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Thursday, 1 August 2013

Seminaristas "sieg heil"

A notícia é de ontem, mas só foi feita depois de ter sido enviado o mail diário… Os apoiantes de Kristina Kirchner, a presidente da Argentina que achou boa ideia pedir ao Papa para intervir no caso das Falklands, decidiram usar uma fotografia dela com o Papa para usar em campanha. O mau gosto, confirma-se, não tem limites.

Por falar no Papa Francisco, o pontífice deixou um donativo de 20 mil euros aos moradores da favela da Varginha. O dinheiro será aplicado após diálogo com os populares.

Mais más notícias para os seguidores da religião Bahá’i no Irão. Agora foi o próprio Ayatollah Khamenei a emitir uma “fatwa” contra eles, considerando-os “depravados e enganadores”.

E da Alemanha um bom exemplo. Dois seminaristas que achavam piada fazer saudações nazis e festejar o nascimento de Hitler, foram expulsos após uma investigação chefiada por um juiz.

Thursday, 21 March 2013

No Ano Novo, Bahá'ís lembram "irmãos" perseguidos

Marco Oliveira com Nelson Évora
ambos da religião Bahá'í
Transcrição na íntegra da entrevista a Marco Oliveira, da comunidade Bahá’í de Portugal. Notícia original aqui.

Como é que surgiu o calendário Baha’í
O calendário Baha’í inicia-se no dia 21 de Março. Coincide com o início da Primavera. É um calendário que se baseia no ano solar e tem 19 meses de 19 dias cada, e ainda alguns dias intercalares. Este mês que termina hoje, é de jejum, um mês de preparação para o ano novo em que vamos entrar.

Há aqui uma analogia com o que acontece no Cristianismo, com a Quaresma e com a Páscoa, há um período de preparação e depois um renascimento.

O ano novo é celebrado por todas as comunidades baha’í e em Portugal há diversas comemorações.

Mas não há também uma razão teológica?
Bahá'u'lláh era persa e na Pérsia o ano novo é sempre no 21 de Março e são essas raízes culturais que levaram a que se celebrasse o ano novo nesse dia.

Todas as comunidades celebram nesta altura, mas nalguns países há limitações à acção. Quais são os focos de maior preocupação?
As zonas de maior preocupação são alguns países do médio-oriente, nomeadamente o Irão e o Egipto, onde os Baha’í vêem a sua actividade e até as suas vidas pessoais profundamente condicionadas devido a preconceito religioso. Naturalmente também nos lembramos desses crentes que estão a sofrer essas pressões.

No Egipto houve melhorias com a primavera árabe?
O Egipto é como uma panela de pressão que se abriu. Se se proporcionaram mais algumas liberdades aos cidadãos, essas liberdades foram aproveitadas para dar espaço a uma série de preconceitos contra os baha’í. Neste momento temos conhecimento de alguns grupos fundamentalistas que pedem que os baha’í sejam hostilizados de uma forma ainda mais ostensiva do que são actualmente.

Em Portugal como é a comunidade?
Em Portugal há cerca de 4000 baha’í, a maioria são portugueses. Costumo dizer que a comunidade é uma espécie de amostra da sociedade portuguesa, temos pessoas de todo o género, desde o engenheiro doutorado ao trabalhador das obras, os médicos e os universitários, os empresários e os desempregados, jovens e reformados. Temos pessoas de todos os extractos e grupos em Portugal. Também há algumas famílias de origem persa que surgiram sobretudo depois da revolução iraniana, que chegaram como refugiados e depois se instalaram em Portugal e que deram o seu contributo para o desenvolvimento da comunidade.

