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Wednesday, 6 October 2021

Sementes Plantadas no Afeganistão

Ines A. Marzaku

Numa altura em que mesmo os líderes militares da desastrosa retirada do Afeganistão admitem o seu fracasso, e de tantas outras coisas terem corrido mal naquele país em perpétuo estado de sítio, é bom recordar que, à sua maneira discreta, a Igreja tem estado a trabalhar e manteve naquele país uma presença significativa. Várias agências católicas têm estado a ajudar os afegãos ao longo dos últimos anos, mas há uma em particular que merece a nossa atenção.

Foi desta forma que o padre barnabita Giovenni Scalese, superior da missio sui iuris no Afeganistão, anunciou o seu regresso a Itália depois da retirada das forças internacionais.

Cheguei esta tarde ao aeroporto de Fiumicino com cinco freiras e catorze crianças deficientes, de quem elas cuidavam em Cabul. Agradecemos ao Senhor o sucesso da operação. Agradeço a todos vocês que ao longo destes dias lhe dirigiram orações incessantes por nós e que, claramente, foram atendidas. Continuem a rezar pelo Afeganistão e pelo seu povo!

O padre Scalese estava acompanhado de quatro Missionárias das Caridade, a ordem de Madre Teresa, que estavam no Afeganistão desde 2006, e de uma freira paquistanês, Bhatti Shahnaz, da Congregação de Saint Jeanne-Antide Thouret. A irmã Shahnaz geria um acolhimento para crianças com deficiências mentais que foi fundado pela associação Pro Bambini de Cabul. Infelizmente essas crianças não puderam escapar. O regresso do padre Scalese a Itália marcou o fim da missão de 88 anos dos barnabitas no Afeganistão.

Que resultados teve esta missão? Alguma coisa foi “concretizada”?

Os únicos missionários católicos no país foram forçados a fugir e as perspetivas de que possam regressar são poucas. Mas a Igreja tem enfrentado sempre desafios aparentemente impossíveis desde que apareceu em pleno Império Romano, porém Deus lá vai conseguindo os seus caminhos.

Vale a pena, por isso, olhar para história e ter esperança no futuro. Em 1921 a Itália tornou-se o primeiro país ocidental a reconhecer e a estabelecer relações diplomáticas com o Afeganistão. Os dois estados concordaram abrir embaixadas nos seus respetivos países e os afegãos aceitaram que a embaixada italiana tivesse um capelão católico. O Rei do Afeganistão naquela altura, Amanullah, via com bons olhos a necessidade de dar assistência espiritual aos estrangeiros a residir no país.

Um ano mais tarde fez o pedido ao Governo italiano. Talvez tenha sido a primeira vez que um Rei de um país muçulmano tenha solicitado um capelão católico para atender aos estrangeiros cristãos residentes. Havia apenas duas condições, não poderia haver qualquer proselitismo da população muçulmana e a capela deveria ser construída dentro da embaixada italiana, uma vez que legalmente não se podia construir uma igreja em solo islâmico.

O Governo italiano pediu ajuda ao Papa Pio XI, que afirmou: “Precisamos de um barnabita”. Optou assim pelos Clérigos Regulares de São Paulo, conhecidos como barnabitas, e que incluem padres, religiosas e leigos, sobretudo casais.

A ordem, fundada em 1530 inspira-se em São Paulo. O padre Egidio Caspani foi selecionado para dar início à missão. Outro barnabita, o padre Ernesto Cagnacci, viria a juntar-se-lhe como funcionário da embaixada italiana. A primeira missa católica foi celebrada lá no dia 1 de janeiro de 1933, marcando o início oficial da missão.

O padre Giovanni Scalese, em Cabul


Em 2002 o Papa João Paulo II elevou a missão cristã de Cabul para o estatuto de Missio sui iuris – uma missão independente que fica sob a jurisdição direta da Igreja. Consequentemente a missão e a Igreja passaram a ser presenças oficiais cristãs naquele país muçulmano. A Igreja, como é evidente, não tinha uma comunidade local, nem clero afegão, mas com o passar do tempo a missão e os padres tornaram-se parte da reconstrução do Afeganistão. O padre barnabita Giuseppe Moretti ajudou a fundar, em 2005, a Escola de Paz Tangi-Kalay, que recebe financiamento público e donativos privados.

