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Monday, 4 November 2019

Brexit e o regresso dos "Troubles"

O Papa Francisco homenageou todos os cristãos que se vêem forçados a esconder-se para celebrar a Eucaristia, recordando o tempo das catacumbas.


A pastoral juvenil lançou em audiobook a exortação apostólica “Cristo Vive”.

Estaremos perante o regresso da violência entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte? Todos esperamos que não, mas o Brexit pode servir de agravante às tensões que ainda existem.

Não deixem de ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing, sobre o aumento da intolerância religiosa na América Latina, que contém dados preocupantes. Eu volto amanhã, se Deus quiser!

Monday, 2 January 2017

Judeus (br)excitados com cidadania portuguesa

Sinagoga do Porto
Estou de regresso após mais uns dias de licença, folgas e festas, durante as quais o mundo claramente não parou!

O ano acabou e abriu novamente com um atentado terrorista, desta vez em Istambul, numa discoteca. Na sua reivindicação, o Estado Islâmico disse claramente tratar-se de um ataque a símbolos cristãos, considerando apóstatas os muçulmanos que festejam as datas do calendário cristão.

Isto numa altura em que a Síria goza de uma espécie de cessar-fogo, tornada possível depois da libertação de Alepo pelo regime. Em Alepo festejou-se pela primeira vez em cinco anos o Natal, pelo menos de forma aberta e sem medos.

2016 ficará marcado como o ano do Brexit. Um dos efeitos dessa decisão terá sido um número sem precedentes de judeus sefarditas britânicos a pedir cidadania portuguesa, segundo a Comunidade Israelita do Porto.

Hoje o Papa pediu novamente aos bispos que apostem na tolerância zero em casos de abusos sexuais dentro da Igreja, isto poucos dias depois de um padre português ter sido condenado por abusos sexuais, dado que já foi acrescentado à cronologia de casos de abusos sexuais na Igreja, que tenho no blogue e que data já de 2012.

Deixo-vos ainda a indicação para irem ver os dois artigos do The Catholic Thing que publiquei nas últimas duas semanas, uma sobre o ainda polémico caso de Pio XII e os nazis e outro, totalmente, diferente, sobre como um baptizado de uma menina católica paquistanesa na Tailândia encapsula na perfeição a história do Natal

Wednesday, 29 June 2016

Brexit e ideologias demoníacas

O Brexit é o tema da semana e o Patriarca de Lisboa não lhe passou ao lado. Segundo D. Manuel Clemente a Europa deve guardar o lugar do Reino Unido.

Infelizmente existem racistas idiotas em todo o lado, no Reino Unido, porém, são tão idiotas que pensam que os 17 milhões que votaram para sair da Europa estão com eles e por isso têm protagonizado alguns tristes incidentes. São fenómenos que o arcebispo católico de Westminster rejeita absolutamente.

O Papa Francisco encontrou-se ontem com Bento XVI e os dois elogiaram-se mutuamente. Em Lisboa o encontro foi outro, Marcelo Rebelo de Sousa concedeu ao cardeal Sean O’Malley uma condecoração e cardeal até contou anedotas.

A actualidade está a ser marcada pelo terrível ataque terrorista em Istambul. O Papa já lamentou o atentado que fez cerca de meia centena de mortos e muitos feridos.

A ideologia de género está por detrás de muitos dos ataques à família e ao homem nos nossos dias. No artigo desta semana do The Catholic Thing, o padre Paul Scalia, filho do falecido juiz do Supremo Tribunal americano Antonin Scalia, explica porque é que se trata de uma teoria demoníaca, no puro sentido da palavra.Leiam que vale a pena.


Friday, 24 June 2016

Papa fala do Brexit e reconhece genocídio

Papa na Arménia, Turcos aos arames
Como o resto do mundo, o Papa Francisco também comentou a saída do Reino Unido da União Europeia. Francisco, ecoando as palavras do Cardeal Nichols, de Londres, falou na responsabilidade que cabe agora ao Reino Unido e à União Europeia de construir novos caminhos.


