Showing posts with label Arménia. Show all posts
Showing posts with label Arménia. Show all posts

Friday, 24 November 2023

Terra Santa, antissemitismo e Arménios preocupados

Vamos já na sexta semana da guerra na Terra Santa e começa-se a falar finalmente num cessar-fogo e libertação de reféns. Isto acontece no dia depois de o Papa ter recebido em audiência delegações de ambas as comunidades, de ter ouvido protestos contra a campanha militar israelita por parte de peregrinos palestinianos na audiência geral, e de ter dito – novamente – que ninguém vence nas guerras, todos perdem. Na quarta-feira foi anunciada ainda uma campanha de oração pela paz e a fundação Ajuda à Igreja que Sofre prometeu reforçar o apoio monetário aos cristãos da Terra Santa.

A guerra na Terra Santa tem despertado muitas emoções em todo o mundo, e temos assistido a uma explosão de manifestações de antissemitismo. Neste caso em particular nem sempre é fácil de avaliar. Há quem considere uma crítica a Israel como um acto antissemítico, e quem diga que não, distinguindo o sionismo do judaísmo. É um tema complexo. Mas é por vezes o carácter antissemítico é inegável e é ingénuo pensar que ele se deve unicamente às decisões e aos actos praticados pelo Estado israelita actualmente. Este tema é explorado no artigo desta semana do The Catholic Thing, onde David Warren conclui que o antissemitismo é, lá no fundo, uma revolta contra Deus e um eco do pecado original.

Enquanto estamos todos focados em Gaza, contudo, o conflito na Terra Santa continua a decorrer noutras frentes e com outras armas. Hoje convido-vos a olhar para Jerusalém, onde há décadas decorre uma campanha levada a cabo por activistas judeus para comprar o máximo de propriedades e terreno possível, para tentar garantir uma maioria judaica na Cidade Santa. O mais recente incidente envolve um negócio obscuro que representa um quarto do sector arménio e meteu manifestações, colonos armados, cães e fantasmas de Nagorno Karabakh. Curioso? É caso para isso.

E para fechar este tema da Terra Santa, digo-vos que estarei no domingo no Atheneu Artístico Vilafranquense, em Vila Franca de Xira, para falar sobre o conflito em curso a participantes da Jornada da Pastoral Juvenil. É Às 10h. A mesma pastoral, inspirada pelo que se passou na JMJ, está a recomendar o uso de famílias de acolhimento para estudantes deslocados que estão a ter dificuldades em encontrar alojamento acessível nas grandes cidades.

Estamos em plena #RedWeek, durante a qual recordamos os cristãos perseguidos em todo o mundo. A fundação Ajuda à Igreja que Sofre organizou uma série de eventos, incluindo com o bispo do Porto e o bispo de Setúbal.

E termino com uma história curiosa. O bairro de Ciudade Chávez, na Venezuela, foi criado há uma década com o objectivo de ser um paraíso socialista, e por isso sem Deus, nem igreja. Agora, contudo, foi inaugurada a primeira paróquia. Há aqui uma lição, obviamente. Podemos revoltar-nos contra Deus, mas com paciência e tempo, Ele vence sempre. Felizmente.

Thursday, 23 November 2023

O outro conflito na Terra Santa. A terra em si.

Há poucos dias foi publicada uma declaração curiosa por parte dos líderes das igrejas cristãs da Terra Santa. Os líderes lamentaram os acontecimentos recentes no bairro arménio de Jerusalém.

Antes de entrar nos detalhes, é preciso explicar que Jerusalém está dividida essencialmente em quatro sectores. O sector judeu, o sector muçulmano, o sector cristão e o sector arménio. Todos representam as antigas comunidades que vivem na cidade, lado-a-lado, há séculos.

O bairro arménio é o mais pequeno dos quatro e é distinto do bairro cristão, que é maioritariamente habitado por cristãos árabes.

Quando o Estado de Israel foi fundado, em 1948, Jerusalém era suposto ficar sob controlo internacional, mas no seguimento do ataque falhado por parte da coligação árabe, Israel tomou conta da parte ocidental, ficando a Jordânia com a oriental. Em 1967, depois da Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou a parte oriental. A cidade ficou toda sob controlo de Israel desde então, embora à luz do direito internacional seja considerado território ocupado.

Sabendo disso, e para consolidar o controlo de facto da cidade, activistas judeus têm estado envolvidos numa campanha de décadas para comprar, aos poucos, todo o terreno possível em Jerusalém, com o objectivo de assegurar uma maioria judaica naquela que consideram ser a capital eterna de Israel. Como devem calcular, as outras comunidades temem esta estratégia e têm lutado contra ela, condenando e censurando publicamente quem vende terreno ou edifícios a judeus.

Irineu a acenar do seu "exílio"
Um dos casos mais polémicos – envolvendo cristãos, pelo menos – ocorreu no início do milénio, quando se descobriu que o Patriarca Irineu, da Igreja Ortodoxa Grega em Jerusalém, tinha vendido secretamente terreno da Igreja a investidores judeus. Sublinho aqui que embora a hierarquia do Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém seja de etnia grega mesmo, a esmagadora maioria dos fiéis são árabes palestinianos. O impacto do negócio entre a comunidade foi de tal ordem que o Patriarca foi destituído e viveu durante anos num apartamento no edifício do patriarcado, recebendo comida subida por cordas num cesto e afirmando estar detido contra a sua vontade. Apesar disso, Israel continuou a reconhecê-lo como o Patriarca legítimo até 2007. Irineu deixou finalmente Israel em 2019, tendo morrido em janeiro deste ano. O actual Patriarca impediu-o de ser sepultado em Jerusalém, por isso foi enterrado na sua terra natal, na Grécia.

