Outros recursos sobre este assunto
Thursday, 29 September 2022
Hospital de Campanha Ep. 10 - A Crise dos Abusos em Portugal (Parte 2)
Outros recursos sobre este assunto
Wednesday, 28 September 2022
A Pobreza da Riqueza
Notem bem a descrição curta,
mas esclarecedora, do homem rico: “vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e
todos os dias banqueteava-se e regalava-se”. Fala-se aqui da sua roupa luxuosa
e das ricas comidas, mas não de amigos ou convidados. Mais ninguém é referido.
Ele não está a ter festas ou jantares. Nem sequer está a esbanjar a sua fortuna
numa vida de promiscuidade, como o filho pródigo. Não, é só ele, mesmo. Há algo
de solitário e de isolado na sua riqueza.
O estado lastimável do homem
rico é traduzido para a vida eterna. De facto, o seu destino é mais revelador
que punitivo. Está isolado e só no inferno porque tinha feito por isso no mundo.
Lázaro, por outro lado, está no regaço de Abraão (uma tradução melhor que
“junto de”). Está em comunhão com outro. O homem rico está desprovido dessa
comunhão por causa da sua avareza (e não apenas como castigo por ela). Viveu e
morreu isolado dos outros e por isso entrou no isolamento eterno.
Este isolamento do homem rico
não nos é estranho. Quando Ebenezer Scrooge é convidado a dar esmola para
ajudar os pobres responde: “quero que me deixem em paz”. A sua afeição pelo
dinheiro faz com que despreze não só a generosidade, mas também a companhia. Do
mesmo modo Gollum, no “Senhor dos Anéis”, está tão obcecado pelo anel que,
fugindo à companhia dos outros, passa anos na profundidade de uma caverna,
sozinho com o seu “precious”.
O forreta é miserável porque
está isolado pelas suas posses. Quer tudo só para ele, o que o obriga a estar
absolutamente só. A sua ligação à riqueza significa que não se pode ligar a
outros. As coisas que mais ama são o que o impedem de amar.
A avareza coloca as posses
acima das pessoas. Pela sua própria natureza, isola-nos uns dos outros.
Habituamo-nos a possuir e a usar, duas coisas que não são compatíveis com
relações humanas autênticas. O homem avarento pode ter pessoas que o ajudam a
gerir o seu dinheiro, ou a ganhar mais, mas isso só comprova a teoria. Essas
pessoas não são amadas, são usadas.
Não existem pecados
inteiramente pessoais. Há sempre uma dimensão social no pecado, porque envolve
sempre um virar-se para dentro, e por isso para longe dos outros. Como disse
São João Paulo II, “o mistério do pecado é formado por esta dupla ferida, que o
pecador abre no seu próprio seio e na relação com o próximo. Por isso, pode
falar-se de pecado pessoal e social: todo o pecado sob um aspecto é pessoal, e
todo o pecado sob um outro aspecto é social, enquanto e porque tem também
consequências sociais.” (Reconciliatio
et Penitenza).
Vemos assim que a avareza
produz uma indiferença ao sofrimento do outro. “Ai daqueles que vivem
comodamente em Sião”, diz o profeta Amós, (Am. 6, 1 e 4-7). Ele associa esse
comodismo à riqueza. Afeta todos os que se encontram “deitados em leitos de
marfim, estendidos em sofás, comem os cordeiros do rebanho e os novilhos do
estábulo. Deliram ao som da harpa, e, como David, inventam para si instrumentos
de música; bebem o vinho em grandes copos, perfumam-se com óleos preciosos”.
O vício da avareza isola o
avarento. Mas ao fazê-lo também priva os pobres da atenção de que precisam para
a sua subsistência.
Riqueza e isolamento. Estas
duas características da nossa cultura estão relacionadas entre si. Quanto mais
temos, mais isolados nos tornamos e menos notamos ou nos interessamos pelos
outros. Os confinamentos durante a pandemia foram pensados e impostos pelos
ricos, a chamada “geração laptop”, que se podia dar ao luxo de se sequestrar e
de prosseguir com a sua vida. Existiu uma indiferença cruel aos efeitos que
este isolamento teria ao empobrecer ainda mais os pobres. Os sinais que vimos a
dizer “estamos todos juntos” eram uma treta.
“Não se pode servir a Deus e a
Mamon”, disse Nosso Senhor recentemente no Evangelho. E quatro domingos antes fez
um aviso semelhante: “Quem de vós não renuncia a tudo o que possui não pode ser
meu discípulo”. Esta ligação à riqueza – por mais pequena que seja – corrói a
nossa capacidade de nos preocuparmos com os outros e isola-nos. Tornamo-nos
prisioneiros da avareza.
