segunda-feira, 13 de maio de 2013

Um de Sete

Brad Miner
Eric Metaxas é autor de alguns livros religiosos para crianças e duas biografias muito bem recebidas de William Wilberforce (2007) e Dietrich Bonhoeffer (2011), e o seu mais recente livro “7 Men – and the Secretsof Their Greatness”, inclui breves perfis tanto do abolicionista inglês como do pastor evangélico alemão martirizado. Os outros cinco são George Washington, o velocista Eric Liddell, o grande jogador dos Dodgers Jackie Robinson, o falecido amigo de Metaxas, Charles W. Colson, e – mais importante para os nossos leitores – o Papa João Paulo II.

Embora escrito para um público adulto, “7 Men” pode ser lido por adolescentes, sendo aliás muito recomendado para estes. Estes perfis devem ser inspiradores, e são-no, embora me aborreça que o autor use o termo “herói” como sinónimo de “modelo” [Role Model]. Jackie Robinson foi heróico e por isso, suponho, talvez sirva de modelo para miúdos, mas o carácter é uma realidade tão complexa que duvido.

Todos os heróis de “7 Men” foram, em mais do que um sentido, fortes, e Metaxas escreve que “a ideia de Deus de tornar os homens fortes era de que usassem essa força para proteger mulheres e crianças e mais quem precisasse”. Por outras palavras, tinham cavalheirismo, (um tema que me é caro). Este pode ser definido como força “posta ao serviço de Deus”. De que outra forma é que homens conseguem fundar uma nação (Washington), acabar com a escravatura (Wilberforce), voltar as costas à fama (Liddell), sacrificar tudo (Bonhoeffer), quebrar a barreira racial (Robinson), mudar o mundo (João Paulo II), e ultrapassar a humilhação pública (Colson)?

Cada um destes homens tinha uma firmeza quase preternatural para fazer a coisa certa. No caso de Washington não se tratava só de liderar os novos Estados Unidos, mas dar um exemplo de moderação ao abandonar o cargo público e retomar a vida privada. Wilberforce poderia ter sido primeiro-ministro, mas dedicou a sua vida a libertar os africanos da escravatura. Liddell opôs-se ao rei e à nação para poder honrar o sábado, depois abandonou o atltetismo para se dedicar às missões na China. Bonhoeffer enfrentou os nazis, abandonando a segurança dos Estados Unidos para regressar à Alemanha, e por isso foi enforcado. Robinson manteve a calma quando confrontado com o racismo mais selvagem, abdicando, nas palavras de Metaxas, de algo a que poucos abdicam, o direito à retaliação. Chuck Colson subiu, caiu e pôs-se de pé outra vez: “A sua fé era tão forte que sabia que a única coisa a fazer era confiar em Deus tão completamente que pareceria loucura para o mundo... Mas a ele não interessava o que pensassem os outros – apenas Deus”.

E depois há João Paulo II: “De todos os homens neste livro, apenas um passou a ser conhecido como ‘magno’”.

A informação biográfica sobre Karol Wojtyla incluída em “7 Men” é já do conhecimento de quem tenha lido a obra de George Weigel, mas o Sr. Metaxas, que é de tradição Ortodoxa, captura de forma clara a essência da sua vida extraordinária: “Cada incidente, cada pessoa que conheceu, cada talento que lhe foi dado o ajudou ao longo do caminho que Deus lhe tinha traçado”.
 
João Paulo "Magno"
Aqui estava um homem, mais até que os restantes seis, chamado por Deus, dirigido por Deus e protegido por Deus.

Dada a necessidade de descrever a vida do Papa Wojtyla em apenas vinte páginas, não sei o que é que incluiria (ou o que deixaria de fora), mas Metaxas foca-se, sabiamente, naqueles incidentes que sustentam a premissa de que o futuro Papa não só tinha sido chamado por Deus a desempenhar o papel histórico que desempenhou, mas também que era um homem que nunca hesitou em cumpri-lo. Durante a segunda Guerra Mundial, ele e os amigos estavam a esconder-se de alemães que faziam uma busca casa-a-casa. Enquanto os outros se apertavam, assustados, “Lolek” Wojtyla prostrou-se em oração. Os soldados passaram sem entrar.

Quando o pálio papal lhe foi passado, respondeu: “É a vontade de Deus. Aceito”.

A fé do Papa era de tal maneira forte – a palavra de Deus na sua mente e no seu coração era tão clara – que católicos de todas as facções o aceitaram como seu. Apoiou a Solidariedade, e também o mercado livre. Falou da beleza do amor e do sexo, mas nunca se desviou da ortodoxia da Humanae Vitae. E a sua capacidade de reconciliar vários interesses concorrentes dentro da Igreja ganhou-lhe muitas conversões.

Daí que Jennifer Bradley, do liberal New Republic, que apesar de não ter gostado muito dele, no início, não deixou de participar numa missa papal, escrevendo depois : “Agora o meu cepticismo terá de partilhar espaço com admiração e, estranhamente, gratidão”.

Uma aceitação da Cruz sem medo, escreve Metaxas, foi o verdadeiro segredo da grandeza de João Paulo II: “Ele não procurou a grandeza nem o poder, mas ambos vieram ter com ele na medida em que focava a sua atenção e a sua energia, tal como Deus tinha ensinado, naqueles que tinham menos capacidade de retribuir.”

Regressamos ao cavalheirismo. Omnia vincit amor.


(Publicado pela primeira vez na Segunda-feira, 6 de Maio 2013 em The Catholic Thing)

Brad Miner é editor chefe de The Catholic Thing, investigador senior da Faith & Reason Institute e faz parte da administração da Ajuda à Igreja que Sofre, nos Estados Unidos. É autor de seis livros e antigo editor literário do National Review.

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