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Wednesday, 17 January 2024

O que há de religioso na tensão no Médio Oriente? (Quase) tudo

Guardas Revolucionários do Irão

Ao longo dos últimos dias assistimos à surpreendente notícia de que o Irão lançou ataques, incluindo com mísseis balísticos e drones, contra alvos no Iraque e no Paquistão.

Trata-se de uma escalada inesperada na situação no Médio Oriente e também extraordinariamente perigosa. Basta recordar que o Paquistão é uma potência nuclear, e o Irão, se não é ainda, para lá caminha.

O que é que se passa? E o que é que a religião tem a ver com o assunto? Como veremos, muito.

Xiitas v. Sunitas

O primeiro ponto tem a ver com a divisão entre sunitas e xiitas, os dois grandes ramos do Islão. Mundialmente os sunitas são a vasta maioria, com cerca de 90% da população, mas olhando mais especificamente para o Médio Oriente a coisa não é tão evidente. O Irão é a grande potência xiita, e tem um regime teocrático que usa a religião para se legitimar. Mas depois existem vários países na região que têm significativas minorias, ou até maiorias de xiitas.

Já os sunitas são maioria em quase todos os países do Médio Oriente, excepto o Irão, obviamente, e o Iraque. As grandes potências sunitas são por um lado a Arábia Saudita, e por outro – já fora do Médio Oriente, mas na fronteira e com o olhar cada vez voltado para leste, a Turquia.

As grandes rivalidades na região – excluindo para já Israel, mas já lá vamos – são entre países sunitas e xiitas, e por vezes entre forças dessas duas correntes do Islão dentro dos países, que agem a mando de potências externas. Assim, a Arábia Saudita está actualmente em conflito com os houthis, do Iémen, que são xiitas e agem sob ordens de Teerão, e a Turquia apoia os grupos rebeldes na Síria, que são na maioria sunitas e de tendência jihadista, enquanto o Governo da Síria é dominado pelos alauitas, que são um ramo do xiismo.

Até agora, apenas uma coisa parecia capaz de unir os dois ramos, o ódio a Israel e, por extensão, aos seus apoiantes ocidentais, nomeadamente os Estados Unidos. Mas até isso parece estar agora em causa.

Uma aposta ganha de Israel?

Durante anos Israel tem sido o alvo preferido da retórica do Irão. Contudo, os dois países não partilham qualquer fronteira, por isso a coisa resumia-se quase só a isso, retórica. Entretanto o Hezbollah, a força xiita no Líbano, começou a atacar Israel e o Irão está prestes a tornar-se um país nuclear, o que apresenta um sério risco para Telavive. Pior, o Irão tornou-se um dos principais patrocinadores do Hamas, o grupo armado que domina a Faixa de Gaza, e terá mesmo ajudado a treinar, armar e financiar os ataques de Outubro que levaram à mais recente guerra.

Quando Israel ripostou contra o Hamas, invadindo Gaza numa operação que já causou dezenas de milhares de mortos e está a deixar o território praticamente inabitável, pensou-se que estava a cometer um erro estratégico, colocando todo o resto do Médio Oriente – e uma boa parte da opinião pública do ocidente – contra si. Contudo, aquilo a que estamos a assistir agora pode indicar uma aposta ganha por Israel, na medida em que a tensão entre xiitas e sunitas isola o Hamas, dependente do Irão, e isola o próprio Irão na região. Note-se que no seguimento da guerra em Gaza nenhum país sunita veio em auxílio do Hamas, mas pelo contrário houve dois atentados dentro do Irão promovidos por forças sunitas radicais, uma com sede em Idlib, na Síria, outra com sede no Paquistão. Foram alvos desses grupos, supostamente, que o Irão atacou.

Claro que isto levanta a pergunta: porque é que estes grupos atacaram o Irão precisamente nesta altura em que o estado xiita estava a usar os grupos que apoia e controla para atacar Israel e alvos ocidentais, através dos ataques a navios no Mar Vermelho? Terá havido algum encorajamento por parte desses governos ocidentais, ou de Israel, nesse sentido?

O que sabemos é que há dias a Arábia Saudita já veio dizer que poderá vir a reconhecer Israel, desde que o problema da Palestina seja resolvido. Parece uma condição impossível, mas os sauditas também não disseram o que consideram ser uma justa resolução, portanto está tudo em aberto. Esta aproximação de Ríade mostra claramente que os países sunitas estão a compreender que não é Israel que é o seu grande inimigo na região, pois não os ameaça directamente, e que já não têm a ganhar com os apelos à solidariedade muçulmana com a Palestina, uma vez que o Irão os ultrapassou pela direita e assumiu essa causa para si.

Os próximos tempos poderão, por isso, revelar um novo equilíbrio de poderes no Médio Oriente, com os países sunitas a aceitar tréguas e até colaboração com Israel, e por extensão com o mundo ocidental, face a uma ameaça comum.

E se o Irão “flipar”?

Uma das ironias em toda esta situação é que o Irão é, nalguns sentidos, um tigre de papel. Não quero de forma alguma subestimar a sua importância e a sua força, mas sim sublinhar que essa força está toda concentrada no topo de uma pirâmide que está a ficar com as bases corroídas.

Mulheres no Irão queimam hijabs
em protesto contra o regime 
Meio século de um regime fundamentalista e retrógrado em Teerão conseguiu o feito de virar uma grande parte da população contra essas mesmas ideias. Nas grandes cidades iranianas as pessoas não querem saber de religião, de xiismo e de rivalidades com os sunitas. Não obstante toda a sua conversa antiocidental, os iranianos comuns estão profundamente ocidentalizados e a sentir cada vez mais o peso da falta de liberdade a que estão sujeitos. O Irão é, por isso, um barril de pólvora que já foi posto à prova várias vezes, mas que mais dia, menos dia, pode mesmo explodir e ver desaparecer o regime dos ayatollahs, sendo estes substituídos por uma nova realidade muito mais ocidentalizada, que recupera o lugar que o Irão já ocupou no mundo, em termos de cultura e de desenvolvimento. Mas isso ainda não aconteceu, nem se sabe se vai acontecer, por isso os ayatollahs ainda lá estão e são eles que estão quase a obter armas nucleares.

