. Todos os bispos, padres e autores católicos que sabiam sobre o incesto espiritual e as perversões macabras do anterior bispo da nossa capital, agora caído em desgraça, e que nada fizeram, têm a obrigação de, pelo menos desta vez, admitir o seu falhanço e partir.

Por favor, vão-se embora. Resignem, rezem, leiam, pensem, façam o que entenderem e que seja agradável ao Senhor, mas não continuem a obrigar a Igreja a carregar o vosso peso morto. São uma vergonha tanto para o crente como para o infiel. Vão-se embora.

E dêmos uma chance aos verdadeiros, bons e jovens sacerdotes de Deus, suficientemente novos para não terem qualquer ilusão sobre o que se passou na geração anterior à deles. Será possível serem piores do que os seus eternamente infantis superiores?



Anthony Esolen é tradutor, autor e professor no Providence College. Os seus mais recentes livros são:  Reflections on the Christian Life: How Our Story Is God’s Story e Ten Ways to Destroy the Imagination of Your Child. 

(Publicado pela primeira vez na quarta-feira, 8 de Agosto de 2018 em The Catholic Thing)

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