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Thursday, 17 August 2023

Patriarca sim, Cardeal Patriarca (ainda) não, Cardeal-Patriarca ainda menos

Faz uma semana que D. Rui Valério foi nomeado Patriarca de Lisboa. Logo as manchetes, os pivôs e os apresentadores de rádio nos informaram que Lisboa já tem um novo "Cardeal-Patriarca". 

Esta é uma boa ocasião, portanto, para recordar a todos que D. Rui Valério não é cardeal, nem sabemos ao certo quando será. Por isso, ao contrário do que a imprensa insiste em dizer, ele não é o “Cardeal-Patriarca de Lisboa”. Aliás – e esta é uma embirração minha – eu não percebo porque é que se insiste em aglutinar os títulos, sobretudo quando é o próprio Patriarcado a fazê-lo.

Como aprendemos sempre que existe uma nova nomeação, uma coisa é ser Patriarca, outra coisa é ser cardeal, uma não implica necessariamente a outra, por mais que exista a tradição – e no caso de Lisboa um compromisso estipulado em bula – de o Patriarca ser feito cardeal.

A confusão é agravada pelo facto de existirem diferentes níveis de cardeal. Há o Cardeal-Diácono, o Cardeal-Presbítero e o Cardeal-Bispo, o que por sua vez indica apenas uma hierarquia, pois não tem nada a ver com os cardeais serem diáconos, padres ou bispos. E sim, há cardeais que são apenas padres, embora seja raro.

Portanto, nesta lógica, um Cardeal-Patriarca seria mais um nível na hierarquia dos cardeais, acima até de Cardeal-Bispo. Só que não é, porque isso não existe.

Se Deus quiser – mais precisamente, se o Papa quiser – D. Rui Valério será um dia Cardeal. E nessa altura será o Cardeal Patriarca de Lisboa, mas não o Cardeal-Patriarca de Lisboa. Até lá é “apenas” o Patriarca de Lisboa, o que já não é nada mau, embora não seja equiparável a patriarcas orientais, mas isso vai ter de ficar para outro artigo…

Friday, 14 July 2023

Portugal na Pole Position com Américo Aguiar

Esta semana começou com uma notícia estrondosa, logo seguida de uma pequena polémica. Ambas ainda dão que falar.

A notícia estrondosa e surpreendente foi a de que D. Américo Aguiar vai ser elevado a Cardeal pelo Papa Francisco no próximo consistório. Escrevi um artigo no blog para tentar decifrar a notícia e as suas implicações, e depois fui convidado pelo Expresso para fazer uma versão um pouco mais elaborada e completa para publicar no site desse jornal. O artigo no Expresso está aqui, mas é só para assinantes. Em todo o caso, o essencial do texto está no blog.

Entretanto surgiu a polémica. Numa entrevista à RTP, dias antes de se saber da nomeação, D. Américo disse, a propósito da JMJ, “não queremos converter os jovens a Cristo”. A frase tornou-se viral, sobretudo em certos meios das redes sociais, mas também no estrangeiro.

Ora, eu consegui falar com D. Américo e pedi-lhe um esclarecimento sobre essa frase. Podem encontrar aqui o seu esclarecimento e o meu comentário. Uns ficaram satisfeitos com a explicação, outros não. A vida é mesmo assim. Mas leiam e decidam por vocês.

A conversa que tive com D. Américo serviu também para complementar um perfil que escrevi sobre ele para o The Pillar, em inglês, que podem encontrar aqui.

Também no The Pillar publiquei, na semana passada, um artigo sobre Goa. O governador daquele estado tem dito que chegou a altura de apagar os traços portugueses da região. Como disse um historiador de ascendência goesa com quem falei, isso implicaria demolir toda a cidade velha, e deportar uma boa parte da população. Naturalmente os goeses de ascendência portuguesa estão nervosos. Leiam, que vale bem a pena conhecer esta história.

Também este mês foi publicado um artigo meu sobre a questão dos abusos sexuais na Igreja em Portugal, nomeadamente sobre o trabalho da Comissão Independente, e tudo o que se lhe seguiu. Está na Brotéria, que não tem edição online, mas se tiverem oportunidade de comprar a revista de Julho leiam-no também.

Por fim, esta semana o artigo do The Catholic Thing é diferente do habitual. Brad Miner faz a recensão de um filme que acaba de estrear e que fala do terrível mundo do tráfico de crianças para escravatura sexual. Não é uma leitura propriamente agradável, mas são realidades que devemos conhecer, nem que seja para rezar, muito, pelas vítimas.

Monday, 10 July 2023

Decifrando a elevação de D. Américo a Cardeal

[Uma versão mais extensa e detalhada deste artigo foi publicada entretanto no Expresso]

Os jornalistas adoram dizer que já sabiam que as coisas iam acontecer, fortalecendo assim as suas credenciais de especialistas em certas matérias. Pois, da minha parte, posso dizer que fui apanhado totalmente na curva pela escolha de D. Américo Aguiar para cardeal.

Contudo, consumada a decisão do Papa, podemos tentar analisar e contextualizar.

Lisboa ou Roma?

