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Wednesday, 28 June 2023

Medo e Destemor

Pe Paul Scalia

Não temas ninguém… não temais… teme… não temais (vide Mateus 10, 26-33)

Nosso Senhor parece estar a dizer coisas contraditórias. Ao longo destes oito versículos ele ordena-nos três vezes a não ter medo e uma vez a temer. Ora, esta aparente confusão está em linha com o resto da Escritura. Uma das expressões mais comuns da Bíblia é “Não temais”. Mas também é muito frequente a exortação de temer o Senhor. O salmista, por exemplo, faz este curioso convite: “Vinde, meus filhos, escutai-me: vou ensinar-vos o temor do Senhor” (Salmo 34, 12). Como é que devemos entender isto, então?

O medo é uma realidade inescapável para nós, porque somos seres contingentes. Tememos porque sentimos aquela profunda verdade de que a nossa existência depende de terceiros. Mesmo o individualista mais empedernido não causou a sua própria existência, nem sustenta o seu ser. A nossa existência depende de algo exterior a nós. A possibilidade de podermos ser separados dessa fonte produz temor, bom ou mau. Mas teremos sempre temor a algo.

Comecemos com o temor bom. “Temei antes aquele que pode fazer perecer na Geena o corpo e a alma.” Aqui Jesus está a falar de temor ao Senhor, do único que pode dar vida e tirá-la. Não estamos a falar aqui de horror ou medo do Senhor, como se Deus nos quisesse simplesmente castigar. Estamos a falar do medo de contrariar e ser separados daquele que sustém o nosso ser. É a atitude do filho nos braços do seu pai, que não pensa sequer rebelar-se contra aquele que o mantém em segurança.

Este temor é, antes de mais, um reconhecimento da transcendência e omnipotência de Deus. Ele é Deus, eu não sou. Todo o crescimento espiritual e toda a vida cristã radica nesta verdade. Assim, “o temor ao Senhor é o princípio da sabedoria” (Provérbios 9,10). É o humilde reconhecimento de não sermos nada que nos abre à graça de Deus. É por isso que o Temor a Deus é considerado o primeiro dos Dons do Espírito Santo. Sem esta disposição e atitude, consideramo-nos autossuficientes e fechamo-nos à sua graça. 

Quando nos esquecemos desta verdade – Ele é Deus; eu não – tornamo-lo supérfluo para nós. Bom de ter por perto, mas não absolutamente necessário. Torna-se apenas mais uma pessoa na nossa vida ou, pior, um talismã que usamos quando nos dá jeito. Infelizmente, a nossa sociedade domesticou Deus de tal maneira que muitos católicos O tratam assim, alguém que está à nossa disposição para nos confortar e, claro, afirmar. O temor a Deus livra-nos de tal irreverência, impede-nos de usar Deus como um meio para um fim.

Mais importante, este temor é a reverência por Deus enquanto Pai. Notem como nesta passagem Jesus nos exorta a temer, enquanto fala também da forma como Deus cuida de nós e nos sustenta. O temor a Deus é, no final de contas, o medo de ofender a Deus porque Ele nos ama. Ajuda-nos a não pecar, não tanto por medo de sermos castigados (embora essa também não seja uma motivação má), mas por causa do amor. É o medo de o nosso pecado afectar a nossa relação com o Amor.

Ao contrário do que a mente moderna possa pensar, o Temor ao Senhor conduz à liberdade. O que nos escraviza são as coisas erradas: a pobreza, a humilhação, a fraqueza, solidão, etc. O medo dessas coisas menores é que nos conduz ao pecado, ou à tentação de controlar a situação, para evitar o sofrimento. Daí é que vem a velha noção de que o Medo é o principal activador das nossas falhas. Falsos medos levam-nos a tentar obter o controlo da situação, o que nos conduz à escravidão das nossas próprias vontades.

Mais – e mais uma vez, ao contrário do que se poderia pensar – este temor a Deus enquanto Pai todo poderoso é a base necessária para a confiança. Afinal de contas, não confiamos naquilo que nos parece ser fraco. Se o seu poder não inspira temor, então não é de confiança. É precisamente porque Ele é suficientemente poderoso para ser temido que podemos confiar nele. Mais importante, o seu poder e a sua força estão ao serviço de nós, os seus filhos.

Por fim, o Temor ao Senhor torna-nos destemidos, o que explica a aparente contradição no Evangelho. O Temor a Deus coloca tudo o resto em perspectiva. Se estamos ancorados no Temor a Deus – sabendo que ele é um Deus todo poderoso e um Pai que nos ama – então nada mais temos a temer. Ou, nas palavras de Raniero Cantalamessa, “Teme Deus e não temais”. Perseguição, humilhação, pobreza, doença, até a morte – na medida em que nos agarramos ao nosso Pai no céu, não devemos temer nenhuma destas coisas.

Este é o segredo dos mártires, e é por isso que o Senhor contrasta estes medos com a exortação ao testemunho e ao martírio. O mártire triunfa sobre a perseguição e o sofrimento, não por causa da sua própria força, mas porque o Temor a Deus o permite manter-se firme naquele que o pode salvar da morte. E é escutado por causa do seu temor divino (ver Hebreus 5,7).

E tu, o que temes? Esta é uma consideração premente. As coisas parecem estar cada vez piores, e há muitas razões para ter medo. Mas se tivermos um correcto temor a Deus, podemos estar seguros na força do Pai, livres de qualquer outro medo.


O Pe. Paul Scalia é sacerdote na diocese de Arlington, pároco da Igreja de Saint James em Falls Church e delegado do bispo para o clero. 

(Publicado pela primeira vez no domingo, 25 de Junho de 2023 em The Catholic Thing

© 2023 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.   

Wednesday, 10 May 2023

A Instrutiva Obscuridade das Escrituras

Quando as pessoas descobrem que eu já fui um seminarista calvinista, a reacção típica é perguntar-me porque é que decidi tornar-me católico. A razão inclui referências a uma doutrina de que a maioria dos católicos – e mesmos os protestantes – nunca ouviu falar: perspicuidade, também conhecida como claridade.

A perspicuidade não é uma das cinco “solas” que compõem as doutrinas centrais da Reforma Protestante: sola scriptura, sola fide, sola gratia, solus Christus, e soli deo gloria. Não obstante, ela foi afirmada por todos os principais pensadores da Reforma, Lutero, Calvino, Zwingli e Cranmer. E, ainda que não seja frequentemente pregada a partir dos púlpitos protestantes, ela é a doutrina que destranca todas as outras doutrinas protestantes, como defendo no meu novo livro “The Obscurity of Scripture”. Passo a explicar.

Pese embora não exista uma definição única sobre a qual todos os protestantes concordam, a perspicuidade significa, de forma geral, que a Bíblia é clara. Alguns defendem que a Bíblia é clara no que diz respeito às “verdades essenciais da fé cristã”, outros que é clara no que diz respeito ao Evangelho e outros ainda que é clara em todo o seu conteúdo.