E por fim a Rússia

Claro que a Rússia também é para aqui chamada. Moscovo tem sido o grande aliado internacional do Irão. Juntos combateram na Síria e na Líbia e há muitos que acreditam, como eu, que o ataque do Hamas teve dedo de Moscovo, precisamente para provocar uma resposta israelita e levar os americanos a dividir com Israel o apoio militar que têm dado a Kiev.

Aqui, claro, não é qualquer solidariedade religiosa que está em causa, mas apenas uma solidariedade de autocracias, até porque a muito significativa população muçulmana da Federação Russa é de maioria sunita. Mas se a situação no Médio Oriente deixar de ser uma guerra de procuração com rebeldes submissos a Teerão a lançar mísseis contra bases americanas e navios internacionais, tornando-se em vez disso uma guerra aberta entre estados, então a Rússia só tem a perder, porque o precioso apoio militar que tem recebido do Irão provavelmente vai cessar. Aos russos e aos iranianos interessa, por isso, ir longe, mas não longe de mais. E esse é sempre um jogo muito perigoso de se jogar.

Monday, 16 October 2023

Papa a caminho da Turquia?

[Afinal enganei-me! Mas ainda fui a tempo de emendar a mão.]

O Papa Francisco cancelou a audiência geral que tinha marcada para o dia 30 de Novembro. Este cancelamento ainda não foi divulgado oficialmente pelo Vaticano, mas já foi comunicado às delegações que pretendiam tomar parte na audiência, como é o caso de um grupo de representantes da organização da JMJ Lisboa, que iam viajar para Roma para o efeito.

O motivo do cancelamento é uma “viagem não programada” do Santo Padre nos dias à volta do dia 30. Não se sabem mais detalhes.

Contudo, 30 de Novembro é dia de Santo André, o padroeiro do Patriarcado de Constantinopla. Sabemos que o Papa Francisco – como era o caso dos seus antecessores – tem óptimas relações com o Patriarca Bartolomeu de Constantinopla, que por sua vez tem primazia de honra em toda a comunhão ortodoxa. É normal os dois hierarcas trocarem mensagens de saudação no dia do respectivo santo padroeiro, mas também já se visitaram oficialmente, sendo que Bartolmeu esteve pessoalmente em Roma para a oração ecuménica que marcou o início do Sínodo sobre a Sinodalidade, no dia 30 de Setembro.

Não seria de descartar que Francisco tenha sido, por isso, convidado a visitar Istanbul, na Turquia, para celebrar com Bartolomeu o dia de Santo André, ou, eventualmente, que ambos tenham decidido celebrar o dia noutro local.

Para além da importância ecuménica da relação entre Roma e Constantinopla, ela faz ainda mais sentido numa altura em que a autoridade de Bartolomeu está a ser activamente ameaçada pelo Patriarcado de Moscovo e as Igrejas dos países eslavos que tendem a alinhar com a Rússia.

A Guerra na Ucrânia acentuou esta crise interna da Igreja Ortodoxa e levou a algum isolamento de Moscovo. Roma, não obstante o interesse que tem em não cortar relações com Moscovo e em conseguir que o Papa um dia visite a Rússia, quer sem dúvida que Constantinopla saia fortalecida desta situação, mantendo a sua primazia de honra na Comunhão Ortodoxa. Uma visita do Papa, sobretudo no dia 30 de Novembro, ajudaria certamente.

A viagem calharia ainda numa altura em que a Turquia, liderada por Erdogan, parece estar a fazer esforços para melhorar as relações com o mundo cristão. No fim-de-semana passado foi inaugurada a primeira igreja cristã construída em solo turco nos últimos 100 anos, desde a fundação da República turca. Trata-se de uma Igreja Ortodoxa Siríaca, mas o simbolismo destina-se certamente a todo o mundo cristão. Apesar de as relações entre o Estado turco e o Patriarcado de Constantinopla não serem fantásticas, Erdogan sabe com certeza que tem mais a ganhar em manter o centro espiritual do mundo ortodoxo no seu quintal do que em deixá-lo passar para Moscovo.

Devo deixar claro que tudo isto é, por agora, especulação. A única coisa de que temos a certeza é que o Papa vai viajar, e a viagem não estava prevista, o que é raro. Veremos nas próximas semanas, ou mesmo dias, que outras novidades surgem de Roma para confirmar ou desmentir esta possibilidade de uma visita a Constantinopla.

Thursday, 21 September 2023

Adeus Artsakh

Em 2016 viajei com um grupo de jornalistas para o enclave de Nagorno Karabakh. Fomos primeiro para Yerevan, na Arménia, e de lá era suposto seremos levados de helicóptero para Stepanakert. Por causa do mau tempo, porém, tivemos de partir de autocarro por volta da 1h00, para fazer quase cinco horas de estrada, sempre com curvas e a subir montanhas.

Chegámos de madrugada à autoproclamada República de Artsakh, um território historicamente povoado por arménios, dentro do Azerbaijão. Quando a União Soviética se desintegrou, os Arménios de Karabakh, que era administrada pelo Azerbaijão, declararam independência, o que conduziu a uma guerra. Foram cometidas atrocidades de parte a parte, morreram famílias inteiras, mas os arménios venceram e consolidaram o seu controlo sobre a região. Declararam uma independência que nunca foi reconhecida por ninguém, nem sequer pela Arménia, e assim viveram durante 30 anos, rodeados de inimigos, ligados ao mundo exterior apenas pelo corredor de Lachin, que lhes permitia ter acesso à Arménia.

