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Thursday, 7 September 2023

Józef e Wiktoria Ulma e filhos, orate pro nobis

Regressado de férias estava a pensar sobre o que é que deveria escrever neste dia em que recupero a actividade da Actualidade Religiosa. Não faltam possibilidades! O novo Patriarca de Lisboa e a viagem do Papa à Mongólia são duas das mais evidentes, mas um dos objectivos da Actualidade Religiosa é de fazer chegar aos meus leitores informação e perspectivas que não encontram facilmente noutro lado. É por isso que hoje decidi escrever sobre a família Ulma.

Józef e Wiktoria Ulma casaram em 1935 na Igreja de Santa Doroteia, na aldeia de Markowa, na Polónia.

Quatro anos mais tarde começou a Segunda Guerra Mundial, precisamente com a invasão da Polónia pela Alemanha Nazi.

Em 1942 os Ulma já tinham vários filhos quando oito judeus – os seis membros da família Szall e as irmãs Goldman – vieram pedir ajuda para se refugiar dos nazis, que estavam a proceder à captura e assassinato sistemáticos dos judeus naquele país.

Józef e Wiktoria tinham todas as razões do mundo para dizer que não. Já tinham assistido à matança dos judeus de Markowa no Verão de 1942, sabiam como os nazis eram implacáveis e sanguinários. Ainda por cima tinham filhos com que se preocupar, mais as suas próprias vidas para salvaguardar. Todos sabiam que albergar ou auxiliar judeus era um crime punível com a morte.

Todavia, eles abriram a sua casa àquelas famílias.

Ao longo destes últimos anos tenho lido bastantes livros sobre este período da história, incluindo um livro perturbador sobre os homens que compunham os pelotões de polícia alemã que eram responsáveis por prender e executar judeus em massa na Polónia, um livro quase enciclopédico sobre a perseguição nazi aos católicos na própria da Alemanha e outro sobre pessoas comuns que resistiram aos nazis na Alemanha também. É muito simples dizer que os Ulma arriscaram as suas vidas para salvar judeus porque eram católicos, e porque os católicos são chamados a esse tipo de sacrifício. Mas é demasiado simples. A Polónia estava repleta de católicos naquele período, como está agora, e embora haja muitas histórias de homens e mulheres que arriscaram ou deram mesmo a vida para salvar quem era injustamente perseguido – sendo que pelo menos 1000 polacos não-judeus foram executados pelos nazis por essa razão – também não há falta de actos terríveis de violência levados a cabo contra judeus por cidadãos normais, ou de pessoas que denunciaram aqueles que escondiam os judeus.

Porque é que os Ulma eram diferentes? A sua fé era mais profunda? Acho que não será só isso. A meu ver há aqui um factor importante de decisão racional, assente, certamente – sobretudo neste caso – numa fé profunda, que sabemos que os animava.

Eu acredito que a dada altura os Ulma tiveram de pesar aquilo que lhes poderia acontecer caso fossem apanhados e tomaram uma decisão firme de que estavam dispostos a abraçar essa cruz caso lhes fosse apresentada. E acredito que é, acima de tudo, essa a lição que a sua história contém para nós.

Nós que temos a nossa fé, que fazemos a nossa vidinha, mas que, na pior das hipóteses, levamos com umas bocas nas redes sociais por sermos beatinhos, alguma vez parámos para pensar o que faríamos se estivéssemos numa situação em que fossemos chamados a pôr a nossa vida em risco para salvar inocentes? E não só a nossa vida, mas a dos nossos filhos? Não é bonito de pensar, mas penso que esse é um exercício a que todos nos devemos submeter de vez em quando, e idealmente devemos fazer as pazes com essa ideia, meditar nela e contemplá-la, para que se algum dia nos encontrarmos nessa situação termos mais armas espirituais para resistir ao instinto natural de preservação da nossa vida e da dos nossos filhos.

Claro que aqui estamos a falar de um gesto absolutamente radical, mas a verdade é que podem surgir nas nossas vidas muitas outras situações em que o que está em causa não é a vida, mas o bem-estar, o conforto material ou financeiro. Se fizermos este exercício para o sacrifício máximo, creio que estaremos em melhor posição para o podermos pôr em prática nos sacrifícios mais banais.

Em 1944 um polícia denunciou os Ulma aos nazis. Parece que era um homem que já tinha ajudado os Szall a troco de dinheiro e que estava a tomar conta dos seus pertences, e que assim fez quando eles tentaram reclamar as suas coisas.

No dia 24 de Março de 1944 a polícia alemã apareceu na casa dos Ulma. Os judeus foram localizados e executados. Depois toda a família foi reunida. Aparentemente, nesse momento Wiktoria entrou em trabalho de parto e deu à luz o seu sétimo filho. Sem qualquer piedade, os nazis executaram toda a família, incluindo o recém-nascido.

