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Wednesday, 25 January 2023

O palco da JMJ: O que sabemos e o que está por explicar

Desde que o texto original foi publicado, fiz alguns acrescentos que estão a negrito. 

Adenda no dia 27/01
O D. Américo Aguiar deu ontem uma longa conferência de imprensa sobre este assunto. Para mim, o essencial que se tira dessa conferência de imprensa foi que a Igreja não tinha noção do preço desta obra em particular, que os organizadores da JMJ ficaram chocados com o valor e que da parte da Igreja fica o compromisso de ver se há alguma exigência da JMJ que esteja a encarecer a obra e que possa ser dispensada, descendo assim o preço. 
Veremos o que sai dessa análise, mas este parece-me um bom compromisso da Igreja e uma boa posição para assumir. 
E acho que isto mostra também que nós, católicos, não temos de sair sempre em defesa da instituição quando surgem casos destes, muito menos queixarmo-nos de que tudo não passa de um ataque à Igreja, defendendo-a cegamente. Ontem ficou visto que até aos bispos este valor chocou e que se vai fazer os possíveis para diminuir o valor. 
De resto, claro que o palco vai custar dinheiro, mas isso é em grande parte porque a Câmara quer - e se Deus quiser o tempo lhe dará razão - aproveitar a obra para valorizar o espaço e rentabilizá-la ao longo dos anos. 

Já todos ouvimos a notícia. O palco que vai acolher o Papa Francisco para a celebração da missa final da JMJ vai custar 4,2 milhões de euros, mais IVA.

Há várias coisas a sublinhar nesta questão, e algumas perguntas que me parecem estar por responder.

  • O palco vai ser pago pela Câmara Municipal de Lisboa. Não estou com isto a dizer que a Igreja não tem nada a ver com o assunto, claro que tem, mas não faz sentido, como já vi, comentar que o dinheiro fazia mesmo falta era às obras sociais da Igreja Católica, porque se a Câmara não gastasse esta soma aqui, certamente que não a iria doar. Ou seja, não é dinheiro que está a ser tirado da boca dos pobres, pelo menos não dos pobres de quem a Igreja cuida.
  • O evento vai custar muito dinheiro, incluindo muito dinheiro dos contribuintes. Mas espera-se que dê retorno. A vida é assim. Claro que isso não significa que não se deva pedir contas e responsabilizar as pessoas pelas decisões tomadas.
  • Em defesa da obra alguns estão a sublinhar que esta poderá ser aproveitada para eventos futuros. Convém esclarecer, porém, que tanto quanto me foi dado perceber, o que será aproveitado é a pala, e não o palco, ou pelo menos não o palco no formato que terá para a missa. Por isso importaria discriminar o valor da obra. Quanto custa o palco para a missa? E quanto custa a pala? E no meio disto tudo há outros custos? Comissões? Seria importante perceber isto em mais detalhe, porque se a Câmara insiste em gastar 3 milhões de euros numa pala que vai rentabilizar no futuro, isso é um problema da Câmara, mas se o grosso do custo tem a ver com as especificações dadas pela Igreja para o palco, por exemplo, isso já coloca o problema mais do lado da Igreja. Sem saber, não adianta estar a atirar opiniões para o ar. [Já existem algumas respostas a esta questão. Segundo a ECO, pouco mais de um milhão de euros serão gastos na pala, pelo que o restante será, presumo, para o palco. Também a Câmara explicou que o palco também vai ser aproveitado para o futuro, mas "muito redimensionado", ou seja, não se aproveita tudo o que lá está, mas aproveita-se alguma coisa].
  • A Câmara diz que a obra respeita as especificações mandadas pela Igreja. Isso é importante, mas carece de algumas explicações. As especificações eram para a obra toda, ou incluíam a pala, que tudo indica ser a parte mais dispendiosa? Seria possível fazer uma obra respeitando as mesmas especificações, mas mais barato?
  • Uma das especificações que imagino que tenha sido colocada pela Igreja tem a ver com a dimensão do palco. O palco tem de ser alto, para poder ser visto do recinto todo, mas tem de ter aquele tamanho? Ao que consta, o tamanho deve-se ao facto de terem de lá caber todos os bispos esperados. Confirma-se? E não podem os senhores bispos, ou a maior parte deles, ficar uns metros mais abaixo e assim o palco não ter de ser tão grande? É só uma ideia. [Segundo um comunicado feito quarta-feira pela fundação JMJ, o palco tem de suportar 2000 pessoas, mil das quais são bispos. Penso que é legítimo perguntar se seria mesmo necessário os mil bispos estarem no palco? É que certamente permitiria fazer uma obra de uma dimensão muito mais reduzida].
  • Não obstante tudo o que foi dito acima, 4,2 milhões de euros é uma autêntica barbaridade. Claro que eu, como 99% das pessoas que comentam este assunto, não sabia nada sobre palcos e preços de palcos até hoje. Por isso, antes de comentar falei com quem sabe. A opinião dessas pessoas é de que seria possível fazer melhor (no sentido de mais bonito) por muito, muito menos. Foi-me dito ainda que nem este arquitecto, que é funcionário da Câmara, seria o mais adequado para desenhar este tipo de obra, nem a Mota Engil é a empresa mais adequada para a construir. [A Câmara diz que consultou sete empresas e optou pela mais barata. Seria interessante saber quais as outras empresas e se foi consultada alguma empresa especializada em fabricar palcos.]
  • Há uma outra questão que carece de resposta. Num evento que beneficiou de quatro anos de planeamento, porque é que se esperou até tão tarde para avançar com o projecto e adjudicação da obra do palco? Talvez haja razões legítimas. Se calhar não se podia avançar sem ter uma vaga ideia do número de participantes, mas a verdade é que desde o início que se fala de cerca de um milhão. Isto devia ser explicado também, porque a pressa em concluir a obra e a falta de concurso público podem também ter contribuído para o alto preço

