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Tuesday, 11 October 2022

Abusos na Igreja. O caso de Abel Maia e de Roberto Sousa

Padre Abel Maia

Recentemente o presidente da CEP, D. José Ornelas, foi acusado de dois casos diferentes de encobrimento de abusos sexuais. Primeiro, foi em relação a alegados casos que teriam decorrido em Moçambique. O assunto foi tema durante alguns dias até que o jornal SOL publicou uma reportagem em que as alegadas vítimas admitem que foram pagas para dizer que tinham sido abusadas, e que põe seriamente em causa a credibilidade do denunciante.

O outro caso envolve alegados abusos cometidos pelo padre Abel Maia, ex-dehoniano, agora ao serviço da arquidiocese de Braga.

Na noite de segunda-feira o programa “Exclusivo” da TVI, passou uma longa reportagem, composta na sua maior parte por declarações do padre Roberto Sousa, em que este acusa D. José Ornelas e outros superiores dehonianos de terem encoberto este caso.

Vale a pena olhar mais de perto para os dados de que dispomos neste momento.

O caso surgiu em 2014 quando o padre Roberto Sousa escreveu uma carta ao bispo do Porto ameaçando revelar situações de impropério sexual, incluindo um caso de abusos, se fosse retirado da sua paróquia de Canelas. O bispo na altura era D. António Francisco dos Santos, que, entretanto, já morreu. O bispo não hesitou e entregou a carta ao Ministério Público, para que o alegado caso de abusos fosse investigado.

Este dizia respeito ao padre Abel Maia. Segundo a imprensa da época, um homem dizia que em 2003 o esse padre lhe tinha tocado na zona dos órgãos genitais, por cima das calças. Na altura dos factos a alegada vítima teria 20 anos. Esta informação consta de um artigo do jornal i, de 2015. Desde a altura em que o caso foi mais falado, até há dias, nunca se tinha alegado mais nada sobre o padre Abel.

O caso foi investigado pelo Ministério Público e arquivado por falta de testemunhas – a vítima negou os factos quando foi chamado a depor –, por falta de indícios e por prescrição.

O padre Abel Maia processou então o padre Roberto Sousa por difamação, mas este não chegou a ser julgado porque os dois chegaram a um acordo, em que o padre Roberto se comprometeu a publicar um pedido de desculpas públicas pelo que tinha dito sobre o padre Abel. Esse pedido de desculpas nunca foi publicado.

Esta situação ressurgiu agora, com D. José Ornelas a ser acusado de encobrimento. Num esclarecimento prestado pela Arquidiocese soube-se que afinal tinha havido um importante desenvolvimento. Os dehonianos fizeram um relatório, enviaram-no para Roma e o Vaticano decidiu, com base nesse relatório, aplicar uma pena canónica de cinco anos ao padre Abel, pena que já foi cumprida.

Antes de passar às revelações feitas no programa de ontem, vejamos já um dado importante. Apesar de na altura ter sido noticiado como um caso de abuso de menores, a verdade é que todos os indícios apontavam para um caso de assédio entre duas pessoas maiores de idade. Em lado algum se dizia que a vítima era menor de idade na altura dos alegados factos.

Na reportagem de ontem o padre Roberto Sousa falou longamente sobre o caso. Vou analisar em alguns pontos o que foi dito.

Padre Roberto Sousa
1 – Na entrevista ele diz que só agora é que soube que tinha havido uma pena canónica imposta ao padre Abel, que se houve pena canónica é porque houve culpa, e que essa pena não foi cumprida. Ele assume que a pena seria suspensão total do ministério.

Há vários problemas aqui. Se ele não sabia que havia uma pena, é porque não conhece o processo, e se não conhece o processo não sabe qual foi a culpa apontada ao padre Abel, nem qual a pena imposta. Dizer que a pena era de suspensão total do ministério é adivinhação. A informação que eu obtive é de que a pena não era de suspensão, mas de não ter contacto com menores e que esta foi “escrupulosamente cumprida”.