Ao ouvir o anúncio, muitas pessoas assumiram que com este gesto o Papa está já a dar um sinal de quem vai suceder a D. Manuel Clemente como Patriarca de Lisboa. Aliás, faria mais que sentido. D. Américo é o “delfim” de D. Manuel. O actual Patriarca fez questão de o trazer do Porto, onde já tinham trabalhado juntos e onde D. Américo se tornou o seu braço direito; conseguiu que ele fosse nomeado bispo auxiliar de Lisboa e durante muito tempo pareceu um dado assente que D. Américo seria o sucessor designado.

Contudo, e com base nas informações que tenho até ao momento, esse cenário de D. Américo ser o próximo Patriarca de Lisboa está posto de parte. Tanto quanto sei, o seu nome nem consta da actual terna – a lista de três hipóteses elaborada pelo Dicastério para os Bispos, com o precioso auxílio da nunciatura – que vai ser apresentada ao Papa para ele escolher. Não que isso tenha impedido o Papa, no passado, de fazer as suas próprias escolhas… Contudo, neste caso, parece-me claro que D. Américo não será o próximo Patriarca.

Sendo assim, também é muito pouco provável que Francisco tenha criado D. Américo cardeal para o enviar para outra diocese em Portugal. (O Porto faria algum sentido, sendo a sua diocese de origem, e nos piores momentos da crise dos abusos em Portugal ainda me ocorreu que D. Manuel Linda fosse retirado de lá, mas, entretanto, recebeu novos auxiliares, pelo que deve estar para continuar por lá.) De resto, não vejo o Papa a enviar D. Américo para Setúbal, ou para a Guarda, nem a permanecer em Lisboa como auxiliar depois da saída de D. Manuel, pelo que presumo que a sua próxima paragem seja Roma. A confirmar-se o sucesso da JMJ, faria sentido ele ficar mais permanentemente ligado à organização destes eventos, ou outros do género. Tenho ouvido dizer que Francisco quer imprimir às JMJ um estilo diferente, mais ecuménico, e D. Américo pode ser o homem que pretende para executar isso.

Mas mesmo a decisão de arranjar um cargo para ele em Roma não explica a nomeação cardinalícia, pois uma das marcas do pontificado de Francisco é precisamente que já não existem postos que obrigam à nomeação cardinalícia. Daí que se há uma coisa de que podemos ter a certeza é de que esta decisão do Papa Francisco é um sinal de estima pessoal e um voto de confiança em D. Américo.

Subida meteórica

No meio disto tudo, convém não esquecer que D. Américo ainda não tem 50 anos e que, ainda por cima, a sua foi uma vocação tardia, tendo sido ordenado padre “apenas” aos 27 anos. Ou seja, em 22 anos ele passou de padre recém-ordenado a Cardeal, e tem agora 30 anos como cardeal eleitor, podendo por isso escolher os próximos Papas. Isto não significa que D. Américo seja “papabile”, parece-me muito prematuro falar de tais hipóteses, mas a confirmar-se a sua ida para Roma, e conhecendo o jeito para política, é de esperar que ele venha a desempenhar um papel importante em futuros conclaves, que serão quase certamente mais que um.  

Uma fartura de Cardeais portugueses

O aumento do número de cardeais portugueses durante o pontificado do Papa Francisco é incrível, sobretudo se tivermos em conta que neste pontificado Francisco tem feito questão de escolher cardeais das zonas mais variadas, em detrimento dos países do “velho mundo” católico.

A partir do momento em que D. Américo for elevado ao cardinalato teremos quatro eleitores, durante pelo menos os próximos quatro anos, mas esse número até pode aumentar. Caso D. Américo vá para Roma, o próximo Patriarca de Lisboa deve, segundo a bula “Inter praecipuas apostolici ministerii”, de Clemente XII, de 1737, ser elevado ao cardinalato logo no primeiro consistório a seguir à sua nomeação. É verdade que o Papa está acima das próprias bulas, e no caso de D. Manuel Clemente a elevação foi feita não no primeiro, mas no segundo consistório, já depois de D. José Policarpo ter morrido.

Aqui entram em conflito diferentes tradições e regras. Por um lado, a tal bula, e por outro o costume de não nomear cardeal um arcebispo (neste caso Patriarca) enquanto o seu antecessor ainda for eleitor. Mas a bula tem mais peso do que os costumes, embora nem uma nem os outros obriguem o Papa a nada.

Por enquanto, podemos contar pelo menos com quatro cardeais eleitores, e dois não eleitores. Ora, vejamos isto à luz da actual realidade de países comparáveis com Portugal:

  • A Irlanda, por exemplo, não tem um novo cardeal desde 2007.
  • A Austrália, há 20 anos.
  • Espanha tem, neste momento 12 cardeais, o dobro de Portugal, e vai ter mais dois, nomeados com D. Américo. Eleitores, tem seis e vai passar para oito, também o dobro. Mas Espanha tem quase cinco vezes mais população que Portugal, portanto em proporção pode-se dizer que Portugal tem mais cardeais do que Espanha.
  • A Áustria e a Bélgica têm uma população comparável com a de Portugal e tem apenas um cardeal cada, que é eleitor.
  • O Brasil tem oito cardeais, seis dos quais eleitores, e tem uma população 21 vezes maior que Portugal.
  • Portugal passa a ter mais dois cardeais que o Canadá, e o mesmo número de eleitores, tendo o Canadá quatro vezes mais pessoas que Portugal.