Agora parece que estamos perante a mesma situação, mas com a Igreja Arménia. Um empresário judeu australiano afirma que o Patriarcado Arménio lhe vendeu uma propriedade em Jerusalém, mas o Patriarca diz que não tinha essa intenção e que foi enganado. Para terem noção, o negócio envolve território equivalente a 25% de todo o bairro arménio. O Patriarcado Arménio está a contestar o negócio, dizendo que este tinha de ter passado pelo sínodo, o que não aconteceu.

Recentemente a empresa compradora tentou arrancar com obras num parque de estacionamento, que está entre os lotes disputados. Os arménios convocaram uma manifestação pacifica no local, para contestar a actividade, e em resposta apareceu um grupo de colonos judeus, com armas e cães, que ameaçaram os arménios, intimando-os a abandonar o local. Foi preciso chegar a policia para pôr cobro à questão, mas o clima de tensão mantém-se e os arménios de Jerusalém estão muito preocupados, porque a avançar este negócio ameaça a própria sobrevivência da comunidade.

Foi isto que motivou a declaração conjunta dos líderes religiosos. É mesmo preciso ter em conta a importância destas declarações conjuntas, porque as relações entre as diferentes confissões cristãs na Terra Santa são famosas por serem muito conturbadas e até hostis, especialmente entre os gregos e os arménios. Quando falo em hostis não é ao nível da população geral, que até se dá bem, mas entre padres e monges, que não raras vezes se envolvem em confrontos físicos.

Por fim, há aqui um aspecto que pode parecer simbólico, mas é também importante, sobretudo para a comunidade arménia. Os arménios são um povo muito unido. Estando espalhados pelo mundo, mantém entre eles uma solidariedade e sentido de pertença assinalável. Por isso, todos os arménios sentiram na sua própria pele a derrota dos seus compatriotas em Nagorno Karabakh e a consequente expulsão do território disputado pelo Azerbaijão. Pode-se dizer, por isso, que a ameaça de serem varridos de outro território que habitam há séculos é levada muito a sério.

Mas para agravar tudo isto, sabe-se que para além do apoio da Turquia, o Azerbaijão só conseguiu reverter o status quo em Nagorno Karabakh com armas fornecidas por Israel, por isso a actual ameaça partir de israelitas armados é um golpe particularmente duro para os arménios.

O confronto entre Israel e o Hamas, em Gaza, tem dominado as notícias ao longo do último mês, mas, como estamos a ver, essa é apenas uma parte de um conflito muito complexo e que tem uma variedade de frentes, nas quais o dinheiro e a aquisição de terra são também armas fundamentais.

Friday, 22 September 2023

D. Américo em Setúbal e Adeus Nagorno Karabakh

Acaba de ser anunciada oficialmente a nomeação de D. Américo Aguiar para bispo de Setúbal. Aqui encontram a minha análise a esta nomeação, e aqui podem ver o novo brasão do futuro cardeal.

As autoridades de Nagorno Karabakh apresentaram ontem a sua rendição às forças do Azerbaijão que sitiavam o território há meses e que nos últimos dias lançaram ataques em larga escala. Salvam-se assim muitas vidas, que sem dúvida se perderiam se a guerra continuasse, mas a perda em termos de património histórico e cultural é incalculável. Este é um tema que me é caro porque eu já estive em Nagorno Karabakh. Andei pelas trincheiras que agora foram ocupadas, visitei monumentos que agora muito provavelmente serão destruídos, conheci pessoas que estão agora a ver se conseguem fugir. Neste texto tentei retratar um pouco do que se está a passar, explicando, por exemplo, porque é que isto é uma derrota também para a Rússia e até, de certa forma, para o Vaticano.

De Moçambique chega a notícia de mais um massacre de cristãos na província de Cabo Delgado.

E por tudo isto, pela Ucrânia, por Nagorno Karabakh, por Moçambique e tantos outros sítios onde as armas não se calam e o ódio move as pessoas, devemos unir-nos mais uma vez à iniciativa da fundação Ajuda à Igreja que Sofre de pôr um milhão de crianças a rezar o terço, no dia 18 de Outubro. Todos os anos chega-se um pouco mais perto desse número. Desafie os seus filhos, netos e amigos. Toda a informação aqui.

Não percam ainda o artigo desta semana do The Catholic Thing, no qual Francis X. Maier nos desafia a desligar-nos um pouco mais das redes, libertando-nos da dependência da tecnologia que nos rodeia. Tomem o comprimido encarnado.

Thursday, 21 September 2023

Adeus Artsakh

Em 2016 viajei com um grupo de jornalistas para o enclave de Nagorno Karabakh. Fomos primeiro para Yerevan, na Arménia, e de lá era suposto seremos levados de helicóptero para Stepanakert. Por causa do mau tempo, porém, tivemos de partir de autocarro por volta da 1h00, para fazer quase cinco horas de estrada, sempre com curvas e a subir montanhas.

