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Tuesday, 18 July 2017

Archer v. CR7 e D.J. Ortiga 50

O que diria o padre Luís Archer a Cristiano Ronaldo? Que é melhor gerar vida que a encomendar de um catálogo. Isto e muito, muito mais na interessantíssima entrevista que fiz a Francisco Malta Romeiras, que acaba de publicar, juntamente com Henrique Leitão, a obra selecta deste grande cientista.

A ONU apresentou um plano de acção para líderes religiosos combaterem o incitamento à violência, com Guterres a sublinhar a importância do exemplo destes líderes.

D. Jorge Ortiga assinala 50 anos de sacerdócio e diz que o ADN da Igreja está nas respostas corajosas. No fim-de-semana ordenou novos padres, a quem pediu para estarem no mundo sem “mundanismos”.

Conheçam aqui o projecto do Centro Comunitário São Cirilo, no Porto, que ajuda a integrar imigrantes.

Em todo o mundo morrem anualmente muitas raparigas, assassinadas pelas suas próprias famílias por alegadas ofensas à honra. Infelizmente um caso recente passou-se numa família cristã em Israel.

Este mail segue mais tarde que o normal porque hoje estou a fazer madrugada. Se isso vos aborrece de alguma forma, sigam o conselho do Papa: Proibido lamentar-se.

Wednesday, 17 February 2016

A riqueza do México aos pés do Papa

O Papa Francisco continua no México onde hoje teve um encontro com os jovens. Ninguém diria que tem 79 anos e está no final de uma viagem desgastante! Foi o delírio…

Antes, Francisco teve com religiosos, a quem pediu que não se resignem às injustiças e ao sofrimento.

Os mexicanos não têm desiludido. Esta tarde a cidade de Morélia recebeu o Papa com um mosaico humano do seu rosto!

Há jovens “betinhos” que passam os seus tempos livres a visitar presos e jovens detidos, aproveitando quando podem para evangelizar. Saiba mais aqui.

Morreu esta terça-feira Boutros Boutros-Ghali, o ex-secretário-geral das Nações Unidas que foi o primeiro africano a ocupar o cargo e pertencia a uma influente família cristã do Egipto. Que descanse em Paz.

Thursday, 12 December 2013

A raiz cristã dos Direitos Humanos

Transcrição integral da entrevista feita ao cónego João Seabra, sobre o conceito de Direitos Humanos e a sua relação histórica com a Igreja. A reportagem encontra-se aqui.

A relação entre a Igreja e a noção dos direitos humanos nem sempre foi linear, pode-nos falar um bocado dela?
A declaração Universal dos Direitos do Homem é de 1948, no rescaldo da Guerra e feita pela Assembleia Geral das Nações Unidas e convergem nela várias tradições de lidar com a posição da pessoa humana na sociedade.

A primeira, fundamental, é a anglo-saxónica, a “Bill of Rights” que vem da Magna Carta, e que é uma tradição concreta, de garantias, não uma tradução filosófica, do papel do homem na sociedade, mas uma tradição concreta de construção de garantias jurídicas que tutelem o espaço da autonomia da pessoa.

Converge com essa e coincide com ela a tradição francesa, que nasce da declaração dos direitos do homem e do cidadão da revolução francesa, de 1791, que é uma tradição de matiz ideológica, que concebe os direitos do homem não a partir da defesa de espaços concretos de liberdade das pessoas, mas através de uma concepção filosófica do homem como ser racional dependendo exclusivamente da sua razão e portanto uma concepção de liberdade do homem concebida como ausência completa de ligações à tradição e a qualquer poder superior, que confronta directamente a tradição católica.

Depois há ainda uma terceira, que é a tradição dos direitos sociais, não dos direitos de liberdade, mas dos direitos da igualdade, para usar os termos da revolução francesa. Essa tradição foi sobretudo representada pela União Soviética, o direito ao trabalho, à saúde, à habitação.

E ainda converge a tradição católica. A presença da influência católica na elaboração dos direitos do homem está estudada academicamente, que se traduz por uma introdução de uma defesa da família, da defesa dos direitos dos pais, da liberdade de religião, uma série de artigos da declaração, o famoso artigo 18, que entraram por influência católica.

