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Friday, 5 January 2024

Esclarecimentos necessariamente desnecessarios

Espero que tenham entrado da melhor maneira no novo ano, e que ele seja o mais abençoado possível.

O ano não podia ter acabado de pior maneira na Nicarágua, onde só nos últimos quinze dias do ano foram detidos cerca de 20 padres pelo regime sandinista, incluindo pelo menos um no próprio dia 31 de Dezembro.

A Nicarágua é apenas um de muitos países e regiões onde a Igreja sofre por perseguição ou falta de recursos. A fundação Ajuda à Igreja que Sofre existe para acudir a estes casos e ajudar da forma possível, seja materialmente, através de advocacia ou, muito importante, através da oração e do apoio espiritual. Nesta entrevista, a nova presidente executiva da fundação internacional, Regina Lynch, explicou-me quais são as prioridades da organização para o 2024.

Na Igreja continua-se a falar do Fiducia Supplicans. Depois de o prefeito do Dicastério da Doutrina da Fé ter dito que não haveria mais pronunciamentos ou esclarecimentos sobre a declaração, temos assistido a uma sucessão de… pronunciamentos e esclarecimentos, o mais recente na forma de um comunicado de imprensa. Fiz um apanhado da situação, e da polémica que tem gerado, neste texto.

Por cá, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, pediu o fim da “crispação” entre partidos e instituições e o Papa lamentou os dias “vazios de paz” que o mundo está a viver.

O artigo desta semana do The Catholic Thing assinala simultaneamente a solenidade de Maria, Mãe de Deus, que se celebrou no dia 1 de Janeiro, e também o aniversário da morte de Bento XVI. É um excerto da última homilia que ele fez enquanto Papa nessa solenidade, leiam que é muito bonito.

Thursday, 17 August 2023

Patriarca sim, Cardeal Patriarca (ainda) não, Cardeal-Patriarca ainda menos

Faz uma semana que D. Rui Valério foi nomeado Patriarca de Lisboa. Logo as manchetes, os pivôs e os apresentadores de rádio nos informaram que Lisboa já tem um novo "Cardeal-Patriarca". 

Esta é uma boa ocasião, portanto, para recordar a todos que D. Rui Valério não é cardeal, nem sabemos ao certo quando será. Por isso, ao contrário do que a imprensa insiste em dizer, ele não é o “Cardeal-Patriarca de Lisboa”. Aliás – e esta é uma embirração minha – eu não percebo porque é que se insiste em aglutinar os títulos, sobretudo quando é o próprio Patriarcado a fazê-lo.

Como aprendemos sempre que existe uma nova nomeação, uma coisa é ser Patriarca, outra coisa é ser cardeal, uma não implica necessariamente a outra, por mais que exista a tradição – e no caso de Lisboa um compromisso estipulado em bula – de o Patriarca ser feito cardeal.

A confusão é agravada pelo facto de existirem diferentes níveis de cardeal. Há o Cardeal-Diácono, o Cardeal-Presbítero e o Cardeal-Bispo, o que por sua vez indica apenas uma hierarquia, pois não tem nada a ver com os cardeais serem diáconos, padres ou bispos. E sim, há cardeais que são apenas padres, embora seja raro.

Portanto, nesta lógica, um Cardeal-Patriarca seria mais um nível na hierarquia dos cardeais, acima até de Cardeal-Bispo. Só que não é, porque isso não existe.

Se Deus quiser – mais precisamente, se o Papa quiser – D. Rui Valério será um dia Cardeal. E nessa altura será o Cardeal Patriarca de Lisboa, mas não o Cardeal-Patriarca de Lisboa. Até lá é “apenas” o Patriarca de Lisboa, o que já não é nada mau, embora não seja equiparável a patriarcas orientais, mas isso vai ter de ficar para outro artigo…

Sunday, 13 August 2023

Habemus Patriarcham

A grande notícia do dia é a nomeação do novo Patriarca de Lisboa. D. Rui Valério foi o escolhido pelo Papa Francisco para suceder a D. Manuel Clemente. Escrevi aqui um pequeno artigo sobre o novo Patriarca, com alguns dados sobre a sua vida, mas também alguns dos desafios que ele terá pela frente.

De resto, estamos ainda a ressacar da incrível experiência que foi a JMJ. Durante a Jornada eu não tive tempo para ir actualizando o blog, ou para enviar o mail semanal, mas fui-me mantendo ocupado. Para além de ter entrado várias vezes em antena na SIC Notícias, com a qual estava a colaborar como comentador, ainda dei uma perninha na Rádio Observador e escrevi um artigo diário para o The Pillar.