Enfim, percebem a ideia.

Se juntarmos a isto o facto de Portugal estar prestes a receber a segunda visita do Papa Francisco, quando países como Espanha não receberam nenhum, percebemos que Portugal tem tido um tratamento contracorrente neste pontificado, o que é muito interessante.

Monday, 17 October 2022

Uma Igreja de abusadores, mas também de santos

Escrevo com atraso porque estive em Salamanca. Em breve espero poder explicar-vos porquê.

Desde que publicámos a primeira e a segunda parte da conversa com Pedro Gil, sobre os abusos em Portugal, vieram a público mais alguns casos que devem ser falados, incluindo um com o pároco de Massamá. Por isso, neste mais recente episódio do Hospital de Campanha, falamos sobre os casos que envolvem D. Ximenes Belo e D. José Ornelas. O que se sabe, quem sabe e desde quando, o que se diz, mas provavelmente não é verdade… Tudo discutido. Vale a pena ouvir!

No mesmo dia em que gravámos esta conversa saiu uma grande reportagem com mais alguns dados relativos ao caso envolvendo D. José Ornelas, que continuam a deixar grandes dúvidas, como revelo neste texto.

Esta semana a Comissão Independente deu uma conferência de imprensa em que expôs os mais recentes dados da sua investigação. Na cronologia tenho os dados principais, que infelizmente ficaram ensombrados pela polémica dos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa.

Sempre que estiverem em baixo com as notícias dos abusos, lembrem-se que a Igreja também é constituída por homens e mulheres como esta freira que cuida sozinha de 150 crianças numa das favelas mais perigosas do Haiti, e estes padres da Ucrânia que ficam na linha da frente, apesar dos perigos.

Mudando de assunto, convido-vos a ler o meu mais recente artigo na revista dos missionários Combonianos World Mission, sobre como o Papa Francisco está a mudar o Colégio dos Cardeais, e as consequências das suas nomeações.

Conhecem aquela expressão atribuída a São Francisco: “Prega sempre, usa palavras se necessário”? O autor desta semana do The Catholic Thing em português argumenta que se calhar devíamos usar palavras mais vezes, sob perigo de estarmos a criar uma geração de analfabetos funcionais no que ao Cristianismo diz respeito. É um artigo certeiro e ao mesmo tempo divertido. Leiam e partilhem!

Termino com dois desafios. No dia 18 de Outubro realiza-se o evento “Um Milhão de Crianças Rezam o Terço”, promovido pela fundação AIS. Saiba mais, incluindo como se pode envolver. E no dia 22 realiza-se a já tradicional Caminhada Pela Vida. A participação de todos é importante, nem que seja para dar ânimo e alento a quem está mais directamente envolvido em tentar evitar o avanço da cultura da morte. Mais informações no Facebook e no Instagram.

Thursday, 23 June 2022

Hospital de Campanha - Episódio 7: Novidades cardinalícias

O Papa Francisco nomeou uma série de novos cardeais, que vão ser elevados ao cargo no próximo mês de Agosto. Neste episódio analisamos essas nomeações e o que significam à luz do pontificado de Francisco. 
Nesta lista não consta nenhum português, mas há muito de interesse para Portugal nos nomeados!

Um dos novos cardeais vem de Timor Leste, é o primeiro deste país. Este facto serve de ponto de partida para falar um pouco sobre os 20 anos da independência do mais novo país lusófono do mundo. 

Por fim, alguns minutos para falar das novidades sobre as Igrejas ortodoxas na Ucrânia e na Rússia, onde se registaram mudanças importantes nas últimas semanas. 


Monday, 26 October 2020

Covid no Lar e Pizzaballa na Terra Santa

Há um surto de Covid-19 na Casa Sacerdotal de Lisboa, o lar para padres idosos e reformados do Patriarcado de Lisboa. Por enquanto só um padre idoso tem sintomas. Saiba tudo aqui.

O Papa nomeou mais 13 cardeais. Entre eles o primeiro cardeal negro dos EUA, um do Ruanda e um do Brunei, de ascendência chinesa.

Francisco nomeou também o novo Patriarca Latino de Jerusalém. Trata-se do franciscano italiano que já servia como administrador há quatro anos, pelo que não foi uma surpresa total, mas os fiéis e o clero, de vasta maioria árabe, esperavam que fosse novamente um árabe a ser escolhido.

Nos dias em que estive de folga o Parlamento chumbou o referendo à eutanásia. Os bispos não se coibiram de criticar os deputados.  

Depois de ter publicado duas notícias com base numa entrevista ao padre Peter Stilwell, a semana passada, hoje deixo-vos com a transcrição integral da conversa, para quem quiser ler mais a fundo.

Não deixem de ler o artigo do The Catholic Thing dasemana passada, sobre como a candidata a juíza no Supremo Tribunal dos Estados Unidos é “intolerável”, como nós também devíamos ser.

Wednesday, 2 October 2019

E se Portugal tivesse 200 cardeais? Seria Marrocos

O Papa Francisco vai visitar as cidades de Hiroxima e Nagasáqui, no Japão, para rezar pelo desarmamento nuclear. O programa das duas viagens foi marcado esta quarta-feira.

