terça-feira, 5 de junho de 2012

"Ecumenismo também parte da amizade"


Monsenhor Duarte da Cunha
Transcrição integral da entrevista com monsenhor Duarte da Cunha, secretário da Comissão das Conferência Episcopais da Europa, acerca do 3º Fórum Católico-Ortodoxo, que hoje começa em Lisboa. Notícia aqui.

Que encontro é este, qual a ideia por detrás?
Esta é a terceira edição do Fórum Católico – Ortodoxo. De dois em dois anos reúne-se um grupo de 12 bispos representantes das conferências episcopais da Europa com delegados de cada Igreja Ortodoxa da Europa.

A ideia partiu de alguns ortodoxos, sobretudo do patriarcado de Moscovo que, preocupados com a secularização da Europa, bateram à porta da Igreja Católica, da CCEE a dizer que era preciso fazer alguma coisa para haver uma resposta unida aos desafios de hoje.

O objectivo por isso não era substituir a comissão de diálogo que já existe, que trata de questões de doutrina, mas sim colocarmo-nos juntos à mesa para discutir questões sociais, pastorais e antropológicos que sejam mais da área do trabalho concreto da pastoral das igrejas, e também um desafio às instituições europeias e à sociedade e ao Governo para que se possam ver confrontados por uma posição em comum de católicos e ortodoxos sobre os temas actuais.

Porquê em Portugal este ano?
Decidimos fazer este ano em Lisboa porque a ideia desde o início é que um ano organiza uma Igreja Católica, noutro ano organiza uma Igreja Ortodoxa. O primeiro encontro foi em Trento, o segundo foi em Rhodes, organizado pelo Patriarcado Ecuménico e este ano surgiu a ideia de fazer em Lisboa.

O Ecumenismo também se processo desta forma?
O ecumenismo tem vários aspectos. Uma área é do diálogo teológico-doutrinal, onde se deve tentar perceber as diferenças, tentando perceber o que é o mais fiel à origem da nossa fé. Vai buscar as coisas que nos dividiram e tenta encontrar modos de nos percebermos juntos e de unirmos as nossas tradições.

Outro modo é da relação concreta entre pessoas que vivem lado a lado. Os cristãos que são vizinhos e precisam de se entender, é uma parte também importante.

O terceiro aspecto é na questão de unidos termos uma posição comum sobre determinados aspectos, em que se vê que a nossa comum fé pode ter também um juízo ou uma proposta para a sociedade hoje em dia, e que por isso tenha mais força.

Através destes encontros vai-se estabelecendo uma amizade entre as pessoas…
O Ecumenismo, como em muitas outras coisas, de facto hoje em dia parte da amizade e das relações humanas, porque essa amizade depois abre as inteligências e abre o coração para que as pessoas encontrem caminhos de união. Estes encontros em que há tempo de oração comum, tempo de conversa, em que se almoça e janta juntos, são momentos em que se afirmam relações de amizade, em que as pessoas se começam a conhecer. São altos representantes das suas igrejas e por isso podem falar em nome das suas igrejas.

O tema é actual, uma crise que tem afectado tanto países católicos como ortodoxos, não é?
Exactamente, nós precisamos de enfrentar aquilo que são os problemas actuais e esta crise que afecta a Europa parece-me evidente que tem de ser abordada por nós. Essa abordagem será feita teologicamente, porque apesar de não ser um diálogo sobre a doutrina, é um diálogo que parte da nossa fé, da teologia. Portanto é uma abordagem teológica sobre os problemas que a Europa atravessa e esperamos poder ter alguma proposta e uma posição comum sobre a crise que afecta muitos países ortodoxos e católicos, sobretudo do sul mas também do Norte.

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