Em todo o caso, a definição mais comum de perspicuidade é aquela que se lê na Confissão de Fé de Westminster, um documento dos presbiterianos ingleses, publicado em 1647, onde se lê:

Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas.

Por outras palavras, a Bíblia é clara pelo menos no que diz respeito ao que é necessário para a salvação. A primeira vez que encontrei esta doutrina foi na universidade, quando estava a ler as obras do pensador reformado R.C. Sproul. A ideia fez imediatamente sentido para mim: se nós, protestantes, acreditamos que a Escritura é a única medida infalível da fé, então claro que deve haver algum princípio que o torna acessível ao cristão individual. De outra forma regressaríamos ao paradigma em que precisaríamos de recorrer a alguma autoridade externa. Mas não era precisamente isso que a primeira geração da reforma estava a repudiar na sua revolta contra Roma?

Mas havia um dilema: os protestantes discordam sobre quase tudo, incluindo aquilo que é necessário para a salvação. É verdade que isto pode parecer um problema fácil de resolver, mas algumas interpretações protestantes parecem contradizer não só o pensamento dos primeiros reformistas, como até mesmo o direito natural. O meu curso sobre as Epístolas de São Paulo, por exemplo, incluía um livro com interpretações pró-LGBTQ, o que me pareceu altamente improvável.

Mas outros debates entre protestantes eram um pouco mais complicados. Nos meus estudos religiosos na Universidade de Virgínia, e depois no seminário calvinista, aprendi sobre algo chamado “Nova Perspectiva sobre Paulo” (NPP), cujos defensores questionavam (se é que não atacavam abertamente) a doutrina de sola fide como não sendo bíblica. Enquanto defensor da sola fide, eu não gostava da NPP, mas este não era um qualquer movimento académico politizado que pudesse ser facilmente descartado. Mesmo o bispo N.T. Wright, um bispo anglicano e bastião da ortodoxia em assuntos como a veracidade da ressurreição, estava no campo da NPP.

Tentei chegar ao fundo da questão sobre a NPP, li livros a favor e contra, tentei aprender grego bíblico para poder interpretar sozinho as cartas de Paulo, e passei literalmente anos a tentar adquirir a certeza completa de que os defensores da NPP estão errados.

Mas quando cheguei ao verão de 2010 estava num impasse. Não estava mais próximo de determinar se os académicos da NPP estavam certos ou errados sobre São Paulo (e por extensão sobre a sola fide e todo o projecto da Reforma Protestante). Os académicos de ambos os lados eram mais instruídos do que eu, mais inteligentes do que eu e tinham pensado muito mais a fundo sobre São Paulo do que eu alguma vez poderia.

Foi então que me ocorreu. O ponto do protestantismo não era de que as verdades bíblicas essenciais, aquelas que dizem respeito à salvação, são claras, até para os cristãos menos instruídos, desde que as abordem como humildade e procurem a ajuda do Espírito Santo? Mas aqui estava eu, imerso num debate cultural, histórico e arqueológico sofisticado, para não falar da tentativa de compreender o vernáculo para compreender uma Bíblia supostamente “clara”.

E isto era só a ponta do icebergue. Os calvinistas discordam sobre se os bebés devem ser baptizados (os presbiterianos dizem que sim, os baptistas reformados que não). Lutero e Zwingli tiveram uma discussão muito pública (e muito feia) sobre o significado da Eucaristia no Colóquio de Marburgo. O baptismo e a Eucaristia não são também doutrinas essenciais? Segundo algumas tradições cristãs são essenciais para a salvação.

Foi então que, para mim, o protestantismo colapsou enquanto sistema coerente e intelectualmente defensável. Claramente a Bíblia não é clara sobre aquilo que é necessário para a salvação. Os protestantes não estão apenas em desacordo com os católicos sobre estas coisas, estão em desacordo uns com os outros.

Mas sem a perspicuidade, a doutrina que permite ao cristão individual fazer sentido da Bíblia, esse mesmo cristão precisaria de recorrer a alguma autoridade interpretativa. Compreendi então que no seu cerne, o protestantismo é individualista. Estava por minha conta na compreensão do Cristianismo, livre para decidir o que significa e o que constitui o Cristianismo autêntico, mas já não sentia confiança para o fazer. Que mandato é que Cristo me tinha dado a mim, Casey Chalk, de Virginia, para exercer autoridade infalível sobre a interpretação da Bíblia?

Mas sabia que havia uma instituição que reivindicava, de forma pelo menos plausível, essa autoridade. Tratava-se da instituição religiosa em que eu tinha sido formado. Essa instituição, a Igreja Católica, afirmava ter uma autoridade interpretativa extra-bíblica, uma que eu poderia avaliar sem afirmar ser o juiz final do significado da Bíblia.

Nesse mesmo ano estudei essa posição. Em Setembro de 2020 tinha-me decidido a regressar à Igreja da minha infância. A claridade, compreendi eu, não era clara. Mas a Igreja Católica, possuindo aprovação divina – algo em que podemos confiar através daquilo que o Catecismo apelida de “motivos de credibilidade” – podia dizer-me o que a Bíblia significa verdadeiramente. Confiando nos seus motivos de credibilidade, nunca mais olhei para trás.


Casey Chalk escreve para a Crisis MagazineThe American Conservative e a New Oxford ReviewÉ licenciado em história e ensino pela Universidade de Virgínia em tem um mestrado em Teologia da Cristendom College.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no Domingo, 7 de Maio de 2023)

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Wednesday, 1 March 2023

Recomendações para a Quaresma

Stephen P. White

Estou cheio de vontade de viver esta Quaresma. Quando era miúdo costumava temer o início da Quaresma. O desconforto e a inconveniência de ter de aguentar o miserável sacrifício a que me propunha nesse ano – deixando de comer doces, de ver televisão, ou algo do género – eram uma seca. Quando fiz cinco ou seis anos a Quarta-feira de Cinzas calhou nos meus anos. Terrível.

À medida que me tornei mais velho fui percebendo como as disciplinas da Quaresma podem ser edificantes e construtivas. Como disse recentemente a um amigo, já cheguei ao ponto em que até anseio a chegada da Quaresma. Trata-se de uma oportunidade calendarizada para um reforço espiritual. Dá-nos aquela injecção extra de disciplina e de estrutura que só fazem bem ao corpo.

Os pequenos confortos podem tornar-se dependências. E a Igreja, na sua sabedoria, chama-nos a fazer penitência e jejum, não apenas como forma de fortalecer a nossa vontade interior, mas para nos ajudar a livrar-nos dessas dependências. O jejum, afinal de contas, não é simplesmente uma questão de “abdicar” ou mesmo de “redimir” os nossos pecados. Trata-se de nos libertar da dependência de amores concorrentes ou desordenados para podermos ser livres de amar como devemos. E essa liberdade transforma o nosso jejum e penitência de mera obrigação em oportunidade para partilhar do sofrimento de Cristo, que é a nossa esperança.