Ontem houve buscas na secretaria de Estado e de Informação Financeira do Vaticano. Em causa estarão negócios suspeitos com imóveis.

Estamos a dias de Portugal ter cinco cardeais. Ora, cinco cardeais dá cerca de um por cada dois milhões de portugueses, o que é uma média só superada por Itália, se contarmos os países comparáveis a Portugal em termos demográficos e/ou religiosos. Mas se for só uma questão de números, olhos em Marrocos, que tem um cardeal para cada 50 mil católicos. Proporcionalmente, é como se Portugal tivesse 200 cardeais.

No artigo desta semana do The Catholic Thing, Stephen P. White pergunta quem é que irá renovar a Igreja, tão fustigada por crises. Deixa-nos esta questão, que cada um responda no seu coração.

«O Senhor está a purificar a sua Igreja. Ainda bem, dizemos nós. Não era sem tempo, dizemos. Mas estamos dispostos a deixá-lo purificar-nos a nós? Podemos mesmo esperar que a Igreja seja purificada e, ao mesmo tempo, esperar que nós, que somos membros da Igreja, sejamos poupados à dor e à angústia dessa purificação?»

Monday, 2 September 2019

Reentré traz novo núncio e mais cardeais

Novo núncio Ivo Scapolo
Volto depois de umas óptimas férias, e não volto de mãos a abanar! Trago-vos um novo núncio apostólico para começar e, como cereja em cima do bolo, um novo cardeal.

A nomeação de D. Tolentino de Mendonça foi saudada por muitos, desde o actual bispo do Funchal ao Presidente da República, e o próprio diz que quando soube só lhe ocorreu a sentença de Jesus: “Procura o último lugar”.


Mas porque há mais nestas nomeações do que apenas a nossa alegria por ver D. Tolentino no Colégio dos Cardeais, aqui fica a minha análise, com destaque para os temas do diálogo inter-religioso e das migrações, que saem fortalecidas.

Deixo-vos ainda com os dois artigos que publiquei do The Catholic Thing nas passadas duas semanas. A primeira trata da Oração e da Ascese, dois assuntos fundamentais para os católicos, e o outro fala de um interessantíssimo projecto que pretende dar a conhecer o pensamento e a obra de São Tomás de Aquino.

Diálogo inter-religioso e migrações: Temas cardeais para o Papa Francisco

Foi com grande alegria que acolhemos a notícia da elevação de D. José Tolentino Mendonça a cardeal. Já era esperado que assim fosse, mas a confirmação é sempre bem-vinda.

Curiosamente, D. José Tolentino será elevado no dia 5 de outubro, o que até lhe fica bem, uma vez que ele é (tragicamente) republicano.

Como é natural, a nomeação de D. Tolentino centrou as atenções dos portugueses, mas seria uma pena não perceber a relevância de muitas das restantes nomeações, que mostram claramente as prioridades deste Papa e deste pontificado.

Começo pelo diálogo inter-religioso. O Papa Francisco não só nomeou cardeal o espanhol Miguel Ángel Ayuso Guixot, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, como também o seu antecessor Michael Louis Fitzgerald, que chefiou o Conselho entre 2002 e 2006.

A nomeação de Fitzgerald é particularmente interessante. Em 2006 Bento XVI retirou-o do Conselho para o Diálogo Inter-religioso e nomeou-o núncio apostólico para o Egipto. Ora, na altura a decisão causou alguma confusão e não foi possível compreender se se tratava de uma despromoção, ou de uma tentativa de aproveitar as grandes qualidades do arcebispo num país que é crucial para as relações entre o Islão e o Cristianismo.  Pouco tempo depois da sua retirada o Papa fez o seu discurso de Ratisbona, que acabaria por danificar gravemente essas relações.

A decisão de o nomear cardeal agora, que já tem 82 anos, pode ser entendida, assim, como uma espécie de reabilitação, ou um tributo tardio a um homem que dedicou a vida a tentar construir pontes com o Islão, coisa que o Papa valoriza.

Para além destes dois especialistas em diálogo inter-religioso, o Papa Francisco também nomeia cardeais os arcebispos de dois países muito importantes para o mundo islâmico, Ignatius Suharyo Hardjoatmodjo, de Jacarta, Indonésia – o maior país muçulmano em termos demográficos. Trata-se apenas do terceiro cardeal da história da Indonésia, sendo que o primeiro já morreu e o segundo, seu antecessor em Jakarta, tem já 84 anos. O outro novo cardeal que vem do mundo islâmico é o arcebispo de Rabat, em Marrocos, Cristóbal López Romero.

Recorde-se que o mesmo Papa Francisco já nomeou cardeais do Burkina Faso (89% islâmica), da República Centro-Africana, onde os últimos anos têm sido marcados por conflitos entre muçulmanos e cristãos, da Malásia (61% muçulmanos, apenas 9% cristãos), Albânia, Mali (95% muçulmanos), Iraque e Paquistão.

É verdade que com estas nomeações o Papa está a respeitar a sua própria vontade expressa de dar importância às periferias, mas olhando para estas nomeações parece também evidente que está, por um lado, a encorajar e valorizar as comunidades cristãs nestes países, frequentemente vítimas de perseguição, mas também a criar uma rede de conselheiros e actores que podem, agora com maior autoridade, levar a cabo o diálogo com o Islão nestes países.