2. A alegada vítima não quis gravar, mas segundo a reportagem ele terá dito que afinal mentiu quando foi depor, e que as alegações são mesmo verdade. A própria reportagem, porém, diz que estes abusos terão começado “no início dos anos 2000”, e que a vítima tem agora 40 anos, o que faz dele maior de idade na altura dos alegados factos.

A única pessoa que disse publicamente, até agora, que esta vítima foi também abusada quando era menor de idade foi o padre Roberto, ontem, na reportagem.

Contudo, convém lembrar que, entretanto, houve uma investigação do Ministério Público, e houve um processo canónico. Em nenhuma altura se falou de abuso de menores. Se, no processo canónico, se tivesse concluído que tinha havido abuso de menores, então a pena aplicada pelo Vaticano jamais seria de cinco anos, pois a política é de tolerância zero e na altura em que a pena foi aplicada – depois de 2015 – o Vaticano estava a suspender padres em todo o mundo às centenas, não existindo qualquer razão credível para abrirem uma excepção para este caso particular.

Pode ser verdade que tudo começou quando a vítima tinha 14 anos, como alega o padre Roberto? Isso leva-nos ao terceiro ponto.

3. É o padre Roberto digno de confiança? Ora aí está a questão fulcral. É que estamos a falar de um homem que agora acusa os outros de encobrir, mas em 2014 isto só se tornou público porque ele escreveu uma carta ao bispo do Porto a ameaçar divulgar o caso se o bispo o mudasse de paróquia. Ou seja, está-nos a ser pedido que condenemos na praça pública um homem por abuso de menor, e outros por encobrimento, com base na palavra de um chantagista.

O padre Roberto teve várias oportunidades para fazer uma denúncia completa destes alegados factos às autoridades competentes, mas nunca o fez, e vem agora acusar os outros de encobrir? Quando ainda por cima os outros – neste caso D. José Ornelas e outros responsáveis dehonianos – de facto agiram logo em 2003, afastando o padre Abel do local para evitar que ele tivesse mais contacto com a alegada vítima – uma vez que D. José Ornelas diz que percebeu, independentemente dos avanços e recuos no testemunho, que existia ali uma relação de dependência emocional – e mais tarde abrindo um processo e elaborando um relatório, que foi enviado para Roma, de onde saiu uma pena canónica.

O padre Roberto teve uma frase curiosa na sua entrevista de ontem. Foi-lhe perguntado porque é que não tinha uma paróquia actualmente, e respondeu que aceitar uma paróquia seria aceitar um preço pelo seu silêncio. O problema é que nós bem sabemos que o preço do silêncio dele foi ele que estabeleceu, numa carta escrita a D. António Francisco dos Santos, e era precisamente uma paróquia.

Resumindo, temos dois cenários:

Primeiro: É tudo verdade, o padre Abel Maia abusou de um rapaz, e mais tarde adulto, durante vários anos. O caso era conhecido dos superiores dos dehonianos, mas foi encoberto até ao ponto em que já não o podiam esconder mais e fizeram um relatório que foi enviado para Roma, mas no qual esconderam o facto de se tratar de um caso de abuso de menores, dizendo ser apenas um caso de assédio de um adulto, na esperança de que o padre Abel, que entretanto deixou de ser dehoniano e passou a ser diocesano, não fosse afastado do sacerdócio, mas obtivesse uma pena mais leve. Este cenário depende, por enquanto, unicamente da integridade de um padre reconhecidamente chantagista e conflituoso.

Segundo: Isto tudo não passa de uma vingança de um padre que tem um passado problemático a vários níveis, que recusou mudar de paróquia quando o bispo o ordenou, que tentou chantagear o bispo no seguimento da sua insistência, que escapou a um julgamento por difamação prometendo publicar um pedido de desculpas num jornal de grande tiragem que depois nunca foi publicado e que hoje em dia celebra missa para os seus fiéis seguidores num armazém em Canelas, porque está sem nomeação.

Há uma expressão em inglês muito curiosa, que não tem equivalente em português, mas que acredito aplicar-se ao padre Roberto: I trust him as far as I can throw him.