Desta perspectiva, o sofrimento não é apenas uma coisa a aguentar, mas está associado à esperança. O Papa Bento XVI escreveu sobre a ligação entre o sofrimento e a esperança na sua encíclica Spe Salvi, onde incluiu uma reflexão sobre a prática de “oferecer” pequenas dificuldades. Não estava a escrever especificamente sobre a Quaresma, mas aplica-se perfeitamente:

“Fazia parte de uma forma de devoção – talvez menos praticada hoje, mas não vai ainda há muito tempo que era bastante difundida – a ideia de poder ‘oferecer’ as pequenas canseiras da vida quotidiana, que nos ferem com frequência como alfinetadas mais ou menos incómodas, dando-lhes assim um sentido. (…) Deste modo, também as mesmas pequenas moléstias do dia-a-dia poderiam adquirir um sentido e contribuir para a economia do bem, do amor entre os homens. Deveríamos talvez interrogar-nos se verdadeiramente isto não poderia voltar a ser uma perspectiva sensata também para nós.”

A Quaresma é uma oportunidade – quer ansiemos por ela ou não – de reavivar esta prática para nós mesmos. Como é evidente, a penitência é apenas uma parte da nossa prática quaresmal. A esmola desapega-nos do dinheiro, que pode ser uma coisa particularmente pegajosa, no sentido espiritual, e abre-nos à caridade e ao cuidado pelos outros. A oração, tal como a esmola e a penitência, não é apenas uma prática para a Quaresma, mas encontrar tempo e formas adicionais para rezar durante a Quaresma ajuda a fortalecer a nossa devoção ao longo do resto do ano.

No que toca à oração, existem duas práticas quaresmais que tenho achado particularmente benéficas. Ambas têm a ver com a Escritura. E embora nem uma, nem outra, sejam particularmente novas, cada uma fornece formas de rezar e reflectir sobre a Palavra de Deus de formas que a nossa vida do dia-a-dia – pelo menos no meu caso – não permitem. Ambos nos obrigam a abrandar, o que na vida de passo acelerado que vivemos actualmente é só por si uma forma muito necessária de penitência.

A primeira das sugestões é mesmo muito simples: leiam os Evangelhos. Não estou a dizer para lerem uma passagem dos Evangelhos de tempos a tempos, ou sequer que reflictam sobre o Evangelho do dia (embora estas sejam coisas óptimas, como é evidente). A minha sugestão é que se sentem a ler cada um dos Evangelhos de fio a pavio. Se tiverem tempo para isso, tentem ler cada um dos Evangelhos de uma assentada. O Evangelho de Marcos é o mais curto, por isso talvez queiram começar por aí, mas também podem lê-los pela ordem, a começar por Mateus.

A maioria dos católicos confrontam-se com a Escritura na Missa. Mas raramente lemos o Evangelho como um todo. A leitura completa dos Evangelhos é uma forma maravilhosa de nos encontrarmos com elas de novo, e uma forma excelente de reparar em novos detalhes. Ajuda-nos a notar repetições subtis e alusões no texto. Permite-nos apreciar o contexto de várias passagens, o que ajuda a compreender o todo, e não apenas as partes.

Mãos à obra!
A relativa proximidade, no tempo e no espaço, de várias parábolas e eventos costuma perder-se numa leitura mais esporádica. E sentar-se durante uma ou duas horas com o Evangelho dá uma oportunidade para mergulhar na Palavra de Deus de uma forma que raramente nos permitimos. Para mim tem sido muitíssimo útil.

A segunda sugestão de prática quaresmal é esta: copiar as Escrituras. Estou a ser literal. Peguem num papel e numa caneta e copiem as palavras da Escritura à mão. Escrevam com boa caligrafia e com propósito. Usem uma caneta, e não papel, porque isso obriga-nos a ter mais cuidado e evitar erros indeléveis. Os salmos são um bom ponto de partida, na maior parte podem ser concluídos antes de ficar com cãibras na mão.

A prática de copiar as Escrituras à mão obriga-nos a concentrar-nos em cada uma das palavras. Obriga-nos a desacelerar, o que é especialmente importante em passagens familiares que podem facilmente passar despercebidas. Reparará que nalgumas partes as palavras não são exactamente como se lembrava, ou o que esperava. Reparará, ainda, em mudanças subtis de escolha de palavras, tom e sentido.

O melhor é que, como está a escrever as palavras e não apenas a lê-las em silêncio ou a ouvi-las a serem lidas alto, é mais fácil fixá-las. Não é por acaso que se costumava ensinar a memorização, em parte, pela escrita repetitiva. Escrever as palavras da Escritura é uma forma muito bonita de a aprender de maneira mais íntima.

Com o começo desta Quaresma, já tenho comigo a minha Bíblia e a minha caneta preferida, pronta a usar. Sei muito bem que o entusiasmo costuma ser forte ao início, mas que depois pode escassear. Ainda assim, estou determinado. Sim, estou com vontade de iniciar esta Quaresma. Tal como acontece todos os anos, é exactamente aquilo de que preciso.


Stephen P. White é investigador em Estudos Católicos no Centro de Ética e de Política Pública em Washington.

(Publicado em The Catholic Thing na Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2023)

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Wednesday, 20 July 2022

Ignorar as Escrituras é Ignorar a Cristo

Pe. Jay Scott Newman

Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo. Este juízo severo é feito por São Jerónimo, num comentário a Isaías, quando fala da necessidade de cada cristão ter conhecimento direto e pessoal dos livros inspirados da Bíblia Sagrada. Nessa passagem, Jerónimo insiste que Isaías não é apenas um profeta da Antiga Aliança, mas também um evangelista e apóstolo da Nova Aliança, por causa do papel essencial que desempenha em nos ensinar sobre a missão do messias e a identidade do Verbo encarnado.

Na sua convicção da necessidade de se conhecerem as Escrituras, Jerónimo antecipou a visão de Santo Agostinho de que o Novo Testamento está escondido no Antigo, e que no Novo o Antigo é revelado. Lá se vai o marcionismo, com a sua vontade de descartar as Escrituras judaicas e negar que o Deus de Israel também é nosso Pai. E lá se vão os argumentos daqueles que argumentam que por causa da presença de Cristo nos sacramentos é possível ser um discípulo maturo do Senhor Jesus sem o contacto regular e íntimo com as Sagradas Escrituras, tanto do Antigo como do Novo Testamento.

Na tarde do Domingo de Páscoa o Senhor Jesus Ressuscitado juntou-se no caminho de Jerusalém para Emaús a dois discípulos macambúzios, “mas os olhos deles foram impedidos de o reconhecer” (Lc 24,16). Os dois homens falaram ao desconhecido da sua incompreensão face à morte de Jesus de Nazaré, que eles acreditavam ser “um profeta, poderoso em palavras e em obras diante de Deus e de todo o povo” (Lc 24,19).

