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Monday, 27 May 2019

Papa defende fetos, futebol e refugiados

Mais um ataque a um Igreja no Burkina Faso. Desta vez morreram quatro pessoas.

O Papa Francisco quer proteger o futebol da ditadura do dinheiro e hoje alertou para o perigo da indiferença, na sua mensagem para a Jornada Mundial dos Refugiados e dos Migrantes.

Durante o fim-de-semana o mesmo Francisco pediu aos médicos que ajudem a combater o aborto. A propósito deste tema, causou alguma polémica nas redes sociais um artigo de opinião de Henrique Raposo, defendendo a legalidade do aborto em casos de violação e incesto. Respondi-lhe hoje, de forma amigável, com este texto que vos convido a ler.

Alabama, Henrique Raposo e Legítima Defesa

Qual dos dois foi concebido por violação?
Causou alguma polémica um artigo de opinião publicado na Renascença por Henrique Raposo na passada semana, sobre a lei que recentemente proibiu o aborto, quase por completo, no Estado do Alabama, nos Estados Unidos.

Argumenta o Henrique que embora seja contra o aborto e a sua legalização, acha indispensável que haja exceções para casos de violação e de incesto, invocando para isto a noção de legítima defesa.

Gosto de ler os artigos do Henrique e penso que não estou só em admirar a forma honesta como ele tem descrito a caminhada religiosa e ideológica que tem feito ao longo dos últimos anos. Mas neste caso penso que comete alguns erros básicos de raciocínio, que devem ser confrontados.

Para começar, a analogia é muito fraca. Permitir o aborto por “legítima defesa” apenas faria sentido se considerássemos que o feto gerado é um agressor. Sem dúvida que existe um agressor em todos os casos de violação, e na maior parte dos casos de incesto, mas não é o bebé.

A questão do aborto é fraturante, e as discussões sobre ele tendem a tornar-se conversas de surdos. Mas na verdade o assunto é muito mais simples do que muitas vezes pensamos. O nascituro ou é um ser humano com dignidade e direitos, ou não é. Se acreditamos que é – e parece-me que o Henrique assim pensa – então basta pensarmos se o que propomos faria sentido se ele já fosse nascido. O Henrique aceitaria que uma mãe matasse, ou mandasse matar o seu filho recém-nascido, ou de dois anos, por ser parecido com o pai, violador? Claro que não.

Se, pelo contrário, acreditamos que o feto não é merecedor de qualquer direito e não tem dignidade humana, então é descartável.

A discussão centra-se então na ideia de quando é que o feto se torna um ser humano, com todos os direitos e dignidade inerentes. Sobre isso compreendo que existam posições diferentes, embora o defensor do aborto encontra-se na situação difícil de mostrar então precisamente quando é que se dá essa transformação mística. Por mais que não o queiram admitir, a embriologia e a lógica estão solidamente do lado dos pró-vida neste aspeto.

Logo, o aborto ou é uma coisa aceitável – nem se devia falar em mal-menor – ou não é. Qualquer posição intermédia, como dizer que é aceitável em casos em que o feto é deficiente, mas não quando é saudável; ou que é aceitável em casos de violação, mas não quando o bebé é desejado pode satisfazer a nossa vontade de não ofender sensibilidades, mas não têm ponta por onde se pegue em termos lógicos.

Neste sentido, a lei do Alabama é perfeitamente compreensível e os argumentos de Henrique Raposo não convencem quem pensa que a vida intrauterina tem tanto valor às 10 semanas como às 40, ou como aos quatro anos ou aos 18, seja quem for o progenitor, seja qual for a condição em que foi gerado. Não se trata de falta de sensibilidade pelo drama vivido pela mulher que, certamente, merece toda a nossa compaixão e ajuda. Posso, até, dizer que compreendo que uma mulher nessa situação aborte, ou queira abortar, sem ter de ceder que do ponto de vista racional não o devia fazer nem a sociedade tem a obrigação de a ajudar nesse propósito.

Desafio ao Supremo Tribunal
Já outra questão é a oportunidade política da lei do Alabama. Aqui devemos compreender que esta lei é um balão de ensaio. Vai inevitavelmente chegar ao Supremo Tribunal, criando assim a oportunidade de os juízes, agora com maioria conservadora, reverterem o famoso “Roe v. Wade” que na prática legalizou o aborto nos Estados Unidos a nível federal, podendo levar à proibição do aborto em muitos outros Estados americanos. A lei só entrará em efeito depois de passar esse obstáculo, e não é de todo certo que passe.