De alguma maneira a declaração é um texto compósito, um texto onde estas diversas tradições se articulam num conjunto muito harmonioso e que fez doutrina e que hoje em dia na nossa ordem constitucional é normativo, porque a nossa constituição de 1976 tem uma amplíssima parte dedicada aos direitos fundamentais da pessoa humana e tem um artigo que diz que as disposições da constituição devem ser interpretadas nos termos da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Portanto em Portugal tem valor constitucional de interpretação dos direitos, liberdades e garantias garantidos pela própria constituição, portanto este documento é na sua origem um documento de equilíbrio de diversas tradições dos direitos do homem, onde há uma presença, logo desde 1948, da tradição católica.

E a Igreja Católica aceitou bem a declaração?
Na primeira década de vigência da constituição não há da parte da Igreja, e do Papa Pio XII, nenhum sinal de simpatia ou de acolhimento pela Declaração Universal, precisamente por causa dos elementos jacobinos da tradição francesa, que têm alguma presença no texto, ecos da versão mais concretamente anticatólica dos direitos fundamentais, sendo que a versão da revolução francesa tinha sido condenada várias vezes pela Igreja, pareciam aconselhar alguma prudência.

Mas logo no pontificado seguinte, o beato João XXIII, nas suas encíclicas Mater Magistra e na Pacem in Terris, faz um amplíssimo acolhimento à declaração universal, com um elenco de direitos e deveres, em versão católica. Quinze anos depois da declaração, podemos dizer que o acolhimento da Igreja foi amplo, largo e breve.

Seria possível chegar sequer à noção de direitos fundamentais do homem sem a tradição cristã?
É preciso dizer que a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, elaborados pela Assembleia Francesa de 1791 foi formada num estado de espírito anticatólico. Mas com tudo o que o racionalismo jacobino tem de anticatólico, antidogmático, anti-divindade, anti-espiritual, de afirmação a uma noção do homem como contraposto à divindade, com o que isso tem de directamente anti-religioso, essa concepção parte da concepção da pessoa humana, do indivíduo, que nasceu no interior da tradição cristã.

São Tomás escreveu que “A sorte da alma imortal de um único indivíduo vale mais que a sorte de todos os impérios”.

Esta ideia de que a pessoa, pelo seu valor eterno, único, exclusivo e perpétuo que tem para Deus, para o Criador e para o Redentor, vale mais que todos os impérios, é uma ideia tipicamente cristã, exclusivamente cristã, na história comparada das religiões, e na história das civilizações não surgiu em nenhum outro lado do mundo. Surgiu no ocidente cristão no século XIII cristão, no grande teólogo cristão como síntese da mensagem cristã, e está na origem da reflexão filosófica acerca do valor da pessoa que, em última análise, na sua versão ortodoxa deu a Doutrina Social da Igreja, e na sua versão do racionalismo iluminista deu a declaração jacobina de 1791.

Mas a matriz originária é a revelação feita pelo Filho de Deus feito homem do valor único, exclusivo e radicalmente irrepetível de cada Ser Humano.

Temos assistido a tentativas de acrescentar direitos como à “saúde reprodutiva”, direitos no âmbito dos homossexuais, por exemplo… falta algum direito à declaração?
Hoje há um movimento para a formulação de novos direitos que tem de ser estudado com cuidado, em primeiro lugar pelos juristas, depois pelos políticos e todas as outras pessoas.

A que é que chamamos novos direitos? Vemos a emergência, sob a pressão dos grandes movimentos sociais e culturais da segunda metade do século XX às quais a declaração em 1948 era completamente alheia. Falamos do movimento feminista, do problema da contracepção e controlo da natalidade, de todo o ambiente anti-natalista que se desenvolveu no mundo; falamos do movimento dos direitos homossexuais, uma série de realidades sociais novas que não existiam em 1948 e que se colocam diante da sociedade, reclamando direitos que muitas vezes são propostos como contrapostos aos antigos direitos liberdades e garantias.

Neste momento temos entre mãos o relatório Estrela [à data da entrevista ainda não tinha sido chumbada no Parlamento Europeu], que pretende impor os novos direitos contra os direitos clássicos dos pais educarem os filhos, os direitos de liberdade religiosa, de objecção de consciência, os grandes direitos reconhecidos como fundamentais pela Declaração Universal e que são o ponto de chegada de grandes lutas cívicas, grandes debates culturais, grandes mentes de tradição política e cultural, consagrados não só na declaração universal, mas também nos pactos fundamentais dos direitos do homem da Europa, na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, e nas constituições da maior parte dos países democráticos europeus.