A missão barnabita no Afeganistão operava com base no modelo da Missão de Paulo em Malta, narrada em Actos, 28, 1-10. Era uma missão de presença, partilha e gratidão. A presença e o serviço de Paulo para com os ilhéus eram cristológicos: Cristo veio para servir e não para ser servido e Paulo estava a imitar o mestre. O testemunho barnabita no Afeganistão era um testemunho de Deus: eram padres católicos que se tinham tornado párocos por excelência de todo Cabul, e antes da recente retirada gozavam já de uma presença de quase um século entre o povo afegão.

Não é o primeiro caso de testemunhos santos de cristãos entre muçulmanos e os resultados poderão um dia surpreender-nos. O beato Charles de Foucauld, por exemplo com a sua mística imitação de Cristo entre os muçulmanos do Norte de África, assemelha-se aos barnabitas no Afeganistão. A vida e a morte de Foucauld foram um testemunho religioso profético. Da mesma forma, os barnabitas e outros missionários cristãos viveram vidas no Afeganistão que foram uma combinação de profecia, presença e diálogo. Estes missionários optaram por viver a vida escondida de Jesus entre os muçulmanos afegãos.

De uma perspetiva meramente humana estes esforços podem parecer coisa pouca. Mas em vez de julgar com o olhar do mundo, seria bom prestar atenção às palavras de São John Henry Newman, que dizia que os verdadeiros profetas e místicos cristãos são aqueles que “vivem de uma forma desprezada pelos restantes, escolhida por Jesus de Nazaré, para formar uma resistência ao poder e a sabedoria do mundo… Aceitam de bom grado tudo o que lhes sucede e tiram o melhor proveito de tudo.”

Os barnabitas não foram para o Afeganistão para converter e evangelizar os muçulmanos locais, pregando abertamente o Evangelho. As condições não o permitiam. Mas de acordo com fontes fiáveis, existe agora um pequeno grupo de afegãos que se converteu do Islão e pratica o Cristianismo em segredo. Tal como noutros países muçulmanos, esses convertidos podem estar escondidos agora, mas talvez o futuro nos surpreenda.

Podemos falar da missão barnabita aos afegãos como uma “missão cumprida?” Não, ou pelo menos não no sentido normal dessas palavras. Mas há esperança para o futuro da missão no Afeganistão? O Afeganistão está atualmente em caos. O testemunho que os barnabitas deixaram no Afeganistão são sementes que poderão levar a um florescimento surpreendente, quando Deus assim quiser, entre as futuras gerações de afegãos.


Ines A. Murzaku é professora de Religião na Universidade de Seton Hall. Tem artigos publicados em vários artigos e livros. O mais recente é Monasticism in Eastern Europe and the Former Soviet Republics. Colaborou com vários órgãos de informação, incluindo a Radio Tirana (Albânia) durante a Guerra Fria; a Rádio Vaticano e a EWTN em Roma durante as revoltas na Europa de Leste dos anos 90, a Voice of America e a Relevant Radio, nos EUA.

(Publicado pela primeira vez no Sábado, 2 de Outubro de 2021 em The Catholic Thing)

© 2021 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Monday, 13 September 2021

Papa na Eslováquia e o último judeu de Cabul

O Papa Francisco está novamente de viagem. Esteve ontem em Budapeste, uma visita algo tensa, devido às muitas discordâncias que existem entre Francisco e o regime de Viktor Orbán, nomeadamente no que diz respeito aos refugiados. O Papa pediu aos húngaros mais abertura aos estrangeiros e advertiu também contra o antissemitismo na Europa.

Esta segunda-feira Francisco já viajou para a Eslováquia onde fez um primeiro apelo para que não se esbanjem os fundos de recuperação da União Europeia, por causa da pandemia, e depois, em discurso aos bispos, padres e religiosos, disse que é preciso criar “novos alfabetos” para evangelizar a Europa.

O último judeu de Cabul deixou finalmente o Afeganistão. Resistiu aos soviéticos, à guerra e aos taliban.1, mas os taliban versão Estado Islâmico convenceram-no finalmente a sair.