No seu caso particular, como chegou ao conhecimento da religião Baha’í?
Nasci numa família católica, os meus pais são católicos praticantes. Em 1984 conheci a fé baha’í, no Bairro dos Olivais, em Lisboa. Percebi que o meu barbeiro era baha’í e estava a falar dessa religião a outra pessoa. Achei interessante, entrei na conversa, coloquei questões, investiguei e passados cinco meses aceitei a fé baha’í. A família não gostou muito mas também não aceitou mal. A minha mãe disse que preferia ter um filho com alguma espiritualidade e sentido do divino e do sagrado, mesmo não sendo católico, que ter um filho que se diz católico mas na prática não seria nada disso.

É uma religião muito conhecida pela sua tolerância…
Exacto. O fundador encorajou-nos com as seguintes palavras: “Associai-vos com os seguidores de todas as religiões num espírito de fraternidade e união”, é isso que tentamos fazer.

Tuesday, 23 October 2012

Dois anos de selecção, apartheid no Médio Oriente

The boys in yellow
É já hoje o lançamento do livro “Auto de Fé – A Igreja na Inquisição da Opinião Pública”, de Zita Seabra e o padre Gonçalo Portocarrero. Aura Miguel conversou com os dois para esta reportagem.


O Vaticano vai continuar a investigar a fuga de documentos secretos. Hoje foi publicada a sentença do ex-mordomo Paolo Gabrielle.

Ainda em Roma faz hoje dois anos que se formou a selecção de futebol do Vaticano. O saldo não é mau, quatro jogos, duas vitórias e duas derrotas.

Pelo Médio Oriente motivos de preocupação. Em Israel uma maioria de judeus parece convencida de que o Estado pratica apartheid, mas pior que isso, muitos pensam que é pouco.

No Irão são os Bahá’i que mais sofrem, mas a perseguição toca a todas as minorias religiosas, segundo as Nações Unidas.

Por fim um convite da Renascença para todos os interessados. É lançado na quinta-feira o CD “Missa Brevis” de autoria de João Gil. Aqui podem ouvir um excerto da música que vos deixará certamente com vontade ir à Igreja de São Roque no dia 25, às 18h30. Apareçam.

Tuesday, 7 February 2012

Vaticano discute abusos e bahá'ís perseguidos no Irão

No Vaticano por estes dias discute-se a questão dos abusos sexuais. Segundo o padre Morujão, que representa os bispos portugueses, “não se quer só falar, quer-se falar para agir”. Há várias notícias de ontem e de hoje sobre o assunto, podem começar por esta e seguir as ligações.


Hoje entrevistámos um representante da religião Bahá’í que nos falou sobre a perseguição a que são sujeitos os seus correligionários no Irão. A entrevista está transcrita aqui e nela podem aprender mais sobre esta religião a que pertence o nosso medalhista olímpico Nelson Évora.


E por falar em futebol e religião (uma mistura sempre fascinante), cliquem aqui para ver o vitral de um futebolista numa igreja…

Os bahá’í vivem numa espécie de “apartheid religioso” no Irão

Transcrição completa de entrevista com Marco Oliveira, da Comunidade Bahá’í em Portugal. Vejam a notícia aqui.

Últimamente tem aumentado a perseguição aos bahá’í no Irão, mas a religião Bahá’í nasceu no Irão. Pode-nos contar brevemente a história das origens?
A Fé Baha’i nasceu no Irão no século XIX. O fundador foi um nobre persa chamado Bahá'u'lláh que começou por apoiar um movimento messiânico, o Babismo, que é referido por Eça de Queirós. Por causa desse apoio foi exilado para o que é hoje o Iraque.
No Iraque começou a organizar os seguidores da religião Babí e anunciou ser ele o profeta prometido pelo fundador da religião Babí, o Bab. Posteriormente foi novamente exilado, primeiro para Constantinopla, depois para Adrianópolis, ainda no império Otomano, e eventualmente para a fortaleza de Akká, na Palestina Otomana e hoje fica no Estado de Israel. Hoje há cerca de cinco milhões de Bahá’ís espalhados por todas as religiões do mundo.