A execução dos Ulma causou tanto pânico entre os polacos que ainda estavam a esconder judeus, que na manhã seguinte foram encontrados 24 cadáveres de judeus nos campos. Tinham sido assassinados pelas mesmas pessoas que lhes tinham dado guarida durante 20 meses.

Em 1995 os Ulma foram reconhecidos Justos entre as Nações pelo memorial Yad Vashem, em Israel.

Mais recentemente, as autoridades locais usaram o exemplo da família Ulma como justificação para acolher ucranianos refugiados e continuar a apoiar a nação ucraniana durante a guerra.

Agora, no dia 10 de Setembro, toda a família Ulma será beatificada, depois de terem sido considerados mártires. Trata-se da primeira vez que uma família é beatificada em conjunto.

No nosso tempo, pelo menos aqui na nossa realidade europeia e ocidental, temos os nossos desafios, mas felizmente sabemos que não corremos risco iminente de vida ou de liberdade por viver a nossa fé. Mas nunca se sabe quão rapidamente essa realidade pode mudar e podemos ser chamados a actos de heroísmo altruísta, a que a Igreja chama santidade. Se esses dias chegarem, que tenhamos todos a força e a coragem dos Ulma e de tantos outros que se sacrificaram pelo bem em todos os períodos da história.

Thursday, 27 October 2022

Hospital de Campanha - Felix Lungu e "A Verdadeira Igreja"

Nos últimos três episódios do Hospital de Campanha falámos dos podres da Igreja, daquilo que mais nos envergonha. Precisamente por isso, e porque sabemos que a Igreja não é isso, hoje trazemos um episódio que é basicamente um paliativo. A Igreja dos anti-abusos, a Igreja Santa, que existe mas talvez não dê tanta notícia. 

Conversámos com o Felix Lungu, da fundação Ajuda à Igreja que Sofre, e juntos partilhámos histórias de padres e freiras que deram, ou dão, tudo de si para servir os outros, por vezes até ao sacrifício da própria vida. 


Uma nota final e um desabafo... Este podcast é gravado com equipamento de qualidade, mas sem o apoio de profissionais. A meio deste episódio, por alguma razão, a gravação parou. Sem problema, reparámos, guardámos o que já estava gravado - para não correr riscos - e gravámos a segunda parte do episódio noutra faixa. Não mudámos rigorosamente nada no equipamento, mas por alguma razão a segunda parte do episódio ficou com uma qualidade de som muito pior que a primeira. 

Não sabemos explicar porquê, apenas lamentar e pedir desculpa e paciência aos nossos ouvintes. A conversa percebe-se na mesma, mas sabemos bem como é irritante não ter som de qualidade. Vamos tentando sempre fazer melhor!

Veja aqui todos os episódios do Hospital de Campanha

Wednesday, 4 May 2022

A Igreja: Corrupta desde Sempre?

Michael Pakaluk

Se a Igreja Católica alguma vez foi corrupta, então foi corrupta desde sempre. Mas como não foi corrupta desde sempre, nunca foi, nem será, corrompida.

Foi isso que me passou pela cabeça recentemente, ao ouvir um podcast sobre Roma antiga. A cidade de Roma – argumentava o autor – pode-se orgulhar de ser a maior da história do mundo: desde a sua população; a extensão geográfica da sua influência; os séculos de primazia; a organização da sociedade; a primazia do direito; a durabilidade das suas construções; e a sua habilidade para integrar o melhor dos seus vizinhos.

Ah, e depois havia o facto de se ter tornado a sede da mais importante religião da história da humanidade…

Estava à espera que, depois desta correcta análise das assinaláveis virtudes de Roma, o autor do podcast elogiasse a sabedoria de São Pedro por ter sedeado a Igreja em Roma. Pareceu-me ser um historiador sério. Certamente veria que a Igreja Católica se tornou tão “importante” porque as suas virtudes espelhavam no campo espiritual as que Roma exibia no secular.

Pelo contrário, ele lamentou a decisão de Pedro, porque “o envolvimento da Igreja com a autoridade romana, depois do édito de Milão, levou rapidamente à sua corrupção”.

Fiquei desiludido por ouvi-lo a repetir esta visão tão familiar, mas não surpreendido, afinal de contas o assunto deste episódio não era a Igreja, talvez ele não tivesse pensado muito no assunto.

Mas os seus comentários demonstravam que ele era um cristão praticante. Mesmo do ponto de vista das Escrituras, dei por mim a pensar se ele alguma vez tinha meditado na Paixão. Porque a “corrupção” começou muito antes do ano 313. Na verdade, esteve presente desde o início, e com o conhecimento e aparente autorização de Nosso Senhor.