Chegámos de madrugada à autoproclamada República de Artsakh, um território historicamente povoado por arménios, dentro do Azerbaijão. Quando a União Soviética se desintegrou, os Arménios de Karabakh, que era administrada pelo Azerbaijão, declararam independência, o que conduziu a uma guerra. Foram cometidas atrocidades de parte a parte, morreram famílias inteiras, mas os arménios venceram e consolidaram o seu controlo sobre a região. Declararam uma independência que nunca foi reconhecida por ninguém, nem sequer pela Arménia, e assim viveram durante 30 anos, rodeados de inimigos, ligados ao mundo exterior apenas pelo corredor de Lachin, que lhes permitia ter acesso à Arménia.

Em Karabakh assistimos às comemorações dos 25 anos da "independência", junto ao cemitério militar. Uma das coisas mais impressionantes da viagem foi mesmo ver as inúmeras campas de soldados mortos ao longo dos anos a defender aquela terra. Num caso em particular estavam três irmãos que morreram na mesma batalha, outros tinham imagens gravadas no mármore dos mortos fardados e de arma na mão; visitámos ainda a linha da frente, onde recebi de um oficial um Novo Testamento arménio, camuflado, e fomos ao famoso monumento "Nós somos as nossas montanhas" que é o símbolo de Artsakh. Os arménios de Karabakh queriam mostrar-nos que estavam a defender mais que um país, estavam a lutar por uma herança, pela terra onde tinham vivido e morrido os seus antepassados, ao longo de séculos, e que contra todas as expectativas estavam a conseguir fazê-lo.

Tudo isso acabou ontem.

Depois de anos a rearmar-se e a incentivar um ódio étnico e cultural aos arménios, e com o apoio imprescindível da Turquia, o Azerbaijão voltou a atacar Karabakh, como tem feito sempre por esta altura do ano, ao longo dos últimos dois anos. Desta vez, com o corredor de Lachin bloqueado por alegados activistas ambientais, sabendo que a Arménia não se iria comprometer com uma guerra total contra os azeris, e sem o apoio da Rússia, as autoridades de Nagorno Karabakh anunciaram a sua rendição. Artsakh morreu.

Estão neste momento a ser negociadas as condições da rendição, mas o que se avizinha é previsível. A perseguição dos arménios que não fugirem – do aeroporto de Stepanakert já chegam as imagens de caos que acompanha sempre estes momentos – e o apagamento sistemático da milenar herança cultural e religiosa arménia da região.

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, perguntei neste texto o que aconteceria se Moscovo perdesse a guerra, acrescentando que perder a guerra, neste contexto, era tudo o que ficasse aquém da ocupação de Kiev em três dias. Uma das minhas previsões era exactamente a tragédia que agora se está a desenrolar à nossa frente.

Mas esta é também, de certa forma, uma derrota diplomática para o Vaticano. Em 2016 Francisco visitou tanto a Arménia como o Azerbaijão. O objectivo era tentar promover a pacificação. Mais recentemente o cardeal Parolin também esteve em missão entre os dois estados para tentar impedir o recrudescimento do conflito. Ao menos tentaram, mas sem sucesso.

Karabakh não é apenas mais um território. É para os arménios o que Guimarães é para Portugal, o que o Kosovo é para os Sérvios (outros cuja dependência do amigo Putin de pouco lhes tem valido). Independentemente do direito internacional, que de facto reconhece a região como parte do Azerbaijão, o que se está a passar ali é uma dor de alma. É o coração de um povo que está a ser arrancado e esmagado diante dos seus olhos.

É também o recordar de tragédias colectivas do passado. Os azeris são turcomanos, e existe uma expressão na Turquia e no Azerbaijão: Um povo, dois estados. Por isso mesmo, e pela importância da mão de Erdogan nisto tudo, os arménios sentem que este é apenas mais um capítulo do terrível genocídio de 1915.

Como me disse um arménio quando estive lá em 2016: “Em 1915 mataram os arménios ocidentais, agora querem acabar o trabalho”.

"They protect the land" - Música dedicada a Nagorno Karabakh pela banda System of a Down, constituída por arménios americanos

Thursday, 15 September 2022

Francisco a ser Papa no Cazaquistão

O Papa está no Cazaquistão. Engane-se quem pensa que esta é apenas mais uma viagem apostólica, é muito mais que isso. Neste texto pretendo falar brevemente da dificuldade de navegar entre o diálogo religioso e o sincretismo, da importância contextual dos apelos do Papa à paz, e à questão da relação com a Igreja Ortodoxa Russa.

Diálogo sem sincretismo

Francisco está na capital do Cazaquistão, uma ex-república da União Soviética gigante que, curiosamente, tem investido muito em promover o diálogo inter-religioso ao longo das últimas décadas.

Os cristãos são uma minoria de 25% no país, e católicos são apenas 1%, na grande maioria membros de outros grupos étnicos, desde polacos a coreanos. A história da Igreja no país também é curiosa, uma vez que muitos dos católicos descendem de pessoas que foram deportadas para a região durante as perseguições na União Soviética. No Cazaquistão havia 11 campos de concentração, parte do sistema Gulag.