Francisco falou no avião a caminho da Arménia, o primeiro país a adoptar o Cristianismo como religião de Estado. Francisco referiu-se em tempos ao massacre dos arménios como um genocídio e a dúvida era saber como ia dizer agora.

No texto oficial do seu discurso evitava-se diplomaticamente o uso da palavra que tanto ofende os turcos, mas o Papa, sendo Francisco, fez questão de improvisar e largou a bomba. Agora é esperar que os turcos recuperem do choque e reajam. Não vai ser bonito. Já os arménios estão felizes da vida.

Wednesday, 22 June 2016

A União Europeia, Brexit e abanões

Uma das entidades burocráticas mais ineptas e secularmente militante do mundo – que também se esforça por espalhar os seus erros pelas nações – está a enfrentar um teste e, possivelmente, uma derrota esta semana. Na quinta-feira os eleitores do Reino Unido serão chamados a votar num referendo sobre o “Brexit”, ou a saída do Reino Unido da União Europeia. Se saírem, toda a UE poderá desmoronar.

Nos principais órgãos de comunicação vemos manchetes sobre como uma saída britânica enviará ondas de choque pela economia global, ou que equivale à insanidade económica. É como se agora fossemos todos puramente “homo economicus” ou que a vontade de abandonar a União Europeia fosse uma forma de histeria em massa.

A verdade é que a vontade de partir nada tem a ver com economia e muito com soberania nacional. Pode bem ser verdade que a economia britânica sofra depois da partida e que isso, por sua vez, tenha consequências globais. Mas as raízes da União Europeia são muito mais profundas do que a mera economia.

E católicas. Depois da Segunda Guerra Mundial, os líderes cristãos-democratas assumiram a responsabilidade de resolver um problema grande e outros mais pequenos. A revolta contra a União Europeia pode dever-se em parte à vontade de recuperar um pouco daquilo que entretanto se perdeu.

O problema grande era a tensão entre França e a Alemanha, que quase tinha destruído a Europa em duas guerras mundiais. Dois estadistas católicos de renome, Robert Schuman de França (declarado “servo de Deus” por Bento XVI e que pode estar a caminho dos altares) e Konrad Adenauer da Alemanha, encontraram-se em segredo na Suíça ao longo de vários anos, uma vez que ainda era publicamente impossível manter um diálogo com a Alemanha pós-nazi. Juntos ajudaram a criar as várias instituições internacionais, incluindo a NATO, que acabaram por levar à criação da União Europeia.

Mantinha-se uma questão ainda mais importante: Quais seriam as bases para esta nova Europa? A resposta – dada novamente por cristãos-democratas, entre os quais o grande tomista Jacques Maritain – era uma visão cristã da pessoa e das sociedades humanas. Os partidos democratas-cristãos na Alemanha e em Itália eram cruciais para impedir o avanço do comunismo na Europa ocidental.

Teóricos mais antigos como Chesterton e Belloc sonhavam com uma cristandade modernizada numa Europa reunificada. Esse ideal, como o próprio movimento democrático cristão, era realizável apenas em parte para os europeus, dado o pluralismo religioso, as diferenças políticas e a simples descrença no continente. O objectivo, contudo, nunca foi a criação de um novo Sacro-Império Romano, mas sim um continente que voltasse a dar corpo, de forma geral, aos valores cristãos.

E foi isso que começou por acontecer, até que as forças secularistas começaram a bloquear sequer as referências à herança cristã em documentos oficiais. A União Europeia como a conhecemos começou então, lentamente, a ganhar forma. Ao contrário dos fundadores dos EUA, os fundadores da UE não pensaram na estrutura continental. É comum hoje em dia ouvir queixas de “défice democrático” de uma burocracia distante, não responsabilizável, que opera sem respeito pela subsidiariedade e os interesses nacionais.