Em Karabakh assistimos às comemorações dos 25 anos da "independência", junto ao cemitério militar. Uma das coisas mais impressionantes da viagem foi mesmo ver as inúmeras campas de soldados mortos ao longo dos anos a defender aquela terra. Num caso em particular estavam três irmãos que morreram na mesma batalha, outros tinham imagens gravadas no mármore dos mortos fardados e de arma na mão; visitámos ainda a linha da frente, onde recebi de um oficial um Novo Testamento arménio, camuflado, e fomos ao famoso monumento "Nós somos as nossas montanhas" que é o símbolo de Artsakh. Os arménios de Karabakh queriam mostrar-nos que estavam a defender mais que um país, estavam a lutar por uma herança, pela terra onde tinham vivido e morrido os seus antepassados, ao longo de séculos, e que contra todas as expectativas estavam a conseguir fazê-lo.

Tudo isso acabou ontem.

Depois de anos a rearmar-se e a incentivar um ódio étnico e cultural aos arménios, e com o apoio imprescindível da Turquia, o Azerbaijão voltou a atacar Karabakh, como tem feito sempre por esta altura do ano, ao longo dos últimos dois anos. Desta vez, com o corredor de Lachin bloqueado por alegados activistas ambientais, sabendo que a Arménia não se iria comprometer com uma guerra total contra os azeris, e sem o apoio da Rússia, as autoridades de Nagorno Karabakh anunciaram a sua rendição. Artsakh morreu.

Estão neste momento a ser negociadas as condições da rendição, mas o que se avizinha é previsível. A perseguição dos arménios que não fugirem – do aeroporto de Stepanakert já chegam as imagens de caos que acompanha sempre estes momentos – e o apagamento sistemático da milenar herança cultural e religiosa arménia da região.

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, perguntei neste texto o que aconteceria se Moscovo perdesse a guerra, acrescentando que perder a guerra, neste contexto, era tudo o que ficasse aquém da ocupação de Kiev em três dias. Uma das minhas previsões era exactamente a tragédia que agora se está a desenrolar à nossa frente.

Mas esta é também, de certa forma, uma derrota diplomática para o Vaticano. Em 2016 Francisco visitou tanto a Arménia como o Azerbaijão. O objectivo era tentar promover a pacificação. Mais recentemente o cardeal Parolin também esteve em missão entre os dois estados para tentar impedir o recrudescimento do conflito. Ao menos tentaram, mas sem sucesso.

Karabakh não é apenas mais um território. É para os arménios o que Guimarães é para Portugal, o que o Kosovo é para os Sérvios (outros cuja dependência do amigo Putin de pouco lhes tem valido). Independentemente do direito internacional, que de facto reconhece a região como parte do Azerbaijão, o que se está a passar ali é uma dor de alma. É o coração de um povo que está a ser arrancado e esmagado diante dos seus olhos.

É também o recordar de tragédias colectivas do passado. Os azeris são turcomanos, e existe uma expressão na Turquia e no Azerbaijão: Um povo, dois estados. Por isso mesmo, e pela importância da mão de Erdogan nisto tudo, os arménios sentem que este é apenas mais um capítulo do terrível genocídio de 1915.

Como me disse um arménio quando estive lá em 2016: “Em 1915 mataram os arménios ocidentais, agora querem acabar o trabalho”.

"They protect the land" - Música dedicada a Nagorno Karabakh pela banda System of a Down, constituída por arménios americanos

Friday, 3 June 2022

Novo Patriarca para a Antiga Igreja do Oriente

A Antiga Igreja do Oriente tinha de escolher o seu novo Patriarca entre seis candidatos.

Calculo que tenham seguido o critério mais lógico para a escolha, optando pela barba mais fixe e mais comprida.

Longa Vida a Mar Yaqoob III Daniel! Que conduza a sua Igreja com sabedoria e ajude a pôr fim ao cisma com a Igreja Assíria do Oriente, contribuindo assim mais um pouco para a unidade total dos cristãos que todos desejamos. 

A Antiga Igreja do Oriente separou-se da Igreja Assíria do Oriente em 1964, numa disputa sobre a forma de escolher o Patriarca. Até então, na IAO a escolha era sempre hereditária, passando do Patriarca para um sobrinho. Infelizmente, a separação reflectiu também divisões internas tribais/familiares. Antes desta eleição falou-se novamente numa tentativa de aproximação e reunificação. Esperemos que isso agora ande para a frente. 

Os seis bispos do sínodo. Mar Yaqoob à
direita, ao centro, com a barba mais fixe.
Estas igrejas servem fiéis sobretudo da região do Iraque, Turquia e Síria e, hoje em dia, uma grande diáspora no Ocidente, nomeadamente na Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos. São igrejas canónicas, isto é, têm ordens e sacramentos válidos, mas por razões históricas não pertenciam a nenhuma comunhão de Igrejas, nem as ortodoxas bizantinas, nem as ortodoxas pré-calcedónias, nem a Católica. Esse facto deixou-as num isolamento fragilizador, que levou a terríveis perseguições e massacres, mais do que as restantes igrejas cristãs na região. São João Paulo II referiu-se à Igreja do Oriente como "Igreja dos Mártires" e isso aplica-se a qualquer destes ramos que entretanto, infelizmente, se separaram entre si. 

Mar Yaqoob III Daniel, (Yaqoob vem de Jacob, que em Português pode ser Tiago) torna-se assim o 110º Patriarca  desta Igreja (uma vez que eles contam com os patriarcas anteriores ao cisma). Era até agora o bispo para as comunidades na Austrália e Nova Zelândia.

Para mais informações sobre a importância religiosa da barba e do cabelo, vejam este artigo que escrevi há mais de 10 anos. 


Monday, 28 February 2022

E se a Rússia perder esta guerra? O que vem depois da ressaca

Muito, muito atento... 
Há uma semana eu não acreditava que Putin fosse invadir a Ucrânia. Há dois dias não acreditava que a Ucrânia conseguisse resistir mais do que umas horas a uma invasão russa. Estão apresentadas as minhas credenciais de analista militar.