O problema é que estes tiros podem sair pela culatra. Já estamos a ver vários Estados a liberalizar as suas leis ao ponto do absurdo e esta semana a Câmara dos Representantes voltou a rejeitar, pela 49ª vez, uma lei que obrigaria um médico a fazer tudo para salvar a vida de um bebé que nasça vivo após uma tentativa de aborto.

Tendo em conta o estado de divisão que existe atualmente entre republicanos e democratas sobre esta questão, o tempo dirá se esta lei do Alabama faz mais bem do que mal.

Filipe d'Avillez

Tuesday, 24 April 2018

Pray for Alfie, pray for Toronto

Nove mortos e 16 feridos em Toronto
Quando ler este email é muito possível que Alfie Evans esteja morto. Isto apesar de o Governo italiano lhe ter concedido cidadania e de o Papa ter feito mais um apelo para que o Reino Unido permitisse que ele fosse transferido para Roma. Um caso muito difícil. Continuo a achar que falta informação, mas com base na que tenho, sou da opinião de que neste caso, ao contrário do que se passou com Charlie Gard, os pais da criança têm razão e o hospital não. O Henrique Raposo pensa o contrário. Posso estar enganado.

Entretanto a tragédia abateu-se sobre Toronto, com um homem a atropelar várias pessoas, matando pelo menos nove delas. Não se sabe a motivação do ataque, ainda. O arcebispo local pede orações pelas vítimas.

Decorreu esta segunda-feira na Universidade Católica uma interessante conferência sobre a eutanásia. Um médico holandês alertou para o perigo de seguir o exemplo do seu país, o Patriarca espera que estas e outras ações sirvam para alertar e informar as consciências de políticos e sociedade e o ex-bastonário dos médicos, Germano de Sousa, diz que mesmo que a lei mude, a Ordem deve punir os médicos que praticarem a eutanásia.

O Papa nomeou três mulheres para a Congregação para a Doutrina da Fé e pediu o fim da violência na Nicarágua, no domingo.


Friday, 9 February 2018

Salve o queijo da Serra, adopte uma ovelha!

Depois de a Renascença ter dado calmamente a notícia da nota do Patriarcado de Lisboa na terça-feira, ontem o resto da imprensa acordou e decidiu pegar no assunto por um ângulo que nada tem de novo, nomeadamente a recomendação de viver em continência para alguns casais em situação irregular. Por isso ao fim da tarde pegámos no tema outra vez e pedimos ao padre José Manuel Pereira de Almeida que nos explicasse exactamente o que se passa. Vale a pena ler para ficar esclarecido.

O Cristo Rei, em Almada, vai ser “pintado” de encarnado em solidariedade com os cristãos perseguidos, tal como o Coliseu de Roma e igrejas em Alepo e em Mossul, no Iraque.

9,4 milhões visitaram Fátima no ano do centenário. Um número verdadeiramente impressionante.

Quer ajudar os produtores de queijo da Serra, afectados pelos incêndios? Adopte uma ovelha.

Conheça ainda o fantástico trabalho das irmãs hospitaleiras na Guarda, que usam a arte para ajudar as pessoas com doença mental.

A Eutanásia vai continuar a dar que falar, claro. Sobretudo com o PS a decidir que a única forma de “participar no debate” é apresentando mais uma lei, não vá ser flanqueado pelo Bloco. Hoje Henrique Raposo explica de forma brilhante por que é que é um absurdo validar e resolver de forma permanente um desespero que por natureza é transitório. Leia e partilhe!


E porque vou estar fora na próxima semana, convido-vos a tomar conhecimento e a divulgar, através da imagem que ilustra este post, a campanha dos 40 dias de oração pela vida, que começa novamente na quarta-feira de Cinzas. A causa não podia ser mais nobre.

Friday, 26 January 2018

Se não vale a dignidade, então vale tudo

O Papa falou hoje à Congregação para a Doutrina da Fé, aproveitando para criticar a aceitação da eutanásia e o que isso implica. Vale a pena ler.

O Algarve vai ter um pouco da espiritualidade de Taizé, graças a um programa da comunidade. Saiba mais aqui.

Ontem decorreu um debate na Ecclesia sobre a mensagem do Papa para o dia das Comunicações. Participaram jornalistas da Renacença, numa prova de boa-vizinhança. Saiba o que se passou.

Convido-vos ainda a acompanharem esta interessante conversa entre Henrique Raposo, pela Renascença, e Francisco Mendes da Silva. Diz respeito a todos os que têm filhos, meninos ou meninas, e todos os que se preocupam com uma sociedade em que campanhas como o #MeToo são sequer necessárias. Deixo o link para o último episódio, que contém ligações para as anteriores.

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