Pe. Michael Czerny
A outra questão é a valorização do problema dos refugiados. O Papa fez aqui uma nomeação curiosa, o padre canadiano Michael Czerny, que é subsecretário da secção para os refugiados do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral. O prefeito deste dicastério é Peter Turkson, que já é cardeal, mas o secretário, o padre francês Bruno-Marie Duffé, não é, o que cria uma situação peculiar, mas deixa muito, muito clara a intenção do Papa de sublinhar a importância do trabalho desenvolvido por Czerny.

Repare-se que o jesuíta canadiano não é bispo. Ora isto não é inédito, mas normalmente os padres nomeados cardeais são mais velhos, não-eleitores ou muito perto de o serem, e muitos, sobretudo quando são jesuítas, pedem para não ser ordenados bispos. Não se sabe ainda se Czerny, que entretanto foi também nomeado secretário do sínodo dos bispos sobre a Amazónia, irá pedir esta dispensa, mas se o fizer, e se lhe for concedida, haverá o caso raro de um cardeal eleitor que não é bispo. Por exemplo, nos últimos conclaves não houve um único caso de participante que não fosse bispo.

Wednesday, 12 December 2018

A fé que moveu o autor na Rússia move agora o médico no Sudão

Apresento-vos o Dr. Tom Catena. Um herói dos nossos tempos, que atende cerca de 400 doentes por dia e faz mil cirurgias por ano. No Sudão. Como? Com muita fé.  


Donald Trump aprovou uma lei destinada a ajudar as vítimas do genocídio do Médio Oriente.

Na passada segunda-feira assinalaram-se os 70 anos da declaração universal dos Direitos do Homem. Podem esses direitos ser mudados? Se sim, valerá a pena sequer existir uma carta dos Direitos do Homem? O Papa Francisco pede aos líderes mundiais que ponham esses direitos no centro de todas as políticas.

E ontem assinalou-se outra efeméride importante, mas que passou despercebida à maioria. Aleksandr Solzhenitsyn foi dos maiores heróis do Século XX na luta contra o comunismo, juntamente com João Paulo II. No artigo desta semana do The Catholic Thing em português, Douglas Skries escreve sobre o autor e o homem que sofreu na pele os horrores do comunismo e o ajudou a desmascarar.

Wednesday, 28 June 2017

Novos cardeais e o temor a Deus

Cinco cardeais e dois papas


Esta manhã o Papa falou sobre o martírio, dizendo acima disso está a caridade e que repugna aos cristãos ouvir chamar mártires aos bombistas suicidas.

Hoje temos novo artigo do The Catholic Thing. Por falar em bombistas suicidas, Ines A. Murzaku escreve sobre a diferença entre o medo que nos paralisa e o natural temor a Deus. Quem teme a Deus mais nada tema, explica. É convincente e encorajador. Leiam e partilhem.

Thursday, 24 November 2016

Trump rebentou a bolha

Ficaram com uma cabeça deste tamanho...
Estou de regresso, depois de três semanas de licença de paternidade.

Muita coisa se passou durante a minha ausência! O Papa criou novos cardeais; alargou a todos os padres a faculdade de absolver o pecado do aborto; confirmou que vem a Fátima, mas só a Fátima e anunciou o tema para as próximas jornadas mundiais da Juventude.

Veio a Portugal um bispo iraquiano e uma freira argentina que se encontra na Síria, no âmbito da apresentação do relatório sobre liberdade religiosa no mundo, da Ajuda à Igreja que Sofre.

Chegou ao fim o Ano da Misericórdia, que eu fui acompanhando com várias reportagens que foram coligidas aqui.

E depois houve aquela coisa de Donald Trump ter sido eleito presidente dos Estados Unidos… Esse é, aliás, o tema de um dos artigos que fui publicando do The Catholic Thing em português. Francis Beckwith, que sempre se opôs a Trump, explica porque é que ele ganhou.

Outro dos artigos é sobre a Eutanásia e as terríveis portas que a sua legalização abre na sociedade, tal como refere, por cá, a jurista Teresa Quintela de Brito.

Já o artigo mais recente trata um mistério, que Howard Kainz procura desmistificar em “Personalidades na Trindade”, que foi publicado ontem. 

Wednesday, 19 October 2016

Um Cardeal da Perseguição Comunista na Albânia

Ines A. Murzaku
No final do ângelus e da missa que marcou o final do jubileu mariano, no passado domingo, o Papa Francisco surpreendeu ao anunciar um consistório que terá lugar no dia 19 de Novembro, véspera da Solenidade de Cristo Rei e encerramento do Jubileu da Misericórdia. Na mesma ocasião nomeou 17 novos cardeais. As suas escolhas revelam um enfoque na misericórdia e na “periferia”.

O seu esforço para enfatizar a dimensão universal e não apenas ocidental da Igreja é evidente, tendo em conta que a maioria dos novos cardeais vem de fora da Europa, nomeadamente de África, Ásia, América do Sul e Oceânia.