Se conhece o trabalho, pensamento e obra de Jordan Peterson, então não deixe de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing em português. Se não conhece leia na mesma e depois vá conhecer.

Wednesday, 1 September 2021

Uma Resposta Cristã à Derrota

Michele Malia McAloon

Retirada ou derrota? Os guerreiros do teclado e os livros de história debaterão esta questão durante décadas. Para a maioria dos americanos a ver o desastre no Afeganistão, esta é apenas uma questão de orgulho nacional, e não um assunto existencial que lhes afecta directamente as vidas. Infelizmente, para a pequena minoria de americanos que opta por combater, põe-se agora a questão de saber se vinte anos de combate contínuo valeram o preço que lhes foi cobrado a eles, às suas famílias e à nação.

Para a maioria dos americanos, a realidade das guerras no Afeganistão e no Iraque foi um fardo suportado por outros. Políticos sem qualquer conhecimento militar e sem filhos a servir nas forças armadas decidiram depressa, talvez irresponsavelmente, por uma intervenção militar. Ao mesmo tempo não houve qualquer apelo à juventude para pegar em armas. Desde o início de ambas estas guerras houve uma atitude generalizada de que esta era a guerra de outros. Certamente não era uma questão de responsabilidade pessoal, nem para os membros da própria família.

Não houve apelos a mobilização popular para plantar comida ou comprar obrigações de guerra, nem de fazer o mais pequeno dos sacrifícios para reconhecer, muito menos contribuir para o esforço de guerra. Em vez disso a política "woke" e as compras é que estiveram na ordem do dia. Palavras de agradecimento pelo serviço dos veteranos soaram a pouco enquanto as candidaturas à universidade, bolsas desportivas e preparação para os exames evitaram que a maioria dos pais considerassem sequer o serviço militar como opção para os seus filhos.

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Desde 2001 quase três milhões de militares serviram nos teatros de guerra que se seguiram ao 11 de Setembro, no Afeganistão e no Iraque. Tristemente, mais de 7.000 militares americanos, a que se acrescentaram agora mais 13, perderam as vidas ao longo de duas décadas da guerra contra o terrorismo. Muitos dos nossos aliados europeus também sofreram baixas pesadas. Mais trágico ainda é o número de soldados que se suicidaram depois de regressar a casa. As feridas psicológicas do stress pós-traumático provaram ser mais mortíferas que o combate em si. Quatro vezes mais veteranos de guerra, mais de 30,177 pessoas, suicidaram-se do que aqueles que morreram em batalha.

Esta guerra foi uma questão familiar. Muitos militares serviram várias missões, passando mais tempo fora do que em casa ao longo das últimas duas décadas. O ciclo de missão, regresso a casa e preparação para a próxima missão nunca acabou. O custo íntimo foi suportado por familiares, esposos, pais, filhos e amigos que tiveram de lidar com a ausência e – frequentemente – tiveram de se adaptar às mudanças naqueles que regressavam do campo de batalha.

Desde o início desta retirada brutal e caótica do Afeganistão, esposos de soldados têm estado a postar fotografias de cerimónias de boas-vindas em que participaram ao longo de vários anos, para os seus familiares. Fotos de duas, três ou quatro cerimónias, com as crianças a envelhecer, são um testemunho do verdadeiro custo pessoal suportado por famílias militares durante esta guerra.

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Os relatos de que os afegãos não estavam dispostos a combater são simplesmente falsos. Os soldados afegãos morreram a uma taxa de 27 vezes mais que os americanos e seus aliados. Ao longo dos últimos 10 dias os oficiais americanos têm estado a responder a chamadas e mensagens dos seus parceiros e intérpretes afegãos, pedindo ajuda. Velhas feridas reabriram agora que muitos não têm a capacidade para prestar o auxílio de que os seus leais colegas precisam para poderem escapar aos Taliban.

A guerra e o conflito são tão antigos como a humanidade; a derrota idem. Mas derrota e derrotado não são a mesma coisa. O Antigo e Novo Testamentos, bem como as vidas dos santos, estão cheios de exemplos de perda e renovação. Moisés encontrou esperança nos 40 anos de travessia do deserto, sem o prémio de entrada na Terra Prometida. São Paulo encontrou a sua vitória final na cadeia. Ele sabia que a verdadeira vitória vem apenas na celebração da esperança, na paciência nas tribulações e na constância da oração (Romanos 12,12). Santos e pecadores, ao longo dos anos escolheram erguer-se da derrota transformando um passado doloroso num futuro de esperança através da fé e do serviço a algo maior que si mesmos.

