Thursday, 24 November 2022
Hospital de Campanha #14 - Edição especial Mundial 2022
Monday, 28 June 2021
A bandeira arco-íris na vitrine do merceeiro
A conclusão de Havel é que o merceeiro não tem qualquer
interesse na união dos trabalhadores, nem está comprometido com essa ideia, mas
sente – correctamente – que tem de colocar o cartaz, sob pena de ser mal visto,
e devidamente punido, pelas forças que dominam a sociedade. Resumindo, a
colocação do cartaz é um esforço necessário para que de resto seja deixado em
paz por um sistema totalitário.
Já essas forças que dominam a sociedade, que neste caso
são comunistas, também não têm qualquer interesse no conteúdo nem na mensagem
do cartaz, para além do facto de a sua colocação na vitrine da mercearia
simbolizar a submissão do merceeiro à ideologia dominante.
É um sistema, conclui Havel, que depende da mentira e se
perpetua na mentira. “Têm de viver dentro de uma mentira. Não precisam de
aceitar a mentira. Basta que tenham aceitado a sua vida com ela e no seio dela.”
Como não pensar neste exemplo ao ver a onda de instituições
a atropelar-se durante este mês de junho para colocar à martelada a bandeira
arco-íris em toda a sua estratégia de comunicação? Desde a Câmara Municipal de
Lisboa a clubes de futebol, bancos, marcas de carro e de cerveja, todos sentem
a necessidade de se juntar à turba.
Mas alguém acredita que a Volkswagen e a Heineken estão mesmo
preocupados com aquilo que representa a bandeira arco-íris? (se é que é
possível haver acordo sobre o significado da bandeira…). Claro que não. Eles estão
é preocupados com as consequências de não colocar aquele símbolo, pois ele
tornou-se a bandeira oficial de um movimento social que persegue de forma
impiedosa os seus inimigos e não aceita qualquer desvio da nova ortodoxia.
É evidente que isto não é apenas um problema desta causa
e desta bandeira. Pode acontecer com qualquer causa que assume contornos de
ideologia. Facilmente imaginamos uma aldeia rural e conservadora em que um
indivíduo ateu empedernido se sente obrigado a ir à missa na Páscoa para não
ser mal-visto pelos seus vizinhos. E isso também é grave.
Neste caso da bandeira arco-íris a prova da total insinceridade
destas manifestações de apoio “à causa” está em todo o lado. Veja-se o caso
recente do FC Barcelona, que mudou a sua imagem de perfil nas redes sociais,
incorporando a bandeira arco-íris, em todas as contas menos na árabe, porque lá
a coisa tende a não ser tão bem aceite. E acham que o TikTok está mesmo tão
empenhado como dá a entender pela publicidade nos estádios do Euro 2020? Acham
que eles fazem essa mesma publicidade na China, onde a empresa está sedeada? (Um leitor, a quem agradeço, partilhou entretanto este link que mostra que esta prática é aliás generalizada)
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| Vaclav Havel |
E porque é que me preocupa isto? Eu sou o primeiro a assinar por baixo se me perguntam se todos devem ser tratados com igualdade e respeito, independentemente da sua orientação sexual. Assino por baixo porque isso é um requisito básico dos direitos humanos, em que acredito, e de uma visão cristã da humanidade, que procuro ter sempre.
Mas o que se está a passar nada tem a ver com a dignidade inerente e indelével de todos os seres humanos, é meramente uma questão de imposição ideológica que assume contornos claramente totalitários. Ninguém quer saber em que é que você acredita, desde que exteriormente se comporte conforme a ortodoxia. Ninguém quer saber o que faz em prol dos homossexuais, desde que um dia por ano a sua foto de perfil nas redes sociais adopte as cores do arco-íris. Isto é a cultura da mentira e é uma das grandes marcas do totalitarismo. Porque o totalitarismo não precisa de ser apoiado por uma estrutura política ditatorial nem precisa de gulags e de campos de concentração para manifestar a sua intolerância.
Friday, 13 December 2013
"A pobreza é uma rejeição dos direitos humanos"
Como encara as palavras do Papa Francisco na sua exortação apostólica sobre o sistema financeiro internacional?
"Não pode haver critério económico sem critério moral"
A declaração universal dos direitos humanos indica (artº 23) o direito ao emprego e a um salário justo que assegure condições de vida dignas. Enquanto gestor, tem de tomar decisões que influenciam a vida dos seus funcionários. Acredita que o facto de ser católico e do Grupo Mello ter uma identidade católica, influencia as suas decisões e a conduta do grupo?
"Igreja não pode separar a Caridade da Evangelização"

Thursday, 12 December 2013
Papa pede fraternidade, romenos... enfim...
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| Amigo dos intocáveis inimigo dos Estado... |
A raiz cristã dos Direitos Humanos
Tuesday, 10 December 2013
Direitos humanos - aniversários, ameaças e vitórias
| Pai dos direitos humanos? |
Wednesday, 10 October 2012
Todos a seguir a… Rússia?