Por exemplo, o Papa nomeou o cardeal Dieudonné Nzapalainga, arcebispo de Bangui, na República Centro-Africana, em cuja catedral Francisco abriu uma Porta Santa, antecipando o início do Jubileu da Misericórdia. Na lista encontram-se ainda o arcebispo de Daca, no Bangladesh e de Port-Louis, nas Maurícias, respectivamente Patrick D’Rozario e Maurice Piat.

Mas entre os quatro novos cardeais com mais de 80 anos, ou seja, homens cuja nomeação é uma honra simbólica, destaca-se o padre Ernest Simoni, de 88 anos, um padre albanês que passou 28 anos numa gulag e que sentiu na pele algumas das piores perseguições religiosas do século XX.

A Albânia é um país pobre e de maioria muçulmana; os católicos são uma minoria de cerca de 10% da população. Ao reconhecer o padre Simoni, Francisco está a mostrar que, mesmo dentro da Europa, existem periferias que a Igreja não pretende esquecer.

Simoni é o segundo cardeal albanês que sofreu perseguição. O primeiro foi o cardeal Mikel Koliqi, que sobreviveu a trinta e oito anos de detenção e trabalhos forçados e foi feito cardeal aos 92 anos pelo Papa João Paulo II no consistório de 1994.

Durante a sua visita à Albânia em 2014, o Papa Francisco emocionou-se com o testemunho de fé daquele país. “Recordando as décadas de sofrimento atroz e de dura perseguição a católicos, ortodoxos e muçulmanos, podemos dizer que a Albânia foi uma terra de mártires: Muitos bispos, padres, religiosos, religiosas e leigos pagaram com a vida pela sua fé”, afirmou Francisco num discurso.

A perseguição na Albânia foi de uma dureza excepcional, mesmo no contexto da Europa de Leste comunista. Entre os mártires vivos que foram apresentados e que cumprimentaram o Papa Francisco encontrava-se o padre Ernest Simoni, que deu um testemunho comovente sobre as quase três décadas que passou nos campos de trabalho. O Papa ficou visivelmente comovido.

Vale a pena recordar a história por detrás deste testemunho pessoal. O conflito entre a Igreja Católica e o Estado Comunista na Albânia pode-se dividir em três fases:

1) 1944-1948 altura em que o Governo aterrorizou e perseguiu crentes e clero;

2) 1949-1967 fase em que o Governo tentou nacionalizar e “albanizar” as religiões do país, e estabelecer uma Igreja Católica Nacional Albanesa, semelhante à Igreja Patriótica criada pela então aliada da Albânia, a China Comunista. Esta fase atingiu o seu ápice quando a Albânia se proclamou o primeiro Estado ateu do mundo;
 
3) 1990 até ao presente, em que a Igreja Albanesa se reergueu depois de décadas de perseguição e martírio.

O padre Simoni foi detido no dia 24 de Dezembro de 1963, depois de ter celebrado Missa do Galo na aldeia de Barbullush, Shköder. Apareceram na sua igreja quatro oficiais da Sigurimi, a polícia secreta albanesa, munidos de ordens de detenção e de execução. “Ataram-me as mãos atrás das costas e começaram a espancar-me enquanto me conduziam até ao carro”, recorda.

Foi levado para interrogatório e mantido em isolamento total e sujeito a torturas insuportáveis durante três meses seguidos. Foi acusado de ter estado a ensinar a sua “filosofia”. Na verdade tinha ensinado aos seus paroquianos que deviam estar prontos a “morrer por Cristo”. Durante os três meses de detenção e interrogatório os seus algozes tentaram obrigá-lo a fornecer provas contra a hierarquia católica e os seus irmãos sacerdotes, mas recusou.

Existe um interessante factor americano nesta perseguição. Uma das acusações contra o padre Simoni era de que tinha celebrado missa por alma do presidente Kennedy, precisamente um mês depois da sua morte. Encontrou-se no seu quarto um caderno com uma imagem do Kennedy, que foi apresentado no tribunal como prova material de… Qualquer coisa.

“Pela graça de Deus, a execução não foi levada a cabo”, contou o padre Simoni. Depois do julgamento, foi condenado a 28 anos de trabalhos forçados, primeiro nas minas e depois como trabalhador sanitário e de esgotos, até à queda do Comunismo, em 1991.

O padre Simoni é o último padre sobrevivente das perseguições na Albânia. O facto de Francisco se ter deixado emocionar pela sua história e de agora o ter feito cardeal significa que, tal como são João Paulo II deu a entender nas celebrações do Terceiro Milénio Cristão em 2000, o actual Papa ainda acredita que ainda há injustiças históricas por recordar… e corrigir.

Tal como muitos dos mártires e confessores modernos, o padre Simoni perdoou publicamente os seus acusadores e perseguidores e rezou repetidamente por eles. Numa entrevista com a Rádio Vaticano, depois de ter recebido as notícias inesperadas de Roma, afirmou: “Sou um servo indigno da Igreja, mas tudo o que fiz foi para Glória de Cristo, da Igreja e do povo da Albânia”.


Ines A. Murzaku é professora de Religião na Universidade de Seton Hall. Tem artigos publicados em várias publicações e livros. O mais recente é “Monasticism in Eastern Europe and the Former Soviet Republics”. Colaborou com vários órgãos de informação, incluindo a Radio Tirana (Albânia) durante a Guerra Fria; a Rádio Vaticano e a EWTN em Roma durante as revoltas na Europa de Leste dos anos 90, a Voice of America e a Relevant Radio, nos EUA.