Damos aos pobres porque
precisam da nossa ajuda. As suas vidas disso dependem. Mas damos também porque
as nossas vidas disso dependem. Quando damos, desprendemo-nos daquilo que nos
empobrece e libertamo-nos do que nos isola. Assim tornamo-nos capazes de ver,
de conhecer e de amar os outros.
O Pe. Paul Scalia é sacerdote
na diocese de Arlington, pároco da Igreja de Saint James em Falls Church e
delegado do bispo para o clero.
(Publicado pela primeira vez
no domingo, 25 de Setembro de 2022 em The
Catholic Thing)
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reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org
The
Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões
expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este
artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The
Catholic Thing.
Tuesday, 27 September 2022
Comentário na SIC Notícias sobre nomeação de D. José Tolentino
Brought to you by SIC Notícias
Monday, 26 September 2022
Hospital de Campanha Ep. 9 - A Crise dos Abusos em Portugal
De volta de férias, depois de um verão quente marcado pela revelação de casos de abusos na Igreja portuguesa, quisemos sentar-nos com Pedro Gil, especialista em comunicação de crise, que partilhou uma perspectiva verdadeiramente humana centrada na vítima e na restauração da confiança, e na fé em Deus e na Sua Igreja.
Esta é uma conversa difícil, mas necessária. A crise dos abusos é uma ferida aberta que deve ser exposta ao sol para curar, e não deixada no escuro para infectar.
Sendo um tema tão importante, gravámos não um, mas dois episódios com o Pedro Gil. O próximo irá para o ar ainda esta semana, se Deus quiser.
Thursday, 22 September 2022
Rapto nos Camarões e hipersensibilidade no Reino Unido
A Igreja quer ser parte da solução para o conflito em Moçambique. Recorde-se que há
pouco tempo foi atacada uma missão católica e uma freira assassinada.
A Igreja no Paquistão avisa
que os próximos tempos podem ser de fome e epidemias, devido às terríveis cheias que
assolaram o país. Queixam-se ainda de discriminação aos cristãos na
distribuição de ajuda humanitária.
Claro que o grande evento da
semana foi o enterro da Rainha Isabel II. Nos dias depois da sua morte houve
polémica porque algumas pessoas foram detidas por se manifestarem contra a Monarquia.
Neste texto explico porque é que isso é mau, independentemente de concordarmos,
mas que é apenas parte de um problema maior, que também afecta a liberdade
religiosa.
Há dias saiu mais uma
reportagem sobre um caso de abusos, neste caso na Diocese de Braga. O caso já está aqui, onde encontram links para os artigos originais. Aproveito
para avisar que a questão dos abusos será tema do próximo episódio do podcast Hospital
de Campanha, que deve ser publicado no início da próxima semana. Fiquem
atentos, porque vai mesmo valer a pena.
Somos todos idólatras? Até certo ponto sim, considera o autor do mais recente
artigo do The Catholic Thing em português. Na verdade, sempre que damos
prioridade a nós mesmos do que a Deus estamos a cair na autolatria, argumenta,
de forma convincente.
Por fim, foram acrescentadas várias declarações de líderes religiosos sobre a Ucrânia ao artigo no blog. Entre outros, temos o Patriarca Cirilo de Moscovo, que numa altura em que a Rússia anunciou a mobilização de 300 mil homens para servirem de carne para canhão na Ucrânia continua a culpar inimigos imaginários por dividirem o que ainda pensa serem “povos irmãos”.
Wednesday, 21 September 2022
Idolatria Escondida (com o rabo de fora)
Talvez mais umas coisas, caso
tenhamos andado na catequese. Ainda assim, o nosso “deus” é o nosso “objecto de
suprema preocupação”, segundo o existencialista protestante Paul Tillich. E
sabemos que o dinheiro, o prazer, o sucesso, ou o poder podem transformar-se em
deuses quando se tornam uma preocupação maior do que qualquer outra coisa nas
nossas vidas.
Duvido que muitos de nós
admitiríamos ser idolatras. “Nem tanto ao mar, nem tanto à terra”, diríamos.
“Não há qualquer mal em procurar estes bens, desde que não abandonemos a crença
em Deus.” Justificamos as nossas buscas com a desculpa de que temos Deus à
mistura.
Mas será que a crença em Deus
nos livra da idolatria? Não será antes uma questão de justiça litúrgica? Afinal
quem é que merece o nosso louvor?
A religião é uma virtude
porque dá a Deus o que é de Deus. Quando nos perguntam a quem devemos “latria”
(a adoração suprema), a resposta justa é de que apenas devemos adorar o
não-criado, e nunca a criatura.
Mas há algo mais grave – e
talvez mais comum – do que prestar culto a uma imagem (eidolon-latria).