Estou a falar, claro, de Judas Iscariote. Olhemos para ele de novo. A fundação da Igreja deu-se com a escolha dos 12 Apóstolos. Judas estava em pé de igualdade com todos eles, à excepção de Pedro. Não o podemos despromover ou excluir retroativamente. Judas era um dos 12, e podemos colocá-lo à mesma altura que qualquer outro, na medida em que o ocupante de um cargo pode substituir qualquer outro com o mesmo cargo.

Uma boa definição de corrupção é o aproveitamento de um cargo de confiança para ganho próprio. Por exemplo, um funcionário que aceita um suborno é, à luz desta definição, corrupto. E por isso Judas era corrupto. Ele aproveitou-se da sua ligação a Jesus, sendo apóstolo, para ganhar 30 moedas de prata.

Sabemos como é que a coisa correu. As autoridades queriam prender, julgar e condenar Jesus em segredo, para que a multidão não se manifestasse. Por isso, Jesus tinha de ser identificado e capturado antes do amanhecer, antes de poder fugir (como acreditavam ser possível). Judas era importante neste processo para o identificar, com um beijo.

Acreditamos que Judas era movido por mais do que apenas avareza. Tendemos a favorecer as ideias especulativas, sem qualquer base nas Escrituras – que, por exemplo, Judas queria provocar uma crise que levaria Jesus a assumir o poder, enquanto Messias; ou que como Caim, Judas estava com ciúmes dos apóstolos que Jesus parecia preferir. E por aí fora.

Porém, o único vício de Judas de que ouvimos falar na Bíblia é o seu amor pelo dinheiro. João diz que Judas se queixou do dinheiro gasto no nardo puro, porque guardava a bolsa comum e dela tirava o que queria (Jo. 12,6). Somos tentados a descartar a ganância como explicação, porque parece demasiado fraca. Trair o Messias por uma pequena soma?

Só que não era assim tão pequena. Se dava para comprar um campo na cidade, serviria para comprar uma quinta no campo. E muitas pessoas fazem coisas inacreditáveis por pequenas quantias de dinheiro. Esaú vendeu a sua primogenitura por um prato de lentilhas (Gen. 25, 29-32). Há quem aposte a aliança. Richard Rich traiu São Tomás Moro “por Gales”. 

São Tomás de Aquino escreve que uma das filhas do vício capital da avareza é a traição. Porquê? Porque a avareza procura possuir por excesso, pela força ou pela fraude, e a fraude, na medida em que afecta outra pessoa, é uma traição – “como no caso de Judas”, diz o santo, “que traiu Cristo por cobiça”. Resistimos a essa simples explicação porque o caso de Judas e de Cristo revela bem a irracionalidade de toda a avareza.

Por isso, a corrupção estava presente desde o início, e a sua consequência foi infinitamente grave.

Mais, a corrupção parece ter-se estendido para além de Judas, pelo menos potencialmente e virtualmente, no sentido de que cada um dos apóstolos, quando ouviram o Senhor dizer que um deles o iria trair, pensou se não seria ele o traidor (Jo. 13, 21-30).

Se naquele tempo houvesse jornais o facto mais evidente a relatar sobre os apóstolos, a melhor coscuvilhice, seria de que eles eram corruptos e tinham traído o seu mestre.

Mas pensemos agora no seguinte.

1. Esta corrupção estava presente com o tranquilo conhecimento prévio e “vontade permissiva” do Senhor. “Não fui eu que os escolhi, os Doze? Todavia, um de vocês é um diabo!” (Jo. 6, 70).

2. De forma alguma o “cargo” Apostólico de Judas foi afetado pela sua corrupção. Matias foi selecionado para o preencher. (Actos 1, 24-25)

3. A pregação de Judas e os seus baptismos mantiveram-se válidos. Nada teve de ser refeito ou desfeito.

4. Jesus chega mesmo a garantir a “limpeza” de todos os Doze, excepto na medida em que alguém peca pessoalmente. “Quem já se banhou precisa apenas lavar os pés; todo o seu corpo está limpo. Vocês estão limpos, mas nem todos” (Jo. 13, 10).

A Igreja fundada por Cristo era “corrupta” desde o início, da mesma forma que sempre seria corrupta (incluindo agora), em pessoas particulares, desviadas pelo demónio. Mas enquanto Igreja, nas suas instituições, cargos, poderes, sacramentos e orientação divina – enquanto Corpo de Cristo – era santa da mesma forma que permanece santa.


Michael Pakaluk, é um académico associado a Academia Pontifícia de São Tomás Aquino e professor da Busch School of Business and Economics, da Catholic University of America. Vive em Hyattsville, com a sua mulher Catherine e os seus oito filhos.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quarta-feira, 27 de Abril de 2022)

© 2022 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.



Wednesday, 27 January 2021

Tempo Comum

Francis X. Maier
Ao longo da última semana eu e a minha mulher arrumámos finalmente as decorações de Natal. Um novo ano estende-se diante de nós e aceitámos, relutantemente, o facto de que estamos de volta ao “tempo comum”, um período de confiança paciente em Deus, marcada pela Igreja com os paramentos verdes dos seus sacerdotes.