Depois de os dois homens reconhecerem que algumas mulheres do seu grupo afirmavam ter visto anjos, nessa mesma manhã, a anunciar que Jesus estava vivo, o Senhor Ressuscitado declarou: “‘Ó gente sem inteligência! Como sois lentos de coração para crerdes em tudo o que anunciaram os profetas! Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse na sua glória?’. E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras” (Lc 24,25-27).

Por fim, depois de se ter juntado aos dois discípulos para comer, “tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lhos. Então, se lhes abriram os olhos e o reconheceram, mas ele desapareceu. Diziam então um para o outro: ‘Não se nos abrasava o coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?’” (Lc 24, 30-32).

Para poder reconhecer o Senhor Ressuscitado no seu incomparável dom da Santíssima Eucaristia, para o poder reconhecer no aflitivo disfarce de pobre e para o poder reconhecer na irmandade de outros cristãos, reunidos para louvar a Deus, primeiro é necessário reconhecê-lo na Página Sagrada, escutar e obedecer à Palavra de Deus na Bíblia, porque “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda a boa obra” (2 Tim 3, 16-17).

São Jerónimo, de Durer, MNAA
Simplesmente não existe qualquer substituto para o conhecimento pessoal e directo da Sagrada Escritura adquirido ao longo de muitos anos de estudo e de oração, e quanto mais profundamente se compreende a Bíblia, mais profundamente podemos conhecer e amar o Senhor Jesus Cristo.

Mas tal experiência da Sagrada Escritura não afecta apenas o discipulado do crente individual, também dá forma a tudo na vida da Igreja, incluindo os seus ensinamentos e o seu louvor. Na Constituição Dogmática sobre Revelação Divina, Dei Verbum, o Concílio Vaticano II ensinou que “a santa mãe Igreja, segundo a fé apostólica, considera como santos e canónicos os livros inteiros do Antigo e do Novo Testamento com todas as suas partes, porque, escritos por inspiração do Espírito Santo, têm Deus por autor, e como tais foram confiados à própria Igreja (#11).

Vemos assim que a Bíblia é recebida e reverenciada como sendo revelação divina, e o mesmo não se pode dizer de qualquer outro texto na Igreja, incluindo livros litúrgicos, orações devocionais e decretos conciliares, sendo por isso mesmo que o Concílio insiste que as Escrituras, juntamente com a Sagrada Tradição, são a “regra suprema da sua fé; elas, com efeito, inspiradas como são por Deus, e exaradas por escrito de uma vez para sempre, continuam a dar-nos imutavelmente a palavra do próprio Deus, e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras dos profetas e dos Apóstolos (#21).

O Cristianismo ou é uma religião revelada, ou é uma religião falsa, e o dom sobrenatural da revelação divina é-nos entregue no Evangelho de Jesus Cristo, que é “uma força vinda de Deus para a salvação de todo o que crê” (Romanos 1,16).

Sim, a proclamação do Evangelho começou antes de os textos do Novo Testamento terem sido escritos, mas as Sagradas Escrituras são um singular e divino dom para a Igreja. “Porque a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus, 4, 12).

E é por isso que cristãos maduros devem conhecer a Bíblia através do estudo e da oração, porque ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo.


Jay Scott Newman, é padre da Diocese de Charleston e pároco da Igreja de Saint Mary’s em Greenville, Carolina do Sul.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Domingo, 17 de Julho de 2022)

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Wednesday, 6 July 2022

“Nulla Scriptura”

Michael Pakaluk

Os católicos conhecem o argumento de que a “sagrada tradição” é necessária como regra de fé juntamente com a Sagrada Escritura. Não é verdade que é preciso a autoridade da Igreja para determinar o que constitui Escritura (o Cânone)? Aqueles que rejeitam a ideia da existência da autoridade da “sucessão apostólica”, que é explicada na tradição (Clemente de Roma, Inácio de Antioquia), afirmam precisamente que não está nas Escrituras.

Logicamente a Escritura não pode determinar o seu próprio Cânone. Mais, a doutrina protestante da “sola scriptura” (só Escritura) é contraditória, pois ela também não está nas Escrituras.

Mas o que podemos dizer da ideia mais provocatória de que a tradição não só é necessária, como devia até ser suficiente, e que a Escritura devia ser desnecessária? Chamemos-lhe “nulla Escritura” (“sem Escritura”).

Esta visão aparece de forma embrionária no tratado do dominicano Melchor Cano, Fontes Teológicas (De Locis Theologicis, Salamanca, 1562). Cano argumenta, e bem, que a Igreja é anterior à Escritura; que o Senhor não escreveu qualquer livro, nem mandou os Apóstolos escrever livros, mas antes que os mandou pregar, e que muitas questões em que os cristãos têm de crer, como a existência de três pessoas numa só natureza, não estão explícitas nas Escrituras.

Depois refere que Paulo e João, nas suas epístolas, referem os ensinamentos que transmitiram oralmente, mas que não foram escritos, acrescentando que São Pedro escreveu duas epístolas, mas sabemos que ele esteve sete anos em Antioquia e outros 25 em Roma:

Devemos então acreditar que ele não ensinou nada por palavras para além daquilo que deixou por escrito nestas duas epístolas? Como é que é possível? E não é verdade que André, Tomé, Bartolomeu e Filipe fundaram igrejas nos lugares para onde foram enviados, e onde permaneceram, na continuidade da nossa fé e da nossa religião, apenas com base nas palavras e sem quaisquer escritos? Reconheçamos então – nem se pode negar – que a doutrina da fé, na sua totalidade, não está resumida ao que está escrito, mas chegou-nos em parte nas palavras que radicam nos apóstolos.” [Ênfase minha]

A frase é mesmo essa, “sem quaisquer escritos”. Essa foi a condição da Igreja primitiva durante pelo menos trinta anos.

Entretanto encontrei esta mesma posição explanada em mais detalhe na maravilhosa série de 90 homilias sobre Mateus de São João Crisóstomo. Começa assim:

O ideal seria nem precisarmos da Palavra escrita, mas exibir uma vida tão pura que a graça do Espírito devia estar antes nas nossas almas do que nos livros, e que tal como estes estão inscritos com tinta, também os nossos corações deviam estar inscritos com o Espírito. Mas uma vez que afastámos de tal maneira de nós esta graça, pelo menos que nos valhamos da segunda hipótese.

O Santo mostra como Deus falou de modo familiar com Noé, Abraão, Job e Moisés, sem escritos. Mais, a Palavra Incarnada não deixou escritos aos Apóstolos, como poderia ter feito, mas antes lhes prometeu e concedeu o Espírito.

Mas então porque é que temos as Escrituras? Pela mesma razão, diz, que Moisés trouxe as tábuas da Lei, por causa da nossa maldade: “uma vez que, passados os anos, naufragámos, uns em relação à doutrina, outros em relação à vida e às maneiras, houve novamente a necessidade de que fossem recordados pela palavra escrita”.