Neste momento, porém, temos de começar a considerar a possibilidade de a Rússia perder esta guerra, sendo que uma derrota, neste caso, é tudo o que não seja a rendição das Forças Armadas ucranianas nas próximas 48 horas.

Esta série de tweets que acabei de ler, de alguém que é de facto conhecedor de história e estratégia militar, explica porque é que é bem possível que esta aventura de Putin tenha sido um passo maior que as pernas. O efeito imediato será o fim do mito da força militar terrestre da Rússia.

Se isso acontecer o PCP culpará a NATO e o imperialismo, e as pessoas que ainda possuem alguma sanidade e barómetro moral irão para a rua celebrar. Mas temos de ter em conta que haverá efeitos secundários previsíveis e, nalguns casos, drásticos.

Para começar, a Arménia poderá despedir-se de Nagorno-Karabakh. Durante anos os arménios conseguiram manter o território porque as suas forças armadas eram organizadas e muito mais experientes que os Azeris. (Aliás, uma curiosidade que aprendi quando visitei o território foi que na altura da guerra do Afeganistão, uma vez que Nagorno Karabakh tinha sido “transferida” para a região do Azerbaijão, dentro da União Soviética, as autoridades locais mantinham os azeris na retaguarda e mandavam os arménios para a linha da frente. O resultado é que quando começou a guerra entre arménios e azeris os primeiros tinham experiência militar e os segundos não).

Essa superioridade militar arménia terminou esta década e os Azeris, financiados e armados pelos turcos, conseguiram recuperar uma grande parte do território. Só a intervenção russa impediu a destruição total da presença arménia em Karabakh. Se o mito do poderio russo acabar por se provar apenas isso, um mito, os arménios terão a vida muito dificultada.

Outro teatro de guerra que pode sofrer grandes alterações é a Síria. A intervenção russa permitiu não só salvar o regime de Assad, mas mudar o curso da guerra e empurrar os grupos da oposição até à fronteira com a Turquia, que os apoia. Desde então a Rússia e a Turquia têm deixado o conflito em banho-maria. Mas se a Rússia perder na Ucrânia é bem possível que esse equilíbrio seja afectado. Se – e num cenário de derrota militar na Ucrânia isso é bem possível – a invasão fracassada da Ucrânia acabar por levar a uma mudança no regime russo, então tudo se torna ainda mais imponderável.

Um efeito imediato disso é que as comunidades cristãs ficam mais enfraquecidas na Síria, se não mesmo em todo o Médio Oriente. Por mais que se possa desconfiar das suas intenções, a verdade é que o apoio de Putin tem sido benéfico para os cristãos no mundo árabe, pelo menos a médio prazo. Sem esse apoio, tudo será mais difícil, especialmente depois de terem ficado com o rótulo de apoiantes do regime sírio.

É verdade que a Síria continuará a contar com o apoio do Irão, mas mesmo o Irão ficará enfraquecido com um revés da Rússia e possível mudança de regime em Moscovo.

Um leitor atento terá percebido que ambos os cenários descritos têm algo em comum: A Turquia. A mesma Turquia que tem fornecido armas à Ucrânia.

Ao longo dos últimos anos a relação entre a Turquia e a Rússia tem sido bastante estranha. Adversários em várias frentes, desde a Síria a Nagorno-Karabakh, passando pela Líbia, têm mantido uma certa oposição respeitosa, não querendo entrar em conflito aberto, mesmo perante casos surreais, como quando a Turquia abateu um jato russo na Síria “por engano” ou quando o embaixador da Rússia na Turquia foi assassinado a sangue-frio. Não sei se o que os demove é medo, ou se sentem que é mais importante ambos irem minando juntos a influência dos Estados Unidos em várias partes do mundo, mas a verdade é que não se têm antagonizado.

Mas tudo isso poderá mudar. Se a Rússia mostrar ser afinal um tigre de papel, a Turquia irá perder qualquer receio de fazer valer o seu peso naquilo que considera ser o seu quintal. E o mundo, que terá deixado de ter de lidar com um saudosista do Império Soviético, terá de lidar com o saudosista do Império Otomano e que ainda por cima é membro da NATO.

E esse é um cenário assustador.


Leia também: 

Guerra na Ucrânia - As posições dos diversos líderes religiosos relevantes

Dimensões religiosas do Conflito na Ucrânia

Thursday, 8 April 2021

Monge detido por caridade na Turquia

Um monge na Turquia foi condenado a mais de dois anos de prisão por aquilo que considera ter sido apenas um acto de caridade cristã.

Está a formar-se uma comunidade de católicos chineses em Lisboa. Saiba mais aqui.

O Papa lamenta que exista ainda um fosso entre ricos e pobres no que diz respeito à saúde e diz que as leis do mercado não podem sobrepor-se à lei do amor e à saúde.

As cheias da semana passada em Timor-Leste causaram grande devastação e muitas vítimas. O Papa rezou pela situação e os salesianos, no terreno, ajudaram como puderam.

O que representa a bandeira arco-íris? Amor? Tolerância? Direitos? O autor do artigo do The Catholic Thing desta semana, Anthony Esolen, argumenta que representa toda a revolução sexual e que por isso mesmo deve ser arreada. Um artigo a ler aqui.

Monday, 12 October 2020

Adivinhem quem voltou?*

Estou de volta! Meses de confinamento mais tarde e de fazer horários que não se prestavam a enviar e-mails e fazer posts, vamos lá ver se consigo retomar o hábito.

Hoje temos uma bela mistura de temas, desde Fátima a Yazidis.

Foi precisamente em Fátima que reuniu o Conselho Permanente da Conferência Episcopal, que deu apoio à ideia de um referendo sobre a eutanásia, não porque o a vida seja referendável, mas porque assim dá-se a possibilidade aos portugueses de pensarem melhor no assunto.