Infelizmente, porém, a paciência não é uma virtude americana e à sombra da Covid a tentação para a fúria e para o medo pode ser feroz. Pior, estes dias de Janeiro têm sido tudo menos “comuns” em termos políticos, com o Capitólio invadido por uma multidão enfurecida da direita e o espírito venenoso de represália dos orcs do congresso e dos media de esquerda.

Agostinho diria que este é o estado natural da Cidade do Homem. Também diria que não adianta de nada queixarmo-nos dos tempos em que vivemos, porque quem faz o tempo somos nós. Os tempos refletem quem nós somos e nós mudamo-los, para melhor ou para pior, uma alma de cada vez, a começar por nós mesmos. No espaço sagrado da nossa consciência e das nossas escolhas pessoais, nenhum de nós é impotente e nenhuma vida, por mais obscura ou limitada que seja, é inconsequente. A forma como vivemos a nossa vida interessa. Deixem-me dar um exemplo.

Há quase 70 anos, na vila onde eu vivia, o leite era-nos entregue todos os dias à porta de casa por uma carrinha. Naqueles dias o leite ainda vinha em grandes garrafas de vidro. Eu tinha 4 anos e a minha irmã mais nova tinha 1. Todos os dias tomávamos uma sesta indesejada (e involuntária) juntos. E porque a minha irmã era muito irrequieta a minha mãe dava-nos palmadinhas nas costas enquanto nos cantava uma música de embalar irlandesa, para nos adormecer.

Um dia a minha mãe estava a servir-nos um copo de leite, mesmo antes da sesta. A garrafa caiu-lhe das mãos e partiu-se. Os estilhaços de vidro eram pequenos e afiados como lâminas e quando ela se aproximou para limpar a porcaria que estava no chão cortou-se de um lado ao outro da palma da mão. Sujou a roupa toda de sangue e acabou por estancar a ferida atando um pano branco à volta da mão. Ainda consigo lembrar-me da mancha encarnada viva que a ferida deixou à medida que o sangue ensopava o tecido.

Mas é aqui que quero chegar: cinco minutos mais tarde estávamos os dois na cama, com ela a cantar-nos uma das suas canções de embalar, dando-me palmadinhas com a sua mão boa e à minha irmã com aquele couto encarnado. E lembro-me de pensar, ao modo de um rapaz de quatro anos – “isso deve doer”. E depois, “ela deve gostar mesmo de nós”.

A lição desta história vai muito para além da nostalgia sentimental. Se queremos um exemplo do melhor que as vocações leigas nos oferecem, não temos de ir mais longe do que isto. Esta mulher não inventou nenhuma vacina, não geriu uma empresa, não foi autora de legislação inovadora. Na sua vida aparentemente sem importância poderia ter escolhido estar zangada. Podia ter sido egoísta. Podia ter-se esquecido dos seus filhos para cuidar de si. Em vez disso cuidou dos seus pequenos filhos até que adormecessem os dois.

Ao longo das próximas décadas, sempre que me cansava de ouvir os meus pais falar de Deus – as conversas eram especialmente cansativas quando eu fazia coisas que eles odiavam, e sabia que tinha razão – esta imagem regressava à minha memória e as palavras irritadas falhavam-me.

Porque, estão a ver, podemos ignorar o amor, ou fugir dele. Mas não o podemos refutar. A vocação desta mulher leiga não tinha um grande título ou uma qualquer fórmula secreta. Ela estava simplesmente a tentar amar como Deus ama, nas circunstâncias diárias práticas em que Deus a tinha colocado, sem drama e sem heroísmo. E ao fazê-lo acabou por afetar profunda e permanentemente as vidas dos seus filhos, um de cada vez. Tornou-se o género de “boa infeção” de que Madre Teresa tanto falava.

A maioria dos crentes já conheceu histórias ou pessoas parecidas na sua vida, ou então não seriam crentes. O que converte as pessoas não são instrumentos ou estratégias inteligentes, mas sim outras pessoas. Não podemos dar aquilo que não temos. O activismo dos leigos, as organizações dos leigos e a colaboração dos leigos em todos os assuntos da Igreja – são tudo oportunidades vitais para dar glória a Deus. A Igreja precisa da liderança de leigos fiéis e criativos agora mais do que em qualquer outra altura da sua história recente.

Mas no final de contas o verdadeiro “poder” dos leigos não reside no dinheiro, na capacidade profissional ou em cargos de influência na burocracia da Igreja. Reside, sim, no testemunho pessoal de santidade que é ao mesmo tempo simples e exigente. Isto está tudo muito bem pensado. Não há Igreja sem Eucaristia. Não há Eucaristia sem o padre. Mas também não há padres se não houver leigos comprometidos que educam os seus filhos para ouvirem o chamamento de Deus e para se sacrificarem por amor a Deus e à comunidade de crentes.