A relação da Igreja Católica com o diálogo inter-religioso é complexa. Durante séculos a atitude era de que esta é a Igreja fundada por Deus, quem quiser pode entrar, mas não há mais nada para discutir. O Concílio Vaticano II cristalizou uma mudança gradual de posição, tanto ao nível ecuménico como de diálogo inter-religioso, e Roma passou a interessar-se no diálogo. Em 1986 o Papa João Paulo II iniciou os encontros inter-religiosos de Assis, para rezar pela paz. Foi muito criticado por isso, com os seus adversários a dizer que os encontros promoviam o sincretismo e o relativismo, mas ele persistiu, tentando sempre deixar claro que juntar pessoas crentes para suplicar a Deus pela paz é diferente de dizer que essas crenças são todas igualmente válidas, ou que as diferenças não interessam.

Estes encontros no Cazaquistão surgem desse mesmo espírito de Assis. Quem o diz é o bispo de Almaty, no Cazaquistão, que é espanhol e foi entrevistado recentemente pela fundação Ajuda à Igreja que Sofre. Mas os críticos não desarmam e continuam a levantar o fantasma do relativismo.

Francisco está, por isso, em terreno difícil no Cazaquistão, mas no seu discurso ao Congresso de Líderes de Religiões Mundiais e Tradicionais não desiludiu e falou precisamente como Papa que é. Encorajou a colaboração inter-religiosa pela paz, condenou a utilização da religião para justificar a guerra e criticou, usando mesmo esse termo, o sincretismo. Foi um bom discurso, pleno de referências locais, que pode ser lido aqui. Deixo-vos com uma das principais citações:

Queridos irmãos e irmãs, avancemos juntos, para que seja cada vez mais amistoso o caminho das religiões. (…) O Altíssimo liberte-nos das sombras da suspeita e da falsidade; conceda-nos cultivar amizades ensolaradas e fraternas, através do diálogo frequente e da sinceridade luminosa das intenções. E desejo agradecer aqui o esforço do Cazaquistão neste ponto: sempre procura unir, sempre procura incentivar o diálogo, sempre procura construir a amizade. Isto é um exemplo que o Cazaquistão dá a todos nós e devemos segui-lo, apoiá-lo. Não procuremos falsos sincretismos conciliatórios – não servem –, mas guardemos as nossas identidades abertas à coragem da alteridade, ao encontro fraterno. Só assim, por este caminho, nos tempos sombrios que vivemos, poderemos irradiar a luz do nosso Criador.

Falar de paz numa região de guerra

É certo que Francisco fala muito de paz, e que tem falado sobretudo muito da guerra na Ucrânia. Podem ver aqui a extensa lista das declarações sobre o assunto que tem feito nos últimos meses, desde que a Rússia invadiu o país vizinho. Mas é preciso ter em conta o contexto em que o faz agora, no Cazaquistão. Aqui Francisco está ao lado da Rússia, na sua esfera de influência, e as suas palavras têm mais peso.

Mas é preciso ter também em conta que não é apenas a na Ucrânia que soam as armas neste momento. Sem sair da zona da ex-União Soviética, temos tido também problemas nos últimos dias, com tiros e mortos, na fronteira entre o Quirguistão e o Tajiquistão e, com uma gravidade muito maior, temos assistido a uma tentativa de invasão da Arménia por parte do Azerbaijão. Este último caso era previsível, infelizmente, e escrevi sobre ele exatamente quando a guerra na Ucrânia começou. Preferia ter-me enganado. Os problemas entre o Azerbaijão e a Arménia são mais graves ainda na medida em que o primeiro é muçulmano e o segundo cristão. O conflito é territorial, não religioso, mas existe sempre o risco agravado de adquirir também uma dimensão religiosa e espalhar-se, por isso, a países vizinhos. Esperemos que não.

É aqui, nesta região unida por um passado de forte perseguição às religiões e que se debate ainda com um pesado legado comunista, que Francisco vem falar de paz. E em boa hora o faz.

Diálogo com os russos

Uma dimensão muito importante desta visita é a do diálogo com a Igreja Ortodoxa da Rússia. Já escrevi e falei várias vezes sobre o período difícil que a Igreja Russa atravessa, travando uma luta pelo poder no interior da comunhão de Igrejas Ortodoxas e ao mesmo tempo tentando sobreviver a uma relação demasiado estreita com o poder político em Moscovo.

O Patriarca Cirilo, de Moscovo, quis afirmar-se como o grande representante da ortodoxia no mundo, em oposição a Bartolomeu de Constantinopla, mas acabou, pela sua proximidade a Vladimir Putin, por se tornar um pária aos olhos do mundo religiosos. Tenho comentado, nas minhas mais recentes análises às suas declarações, que já nem se percebe se as suas palavras são para ser levadas a sério, se são críticas (muito) dissimuladas ao regime de Putin, ou se simplesmente perdeu toda a noção. Só na última semana lamentou o facto de o mundo estar a sofrer por causa dos ditadores que espalham o conflito e elogiou a Rússia por não cometer crimes de guerra, algo que se deve ao facto de ter um historial de líderes ortodoxos crentes. E não nos esqueçamos da vez em que se regozijou no facto de a Rússia, apesar de ser um país muito poderoso, nunca ter atacado ninguém. E sim, disse-o já depois da invasão da Ucrânia.