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| Austin Ruse |
As potências ocidentais sabem bem como minar as iniciativas de que não gostam. No projecto inicial russo lia-se que os direitos humanos radicam na força moral dos valores tradicionais. Havia linguagem que defendia o direito à vida, a importância da família na sociedade e o papel desempenhado pelas principais religiões.
Os governos de esquerda acusaram o projecto russo de não dar atenção à ligação existente entre valores tradicionais e violações dos direitos humanos. Os Estados Unidos e alguns países europeus, em particular, afirmaram que os valores tradicionais são uma ameaça para os direitos das mulheres, dos homossexuais e transsexuais.
Foi encomendado um novo “estudo” que acabou por retirar quaisquer referências à família, religião e direito à vida. Mais, o novo projecto acusava os valores tradicionais de colocarem em perigo os direitos das mulheres e das minorias.
Como costuma acontecer nas Nações Unidas, a esquerda acabou por levar a sua avante. Mas os russos não, e muitos outros também não. Estava agendada uma discussão sobre o novo estudo em Genebra, a semana passada. Desta vez os russos foram firmes, animados por uma confiança cultural conservadora que deve ter dado arrepios aos europeus e à claque LGBT no Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Os russos limitaram-se a ignorar os seus adversários, exigiram uma votação e ganharam. Estavam tudo menos sozinhos. A resolução foi assinada por mais de 60 governos e acabou por passar no Conselho de Direitos Humanos com 25 votos a favor, 15 contra e 7 abstenções.
O novo documento é uma vitória para os valores tradicionais no entendimento dos direitos humanos, deixando claro que estes são universais e não se encontram em “evolução”, como afirma a esquerda.
Momentos depois da votação o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moscovo emitiu um comunicado que a minha colega na C-FAM, Stefano Genarrini, descreveu como “cheio de confiança”, onde se lê: “A Federação Russa, juntamente com os seus aliados, continuará a promover no Conselho de Direitos Humanos a ideia de que os direitos humanos e os valores morais tradicionais são inseparáveis.”
O comunicado criticava ainda as medidas da União Europeia e dos Estados Unidos, lamentando as “posições negativas destes países, a falta de vontade de trabalhar o texto e os argumentos rebuscados contra a resolução”.
Aquilo a que estamos a assistir nas Nações Unidas é o acordar do urso da política social russa. Muitos Governos estão a ficar saturados com a agressividade da esquerda sexual, que já se infiltrou firmemente na burocracia das Nações Unidas e dos direitos humanos.
| O acordar do "Urso Russo"? |
Há muitos anos que se tenta transformer a homossexualidade e suas variantes numa categoria protegida pelo direito internacional. Mais de metade da Assembleia Geral das Nações Unidas são contra isto, os russos em particular.
Mas a maior parte dos países temem enfrentar a pressão. Muitos dependem da generosidade das Nações Unidas, União Europeia e Estados Unidos. O Departamento de Estado visitou pessoalmente muitas das delegações nas Nações Unidas e fez ameaças por causa de uma votação no Conselho de Direitos Humanos que pedia um estudo sobre a violência contra os homossexuais.
Mesmo um país como a Jamaica, por exemplo, que em termos politicos e culturais não é favorável à homossexualidade, cedeu perante tamanha pressão e, embora não tenham votado a favor, aceitou abster-se.
Mas a Rússia não tem medo do bullying das Nações Unidas, da União Europeia nem dos Estados Unidos. A Rússia está profundamente preocupada com a diminuição da sua população e já iniciou um debate interno sobre o aborto legal. Os rusoss não consideram a homossexualidade normal. Ao mesmo tempo a Rússia parece contente com a hipótese de confrontar os seus concorrentes geopolíticos nesta arena.
Ter a Rússia na linha da frente nestes assuntos é útil por variadas razões. Retira a pressão da Santa Sé, que nunca se sentiu confortável no papel de líder nesta luta. A Santa Sé prefere dar apoio moral, falar nos momentos chave, mas não liderar. Depois, há o facto de a Rússia não ser um Estado islâmico. Os Estados islâmicos, quer sozinhos quer através da Organização da Conferência Islâmica, são caricaturadas como ayatollahs no que diz respeito a políticas sociais.
Há quem pergunte se, enquanto conservadores, devemos aliar-nos a um concorrente geopolítico dos Estados Unidos. E a repressão interna na Rússia? E as Pussy Riot?
Num mundo ideal as democracias ocidentais e as Nações Unidas seriam os maiores defensores dos bebés por nascer, em vez de promoverem o aborto. Defenderiam o casamento tradicional em vez de promover práticas sexuais aberrantes, definindo-as como “direitos” humanos.
A Rússia é tudo menos perfeita, mas no campo das políticas sociais está bastante à nossa frente nesta altura.
Austin Ruse é presidente do Catholic Family & Human Rights Institute (C-FAM), sedeado em Nova Iorque e em Washington D.C., uma instituição de pesquisa que se concentra unicamente nas políticas sociais internacionais. As opiniões aqui expressas são apenas as dele e não reflectem necessariamente as políticas ou as posições da C-FAM.
(Publicado pela primeira vez em www.thecatholicthing.com na Sexta-feira, 5 de Outubro de 2012)
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