Tudo isto apenas sublinha a importância actual, diz Crisóstomo, de estudar a Escritura: “Reflictam então sobre como é um grande mal para nós, que devemos viver de forma tão pura que nem precisamos de palavras escritas, entregando os nossos corações, como livros, ao Espírito; agora que perdemos essa honra, e temos necessidade delas, voltarmos a falhar em fazer bom proveito até deste segundo remédio”.

E acrescenta, para encorajar ainda mais o seu rebanho: “Se estamos em falha por precisar do auxílio de palavras escritas, e não termos feito descer sobre nós a graça do Espírito, então considerem quão grave será a acusação de optar por não lucrar até com este auxílio, mas antes tratar com desprezo aquilo que está escrito, como se fosse uma obra sem propósito, aleatória, invocando sobre nós um castigo ainda mais duro”.

Tudo isto faz sentido. O Espírito está connosco, tão certo como o Filho estava connosco na Fundação da Igreja. Mas porque é que a Sua presença, que em princípio nos devia bastar, não nos basta na prática?

Não podemos regressar às primeiras décadas da Igreja, mas podemos pensar na vida cristã como estando estratificada. Imaginem, primeiro, que tudo o que está escrito nos era retirado. Não só a Bíblia, mas todos os escritos dos Concílios, isto é, a tradição entretanto escrita. Continuamos com consideráveis riquezas. Tiramos delas o melhor proveito?

O que é que quero dizer com isto? Quero dizer que conhecemos o Credo, as orações mais básicas, o terço. Podemos ir ao sacrário e rezar diante do Senhor. Logo veremos que precisamos de rezar muito mais, para nos tornarmos mais familiares com Deus. E que devemos praticar a mortificação, para criar aberturas para o Espírito.

Temos os exemplos dos santos, cujas vidas conhecemos. Provavelmente temos conhecimento de milagres entre os nossos amigos. Mesmo a existência de bispos, seja qual for a sua santidade, testemunha a realidade da fundação da Igreja. Qualquer padre é um testemunho da instituição da Eucaristia.

E temos os sacramentos.

Tente viver assim no Espírito. Agora acrescente a Escritura e a tradição escrita. Claro que estes estratos não são temporais, nem isoláveis, mas cada um tem por objectivo complementar o outro.

Podemos até argumentar que o conceito de “sola scriptura” apenas poderia parecer uma regra necessária para os reformadores protestantes porque os católicos daquela altura claramente não estavam a viver de forma suficiente a fé “nulla scriptura”.


Michael Pakaluk, é um académico associado a Academia Pontifícia de São Tomás Aquino e professor da Busch School of Business and Economics, da Catholic University of America. Vive em Hyattsville, com a sua mulher Catherine e os seus oito filhos.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quarta-feira, 6 de Julho de 2022)

© 2022 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

 



Wednesday, 8 September 2021

Jordan Peterson e a Busca por uma Vida com Sentido

Christopher Kaczor
O trabalho de Jordan Peterson tem provocado reacções fortes de defensores da ortodoxia woke, mas também reconsideração da sabedoria contida nas histórias da Bíblia por parte de ateus, agnósticos e pessoas que não se identificam com qualquer religião. No nosso livro Jordan Peterson, God, and Christianity: The Search for a Meaningful LifeMatthew Petrusek e eu procuramos mostrar que o método de Peterson de leitura das Escrituras pode ser encontrada mais cedo – e de forma mais rica – em figuras como Agostinho, Gregório Magno e São Tomás de Aquino. Mais, argumentamos que as trajectórias de muitas das linhas de raciocínio de Peterson completam-se no Catolicismo. “O Catolicismo é o expoente máximo da sanidade”, disse Jordan Peterson recentemente num podcast, e nós concordamos.

O Peterson traz consigo influências de psicologia jungiana, literatura russa, teoria evolucionista e as tragédias totalitárias do Século XX, para iluminar os textos bíblicos. Este método ecoa Santo Agostinho, que ensinou em De doctrina christiana que toda a sabedoria secular pode ser usada para interpretar a Escritura, porque todas as verdades, estejam onde estiverem, têm as suas raízes em Deus. Sem o saber, Peterson está a re-apresentar os ensinamentos de São Gregório Magno de que o Antigo Testamento se revela no Novo Testamento, isto é, que o Novo Testamento ilumina o Antigo. Tal como Aquino, Peterson vê a Bíblia como tendo uma riqueza de sentido profunda, que vai muito para além daquilo que qualquer intérprete consegue alcançar só por si.

Neste Quadro, Peterson oferece-nos interpretações marcantes de Adão e Eva, Caim e Abel, a Torre de Babel e o chamamento de Abraão. Para Peterson, estas histórias não são simplesmente sobre figuras antigas num mundo esquecido, mas sobre realidades humanas que continuam a ser tão relevantes hoje como no dia em que primeiro foram escritas.

Um dos pontos mais fortes do pensamento de Peterson é a forma como confronta diretamente o problema da dor, para o qual certamente contribui o terrível sofrimento que ele e a sua família têm suportado. Em 12 Regras para a Vida ele escreve que “A verdade é o antídoto para o sofrimento”. Em Beyond Order diz que o antídoto para o sofrimento é um bem que seja “o maior objectivo possível”. Noutro lado escreve “Não podemos viver sem alguma ligação ao divino – e a beleza é divina – porque sem ela a vida é demasiado curta, demasiado triste e demasiado trágica”. Podemos resumir Peterson dizendo que o antídoto para o sofrimento é a verdade articulada de forma corajosa, o bem do objectivo mais altivo e a experiência da beleza.

Na tradição católica, é Deus que é a verdade, o bom e o belo. Ecoando o pensamento de Diotima, no Simpósio, de Platão, Agostinho ensina que Deus é “a suprema beleza”. Nas suas Confissões, o bispo africano lamenta: “Tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei!”.

Tomás de Aquino argumenta que Deus é o maior objectivo possível, o summum bonum, o bem perfeito que é procurado por aqueles que buscam a felicidade. Ao contrário dos conceitos dualistas sobre a realidade última, tal como “a força” da Guerra das Estrelas, que tem um lado claro e um lado escuro, Tomás afirma que Deus não é composto de forma alguma, e por isso não pode ser em parte bom e em parte mau. Tomás de Aquino afirma ainda que Deus é o maior dos bens, o bem perfeito, bem sem qualquer toque de mal.

E o que dizer da verdade? Aquino define a verdade como a correspondência entre a mente e a realidade. Em contraste, Peterson, inspirado por figuras como William James, tem uma compreensão pragmática da verdade como “o útil”. Isso já nos ajuda, de alguma forma, mas Peterson – pelo menos por enquanto – e outros de tradição junguiana, buscam os benefícios do bem sem o radicar no único lugar em que pode ser verdadeiramente radicado. 

