segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

A patética exploração - de parte a parte - da morte do Giovani

Está a tornar-se patético ver o aproveitamento político, de parte a parte, que se está a tentar fazer da morte do jovem cabo-verdiano Luís Giovani.

Por um lado os que vêem racismo em todo o lado, por outro os que reagem na defensiva, querendo usar o assunto para bater na esquerda. E se nos limitássemos a respeitar a morte do rapaz, lamentando-a, sem correr para tirar conclusões precipitadas?

Por enquanto, a acusação de racismo não tem qualquer base. Não se percebe, por isso, porque é que se correu a fazer manifestações nesse tom e se falou disso nas redes sociais com tanta veemência. Quem ganha com isso?

Dizem que o atraso na detenção de suspeitos é prova de racismo. Não é.

Nestes casos chocantes toda a gente quer que apareçam culpados, e rapidamente. Mas esse é precisamente o ambiente em que surgem erros na investigação, porque a pressa é inimiga da perfeição, e depois ou se prendem inocentes ou se libertam culpados. O facto de a polícia estar a demorar a fazer detenções pode ser, aliás, um sinal de profissionalismo. A confirmar-se que os agressores eram da comunidade cigana – e tanto quanto sei isso não é ainda certo – é possível que estejam a ser protegidos ou que estejam em fuga. Ninguém ganha nada em tentar acelerar o processo.

O atraso pode ser racismo na mesma? Poder pode… Se de facto alguém na Judiciária de Bragança pensou “que se lixe, foi só um preto que morreu”, então é evidente que se trata de racismo. Eu já critiquei muitas vezes a polícia, tanto em público como em privado, mas apesar de estar longe de Bragança não acredito por um segundo que seja esse o caso e que os homicidas e agressores do Giovani estejam ainda em liberdade por existir racismo entre as autoridades locais, o que não é o mesmo que dizer que não existem polícias racistas, em Bragança ou noutro lado qualquer.

Por outro lado, temos ouvido muitas pessoas dizer que afinal não é possível ter-se tratado de racismo porque os alegados agressores eram ciganos. Porquê? Os ciganos não podem ter agido com motivações racistas? Lá porque são uma minoria, muitas vezes vítimas de discriminação, são magicamente isentos de ter pensamentos e acções discriminatórias também? Que estupidez.

Mais uma vez, porém, só vamos saber ao certo quando a investigação acabar. E que tal deixarmos a investigação acabar antes de começar a acusar tudo e todos e de tentar ganhar pontos? E que tal respeitar e honrar a memória do Giovani, em vez de o transformar num símbolo que só serve os nossos interesses?

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