Ironicamente, a nossa renovação enquanto nação, igreja ou comunidade de crentes poderá nascer do exemplo de serviço que está a ser dado, mesmo agora, à sombra das suas dificuldades e perda, pela nossa comunidade militar. Militares e suas famílias, pessoas sem grandes meios financeiros ou materiais, que foram os mais afetados pelas guerras americanas no Afeganistão e no Iraque continuam a servir, sacrificar e perguntar que mais podem fazer para ajudar.

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Com os refugiados afegãos a começar a ser realojados em centros de detenção financiados pelos EUA, na Alemanha, uma legião de famílias de militares e de veteranos estão a oferecer-se como tradutores e voluntários. Tenho-os visto ao longo dos últimos dias, na Base Aérea de Ramstein, a dar uma resposta que só consigo descrever como arrepiante.

O simples gesto de um familiar de militar a comprar fraldas para um bebé afegão cujo pai até poderá ter contribuído para a violência dirigida contra os seus entes queridos representa um momento definidor para a nossa nação. O serviço e o sacrifício acrescidos, em vez do recuo para o ressentimento, tornaram-se uma fonte de cura. O serviço e a dádiva são um mero reflexo para aqueles que optaram por servir. Os americanos devem reflectir profundamente sobre este humilde exemplo.

Para os cristãos a derrota está sempre ao virar da esquina. A vida cristã é um combate contra o pecado, a tentação e o desespero. A nossa verdadeira força vem dos mandamentos tão simples, mas tão difíceis de pôr em prática, de amar a Deus e ao próximo. Um futuro menos violento poderá estar a ser gerado nos corações de homens e mulheres dispostos a ordenar as suas vidas segundo os mandamentos de Deus.

Numa sexta-feira, há vários séculos, numa colina deserta no Médio Oriente chamada Calvário, a derrota e a morte pareceram absolutos. Três dias mais tarde, quando o sol nasceu iluminou um sepulcro vazio – a mais profunda vitória na história da humanidade. A derrota só pode ser temperada pelo amor e no conhecimento de que a sua vitória é a nossa, agora e para sempre.

São Miguel Arcanjo, Defendei-nos no combate.

Fotos:

1. Elementos das Forças Especiais americanas a cavalo no Afeganistão, em Outubro de 2001. (Foto: FA Americanas).

2. Os caixões de Hunter Lopez, Rylee McCollum, David Lee Espinoza, Kareem Nikoui, Jared Schmitz, Daegan Page, Taylor Hoover, Humberto Sanchez, Johanny Rosario, Dylan Merola, Nicole Gee, Max Soviak e Ryan Knauss, os soldados mortos no recente atentado em Cabul. Dover Air Force, Delaware, 29 Agosto de 2021. (Foto: U.S. Marine Corps).

3. Os primeiros evacuados do Afeganistão da Base Aérea de Ramstein, na Alemanha, para os EUA, depois da meia-noite do dia 23 de Agosto de 2021. (Foto: Força Aérea EUA)


Michele Malia McAloon é casada há quase 28 anos. É mãe, oficial das Forças Armadas americanas na reserva e advogada de direito canónico. Vive em Wiesbaden, na Alemanha. Pode ouvir o seu podcast “Cross Word” no Spotify, Apple Podcasts e archangelradio.com.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na terça-feira, 31 de Agosto de 2021)

© 2021 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.



Monday, 30 August 2021

Lágrimas por destruição jihadista e viva os enfermeiros

Estou de volta depois de duas semanas em que o Afeganistão implodiu.

Em Moçambique a ameaça jihadista mantém-se e um padre fala da sua tristeza ao encontrar a igreja de Mocímboa da Praia destruída pelo fogo.

Francisco nomeou o seu mestre de cerimónias, que o serviu durante oito anos depois de já ter feito o mesmo com Bento XVI, bispo de Tortona, em Itália.