Na Summa contra Gentiles, Aquino fornece mais razões para se crer que a mente de Deus e a realidade de Deus não só correspondem um ao outro como são de facto idênticos. A Mente Divina é a Essência de Deus, e a Essência de Deus é a Mente Divina. Mais, Deus é a Verdade Primordial porque Deus é Causa Primeira de todas as realidades físicas e psicológicas que conhecemos quando compreendemos a verdade. Se o antídoto para o sofrimento é a verdade, o bem e a beleza, então Deus é o antídoto para o sofrimento.

O aforismo de que “A Verdade é o antídoto para o sofrimento” está ligado ainda de outra forma à tradição católica. Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, se não por mim” (João 14,6). Este caminho de Jesus não é apenas uma noção intelectual da verdade. Esta realidade, explorada de forma tão hábil pelo padre David Vincent Meconi no seu maravilhoso livro Christ Alive in Me: Living as a Member of the Mystical Body tem diferentes nomes, como divinização, teósis e deificação. O cristão afirma que somos convidados não só a tornar-nos alunos aplicados de um professor perceptivo, mas filhos adoptivos na Família Divina do Pai, Filho e Espírito Santo.

Se existe um antídoto parcial para o sofrimento nesta vida, encontra-se em união com Cristo que (segundo São Tomás de Aquino) experimentou o maior sofrimento possível e ofereceu a maior consolação possível. Isto não acontece apenas através do conhecimento dos ensinamentos de Jesus, mas através da partilha da vida que Jesus nos ofereceu como dom.

Mas, de facto, não existe antídoto perfeito para o sofrimento, pelo menos não nesta vida. Aqui em baixo haverá sempre dor, tanto físico como psicológico. Na verdade, os maiores santos, aqueles que viveram Cristo de forma mais plena, sofreram frequentemente, e muito. Mas o seu sofrimento tinha um sentido, porque as suas vidas tinham um propósito: amar a Deus e ao próximo. O amor é um bálsamo, mas não é um antídoto perfeito para as inevitáveis dificuldades da vida terrena. O sofrimento de Cristo apenas encontrou um antídoto perfeito quando ele morreu e ressuscitou dos mortos, e com o nosso sofrimento será igual. Se esta ressurreição é apenas um sonho piedoso, ou uma esperança fundada, é outra questão que surge nas explorações provocatórias de Peterson.


Christopher Kaczor é professor de Filosofia na Universidade de Loyola Marymount e co-autor, com Matthew Petrusek, de Jordan Peterson, God, and Christianity: The Search for a Meaningful Life.

(Publicado pela primeira vez na terça-feira, 7 de Setembro de 2021 em The Catholic Thing

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.  

 



Wednesday, 11 August 2021

O Sacrifício de Abraão

Randall Smith

Os críticos modernos da Bíblia têm dificuldade em aceitar a longa tradição na Igreja de crença em múltiplos sentidos “espirituais” de um texto. Isto não significa que a Escritura pode significar o que quer que nós queiramos. Os vários sentidos “espirituais” – alegórico, moral e anagógico – devem ter bases literais firmes. Mas as lições que aprendemos dos sentidos “espirituais”, especialmente aqueles que compreendemos à luz da vida, morte e ressurreição de Cristo transcendem aquilo que podia ter sido conhecido pelos autores originais.

Enquanto Criador, Deus pode “escrever” na história da humanidade através de eventos humanos. Ele pode transmitir o que quer dizer através de coisas, e não apenas de palavras. Por isso, Deus pode prefigurar o sacrifício de Cristo na Cruz através da sua ordem para que Abraão sacrifique o seu filho Isaac. Reconhecemos, em retrospetiva, que aquilo que Deus não estava disposto a pedir a Abraão – o sacrifício do seu próprio filho – era algo que Ele próprio faria por nós. É por isso que a passagem do “sacrifício” de Isaac (Génesis 22,1-18) faz parte das leituras da liturgia da Vigília Pascal.

O que o autor humano tinha em mente quando incluiu a história nas Escrituras é difícil de saber. Mas numa altura em que o sacrifício humano aos deuses era comum, este autor, inspirado pelo Espírito Santo, provavelmente queria clarificar que Deus não queria este tipo de sacrifício humano. O que Deus deseja é uma conversão interior de coração, não um sacrifício exterior, numa espécie de negócio, em que nós sacrificamos algo nosso para que Deus nos dê o que nós queremos. Não podemos comprar a vontade de Deus sacrificando um touro ou um bode.

De igual forma, se formos tentados a transformar a nossa ida à missa e observâncias religiosas num negócio com Deus – Eu faço X, ou sacrifico Y para que Deus me premeie com Z – então devemos considerar-nos abrangidos pela revolta de Cristo ao ver o templo do seu pai transformado num mercado. Não podemos comprar a vontade de Deus, sobretudo porque tudo o que temos foi-nos dado por Ele. Esta é outra das lições que devemos aprender com a história de Abraão e Isaac. A disponibilidade de Abraão para sacrificar o seu filho demonstra que ele compreende que tudo o que possui, no final de contas, pertence a Deus.

Mas também nos diz algo sobre a fé nas promessas de Deus, embora talvez não seja a lição que alguns comentadores pensem ter encontrado nessa passagem. No Século XVI Martinho Lutero elogiou Abraão pela sua obediência acrítica a Deus – pela “fé cega” demonstrada pela sua recusa de questionar se era certo matar Isaac. No final do Século XVIII, Immanuel Kant defendeu a perspetiva contrária, argumentando que Abraão deveria ter compreendido que uma ordem tão claramente imoral não poderia ter vindo de Deus. Para Lutero, a autoridade divina sobrepõe-se a qualquer posição racional ou moral, enquanto para Kant nada se sobrepõe à lei moral. Este é um debate que continua nos nossos dias.


Mas talvez não seja nada disto que a história tem para nos ensinar. Uma leitura “moral” clássica do texto talvez fosse algo como isto: Não há alturas em que temos mesmo a certeza de que conhecemos a vontade de Deus, quando nos parece evidente que estamos a cumprir os seus desígnios, e depois acontece algo mau? Não conseguimos o emprego que pensávamos ser perfeito para nós, ou perdemos a relação que tínhamos a certeza que Deus queria para nós. Morre um dos nossos pais. Uma pandemia atinge o mundo. “Como é que isto pode ser parte da providência de Deus?”, perguntamos. Encontramos corrupção e abusos na Igreja. “Como é que isto faz parte da promessa de Deus?”

Da mesma forma, Isaac é claramente a promessa que Deus tinha feito a Abraão. Então como é que pode parecer razoável sacrificá-lo? Talvez as palavras de Job sejam as mais adequadas: “O Senhor deu; o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor”. Não somos donos, somos administradores. A qualquer momento o dono da vinha poder voltar para pedir a colheita, ou para exigir os talentos que nos confiou, com juros. Pensamos, “porquê agora?” Perguntamos, como Kant, “a história não faria mais sentido se…?” Mas a história não é nossa. A história é de Deus. E não é irrazoável pensar que Ele a compreende melhor do que nós.