Os bispos lançaram também um sentido apelo às autoridades para que mantenham os cemitériosa bertos nos dias 1 e 2 de novembro, para que as pessoas possam ir homenagear os seus familiares mortos, porque não é só a Covid que mata, a saudade e o luto mal resolvido também.

Há quatro guardas suíços infectados com Covid-19, mas isso não impediu o Papa Francisco de receber o Cardeal Pell em audiência privada. Se não sabe porque é que isso é importante, então leia mesmo o artigo.

E da Síria vem-nos a triste notícia da perseguição aos yazidis. Nos outros anos foi às mãos do Estado Islâmico, mas a diferença desta vez é que agora é por um grupo jihadista apoiado pela Turquia. (Podem ler em modo ironia, se quiserem… Eu não disse nada…)

Nestes meses de ausência não deixei de publicar artigos do The Catholic Thing. No mais recente olhamos para como os Santos Cosme e Damião podem servir de exemplo aos profissionais de saúde dos nossos dias.


*Pensavam que ia dizer que era eu? Mas foi o Pell

Friday, 17 July 2020

O problema não é a mesquita, é mesmo Erdogan

Num mundo perfeito a Hagia Sophia seria ainda uma das maiores igrejas da Cristandade, localizada numa cidade chamada Constantinopla, ainda de maioria cristã.

Mas nós não vivemos num mundo ideal e, obviamente, há muitos muçulmanos e turcos que discordam radicalmente da minha visão de como seria esse mundo.

Ao contrário do que se poderia pensar lendo algumas das críticas que têm surgido, a Hagia Sophia não foi repentinamente transformada de igreja em mesquita pelo atual Presidente da Turquia, agora em julho de 2020, mas sim pelo Sultão Mehmet, em 1453, quando as suas forças conseguiram ocupar a cidade.

Durante quase 500 anos a antiga catedral funcionou como mesquita.

Só em 1933 é que o pai da ocidentalização da Turquia, Ataturk, transformou a mesquita em museu. Foi esse decreto que foi agora considerado inválido pelo mais alto tribunal turco, que assim consumou a transformação do museu novamente em mesquita. Mais do que um atentado ao Cristianismo, foi um atentado ao secularismo da Turquia. Mais um.

Tendo em conta que a hipótese ideal de a Hagia Sophia voltar a ser uma igreja não é viável, o que é que é melhor? Ser uma mesquita ou ser um museu? A Igreja Católica reconhece que os muçulmanos adoram o verdadeiro Deus. Isto é muito diferente de dizer que o Islão possui a verdade da revelação, mas não deixa de ser significativo. Tendo isso em conta, é melhor que continuem a ressoar louvores ao verdadeiro Deus – ainda que entendido de forma incompleta, sem a sua dimensão trinitária – ou que seja um espaço secularizado?

Honestamente, não sei para que lado virar. Mas isso também não é o mais importante. O que eu quero explicar com este texto é que o problema de Erdogan ter transformado a Hagia Sophia numa mesquita não é a mesquita, é mesmo Erdogan. Ou melhor, é o projeto de islamização da sociedade que Erdogan tem em marcha na Turquia.

Depois de anos a baterem à porta da União Europeia os turcos finalmente perceberam que Bruxelas nunca os ia deixar entrar. Então Erdogan virou-se para o Oriente e vai, aos poucos, tentando ressuscitar o cadáver do Império Otomano.

E se a transformação de um museu numa mesquita pode ferir o nosso orgulho, e fragilizar o Patriarca de Constantinopla – razão pela qual a Rússia, sempre tão ciosa dos direitos dos cristãos perseguidos, agora considera que isto é um assunto interno de Ancara – são as outras medidas de Erdogan que verdadeiramente ameaçam os cristãos.

A atuação da Turquia na Síria é inqualificável. Apoiando os mesmos grupos jihadistas que andaram a decapitar cristãos e tantos outros e atacando frontalmente os grupos curdos no nordeste da Síria, aliados dos cristãos, que construíram o que há de mais próximo de uma democracia naquela região. No interior da Turquia o clima continua a tornar-se cada vez mais hostil para os cristãos que permanecem no país, tanto para os membros das comunidades históricas – arménios, siríacos, gregos – como para os poucos turcos que se convertem a confissões evangélicas, com grande sacrifício pessoal.

Tudo isto acompanhado de um aperto cada vez maior da democracia interna, de que a eleição para a câmara de Istanbul foi apenas um exemplo, com o Governo a mandar repetir o escrutínio depois do seu candidato ter perdido.

Mas é interessante ver o que aconteceu nesse caso. O tiro saiu pela culatra e o candidato da oposição acabou por ver a sua maioria crescer na segunda votação, ao ponto de ter sido impossível a Erdogan interferir mais.

E este contexto é importante. Há dias eu escrevi no Twitter que não tinha acreditado que Erdogan fosse ao ponto de tomar mesmo esta decisão com a Hagia Sophia. Recebi uma resposta de um português que vive e estuda na Turquia a dizer que este é um acto de desespero de quem está a começar a perder o controlo do país e tem de recorrer a malabarismos cada vez mais impressionantes para cativar a sua base.

Será esse o caso? Veremos. Talvez o canto do Muezzin que vai voltar a ouvir-se dos minaretes que os otomanos colocaram à volta da catedral dedicada à Santa Sabedoria sejam mesmo o canto do cisne do aspirante a sultão.   

Wednesday, 15 July 2020

De Museu a Mesquita. A Importância da Hagia Sophia

Ines A. Marzaku

Hoje está na moda anular a história. Começou nos Estados Unidos, mas já se espalhou para Itália, Espanha, Inglaterra, Bélgica e, mais recentemente, a Turquia. Algumas das principais técnicas incluem o derrube e a profanação de monumentos e estátuas que funcionam como museus exteriores, contando a história das pessoas que fizeram História. Pode-se conhecer a história de uma cidade explorando as estátuas e os monumentos nos parques e áreas comuns.

O Presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, juntou-se agora ao grupo quando declarou a sua intenção de converter a majestosa basílica cristã de Hagia Sophia (Igreja da Santa Sabedoria) – atualmente um museu nacional e um dos locais mais visitados na Turquia – numa mesquita. E o Conselho de Estado, o mais alto órgão administrativo da Turquia, concordou que o pode fazer.

Qual é a história da Hagia Sophia?

Distingue-se pela sua beleza indiscritível, sendo de tamanho e de harmonia de medidas excelentes, sem excesso nem deficiência; sendo mais magnífica que os edifícios normais, e muito mais elegante que aqueles que não são de tão justas proporções. A Igreja é singularmente repleta de luz e de sol; pode-se declarar que o espaço não é iluminado de fora, pelo sol, mas que os raios são produzidos no seu interior, tal é a abundância de luz que entra nesta igreja.

Assim escreveu Procópio de Cesareia (circa 500-565 A.D.), um importante historiador bizantino de Constantinopla (hoje Istambul), na descrição que fez da Hagia Sophia no seu livro "De Aedificiis" (Sobre Edifícios), que foi escrito por volta de 554. Nessa obra atribui ao Imperador Justiniano, entre outros, a responsabilidade por tão magnífico feito.

A Igreja de Justiniano tornou-se um ícone de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente. O imperador ficou tão satisfeito com o resultado que durante a cerimónia de dedicação, em Dezembro de 537, exclamou: “Oh Salomão, eu superei-te!”, comparando a sua igreja ao Templo de Salomão, em Jerusalém.

Durante 900 anos a Hagia Sophia esteve no centro do Império Bizantino. Era a sede do Patriarca Ecuménico de Constantinopla, o lugar onde se realizavam os concílios ecuménicos, onde os imperadores eram coroados e se faziam vigílias nocturnas e majestosas procissões até à queda de Constantinopla para os Otomanos, a 29 de Maio de 1453.

Andando a cavalo pelas ruas da cidade conquistada, o Sultão Mehmet II “desmontou às portas da igreja e baixou-se para pegar numa mão cheia de terra, que polvilhou por cima do turbante, como acto de humildade diante de Deus”. O sultão converteu a Igreja de Hagia Sophia na Grande Mesquita de Aya Sofya, como permaneceu até 1934, quando um decreto do primeiro presidente da República da Turquia, Mustafa Kemal Atatürk, transformou o edifício num museu.

Em 1985 a UNESCO declarou-a Património Mundial.

Porque é que é importante que a Hagia Sophia continue a ser um museu?

Interessa para a história e interessa às pessoas, tanto cristãos como muçulmanos. É importante preservar a memória e os museus e as estátuas são formas comprovadas de preservar a cultura e a religião – no que merece ser preservado, recordado, valorizado e transmitido a futuras gerações.

O museu comprovou ser uma excelente forma de recordar tanto a Igreja de Hagia Sophia como o Mesquita de Aya Sofya. Serviu não só como registo de uma história multissecular, mas como transmissor de conhecimento dos impérios romano e bizantino para a República Turca de Atatürk. Este edifício magnífico, e outrora religioso, é uma recordação visível e tangível de impérios e religiões do mundo Mediterrânico, numa belíssima síntese.

Desde cedo na sua carreira política, o Presidente turco Recep Tayyip Erdogan lamentou a conversão por Atatürk da Mesquita de Aya Sofya num museu. Em vez disso ele prefere anular mais de nove séculos de história cristã, para grande consternação do Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, do Patriarca russo Cirilo e do Papa Francisco.

Para Bartolomeu I, a Hagia Sophia é um lugar sagrado em que o Oriente e o Ocidente se abraçaram. A anulação desta memória causará uma profunda divisão entre estes dois mundos. Mantendo o seu estatuto de museu, o local continuaria a servir como um exemplo de solidariedade e de compreensão mútua entre o Cristianismo e o Islão.

O Patriarca Cirilo da Rússia considera que a conversão da Hagia Sophia de museu em mesquita é uma ameaça ao Cristianismo. Numa recente entrevista à Interfax, o Metropolita Hilário, responsável pelas Relações Externas do Patriarcado de Moscovo, expressou o seu desapontamento com a atitude de Erdogan, dizendo: “A Hagia Sophia é património mundial. Não é por acaso que as notícias da mudança do seu estatuto abalaram o mundo inteiro, especialmente o mundo cristão. A Igreja é dedicada a Cristo, Sophia, a Sabedoria de Deus, é um dos nomes de Cristo.”

Ainda este fim-de-semana o Papa Francisco, que tem feito um grande esforço para cultivar boas relações com os muçulmanos, falou com uma franqueza incaracterística: “Penso em Istanbul. Penso na Hagia Sophia. Estou muito consternado”.

A história não pode ser destruída, cancelada ou alterada. Até alguns turcos têm-se queixado dos esforços do Presidente para tentar criar uma história única e falsa.

Para os católicos a história tem um sentido transcendente, uma mensagem a transmitir e uma lição a aprender – e o historiador é chamado a discernir as raízes desse sentido. A história não é linear nem ideológica – ou, pior ainda, para ser usada com motivos políticos – mas reclama continuamente nova reflexão e análise, para que o passado seja revisitado e os erros não sejam repetidos.

O grande filósofo romano Marco Túlio Cícero escreveu em “De Oratore” que Historia magistral vitae est (A História é mestre da vida). A história, os seus monumentos e museus não devem ser destruídos ou anulados, especialmente num esforço para dominar o presente. Eles têm o direito a falar connosco – e a serem ouvidos.