C. S. Lewis escreveu certa vez que “não há terreno neutro no universo; cada centímetro quadrado, cada milésima de segundo é reclamado por Deus e contra-reclamado por Satanás”. João Paulo II acrescentou que “contra o espírito do mundo, a Igreja empreende de novo – todos os dias – uma luta pela alma do mundo”. E Henri de Lubac, o maior teólogo jesuíta, escreveu que “o Evangelho avisa que o sal pode perder o seu sabor. E se nós” – isto é, a maioria de nós – “vivemos mais ou menos em paz no meio do mundo, talvez seja por sermos mornos”.

Comecei por referir que os orcs estão de volta ao poder em Washington, mas terminarei com um pensamento de Tolkien, que conhecia tão bem essa espécie, a sua malícia e a única forma de os vencer. Não nos é permitido escolher os tempos em que vivemos. Mas podemos “decidir o que fazer com o tempo que nos é dado”. A nossa tarefa é a de amar bem, desinteressadamente, seja qual for o local, seja qual for o tempo, em que Deus nos coloca. E isso basta.


Francis X. Maier é conselheiro e assistente especial do arcebispo Charles Chaput há 23 anos. Antes serviu como Chefe de Redação do National Catholic Register, entre 1978-93 e secretário para as comunidades da Arquidiocese de Denver entre 1993-96.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2021)

© 2021 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Wednesday, 11 November 2020

O João e o Jean, reflexões de um pecador sobre a santidade

No dia 7 de maio de 2019 publiquei uma mensagem no Twitter sobre a morte de Jean Vanier que terminava com as palavras “Santo subito!”. Foram anos de enorme admiração por um homem que dedicou a vida à promoção da dignidade dos mais vulneráveis e descartados da nossa sociedade. Como podia não ser santo?

Menos de um ano mais tarde olhei estupefacto para o telemóvel, durante a festa de anos de um sobrinho, a ler a notícia de que Vanier tinha estado envolvido em relações com mulheres adultas de quem supostamente seria diretor espiritual, e que essas relações foram fruto do abuso e manipulação dessa sua posição, sendo muito prejudiciais para as vítimas. Deixo os detalhes para quem quiser ir aprofundar, mas digo apenas que não há qualquer indício de que tenha abusado das pessoas com deficiência que dedicou a vida a servir.

Como é que era possível ser a mesma pessoa?

Hoje aconteceu uma coisa parecida. João Paulo II foi o Papa da minha juventude, ainda hoje fico emocionado quando vejo aquelas montagens com momentos do seu pontificado ou ouço a sua voz. Era como um avô para mim e culminou os seus dias na terra dando o mais magnífico testemunho já visto por parte de uma figura pública de que a velhice e a doença não diminuem a nossa dignidade.

Mas com a publicação do relatório sobre o cardeal McCarrick, aguardado há dois anos, ficámos a saber que João Paulo II tinha sido avisado repetidamente sobre os rumores em torno do ex-cardeal, de que tinha evitado nomeá-lo para duas dioceses antes de finalmente o nomear para Washington. Para isto terá pesado a relação pessoal de amizade entre os dois.

A questão não é assim tão simples, mas no fundo entre acusações que, na altura, não eram mais do que isso mesmo, acusações sem provas, e uma experiência pessoal de proximidade, João Paulo II cometeu dos piores erros do seu pontificado, promovendo e elevando um homem que, segundo a informação disponível agora, era profundamente doente e corrupto, para além de ser mentiroso, tendo jurado em mais do que uma ocasião que era virgem e que jamais tinha tido relações com quem quer que seja.

A situação é parecida, digo, mas não é igual. Por um lado, João Paulo II já foi declarado santo. Concluir agora que afinal não era põe em causa todo o processo de canonização da Igreja. Mas não creio que isso seja necessário.

A grande diferença entre os dois casos é uma que o mundo moderno e descristianizado já não consegue distinguir. É a diferença entre o erro e a corrupção.


João Paulo II cometeu um erro. Foi ingénuo, talvez. Preferiu dar crédito a um homem que não o merecia, e a Igreja pagou por isso. Mas foi isso mesmo, um erro. Não tenho a menor dúvida de que se tivesse sido confrontado com provas concretas não teria promovido o americano como promoveu. Aliás, o facto de ter hesitado em duas ocasiões anteriores parece comprová-lo. Também não chego ao ponto de dizer que teria agido como se espera hoje que um bispo ou o Papa aja nessa situação, aplicando a tolerância zero. Provavelmente teria pedido ao cardeal para se retirar da vida pública, ir para um convento levar uma vida de oração e penitência… Enfim, era assim que se fazia naqueles tempos – erradamente – pensando que o escândalo para os fiéis era pior do que saber a verdade.