Não me parece que estas questões sejam de impossível resposta. A Câmara tem feito algum esforço para vir esclarecer, mas parece-me que há mais para se explicar. A Igreja tem estado em silêncio, o que é mais difícil de compreender, mas deve-se pôr a hipótese de a Igreja não ter dados à mão para vir prestar esclarecimentos, uma vez que o projecto é da Câmara e a despesa é da Câmara. Em todo o caso, politicamente, o silêncio está a tornar-se pesado e convém que alguém diga, rapidamente, alguma coisa em nome da organização da JMJ. [Entretanto surgiu o comunicado da fundação JMJ, acima mencionado e na quinta-feira o D. Américo fez uma longa conferência de imprensa sobre o assunto].

Fica o desafio para todos os que lêem este artigo para contribuírem para estes esclarecimentos, mas com opiniões fundados e factos, porque os achismos não acrescentam nada nesta fase.

Wednesday, 30 January 2019

Asia BeFree

A grande notícia dos últimos dois dias é a libertação final (?) de Asia Bibi no Paquistão, depois de o Supremo Tribunal daquele país ter rejeitado o recurso à sua absolvição.

Marcelo Rebelo de Sousa condecorou ontem o cónego João Seabra. Uma distinção merecida para uma das mentes mais brilhantes da Igreja portuguesa.



Se pensa que o latim é uma reserva de conservadores e tradicionalistas elitistas, então pense de novo. Respondendo a um artigo prévio de David Warren, o professor de latim Daniel Gallagher desmistifica aquela que é ainda a língua oficial da Igreja Católica,de forma bem-disposta e muito interessante. A ler!

Por hoje é tudo, estarei de folga agora uns dias e volto na segunda-feira, se Deus quiser!
Cumprimentos a todos,
Filipe


Monday, 28 January 2019

JMJ - It's coming home

Por força das circunstâncias, estive fora vários dias e sem conseguir mandar o mail noutros. Peço desculpa pelo silêncio, sobretudo numa altura tão importante para a Igreja portuguesa, com o anúncio das JMJ de 2022 para Lisboa.

Aqui encontram todos os textos feitos no âmbito das Jornadas do Panamá, mas deixem-me destacar estes, que têm a minha mão:


A directora de informação da Renascença lança um “alerta vermelho ao Estado laico

No avião de volta para Roma o Papa falou do aborto, do celibato, da Venezuela e disse que não devemos ter expectativas exageradas sobre a cimeira dos abusos, marcada para Fevereiro.