O facto é que Cirilo está quase totalmente isolado e ninguém parece disposto a falar com ele, excepto o Papa Francisco. Há até quem considere que Francisco está a ser ingénuo quando diz que quer falar com Cirilo, mas o Papa parece entender que por mais que esteja a atravessar, digamos, um mau momento, a Igreja Russa não deixa de ser uma grande denominação cristã e que não se deve desistir, por isso, desse diálogo. Aliás, no seu discurso à chegada ao Cazaquistão disse: “Precisamos de líderes que, a nível internacional, permitam aos povos compreenderem-se e dialogarem, e gerem um novo ‘espírito de Helsínquia’, a vontade de reforçar o multilateralismo, de construir um mundo mais estável e pacífico pensando nas novas gerações. E, para fazer isto, é preciso compreensão, paciência e diálogo com todos. Repito: com todos.”

Mais uma vez, porém, Cirilo perdeu a oportunidade de se agarrar a esta mão estendida. Se tivesse ido ao Cazaquistão, como estava inicialmente combinado, teria conseguido tornar-se o centro do evento e o seu encontro com o Papa Francisco seria o ponto alto do congresso, em termos mediáticos. Mas temendo ser alvo de críticas, refugiou-se novamente no seu palácio de cristal em Moscovo e tornou ainda mais pertinentes as palavras do Papa que muitos acreditam terem sido ditas com ele em mente.

Se o Criador, a quem dedicamos a existência, deu origem à vida humana, como podemos nós – que nos professamos crentes – consentir que a mesma seja destruída? E como podemos pensar que os homens do nosso tempo – muitos dos quais vivem como se Deus não existisse – estejam motivados para se comprometer num diálogo respeitoso e responsável, se as grandes religiões, que constituem a alma de tantas culturas e tradições, não se empenham ativamente pela paz?

Irmãos e irmãs, purifiquemo-nos, pois, da presunção de nos sentir justos e de não ter nada a aprender dos outros; libertemo-nos das conceções redutoras e ruinosas que ofendem o nome de Deus com rigidezes, extremismos e fundamentalismos, e o profanam por meio do ódio, do fanatismo e do terrorismo, desfigurando inclusive a imagem do homem. (…) Nunca justifiquemos a violência. Não permitamos que o sagrado seja instrumentalizado por aquilo que é profano. O sagrado não seja suporte do poder, e o poder não se valha de suportes de sacralidade! Deus é paz, e sempre conduz à paz, nunca à guerra.

Mais uma vez, belas palavras. Haja quem as oiça e as ponha em prática!

Monday, 28 February 2022

E se a Rússia perder esta guerra? O que vem depois da ressaca

Muito, muito atento... 
Há uma semana eu não acreditava que Putin fosse invadir a Ucrânia. Há dois dias não acreditava que a Ucrânia conseguisse resistir mais do que umas horas a uma invasão russa. Estão apresentadas as minhas credenciais de analista militar.

Neste momento, porém, temos de começar a considerar a possibilidade de a Rússia perder esta guerra, sendo que uma derrota, neste caso, é tudo o que não seja a rendição das Forças Armadas ucranianas nas próximas 48 horas.

Esta série de tweets que acabei de ler, de alguém que é de facto conhecedor de história e estratégia militar, explica porque é que é bem possível que esta aventura de Putin tenha sido um passo maior que as pernas. O efeito imediato será o fim do mito da força militar terrestre da Rússia.

Se isso acontecer o PCP culpará a NATO e o imperialismo, e as pessoas que ainda possuem alguma sanidade e barómetro moral irão para a rua celebrar. Mas temos de ter em conta que haverá efeitos secundários previsíveis e, nalguns casos, drásticos.

Para começar, a Arménia poderá despedir-se de Nagorno-Karabakh. Durante anos os arménios conseguiram manter o território porque as suas forças armadas eram organizadas e muito mais experientes que os Azeris. (Aliás, uma curiosidade que aprendi quando visitei o território foi que na altura da guerra do Afeganistão, uma vez que Nagorno Karabakh tinha sido “transferida” para a região do Azerbaijão, dentro da União Soviética, as autoridades locais mantinham os azeris na retaguarda e mandavam os arménios para a linha da frente. O resultado é que quando começou a guerra entre arménios e azeris os primeiros tinham experiência militar e os segundos não).

Essa superioridade militar arménia terminou esta década e os Azeris, financiados e armados pelos turcos, conseguiram recuperar uma grande parte do território. Só a intervenção russa impediu a destruição total da presença arménia em Karabakh. Se o mito do poderio russo acabar por se provar apenas isso, um mito, os arménios terão a vida muito dificultada.

Outro teatro de guerra que pode sofrer grandes alterações é a Síria. A intervenção russa permitiu não só salvar o regime de Assad, mas mudar o curso da guerra e empurrar os grupos da oposição até à fronteira com a Turquia, que os apoia. Desde então a Rússia e a Turquia têm deixado o conflito em banho-maria. Mas se a Rússia perder na Ucrânia é bem possível que esse equilíbrio seja afectado. Se – e num cenário de derrota militar na Ucrânia isso é bem possível – a invasão fracassada da Ucrânia acabar por levar a uma mudança no regime russo, então tudo se torna ainda mais imponderável.