Já Jean Vanier, para minha grande tristeza, mostrou ser um homem corrupto. Um homem que aproveita uma posição de superioridade, manipulando uma pessoa frágil para satisfazer as suas vontades, ainda por cima travestindo isso com roupagens pseudo-espirituais, é um homem doente e corrupto. O erro e o pecado já não são fruto de uma fraqueza momentânea, são o fruto natural de um estado de alma em que a pessoa se deixou cair. E isso faz toda a diferença.  

O que é que isso nos diz sobre as muitas e inegáveis boas acções de Vanier? Da obra de uma vida? Nada que nos deva surpreender. Mostra, antes, da forma mais crua e triste, o paradoxo da humanidade decaída. As boas obras de Vanier permanecem boas e se Deus quiser continuarão a dar muitos frutos.

Ao pensar novamente no seu caso hoje, não pude deixar de me lembrar da parábola, tão difícil de entender, do administrador prudente e da conclusão que Cristo nos deixa:

“Então, o senhor elogiou aquele administrador da injustiça, pois agiu com sabedoria. Porquanto os filhos deste mundo são mais sagazes entre si, na conquista dos seus interesses, do que os filhos da luz em meio à sua própria geração. Portanto, Eu vos recomendo: Usai as riquezas deste mundo ímpio para ajudar ao próximo e ganhai amigos, para que, quando aquelas chegarem ao fim, esses amigos vos recebam com alegria nas moradas eternas”

Jean Vanier era um pecador, um homem pelos vistos incapaz de se desprender do pecado que o agarrava. Mas durante a sua vida ganhou muitos amigos, aquelas pessoas com deficiência cuja dignidade promoveu, de quem se fez verdadeiramente próximo. Será que ele vai para Céu, apesar dos abusos que cometeu? Não sei. Espero que sim. Sei que terá uma multidão de amigos a torcer por isso e a interceder por ele.

Wednesday, 5 August 2020

O Exemplo de São Jean Vianney

Michael Pakaluk
O verão de 1859 viu começar a Corrida ao Ouro em Pike’s Peak. Amhurst e Williams jogaram o primeiro jogo de basebol interuniversitário. Em Outubro John Brown tomou de assalto o Ferry de Harper mas viria a ser capturado pelas forças de Robert E. Lee e enforcado no dia 2 de Dezembro. E foi precisamente nesse dia que morreu, na sua aldeia em França, o Santo Cura d’Ars, Jean Baptiste Vianney, aos 73 anos. 

A beatificação e a canonização de Vianney foram das mais rápidas dos tempos modernos, antes das reformas promovidas pelo Papa João Paulo II. Pio X beatificou-o em 1905 e no dia 31 de maio de 1925 foi canonizado por Pio XI.

Num artigo recente referi-me à conhecida citação de S. Josemaria Escrivá, de que “as crises do mundo são crises de santos”. Podemos concordar com essa frase, mas ainda assim não compreender bem o seu alcance. O seu significado parece variar tanto em relação ao indivíduo, e à própria crise, como o conceito de santidade. Consideremos os exemplos de Juan Diego, Tomás Moro, John Henry Newman, madre Teresa e João Paulo II. Mas por hoje consideremos Vianney.

Em retrospectiva, Vianney parece ser um de vários padres e religiosos criados na sequência da Revolução Francesa para trazer França de volta à fé. Era um rapaz durante o Reino de Terror da Revolução Francesa. Assistiu à execução de padres e ao encerramento de igrejas por ordem das autoridades civis. Mas, para ele, a necessidade de padres tornou-se ainda mais palpável, e não menos. E não era caso único. Entre os que foram ordenados diáconos com ele em Lyons estavam Marcellin Champagnat (canonizado por João Paulo II em 1999) e Jean-Claude Colin, fundador dos padres maristas.

Mas embora os santos sejam as respostas às crises, não aspiram a ser “respostas às crises” – nem, pode-se dizer, seriam santos se o fizessem. Aspiram a amar Deus de forma apaixonada, independentemente das crises. O biógrafo de Vianney, Joseph Vianney, interpreta as conhecidas dificuldades do padre com o Latim e a Filosofia à luz disto mesmo.

Do ponto de vista humano, escreve Joseph, pode-se pensar que a crise em França seria confrontada por apologética brilhante na Sorbonne, ou pela bela oratória na catedral de Notre Dame. Mas a Igreja estava ainda mais necessitada de párocos rurais. “para demonstrar, pela santidade das suas vidas, a verdade do Evangelho, no qual as pessoas tinham deixado de crer. A criança de Dardilly havia sido escolhida, de entre todas as outras, para ser o modelo desses santos padres, que são indispensáveis para a execução do plano divino.”

Anos mais tarde um sacerdote trouxe ao confessionário do Cura d’Ars um problema de consciência complexo, que tinha confundido os maiores teólogos morais, e viu que foi resolvido de forma imediata, elegante e convincente pelo simples pastor. Perguntou a Vianney onde tinha obtido um conhecimento teológico tão astuto e o santo respondeu apontando ao genuflectório.