No meio disto tudo, uma notícia triste das Filipinas, onde um atentado ontem matou 27 pessoas numa catedral.

Deixo-vos ainda com os últimos dois artigos do The Catholic Thing. Randall Smith escreve sobre o perigo dos “lugares seguros” nas universidades e Robert Royal, no dia da Caminhada pela Vida nos EUA, diz que no meio dos escândalos que se abatem sobre a Igreja, podemo-nos orgulhar de sempre ter mantido erguido o estandarte da causa pró-vida. Leiam e partilhem!

Monday, 9 July 2018

Papa no Panamá

Estou de regresso depois de uns dias de férias, num dia que o Papa Francisco anunciou oficialmente que vai estar presente nas Jornadas Mundiais da Juventude, no Panamá.

Durante esta semana temos a lamentar a morte do cardeal Tauran, que anunciou o Papa Francisco ao mundo.

Também na última semana o Papa evocou o grande sofrimento dos cristãos no Médio Oriente, durante uma cimeira de cristãos orientais que teve lugar em Bari, em Itália.

Um arcebispo australiano foi condenado por encobrir casos de abusos sexuais.

Já há data para a ordenação episcopal de D. José Tolentino. Será no dia 28 de Julho, nos Jerónimos, em Lisboa. O novo arcebispo português falou com a Renascença sobre o duplo desafio que vai abraçar no Vaticano.


Wednesday, 12 July 2017

Nova via para beatos que lêem livros perigosos

Caminho aberto para beatificação?
O Papa criou ontem uma nova categoria para processos de beatificação. É uma novidade interessante que vem clarificar a distinção entre quem dá a vida como mártir e quem a dá por amor ao próximo.

O mesmo Papa escreveu o prefácio para a Bíblia Jovem YouCat, advertindo que a Bíblia é um livro extremamente perigoso. Pode ler o texto completo do Papa aqui.

Um ano depois de terem ido à Polónia para participar nas JMJ, um grupo de portugueses recebeu os seus amigos polacos no santuário de Nossa Senhora das Dores, na Guarda.

Wednesday, 1 June 2016

500 anos de Reforma e 40 de EJNS

The enemy within...
Porque pelos vistos não tinha ainda inimigos suficientes, o Estado Islâmico declarou guerra a mais um… A televisão.

Hoje os EUA lançaram um aviso de ameaça de terrorismo no Euro 2016 mas também para as Jornadas Mundiais da Juventude. Os especialistas desdramatizam…

Foram hoje divulgados mais alguns detalhes sobre a comemoração conjunta entre católicos e protestantes que terá lugar em Outubro deste ano, no início dos 500 anos da Reforma protestante.

Novo artigo do The Catholic Thing no blogue, esta quarta-feira. Robert Royal, o fundador do site, acabou de ler o livro “Deus ou Nada” do Cardeal Sarah e questiona um mundo ocidental que se revolta com a morte de crianças na Síria mas ignora os 13 milhões de abortos cometidos na China todos os anos, entre outras tragédias.

Por fim, um lembrete para todos os que, como eu, fizeram parte das Equipas de Jovens de Nossa Senhora. Há arraial no sábado para comemorar os 40 anos do movimento. Não deixem de aparecer, sobretudo os mais antigos, que vai certamente valer a pena. Inscrições aqui.

Errata: Por erro, escrevi muçulmanos em vez de protestantes na notícia dos 500 anos da reforma. Freud explicaria  Sorry. 

Thursday, 26 November 2015

Vocação não = canonização

Papa Frank - Rock Star
No dia em que o novo governo tomou posse, D. Manuel Clemente não quis fazer comentários políticos mas disse que está disponível para ajudar a trabalhar pelo bem comum.

Já o Papa esteve em África onde falou da importância do diálogo inter-religioso para um “mundo ferido por conflitos”.

Mais tarde Francisco esteve com religiosos e religiosas. O Papa deixou de lado o seu discurso escrito e improvisou, dizendo que o chamamento não é o mesmo que a canonização. Tenho no blogue uma transcrição do discurso, feito na hora, pelo que terá alguns erros e falhas mas permite perceber o essencial do que Francisco quis dizer.