No que diz respeito à Hagia Sophia, o tempo dirá como esta moda de anular a história resultará para a Turquia. Por enquanto parece que a chamada para a oração voltará a ressoar no dia 27 de julho, na mais magnífica estrutura da Igreja Oriental.


Ines A. Murzaku é professora de Religião na Universidade de Seton Hall. Tem artigos publicados em vários artigos e livros. O mais recente é Monasticism in Eastern Europe and the Former Soviet Republics. Colaborou com vários órgãos de informação, incluindo a Radio Tirana (Albânia) durante a Guerra Fria; a Rádio Vaticano e a EWTN em Roma durante as revoltas na Europa de Leste dos anos 90, a Voice of America e a Relevant Radio, nos EUA.

(Publicado pela primeira vez na Segunda-feira, 13 de Julho de 2020 em The Catholic Thing)

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Thursday, 17 October 2019

Cristãos em queda nos EUA e aliviados na Síria

Inês Leitão
O Cristianismo continua a perder peso nos Estados Unidos, com o número de pessoa que se identificam com esta religião a cair 12 pontos percentuais nos últimos dez anos.

Na Síria chegámos a um ponto em que a operação “Primavera da Paz” se está a transformar na operação “Pesadelo de Erdogan”. A bola parece estar no campo dos curdos, agora, mas os cristãos contactados pela Ajuda à Igreja que Sofre dizem-se aliviados pela chegada das tropas leais ao regime de Bashar al-Assad.

No dia para a erradicação da Pobreza a Renascença falou com Inês Leitão, a realizadora que foi a Moçambique ver o que a Cáritas tem feito para ajudar as vítimas dos ciclones.

Se não conhece ainda, fique a conhecer o trabalho feito pela Irmandade da Misericórdia de São Roque, que cumpre o importantíssimo trabalho de sepultar os mortos que não têm ninguém.

O artigo desta semana do The Catholic Thing é da autoria de Michael Pakaluk, que analisa o mais recente livro de R.R. Reno. Vale a pena ler.

Friday, 11 October 2019

Alma gémea do Estado Islâmico, dizem os autores da Primavera da Paz

A invasão do nordeste da Síria continua. A operação “Primavera da Paz” já fez mais de uma centena de mortos e dezenas de milhares de deslocados. A Turquia justifica-se dizendo que os curdos são a alma gémea do Estado Islâmico e um bispo católico avisa que tudo isto pode conduzir a um novo êxodo de cristãos da zona.

Há cada vez mais estrangeiros a fazer os “caminhos de Fátima”. Saiba mais nesta entrevista à presidente do Centro Nacional de Cultura, Maria Calado.


Gosta de literatura fantástica e ficção científica? Pois está a decorrer o Fórum Fantástico, na biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras, e amanhã estarei lá às 17h15 para falar sobre a religião na Ficção Científica, tendo como mote os 20 anos da estreia do Matrix. (Sim, estamos todos a ficar velhos). Apareçam!

Thursday, 10 October 2019

Síria num explicador e livro Rumo ao Jamor

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Tragicamente, a invasão da Síria por parte da Turquia já começou. Está confuso com tudo o que se passa naquela parte do mundo? Não se preocupe, temos um explicador.

O Papa Francisco aceitou esta quinta-feira a resignação de um bispo americano acusado de abusos.

O processo de canonização do Padre Cruz conheceu recentemente um “novo fôlego”, saiba mais aqui.


Trabalha em saúde, ou conhece quem o faça? Então leia e partilhe este artigo sobre como até o mais pequeno gesto pode fazer a diferença na vida de quem está a passar por um momento de aflição e de doença. Mais um artigo do grande Randall Smith, do The Catholic Thing.

Deixo-vos por fim, com um convite. É para o lançamento do meu mais recente livro. O tema não é religioso, mas se gostam mesmo de futebol, e não das polémicas estéreis que andam à volta do desporto, gostaria muito de vos ver por lá!

Friday, 21 December 2018

Kismet, o muçulmano que ressuscitou neste Natal

Santo Natal para todos!
O Papa Francisco fez hoje o seu discurso à Curia Romana. Ao longo destes anos tem sido neste evento que ele aproveita para mandar recados internos, criticando os defeitos na própria igreja. Hoje não foi excepção e Francisco proferiu algumas das mais duras palavras contra os abusos sexuais até hoje.


D. Jorge Ortiga pede que as comunidades sejam mais acolhedoras neste Natal.

Nesta altura do Natal, aproveitem para conhecer Kismet, Homem do Destino, o primeiro super-herói muçulmano, que foi agora ressuscitado por um artista americano.

E olhos postos na Síria, onde a Turquia ameaça invadir para “limpar” o território das milícias curdas que combatem contra o Estado Islâmico.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, em que David Carlin critica os católicos “protestantes”.

Dia 24 ainda estarei por cá, mas tentarei não vos maçar. Desejo por isso um Santo Natal a todos!

Friday, 23 March 2018

Turquia e Estado Islâmico, BFF

Um homem matou três pessoas e feriu várias outras – incluindo um português – num atentado terrorista em França, antes de ser morto pela polícia. Há um herói na história, que trocou de lugar com um refém e acabou gravemente ferido.

O atentado foi reivindicado pelo Estado Islâmico, o mesmo grupo terrorista que agora pode respirar de alívio na Síria. É que as Forças Democráticas da Síria, que lideravam o assalto terrestre contra os últimos redutos dos jihadistas, tiveram de interromper essa operação para poder defender o seu território junto à fronteira com a Turquia, que está a ser atacada pelos turcos e seus aliados.

Falei com o porta-voz das FDS, o cristão Kino Gabriel, que me explicou que a verdadeira razão pelo ataque turco é o medo do projecto democrático no nordeste da Síria. Diz também que o seu grupo está a ficar sem recursos para cuidar de milhares de ex-combatentes do Estado Islâmico e seus familiares e pede ajuda aos aliados ocidentais.