Mais sobre este assunto dos abusos na Igreja

Conversa com Pedro Gil no Hospital de Campanha - Parte 1

Conversa com Pedro Gil no Hospital de Campanha - Parte 2

Cronologia de casos de abusos na Igreja em Portugal

Contributos para uma reflexão sobre casos de abusos na Igreja


Thursday, 22 September 2022

Rapto nos Camarões e hipersensibilidade no Reino Unido

Depois da Nigéria, agora os Camarões. Num só ataque foi incendiada uma igreja e raptados cinco padres, uma freira, dois catequistas e uma leiga. Neste caso o conflito nem é religioso, a Igreja vê-se apanhada entre os militantes que querem a independência da zona anglófona e o exército do governo maioritariamente francófono.

A Igreja quer ser parte da solução para o conflito em Moçambique. Recorde-se que há pouco tempo foi atacada uma missão católica e uma freira assassinada.

A Igreja no Paquistão avisa que os próximos tempos podem ser de fome e epidemias, devido às terríveis cheias que assolaram o país. Queixam-se ainda de discriminação aos cristãos na distribuição de ajuda humanitária.

Claro que o grande evento da semana foi o enterro da Rainha Isabel II. Nos dias depois da sua morte houve polémica porque algumas pessoas foram detidas por se manifestarem contra a Monarquia. Neste texto explico porque é que isso é mau, independentemente de concordarmos, mas que é apenas parte de um problema maior, que também afecta a liberdade religiosa.

Há dias saiu mais uma reportagem sobre um caso de abusos, neste caso na Diocese de Braga. O caso já está aqui, onde encontram links para os artigos originais. Aproveito para avisar que a questão dos abusos será tema do próximo episódio do podcast Hospital de Campanha, que deve ser publicado no início da próxima semana. Fiquem atentos, porque vai mesmo valer a pena.

Somos todos idólatras? Até certo ponto sim, considera o autor do mais recente artigo do The Catholic Thing em português. Na verdade, sempre que damos prioridade a nós mesmos do que a Deus estamos a cair na autolatria, argumenta, de forma convincente.

Por fim, foram acrescentadas várias declarações de líderes religiosos sobre a Ucrânia ao artigo no blog. Entre outros, temos o Patriarca Cirilo de Moscovo, que numa altura em que a Rússia anunciou a mobilização de 300 mil homens para servirem de carne para canhão na Ucrânia continua a culpar inimigos imaginários por dividirem o que ainda pensa serem “povos irmãos”. 

Thursday, 9 December 2021

A Fome como Arma, o Correio como Esperança

O Papa Francisco voltou a conversar com jornalistas no voo de regresso da Grécia e criticou os países que fecham as suas fronteiras aos imigrantes e refugiados.

A verdade é que muitos fogem de realidades como esta, no Mali, onde a fome é usada como uma arma.

Entrámos na fase das mensagens de advento dos bispos. O bispo do Porto convida ao “silêncio comunicativo” da Cabana de Belém e o bispo de Viana do Castelo, recém-empossado, lamenta que o homem moderno tenha medo até de si mesmo. Já em Vila Real abriu-se a porta santa para o jubileu da diocese.

A pastoral penitenciária de Braga lançou uma iniciativa interessante. O “Correio da Esperança” permite escrever aos reclusos e melhorar um pouco o seu Natal.

Como é que a Igreja reconquista a confiança aos olhos da sociedade na sequência da crise dos abusos sexuais? É o que pergunta o especialista Stephen P. White no artigo desta semana do The Catholic Thing em português. Um artigo cada vez mais actual e que todos devemos ler.

Monday, 6 December 2021

Papa regressa do mundo helénico, morreu o americano do rito bracarense

O Papa chega em breve a Roma depois de uma viagem de vários dias a Chipre eà Grécia. Desta viagem o grande destaque vai para a visita ao campo de refugiados em Lesbos, mas também o encontro com os migrantes e refugiados em Chipre, onde Francisco denunciou fortemente a exploração e o desprezo a que estes são votados. Mostrando que as palavras sem actos são vazias, Francisco deu ordem para 12 refugiados seguirem logo para Roma, e outros devem seguir nas próximas semanas.