Em excertos de uma entrevista que só vai ser divulgada na quarta-feira, o Papa diz que a sua vida foi salva por um enfermeiro durante a operação a que foi sujeito há poucas semanas.

Durante estas semanas tivemos novos artigos do The Catholic Thing publicados. No primeiro, Randall Smith discorre sobre o sentido do (não) Sacrifício de Isaac por Abraão, no segundo Stephen P. White recorda um ferimento que teve quando era pequeno para explicar que a salvação não se consegue pela inversão da dor, morte e corrupção, mas através deles e, por fim, o padre Paul Scalia explica porque razão as palavras de Cristo aos seus discípulos, que ouvimos no domingo da semana passada, são tão duras para eles e para nós.

Thursday, 15 July 2021

Taliban imparáveis no Afeganistão

O Papa Francisco já saiu do hospital. Antes disso ainda teve tempo para visitar a unidade de oncologia pediátrica.

Os bispos de Cuba querem o fim dos confrontos no país e também da “imobilidade” do Governo, que enfrenta contestações.

A fome voltou a Alepo, na Síria, levando a fundação AIS a criar uma nova campanha de angariação de fundos para ajudar.

E a situação no Afeganistão vai de mal a pior. O avanço dos Talibans faz lembrar o avanço do Estado Islâmico no Iraque, em 2013. Uma situação dramática.

A questão da raça está mais viva que nunca nos EUA, e noutras partes do mundo. Para alguns a questão apaixona, para outros irrita. No artigo desta semana do The Catholic Thing um teólogo aborda a questão de uma perspetiva católica contemporânea. Vale muito a pena ler.

Friday, 12 January 2018

Bombas para todos os gostos e desgostos

Calma meninas...
A visita do Papa ao Chile promete… Hoje quatro igrejas foram atacadas na capital e foram deixadas ameaças directas a Francisco.

Se no caso de Francisco são só – por enquanto – ameaças, na Síria o caso é mais sério. Hoje temos a história do arcebispo que se levantou da sesta para ir à casa de banho e segundos depois caiu-lhe um morteiro na cama. Sobreviveu por milagre.

Outra arquidiocese, outra bomba… Braga vai apresentar uma proposta de acompanhamento de pessoas em situação matrimonial irregular, incluindo a possibilidade de acederem aos sacramentos, à luz do Amoris Laetitia.

Com Donald Trump as bombas são outras. Ontem terá dito – embora ele nega – coisas pouco agradáveis sobre países em desenvolvimento. O jornal do Vaticano lamenta a linguagem “dura e agressiva”.

Nos últimos dias recebeu uma mensagem no telefone ou no mail a pedir orações por 22 missionários cristãos prestes a serem executados no Afeganistão? Então leia isto, e partilhe com quem lhe enviou. O mundo agradece.

22 missionários no Afeganistão executados?

Fake news
Nos últimos dias várias pessoas me perguntaram sobre a veracidade de uma mensagem que anda a circular, a pedir orações para 22 missionários cristãos no Afeganistão que vão ser executados "amanhã".

Não, não é verdade. Graças a Deus.

Eu não sei quem é que inventa estas mensagens, nem percebo quem ganha com isso, mas tal como esta mensagem e esta, a dos 22 missionários também é falsa.

Rezem, isso sim, pelos cristãos perseguidos no mundo. Eles não faltam. Mas não espalhem, por amor de Deus, mensagens sobre situações concretas sem estarem certos da sua veracidade.

Eu não sou o sabichão, mas dado a minha profissão, conhecimento e acesso a fontes terei todo o gosto em poder confirmar ou despistar as informações que vos cheguem. Basta que me contactem, pode ser até pela caixa de comentários deste post.

Obrigado!

Wednesday, 31 May 2017

Carnificina em Cabul e Apelos Yazidis

Nem portugueses nem brasileiros
costumam vê-lo assim.

Convido-vos a todos a ler o testemunho de um bispo copta que se dirigiu aos terroristas, na sequência dos últimos atentados. É surpreendente, mas o Cristianismo é mesmo assim!

O Papa Francisco infelizmente não vai poder ir ao Sudão do Sul, como tinha previsto, pelo menos não em 2017.