Logo a seguir o Papa foi à sede da ONU em Nairobi e falou sobretudo da questão ecológica, deixando algumas palavras fortes também.


As jornadas mundiais da Juventude vão ser em Cracóvia, como já se sabia, e esperam-se mais de dois milhões de jovens! Já estão confirmados sete mil portugueses.

O artigo desta semana do The Catholic Thing trata de uma praga do nosso tempo.Chama-se pornografia, está por todo o lado, e fere a dignidade de quem aparece,de quem produz e de quem usa.

Wednesday, 7 August 2013

Pérolas a Porcos

Pe. Mark A. Pilon
Recentemente na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, o Papa Francisco encorajou os jovens católicos a “ir pelo mundo inteiro criar confusão!”. Disse que queria sacudir a Igreja. Claro que ele quer criar confusão através da proclamação não adulterada do Evangelho de Jesus Cristo. A revolução que o Papa pede é uma revolução espiritual, um movimento contracultura para combater o materialismo e a secularização.

Infelizmente, este pontificado vibrante já está a enfrentar problemas. Por isso eu também quero criar alguma confusão e sugerir que estas entrevistas espontâneas com a imprensa talvez não sejam a forma mais adequada do Papa abordar o mundo. Na verdade, penso que ele devia usar uma estratégia de Bento XVI, mas falarei disso adiante.

Por exemplo, na sua viagem de regresso o Papa teve uma longa conversa com os jornalistas, na qual expôs, muito resumidamente, a sua posição sobre o problema da homossexualidade e dos padres homossexuais.

O Papa não disse nada de novo nem diferente do que os seus antecessores têm dito sobre a questão. Distingue claramente entre orientação sexual e actos homossexuais, falou de confissão e arrependimento e repetiu o ensinamento da Igreja de que os homossexuais não devem ser marginalizados por causa da sua orientação sexual. Nada disto é revolucionário.

Mas a imprensa focou uma única frase, “Quem sou eu para os julgar?”. Lido no contexto do que o Papa disse nesta entrevista, ou noutros lados, por diversas vezes, isto não tem nada de novo ou de surpreendente.

A imprensa, contudo, em larga medida e sobretudo nos Estados Unidos, optou por interpretar a afirmação não no contexto do resto do seu discurso, mas no contexto da moralidade relativista da nossa sociedade.

No mundo contemporâneo não julgar as pessoas é entendido como não julgar as suas acções e a imprensa leu isto como uma abertura por parte da Igreja para reconsiderar a condenação moral das relações e actividades homossexuais. Não interessa o que o Papa disse antes ou depois desta afirmação; a imprensa optou por apresentá-lo como abrindo as portas a uma nova atitude moral.

Este é o perigo de entrevistas espontâneas nos nossos dias. O que interessa mesmo à imprensa são apenas “sound bites” e controvérsia. Assuntos complexos como a homossexualidade e homossexuais no sacerdócio não podem ser discutidos com a imprensa desta forma sem ter de estar constantemente a corrigir as suas más interpretações e sensacionalismo.

No geral a imprensa não se interessa pela Igreja nem pela sua verdadeira missão, mas apenas quer saber dos escândalos e controvérsias que envolvem os assuntos quentes da cultura contemporânea e como a Igreja se encaixa nos mesmos.

Ninguém que tenha seguido este Papa e compreenda a sua profunda fé e o peso dos ensinamentos da Igreja e da tradição na sua abordagem a qualquer um destes temas quentes acredita que ele vai fazer alterações substanciais.

Mas a maioria dos jornalistas está-se nas tintas para a Igreja e mais ainda para o carácter vinculativo dos seus ensinamentos morais no que diz respeito à sexualidade e o carácter definitivo dos seus ensinamentos sobre questões como a ordenação das mulheres. Quando o Papa afirma, nesta entrevista, que a ordenação das mulheres é um assunto excluído de forma “definitiva”, isso quer dizer “absoluta”.

Mas eles não compreendem o sentido de definitivo ou de absoluto. Nada os vai impedir de continuar a insistir em qualquer tipo de mudança.