(Publicado pela primeira vez no Sábado, 5 de Outubro de 2016 em The Catholic Thing)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Monday, 10 October 2016

O rabino que conversou com Jesus e novos cardeais

Morreu este fim-de-semana o rabino que “conversou” com Jesus. Jacob Neusner era admirado por Bento XVI que o citou muito nos seus livros. Se não conhecem já a figura, não é tarde de mais…

Também este fim-de-semana o Papa nomeou 17 novos cardeais, incluindo algumas escolhas que só não são surpreendentes porque Francisco já nos habituou a estas coisas.

Sobre a eleição de António Guterres, aproveito para partilhar dois artigos que escrevi para a imprensa estrangeira. Uma maior, para a Religion News Service e outra mais breve para a revista britânica The Tablet.

As igrejas cristãs da Síria vão fazer chegar à ONU e à União Europeia testemunhos de crianças sobre a guerra que destrói lentamente o país. Sobre a guerra, nomeadamente sobre o que se passa em Alepo, partilho o meu artigo da semana passada, que dá algum contexto.

O Conselho das Conferências Episcopais da Europa tem um novo presidente. O padre Duarte da Cunha continua como secretário-geral, pelo menos até 2018.

Se tivesse vivido no Sul dos EUA no tempo da escravatura, teria sido anti-esclavagista? De certeza? Então não deixe de ler o artigo interessantíssimo de Anthony Esolen do The Catholic Thing, publicado a semana passada. 

Monday, 5 January 2015

A nomeação de D. Manuel Clemente para Cardeal

Agora finalmente os que insistem em dizer
Cardeal Patriarca vão ter razão!
Demorou um ano, mas chegou!

Em bom rigor, como expliquei aqui em Janeiro de 2014, D. Manuel Clemente deveria ter sido nomeado Cardeal no consistório de 2014. Deveria, digo, não porque me apetece, não pelos seus lindos olhos, não porque “é costume”, mas porque existe uma bula que estipula que o Patriarca de Lisboa é nomeado Cardeal no primeiro consistório depois de tomar posse e essa bula, com força de lei, nunca foi revogada.

O ano passado, contudo, não foi e quem quiser saber o que eu concluí disso pode ler o texto. O que interessa é que este ano já foi. O que é que mudou?

Em primeiro lugar, mudou o facto de D. José Policarpo, infelizmente, já não estar vivo. Se estivesse, ainda seria eleitor e poderia por isso ser um impedimento à elevação de D. Manuel Clemente, por força de uma tradição mais recente da Igreja, mas que não é uma regra escrita, que estipula que não haja mais que um cardeal eleitor por diocese.

Contudo, olhando para dioceses como Veneza, que também é patriarcado, e Bruxelas, ambas consideradas dioceses “cardinalícias”, vemos que isso não é garantia nenhuma. Francisco voltou, novamente, a ignorar os bispos daquelas dioceses que assim continuam a não ser cardeais. Em vez disso decidiu elevar bispos de países como Tonga, Cabo Verde e Birmânia, algumas das quais, tanto quanto sei, nunca tinham tido um cardeal nem teriam grande esperança de vir a ter.

Está mais que visto que o Papa não liga à tradição das dioceses “cardinalícias” e por isso eu diria que a inclusão de D. Manuel Clemente na lista se deve sobretudo à existência da bula. Sei perfeitamente que não passaria pela cabeça do Patriarca fazer “lobbying” para ver este seu direito reconhecido, mas já não diria o mesmo sobre o Ministério dos Negócios Estrangeiros que poderá bem ter insistido junto da Santa Sé para que esta honrasse a sua própria lei. Não tenho aqui qualquer informação privilegiada, é uma mera suposição.

Mas a verdade é que, olhando para a lista dos novos cardeais, a inclusão de D. Manuel é um facto importantíssimo para a Igreja portuguesa que muito nos deve alegrar. Lembremo-nos que para além da não inclusão de várias dioceses que tradicionalmente têm cardeais, não houve um único nomeado da América do Norte, por exemplo.

Um espelho do mundo
O ano passado falou-se muito de o Papa ter incluído nomeações de países como o Haiti e Burkina Faso. Na altura isso até podia ser lido como uma mensagem, o Papa a querer abanar um bocadinho a consciência dos cardeais com as suas primeiras nomeações e brincar um bocado com a sua fama de imprevisibilidade. Mas as nomeações deste ano mostram que não se tratou de uma ideia passageira. Esta tendência veio, julgo eu, para ficar, e vai marcar a Igreja de forma importante nos próximos anos e, se assim continuar, no próximo consistório.

Como? Para começar, um grupo de cardeais completamente disperso, que só se conhecem e estão juntos nos consistórios que de tempos a tempos são convocados, têm maior dificuldade em formar grupos de pressão e lobbies para eleger os seus candidatos preferidos. E atenção que vejo ambas as coisas como normais, não é um comentário depreciativo. Ora, se isso acontecer, e ao contrário do que se pensava ser a tendência com Francisco, quem fica a ganhar mais são os cardeais da cúria romana, que se conhecem bem e estão juntos a toda a hora. É apenas um dado interessante, claro que a Igreja tem muito a ganhar em ter presente uma voz que fale pelos católicos do Tonga e das outras ilhas do Pacífico, bem como do Haiti, de Cabo Verde e tantos outros sítios.