Esses grandes direitos fundamentais, que são a tradição jurídica e política da Europa Ocidental, e constituem a ossatura da liberdade cívica dos nossos países, estão agora a ser postos em causa pela emergência de novos direitos que normalmente surgem por via da opinião pública, depois pela via mediática e depois por via jurisprudencial e que põem em causa de alguma maneira os direitos fundamentais tradicionais.

Eu penso que vem por aí um perigo para a democracia, perigo para os direitos fundamentais, porque os chamados novos direitos, que normalmente não têm a estrutura jurídica de direitos reais, são pretensões de parte, são reivindicações culturais, que se apresentam como manifestações de não-discriminação e que têm na origem uma grande confusão entre o direito de igualdade e de não-discriminação.

O conceito de igualdade é um conceito tradicional da linguagem dos direitos mas foi tendencialmente substituído pelo conceito de não-discriminação e esta é uma pretensão de tratar de maneira igual as coisas que são diferentes. Enquanto a igualdade é um valor que é tratar de maneira igual o que é igual e de maneira diferente o que é diferente, a não discriminação quer, pelo contrário, impor que todos sejam tratados igualmente, sejam iguais ou diferentes.

Em si, como valor, é uma coisa boa. Não discriminar é uma coisa justa, mas interpretada de forma ideológica e com uma ideologia combatente, está a transformar-se numa grande fonte de violação dos direitos fundamentais e de limitação dos direitos fundamentais.

Existem casos concretos em Portugal?
Evidentemente nos últimos anos surgiram sintomas muito preocupantes em Portugal e continua a haver muitas situações do género.

Em Espanha e França há grandes campanhas cívicas e eclesiais para combater essas situações. Entre nós não existe essa tradição. Não costumamos trazer à tona esses grandes casos, conformamo-nos, tentamo-nos adaptar, damos um jeitinho… Mas evidentemente que sim.

A proibição de rezar na escola pública, como aconteceu a um grupo de jovens que conhecia, que foram proibidos sob o pretexto absurdo de que não o podiam fazer porque a escola era pública; uma certa discriminação contra os profissionais de saúde que fazem objecção de consciência ao aborto, dentro do sistema de saúde. Eu não queria entrar agora em pequenas polémicas, porque uma vez que elas não estão levantadas por quem as deve levantar, não me compete a mim, mas há coisas absurdas.

É preciso um país de brandos costumes como o nosso, a proibição municipal de ter cruzes nos cemitérios, é uma coisa que brada aos céus. Em certos cemitérios, em Lisboa no cemitério de Carnide, no cemitério de Oeiras, as autoridades municipais, permitem-se igualizar as lápides. As lápides municipais podem ter uma cruz desenhada, mas uma pessoa não pode erguer uma cruz de pedra sob a campa dos seus maiores, porque a câmara não deixa. É uma coisa que só neste país de brandos costumes é possível.

Evidentemente se algum dia enterrar um dos meus num desses cemitérios porei uma cruz na campa e levarei a questão até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Mas é preciso um mau feitio como o meu para se dar ao trabalho, por isso as pessoas sujeitam-se e põem aquelas lápidezinhas municipais nas campas dos seus mortos, é uma coisa pasmosa como é que isso se permite.

Há quem diga que esta austeridade imposta pode chegar ao ponto de atentar contra os direitos humanos de alguns, nomeadamente dos pobres. Concorda?
Penso que essa é uma leitura passional emotiva e política que não tem nada de jurídico. Evidentemente que a política económica e fiscal tem obrigação de tentar ser justa, adequada, distributiva e retributiva quanto possível, mas também tem de ser realista. Não é contra os direitos do homem distribuir só o que há, porque distribuir só o que há é o que é imposto pela realidade das coisas.

Não pretendo fazer juízos sobre a política económica e financeira do Governo, não é a minha função, mas dizer que uma política económica como esta, imposta claramente pela realidade das coisas e pela actuação política de quem a condena é contra os direitos do homem parece-me uma maneira completamente ideológica de interpretar o que os direitos do homem querem dizer e não tem o menor fundamento jurídico.