Quando o Papa falou de homossexuais a procurar o perdão dos pecados, isso quer dizer que ele considera definitivamente que os actos homossexuais são pecado sério, mas duvido que os jornalistas o tenham compreendido. Eles concentraram-se na citação de que ele não seria o seu juiz (final?), o que pode ser entendido de muitas formas, mas não quer dizer que não julgue que os seus actos são gravemente desordenados e pecaminosos.

Também não nos diz nada acerca da sua posição sobre os homossexuais no sacerdócio. Será que difere em relação a Bento XVI sobre se os homossexuais devem ser admitidos aos seminários, ou estava apenas a falar de homossexuais que já são sacerdotes?

Não creio que o Papa Bento tenha pedido alguma vez que tais padres sejam removidos do sacerdócio desde que não sejam homossexuais praticantes nem discordem dos ensinamentos da Igreja sobre actos homossexuais. O Papa Francisco estava a responder a uma pergunta sobre o alegado lobby gay. Se um padre começa a fazer lobbying para mudar as regras de forma a justificar o seu comportamento, duvido que o Papa deixe de o julgar.

Da mesma forma, estou certo de que o Papa, um prelado que viveu no mundo, possa ser ingénuo sobre os problemas que coloca ter este tipo de indivíduos nos seminários. Um homossexual casto provavelmente não seria o tipo de homem que vai a público divulgar a sua condição como se fosse uma medalha. Mas homens desses têm uma agenda e quando os seminários toleraram esse tipo de conduta ao longo do último século, rapidamente se tornaram bastiões de activistas homossexuais.

Desconfio que o Papa sabe isto e a sua opinião sobre o assunto não será diferente da de Bento XVI. Nenhum dos dois Papas quer uma repetição dessa situação. Por isso quando perguntou quem era ele para julgar, estava da possibilidade de aproximação a Deus de qualquer homem que procura viver uma vida casta. Ele não diz que isso é impossível para um homem com tendências homossexuais, mas dificilmente diria o mesmo para um activista homossexual.

Na nossa cultura demasiado sexualizada e relativista, é sem dúvida mais difícil para qualquer homem abraçar uma vida de castidade, mas muito mais um homossexual a viver sempre no meio de outros homens, como num seminário ou numa casa paroquial.

Este tipo de assunto não é, certamente, adequado para entrevistas espontâneas. Esperemos que o Papa reformule a sua generosidade natural e abertura ao diálogo. E aqui deixo uma alternativa positiva: porque não seguir o exemplo de Bento XVI e conceder entrevistas longas a um entrevistador educado e inteligente, para serem publicadas em forma de livro?

Ajudaria a evitar interpretações erradas, mas é apenas uma sugestão de um velho criador de confusões.


O padre Mark A. Pilon, sacerdote da Diocese de Arlington, Virginia, é doutorado em Teologia Sagrada pela Universidade de Santa Croce, em Roma. Foi professor de Teologia Sistemática no Seminário de Mount St. Mary e colaborou com a revista Triumph. É ainda professor aposentado e convidado no Notre Dame Graduate School of Christendom College. Escreve regularmente em littlemoretracts.wordpress.com

(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 1 de Agosto de 2013 em The Catholic Thing)

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Tuesday, 30 July 2013

Uma volta de 360º na questão da homossexualidade

Apesar de, na minha opinião, não ter sido o mais interessante, da entrevista que Francisco deu ontem no avião a esmagadora maioria concentrou-se no que o Papa disse sobre os homossexuais. Toda a gente citou a seguinte frase: “Se um homossexual está à procura de Deus, de forma bem-intencionada, quem sou eu para o julgar?”.

Será que isto representa uma alteração ao discurso da Igreja sobre a homossexualidade? De forma sintética… não. O que o Papa disse, basicamente, é o que a Igreja tem dito sobre os homossexuais ao longo das últimas décadas. Que o homossexual enquanto tal não deve ser perseguido, nem hostilizado, mas que as práticas homossexuais não são aceitáveis do ponto de vista moral.