Trata-se de adorar-nos a nós mesmos: auto-latria. A autolatria é mais
secreta e mais grave do que a idolatria porque o falso deus habita em nós.
Somos nós.
Muitas são as personalidades
da tradição que atestam isto.
A abadessa beneditina Cécile Bruvère
escreveu que “A acreditar no apóstolo, a idolatria não está confinada à
adoração de falsos deuses. Podemos erguer em nós mesmos muitos ídolos, e
cegamente lhes oferecer sacrifícios” (Vida
Espiritual e Oração).
Esta doi. Posso excluir-me
presunçosamente da idolatria externa dos terríveis pecadores que me rodeiam,
mas devo recordar-me que “em todos os momentos da vida existe uma idolatria
interior”, como escreve François Fénelon. “Tudo o que amamos fora, amamos
unicamente por nós” (Perfeição Cristã).
Tanto a crença em Deus como o
amor por Deus devem manifestar-se como obediência a Deus. É por isso que os
autores espirituais referem as palavras de Samuel a Saúl, quando disse: “A
rebelião é tão culpável quanto a superstição; a desobediência é como o pecado
de idolatria” (I Samuel, 15). Um dos mestres do asceticismo, Giovanni Battista Scaramelli S.J., explica o que Samuel
queria dizer: “A razão é que pela desobediência colocamos a nossa opinião e a
nossa vontade própria acima da vontade de Deus que nos é revelada pela sagrada
obediência”.
A idolatria é semelhante à
desobediência uma vez que no caso daquela adoramos um ídolo de madeira ou de
pedra em vez do único verdadeiro Deus, o único a quem é devido o culto e nesta
desviamo-nos da verdadeira regra para seguir uma enganadora, que é a dos nossos
próprios juízos e dos ditames do mundo. A falsa adoração e o falso juízo estão
relacionados. A adoração correcta e a rectidão também estão ligadas.
A vontade de Deus deve ser
atendida liturgicamente, isto é, com adoração.
Fénelon descreve desta forma essa
situação: “Fingem amá-lo sob, mas desde que isso não diminua o amor-próprio
cego que depois se transforma em idolatria e que, em vez de se referir a Deus
como o Fim para o qual fomos criados, procura arrastá-lo ao seu próprio nível,
usando-o como algo que ajuda e conforta quando a criatura falha.”
O meu professor Aidan Kavanagh
costumava definir a liturgia como “fazer o mundo como o mundo deve ser feito”.
O oposto disto é a mundanidade, que trata o mundo e as acções no mundo sem
referência a Deus.
A mundanidade é um estado
antilitúrgico: é latria mal-direccionada. É auto-adoração, a idolatria mais
secreta de todas. Por isso é que Frederick William Faber descreve o homem
mundano como aquele que vive como se nunca tivesse de “prestar contas de si
mesmo a um poder maior” (Criador e
Criatura).
Onde é que pretendo chegar?
A descoberta desta idolatria secreta
não traz Deus para a praça pública? Não introduz no espaço secular uma
preocupação com o sagrado? O crime da idolatria não é cometido apenas quando
escolhemos o templo em que vamos prestar culto, é cometido sempre que a vontade
própria se sobrepõe à vontade divina.
A autolatria acontece quando elevamos
a nossa própria opinião e vontade acima da vontade de Deus. Em relação a quê?
Não apenas nas questões religiosas (embora exista aí muita autolatria também), mas
nas coisas do mundo.
Como é que podemos ajuizar de
forma recta assuntos como política, normas sociais, sexo, género, família, a
vida intrauterina, o estranho, o criminoso e a vítima se colocámos a nossa
vontade acima da de Deus? São João Eudes diz que “o orgulho leva o pecador a
fazer de si mesmo um ídolo, e a colocar-se no lugar de Deus, uma vez que quando
estão em causa a sua satisfação, vontade e desejos, prefere-se a si do que a
Deus” (Meditações).
Os nossos interesses,
satisfação, vontade e desejos estão sempre em causa. O problema
espiritual do orgulho mete-se em tudo, não apenas no contexto religioso. A quem
vamos prestar culto? Vamos escolher-nos a nós em vez de a Deus?
Esta é uma questão espiritual,
mas é colocada a partir do coração do mundo. Por isso, os assuntos externos e
sociais não estão totalmente separados do conflito interno, espiritual. A
Igreja tem uma ou duas coisas a dizer sobre este último.
E tem toda a alegria em
partilhar a sua experiência e sabedoria com todas as sociedades em que se
encontra.
David
W. Fagerberg é professor emérito de teologia litúrgica na Universidade de Notre
Dame. O seu mais recente livro é Liturgical Dogmatics.
(Publicado
pela primeira vez em The Catholic Thing no Domingo, 14 de Setembro de 2022)
© 2022 The Catholic
Thing. Direitos reservados. Para os
direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org
The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.
