quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Como Seria uma Paróquia Classe-A?

Bevil Bramwell, OMI
Deixem-me sonhar: E se cada diocese transformasse pelo menos uma paróquia numa Paróquia Classe-A? Com isto quero dizer uma paróquia que se apresenta como trabalhando proactivamente para ajudar cada paroquiano a tornar-se santo.

Afinal de contas: “Como todos os fiéis, também os leigos têm o direito de receber com abundância, dos sagrados pastores, os bens espirituais da Igreja, principalmente os auxílios da palavra de Deus e dos sacramentos” (Lumen Gentium, Vaticano II). Uma Paróquia Classe-A é uma paróquia de abundância espiritual e não apenas uma paróquia de missa dominical com alguma catequese e visitas aos doentes. De facto, dado o apelo à evangelização, esta paróquia procura chegar a cada pessoa na área: Gostaria de ser Católico? Gostaria de ser santo?

A Paróquia Classe-A é um local desafiante onde somos encorajados a aprender sobre a fé, independentemente da idade. Quando Bento XVI pregava sobre a história da figueira e do homem que cuidava da vinha, explicou que não devemos subestimar: “A necessidade de começar a mudar tanto o interior como o exterior das nossas vidas de imediato, para não perder as oportunidades que a misericórdia de Deus nos dá para ultrapassarmos a nossa preguiça espiritual e responder ao amor de Deus com o nosso amor filial”.

Isto podia estar gravado nas paredes da igreja paroquial.

A Paróquia Classe-A é diferente de outras também na medida em que o ensinamento se baseia na doutrina oficial da Igreja e não de qualquer partido político ou do New York Times. A formação na paróquia envolve ir mais além e ajudar as pessoas a aprender a compreender e a aplicar a sua fé nas circunstâncias práticas, tal como a vida familiar, negócios, eleições, etc. Estamos a falar de um tipo de pedagogia muito mais sofisticada do que a mera repetição de algumas verdades, que obriga o professor a meter a mão na massa para compreender e criar empatia com as vidas das pessoas, sempre com uma grande compreensão da fé.

Aprender é importante porque somos chamados a “transformarmo-nos pela renovação das mentes” (Romanos 12, 2). Há apenas uma verdade e é por isso que Paulo diz que devíamos ser transformados “para que com um só coração e uma só voz glorifiquem ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 15,6). Esta unidade testemunha o espírito uno do Deus uno: “O mesmo Espírito, unificando o corpo por si e pela sua força e pela coesão interna dos membros, produz e promove a caridade entre os fiéis” (Lumen Gentium).

Há uma coesão espiritual rica, também: “Daí que, se algum membro padece, todos os membros sofrem juntamente; e se algum membro recebe honras, todos se, alegram” (Lumen Gentium). Isto vai muito para além de estar sentado ao lado de pessoas na missa. Uma paróquia destas implica conhecer as pessoas e relacionarmo-nos com elas de forma compreensiva.




Não estamos a falar de uma comunidade de auto-seleccionados. Nem de uma comunidade de pessoas da mesma classe social. Pelo contrário, é uma comunidade de pessoas atraídas pelo Deus Vivo, o que significa que estão lá todos. Mais, nesta paróquia: “Devem os leigos abraçar prontamente, com obediência cristã, todas as coisas que os sagrados pastores, representantes de Cristo, determinarem na sua qualidade de mestres e guias na Igreja, a exemplo de Cristo, o qual com a Sua obediência, levada até à morte, abriu para todos o feliz caminho da liberdade dos filhos de Deus” (Lumen Gentium).

Logo, em vez do estilo actual de paróquia em que cada um escolhe o que quer seguir, uma Paróquia Classe-A é aquela em que se exerce a liderança. Esta comunidade anseia pela santidade e isso requer liderança.

Os edifícios da paróquia poderão precisar de renovações para melhor cumprir estas missões. Por exemplo, a colocação de textos do Vaticano II em ecrãs na entrada, ou noutro local onde possam ser lidos pelos paroquianos, pode ajudá-los a ter uma melhor compreensão da sua fé. Alguns dos textos do Ofício das Leituras também seriam úteis. Podiam ser mudados semanalmente para ir informando os transeuntes.

Por fim, uma paróquia desta natureza viveria em profunda e compreensível admiração pelo facto de “Na celebração da Eucaristia entramos no mistério de Deus, naquela rua secreta que não conseguimos controlar: Ele é o único, a glória, o poder... Ele é tudo” (Papa Francisco).

Ele vale bem o esforço de uma Paróquia Classe-A.


(Publicado pela primeira vez no Domingo, 23 de Fevereiro 2014 em The Catholic Thing)

Bevil Brawwell é sacerdote dos Oblatos de Maria Imaculada e professor de Teologia na Catholic Distance University. Recebeu um doutoramento de Boston College e trabalha no campo da Eclesiologia.

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