Neste sentido o Papa não disse nada de novo. Contudo, penso que isto merece algumas reflexões:

1º O problema do costume da imprensa, sobretudo da imprensa secular e em larga medida ignorante acerca de temas religiosos. Vimos isso recentemente com a palhaçada das confissões via twitter. Agora é o Papa que revolucionou a posição da Igreja sobre a homossexualidade. É triste, mas não é nada de novo.

2º Se esta sempre foi a posição da Igreja, como definida no Catecismo, então porque é que toda a gente ficou tão surpreendida e, sobretudo, porque é que os que normalmente atiram pedras à Igreja ficaram tão contentes? Por um lado, porque muitos vão na conversa da imprensa e pensam que o Papa acabou de dizer que homossexualidade e heterossexualidade é tudo igual ao litro. Mas por outro lado porque ainda há muita gente que pensa que a atitude defendida pela Igreja para lidar com os homossexuais é a prisão, o insulto ou a câmara de gás. E isto é um problema. Persiste por manifesta falta de interesse da parte dos defensores da normalização da homossexualidade em aprofundar os seus conhecimentos, mas também porque muitos católicos continuam a falar de homossexuais e de homossexualidade como se fossem sinónimos e como se os homossexuais são todos iguais, pensam da mesma forma e agem da mesma forma, o que evidentemente não é verdade.

3º A reacção de muitos católicos agora tem sido de revolta com a imprensa por estar a destacar o que o Papa disse no avião, apesar de não constituir novidade. Mas vamos ter calma. Sei que estamos habituados a jogar à defesa, mas será assim tão mau que, talvez pela primeira vez, a verdadeira posição da Igreja esteja a ser apresentada pelos meios de comunicação social? Há algumas deturpações, sim, mas não duvido que muita gente esteja agora a pensar que, afinal, a Igreja não é a promotora de ódio contra os gays que sempre tinham pensado que era. Isso será mau? Queremos contradizê-lo? Claro que devemos continuar a apontar para o Catecismo e explicar que não há aqui qualquer novidade, mas de resto, deixemos que as pessoas se aproximem, apesar de tardiamente, da verdadeira posição da Igreja sobre este assunto.

Por fim, há de facto uma área em que as palavras do Papa podem representar uma alteração, mas tem passado ao lado da maioria dos comentadores e jornalistas. Ao que parece, a pergunta que foi feita ao Papa era sobre padres homossexuais. A questão está em saber se a resposta versava especificamente o caso dos sacerdotes, ou se estava a falar de homossexuais em geral.

Porquê? Porque há vários anos a Igreja proibiu, formalmente, a ordenação de homens com tendências homossexuais fortemente enraizadas. Isto quer dizer que, se um formador no seminário descobre que um candidato é homossexual, não o devia ordenar. Não implica que qualquer padre homossexual seja expulso do sacerdócio, só por sê-lo.

Estaria o Papa a insinuar que esta política deve ser alterada? A frase: “Se um homossexual está à procura de Deus, de forma bem-intencionada, quem sou eu para o julgar?”, pode, de facto ser lida assim. Mas este é um assunto que deve ser aprofundado e esclarecido, porque penso que a frase em si, mesmo no contexto, não chega para confirmar essa versão e, na verdade, duvido que assim seja.


Adenda: Publico aqui um excerto de uma entrevista ao vaticanista John Allen Jr. que explica muito bem o contexto dos comentários do Papa

Entrevistadora: What specifically was the question that Pope Francis was answering there?

Allen: In this particular case, one of our colleagues asked the pope a question about the so-called gay lobby in the Vatican. He was asked if he believes there is a gay lobby in the Vatican. His first response was to say he doesn't really believe there is, and if there is, he's never seen their ID card.

Entrevistadora: Making a bit of a joke.

Allen: But beyond that, he then engaged the substance of the question by saying if such a thing were to exist, his problem would be with the lobby. His problem would not be with the gay persons, and that lead him to the soundbite that you just quoted, that when he meets a gay person, his instinctive response is who am I to judge them.

Entrevistadora: And is the implication specifically here about gays in the priesthood then?

Allen: Well, the question had to do with the gay lobby in the Vatican, which would refer specifically to people who work in the Vatican, primarily priests. But the sense we had from the pope's response is that he was speaking more generally about his attitude towards gay persons, whether they're priests or ordinary laity.