Houve ainda tempo para denunciar as ameaças à democracia. O ecumenismo também foi uma aposta forte desta visita, tanto na Grécia como em Chipre e o Papa não esqueceu, obviamente, as comunidades católicas, com quem esteve e a quem encorajou. O último acto público foi um encontro com jovens esta manhã.

Na entrevista desta semana da Renascença com a Ecclesia temos Mariana Baptista, recém-chegada de um ano em missão com os Leigos para o Desenvolvimento.

E dos últimos dias temos ainda a notícia da nomeação de D. José Cordeiro para a arquidiocese de Braga. Sendo liturgista, podemos esperar uma revitalização da tradição litúrgica do Rito Bracarense? Infelizmente um dos poucos padres que ainda o celebrava com frequência, sem bem que nos EUA, era Joseph Santos, que morreu de Covid no passado sábado. Deixo-vos aqui a transcrição da entrevista que lhe fiz em 2010, ainda antes deste blog existir.

Entrevista ao padre Joseph Santos, 2010

Esta entrevista foi feita antes de eu ter o blog, por isso nunca publiquei a versão integral. Até a reportagem que foi feita já não se encontra online. Publico hoje, no dia em que soube da morte do padre Joseph Santos, esta conversa que tive com ele em Setembro de 2010. As fotos são da mesma ocasião


É raro celebrar-se em Portugal o Rito Bracarense. Qual é a sua grande riqueza?

Em parte é a sua história própria e o conteúdo das suas orações, que são diferentes do rito romano. Um exemplo que tivemos hoje e que desconhecia é que mesmo um santo tão desconhecido como São Gorgónio, todos os textos, menos o texto do Evangelho, eram diferentes dos textos do rito romano, e até o Aleluia nem estava no rito romano, era uma antífona completamente diferente do rito romano.

Outra coisa é a riqueza das orações, especificamente as orações de preparação para a comunhão do sacerdote, e tem pelo menos dois que são diferentes do rito romano, e revelam uma devoção eucarística muito profunda.

Isto não é para dizer que o rito romano tem problemas, todos temos. E Deus sabe que Braga, durante a sua história teve sempre problemas com o seu próprio rito, entre os padres, entre os bispos, entre os cónegos da sé, mas não podemos negar que quando o Concílio Vaticano II chamou para a inculturação da liturgia, não tenho dúvida que tinha em vista estes velhos ritos ocidentais, como o de Milão, o Moçárabe [em Toledo], de Braga, como formas de inculturação, em que o povo acarinhava o rito romano, mas também queria fazer do Rito Romano deles. Então entravam aspectos que representavam a sua própria história, as suas lutas contra as heresias, como por exemplo a heresia do pelagianismo aqui na Península Ibérica, e isto enriqueceu o rito romano de uma forma própria, que não é igual ao milanês, que não é igual aos outros ritos ocidentais que apareceram na mesma época.

E também Braga sempre teve uma queda para Roma. Vemos logos nos primeiros tempos uma carta do bispo, ao Papa Vergílio, a perguntar como podia celebrar a liturgia como em Roma, e recebeu o Cânone Romano e outros documentos. E quando foi imposto no reino suevo e na Galiza o rito moçárabe, foi uma mudança radical e logo quando foi reimposto o rito romano por Afonso de Castela e Leão, no século XI, Braga voltou e pegou em algumas coisas do seu antigo rito que não eram bracarenses, mas eram aspectos do romano antigo, do Gregório VII e anterior, que só ficou em Braga, desapareceu até em Roma. Mas sabemos pelos estudos que estas cerimónias foram feitas em Roma, nas missas papais, deixaram de existir em Roma, mas continuaram em Braga.

Na prática, hoje em dia o rito não é celebrado… Como vê isso?

