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Friday, 2 February 2024

Ajudar trapistas no Palaçoulo e desbaptismos na Bélgica

A polémica da semana é o cartaz da Semana Santa de Sevilha 2024. O cartaz dividiu opiniões, levando até um grupo a marcar uma missa de desagravo. Tendo falado com especialistas na área da arte, admito que estou algo dividido sobre o assunto. Aproveito, por isso, para convidar os meus leitores que tenham alguma opinião fundamentada sobre o cartaz para me enviarem por mail as vossas ideias.

Na Bélgica existe outra polémica que, parecendo até cómica ou distante, poderá bem vir a ter repercussões em Portugal e toda a União Europeia. Uma pessoa pediu à sua paróquia para apagar o seu registo dos assentos de baptismo. A paróquia recusa. Noutros países em que isto aconteceu, os tribunais têm-se colocado do lado da Igreja, mas aqui o Tribunal deu razão à pessoa e à Autoridade de Protecção de Dados. A Igreja recorreu, e isto pode mesmo chegar a um tribunal europeu. Este é, para mim, um sinal perfeito dos tempos em que vivemos, os tempos do pensamento mágico, em que alguém acha que só porque lhe apetece, pode obrigar todo o resto do mundo a alinhar numa fantasia, neste caso fingindo que um facto histórico – o facto de ela ter sido baptizada – simplesmente não aconteceu. Há aqui uma ligação evidente com a ideia de que é possível, por exemplo, mudar de sexo. É uma ideia que desenvolvo neste artigo “A Consagração da Mentira”, que vos convido a ler.

Como muitos já saberão, as Monjas Trapistas do Palaçoulo tiveram um incêndio na sua hospedaria, onde viviam enquanto esperam a construção do mosteiro. Já muita gente contribuiu para ajudar a financiar os reparos, de tal forma que o MBWay das monjas ultrapassou o limite mensal. Felizmente há sempre a possibilidade de fazer transferência. Aqui encontram todos os detalhes necessários. Toda a ajuda é preciosa!

O Papa Francisco pergunta se nos incomoda o grito dos oprimidos. É uma excelente pergunta para ir preparando a Quaresma, que está a quase a chegar!

E da China chega uma notícia interessante. Depois de vários actos unilaterais por parte do Governo, que punham em causa a posição do Vaticano naquele país, foi agora instalado um novo bispo, de uma nova diocese, criada por Roma. Mais do que pontos a favor de um ou outro, se Deus quiser isto poderá demonstrar que o acordo entre a China e Roma está finalmente a permitir uma normalização das relações. A notícia está aqui em português, e analisada aqui pelo The Pillar.

O artigo desta semana do The Catholic Thing é sobre a autoridade de Cristo. O Pe Paul Scalia explica que ao contrário no nosso tempo, em que pomos em causa a autoridade de tudo e todos, os contemporâneos de Jesus davam uma enorme importância ao conceito, e queriam mesmo saber com que autoridade Cristo pregava e actuava. É um artigo que vale bem a pena ler, com base no Evangelho do passado domingo.

Tuesday, 30 January 2024

Ajudemos as trapistas do Palaçoulo a reerguer-se depois do incêndio

Foto: António Cangueiro
NOTA: Várias pessoas me disseram que o MBWay náo está a funcionar. Eu tentei e também não deu. Já perguntei às irmãs o que se passa, e aguardo resposta, mas presumo que tenha sido ultrapassado o limite de transferências por mês. Entretanto o IBAN está a valer.

Na madrugada do passado sábado, 27 de janeiro, um incêndio destruiu boa parte da hospedaria onde dormiam as monjas trapistas do Palaçoulo, em Miranda do Douro.

Cabe-nos, enquanto comunidade, contribuir para a reconstrução, ajudando quem dedica a vida a rezar por todos nós.