Entrevistadora: When you heard those words coming from his lips, what was the reaction among the folks on that plane?

Allen: Well, at one level it is quite familiar. I mean the Catholic Church's official teaching on homosexuality says that homosexual persons are to be treated with what the catechism describes as respect, compassion and sensitivity. However, my suspicion is that most gays and lesbians around the world, when they hear the Catholic Church speak, they often probably do not hear that respect and sensitivity.

What they probably hear more often is what they perceive at least to be judgment. So to hear a pope saying I do not judge you is quite remarkable. But what we should say, that this was not a policy speech and the pope is not unveiling any new edict today. And this is characteristic of what Francis has done during the first four and a half months. At the level of substance - that is, concrete acts of governance - he hasn't done a great deal.


What he's been doing instead is at the level of style and tonality trying to induce people to take a new, more sympathetic look at the Catholic Church. And at level, certainly judging by the crowds and the popular reaction in Brazil during the week that Francis was on the ground, you would have to say that he's done relatively well.

Monday, 29 July 2013

Ninguém dorme no avião papal!

Aura Miguel no avião do Papa
Pensavam que com o fim da Jornada Mundial da Juventude, acabavam as notícias do Papa por uns dias? Enganaram-se! Francisco decidiu fazer uma sessão de perguntas e respostas de cerca de 80 minutos a bordo do avião.

Ficamos então a saber quê o Papa quer mais mulheres em posições de liderança na Igreja, mas diz que a posição da Igreja sobre o assunto é definitiva.

Francisco ainda não sabe o que vai fazer em relação ao Banco do Vaticano.


Por fim, o Papa também falou sobre a questão da segurança e deixou bem claro que não tem medo do que lhe possa acontecer.

Como imaginam, este é um momento único na carreira de um vaticanista. Aura Miguel conta aqui como tudo se passou.

Entretanto, sim, a Jornada Mundial da Juventude acabou ontem. Tem toda a informação no site da Renascença. A próxima jornada será em Cracóvia.

Dos seus discursos neste último fim-de-semana no Brasil destaco o convite aos jovens para acreditarem no casamento. Esta foi uma das passagens destacadas no meu último artigo de opinião sobre esta viagem, uma viagem que foi bem mais do que cachaça e feijão!

Friday, 26 July 2013

Papa, reclusos e avós

Filipe Teixeira, o português que almoçou com o Papa
Filipe Teixeira é um português de 29 anos que esta tarde esteve à mesa com o Papa para almoçar. Falou-se de muita coisa, incluindo de Portugal. Filipe Teixeira explica tudo aqui.


Ainda ontem o Papa esteve com os jovens em festa na Praia de Copacabana. Foi recebido em êxtase, beijou muitos bebés e até parou para beber “mate”, um chá típico da Argentina. A fé dos jovens, disse o Papa, foi mais forte que o mau tempo.



Dezenas de mortos no Paquistão, em mais um ataque aos xiitas.

E más notícias da Síria, foram detidos três suspeitos do rapto de dois bispos de Alepo. Dos bispos, não há notícia e aumentam as suspeitas de que terão sido assassinados.

Thursday, 25 July 2013

Papa aos "palavrões" na favela

"É só estender a mão para tocar no Papa
mas vou tirar uma fotografia"
Esta tarde Francisco visitou a Favela da Varginha, no Rio de Janeiro. A recepção foi fenomenal e entre café e “feijão com água”, só faltou cachaça porque o Papa não quis. Na notícia podem ver a reportagem em vídeo.

No seu discurso aos habitantes da favela o Papa sublinhou a importância da solidariedade. Uma palavra que, segundo Francisco, às vezes mais parece um palavrão.

Ao longo destes dias da visita do Papa ao Rio de Janeiro foi-me pedido para fazer alguns textos de opinião. A primeira, feita após a sua chegada, fala da curiosa expressão “o que vai ser de nós se não cuidarmos dos nossos olhos” e a segunda aborda a questão do Deus das surpresas, como Francisco o descreveu no Santuário de Aparecida.