De facto, todos os sacerdotes da arquidiocese de Braga são permitidos celebrar o rito bracarense, e o rito bracarense permanece em toda a Arquidiocese de Braga. Essa foi a última determinação de Roma. Mas no mesmo documento diz que todos os sacerdotes de Braga podem usar o rito novo. E como já existiam os livros em português, o cerimonial era muito mais simplificado, e pelo menos na zona de Braga, com tanto trabalho naquela época os padres foram pelo caminho de menos esforço.

E o Povo, enquanto o sacerdote não mexia nas festas, nas devoções, na bênção do santíssimo e estes aspectos de piedade popular, o padre tratava da missa, eles tratavam do resto, e por isso não houve uma grande revolta, enquanto nos países anglo-saxónicos o que aconteceu foi que acabaram com as procissões, acabaram com as devoções, mandaram tudo fora da porta, ficaram só com a missa e depois quiseram mudar isso também, e o povo disse basta.

Em Inglaterra, por exemplo, havia um indulto desde o tempo do Cardeal Heenan, em que se podia celebrar o rito antigo romano. Mas aqui não houve este problema, também não houve tanta experimentação estúpida como houve noutros países. Penso que aí Portugal estava mais saudável, liturgicamente falando.

Está a participar numa peregrinação de um grupo tradicionalista católico americano com o objectivo de chamar atenção para o rito tridentino. Qual a importância disto nos dias de hoje, em Portugal?

Primeiro não gosto de os chamar tradicionalistas, porque isto tem um mau sabor, particularmente entre o clero e o episcopado português. São pessoas que, como disse o Papa Bento XVI, têm um amor pela forma tradicional de liturgia.

E porque a liturgia tradicional tem várias formas, não é só o rito romano, monolítico, mas tem várias, acho que é essencial para as pessoas que às vezes vêm com uma atitude possivelmente um pouco mais fechado, de abrir-se para as outras possibilidades que já existiam antes do Concílio e que existem outra vez hoje. Porque como sabemos a última consulta feita à Santa Sé sobre o Sumorum Pontificum, diz que também se aplica ao rito ambrosiano, bracarense e moçárabe, por isso não há obstáculo nenhum a celebrar o nosso rito, nesse sentido.

Essa variedade de liturgia ajuda também a ver que há bem na própria variedade. Que o rito novo é uma expressão que pode ser boa e necessária para a Igreja, também o rito antigo tem o seu lugar e o seu valor, também o rito bracarense, o dominicano, o ambrosiano, beneditino e os outros grupos que tinham as suas variedades.

Isto é importante porque se nós começamos a ver só o Romano, como até no relatório sobre o rito bracarense, que foi feito por D. Francisco Maria da Silva, alguns sacerdotes queriam usar o rito romano só por ser romano, e mais nada, é uma pena que olhemos para a liturgia assim, quando há uma riqueza litúrgica no mundo que é tão vasta, desde os ritos orientais, da índia, que podemos conhecer… e isto enriquece-nos a nós. Não para dizer que vamos pegar nas coisas daqueles ritos e meter no nosso, mas para conhecê-los, para aproveitar as orações para nós mesmos, para a nossa própria espiritualidade. Faz muita falta isso.

Alguns pensam que estas coisas são pequenas, mas muitas coisas neste mundo são pequenas e tornam-se importantes para quem as ama.


Existe uma versão actualizada, já reformada do rito bracarense…

O rito bracarense nunca foi reformado, foi traduzido só. Há um livro do ordinário da missa que foi publicado no tempo de D. Francisco Maria da Silva, e distribuído a todas as paróquias da arquidiocese de Braga e de Viana de Castelo, naquele tempo, que tem de um lado o rito em latim e do outro em português, mas sem alteração nenhuma, porque a Santa Sé rejeitou as mudanças que foram propostas. E está na carta do arcebispo Bugnini, na introdução, que diz que foi decido que para manter a integridade do rito bracarense não se muda nada. E acabou.

Por isso se agora querem fazer outra examinação, isso é com o Sr. Arcebispo de Braga.