Mbway +351 910 909 388 (número verificado e confirmado por mim)  As monjas ultrapassaram o limite mensal de transferências por MBWay - o que é bom sinal - e por isso agora não podem receber mais, o que não é tão bom. O IBAN, abaixo, continua a funcionar e é a melhor forma de fazer chegar ajuda!

Iban PT50 0045 2260 4029 1080 1063 2 

Qualquer valor, por pequeno que seja, é uma ajuda preciosa nesta altura. 

Junto aqui uma declaração que me chegou de alguém próximo da construção do novo mosteiro das monjas trapistas:

Caríssimos amigos. Hoje acordei com a notícia de que a hospedaria do Mosteiro estava em chamas.  Os estragos são mesmo muito grandes. Todo o corpo central da Hospedaria está danificado pelo fogo e pela água.

No entanto, fomos recebidos pelas irmãs com um sorriso indescritível. Sinal vivo da presença de Cristo no rosto de cada uma. Não consigo explicar por palavras o que vi e senti ao estar com as irmãs.

"Estamos todas bem, temos meia casa, cama e Nosso Senhor. Não precisamos de mais nada"

A aldeia rapidamente se deslocou ao Mosteiro e ajudaram em todas as frentes, alimentação, limpeza e trabalho de braços. 

"Não sabemos bem porque é que isto aconteceu, mas o que é certo é que será para um bem maior, iremos descobrir", disseram ainda as irmãs.

Tudo bem, agora só teremos que recomeçar. Mas nosso Senhor e a Igreja ajudam

Wednesday, 18 November 2020

Cristãos iraquianos voltam para casa, bispos de Leiria também

O Papa disse esta manhã que “a oração acalma os inquietos”. Será verdade? Alguma vez viram um trapista inquieto? Então pronto.

Boas notícias do Médio Oriente. Três anos depois de o Estado Islâmico ter sido expulso de Mossul, mais um grupo de cristãos regressa a casa. Ainda assim, há muito a fazer e por isso a fundação AIS apela à generosidade de todos.

Boas notícias também em Leiria, onde D. António Marto teve alta hospitalar e vai poder ir recuperar para casa.

Os bispos católicos da Europa querem que a União Europeia encontre soluções solidárias e conjuntas para a crise provocada pela pandemia.

Faz sentido uma universidade ser cristã? A identidade religiosa não será um obstáculo à busca pelo conhecimento e pela verdade? Randall Smith discorre sobre isto no artigo desta semana do The Catholic Thing, recordando que foi precisamente no seio do Cristianismo que o conceito da universidade nasceu.

Wednesday, 29 April 2020

Faz Parte do Pacote, não é?

Recentemente estive a ler a Regra de São Bento com os meus alunos e vi com eles o filme “Dos Deuses e dos Homens”, de 2010, sobre o mosteiro trapista de Tibhirine, na Argélia, onde viveram e trabalharam nove monges franceses até 1996, altura em que, em plena Guerra Civil, sete deles foram raptados pelo Grupo Armado Islâmico da Argélia, tendo sido encontrado mais tarde, decapitados.

Não vou explicar agora porque é que junto o filme ao livro, salvo dizer que o filme é uma boa representação da vida beneditina, incluindo os seus desafios e as suas belezas discretas. Ver a regra representada desta forma ajuda a torná-la mais familiar. Em vez de um estilo de vida bizarro, passam a vê-la como uma coisa desejável, que vale a pena escolher.

Uma das questões que o filme coloca, contudo, é se os monges tomaram a decisão certa quando decidiram ficar na Argélia, numa altura em que a violência na sua região aumentava de intensidade e o perigo mortal se tornava mais ameaçador. O filme trata bem o conflito que os monges viviam. Estavam longe de decididos a abraçar o martírio e receber a morte de braços abertos. Numa das reuniões um deles diz abertamente: “Eu não me tornei monge para morrer”.