Esta noite ainda há programa, com o Papa a participar numa festa com os jovens em Copacabana. O começo está marcado para as 22h e, já sabe, pode seguir as imagens em directo no site da Renascença, ou ouvir a transmissão na rádio.

Mas nem tudo são Jornadas. Por cá houve encontro da Pastoral da Liturgia e as conclusões são claras: Menos espectáculos na missa, se faz favor.

Wednesday, 17 July 2013

Idosos, doentes, nascituros e outras obras primas

Papa Francisco na praia
Hoje certamente não vos passaram despercebidas as dezenas de manchetes a informar que o Papa ia “perdoar os pecados através do Twitter”. Pois é, o Papa Francisco surpreende, mas não a esse ponto. Claro que a notícia é absurda. Está tudo explicado aqui.

Entretanto o Papa avisou que não quer andar num carro blindado quando estiver no Rio de Janeiro, isto enquanto os escultores de areia se apressam a fazer homenagens ao Pontífice.

O Reino Unido está imerso numa discussão sobre os cuidados paliativos e eutanásia e a Irlanda acabou de aprovar o aborto em casos de “perigo de vida” para a mãe (que pode incluir o perigo de suicídio…). É nesse contexto que o Papa escreve aos católicos ingleses a dizer que mesmo os idosos, doentes e nascituros são “obras-primas de Deus”. Amen!

Friday, 12 July 2013

Bombas em Birmingham sim, Kosher em Cracóvia não

Amigos, o tipo que foi pendurado da Cruz que vocês
têm por cima da porta do Parlamento... comia Kosher.
I'm just saying...
O Papa viaja dentro de seis dias para o Brasil e já avisou a Alitalia que não quer luxos no avião. Os luxos para este tipo de viagem costumam incluir uma cama para o Pontífice.

Enquanto não parte, Francisco continua a apertar com a burocracia do Vaticano. Ontem fez questão de marcar presença numa reunião do Banco do Vaticano, para demonstrar a sua preocupação pelo assunto e hoje a Santa Sé anunciou o congelamento dos bens de um membro da cúria que foi detido a semana passada por alegada lavagem de dinheiro.


Houve um ataque a uma mesquita esta tarde. Bagdade? Paquistão? Síria? Não. Birmingham. Ninguém ficou ferido, mas as autoridades estão a tratar o caso como um incidente terrorista.

Entretanto, na Polónia, judeus e muçulmanos vão ter de se tornar vegetarianos, ou então pagar mais caro para comer carne importada, isto porque o Parlamento decidiu que a liberdade religiosa destas duas comunidades vale menos que a agenda do politicamente correcto.

Tuesday, 13 December 2011

Canadianas de Burqa e a idolatria do lucro

Os bispos portugueses pedem o fim da “idolatria do lucro” e apresentam os pilares para ultrapassar a crise. Da nota pastoral que foi hoje divulgada, destaco a seguinte frase: “O que alguns detêm em vez dos outros é o que precisamente têm para os outros, pois toda a propriedade tem dimensão social. Nada obtemos inteiramente sós, de nada fruímos legitimamente sós.”


O Canadá tomou a decisão polémica de proibir o uso de véus islâmicos que tapem a cara durante as cerimónias de naturalização. Há quem fale em atropelo à liberdade religiosa.

A julgar pela cobertura mediática, pode-se pensar que só na Igreja Católica é que há escândalos de abusos sexuais. Infelizmente esta triste realidade não conhece fronteiras religiosas, como se veio a provar numa comunidade de judeus ultra-ortodoxos em Nova Iorque.

Numa notícia mais festiva, vem aí novo concerto de Natal do coro composto por jovens de vários movimentos católicos. Informação aqui!

Entretanto, nos últimos dias, surgiram algumas notícias interessantes, a começar com a nomeação do Padre Tolentino Mendonça para consultor do Conselho Pontifício para a Cultura passando pela confirmação de que o Papa vai mesmo ao México e a Cuba na Primavera e finalmente a notícia da morte do Cardeal Foley, que durante os seus tempos na Curia Romana era conhecido como “o homem mais simpático do Vaticano” e tratado amigavelmente por “His Foleyness”.

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