Outras ausências
Por fim, o ano passado lamentei a não inclusão do Patriarca da Igreja Greco-Católica da Ucrânia na lista dos novos cardeais, sendo ele o líder da maior das Igrejas Católicas de Rito Oriental. Este ano o líder da Igreja Católica Etíope foi incluído, o que me parece excelente, mas o ucraniano não. É pena, sobretudo, porque existe a possibilidade de essa exclusão ser para não “ofender” Moscovo. Se for o caso é lamentável. Esperemos que não seja.

Teria sido também um gesto bonito, à luz da realidade actual, o Papa nomear um Patriarca de uma das Igrejas do Médio Oriente. Há pelo menos dois que não são Cardeais e poderiam ser: o Patriarca Sako, dos Caldeus (principalmente Iraque) e o Patriarca Inácio José Younan, da Igreja Siro-Católica. Younan seria uma escolha especialmente adequada, uma vez que a maioria dos católicos que estão actualmente refugiados na zona de Mosul e Planície de Nínive serão fiéis desta Igreja. Contudo, é possível que, à imagem do actual Patriarca da Igreja Melquita, estes tenham dito que não estão interessados, o que todavia não me parece provável.

Thursday, 11 December 2014

Mais um português "justo entre as nações"

"Justo entre as nações"
É uma notícia que muito honra o país. O museu do Holocausto, em Jerusalém, distinguiu mais um português pelo seu papel na salvação de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Joaquim Carreira era responsável pelo Colégio Pontifício Português, em Roma. A distinção deve muito ao trabalho de António Marujo, o jornalista que investigou mais a fundo a sua história.

Outra boa notícia, do meu ponto de vista, vem da Polónia, onde o tribunal constitucional decretou que a proibição do abate ritual de animais para consumo, uma questão importante para judeus e muçulmanos, é inconstitucional e por isso a prática pode ser retomada.

Menos boa, ou pelo menos polémica, é a decisão de um tribunal francês de mandar retirar um presépio de uma câmara municipal. Ganha importância por se tratar de uma localidade na Vendeia.

O Vaticano anunciou a realização de um consistório para criação de novos cardeais. Será em Fevereiro, como habitual. Não se sabe quem serão os cardeais, mas a lista poderá dizer muito sobre as prioridades do Papa e os portugueses estarão particularmente atentos…

A jornalista Rosário Silva dá-nos a conhecer um pouco sobre o dia-a-dia dos monges da Cartuxa. Vale sempre a pena ver.

Foram vários os portugueses que se associaram a uma iniciativa, ontem, de solidariedade para com Asia Bibi. Era fácil, bastava beber um copo de água.


E termino com um aviso. Todos os que se interessam por temas ligados ao tradicionalismo católico (e sublinho aqui o católico, por oposição a movimentos tradicionalistas que estão fora da comunhão com a Igreja) não quererão perder um colóquio que se realiza em Lisboa no próximo sábado. O programa está aqui.

Monday, 17 February 2014

Uma cobra pode matar um pastor na Dinamarca?

- Morde?
- Não.
- E a cobra? 
Bem-vindos ao bizarro mundo das igrejas cristãs americanas. Nos Estados Unidos existem umas quantas igrejas de manejadores de cobras venenosas, e uns quantos pastores dessas igrejas. Bom, menos um pastor agora. Adivinhem porquê?

**Blog bonus** Quem é, provavelmente, o manejador de cobras mais famoso de sempre? Veja no final do post.

Os oito super-cardeais que vão ajudar o Papa a reformar a Cúria estão por estes dias na Santa Sé. Mas ao que tudo indica não tiveram nada a ver com a decisão de Francisco de viajar com os seus documentos argentinos, que mandou recentemente renovar, em vez do passaporte diplomático a que tem direito.

Mais um sinal preocupante da Europa do Norte. A Dinamarca juntou-se aos países que proíbem o abate ritual de animais para alimentação. Segundo o ministro da agricultura os direitos dos animais são mais importantes que a religião.


Na passada sexta-feira, dia dos namorados, publicámos no site da Renascença uma reportagem com o pastor baptista Tiago Cavaco, sobre o seu mais recente livro “Felizes para Sempre e outros equívocos acerca do casamento”.

Monday, 13 January 2014

Novos cardeais e o horror do aborto

Como é evidente, a grande notícia religiosa do fim-de-semana foi a nomeação de cardeais por parte do Papa Francisco. Na lista não constou D. Manuel Clemente. Deveria ter estado? Não devia ter estado? É grave? Leia a minha análise aqui.

Entretanto hoje foi divulgada uma carta escrita por Francisco aos novos cardeais, na qual avisa que o cardinalato não é uma honra nem um privilégio, mas um serviço.

Este fim-de-semana o Papa também baptizou crianças em Roma. Entre elas uma filha de mãe solteira e um filho de pais casados apenas civilmente.

Esta manhã, o Papa discursou perante o corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé. É uma espécie de “Estado do mundo” que o Papa faz nestas alturas. Hoje falou muito das ameaças à paz e criticou o aborto como um “horror”.

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