O Cura estava profundamente convicto da sua própria indignidade e não retirava qualquer consolo da sua virtude. Rezava ardentemente para que não se tornasse o centro das atenções. Por exemplo, através das suas orações milhares de peregrinos a Ars foram curados de males físicos. Mas, aparentemente em resposta às mesmas orações, nunca eram curados imediatamente. Ele dizia-lhes para regressarem a casa e rezarem uma novena a Santa Filomena – e ao nono dia eram curados, sem atenções, longe de Ars.

Já é bem sabido que ele passava 16 a 17 horas por dia no confessionário. Isso em si já é espantoso. Mas depois lembrem-se que a Igreja não era aquecida. Ele brincava que ao fim de cada dia, no inverno, via os seus pés antes de os conseguir sentir. Tocava-os, dizia, para se assegurar de que ainda lá estavam.

No pico do verão os peregrinos que aguardavam em filas podiam sair durante alguns momentos para respirar ar fresco, de forma a não desmaiar. Mas ele passava o tempo todo atrás de uma cortina, dentro de uma caixa, alimentado pelo respirar dos penitentes e, frequentemente, pelo seu cheiro.

E essas 16 ou 17 horas eram passadas a ouvir pecados. Esta era a grande causa do seu sofrimento. “Desfaleço com melancolia nesta terra maldita”, disse, certa vez, a um colega padre. “A minha alma está numa tristeza de morte. Os meus ouvidos nada ouvem se não coisas dolorosas que partem o meu coração com tristeza”. O seu biógrafo compara-o a São Pedro, obrigado a assistir à Paixão do Senhor durante 17 horas por dia.

Dormia em cima de tábuas, apenas algumas horas por noite, suportando dores crónicas. Só a graça e o amor podem explicar a energia que sentia durante o dia. A comida que consumia diariamente não chegaria para uma pessoa sobreviver por meios naturais. Mais tarde, por obediência, passou a tomar um bocado de pão com leite depois da missa. O seu biógrafo conta-nos um incidente revelador. “O irmão Jerome, que estava frequentemente presente durante este leve repasto, notou que ele consumia o pão primeiro e só depois bebia o leite. ‘Mas, Monsieur le Curé’, observou ele um dia, quando viu a dificuldade com que ele engolia o pão, ‘se molhasse o pão no leite, seria muito melhor’. ‘Sim, eu sei’, respondeu Vianney, suavemente.”

A vida de um pároco era muito mais difícil do que a de um religioso, dizia ele. “Pensa-se que aquilo de que um padre precisa é de meditação, oração e união íntima com Deus. Mas o cura vive no mundo; conversa, mistura-se com a política, lê os jornais, tem a cabeça cheia destas coisas; depois vai ler o seu breviário e celebra missa; e faz tudo isto como se fosse uma coisa normal!”

De facto! As suas palavras aplicam-se tanto a leigos como a padres seculares. E as crises deste mundo são crises de santos.

 

Michael Pakaluk, é um académico associado a Academia Pontifícia de São Tomás Aquino e professor da Busch School of Business and Economics, da Catholic University of America. Vive em Hyattsville, com a sua mulher Catherine e os seus oito filhos.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na terça-feira, 4 de Agosto de 2020)

© 2020 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.


Monday, 9 September 2019

Crise? Qual crise?

O Papa Francisco termina hoje, de facto, a sua viagem a África, embora só regresse a Roma amanhã. Esta segunda-feira foi passada nas Ilhas Maurícias, onde pediu aos habitantes que sejam fiéis ao seu ADN e acolham os migrantes.

Antes, na homilia da missa que celebrou com 100 mil pessoas, disse que a crise de santidade é mais grave que qualquer crise de vocações.

O fim-de-semana foi dedicado ao Madagáscar, onde Francisco agradeceu à persistência do clero mas advertiu também que “a pobreza não é uma fatalidade”. Criticou ainda a “cultura de parentesco” que dá aso à corrupção. Tudo isto num país que tem um bispo português.

Antes, na sexta-feira, despediu-se de Moçambique, avisando que “Nenhum país tem futuro se o que o une é a vingança e o ódio”.

Fiquem ainda a conhecer o projecto LabOratório.

Friday, 23 March 2018

Turquia e Estado Islâmico, BFF

Um homem matou três pessoas e feriu várias outras – incluindo um português – num atentado terrorista em França, antes de ser morto pela polícia. Há um herói na história, que trocou de lugar com um refém e acabou gravemente ferido.

O atentado foi reivindicado pelo Estado Islâmico, o mesmo grupo terrorista que agora pode respirar de alívio na Síria. É que as Forças Democráticas da Síria, que lideravam o assalto terrestre contra os últimos redutos dos jihadistas, tiveram de interromper essa operação para poder defender o seu território junto à fronteira com a Turquia, que está a ser atacada pelos turcos e seus aliados.