Many of the things the UN does are a threat to human rights

Transcrição integral da entrevista a Austin Ruse, presidente da C-Fam, no inglês original. A notícia encontra-se aqui.

Full transcript of interview with C-Fam's Austin Ruse, in the original English. The news feature can be found here.

What exactly is C-FAM and what work do you do?
C-Fam is a non-governmental organization working almost exclusively at the United Nations. We were founded by the inspiration of John Paul II when he called regular people to go to the Cairo Conference in 1994. The C-Fam founders went to Cairo and then decided to open up a full-time office a few years later.

Our chief work is assisting UN diplomats in negotiating documents, making sure bad language does not get into them regarding life and family, and then telling the wider world what really goes on in the UN.

The Universal Declaration of Human Rights was a UN initiative. Do you believe it was a negative one?
I would say it was a good initiative. It was heavily influenced by Catholic thinking, it is a universal document that everyone can aspire to. So yes, I would say on balance that it was and remains a good document.

What is your opinion on the role of the UN at the moment, safeguard of human rights, or threat?
I would say that the UN is a net negative in the World today, and I think many of the things they are doing are a threat to genuine human rights. The reason I say that is because it seems to be a manufacturer of new human rights which really don’t exist. The right to homosexual marriage, for instance, the right to abortion. And as you push these new ideas of human rights which don’t exist, you undermine commonly held human rights that people agree to. Political self-determination, freedom of religion, so on and so forth. By advancing human rights that aren’t human rights, they hurt existing human rights. So the UN right now is a very serious problem.

Are there any others you’d like to point out, that people might not be so aware of?
A few years ago there was an effort by the French and German governments to write an international document allowing for cloning, for instance. This was a life issue which was actually defeated and the document issued actually calls for cloning to be banned around the world. But the main ones have to do with reproductive health and reproductive rights and this new phrase sexual orientation and gender identity, which includes a lot of different things, and not just homosexual marriage. So those are the two main ones, reproductive rights, which are used to promote abortion, and sexual orientation and gender identity, which is hotly debated nowadays.

Are the Muslim countries seen as allies in this regard?
Prior to the Cairo conference John Paul II made this call for people of faith to go to Cairo. At the same time he reached out to a number of governments. Largely catholic states, in addition to Muslim states, and he created an inter-governmental alliance which has tattered over the years but still remains, between these different faith groups.

What we have found is that on some issues the Muslims are very good allies. They are not exactly Catholic in their position on abortion, but they do find offence at the way these issues are advanced through international instruments. They believe it is inappropriate for the UN to advance these particular ideas.

So yes, we do work with Muslim states, it’s very effective. So effective that our opponents in the New York Times and the London Times call it the Unholy Alliance, between the Vatican and Muslim states. But it’s been very fruitful as a coalition and a learning experience for both us and the Muslims.

Does this work help Christians in Muslim countries? Or does it make it more difficult for you to put pressure on these countries regarding persecution of Christians?
Well the pro-life and pro-family groups in the UN tend to stay away from the religious freedom issue. Because it is very difficult to beat up on your allies one day and ask them for help the next.

Governmentally the Holy See can do that, and it does, and there are lots of organizations at the UN that push for the rights of Christians who are persecuted in Muslim States, so we tend to stay away from that.

However, we firmly believe that we do that sort of work by lovingly embracing these people on the life issues and showing them a good Christian face, of people who are willing to work with them, love them and become friends with them. We do give aid to our beleaguered brothers and sisters who are under attack by being good Christians to the Muslims we meet in New York.

When a Muslim diplomat shows up in New York for the first time he fully expects that he is going to meet nothing but pimps prostitutes and pornographers. Because that is one of the faces we show to the world. So when they meet Christians who pray, and pray for them, I think it changes their lives.

For those of us unfamiliar with the workings of the UN, how dangerous is it to get this language into a document which might not be binding?
There are documents, treaties and conventions, which are binding. The UN just issued a document in 2006 on persons with disabilities, and it was the first hard law treaty to include the phrase reproductive health. And the committee that oversees that treaty has already redefined reproductive health, in that treaty, to include abortion and has pressured governments to change their laws. When Spain, under Zapatero, changed the laws on abortion, in the law they cited that treaty as justification.