E no Irão, quantos há?
Actualmente vivem no Irão cerca de 300 mil bahá’ís, são a maior minoria não muçulmana no Irão.

Portanto a religião nasceu no seio do islão, mas os bahá’í consideram-se muçulmanos?
A fé Baha’i é uma religião independente, tem os seus próprios livros sagrados, as suas próprias leis e a sua própria administração. A relação que tem com o Islão é a mesma que o Cristianismo tem com o Judaísmo, isto é, nasceu num meio islâmico mas mostrou rapidamente que era uma religião independente. 

Templo Bahá'í
No Irão há também comunidades cristãs e judaicas que até são respeitadas. Porque é que os bahá’í são tão perseguidos?
Há sobretudo um aspecto teológico-religioso na base dessa perseguição. Para os muçulmanos o Judaísmo e o Cristianismo são religiões do Livro. Os muçulmanos aceitam Moisés e aceitam Jesus como profetas legítimos e divinos, mas segundo o Islão Maomé terá sido o último dos profetas. A Fé Baha’i ensina que não houve um último dos profetas, mas que há uma sequência contínua de profetas e que o mais recente foi Bahá'u'lláh. Isto contraria aquilo em que os muçulmanos acreditam e é isso que está na base das perseguições.
Para além disso os Bahá’í têm um conjunto de ensinamentos que o clero muçulmano mais tradicional não aceita, como por exemplo a igualdade de direitos entre homens e mulheres, a necessidade de investigação da verdade e a abolição de todas as formas de preconceito. Portanto há um conjunto de circunstâncias que tornam a Fé Bahá’í um alvo preferencial das ditaduras islâmicas.

E recentemente tem havido um aumento da perseguição?
É verdade. Temos assistido com muita preocupação a um conjunto de medidas que visam descriminar e ostracizar a fé Baha’i no Irão. Em termos simplistas diria que se está a criar um sistema de apartheid religioso em que os Bahá’ís além de não terem direitos de cidadania, porque não estão defendidos pela constituição iraniana, neste momento estão impedidos de um conjunto de actividades. Por exemplo os jovens não podem ingressar na universidade, quando ingressam acabam por ser expulsos passados alguns meses. Os bahá’ís não podem ser funcionários públicos, os reformados viram canceladas as suas reformas e foram obrigados a devolver o que já tinham recebido, várias pessoas que têm pequenos negócios de comércio têm visto as suas licenças revogadas, há lares e propriedades destruídas ou incendiadas e tudo isto nos cria uma situação que nos preocupa verdadeiramente e para a qual temos chamado a atenção da comunidade internacional nos diversos fóruns internacionais e junto de Governos em todo o mundo.

E em Portugal também há bahá’ís de origem iraniana?
Em Portugal há cerca de sete mil bahá’ís. Alguns destes são pessoas que nasceram no Irão e, devido às perseguições que lá ocorrem, tiveram que vir para Portugal como refugiados e acabaram por fazer aqui a sua vida. A maioria encontra-se hoje plenamente integrada na sociedade portuguesa. Há médicos, engenheiros, professores universitários, plenamente integrados na sociedade portuguesa. 

Nélson Évora é talvez o mais famoso bahá'í português

Thursday, 6 October 2011

Vaticano II: Espírito, ruptura ou hermêutica da continuidade?

O prefeito para a Congregação do Clero criticou o “espírito” do Concílio Vaticano II, dizendo que este deve ser lido de acordo com os textos que produziu e negando que tenha sido uma ruptura.
Opinião diferente terão certamente os padres austríacos que assinaram um Manifesto pela Desobediência. Já são mais de 400 e dizem que não vão ceder nas suas reivindicações.
Ramos Horta juntou-se ao Arcebispo (anglicano) Desmond Tutu para pedir o fim da perseguição dos Bahá’ís no Irão.
No Reino Unido a Comissão para a Igualdade apoia as duas mulheres despedidas por usarem crucifixo no seu caso no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

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