Os artigos para o The Pillar estão em inglês, mas podem ser lidos aqui:

Sobre o diálogo inter-religioso na JMJ

Entrevista ao Pe. Francisco Crespo, pároco da Serafina

Diário do primeiro dia da JMJ

Diário do segundo dia da JMJ

Entrevista ao único padre do Butão, que explica como um cartão de Natal levou à suaconversão

Diário do terceiro dia da JMJ

Diário do quarto dia da JMJ

Diário do quinto dia da JMJ

Diário do sexto dia da JMJ

Houve ainda um relato de um milagre na JMJ. As informações que circulam são ainda bastante confusas, nomeadamente sobre onde é que se realizou o milagre, mas o meu colega Edgar Beltrán, do The Pillar, conseguiu chegar ao fundo da questão da Jimena, que recuperou a visão. Podem ler aqui em inglês, ou então em espanhol.

Quem também esteve presente na JMJ foi a fundação Ajuda à Igreja que Sofre. Podem ler mais sobre esse assunto aqui.

Fui também convidado pelo Expresso para escrever um artigo mais focado nas críticas que surgiram de alguns sectores à JMJ. Podem ler aqui se forem assinantes. Mas gostaria de sublinhar – como faço no artigo – que embora também houvesse críticas e guerrinhas nas redes sociais, uma das coisas que mais me tocou foi precisamente o facto de na JMJ terem estado tantas pessoas, de tantas tendências diferentes, unidas por uma só causa, a rezar, a adorar e até a dormir lado-a-lado.

No meio de tudo isto continuei a publicar artigos do The Catholic Thing em português. Esta semana temos Randall Smith a escrever sobre as lições que São Tomás de Aquino tem para os actuais pregadores, e no da semana passada temos Russell Shaw, que tem uma larguíssima experiência de participação em sínodos, a revelar as suas reservas sobre o Sínodo da Sinodalidade.

Thursday, 10 August 2023

Rui Valério: Um missionário para o Patriarcado de Lisboa

O Papa acaba de nomear como novo Patriarca de Lisboa D. Rui Valério, até agora bispo das Forças Armadas e de Segurança.

Não conheço pessoalmente o novo Patriarca, mas aquilo que me têm dito os que o conhecem é que é um homem de oração, de uma profunda espiritualidade, e um pastor. Isso são, claro, grandes trunfos.

D. Rui Valério é também um homem muito ligado à missão. Para além de ter sido formado e ordenado nos Missionários Monfortinos, foi um dos missionários da Misericórdia durante o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, em Lisboa. A sua nomeação pode, por isso, reflectir a questão de o Patriarcado ser hoje também terreno de missão, uma vez que grande parte da sua população se encontra descristianizada, se não abertamente, pelo menos na prática.

Ao contrário do que tem sido a norma no Patriarcado nas últimas décadas, D. Rui Valério é também um homem com uma significativa experiência paroquial. Foi pároco em Castro Verde, no Alentejo – certamente uma realidade muito diferente da que vai encontrar em Lisboa, mas que pode ter-lhe dado uma boa bagagem – e foi também pároco no Patriarcado, nomeadamente em Póvoa de Santo Adrião. Enquanto pároco teve de lidar com situações por vezes difíceis, o que é essencial para o trabalho que terá agora pela frente.

O novo Patriarca faz este ano 59 anos, por isso, em condições normais, terá pelo menos 15, talvez 17 anos à frente da Igreja lisboeta. Toma posse a 2 de Setembro, na Sé Patriarcal.

Abusos, legado da JMJ e reformas

Um dos principais desafios que D. Rui Valério terá agora pela frente é a de dar continuidade ao processo de lidar com a questão dos abusos sexuais. Nesta situação em particular, Lisboa já tem muito caminho percorrido e pessoas de confiança em lugares-chave, por isso terá o trabalho facilitado. Há que continuar a ir agilizando processos e, sobretudo, não atrapalhar.

A este respeito note-se que D. Rui Valério chega com uma folha em branco. A diocese das Forças Armadas é a única que não teve qualquer denúncia de casos de abusos, o que é aliás compreensível dada a sua natureza. Isso significa que ninguém tem nada a apontar ao bispo na forma como ele lidou com casos, mas significa também que não sabemos como é que ele lidará com o assunto no futuro. Só podemos esperar que tenha aprendido muito com os bons exemplos e, também, com os maus exemplos dos seus pares no episcopado, ao longo dos últimos meses.

