quinta-feira, 31 de maio de 2012

Yom Huledet Same'ach!


Esther Mucznik (Foto DN)
Declarações de Esther Mucznik sobre o centenário da Comunidade Israelita de Lisboa à jornalista Filomena Barros. Pode ler a notícia aqui.

Fale-nos um pouco deste centenário
Esta comunidade, que chamamos a comunidade moderna é datada do início do século XIX, quando começaram a chegar judeus de Marrocos ou de Gibraltar que se instalaram em Lisboa, começaram a organizar-se e integraram-se muito bem na sociedade lisboeta daquela época. Organizaram-se com pequenas sinagogas em apartamentos, cemitério próprio, organizações de beneficência, tudo isso.

Mas na realidade a comunidade só foi legalizada, com os estatutos reconhecidos pelo Governo Civil de Lisboa, em Maio de 1912.

É isso que estamos a comemorar este ano, convidámos todos os Presidentes da República vivos, ministros, uma série de entidades oficiais, confissões religiosas que estão em Portugal, os amigos da comunidade. O que comemoramos sobretudo é a liberdade religiosa. A liberdade religiosa é um processo, não nos é dada de uma vez por todas. Começa com o final da inquisição em 1821, tem um arco importantíssimo em 1912 com o reconhecimento legal e tem um outro momento fundamental que é a lei da liberdade religiosa em 2001.

Mas não consideramos o caso encerrado. Hoje vivemos numa situação de democracia, de liberdade, o que é fundamental para a integração das pessoas e das comunidades, das minorias, na sociedade portuguesa, mas temos de estar sempre vigilantes porque a liberdade é um bem muito precioso, demasiado precioso para ser deixado assim sem nos preocuparmos com isso. É um processo. Comemoramos a liberdade religiosa, a vitalidade que a comunidade passou a conhecer depois de poder actuar às claras, a fidelidade da nossa comunidade aos princípios do Judaísmo e à vida judaica, e celebramos estes 100 anos com os olhos postos nos próximos 100 anos.

A cerimónia vai ter as mensagens dos diferentes representantes oficiais da comunidade. Vamos ter também um pequeno vídeo de 10 ou 12 minutos que passa história da comunidade nestes 100 anos. Vai ser distribuída uma brochura com a história mais aprofundada dos 100 anos da comunidade, é uma cerimónia simples, simbólica, vai ter também os salmos que serão lidos pelo rabino da comunidade e esperamos mensagens dos ministros que vão estar presentes, do presidente da Câmara de Lisboa, do secretário de Estado da Cultura também.

Esse documento que reconheceu a comunidade existe e está exposto?
Existe, somos os guardiões da memória, como sabe. Temos esse alvará. Ele não vai estar exposto mas estará no vídeo e na própria brochura.

Quantos membros tem a comunidade hoje?
Uma coisa é a comunidade, outra coisa são os judeus de Lisboa, nem todos pertencem à comunidade.

São à volta de 500 pessoas que são filiadas, que pagam as quotas, e cerca de 750 a 800 judeus em Lisboa.

É difícil dizer, é uma comunidade muito pequena. Ela é o resultado da história. Quando era possível os judeus virem para cá, Portugal já não era um país de grande atracção para imigrantes.

Agora tem muito mais gente que vem, por causa da União Europeia, mas são pessoas que vêm e estão uns anos e participam enquanto estão, mas depois muitos vão-se embora. É uma população flutuante, por isso é difícil dizer.

Finalmente temos também os descendentes dos antigos cristãos novos e que se consideram judeus. Por isso é que nos censos há sempre muito mais pessoas que se consideram judias do que os filiados nas próprias comunidades.


A este respeito, sugiro ainda a leitura deste artigo de Abril de 2011, sobre a lei de separação entre o Estado e a Igreja e os efeitos que teve para a comunidade judaica.

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