Perguntei aos meus alunos se os monges foram “imprudentes”, talvez até “insensatos” ao optar por ficar quando sabiam que havia um risco tão grave para as suas vidas. Não é uma situação clara para eles, e depende muito da forma como eu coloco a questão. Todos admiram os monges de Tibhirine. Mas pode-se dizer que a decisão de permanecer foi prudente?

Uma vez que nós pensamos na prudência como “o exercício excessivo da cautela”, em vez de a encarar da forma clássica, como “tomar a decisão moral correcta”, os alunos têm dificuldade em considerar que se tratou de um acto prudente. Heroico, sim. Mas prudente?

Numa turma diferente coloquei a mesma questão sobre se os habitantes da pequena vila de Le Chambon foram prudentes ou insensatos ao esconder literalmente milhares de refugiados judeus durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto o exército alemão os caçava para deportar para campos de concentração.

Uma das alunas tinha entrado na sala essa manhã exclamando que adorava Magda Trocmé, a mulher do pastor protestante na vila e uma das líderes desta conspiração de bondade. “Eu quero ser aquela mulher!”

Quando lhe perguntei se os habitantes tinham sido insensatos ao receber os judeus respondeu que sim, “sem dúvida”.

“Mas não acabaste de dizer que querias ser como Magda?”, perguntei.

“Sim”, respondeu.

“Então queres ser como uma mulher insensata?”, insisti.

“Sim”, disse ela, “porque ela era insensata da maneira certa”.

Talvez tenha razão. Talvez os cristãos sejam insensatos. Não vale a pena negá-lo. Mas insensatos “da maneira certa”.

A maioria dos meus alunos da primeira turma têm a certeza de que os monges de Tibhirine tomaram a decisão certa ao permanecer. Talvez seja um caso de ingenuidade juvenil. Uma delas perguntou, talvez com mesma ingenuidade: “Se é monge, e se decidiu entregar a vida a Cristo, o martírio, se acontecer, faz parte do pacote, não é”?

Como é que se responde a isto? Talvez o melhor tivesse sido escrever no quadro e deixar a sala toda contemplar a frase em silêncio durante cinco minutos.

Mas falta-me essa paciência de santo, por isso perguntei: “Não podemos dizer que isso ‘faz parte do pacote’ para qualquer cristão”? Se optou por entregar a vida a Cristo, então o martírio, se acontecer, faz pate do pacote, não é?

Logo, se não estamos dispostos a sacrificar – digamos – o trabalho, o estatuto social, até a própria vida, então não podemos dizer verdadeiramente que entregámos a vida a Cristo, pois não? Seria necessário afirmar de forma mais modesta: “Eu entreguei a Cristo um bocadinho dos meus domingos de manhã”.

E se for de facto esta a nossa atitude, não seria necessário admitirmos que estamos a expressar em relação a Cristo basicamente o mesmo sentimento expresso pelo poeta Billy Collins em relação à sua mãe no poema “O Trapilho”?

Nunca tinha visto ninguém usar um trapilho
ou vestir um, se é assim que se diz.
Mas isso não me impediu de cruzar fio com fio,
outra e outra vez, até que fiz um trapilho encarnado e branco, largo, para a minha mãe.
Ele deu-me vida e leite dos seus seios,
e eu dei-lhe um trapilho.
Ela cuidou de mim através de muitas doenças,
levou colheres de chá de remédio aos meus lábios,
colocou panos frescos sob a minha testa,
depois levou-me para a claridade
e ensinou-me a andar e nadar e eu dei-lhe um trapilho.
“Aqui estão milhares de refeições”, disse ela,
“e aqui tens roupa e uma boa educação”.
E eu respondi: “Aqui está o teu trapilho,
feito com alguma ajuda de um animador”.
“Aqui tens um corpo que respira e um coração que bate,
pernas fortes, ossos e dentes e dois olhos claros para leres o mundo”, segredou ela.
“E aqui”, disse eu, “está um trapilho que fiz no campo de férias”.