Realiza-se a partir de hoje um Lisboa um colóquio sobre Santo António, onde se poderá descobrir as diferenças entre as formas como brasileiros e portugueses olham para este santo.

Uma jovem da religião yazidi que foi abusada pelo Estado Islâmico diz que “está constantemente a regressar” a esse cativeiro e pede o reconhecimento do genocídio a que o seu povo tem sido sujeito.

E numa altura em que várias pessoas próximas de mim passam por difíceis situações de saúde, foi com particular agrado que traduzi e publiquei este artigo do The Catholic Thing sobre como, mesmo quando afligidos por angústia ou sofrimento, podemos entender a promessa de Cristo de que teremos vida, e vida em abundância!

Wednesday, 8 February 2017

Eutanásia direito fundamental? Lol


Notícias tristes da Síria – o que não é grande surpresa – com a Amnistia Internacional a denunciar enforcamentos em massa na prisão de Saydnaya. Falei com uma das autoras do estudo, que explica como se chegaram a essas conclusões. Aqui a transcrição integral.

No Afeganistão morreram seis funcionários da Cruz Vermelha às mãos do Estado Islâmico.

Temos assistido a muitas pessoas a descrever a eutanásia como um “direito fundamental”. Mas o que é que isso quer dizer? Se é um direito fundamental, porque é que é só para doentes? Procuro explicar neste texto que isso não faz qualquer sentido.

E hoje temos novo texto do The Catholic Thing, com Casey Chalk a tentar imaginar como é que Cristo seria tratado pela imprensa se ela existisse na altura como existe agora. Divertido, vale a pena ler.

Monday, 19 September 2016

Actualidade Religiosa: Terrorismo, e como o combater

Foi detido esta segunda-feira o suspeito de ter colocado várias bombas em Nova Iorque. Trata-se de um cidadão americano, nascido no Afeganistão.

O Papa Francisco recebe amanhã em Assis líderes de diversas religiões para assinalar os 30 anos do encontro da Paz.

Ontem, o Papa criticou ainda o trabalho escravo como forma de gestão e, na véspera, alertou para a necessidade de praticar a hospitalidade, como verdadeira receita para o fim do terrorismo. Já o presidente turco, Erdogan, acredita que a melhor forma de combater o terrorismo é expurgar 38 mil professores do sistema de ensino.

Esta segunda-feira os núncios apostólicos denunciaram a perseguição religiosa em várias partes do mundo.

Termino com um convite. Amanhã a minha colega Aura Miguel vai ao clube Darca falar sobre as jornadas da juventude, em Cracóvia. O dados estão na imagem.

Wednesday, 28 October 2015

50 anos de diálogo inter-religioso

Coisa só possível por causa do Nostra Aetate
Faz hoje 50 anos que foi publicado o importantíssimo documento “Nostra Aetate” que abriu as portas da Igreja para o diálogo inter-religioso e ecuménico. O facto não foi esquecido por Francisco na sua audiência geral.

Nessa ocasião, o Papa aproveitou ainda para rezar pela situação no Paquistão e no Afeganistão onde um violento sismo fez centenas de mortos.

A Irmandade dos Clérigos vai doar vários milhares de euros aos iraquianos refugiados na Jordânia.

Depois de ter partilhado na segunda-feira a notícia sobre o encontro de Campos de Férias Católicos que decorre no próximo sábado. Agora publiquei a transcrição integral da entrevista ao José Diogo Ferreira Martins e à Carminho Cordovil, que podem ler aqui.

Por fim, e porque hoje é quarta-feira, o artigo desta semana do The Catholic Thing é da autoria de Robert Royal, que faz uma análise séria ao relatório final do sínodo dos bispos sobre a família e do que o futuro nos reserva.

Tuesday, 12 November 2013

Um ano de guerras sinodais

Aviso… Vai ser um ano disto! As diferentes facções da cúria romana e da Igreja a nível mundial, vão colocando as peças na mesa de jogo a tempo do sínodo para a Família em Outubro de 2014.

Hoje o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé censurou uma diocese alemã que, há um mês, tinha publicado um documento que permite que os casais divorciados e em segundas uniões acedam aos sacramentos.