The non-binding documents have an effect as well, because when you put a phrase into a non-binding resolution 100 times, 1000 times, 10.000 times, it seems like reproductive health and reproductive rights are in these documents that many times, it contributes to the drumbeat that there is a new international norm. And the comments of these committees on reproductive health are used by governments. The CEDAW treaty on women’s rights doesn’t mention reproductive health, but the committee has read reproductive health and abortion into the document and governments have changed their laws based on those comments. So all of this contributes to what the left wants to see as a change in international norms, and therefore governments have an obligation to change their laws. So that’s why we do what we do, to counter those arguments, to explain why the arguments are false. A few years ago we issued the San José Articles, an expert document drawn up in San José, Costa Rica, which point by point knocks down the claims of the other side that there are international obligations on reproductive health and rights, and abortion. People can see that on SanJoseArticles.org and see the experts that signed the document.

Has Portugal been an ally or an adversary in these issues?
Portugal has always been silent. Which means that largely they are an adversary.

What happens at the UN is that the other side writes the document and we have to chip away at it. Those who remain silent are basically siding with the document. The only way to get bad language out of a document is for governments to speak up or to lend their voice to a coalition that is speaking up, and Portugal has always remained silent.

I don’t remember Portugal ever having spoken out at all, which means that they generally have been on the other side.

Tuesday, 10 December 2013

Direitos humanos - aniversários, ameaças e vitórias

Pai dos direitos humanos?
Hoje é o aniversário da declaração Universal dos Direitos Humanos. A Renascença publicou dois trabalhos (um terceiro sairá em breve), sobre os direitos humanos por uma perspectiva católica.




Ainda no campo dos direitos humanos, o Papa chamou atenção para o “escândalo” da fome.


Sabia que o que os protestos na Ucrânia têm também contornos religiosos? Saiba mais aqui.

Por fim, mais dois textos de análise à exortação apostólica “A Alegria do Evangelho”. O que diz o Papa sobre a Família, e o que diz sobre o Perdão.

Thursday, 11 July 2013

O Hamas Precisa de Amigos...

O Papa Francisco actualizou hoje o código penal da Santa Sé. Naquele Estado deixa de existir pena de prisão perpétua e alarga-se a definição de crimes contra menores.


Normalmente os rigores do jejum do Ramadão só comprometem os muçulmanos, mas na Arábia Saudita quem violar as suas regras em público, mesmo que seja não muçulmano, pode ir para a cadeia ou ser expulso do país.

No Egipto foi morto mais um cristão como represália pelo apoio que os coptas têm dado ao golpe militar contra a Irmandade Muçulmana.

Tem muito dinheiro ou fabrica bombas caseiras? Ligue para a Palestina, porque ao que parece, o Hamas está a precisar de amigos.

Wednesday, 10 October 2012

Todos a seguir a… Rússia?

Austin Ruse
Os russos estão fartos. O ano passado no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, iniciaram um processo que deveria levar a uma resolução que estabelecia uma relação entre os direitos humanos e os valores tradicionais. A oposição foi quase imediata e veio dos sítios do costume: a União Europeia, os Estados Unidos e os seus apoiantes de organizações não-governamentais que defendem os “direitos humanos” e os grupos homossexuais.

As potências ocidentais sabem bem como minar as iniciativas de que não gostam. No projecto inicial russo lia-se que os direitos humanos radicam na força moral dos valores tradicionais. Havia linguagem que defendia o direito à vida, a importância da família na sociedade e o papel desempenhado pelas principais religiões.

Os governos de esquerda acusaram o projecto russo de não dar atenção à ligação existente entre valores tradicionais e violações dos direitos humanos. Os Estados Unidos e alguns países europeus, em particular, afirmaram que os valores tradicionais são uma ameaça para os direitos das mulheres, dos homossexuais e transsexuais.

Foi encomendado um novo “estudo” que acabou por retirar quaisquer referências à família, religião e direito à vida. Mais, o novo projecto acusava os valores tradicionais de colocarem em perigo os direitos das mulheres e das minorias.

Como costuma acontecer nas Nações Unidas, a esquerda acabou por levar a sua avante. Mas os russos não, e muitos outros também não. Estava agendada uma discussão sobre o novo estudo em Genebra, a semana passada. Desta vez os russos foram firmes, animados por uma confiança cultural conservadora que deve ter dado arrepios aos europeus e à claque LGBT no Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Os russos limitaram-se a ignorar os seus adversários, exigiram uma votação e ganharam. Estavam tudo menos sozinhos. A resolução foi assinada por mais de 60 governos e acabou por passar no Conselho de Direitos Humanos com 25 votos a favor, 15 contra e 7 abstenções.