É claro, através dos Evangelhos, que Jesus não é o Messias que as pessoas esperavam. Mesmo o grande São Pedro disse a Deus feito homem (sem perceber a irracionalidade de Dizer ao Deus de Toda a Criação o que devia fazer): “Não podes ir para Jerusalém sacrificar-te na Cruz. Isso não faria sentido. Tens de ir de grande vitória em grande vitória, como eu as entendo”. Mas não era isso que Deus tinha em mente.  

Será irracional pensar que pode haver uma sabedoria maior a trabalhar no mundo do que a nossa? Ou seria irracional partir do princípio que isso não é possível?

Continuaríamos a ter de lidar com a questão de saber se o possuidor de tal sabedoria era benevolente. Mas se eu viesse a reconhecer que este Deus Criador amou de tal forma a humanidade que estava disposto a sacrificar o seu único filho por nós, então a minha disponibilidade para alinhar a minha vontade com a dele não seria uma questão de “fé cega” e obediência inquestionável. Seria o resultado de uma compreensão não desprovida de racionalidade do grande poder e sabedoria de Deus, por um lado, e uma resposta inteiramente sensata ao amor que Deus revelou através da sua disponibilidade para sacrificar o seu Filho, por outro.

Não precisamos de compreender os propósitos de Deus para acreditar que Ele os tem. Na verdade, é precisamente quando as nossas expectativas do que Ele tinha em mente chocam mais diretamente com aquilo que nos acontece que devemos recordar que Ele é Deus. E nós não.


 

Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Quarta-feira, 11 de Agosto de 2021)

© 2021 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.



Tuesday, 26 March 2019

Califado desinsuflado e mártires de Moçambique

Triunfo contra as forças do mal
Há notícias pelas quais esperamos anos, mas que quando chegam já nem parecem surpreendentes. Mas não nos deixemos enganar. O fim oficial do “Califado” do Estado Islâmico é uma vitória para a humanidade. Não significa que a paz tenha chegado à região, mas é bom passo nesse sentido.

O Papa está a caminho de Marrocos, onde vai “mostrar que há compreensão entre muçulmanos e cristãos”, segundo o embaixador daquele reino em Portugal.

Já foi publicado o primeiro volume da nova tradução da Bíblia, promovida pela Conferência Episcopal Portuguesa. Os bispos convidam o público a fazer críticas e sugestões, o que é caso único no mundo.


Vão-se amontoando os donativos para Moçambique. Desde o Santuário de Fátima, passando pela Irmandade dos Clérigos e pela diocese de Setúbal. A tragédia que se abateu sobre aquele país é comentada aqui pelo bispo da Beira e pelos funcionários da emissora católica, Rádio Pax.

Mas como nem tudo podem ser más notícias de Moçambique, parece que os 24 catequistas que foram mortos em 1992 poderão estar a caminho dos altares! Roguemos a eles pelos que sofrem hoje.

Friday, 27 April 2018

Coreia livre de armas nucleares, mas com cristãos presos

Realizou-se esta sexta-feira uma cimeira histórica entre os líderes das duas coreias. É um encontro que levanta a esperança de que sejam libertados os cristãos detidos pelo regime de Pyongyang.

Amanhã é a terceira jornada diocesana de comunicação, em Lisboa. Fake News é o tema obrigatório, bem como saber como lidar com crises de comunicação. O padre Nuno Rosário Fernandes, responsável pela comunicação do Patriarcado, organiza o evento mas diz que também lá vai estar para aprender.

Ainda há novidades a desvendar na Bíblia? Claro que sim. O encontro de biblistas na segunda-feira vai aprofundar o assunto. Saiba também que está em preparação uma nova tradução da Bíblia para português.

Nas Filipinas o Presidente Duterte, em cujo mandato já morreram 12 mil pessoas na chamada “guerra às drogas”, mostrou como os homens da sua estirpe lidam com críticas e expulsou do país uma freira australiana septuagenária. É macho!


Wednesday, 25 October 2017

Jihadi Judge e Estado Islâmico prefere Messi a Ronaldo

ISIS prefere Messi a Ronaldo
Nos últimos dias um juiz no Porto lembrou-se de citar a Bíblia num acórdão sobre violência doméstica. Isso em si não tem mal. O problema é a forma como a cita e aparente enormidade da decisão, como explica Graça Franco nesta carta aberta, que vale a pena ler. Até os bispos tiveram de vir a público lamentar o sucedido.

Morreu o padre Noronha Galvão, que foi aluno de Ratzinger e um teólogo influente em Portugal.


No Médio Oriente aconteceu precisamente aquilo que, infelizmente, eu tinha previsto no Verão. Após o referendo no Curdistão iraquiano abriu-se um conflito entre Bagdad e os curdos e quem está a levar com os combates à porta de casa são os… Cristãos, claro.

O Estado Islâmico pegou numa imagem de Lionel Messi para ameaçar o mundial de 2018.

Mesmo as pessoas que cometem os crimes mais horríveis terão feito algum bem ao longo da vida. No artigo desta semana do The Catholic Thing em português o diácono James Toner recorda o seu antigo pároco, que teve sobre ele uma grande influência, mas que afinal revelou-se mais tarde como um violador e abusador de rapazes. Um artigo duro, mas que todos devemos ler.

Wednesday, 26 July 2017

Proteger o Reino

Pe. Paul Scalia
“Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo”. É significativo que nosso Senhor comece as suas parábolas sobre o Reino do Céu (Mt. 13,24-50) com uma referência ao inimigo. O Reino do Senhor não é estabelecido facilmente (aliás, requer o seu próprio sacrifício). Nem se defende com facilidade. O maligno anda sempre à espreita para semear joio no Reino. Por isso a parábola do joio no trigo tem ensinamentos não só sobre o Reino, mas sobre como o proteger.

Em primeiro lugar, o inimigo aproveita o facto de estarem todos a dormir. Devemos ouvir nessa referência uma alusão não ao sono confiante de uma criança, ou o pacífico sono dos justos, mas sim o adormecimento da negligência – a sonolência espiritual que aflige os apóstolos no jardim, Dante a meio da sua vida e o nosso mundo hoje.

A sonolência conduz à trapalhice. Um guarda sonolento deixa entrar aqueles que não deve – e que não deixaria caso estivesse acordado. Um pensador sonolento não faz distinções necessárias. A sua precisão sofre, deixando passar coisas que lhe teriam chamado a atenção caso estivesse mais desperto. Na parábola de Nosso Senhor, a sonolência dá ao inimigo a oportunidade que procura. Assim também na Igreja o torpor dá uma abertura ao inimigo. O nosso pensamento embrutecido, a incapacidade de fazer distinções e a falta de clarividência são uma porta aberta para o joio do inimigo.