Falei com o porta-voz das FDS, o cristão Kino Gabriel, que me explicou que a verdadeira razão pelo ataque turco é o medo do projecto democrático no nordeste da Síria. Diz também que o seu grupo está a ficar sem recursos para cuidar de milhares de ex-combatentes do Estado Islâmico e seus familiares e pede ajuda aos aliados ocidentais.

Parece que vem aí uma exortação apostólica sobre a Santidade. A data apontada é 2 de Abril. Veremos.


Thursday, 22 February 2018

Morreu o padre Dâmaso, um homem santo

O padre Dâmaso e o meu avô, Francis Stilwell
Dois dos santos que tive a sorte de conhecer
Tenho o privilégio de conhecer muitos bons homens e mulheres, incluindo muitos e bons padres, mas são poucos aqueles sobre cuja santidade não tenho dúvidas. O padre Dâmaso era um deles.

A paixão dele por Cristo era aterradora. Era homem para se irritar às vezes, para mandar uma ou outra “atordoada” do ponto de vista teológico, pois era sobretudo um homem da pastoral, mas a forma como brilhava quando falava de Jesus não enganava. Não era só a boca que sorria, era todo o seu corpo, o seu imponente corpo!

Quando fiz a série de reportagens “Vidas Consagradas” para o ano sacerdotal fiz-lhe uma entrevista de fundo. Falou da guerra, dos anos em família numa Holanda ocupada, da relutância com que veio para Portugal e da forma como se tinha apaixonado não só por este país mas por este povo, sobretudo pelos mais pobres e mais fracos.

Poucos anos depois um amigo meu acabou por ir para à penitenciária da PJ, onde o padre Dâmaso era capelão. Foi através dele que enviávamos todas as semanas as cartas que ajudavam a animar o H e pedi ao padre Dâmaso que o procurasse e acompanhasse, coisa que fez imediatamente.

Quando me viu de novo disse-me que o meu amigo era claramente um bom homem. Eram poucos os homens e as mulheres em quem o padre Dâmaso não via bondade.

Celebrava missa todas as semanas na Renascença, e sempre que cá estava eu ia. Normalmente fazia a primeira leitura. Certa vez li a narração do combate entre David e Golias. Ainda hoje esse relato me deixa com os pelos em pé. A fé do jovem David, o seu zelo por Deus, a confiança total no seu senhor e a épica vitória sobre o gigante… Sentei-me à espera da homilia e ouvi o padre Dâmaso dizer simplesmente. “Esta primeira leitura… Mortes, lutas… Deus não é isto. Não vou falar disto”. Só me podia rir por dentro.

Porque uma das vertentes engraçadas sobre a minha relação com o padre Dâmaso era a sua capacidade involuntária de me colocar no meu lugar. Sendo dos poucos que ia à missa na Renascença, sendo neto de grandes amigos dele, estava sempre à espera que ele me desse uma atenção especial. Mas como eu o apanhei numa fase da vida em que as memórias recentes são mais fracas, a verdade é que cada vez que o revia, sobretudo nestes últimos anos, e não obstante o seu sorriso sempre presente, tenho quase a certeza que ele não fazia a menor ideia quem eu era. E para uma pessoa como eu, que se tem em muita conta, não há melhor remédio que nos cruzarmos com um santo que não faz a menor ideia quem nós somos.

O padre Dâmaso foi um homem que se deixou consumir inteiramente por amor. Todo ele era de Deus e para Deus. De manhã vivia para a Eucaristia e à tarde vivia a partir da Eucaristia. A santidade é isso e ao pé disso eu nada sou, de facto. Mas é isso que quero ser. Ele mostrou-me que é possível.

Que privilégio poder dizer que este grande homem não fazia ideia quem eu sou.

Monday, 4 June 2012

Um milhão em milão, duas dúzias em Bagdade, 12 na Nigéra


Consigo ver o Papa daqui!


Bento XVI falou sobre os casais separados, sobre os jovens e a santidade e sobre a liberdade, e saiu de Milão feliz.

Felicidade que bem falta lhe tem feito numa altura marcada pelo escândalo Vatileaks. O Vaticano avisa que poderão sair mais documentos. Escrevi sobre este assunto para o blogue, para ajudar a compreender o que se está a passar.

Também para ajudar a compreender o que se está a passar, mas neste caso entre sunitas e xiitas, devem ler este artigo, sobre o atentado que matou duas dúzias de pessoas em Bagdade, hoje.


E por fim, chegam amanhã a Lisboa duas dezenas de padres e bispos católicos e ortodoxos. Vêm falar sobre a crise, que não olha a confissões religiosas quando ataca. Amanhã há mais sobre este assunto.

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