Thursday, 21 March 2019

Tragédia em Moçambique e Templeton para o Brasil

Moçambique está a passar uma crise sem precedentes. Saiba aqui como ajudar.

O Papa Francisco falou da questão, lamentando a devastação causada pelo ciclone e várias organizações católicas têm oferecido ajuda, como a arquidiocese de Braga e a Fundação AIS.

Um cientista brasileiro tornou-se o primeiro sul-americano a vencer o importante Prémio Templeton (ver foto).

Se tem curiosidade em conhecer melhor a vida da Imperatriz Zita, que tem processo de beatificação aberta, não perca a oportunidade de ir a esta conferência.

E porque estamos na Quaresma, esta semana escolhi um artigo de Robert Royal que nos recomenda a largar as polémicas por uns tempos, para nos focarmos noutras coisas neste período. Não deixem de ler o artigo do The Catholic Thing em português.

Tuesday, 12 March 2019

O Estado falido que estrangula

O Estado está a cumprir no que diz respeito à área social? Duas vozes da Igreja dizem que não. A nova provincial das irmãs hospitaleiras fala em “falência da responsabilidade social do Estado” e um responsável da arquidiocese de Évora diz que as instituições da Igreja vivem numa situação de estrangulamento.

Uma capela em Braga venceu um prémio de arquitectura. Parece-lhe déjà-vu? Aconteceu a mesma coisa com outra capela, dos mesmos arquitectos, também em Braga, em 2011.

A Catedral de Santiago de Compostela – que arquitectonicamente também não é nada de se deitar fora – foi vandalizada. Deve ter sido pelos arautos da liberdade…

E no passado dia 8 de Março, dia da Mulher, a Renascença e a Ecclesia entrevistaram a directora da Obra Católica das Migrações, Eugénia Quaresma. A ler.

Conhece algum não-crente que gostaria de fazer um retiro de silêncio? Apresento-vos esta proposta de um retiro de um dia. Mas os crentes também podem ir!

Thursday, 18 January 2018

Love is in the air!

E pronto… Francisco arranja sempre maneira de nos surpreender novamente. Hoje foi um casamento em pleno voo. Dois assistentes de bordo entraram no avião solteiros, aos olhos da Igreja, e saíram casados. Love is in the air.

Já em Iquique, Francisco celebrou missa e disse aos presentes que os imigrantes que partem das suas casas à procura de melhores vidas, são “ícones da sagrada família”.

Ontem o Papa esteve com os jovens em Santiago, no Chile, e para que não lhes faltasse nada deu-lhes o password da banda larga de Jesus.

Braga é a mais recente diocese a publicar orientações para a aplicação do Amoris Laetitia.

E hoje que começa o oitavário da oração pela unidade dos cristãos, o bispo da Guarda desafia os cristãos a lutar contra novas formas de escravatura.

Apresento-vos o bispo americano que recusou participar numa caminhada pela vida na sua diocese porque a oradora é defensora da pena de morte.

Monday, 10 July 2017

Imãs "on tour" e glúten para todos

Glúten e Vaticano: A conspiração!
É possível que tenha ouvido dizer nos últimos dias que o Vaticano, do alto da sua enorme maldade e ódio aos celíacos, proibiu as hóstias sem glúten. Respire fundo, leia isto e perceba que afinal esta última polémica é uma mão cheia de nada.
Um grupo de imãs está em “tournée” pela Europa para condenar o terrorismo e o extremismo. E é apropriado que assim seja pois, segundo o meu entrevistado Aamir Mufti, o fenómeno do radicalismo islâmico tem precisamente raízes europeias. É uma perspectiva interessante, leia e veja por si mesmo.
Mais ordenações pelo país fora. Braga tem seis novos diáconos, numa altura em que D. Jorge Ortiga celebra 50 anos de sacerdócio e Bragança-Miranda tem um novo padre que, segundo o bispo, deve ser manso e humilde de coração.