A parábola apela, por isso, à vigilância, uma virtude que devia caracterizar a vida espiritual de todos os fiéis. Cada um de nós deve estar desperto e atento, primeiro para ver o Senhor, mas também para se proteger contra o maligno, não vá ele semear nos nossos corações e poluir aquilo que Deus plantou em nós.

Contudo, no que diz respeito à Igreja como um todo, a tarefa da vigilância cabe aos pastores. São eles que têm o dever de vigiar o rebanho e o campo, de serem as sentinelas mencionadas pelos profetas (ver Jeremias 6,17 e Ezequiel 3,17). Infelizmente, ao longo da história temos visto esta parábola a desenrolar-se no seio da Igreja: o mal ganha entrada devido à falta de vigilância. No seu tempo, o santo John Fisher lamentou que “a fortaleza é traída até por aqueles que a deviam defender”. Essas palavras aplicam-se, infelizmente, a muitos momentos na história da Igreja.

A parábola ensina-nos também sobre uma táctica essencial do maligno: a confusão. Este é o seu cartão-de-visita. O Senhor traz luz e claridade. O maligno traz escuridão e confusão. Ele divide aquilo devia estar unido e mistura aquilo que devia ser distinto. Na parábola, o inimigo mistura a semente boa com a má. A sabotagem tinha dois objectivos, ou os consumidores da colheita sofreriam pela mistura malévola, ou os criados prejudicariam o fruto bom ao tentar arrancar o mau.

O semeador e o demónio, Albin Egger-Linz
A mesma táctica malévola aplica-se hoje. A confusão foi semeada à nossa volta. Chamamos bom ao que é mau e mau ao que é bom. Até chamamos homem à mulher e mulher ao homem. Os consumidores desta confusão sofrerão, de facto, sofrerão a tristeza e a dor que deriva da confusão actual sobre casamento, sexualidade e a pessoa. Na melhor das hipóteses sofrerão apenas a tristeza de vidas desancoradas de qualquer sentido ou propósito.

E nós, os criados, tal como aqueles da parábola, somos tentados a extirpar o mal de forma demasiado agressiva – e ao fazê-lo arriscamo-nos a prejudicar precisamente aqueles que queremos ajudar. Parece aqueles filmes de acção manhosos em que o vilão mantém os bons como reféns. Não nos atrevemos a agir, por mendo de causar mais mal. Na verdade, podemos fazer muito mal quando tentamos livrar o Reino de qualquer semblante de mal, de todo e cada joio aparente. Na história da Igreja não há falta de heresias e seitas criadas por tal zelo imprudente.

Reparem que com esta tentação o demónio procura ferir não os medíocres nem os preguiçosos, mas sim os zelosos e fiéis – isto é, precisamente os criados mais preocupados com a pureza e a integridade da fé.

O que nos leva a outra virtude essencial para os criados do Senhor: paciência – a capacidade de sofrer enquanto esperam a intervenção do Senhor. Sem paciência apressamo-nos e, tipicamente, estragamos tudo. Os criados devem esperar pela colheita – o fim dos tempos – para ver as coisas a serem postas em ordem, como o Senhor promete que acontecerá. A paciência é diferente da inacção dos desatentos e dos despreocupados. Não é um encolher dos ombros ou resignação. É o poder (virtus) de esperar pela vindicação do Senhor.

Claro que a palavra “vindicação” parece cruel aos olhos do mundo, talvez até aos olhos de muitos católicos. Faz pensar em corações empedernidos, desejosos de vingança. Mas devemos esperar pela vindicação, caso contrário Nosso Senhor não a teria prometido. A esperança tem a certeza de que Nosso Senhor virá revelar a sua justiça e a paciência espera pacificamente que o dia chegue.

Mas é pela vindicação do Senhor que os criados esperam, não pela das suas opiniões, posições ou partidos. Através da paciência centramo-nos Nele, nas suas promessas e no seu poder. São estes os criados que o Senhor deseja, aqueles que tanto vigiam o seu Reino como esperam pacientemente a sua vinda.


O Pe. Paul Scalia (filho do falecido juiz Antonin Scalia, do Supremo Tribunal americano) é sacerdote na diocese de Arlington e é o delegado do bispo para o clero.

(Publicado pela primeira vez no domingo, 23 de Julho de 2017 em The Catholic Thing)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução 

Wednesday, 12 July 2017

Nova via para beatos que lêem livros perigosos

Caminho aberto para beatificação?
O Papa criou ontem uma nova categoria para processos de beatificação. É uma novidade interessante que vem clarificar a distinção entre quem dá a vida como mártir e quem a dá por amor ao próximo.

O mesmo Papa escreveu o prefácio para a Bíblia Jovem YouCat, advertindo que a Bíblia é um livro extremamente perigoso. Pode ler o texto completo do Papa aqui.

Um ano depois de terem ido à Polónia para participar nas JMJ, um grupo de portugueses recebeu os seus amigos polacos no santuário de Nossa Senhora das Dores, na Guarda.

Wednesday, 8 March 2017

Vaticano quer dar voz às mulheres, e não por telemóvel

Não era bem isso que Francisco tinha em mente...
E se tratássemos a Bíblia como tratamos o telemóvel? A pergunta dá que pensar e é precisamente isso que o Papa quer que façamos.

Depois do enorme sucesso do movimento “Eu Acredito”, que reuniu jovens de várias organizações católicas na visita de Bento XVI em 2010, a iniciativa vai repetir-se com a visita de Francisco, em Maio. Saiba tudo aqui.

Por falar em visita do Papa, Francisco enviou esta semana uma mensagem para o Presidente Marcelo e para os portugueses. Conheça aqui.


Hoje é quarta-feira e por isso temos novo artigo do The Catholic Thing. Howard Kainz escreve – num estilo bem quaresmal – sobre os diferentes tipos de cruzes que existem e como podemos carregá-los.

Monday, 16 January 2017

Lúcia e Fernanda, duas irmãs, duas causas

Irmã Fernanda
A Obra Católica das Migrações pede mais disponibilidade para acolher refugiados em Portugal, numa altura em que o Papa recorda a quantidade de vezes que Deus nos pede, na Bíblia, para acolher migrantes e estrangeiros.

A beatificação da Irmã Lúcia está agora nas mãos de Roma, tendo já terminado a fase diocesana. A postuladora da causa não acha que haverá novidades no ano do centenário das aparições.

Conheça a história da irmã Fernanda, cuja esclerose lateral amiotrófica não impediu de continuar a trabalhar em prole dos outros. Foi o que a levou a ganhar o Troféu Português do Voluntariado.

A Cáritas de Coimbra promove uma campanha para ajudar mulheres de etnia cigana.

Podem ler aqui a transcrição integral da entrevista que fiz semana passada ao líderda Ordem de Malta em Portugal, sobre a polémica que opõe a ordem à Santa Sé. D. Augusto de Athayde manifesta esperança numa solução que agrada a todos.

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