Parece que vem aí uma exortação apostólica sobre a Santidade. A data apontada é 2 de Abril. Veremos.


Wednesday, 20 December 2017

Actualidade Religiosa: Cardeal Law, perseguição na Índia e focas chamadas Amália

Morreu o cardeal americano Bernard Law. O seu legado fica tristemente associado ao escândalo de abusos sexuais da diocese de Boston, mas como nos recorda o cardeal Sean O’Malley, ele era muito mais do que os seus pecados e as suas falhas que conduziram ao encobrimento de dezenas de casos de abusos.

Os cristãos na Índia temem um aumento de casos de perseguição, agora por altura do Natal, e apontam para uma situação recente que levou à detenção de um grupo de 32 seminaristas.

Conheça a foca chamada “Amália” que foi comprada pelas Irmãs Hospitaleiras para melhorar o bem-estar de pessoas com demência…

Convido-vos também a ver esta grande reportagem multimédia da Renascença sobre a vida dos refugiados sírios na Turquia. Não tem directamente a ver com religião, mas penso que não se vão arrepender de o ver e ler até ao fim.

Hoje temos novo artigo do The Catholic Thing. Num mundo que é cada vez mais dominado pelos sentimentos e as emoções do que pela razão, é urgente ler e compreender este artigo do padre James V. Schall, que fala dos riscos que esta tendência apresenta para a nossa civilização. 

Thursday, 16 March 2017

Marcelo omnipresente e Nossa Senhora de Fátima dos chineses

A Europa está a caminho de uma guerra religiosa. Quem o diz é o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia. Como eles adoraram meter-se na guerra da Síria, deve saber alguma coisa sobre o assunto.

O Papa diz que é um pecado “gravíssimo” tirar trabalho às pessoas. Fê-lo ontem, no mesmo dia em que foi saudado, com grande emoção, por um grupo de peregrinos chineses com uma imagem de Nossa Senhora de Fátima.

O dinheiro que Francisco ofereceu a Alepo a semana passada vai ser usado para ajudar jovens que optam por constituir família, apesar da crise que a região atravessa.

Ontem foi o lançamento do novo livro de Aura Miguel “Conversas em Altos Voos” com o Papa Francisco. É uma obra que todos farão bem em ler! O Presidente da República, Marcelo “omnipresente” Rebelo de Sousa, apareceu inesperadamente e ainda interveio, agradecendo à jornalista este seu trabalho.

Monday, 19 September 2016

Actualidade Religiosa: Terrorismo, e como o combater

Foi detido esta segunda-feira o suspeito de ter colocado várias bombas em Nova Iorque. Trata-se de um cidadão americano, nascido no Afeganistão.

O Papa Francisco recebe amanhã em Assis líderes de diversas religiões para assinalar os 30 anos do encontro da Paz.

Ontem, o Papa criticou ainda o trabalho escravo como forma de gestão e, na véspera, alertou para a necessidade de praticar a hospitalidade, como verdadeira receita para o fim do terrorismo. Já o presidente turco, Erdogan, acredita que a melhor forma de combater o terrorismo é expurgar 38 mil professores do sistema de ensino.

Esta segunda-feira os núncios apostólicos denunciaram a perseguição religiosa em várias partes do mundo.

Termino com um convite. Amanhã a minha colega Aura Miguel vai ao clube Darca falar sobre as jornadas da juventude, em Cracóvia. O dados estão na imagem.

Wednesday, 29 June 2016

Brexit e ideologias demoníacas

O Brexit é o tema da semana e o Patriarca de Lisboa não lhe passou ao lado. Segundo D. Manuel Clemente a Europa deve guardar o lugar do Reino Unido.

Infelizmente existem racistas idiotas em todo o lado, no Reino Unido, porém, são tão idiotas que pensam que os 17 milhões que votaram para sair da Europa estão com eles e por isso têm protagonizado alguns tristes incidentes. São fenómenos que o arcebispo católico de Westminster rejeita absolutamente.

O Papa Francisco encontrou-se ontem com Bento XVI e os dois elogiaram-se mutuamente. Em Lisboa o encontro foi outro, Marcelo Rebelo de Sousa concedeu ao cardeal Sean O’Malley uma condecoração e cardeal até contou anedotas.

A actualidade está a ser marcada pelo terrível ataque terrorista em Istambul. O Papa já lamentou o atentado que fez cerca de meia centena de mortos e muitos feridos.

A ideologia de género está por detrás de muitos dos ataques à família e ao homem nos nossos dias. No artigo desta semana do The Catholic Thing, o padre Paul Scalia, filho do falecido juiz do Supremo Tribunal americano Antonin Scalia, explica porque é que se trata de uma teoria demoníaca, no puro sentido da palavra.Leiam que vale a pena.


Tuesday, 2 June 2015

Islão como arma na Turquia e mensagem do Papa para a Bósnia

Women in Veils love Erdogan
O Papa Francisco vai dentro de poucos dias para a Bósnia e Herzegovina, onde passará apenas um dia. O Papa diz que vai em missão de paz e para promover o diálogo inter-religioso e ecuménico.

O avanço do Estado Islâmico é um falhanço do Ocidente, diz o primeiro-ministro do Iraque. Ouviram? Não tem nada a ver com o facto de os soldados iraquianos em Mossul e em Ramadi terem fugido, deixando todo o seu armamento topo de gama para os terroristas. A culpa é nossa, claramente.

Entretanto o presidente da Turquia vai brincando com o fogo, utilizando o Islão como instrumento de propaganda política na esperança de conseguir uma maioria para o seu partido que lhe permita mudar a Constituição.

E em Roma D. Carlos Azevedo foi nomeado para a Comissão Pontifícia da Arquitectura Sacra.

Recentemente entrevistei a investigadora canadiana Lori Beaman, especialista em religião no espaço público. É um assunto interessante e complexo que ela ajuda a desvendar nesta reportagem, com mais informação na transcrição integral, aqui.

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