quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Rumo à Investigação Ética de Células Estaminais

Chuck Donovan e Nora Sullivan
Quando foi criada na California, por referendo, o California Institute for Regenerative Medicine (CIRM), com o propósito de financiar a investigação com células estaminais embrionárias humanas (CEEh), o seu directror Robert Klein comentou: “Não tenho a menor dúvida de que a missão que os californianos aceitaram hoje é um primeiro passo crítico no sentido de mudar para sempre o panorama do sofrimento humano”.

O desejo de evitar o sofrimento de outros, ou de o minimizar, é certamente louvável. Mas a sedução de tratamentos do género, em grande escala, é um desafio às nossas convicções morais. Ainda por cima, como os californianos estão rapidamente a descobrir, os atalhos éticos tendem a desiludir na altura de apresentar resultados.

Vale a pena recorder a enormidade das promessas, que ainda se repetiam há poucos anos. Variavam entre a previsão do candidato a vice-presidente, John Edwards, de que os paralíticos voltariam em breve a andar sem ajuda, até às campanhas de Michael J. Fox  a favor de investigação embrionária para tratar a doença de Parkinson (posições que retractou em grande parte no dia 24 de Maio deste ano).

O nosso respeito pela fase embrionária da vida humana tem estado a regredir ao longo das décadas, graças ao aborto legalizado e práticas de fertilização in vitro que levam à criação e destruição de um sem número de novos seres humanos em todo o mundo.

A apresentação de avanços médicos quasi-milagrosos apenas desvaloriza estes seres minúsculos em favor de causas que, de resto, não levantam problemas morais. Um utilitarismo com estes propósitos elevados poderia ser irresistível.

Segundo a Academia Pontifícia pela Vida, o embrião humano é “um sujeito humano com uma identidade bem-definida que a partir da união dos gametas inicia o seu desenvolvimento próprio, contínuo e gradual”.

Mas os eleitores da California rejeitaram esta ideia por larga margem ao fundar o CIRM. A agência foi criada com o entedimento de que as CEEhs eram a solução para quase todos os problemas médicos imagináveis, e que cabia ao Estado financiar a sua investigação.

Com um orçamento de três mil milhões de dólares ao longo de dez anos, o CIRM tornou-se rapidamente a maior fonte de financianemento de investigação em células estaminais para além da National Institute of Health. Embora os fundos pudessem ser usados para qualquer tipo de investigação em células estaminais, foi dada prioridade especial às CEEhs.

Em 2007 foram atribuídos os primeiros subsídios. O CIRM emitiu 121 milhões de dólares para projectos envolvendo EEChs, e quase nada para a investigação em células estaminais adultas, células estaminais pluripotentes induzidas ou qualquer outra forma de pesquisa incontroversa.

No ano seguinte foi novamente dada prioridade às CEEhs, que receberam $25,658,662, quase o dobro do que foi atribuído a projectos de células estaminais não-embrionárias.

Nora Sullivan
Em 2009 assistiu-se a uma alteração na estratégia de financiamento do CIRM. Nesse ano, o centro anunciou um novo plano estratégico que apostaria mais em projectos com maior probabilidade de levar a ensaios clínicos e terapias. No plano lia-se que o CIRM queria estimular “o desenvolvimento de uma conduta científica de curas, que abarque a investigação em células estaminais, desde as fases de descoberta até às aplicações clínicas”.

Com estas novas prioridades deu-se uma alteração dramática no nível de atenção que passou a ser dada à investigação em células estaminais adultas e outras abordagens não controversas.

Agora, a ética e a eficácia estão de braço dado. Apesar de toda a atenção que recebe, e do dinheiro injectado, a investigação com células estaminais embrionárias ainda não demonstrou qualquer benefício terapêutico para os doentes. Apesar de alguns resultados modestos com animais, e um ensaio ainda em fase inicial no Reino Unido para o tratamento de degeneração muscular, ainda está por desenvolver-se uma única cura com base em células embrionárias.

As células são difíceis de criar e de manter em laboratório. Além disso, as células estaminais embrionárias têm um forte potencial para formação de tumores e podem mesmo danificar o tecido em que são inseridas, como seria de esperar para células que não deviam estar presentes em corpos adultos.

As células adultas, porém, que são recolhidas sem problemas éticos a partir de fontes como a medula óssea e sangue do cordão umbilical, continuam a dar óptimos resultados. Já foram utilizados para tratar uma grande variedade de problemas, desde doenças cardíacas, anemia falciforme e danos na espinal medula.

Nas palavras do Dr. David Prentice, investigador sénior na Family Research Council, “há poucas provas de que as células estaminais embrionárias sejam úteis para o tratamento de doenças e a regeneração de tecidos. Ao mesmo tempo há milhares de doentes que têm recebido tratamentos bem-sucedidos com base nas suas próprias células estaminais adultas.”

Para além disso, em 2012 assinalou-se a primeira vez que um projecto de investigação financiado pelo CIRM conseguiu uma droga sua aprovada pela Federal Drug Administration. O medicamento serve para regenerar os danos causados por ataques cardíacos e resulta da investigação em células estaminais adultas.

Até agoral, a procura de milagres nas células embrionárias, apenas serviu para perder dinheiro e vidas inocentes. Já as células adultas, por outro lado, ofefrecem um futuro cheio de esperança, sem atalhos éticos.

O já falecido físico e filósofo da ciência Stanley Jaki comentou, certa vez, que a ciencia está assente em bases que incluem “a existência de um mundo intrinsicamente ordenado em todas as suas partes e consistente nas suas interacções.” Essa obsservação podia perfeitamente aplicar-se às células estaminais, sendo que aqueles que já permitem curar seres humanos podem agora ser aproveitados e encorajados no seu percurso, sem dilemas éticos, para sucessos ainda mais retumbantes.


(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 27 de Julho 2012 em http://www.thecatholicthing.org)

Chuck Donovan e Nora Sullivan são president e investigadora assistente, respectivamente, na Charlotte Lozier Institute, em Washington, D.C.

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