Os bispos americanos têm um novo presidente. O Cardeal Dolan deixa assim essa sua função, que cumpriu de forma exemplar. Mas não o fez sem antes exercitar o seu característico sentido de humor…

Na Síria, ao que parece, o Exército Livre começou a lutar contra uma outra facção rebelde, de pendor islamita. Já não era sem tempo, dizem alguns cristãos da oposição…


Se bem se lembram, a semana passada publiquei uma reportagem sobre os 450 anos do Concílio de Trento. Hoje publico no blogue as transcrições integrais das entrevistas ao D. Nuno Brás e ao pastor baptista Tiago Cavaco.

Wednesday, 5 December 2012

8 – Ofensas ao Islão e repercussões

Este ano houve dois grandes episódios de revolta por causa de ofensas ao Islão: a queima de exemplares do Alcorão em Kandahar, no Afeganistão, e o já famoso “filme” anti-islâmico que apenas apareceu em Setembro.

Ambos os episódios resultaram em revolta e protestos por parte da comunidade muçulmana um pouco por todo o mundo, apesar de terem sido radicalmente diferentes.

O primeiro caso, em Kandahar, parece ter sido um caso de descuido por parte de funcionários da NATO que se estavam a desfazer de livros e documentos velhos numa lixeira. Os exemplares do Alcorão estariam lá, segundo a explicação oficial, porque tinham sido confiscados à biblioteca de uma prisão local uma vez que os reclusos os estavam a usar para passar recados uns aos outros.

Só os mais adeptos das teorias da conspiração é que acreditam que as forças da NATO procuraram profanar livros sagrados de forma propositada, mas independentemente disso, o episódio é um exemplo das grandes falhas de abordagem neste tipo de operações em que ocidentais entram em países orientais, neste caso muçulmanos, num contexto militar.

Não havia ninguém ali que soubesse ler árabe? Queimam livros, num país daqueles e naquela situação, sem saber o que estão a incinerar? Santa inocência… o resultado esteve à vista. Revolta, manifestações, atentados, ameaças e um grande golpe na credibilidade do Ocidente e um pedido de perdão por parte de Obama que levou muita gente a pensar se ele teria feito o mesmo se o livro sagrado fosse outro…


O filme foi feito por cristãos coptas a viver nos Estados Unidos, Canadá e Austrália. Um dos principais já tinha sido preso por fraude. Por má que seja a produção, é claro que foi considerada ofensiva por muçulmanos que depois trataram de divulgar pelo resto do mundo islâmico o “trailer” que foi praticamente tudo que a maioria das pessoas acabou por ver.

O facto de os autores terem tentado esconder-se por detrás de identidades falsas judaicas é prova também da enorme desconfiança, para não dizer ódio, que a maioria dos cristãos árabes sente pro Israel, em contraste com grande parte dos cristãos ocidentais que se identificam mais rapidamente com o Estado judaico do que com os regimes muçulmanos.

Também este caso levou a protestos em grande escala e pode ter contribuído para a morte do embaixador americano na Líbia, embora essa ligação não seja totalmente clara e parece que o atentado estava já a ser preparado há bastante mais tempo.

Thursday, 23 February 2012

Wednesday, 22 February 2012

Alcorão queimado... Quarta-feira de Cinzas

Morreu ontem e foi hoje a enterrar D. Manuel Falcão, bispo emérito de Beja que deixou uma profunda marca na igreja nacional. Que descanse em paz. (na imagem, à esquerda do actual bispo D. Vitalino Dantas).

Hoje é Quarta-feira de cinzas, começa a Quaresma. Na Quarta-feira de Cinzas de 2010 nascia um projecto que teve sucesso imediato e continua a ter. Falamos do Passo-a-Rezar, claro.


Menos brilhante tem sido a capacidade dos soldados da NATO compreenderem que queimar exemplares do Alcorão não dá grandes resultados

Foi publicado agora o último artigo do ateu militante Christopher Hitchens, que morreu o ano passado. No seu texto ataca G.K. Chesterton, um dos mais influentes pensadores católicos do século XX. No texto que hoje publicamos de The Catholic Thing, Robert Royal analisa e critica este artigo de Hitchens.

Ultimamente muitos católicos, incluindo padres e bispos, têm criticado Obama. Poucos o fizeram com este nível, contudo. A ver!

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