Um efeito imediato disso é que as comunidades cristãs ficam mais enfraquecidas na Síria, se não mesmo em todo o Médio Oriente. Por mais que se possa desconfiar das suas intenções, a verdade é que o apoio de Putin tem sido benéfico para os cristãos no mundo árabe, pelo menos a médio prazo. Sem esse apoio, tudo será mais difícil, especialmente depois de terem ficado com o rótulo de apoiantes do regime sírio.

É verdade que a Síria continuará a contar com o apoio do Irão, mas mesmo o Irão ficará enfraquecido com um revés da Rússia e possível mudança de regime em Moscovo.

Um leitor atento terá percebido que ambos os cenários descritos têm algo em comum: A Turquia. A mesma Turquia que tem fornecido armas à Ucrânia.

Ao longo dos últimos anos a relação entre a Turquia e a Rússia tem sido bastante estranha. Adversários em várias frentes, desde a Síria a Nagorno-Karabakh, passando pela Líbia, têm mantido uma certa oposição respeitosa, não querendo entrar em conflito aberto, mesmo perante casos surreais, como quando a Turquia abateu um jato russo na Síria “por engano” ou quando o embaixador da Rússia na Turquia foi assassinado a sangue-frio. Não sei se o que os demove é medo, ou se sentem que é mais importante ambos irem minando juntos a influência dos Estados Unidos em várias partes do mundo, mas a verdade é que não se têm antagonizado.

Mas tudo isso poderá mudar. Se a Rússia mostrar ser afinal um tigre de papel, a Turquia irá perder qualquer receio de fazer valer o seu peso naquilo que considera ser o seu quintal. E o mundo, que terá deixado de ter de lidar com um saudosista do Império Soviético, terá de lidar com o saudosista do Império Otomano e que ainda por cima é membro da NATO.

E esse é um cenário assustador.


Leia também: 

Guerra na Ucrânia - As posições dos diversos líderes religiosos relevantes

Dimensões religiosas do Conflito na Ucrânia

Thursday, 23 September 2021

700 anos da Divina Comédia no dia de estreia de Rafael Pedro XXI

Novo Patriarca dos Católicos Arménios
O cardeal D. Tolentino abre esta quinta-feira uma série de dias de estudo sobre a Divina Comédia, de Dante. É uma obra que deve ser conhecida e este é um bom ponto de começo. Saibam mais aqui.

O chefe da Igreja Greco-Católica da Eslováquia, Ján Babjak, tem Covid-19. Normalmente admito que isto não seria a coisa mais preocupante para nós, até porque é vacinado e está com sintomas levas, mas acontece que ele concelebrou com o Papa a semana passada, por isso ganha mais alguma importância, embora não pareça haver grande risco para Francisco.

Por falar em Igrejas orientais, os arménios católicos têm finalmente um novo Patriarca! Finalmente? Isso mesmo. Está tudo explicado aqui.

E na notícia mais bizarra dos últimos dias, uma freira católica na Índia recebeu autorização do Supremo Tribunal estadual para caçar javalis que estão a destruir as colheitas do seu convento. Como? Não sabemos bem, ainda, uma vez que ela não tem licença de porte de arma… ainda.

O artigo do The Catholic Thing desta semana é especialmente adequado pra pais e pessoas ligadas à educação e às escolas. David Carlin explica porque é que a ideia de que a escola é a principal responsável pela educação dos jovens é uma falácia.

E se ainda não ajudou os cristãos da Terra Santa, mas quer fazê-lo, saiba mais aqui.

Thursday, 11 March 2021

Quanto vale a vida? Pouco. E a liberdade? Um dólar

Marcado pela destruição que viu no Iraque, o Papa Francisco perguntou ontem quem é que vende armas aos terroristas?

A imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima vai à Arménia, Geórgia e Azerbaijão, outra zona de conflito.

O Supremo Tribunal dos EUA deu razão a um jovem que processou a sua antiga universidade por violação da sua liberdade religiosa e de expressão. A indemnização que o jovem pediu tem o incrível valor de 1 dólar. Uma questão de princípio, portanto.

Quanto vale a vida em África? Pouco ou nada, diz o bispo que este ano escreveu a Via Sacra para a fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

O Vaticano pede ajuda aos cristãos da Terra Santa, pois sem ela a comunidade pode desaparecer.

O artigo desta semana do The Catholic Thing em português é excelente para a Quaresma! O que é que os esforços quaresmais têm a ver com a jardinagem? E qual a importância dos jardins na Bíblia e na história da salvação? Não deixem de ler o artigo de Stephen White e partilhem sobretudo com quem gosta de jardinagem. 

Tuesday, 17 November 2020

Os sinos solitários de Davidank

Terror e morte são as palavras de ordem em Cabo Delgado, em Moçambique. Os relatos continuam a chegar, desta vez é uma freira católica que diz que não pode calar mais a sua indignação, perante os ataques terroristas.

Em Nagorno-Karabakh um mosteiro tornou-se o símbolo do conflito entre arménios e azeris. Davidank vai permanecer, em solo controlado pelos azeris muçulmanos, graças à proteção de militares russos. Os arménios que abandonam a vila até as campas dos seus antepassados levam consigo.

Depois de ter surgido uma notícia de que as celebrações de Natal seriam canceladas, os bispos emitiram um esclarecimento a sublinhar que é seguro celebrar nas igrejas católicas em Portugal.

O cardeal D. Tolentino Mendonça foi nomeado para fazer parte da Congregação para a Evangelização dos Povos.