A nível teórico, tem algumas palavras sobre o assunto. Na altura em que foram provisoriamente afastados cinco padres do Patriarcado de Lisboa, foi questionado pela CNN e preferiu falar das vítimas: “Acho que aquilo que é importante nesta altura é nós começarmos a falar das vítimas. Este é o tempo das vítimas. É o tempo de irmos ao encontro delas. Não sei se nós temos exata noção de que quem foi vítima de um abuso desta natureza está numa condição de sofrimento... Há traumas que estão ativos e tudo isso é preciso cuidar, é preciso tomar conta”, afirmou. São palavras atenciosas e firmes. Esperemos que não haja qualquer dificuldade em passá-las à prática.

O novo Patriarca terá também muitos outros desafios práticos. Há decisões e reformas que é necessário fazer no Patriarcado de Lisboa. Será necessário em primeiro lugar discerni-las e depois aplicá-las. Como podemos adaptar a estrutura paroquial a um presbiterado cada vez mais pequeno? É possível travar, ou mesmo inverter essa crise vocacional? Um dos grandes perigos em qualquer diocese é a divisão dos padres em grupinhos e tendências, de costas voltadas, conseguirá ele evitar que isso aconteça em Lisboa, promovendo a unidade? Existe no Patriarcado um grande tecido de respostas sociais, como podemos tornar o seu funcionamento mais eficiente, promovendo economias de escala numa altura de dificuldades e em que o Estado parece cada vez mais apostado em tomar o lugar da Igreja neste campo?

E depois, claro, temos o facto de a sociedade portuguesa olhar para o Patriarca de Lisboa – erradamente, é certo, mas é uma realidade – como a figura-de-proa da Igreja nacional. D. Rui Valério tem duas licenciaturas de prestigiadas universidades em Roma, não será certamente desprovido de inteligência, mas D. Manuel Clemente já tinha uma reputação de figura intelectual que o ajudava a impor as suas opiniões. D. Rui Valério terá, nesse campo, de começar do zero e conquistar esse espaço.

Do ponto de vista puramente pessoal, e como católico do Patriarcado de Lisboa, posso dizer que conheço pessoalmente D. Manuel Clemente, desde a minha infância. Tenho por ele uma estima enorme e nunca tive dificuldade em ver nele uma figura de paternidade episcopal, o que tornava mais fácil gostar dele e colocar-me ao seu lado, mesmo nos tempos mais difíceis, e sem que isso me impedisse de criticar, em liberdade, o que achava que devia ser criticado.

Já D. Rui Valério não conheço de todo. Mas a partir de hoje – ou mais precisamente a partir do momento em que for empossado – ele é o meu bispo, o meu Patriarca, e tem da minha parte toda a lealdade e afectividade que como tal sinto que lhe devo. 

Thursday, 18 February 2021

FNO voltou e mensagens de Quaresma

Começo com excelentes notícias! O Faith’s Night Out está de volta, apesar da pandemia. Este ano vai ser integralmente online, mas vai valer tanto a pena como sempre. Entre os oradores têm o bispo D. Rui Valério, o médico e deputado Ricardo Baptista Leite e a maestrina Joana Carneiro. Está tudo explicado aqui. Inscrições aqui.

Começou a Quaresma. Os bispos, como sempre, publicaram as suas respetivas mensagens e divulgaram os – destinos das renúncias quaresmais. Tudo aqui, com links para notícias sobre cada diocese portuguesa.

Aqui podem ler sobre a mensagem do Papa para esta época que antecede a Páscoa.

Realiza-se no sábado um interessante webinar sobre “A Contemplação na Justiça Social”. É no sábado, tem duração de duas horas e podem encontrar toda a informação aqui.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing. Russell Shaw fala sobre sinodalidade, as suas vantagens e os seus perigos e como tudo isto interessa para o futuro próximo da Igreja Católica.

Monday, 26 November 2018

Os portugueses do extremo-oriente

Cardeal Bo
O novo líder da Federação das Conferências Episcopais da Ásia é um lusodescendente, que vem substituir outro lusodescendente, numa prova vida da importância do legado português naquele continente.

Conheça aqui a história da freira polaca que morreu aos 110 anos e ajudou a salvar judeus durante a II Guerra Mundial.

Faz sentido continuar a haver um bispo das Forças Armadas? O novo foi ordenado ontem, e diz que sim.

É um caso muito peculiar, do início ao fim… Um juiz considerou inconstitucional a lei americana que proíbe a mutilação genética feminina


E na quarta-feira vamos poder ver o Cristo-Rei, os Jerónimos, a Torre dos Clérigos e a Basílica dos Congregados pintados de encarnado. É uma forma de chamar atenção para os cristãos perseguidos no mundo.


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