quarta-feira, 4 de julho de 2012

A noite em que "Deus traça tudo o que irá acontecer durante o ano"

Sheikh David Munir (foto JN)
Transcrição integral da entrevista feita ao Sheikh David Munir, imã da Mesquita Central de Lisboa, sobre o Laylatul Baraa'ah, ou Noite do Destino, que se assinala esta noite. Pode ler a notícia aqui.

O que é que se assinala esta noite, e o que é que se vai passar na comunidade de Lisboa?
Todas as religiões têm umas datas marcantes, umas históricas e outras sagradas. No Islão estamos no oitavo mês do calendário islâmico. Ao meio deste mês, na 14ª noite do mês lunar, é uma data em que Deus destina ou Deus traça tudo o que irá acontecer durante o ano. Isto não significa que o Ser Humano está simplesmente dependente do Destino de Deus, porque cada um contribui com o seu próprio destino. É uma noite em que os crentes muçulmanos pedem a Deus o que for melhor para eles e para afastar o que for pior para eles. Rezamos para que Deus nos ajude a passar a crise que estamos a passar e que haja compreensão entre a humanidade, entre as religiões e entre todas as pessoas de bem.

Basicamente o Ser Humano nos dias de hoje está muito preocupado com o seu sustento e com a paz entre si e as pessoas mais próximas. É o que pedimos, que o nosso sustento seja lícito e que o nosso país seja abençoado, porque todos sabemos aquilo por que estamos a passar, uns mais outros menos, mas está-nos a afectar a todos.

Vai haver uma celebração na mesquita?
Não diria uma celebração, vai haver uma noite de preces. Haverá uma prece colectiva ao pôr-do-sol, porque é ao pôr-do-sol que se muda a data para o dia seguinte.

Qual a importância desta data no calendário islâmico?
A data mais importante que temos, sagrada, é a noite em que o Alcorão foi revelado, durante o Ramadão. Depois temos uma noite que fala da ascensão do profeta aos céus, depois há esta noite do Destino, a noite em que Deus decide quem vai nascer, quem vai falecer. Nesta noite pedimos a Deus para que o nosso destino seja do melhor, quando digo nosso, é da humanidade.

Diferentes comunidades têm diferentes tradições associadas a este dia. Sendo a comunidade de Lisboa composta por pessoas de muitas origens diferentes, como será na Mesquita logo à noite?
A Mesquita sendo um lugar sagrado, tentamos separar aquilo que é cultural da religião. A religião é única para todos. Nesta noite não há assim muitas misturas culturais, cada um dedica-se a fazer as suas orações. Na festa do Eid já há mais diferenças culturais, uns comem mais doces, outros menos, por exemplo, mas não é o caso de esta noite.

Porque é que os salafitas não celebram esta data?
Quando falamos desta noite falamos mais de oração. Sendo o Islão uma religião aberta, de várias opiniões, eles não concordam que se leve esta noite muito a sério. Respeitamos a ideia deles, mas nós levamos a sério porque achamos que é uma noite importante.

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