Até há pouco tempo, a intromissão burocrática era sentida em larga escala, mas mais como uma irritação diária do que um apelo à revolta. Certo dia perguntei a um deputado europeu qual era a natureza do seu trabalho e ele respondeu, não inteiramente como piada, que se certificava de que as cenouras da União Europeia eram do tamanho regular. (Também existiu o preservativo europeu, mas quanto menos falarmos disso, melhor).

Entre as várias histórias que surgem na antecâmara do Brexit – juntamente com murmurações na Hungria, Grécia e outras nações – a minha favorita é a decisão da União Europeia de que a Finlândia deve reintroduzir 9.500 lobos às suas florestas, presumo que por razões ecológicas. Os finlandeses reclamaram que não tinham sido tidos nem achados sobre o assunto, e que a directiva infringe outros regulamentos europeus sobre o direito dos povos nativos a gerir os seus territórios (na Finlândia criam renas e têm opiniões fortes sobre lobos).

Fora da Europa, a União Europeia, tal como as elites internacionais nas Nações Unidas e no Departamento de Estado dos EUA [Ministério dos Negócios Estrangeiros] (pelo menos quando um certo partido ocupa a Casa Branca), tem achado por bem impingir o aborto, controlo da população e “direitos” homossexuais a qualquer nação sobre a qual exerce influência. O Papa Francisco refere-se a isto, e bem, como “colonização ideológica”. Também podemos falar em suicídio demográfico. Todas as nações da Europa têm uma população em colapso.

Mas esta interferência burocrática poderia ter continuado indefinidamente, não fosse a actual crise dos refugiados. Tal como aconteceu na América, o grande número de refugiados potencialmente perigosos causou reacções variadas. Até a Áustria, ainda a ressentir-se do passado nazi, esteve muito próxima de eleger um Presidente de extrema-direita há pouco tempo. A Alemanha – que o ano passado admitiu um milhão de refugiados, três quartos dos quais jovens solteiros – está a tentar limitar o fluxo de refugiados. França, Bélgica e Escandinávia assistiram a ataques terroristas, bem como o Reino Unido.

Um grande contingente de britânicos parece ter dito finalmente que basta. A cenoura europeia é tolerável; mas o falhanço de lidar com a crise de refugidos não é. A situação é certamente complexa. Coloca uma obrigação cristã – o dever de ajudar quem precisa – contra outra: a obrigação de proteger os inocentes de potenciais ameaças.

Os líderes dos países têm ainda outra obrigação, como viremos a apreciar cada vez mais: a de não nos dar sermões paternalistas sobre abertura e multiculturalismo, quando sabemos que nenhuma cultura que pretende sobreviver pode ser infinitamente aberta e pluralista.

Tivemos, e talvez ainda tenhamos, uma oportunidade para fazer algo no Médio Oriente e no Norte de África para tornar menos urgentes as viagens perigosas para a Europa e outros locais. O nosso falhanço no Médio Oriente tornou-se tão evidente que mais de cinquenta funcionários do departamento de Estado acabam de enviar uma carta a Obama a pedir-lhe que bombardeie a Síria. Pare um momento e registe isso. Estamos a falar de funcionários do departamento de Estado, pessoas que encaram os seus trabalhos como consistindo na promoção de direitos homossexuais e o aborto, pedir desculpa pelos Estados Unidos e maçar os estrangeiros com discursos chatos.

Ninguém sabe ao certo o que acontecerá no referendo de quinta-feira – as sondagens mostram uma ligeira vantagem para o Brexit. Mas quer o Reino Unido opte por ficar ou partir, uma coisa é certa. Não é só aqui nos Estados Unidos que as coisas estão a levar com um forte abanão.


Robert Royal é editor de The Catholic Thing e presidente do Faith and Reason Institute em Washington D.C. O seu mais recente livro é A Deeper Vision: The Catholic Intellectual Tradition in the Twentieth Century, da Ignatius Press. The God That Did Not Fail: How Religion Built and Sustains the West está também disponível pela Encounter Books.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na segunda-feira, 20 de Junho de 2016)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

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