Algum dos meus leitores pode estar curioso sobre a resposta que a minha aluna me deu, sobre se devemos esperar que todos os cristãos, e não só monges, façam sacrifícios sérios. “Suponho que sim”, disse ela, hesitante. “Sim. Quer dizer, é, sim. Não é? Tenho de pensar nisso”.

Tu e eu, minha pequena. Já somos dois.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quarta-feira, 8 de Abril de 2020)

© 2020 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Tuesday, 25 June 2019

Dois passos em frente, um para trás, rumo ao precipício

Tirem a vossa política do meu jogo, sff.
O admirável mundo novo vai chegando, entre avanços e recuos. Avanço: Uma juíza inglesa ordenou que uma mulher de 22 anos fizesse um aborto contra a sua vontade. Recuo: O tribunal de recurso anulou a decisão. E é assim, dois passos em frente, um passo atrás. Mas é para a frente que vamos, rumo ao precipício.

Uma sondagem encomendada pela BBC revela que os árabes são cada vez menos religiosos.

Os símbolos da JMJ já começaram a sua longa caminhada até Lisboa, onde chegam a 5 de Abril de 2020.

Está a nascer em Trás-os-Montes uma “aldeia para Deus”. Conheça-a aqui.

A equipa feminina de futebol do Vaticano abandonou o jogo que ia disputar no passado fim-de-semana, na Áustria, quando jogadoras da equipa da casa levantaram as camisolas para revelar mensagens pró-aborto (ver imagem).

Publiquei no blog a transcrição integral da minha conversa com o cristão siríaco Johan Cosar, que treinou uma milícia para combater o Estado Islâmico. Podem ler aqui.


Tuesday, 13 March 2018

Um brinde ao Papa Francisco!

Parabéns ao Papa Francisco, que hoje cumpre cinco anos de eleição. O Vaticano aproveitou o dia para lançar o trailer de um filme sobre Francisco, de Wim Wenders.

Bento XVI escreveu uma carta em que lamentou os “preconceitos tontos” daqueles que criticam uma alegada falta de profundidade teológica do Papa Francisco.

O Santuário de Fátima fez questão de recordar o dia e os bispos portugueses sublinham a sintonia que existe com este Papa.

E nada como assinalar este dia com uma boa cerveja! Se for como eu – em podendo – optará por uma belga… Mas cuidado, não enfureça os monges!!

E não deixe de ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing, especialmente para os fãs daquele líquido sagrado… Água benta! (Pensavam que ia dizer cerveja, outra vez, não é…)

Wednesday, 25 October 2017

Jihadi Judge e Estado Islâmico prefere Messi a Ronaldo

ISIS prefere Messi a Ronaldo
Nos últimos dias um juiz no Porto lembrou-se de citar a Bíblia num acórdão sobre violência doméstica. Isso em si não tem mal. O problema é a forma como a cita e aparente enormidade da decisão, como explica Graça Franco nesta carta aberta, que vale a pena ler. Até os bispos tiveram de vir a público lamentar o sucedido.

Morreu o padre Noronha Galvão, que foi aluno de Ratzinger e um teólogo influente em Portugal.


No Médio Oriente aconteceu precisamente aquilo que, infelizmente, eu tinha previsto no Verão. Após o referendo no Curdistão iraquiano abriu-se um conflito entre Bagdad e os curdos e quem está a levar com os combates à porta de casa são os… Cristãos, claro.

O Estado Islâmico pegou numa imagem de Lionel Messi para ameaçar o mundial de 2018.

Mesmo as pessoas que cometem os crimes mais horríveis terão feito algum bem ao longo da vida. No artigo desta semana do The Catholic Thing em português o diácono James Toner recorda o seu antigo pároco, que teve sobre ele uma grande influência, mas que afinal revelou-se mais tarde como um violador e abusador de rapazes. Um artigo duro, mas que todos devemos ler.

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