segunda-feira, 15 de abril de 2013

Kermit, o Assassino

Está a decorrer nos Estados Unidos o julgamento de Kermit Gosnell, um abortista que é acusado de homicídio de pelo menos sete bebés e de uma mulher que morreu ao seu cuidado.

Os sete bebés em causa foram fruto de abortos tardios e nasceram vivos, ao contrário do que é suposto. Por isso foram mortos já fora das mães, cortando-lhes as colunas com um par de tesouras. Gosnell é acusado dos sete casos comprovados, mas um funcionário dele admite ter feito o mesmo em “centenas” de casos e diz que era prática comum na clínica.

Para além deste pequeno horror, quando finalmente as autoridades decidiram intervir e encerrar as duas clínicas operadas por Gosnell, encontraram, entre outras coisas, frascos com restos de fetos abortados, guardados dentro de frigoríficos que continham alimentos. No relatório formal sobre o caso, a acusação mais leve tem a ver com um gato recheado de pulgas que se passeava por uma das clínicas e o facto de os instrumentos não serem esterilizados, o que levou inúmeras mulheres a contrair infecções venéreas.

É possível que Gosnell seja condenado à morte pelos seus crimes, sobretudo os de homicídio.

Imagino que a maioria dos meus leitores estejam neste  momento um pouco cépticos. Se este monstro existe mesmo, se tudo isto é verdade, porque é que nunca ouvimos falar dele? A razão é simples. É que até há uma semana, e apesar de este caso datar de 2011, nenhuma grande cadeia de notícias nos EUA se tinha dignado a falar do assunto.

Contrastemos isto com o caso trágico da mulher indiana que morreu por complicações relacionadas com a sua gravidez o ano passado, na Irlanda. Lembram-se como isso foi transformado numa gigantesca campanha a favor da liberalização do aborto naquele país? Houve abaixo-assinados, manifestações de solidariedade... tudo sem que tivesse sequer havido um inquérito sobre as circunstâncias da morte! Se bem me lembro, até algumas deputadas portuguesas se meteram ao barulho.

O caso de Savita Halappanavar é trágico, evidentemente. Mas é mais trágico que centenas de bebés nascidos vivos e depois mortos por excisão das suas colunas vertebrais? É mesmo? É este o mundo em que vivemos? É mais trágico que a Savita tenha morrido por não se lhe ter feito um aborto (se é que isso foi assim tão simples), do que Karnamaya Mongar, uma mulher de 41 anos, tenha morrido às mãos de Gosnell quando lhe faziam um aborto?

Então o que é que se passa aqui? Passa-se que chegámos ao ponto em que a imprensa que, nos EUA como em Portugal, é na sua maioria favorável ao aborto legal, considera que dar destaque a casos como os de Gosnell pode ser politica e socialmente prejudicial para a sua causa. São escrúpulos que estão manifestamente ausentes quando um candidato ao senado diz que é raro uma mulher engravidar quando é violada..., como se passou nas últimas eleições americanas.

Da próxima vez que ouvir falar em “cultura da morte”, lembre-se que não é apenas uma expressão vazia. Tem um rosto, o de Gosnell, e tem um credo, que é o que impede a imprensa liberal americana de abordar a questão.

Neste artigo, por uma questão de pudor, evitei entrar em detalhes gráficos sobre os horrores praticados por Gosnell. Mas poderão encontrar muito mais informação sobre o caso e sobre a cobertura mediática, nestas ligações:

1 comentário:

  1. É claro. Quando se legaliza a morte de nascituros, através da legalização do aborto, estas são consequências «normais». O horror só não é maior porque as pessoas não querem ver imagens dos abortos. Não querem ver!!!
    FC

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