O novo documento é uma vitória para os valores tradicionais no entendimento dos direitos humanos, deixando claro que estes são universais e não se encontram em “evolução”, como afirma a esquerda.

Momentos depois da votação o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moscovo emitiu um comunicado que a minha colega na C-FAM, Stefano Genarrini, descreveu como “cheio de confiança”, onde se lê: “A Federação Russa, juntamente com os seus aliados, continuará a promover no Conselho de Direitos Humanos a ideia de que os direitos humanos e os valores morais tradicionais são inseparáveis.”

O comunicado criticava ainda as medidas da União Europeia e dos Estados Unidos, lamentando as “posições negativas destes países, a falta de vontade de trabalhar o texto e os argumentos rebuscados contra a resolução”.

Aquilo a que estamos a assistir nas Nações Unidas é o acordar do urso da política social russa. Muitos Governos estão a ficar saturados com a agressividade da esquerda sexual, que já se infiltrou firmemente na burocracia das Nações Unidas e dos direitos humanos.

O acordar do "Urso Russo"?
A maioria dos estados-membro já não pode ouvir as insistências sobre os direitos à saúde reprodutiva. Aliás, nas recentes negociações Rio+20 sobre o ambiente os russos lideraram os esforços para remover linguagem a favor dos direitos reprodutivos, um revés que levou a esquerda, incluindo Hillary Clinton, a denunciar o documento final.

Há muitos anos que se tenta transformer a homossexualidade e suas variantes numa categoria protegida pelo direito internacional. Mais de metade da Assembleia Geral das Nações Unidas são contra isto, os russos em particular.

Mas a maior parte dos países temem enfrentar a pressão. Muitos dependem da generosidade das Nações Unidas, União Europeia e Estados Unidos. O Departamento de Estado visitou pessoalmente muitas das delegações nas Nações Unidas e fez ameaças por causa de uma votação no Conselho de Direitos Humanos que pedia um estudo sobre a violência contra os homossexuais.

Mesmo um país como a Jamaica, por exemplo, que em termos politicos e culturais não é favorável à homossexualidade, cedeu perante tamanha pressão e, embora não tenham votado a favor, aceitou abster-se.

Mas a Rússia não tem medo do bullying das Nações Unidas, da União Europeia nem dos Estados Unidos. A Rússia está profundamente preocupada com a diminuição da sua população e já iniciou um debate interno sobre o aborto legal. Os rusoss não consideram a homossexualidade normal. Ao mesmo tempo a Rússia parece contente com a hipótese de confrontar os seus concorrentes geopolíticos nesta arena.

Ter a Rússia na linha da frente nestes assuntos é útil por variadas razões. Retira a pressão da Santa Sé, que nunca se sentiu confortável no papel de líder nesta luta. A Santa Sé prefere dar apoio moral, falar nos momentos chave, mas não liderar. Depois, há o facto de a Rússia não ser um Estado islâmico. Os Estados islâmicos, quer sozinhos quer através da Organização da Conferência Islâmica, são caricaturadas como ayatollahs no que diz respeito a políticas sociais.

Há quem pergunte se, enquanto conservadores, devemos aliar-nos a um concorrente geopolítico dos Estados Unidos. E a repressão interna na Rússia? E as Pussy Riot?

Num mundo ideal as democracias ocidentais e as Nações Unidas seriam os maiores defensores dos bebés por nascer, em vez de promoverem o aborto. Defenderiam o casamento tradicional em vez de promover práticas sexuais aberrantes, definindo-as como “direitos” humanos.

A Rússia é tudo menos perfeita, mas no campo das políticas sociais está bastante à nossa frente nesta altura.



Austin Ruse é presidente do Catholic Family & Human Rights Institute (C-FAM), sedeado em Nova Iorque e em Washington D.C., uma instituição de pesquisa que se concentra unicamente nas políticas sociais internacionais. As opiniões aqui expressas são apenas as dele e não reflectem necessariamente as políticas ou as posições da C-FAM.

(Publicado pela primeira vez em www.thecatholicthing.com na Sexta-feira, 5 de Outubro de 2012)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

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