quarta-feira, 3 de outubro de 2012

São José, padroeiro do casamento


por Kristina Johannes
Não existe batalha mais important no nosso tempo que a defesa do casamento. Mesmo as questões de defesa da vida radicam na crise do casamento. Como é que a civilização pode sobreviver ao minar de um pilar tão importante da vida humana? Quando as fundações cedem, cede a casa toda. É por isso que esta batalha exige recursos espirituais especiais.

Estou envolvida nesta luta há muito tempo e já vi as sondagens em defesa do casamento a variar de Estado para Estado. Alguns peritos dizem que é apenas uma questão de tempo até a corrente mudar a favor de uma redefinição política do termo casamento. Não admira, tendo em conta a propaganda a que as novas gerações têm sido sujeitas nas escolas por todo o país.

Pelo caminho tem havido marcos importantes que têm travado a marcha, supostamente inevitável, em direcção à redifinição da realidade. Sempre que os eleitores são chamados a pronunciar-se reafirma-se a natureza, confirmando o que o senso comum nos diz sobre o casamento.

A destruição do casamento é inevitável? Claro que não. Mas os números cada vez menos expressivos das maiorias não podem ser ignorados.

Sempre pensei que os católicos deviam estar envolvidos em pelo menos um apostolado pró-vida, não interessa qual. Penso o mesmo em relação à protecção do casamento.

Santo Inácio terá advertido os seus seguidores a agir como se tudo dependesse de nós e a rezar como se tudo dependesse de Deus. É uma premissa exigente, mas que nos permite dormir descansados.

Os católicos gostam de colocar tudo sob a protecção de santos padroeiros. Enquanto protector da Sagrada Família, São José parece-me um candidato perfeito para a protecção do casamento.

Em tempos de turbulência para a Igreja, Leão XIII escreveu uma encíclica sobre São José, Quamquam Pluries, na qual propôs que juntássemos à devoção a Nossa Senhora a devoção a São José. Para melhor implementar esta prática o Papa incluiu uma oração que devia ser recitada no fim do terço durante o mês de Outubro. Ele esperava que esta devoção se tornasse anual. Passados quase 125 anos, talvez devêssemos torná-la diária.

Basta pensar um bocado na vida de São José para perceber porque é que ele é um intercessor tão poderoso.

Maria não era uma “mãe solteira” na altura da Anunciação, já era esposa de José. O noivado judaico implicava uma verdadeira troca de consentimento matrimonial. Por isso, a Encarnação esperou pelo casamento de Maria e José. Este facto não tem sido suficientemente apreciado e, ao que parece, alguns preferiam nem sequer saber.

O casamento envolve um dom mutual de si. O dom de Maria foi uma consagração magnífica e total a Deus (o que a tornou a mãe perfeita de Deus). O dom recíproco de José foi o sacrifício da vida conjugal, permitindo assim a total consagração de Nossa Senhora.

Através do seu sacrifício, José deu a sua vida por Maria e, consequentemente, pôde recuperá-la de forma extraordinária, tornando-se o pai de Deus, não na carne mas na mente, quando a sua mulher, Maria, concebeu pelo poder do Espírito Santo.

O casamento de Maria e José
Por isso, embora Maria tenha concebido de forma totalmente milagrosa, permanecendo virgem, o amor de Maria e José foi uma verdadeira união esponsal de corações e foi abençoada de forma singular pela Encarnação.

O Beato Joao Paulo II sublinha esta ideia em Redemptoris Custos, onde escreve: “O Salvador deu início à obra da salvação com esta união virginal e santa ... o casal formado por José e Maria constitui o vértice, do qual se expande por toda a terra a santidade”.

Podemos supor que José tinha sido bem preparado por Deus para este papel de marido de Nossa Senhora e, por isso, para efeitos legais, pai do Salvador do Mundo. Coube a José guardar o mistério da Encarnação.

Não deve ter sido fácil para este homem humilde ter de assumer o papel de Guardião do Filho de Deus. Apesar da sua natureza divina, Jesus apreendeu parte da sua natureza humana do exemplo de São José. E tal como Jesus nos legou a sua mãe, também nos deixa o seu pai que o amava.

Depois de Maria, José é a criatura humana mais santa que alguma vez viveu. Como se pode ler em Quamquam Pluries: “Por isso mesmo que entre a Santíssima Virgem a José foi estreitado o vínculo conjugal, não há dúvida de que ele se aproximou como ninguém dessa altíssima dignidade, em virtude da qual a Mãe de Deus ocupa lugar eminente, a grande distância de todas as criaturas. Uma vez que o casamento é a comunidade e a amizade máxima a que, por sua natureza, anda ligada a comunhão de bens, segue-se que, se Deus quis dar José como esposo à Virgem, deu-lo não apenas como companheiro na vida, testemunha da sua virgindade e garante da sua honestidade, mas também para que ele participasse, mediante o pacto conjugal, na sua excelsa grandeza.

À medida que a batalha pelo casamento prossegue precisamos urgentemente de um padroeiro. Da minha parte não consigo pensar em ninguém melhor para esse papel que São José.



(Publicado pela primeira vez em www.thecatholicthing.com no Domingo, 30 de Setembro de 2012)

Kristina Johannes é enfermeira e instrutora de métodos naturais de planeamento familiar. Foi porta-voz da Alaska Family Coalition, que conseguiu a aprovação da emenda constitucional de protecção do casamento naquele Estado.

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1 comentário:

  1. Gostei da escolha do vitral. Por acaso foi a imagem que utilizamos para os nossos convites de casamento :-D

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