E continua a marcha rumo às Jornadas Mundiais da Juventude, em Lisboa. O Papa Francisco vai entregar os símbolos a uma delegação portuguesa.

Monday, 27 June 2016

Perdões polémicos e derrota suprema


(Clicar para aumentar)
No avião de regresso a Roma, Francisco disse que os Católicos devem pedir perdão aos homossexuais por ofensas cometidas contra eles. Esta frase motivou alguma perplexidade entre alguns cristãos, mas na verdade parece-me que o Papa apenas repetiu uma verdade evidente. Quando ofendemos alguém devemos pedir perdão, seja homossexual ou não, e todos sabemos que há muitas pessoas que não se limitam a opor-se à chamada “agenda LGBT” mas insistem em ir mais longe e atacar pessoalmente os seus adversários.


Uma aldeia cristã foi atacada no Líbano. Morreram cinco habitantes locais, o que tendo em conta a magnitude do ataque é um número mais baixo do que se poderia esperar.

Dos EUA vem a notícia de uma importante vitória para os movimentos pró-aborto. O supremo tribunal declarou inconstitucional uma lei do Texas que visava melhorar as condições de saúde e segurança nas clínicas locais e já tinha levado ao encerramento de dezenas de clínicas de aborto.


Termino com um aviso. Haverá uma interessantíssima sessão de esclarecimento sobre a Eutanásia no Hotel Palácio, no Estoril, na quinta-feira, com especialistas da Bélgica e França. O convite é a imagem que ilustra este post, não percam que vai certamente valer a pena!

Friday, 24 June 2016

Papa fala do Brexit e reconhece genocídio

Papa na Arménia, Turcos aos arames
Como o resto do mundo, o Papa Francisco também comentou a saída do Reino Unido da União Europeia. Francisco, ecoando as palavras do Cardeal Nichols, de Londres, falou na responsabilidade que cabe agora ao Reino Unido e à União Europeia de construir novos caminhos.


Francisco falou no avião a caminho da Arménia, o primeiro país a adoptar o Cristianismo como religião de Estado. Francisco referiu-se em tempos ao massacre dos arménios como um genocídio e a dúvida era saber como ia dizer agora.

No texto oficial do seu discurso evitava-se diplomaticamente o uso da palavra que tanto ofende os turcos, mas o Papa, sendo Francisco, fez questão de improvisar e largou a bomba. Agora é esperar que os turcos recuperem do choque e reajam. Não vai ser bonito. Já os arménios estão felizes da vida.

Thursday, 25 June 2015

O tempo que não havia? Afinal há

Um gesto que já só se repetirá no Céu
Todos diziam que não havia tempo mas, afinal há tempo! Quem diria! A proposta de lei apresentada por um grupo de cidadãos, com o objectivo de, entre outras coisas, alterar a lei do aborto, vai ser discutida nesta legislatura, já no dia 3 de Julho. D. Manuel Clemente saudou a decisão e disse que “não podia ser de outra maneira”.

Morreu esta quinta-feira o Patriarca Católico Arménio Nerses Bedros XIX, aos 75 anos (na foto com o Papa)

O Papa recebeu hoje os futuros núncios apostólicos e recordou-lhes que eles representam um homem cuja verdadeira autoridade vem da caridade, e que deviam pautar a sua actuação por isso mesmo.


E se pensavam que o Estado Islâmico tinha esgotado o rol de novos tipos de execução, enganaram-se. Para além de crucificarem crianças, andam a inovar nas formas grotescas de matar os seus inimigos…

Ontem publicou-se o artigo desta semana do The Catholic Thing. Hilary Towers pergunta até que ponto estamos dispostos a confrontar os nossos amigos e familiares que são infiéis aos seus casamentos. Leiam o artigo e opinem mas, acima de tudo, leiam o comentário que já lá está e rezem pela sua autora. 

Monday, 13 April 2015

Patriarca nomeado, Papa contestado

O bispo Juan Barros, do Chile. Nomeação polémica
O Papa nomeou esta manhã D. Manuel Clemente para a Congregação do Clero, em Roma. O Patriarca passa a ter também assento no Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais.

Isto no dia em que D. Manuel Clemente discursou, no fim de uma reunião da CEP, manifestando esperanças de que a lei do aborto seja alterada e falando da perseguição aos cristãos.

A nomeação de um bispo chileno, acusado de ter protegido um sacerdote abusador, está a causar alguma polémica. Agora foi a comissão de protecção de menores, nomeado pelo Papa, que esteve em Roma para manifestar reservas quando à decisão.

Esta não é a única polémica envolvendo o Papa. Ontem Francisco presidiu a uma celebração evocativa do massacre de arménios pelos turcos, há 100 anos. O problema é que Francisco usou a palavra genocídio, e os turcos foram aos arames

Foi divulgada a bula que traça os objectivos para o jubileu da misericórdia.

Thursday, 9 April 2015

Papa volta a falar em genocídio dos arménios

Como é que se diz "não sabemos de nada" em turco?
O Papa Francisco falou hoje do genocídio dos arménios pelos turcos, que aconteceu há 100 anos. Pediu gestos concretos de reconciliação entre a Arménia e a Turquia, mas veremos como as palavras caem em Ankara, onde é crime sequer sugerir que se tratou de um genocídio.