Monday, 19 September 2022
Detidos por protestar no Reino Unido? O problema não é de agora
Tem levantado alguma polémica o facto de várias pessoas terem sido detidas, ao longo da última semana e meia, por se manifestarem de uma forma ou de outra durante as cerimónias fúnebres da Rainha Isabel II.
Alguns foram detidos depois de
gritar ofensas em locais públicos, outros por segurar em cartazes com palavras
de ordem contra a Monarquia. Eventualmente os poucos antimonárquicos que
optaram por se manifestar fizeram-no em silêncio e ostentando folhas em branco.
Podemos ter as mais variadas
opiniões sobre isto. Quer se seja monárquico ou não – e eu sou – podemos achar
que é de muito mau gosto aproveitar um momento de profundo pesar e luto
nacional para dar voz a essas opiniões em público. Mas também podemos achar que
o mau gosto não é necessariamente crime, e que mesmo essa liberdade de
expressão deve ser protegida.
Mas voltando ao Reino Unido, há
um ponto muito importante neste debate. É que esta hipersensibilidade das
autoridades britânicas não é nova. Vejamos mais alguns exemplos*
- Em 2002 Harry Hamond, de 69 anos, foi atacado por transeuntes, chegando a ser lançado ao chão, quando mostrou um sinal que criticava a conduta homossexual. Quando a polícia chegou ao local decidiu, contudo, deter Hammond. Acabou por ser condenado a uma multa de 300 libras e a pagar as custas do processo. Perdeu o recurso, e morreu antes de sair o resultado de mais um recurso.
- Em 2008 o pregador Anthony Rollins foi detido por pregar numa rua em Birmingham e por ter dito que os actos homossexuais são moralmente errados. Acabou por ser libertado e indemnizado.
- Em 2008 um rapaz de 15 anos foi chamado a uma esquadra por ter participado numa manifestação contra a Igreja da Cientologia, e ter ostentado um cartaz a dizer “a Cientologia não é uma religião, é uma seita”. O caso acabou por ser arquivado.
- Em 2010 Dale McAlpine estava a pregar na rua quando foi abordado por um agente da polícia que se identificou como homossexual. Enquanto os dois conversavam, em privado, o pregador disse que “a Bíblia diz que a homossexualidade é pecado”. Foi detido por outros três polícias fardados e passou sete horas numa cela. Mais tarde ganhou um processo contra a polícia por estes factos.
- Em 2011 o adepto do Glasgow Rangers Stephen Birrell foi condenado a oito meses de prisão por ter feito comentários ofensivos a adeptos do Celtic, a católicos e ao Papa, numa página do Facebook.
- Em 2014 o eurodeputado Paul Weston foi detido por citar uma passagem de um livro de Winston Churchill em que este critica o Islão. O caso acabou por ser arquivado.
- Em 2014 Tony Miano foi detido por criticar publicamente o “pecado sexual”, incluindo o adultério, a promiscuidade e a prática homossexual”. Passou uma noite na esquadra depois de uma mulher ter feito queixa dele. Uma vez que tudo tinha sido gravado, foi possível, porém, provar que as acusações da queixosa eram infundadas e foi libertado.
- Em 2014 outro pregador de rua, John Craven, foi abordado por dois adolescentes que lhe pediram a opinião sobre a homossexualidade. Ele citou a Bíblia, ressalvando que “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador.” Todavia, os rapazes queixaram-se a um polícia, dizendo que tinham-se sentido ofendidos pelas palavras do pregador, que foi então detido durante 19 horas, 15 das quais sem comer e sem poder tomar medicamentos. Mais tarde foi indemnizado.
- E, por fim, em 2021 aseptuagenária Rosa Lalor foi detida e multada por estar a rezar o terço diante de uma clínica de aborto em Liverpool. Recorreu da multa e ganhou.
É certo que esta questão não
se coloca só no Reino Unido, existe em vários outros países, com uma preponderância
para o norte da Europa, mas agora é do Reino Unido que estamos a falar.
Aquilo a que temos vindo a assistir
é o fruto de uma cultura que começou a interiorizar a ideia de que ferir os
sentimentos de outra pessoa deve ser tratado como um crime. O problema é que
quando essa caixa de Pandora se abre, as consequências são imprevisíveis. Mais valia,
se calhar, voltarmos a perceber que o debate público nem sempre é bonito, e que
para nós termos liberdade de expressão, os idiotas que só dizem porcaria quando
abrem a boca também a devem ter. Até porque, sei-o bem, para muitos deles o idiota
sou eu.
*Todos estes casos são retirados do livro “Censored” de Paul Coleman, com a excepção do último, que é posterior à publicação da obra