Monday, 23 November 2015

Freiras e jornalistas em tribunal

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Continua a saga das freiras que não são bem freiras que terão abusado psicologicamente de noviças que não são bem noviças, num convento que não é bem um convento. Hoje foram presentes a tribunal, juntamente com um padre que, esse pelo menos, ninguém parece duvidar que é padre.

O Papa prepara-se para ir a África numa viagem de alto risco. Hoje enviou uma vídeo-mensagem aos países que vai visitar, dizendo que vai em nome da paz, perdão e reconciliação. Quarta-feira Francisco parte para o Quénia, daí visita o Uganda e depois a muito instável República Centro-Africana.

Quando partir para África, já terá começado o julgamento do caso Vatileaks II. Entre os acusados estão dois jornalistas italianos que são acusados no Vaticano de um crime que em Itália não o é, o que levanta toda uma série de questões e levou a OSCE a pedir o arquivamento do seu processo.

Há um novo bispo em Portugal. Durante o fim-de-semana, o Papa nomeou o padre Nuno Almeida, de Fornos de Algodres, para auxiliar de Braga. Conheça-o melhor aqui.

Por fim, durante o fim-de-semana vários líderes religiosos e figuras da sociedade civil e política encontraram-se na Mesquita de Lisboa para rezar pela paz, na sequência dos atentados de Paris.

Friday, 24 July 2015

Processo arquivados e padres afastados

MP arquivou processo contra padre Abel Maia
Ontem, mais ou menos na mesma altura em que eu estava a enviar o mail diário, o ministério público mandou arquivar o processo de alegados abusos sexuais de menores envolvendo um padre da arquidiocese de Braga. Hoje a arquidiocese anunciou que o padre Abel Maia continuará afastado do trabalho pastoral, a seu pedido, até recuperar psicologicamente. A cronologia de casos de abusos envolvendo a Igreja já foi, por isso, actualizada.

Foi reaberta, em Santarém, uma Igreja fundada pelos templários.

Chamo ainda atenção para o livro “Museus da Igreja” que foi apresentado ontem.

Não deixem de ler os dois artigos do The Catholic Thing que publiquei nas últimas duas semanas e, caso ainda não o tenha feito, leia o anterior que teve muito mais sucesso do que eu esperaria: Namoro na era da Pílula.

E se ainda não leu, não deixe de dar uma vista de olhos no meu texto de opinião sobre a reacção da esquerda à aprovação de alterações à lei do aborto e de como isso revela que para os fiéis da revolução sexual esta é uma questão religiosa mais do que racional.

Wednesday, 30 January 2013

Caldeus procuram Patriarca, Egípcio procura juízo

"Living in America"? Não nos parece...
Já tinham saudades da Sociedade de São Pio X? Também eu. Por isso ontem fiz um texto com o ponto da situação deste grupo em relação a Roma. Nos blogues especializados diz-se que uma facção dissidente poderá estar a preparar novas ordenações episcopais.

Confrontado com instabilidade interna que ameaça o seu regime, o que o Presidente do Egipto mais precisava, certamente, era que um conselheiro seu viesse a público dizer que o Holocausto foi inventado pelos americanos

Boas notícias da Nigéri, a serem recebidas com cautela… O grupo terrorista Boko Haram propõe um cessar-fogo! Vamos a ver como é que a coisa corre.

A Semana Santa de Braga é candidata a Património da Humanidade! Um reconhecimento que poderá tornar ainda mais famosas estas celebrações tão marcantes.


Os bispos da Igreja Caldeia estão reunidos em sínodo para escolher hoje um novo Patriarca. O anúncio formal poderá ter de esperar mais um ou dois dias… Estaremos atentos.

Thursday, 25 October 2012

SSPX perde um quarto dos seus bispos...

Clicar para aumentar
É já esta noite que Lisboa entra no Ano da Fé. Na missa que vai decorrer na Sé de Lisboa o Patriarca fará chegar aos fiéis a carta que escreveu a propósito desta iniciativa.

Ainda no âmbito do Ano da Fé, ao fim da tarde foi lançado o álbum Missa Brevis, de autoria de João Gil e vários outros músicos. Veja aqui a entrevista a João Gil.

