quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Jesus Perdido na Imprensa

Casey Chalk
Vale a pena tentar imaginar como é que os media teriam feito a cobertura da vida de Jesus de Nazaré…

[Correio da Galileia, cf. Lucas 4, 21] Jesus ben José, natural da Nazaré, causou alguma comoção este sábado na sua sinagoga local quando, tendo acabado de ler do livro de Isaías, declarou: “Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir”. Verdadeiramente, uma declaração destas tem mais lugar na imprensa sensacionalista do que nas páginas de um jornal sério. Vários analistas têm notado que tal afirmação – que equivale a reivindicar o título de messias – parece bastante prematura tendo em conta as origens humildes de Jesus, filho de um pobre carpinteiro, sobretudo tendo em conta as alegações de que o seu nascimento ocorreu em circunstâncias pouco recomendáveis. Podemos imaginar que o Messias escolheria um local provinciano como Nazaré para lançar a sua campanha?

[Arauto Herodiano, cf. Mateus 10, 1-4] No decorrer da tentativa surpreendente (e destinada ao fracasso) de reivindicar o título de messias, o filho de carpinteiro Jesus ben José terá escolhido um círculo restrito de seguidores, que passaram a dar pelo nome de Apóstolos. O que este “gabinete” tem de mais lamentável é a sua uniformidade, sendo composto inteiramente por jovens homens judeus. Mais, existe uma quantidade claramente desproporcional de pescadores entre eles, o que sugere que este movimento nascente será fortemente inclinado para favorecer a indústria pesqueira. Pelo menos metade podem ser descritos como um verdadeiro cesto de deploráveis. E o que é que o público pode dizer da sua escolha de porta-voz, um irascível pescador gabarolas chamado Simão, mais conhecido pelas suas pobres qualidades na faina do que como líder de um movimento populista? O facto de Simão ter adoptado o nome Pedro não engana ninguém.

[Diário da Judeia, cf. Lucas 14, 26] Jesus de Nazaré continua a surpreender com as suas declarações chocantemente binárias, incluindo a mais recente em que afirmou: “Se alguém vier a mim, e não odiar o seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. A direcção da nossa publicação não pode deixar de lamentar tais declarações que encorajam o ódio de forma tão leviana. Há quem tenha tentado defender os pronunciamentos do galileu dizendo que se trata de hipérbole ou metáfora. Mas isto não é aceitável. Uma figura pública como Jesus não se pode dar ao luxo de fazer comentários tão susceptíveis de serem mal interpretadas, como serão, certamente, sobretudo pelos seus seguidores mais radicais. 

[Rede de Notícias dos Fariseus, cf. Mateus 15, 21-28] Testemunhas nos distritos de Tiro e de Sidónia relatam uma conversa particularmente preocupante entre Jesus e uma cananeia que o procurou pedindo ajuda para a sua filha, possuída por um demónio. De acordo com várias pessoas que estiveram presentes, Jesus comparou a cananeia a um “cão” a quem não se deve dar a própria comida. Mais desconcertante ainda é o facto de Jesus ter congratulado a senhora depois de esta lhe ter suplicado dizendo que se fosse de facto uma cadela, mereceria pelo menos “as migalhas que caem da mesa do seu dono”. O uso deste tipo de linguagem misógina por parte de um candidato a messias não pode de maneira alguma ser tolerado. 

[Correio Saduceu, cf. Mateus 8, 5-13] Numa aparente tentativa de salvar a face, depois de recentes críticas aos seus comentários ofensivos para com uma pobre mulher cananeia, Jesus pareceu elogiar outro gentio, desta feita um centurião romano. Jesus terá alegadamente declarado: “Em verdade vos digo, nem em Israel vi tamanha fé”. É pena que numa tentativa de compensar as suas prévias declarações insensíveis, Jesus esteja agora a recorrer a elogios que apenas podem ser entendidos como profundamente paternalistas. No final de contas esta mais recente declaração parece-nos ser demasiado pouco, demasiado tarde.

[Sábado Diário] Continuam a surgir relatos sobre alegados milagres de Jesus, com testemunhas a sublinhar a sua capacidade de curar uma variedade de indivíduos tanto na Judeia como na província. Cegos, paralíticos, doentes, possessos e muitos outros que sofrem de toda a variedade de maleitas têm sido alegadamente curados às mãos deste vendedor da banha da cobra. A confiar nos relatos, os actos de Jesus são altamente ofensivos, pois implicam que há algo de errado com as pessoas com quem se cruza. Em vez de “curar” estes indivíduos, o suposto messias devia fazer por afirmá-los na sua identidade e deixar de tentar mudar aqueles que não precisam de ser mudados.

[Globo de Jerusalém] Os primeiros dias do malandro nazareno na capital têm sido simultaneamente chocante e desconcertante, com Jesus a declarar uma lista de “sete ais” dirigida aos principais escribas e fariseus da Judeia. Que um homem que aspira ao título de messias censure de forma tão brusca as elites culturais e intelectuais da nossa nação revela uma profunda ingenuidade, fazendo inimigos precisamente daqueles de quem mais precisa como aliados. Por sua vez, o número de circo que foi a expulsão dos cambistas do átrio do templo, revela o quão pouco Jesus percebe até dos princípios económicos mais básicos. Mais, a sua declaração absurda de que destruiria o templo e o reconstruia em três dias demonstra os níveis de irracionalidade e de absurdo a que a sua campanha se reduziu.

[Semanário do Sinédrio] O julgamento, condenação e execução do suposto profeta galileu Jesus de Nazaré são um fim digno, se infeliz, do “ministério” deste suposto messias. Tal conclusão será o resultado inevitável e necessário das palavras e acções de um homem cuja linguagem caustica e actos indecifráveis tantas vezes arreliaram as sensibilidades cada vez mais tolerantes da nossa nação. Apenas podemos esperar que os parolos rurais responsáveis pela ascensão e queda meteórica de Jesus reconheçam agora que o melhor que têm a fazer é deixar estas coisas para as elites do país, que se preocupam verdadeiramente com os interesses nacionais.

[Imprensa da Judeia] Um documento interno do Sinédrio a que a Imprensa da Judeia teve acesso revela que vários dos seguidores de Jesus afirmam que o suposto messias ressuscitou dos mortos. Segue-se um comentário de Saulo de Tarsus, que nos deixa cinco razões, encontradas na Torá, que mostram que não seria possível tal acontecer…


Casey Chalk é um autor que vive na Tailândia, onde edita um site ecuménico chamado Called to Communion. Estuda teologia em Christendom College, na Universidade de Notre Dame. Já escreveu sobre a comunidade de requerentes de asilo paquistaneses em Banguecoque para outras publicações, como a New Oxford Review e a Ethika Politika.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017)

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1 comentário:

  1. O "Sábado Diário" não deveria existir dado o Sabbath :) (cf. Êxodo 20:8)

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