O Padre Duarte da Cunha escreveu o livro “Só o Amor Gera Vida”, uma obra teológica sobre o amor humano, que vem mesmo a calhar em ano de Sínodo da Família.

As atrocidades cometidas pelos grupos terroristas modernos estão a levar a uma queda no número de voluntários para organizações humanitárias, como a AMI, diz Fernando Nobre.

José Mourinho deu uma entrevista ao Telegraph em que fala, entre outras coisas, da sua fé. Aquifica o link para o original, para quem estiver interessado.

Thursday, 8 May 2014

Terrorismo odioso e sangue da unidade

Um acto de “terrorismo odioso”, é como a Santa Sé descreve o rapto de mais de 200 raparigas na Nigéria pela Boko Haram. Assino por baixo!

O Papa recebeu esta quinta-feira em audiência o líder dos arménios ortodoxos, Karekin II, a quem disse que o “sangue dos mártires é semente de unidade”. Foram palavras muito bonitas sobre o ecumenismo. Vale a pena ler!

A diocese de Setúbal entra agora na Semana da Vida e da Família, que este ano vai incluir 40 horas de adoração.

Já há muitos peregrinos a caminho de Fátima, como todos os anos, isto numa altura em que chega ao mercado o documentário “Fátima no Mundo”.

Na China denunciar uma “barba suspeita” pode render mais de cinco mil euros! É verdade, saiba aqui porquê.


Por fim, uma sugestão. Amanhã e sábado exibe-se o documentário Blood Money, sobre a realidade da indústria do aborto. As sessões são livres e encontram mais informação aqui.

Wednesday, 23 April 2014

Tristeza de Francisco, condolências de Erdogan

Gilberto Rodrigues Leal
Ontem, ao fim do dia, um grupo islamita do Mali anunciou que um refém que estava na sua posse há mais de um ano e meio tinha morrido. Não se sabe como nem porque é que Gilberto Rodrigues Leal (que como o nome indica é luso-descendente) morreu, mas França já prometeu que isto não passará impune, enquanto a família aponta o dedo ao Governo e aos media franceses.

Também ontem D. Manuel Clemente foi orador convidado no Grémio Literário, tendo recordado a análise feita pelos bispos de então ao estado do país, antes do 25 de Abril.

Esta manhã o Papa Francisco falou da sua tristeza pelos desempregados, depois de ter recebido um vídeo enviado por trabalhadores de uma fábrica que que vai fechar.

Esta tarde o primeiro-ministro da Turquia surpreendeu ao falar da forma como os arménios foram tratados pelo Império Otomano, em 1915. Erdogan enviou condolências aos descendentes e falou em actos com consequências desumanas.

Estamos cada vez mais próximos da canonização de João XXIII e João Paulo II. É precisamente disso que fala Robert Royal, no artigo desta semana do The Catholic Thing, em português.

Monday, 7 October 2013

A marcha invisível e os mártires arménios

Pouquinhos, ninguém deu por eles
No passado Sábado decorreu, conforme previsto, a Marcha Pela Vida. Eu estive lá. A avaliação de multidões é sempre polémica, mas diria que estive acompanhado de umas duas mil pessoas. Contudo, para além da Renascença e da Lusa, os jornalistas optaram por ignorar esta marcha. Para o ano em vez de cantarmos e irmos contentes se calhar devíamos partir umas montras e mudar o nome para “Que se lixe o aborto” e aí a imprensa passa a ligar.

Os taliban do Paquistão querem uma segunda oportunidade. Para quê? Para meter uma bala na cabeça de Malala, a jovem de 16 anos que foi alvejada à queima-roupa por um islamita por cometer o terrível pecado de promover a educação das mulheres. Nada que nos espante, visto que no Iraque, no Domingo, os islamitas acharam por bem atacar uma escola e matar 13 crianças.


Por cá, o bispo D. Amândio Tomás considera que o corte de 10% nas pensões é um “pecado que brada ao céu”.

Morreu um dos líderes espirituais dos judeus sefarditas, em Israel. Ovadia Yossef fez muito pelos sefarditas naquele país, mas não se livrou de algumas polémicas.


Na Síria, aparentemente, boas notícias. Parece que o padre Dall’Oglio, que foi raptado em Julho, foi avistado com vida e bem de saúde. Continuemos a rezar por ele!

Wednesday, 5 June 2013

Lords give me patience!

"Oh dear lord..."

Com tudo o que se está a passar na Turquia, não me admirava que isto fosse aproveitado por Erdogan para dar polémica… O Papa disse na passada segunda-feira que a tragédia que se abateu sobre os arménios no início do século XX foi “o primeiro genocídio do século XX”. Os turcos não vão gostar…

Pelo Reino Unido esperava-se um voto renhido, mas o “casamento” entre homossexuais foi aprovado na Câmara dos Lordes por larguíssima maioria. Ainda por cima os bispos anglicanos mostraram-se divididos com nove a votar contra e cinco a absterem-se.


Lembram-se da história de Audrey Stevenson, narrada por Austin Ruse em The Catholic Thing? Hoje publicamos mais uma história das “pequenas almas sofredoras”, não deixe de ler!

Entretanto não se esqueça que hoje é dia de debate sobre religião na Renascença. Quem quiser deve sintonizar a partir das 23h30, mais ou menos.

Partilhar