Sábado chega ao fim o sínodo dos bispos para a Nova Evangelização, mas o documento final será divulgado amanhã.

Entretanto a Sociedade de São Pio X tem menos um bispos. O anti-semita Richard Williamson foi expulso. Mas as conversações com Roma parecem ter naufragado.


Amanhã não deve haver mail, pelo que vos desejo um bom fim-de-semana e até Segunda, se Deus quiser.

Monday, 15 October 2012

Braga invadida por 32 religiões

Cinquenta anos depois do Concílio temos ouvido vários testemunhos sobre o evento. Mas que dizem aqueles que não o testemunharam? Aqui encontrarão a minha visão do Concílio, eu que nasci quase 20 anos depois de este ter começado. Convido-vos a partilhar as vossas opiniões e experiências na caixa de comentários.


Amanhã será lançado o relatório da liberdade religiosa da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que é produzida de dois em dois anos, e que conclui que os cristãos são os mais atingidos pela perseguição.

Ontem houve mais um ataque sangrento num local de culto na Nigéria. Desta vez as vítimas foram muçulmanas. Vinte pessoas mortas no que pode ter sido uma vingança de salteadores.

Chamo a atenção, sobretudo dos mais jovens, para um evento na quarta-feira, na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa. D. Nuno Brás fala a convite das Equipas de Jovens de Nossa Senhora sobre os desafios para os jovens no Ano da Fé.

Não se esqueçam de me enviar dados de outros eventos relacionados com o Ano da Fé. Muitos já o fizeram e são úteis para completar o calendário que a Renascença disponibiliza na sua infografia especial.

Saturday, 7 July 2012

Cinco anos de Summorum Pontificum

No quinto aniversário da publicação do Summorum Pontificum, o motu proprio de Bento XVI que liberalizou o acesso à liturgia gregoriana/missa tridentina, aproveitamos para publicar uma lista de todas as missas disponíveis para os fiéis nas dioceses de Lisboa, Porto e Braga:

...

E pronto, é isso.

Tuesday, 3 July 2012

A Igreja que queria ser Basílica e programas libaneses

A Igreja que queria ser uma basílica
Querido Papa,
Estou quase a fazer 300 anos e o presente que mais queria era ser uma basílica. O meu bispo diz que fará os possíveis, mas que isto depende de si…
Saudações,
Igreja de Santo Cristo, Bragança

Não se sabe se Bento XVI receberá este pedido, uma vez que foi hoje de férias para Castel Gandolfo.

Em Setembro, já com as férias terminadas, o Papa vai ao Líbano. O programa foi divulgado hoje. Resta saber se a situação na Síria não vai alterar os planos…

O museu do holocausto, Yad Vashem, amenizou as críticas que fazia a Pio XII. Não o exonera completamente, mas reconhece que a sua actuação no período da Segunda Guerra Mundial está aberta ao debate.

Wednesday, 18 April 2012

Feriados e tradicionalistas... estamos quase lá!

Não é definitivo, mas em 24 anos, nunca esteve tão próxima a reunificação entre os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X e Roma. Pode ser uma questão de dias. Este assunto, e outros, estarão em discussão no debate de esta noite da Renascença, a ouvir depois do noticiário das 23h00




Porque hoje é quarta-feira temos um novo artigo de The Catholic Thing. Randall Smith escreve sobre a necessidade de conhecermos a fundo a fé e os ensinamentos da Igreja.

Tuesday, 13 March 2012

Glóbulos vermelhos e barretes cardinalícios


No Tibete registou-se recentemente o 24º caso de auto-imolação em protesto contra a China. A data escolhida pela vítima de 18 anos foi simbólica…


Leia e ouça aqui também a reportagem da nossa correspondente em Braga sobre a capela Árvore da Vida.

E ainda, incrivelmente, o caso D. Manuel Monteiro de Castro. No dia 7 Laura Ferreira dos Santos escreveu uma crónica no Público sobre o assunto. Respondo-lhe aqui.

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